2603: Astrónomos suspeitam que há um tesouro escondido sob a superfície da Lua

CIÊNCIA

giumaiolini / Flickr

Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos e do Canadá suspeitam que haja um tesouro escondido nas profundezas da Lua.

Mineração de riquezas é a última coisa que está na mente dos astrónomos. Porém, saber mais sobre a química lunar poderá resolver um conflito sobre a aparente falta de elementos preciosos que se pensa formar o manto da Lua.

Desde sempre que olhamos para metade da face da Lua. Contudo, só recebemos as primeiras pistas reais sobre o que está por baixo da sua superfície quando os astronautas trouxeram para a Terra várias centenas de quilos de material lunar cerca há 50 anos.

“Temos um total geral de 400 quilos de amostras que foram trazidos de volta pelas missões Apolo. É uma quantidade muito pequena de material”, disse James Brenan, da Universidade Dalhousie, no Canadá, em comunicado publicado pela Phys. “Para descobrir algo sobre o interior da Lua, precisamos de reverter a composição das lavas que vêm à superfície.”

Retro-engenharia em basaltos trazidos de volta das missões Apolo 15 e 17 foi usada em 2007 para estimar a quantidade de elementos siderófilos que compõem o manto da Lua. Uma boa proporção deve ter sido proveniente de uma chuva de materiais de construção que sobraram à medida que o Sistema Solar terminou a sua fase de construção, por isso é um indicador útil do tipo de ataque que a Lua sofreu logo após a sua formação.

Estranhamente, as medições eram dez a 100 vezes menores que o esperado. Mesmo depois de aplicar modelos ajustando a maneira como os impactos dos meteoritos podem corroer a Lua, em vez de contribuir para a sua massa, os números nunca fizeram muito sentido, deixando muito espaço para perguntas.

Parte do problema pode estar na forma como os investigadores geralmente começam com a suposição de que a geoquímica da Lua é mais ou menos a mesma que a nossa. Não é exactamente uma suposição irracional, dadas as teorias amplamente sugeridas, sugerindo que a Lua foi feita a partir da própria carne e ossos do nosso planeta.

Mas, apesar de todas as semelhanças, existem diferenças. Assim, a equipa de cientistas combinou os resultados de experiências sobre a solubilidade do enxofre com modelos sobre pressão e termodinâmica do magma de arrefecimento para determinar um conjunto mais preciso de restrições à composição do manto lunar.

Os investigadores descobriram, de acordo com o estudo publicado em Agosto na revista especializada Nature Geoscience, que a existência desses elementos siderófilos ausentes era mais do que provável – simplesmente não estariam à superfície.

“Os nossos resultados mostram que o enxofre nas rochas vulcânicas lunares é uma impressão digital da presença de sulfeto de ferro no interior rochoso da lua, onde pensamos que os metais preciosos foram deixados para trás quando as lavas foram criadas”, explicou Brenan.

Os resultados não fornecem, no entanto, uma estimativa sólida da composição de metais preciosos no manto. Se vale a pena minerar no futuro dependerá do que as futuras missões encontrarem. Explorações de formações rochosas profundas expostas a impactos nas regiões sul da Lua podem ajudar a restringir ainda mais os números de elementos de ferro no manto.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

1576: Tesouro de espécies “sobrenaturais” descoberto nas águas profundas da Costa Rica

Uma equipa de cientistas que tem vasculhado as águas escuras e profundas da Costa Rica descobriu um tesouro de novas espécies estranhas de todas as formas e tamanhos. A expedição encontrou também muito lixo nas profundezas proveniente da actividade humana.

A bordo do navio de investigação Falkor, a equipa do Instituto Oceânico Schmidt, organização privada sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, investigou vários montes e pequenas montanhas submarinas criadas pela actividade vulcânica perto do Parque Nacional Isla del Coco, na costa da Costa Rica.

Depois de 19 mergulhos submarinos operados remotamente, alguns dos quais a milhares de metros de profundidade, os cientistas traçaram uma ideia sem precedentes sobre este ecossistema muito pouco explorado.

A equipa conseguiu documentar uma série de micróbios, ostras, estrelas-do-mar “quebradiças”, corais, peixes, polvos, tubarões, raias. Destes, foi possível identificar quatro nova espécies de corais e seis outras espécies de animais até então desconhecidos – todo um mundo novo submarino.

“Cada mergulho continua a surpreender-nos”, confessou Erik Cordes, ecologista de águas profundas da Temple University, na cidade norte-americana da Filadélfia, em comunicado enviado ao portal IFLScience.

“Descobrimos espécies de corais duros que constroem recifes a uma profundidade de mais de 800 metros em dois montes submarinos diferentes. Os registos mais próximos desta espécie são das águas profundas ao redor das Ilhas Galápagos”.

“O mar profundo é o maior habitat da Terra”, frisou. “Perceber como é que este habitat funciona vai ajudar-nos a entender como é que o planeta como um todo funciona ”.

Contudo, nem tudo foi incrível nas águas profundas. Num dos mergulhos a maior profundidade, cerca de 3600 metros, encontrou muito lixo oriundo da actividade humana. Tendo em conta a crescente actividade pesqueira e energética nos oceanos profundos, os cientistas alerta que a pegada do homem tenderá a ficar maior e mais ousada neste lugar único e quase alienígena.

Os cientistas consideram importante proteger este ecossistema, instando as autoridades a criar uma nova área marinha protegida. “A nova pesquisa apoiará os esforços da Costa Rica para conservar estes importantes habitats, fornecendo uma linha base das espécies e ecossistemas incríveis encontrados nestas áreas mais profundas e que nem sempre têm a atenção que merecem”, disse a co-fundadora do Instituto Wendy Schmidt.

“Para já, uma das coisas mais importantes que podemos fazer é entender como é que estas comunidades funcionam. Depois, e se houver mudanças no futuro, poderemos medir o impacto humano”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
10 Fevereiro, 2019

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