223: Cenários das séries sobre o Apocalipse nuclear são muito optimistas

(dr) The CW
“The 100”, poster da 4ª época

Uma explosão simultânea de todas as centrais nucleares do mundo, em resultado de um ataque nuclear ou uma calamidade natural, tornaria o nosso planeta completamente inabitável ao longo dos 156 anos seguintes, devido à contaminação do solo e da atmosfera, descobriram os cientistas.

No final da 4ª temporada da série The 100, os seus heróis voam para o espaço para tentarem salvar-se do Apocalipse nuclear provocado por uma explosão quase simultânea de todas as centrais nucleares do mundo. A protagonista principal, Clarke, garante que o planeta voltaria a ser seguro para viver ao fim de 2.199 dias.

“Tentámos verificar se esse seria realmente o caso“, explicam os autores de um novo estudo, apresentada num artigo publicado no Journal of Physics Special Topics.

Segundo as actuais avaliações da ONU e da Agência Internacional de Energia Atómica, as centrais nucleares produzem cerca de 11% de toda a energia eléctrica na Terra. Hoje em dia, o nosso planeta tem cerca de 430 centrais nucleares e quase 200 reactores flutuantes instalados em submarinos, quebra-gelos e centrais de energia flutuantes.

Em meados deste século, acreditam os especialistas das Nações Unidas, o número de reactores duplicará, e atingirá cerca de 900.

Na série The 100, estes reactores ficam fora de serviço quase ao mesmo tempo porque a protagonista destrói o sistema de inteligência artificial ALIA, que tinha provocado uma guerra nuclear no 1º episódio da série, e que geria o funcionamento de todas as instalações atómicas do planeta.

Usando dados das explosões nas centrais nucleares de Chernobyl e Fukushima, os cientistas britânicos tentaram calcular quantos radio-isótopos seriam lançados para a atmosfera após um cataclismo e por quanto tempo o planeta ficaria inabitável para o ser humano.

De acordo com os resultados destes cálculos, a protagonista de The 100 terá sido muito optimista ao estimar a “quarentena” em 2.199 dias, uma vez que a dispersão dos grandes volumes de césio-137 e outros isótopos de vida longa libertados para a atmosfera tornaria a Terra inabitável para as pessoas ao longo de 150 anos, e não apenas 5.

Nos primeiros anos após a explosão, o nível de radiação, caso os resíduos tivessem sido distribuídos de forma regular, seria 35 vezes superior ao normal, e diminuiria até índices mais ou menos seguros apenas após cerca de 50 anos.

Claro que, realçam os cientistas, nada disso pode acontecer na realidade, uma vez que a maioria dos reactores modernos é equipado com vários sistemas de segurança que interromperiam as reacções químicas e desligariam o reactor caso o seu sistema de arrefecimento tivesse ficado enfraquecido.

Excepto, claro, num outro cenário de Apocalipse: o de uma Guerra Termonuclear Global.

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