1811: Descoberta na Sibéria “super-bactéria” que poderá viver em Marte

CIÊNCIA

TSU / Olga Karnachuk

Uma bactéria capaz de sobreviver sem luz ou oxigénio, procurada em todo o mundo depois de o seu ADN ter sido identificado há 10 anos numa mina de ouro sul-africana, foi finalmente descobertas por cientistas russos.

“Os microbiologistas da TSU (Universidade Estadual de Tomsk) detectaram pela primeira vez a bactéria Desulforudis audaxviator em águas subterrâneas nas profundezas da Terra”, revelou aquela instituição de ensino em comunicado.

Na mesma nota esta semana divulgada, a TSU recorda que várias equipas de cientistas estão à procura deste organismo há mais de 10 anos. “O enorme interesse deve-se à capacidade do microrganismo obter energia na ausência de oxigénio e na escuridão total. Teoricamente, pode mostrar que a vida noutro planeta é possível, por exemplo em Marte”, observou o TSU, citado pelo portal russo Sputnik News.

Olga Karnachuk, chefe do departamento de fisiologia vegetal e biotecnologia da TSU, recordou que há mais de dez anos uma equipa de cientistas norte-americano encontrou ADN da bactéria a 2,8 quilómetros de profundidade numa mina de ouro na África do Sul. 

“Até há pouco tempo acreditava-se que a vida nestas condições era impossível, porque a fotossíntese leve – processo fundamental em todas as cadeiras alimentares – não é produzida, mas descobriu-se que essa hipótese estava errada“, sublinhou a especialista.

Após a equipa dos Estados Unidos ter publicado um artigo no qual descrevia a descoberta na revista especializada Science, cientistas de vários países começaram a procura por esta bactéria. O seu ADN chegou a ser encontrado na Finlândia e nos Estados Unidos, mas o microrganismo nunca chegou a ser encontrado.

Os russos tornaram-se os primeiros a descobrir a bactéria em águas subterrâneas a partir de uma fonte termal localizada nas florestas da Sibéria, a norte da cidade de Tomsk.
A Desulforudis audaxviator é uma das bactérias mais antigas que habitam o nosso planeta, sendo caracterizada pela sua capacidade de sobreviver sem oxigénio e obter energia a partir de sulfatos e da oxidação de hidrogénio ou compostos orgânicos.

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Por ZAP
6 Abril, 2019

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