3325: Cientistas apresentam o primeiro peixe que conquistou a terra firme

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Flick Ford
Tiktaalik roseae

Uma investigação sobre peixes fossilizados do final do período devoniano, há cerca de 375 milhões de anos, detalham a evolução das barbatanas quando começaram a fazer a transição para membros aptos a caminhar em terra.

O novo estudo, realizado por paleontólogos da Universidade de Chicago e publicado no mês passado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, usou a tomografia computorizada para examinar a forma e a estrutura dos raios das barbatanas enquanto ainda estão envoltos em rochas circundantes.

As ferramentas de imagem permitiram que os investigadores construíssem modelos 3D digitais das barbatanas do Tiktaalik roseae e dos seus parentes no registo fóssil pela primeira vez. Com esses modelos, os cientistas conseguiram inferir a forma como as barbatanas funcionavam e mudavam à medida que evoluíam para membros.

Grande parte dos estudos sobre barbatanas durante este estágio transitório é focada nos ossos e pedaços de cartilagem grandes e distintos que correspondem aos do braço, antebraço, punho e dedos. Conhecidos como o “endosqueleto”, os investigadores traçam a forma como os ossos mudaram para se tornarem braços, pernas e dedos reconhecíveis em tetrápodes ou criaturas de quatro patas.

Os delicados raios e espinhos das barbatanas de um peixe formam um segundo esqueleto “dérmico”, que também estava a passar por mudanças evolutivas nesse período. Estas peças são negligenciadas porque podem ser destruídas quando os animais são fossilizados ou porque são removidas intencionalmente por preparadores fósseis para revelar os ossos maiores do endosqueleto.

Os raios dérmicos formam a maior parte da superfície de muitas barbatanas de peixes, mas foram completamente perdidos nas primeiras criaturas com membros.

Segundo explicam em comunicado, Stewart e os seus colegas trabalharam com três peixes devonianos tardios com características primitivas de tetrápodes: Sauripterus taylori, Eusthenopteron foordi e Tiktaalik roseae, que foram descobertos em 2006.

Os modelos mostraram que os raios das barbatanas destes animais eram simplificados e o tamanho geral da rede de barbatanas era mais pequeno do que a dos seus antecessores. Também viram que as partes superior e inferior das barbatanas estavam a tornar-se assimétricas.

Matt Wood

Os raios das barbatanas são, na verdade formados por pares de ossos. No Eusthenopteron, por exemplo, o raio da barbatana dorsal ou superior era ligeiramente maior e mais longo do que o ventral ou inferior. Os raios dorsais do Tiktaalik eram maiores do que os raios ventrais, sugerindo que possuía músculos que se estendiam na parte inferior das suas barbatanas, como a base carnosa da palma da mão, para ajudar a suportar o seu peso.

Acreditava-se que Sauripterus e Eusthenopteron eram totalmente aquáticos e usavam as suas barbatanas peitorais para nadar, embora possam ter sido capazes de se sustentar no fundo de lagos e riachos. Tiktaalik pode ter sido capaz de suportar a maior parte do seu peso com as suas barbatanas – e talvez até as tenha usado para se aventurar fora de água para viagens curtas em águas rasas.

“Isto dá-nos mais confiança para dizer que estes padrões são reais, generalizados e importantes para os peixes, não apenas no registo fóssil em relação à transição da barbatana para o membro, mas para a função de barbatanas em geral”, concluiu Stewart.

ZAP //

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

spacenews