4178: Fóssil preserva olhos de animal com mais de 429 milhões de anos

CIÊNCIA

Investigadores descobrem que fóssil encontrado na República Checa preserva olhos de trilobita com mais de 429 milhões de anos

Brigitte Schonemann, da Universidade de Colónia, Alemanha, e Euan Clarkson, da Universidade de Edimburgo, Escócia, estudaram uma rocha descoberta na República Checa e constataram que o trilobite ali fossilizado mantém a estrutura ocular intacta. Este espécime está muito bem preservado e permitiu aos cientistas aprenderem mais sobre como os olhos deste animal evoluíram.

O fóssil do trilobite tem apenas um centímetro e está dividido ao meio, permitindo ver a forma das estruturas num dos olhos. Estes artrópodes (animais invertebrados de exoesqueleto rígido), que viveram há milhões de anos, apresentam olhos compostos, semelhantes aos das moscas actuais. Na parte de cima de cada componente do olho há uma lente com as células em cone a ajudar a processar a luz, até ao receptor que depois envia o sinal ao cérebro. Toda esta forma de funcionar foi apreendida através da observação deste fóssil, explica a publicação ArsTechnica. Neste trilobite, o cone aparenta ser minúsculo e a lente bastante mais grossa do que nos congéneres estudados anteriormente.

Outra vertente estudada pelos investigadores prende-se com o ambiente envolvente desta estrutura. Os investigadores encontraram paredes estruturais, com pigmentos escuros estáveis o suficiente para se manterem preservados nos fósseis. Estas paredes ajudam a manter a luz bloqueada, à semelhança do que acontece em animais do conhecimento geral, como o camarão. Por outro lado, o habitat destes trilobites seria um local bem iluminado e com águas rasas.

Os investigadores apontam que quase tudo sobre este olho composto parece ser moderno e comparável com o que encontramos nos insectos e em muitos crustáceos da actualidade.

Exame Informática
17.08.2020 às 08h33

 

spacenews

 

2943: Há 500 milhões de anos, as trilobites morreram em fila indiana (e agora sabemos porquê)

CIÊNCIA

(dr) Jean Vannier

Há 480 milhões de anos, no período Ordoviciano baixo, muitas trilobites morreram no fundo do mar em fila indiana. Agora, uma equipa de cientistas da Universidade de Lyon, em França, desvendou o mistério.

Em linhas estranhamente ordenadas, com os seus longos espinhos a tocarem uns nos outros como se estivessem em fila indiana ou a caminhar meticulosamente: foi assim que morreram várias trilobites no fundo do mar, há 480 milhões de anos.

O porquê de estes animais terem morrido em fila indiana permaneceu um mistério durante muito tempo. Agora, uma recente investigação sugere uma resposta.

A maneira como os artrópodes morreram, enterrados por sedimentos, sugere a presença de tempestades na altura, ou seja, o comportamento migratório colectivo foi desencadeado por distúrbios no ambiente.

Actualmente, muitos animais exibem comportamentos colectivos e sociais. Mas como e porque é que o comportamento colectivo evoluiu ainda permanece bastante sombrio, uma vez que exemplos deste tipo no registo fóssil são relativamente escassos.

Há cerca de 10 anos, uma equipa de paleontologistas encontrou uma espécie de artrópode anteriormente desconhecida do Baixo Cambriano (541 a 485 milhões de anos atrás) numa linha peculiar quase perfeita.

Vannier et al. / Scientific Reports, 2019

Até agora, os cientistas estavam convencidos de que esta linha era indicativa de comportamento colectivo, ou migratório ou relacionado com a reprodução. No entanto, análises até ao momento deixaram de fora informações muito importantes, como pesquisas do ambiente sedimentar em que foram enterradas.

Recentemente, o geólogo Jean Vannier, da Universidade de Lyon, e uma equipa internacional de cientistas descreveram as várias filas destas trilobites, chamadas Ampyx priscus, encontradas no Tremadocian Fezouata Shale Lagerstätte, perto de Marrocos.

“Mostramos que estes alinhamentos de trilobites não resultam de transporte e acumulação passivos por correntes, mas sim de um comportamento colectivo“, escreveram os cientistas, no artigo científico publicado na Scientific Reports. “O Ampyx priscus estava, provavelmente, a migrar em grupo e usou os seus longos espinhos projectados para manter uma formação de fileira única por contactos físicos possivelmente associados a mecano-receptores e/ou comunicação química“.

Segundo o Science Alert, esta análise constatou que os sedimentos em que as trilobites foram enterradas são consistentes com os sedimentos agitados e depositados por ondas provocadas por tempestades – em quantidades suficientes para enterrar linhas de trilobites, mas não fortes o suficiente para carregá-las.

Assim, sepultadas numa camada do fundo do mar, as trilobites morreram como estavam, envenenadas com sulfureto de hidrogénio, agitado pela tempestade, ou sufocadas.

Esta investigação torna claro o facto de haver fortes indícios de que o comportamento colectivo já prosperava há quase meio milhão de anos.

ZAP //

Por ZAP
2 Novembro, 2019