2146: Já se sabe como é que as marés podem desencadear terramotos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Free-Photos / Pixabay

Como e porquê que as marés desencadeavam terramotos sempre foi uma incógnita que os cientistas têm tentado resolver ao longos dos anos. Agora, o mecanismo foi descoberto num novo estudo.

Actividade sísmica e vulcânica pode ser desencadeada pela força das marés, com terramotos a acontecerem nas profundezas oceânicas. Estes terramotos acontecem durante a maré baixa, apesar de teorias convencionais sugerirem que deveriam acontecer em alturas de maré alta.

Um novo estudo publicado esta sexta-feira na revista Nature Communications mostra como o magma debaixo da dorsal oceânica é responsável por esta actividade sísmica, até agora inexplicável.

É a câmara de magma a respirar, expandindo e contraindo devido às marés, o que está a fazer com que as falhas se movam”, explicou Christopher Scholz, sismólogo do Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade da Columbia.

Os cientistas ficaram surpreendidos com os resultados, uma vez que esperavam que quando a maré estivesse alta, o bloco superior seria empurrado para baixo e causaria terramotos numa falha. “Em vez disso, a falha desliza durante a maré baixa, que é o oposto do que esperávamos”, explicou Christopher.

Como alvo de análise, os cientistas usaram o vulcão submarino Axial, do oceano pacífico. Posteriormente, analisaram os resultados e exploraram as diferentes maneiras que a maré baixa poderia estar a causar actividade sísmica.

Com isto, perceberam que quando a maré está baixa, há menos água em cima da câmara de magma, o que faz com que esta se expanda. O Tech Explorist explica que, à medida que aumenta, ele movimenta as rochas ao redor, forçando o bloco inferior a deslizar para cima da falha e, consequentemente, causando terramotos.

“As pessoas no negócio do hydrofracking querem saber. Há alguma pressão segura que se possa exercer sem que se desencadeiem terramotos? E as resposta a que chegamos é que não há. Pode acontecer a qualquer nível de pressão”, realçou o cientista.

ZAP //

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9 Junho, 2019



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2115: Milhares de réplicas de um terramoto de 1959 espalharam-se por Yellowstone 60 anos depois

CIÊNCIA

Acroterion / Gaendalf / Wikimedia

Um enxame de milhares de minúsculos terramotos que se espalharam por baixo do Parque Nacional de Yellowstone em 2017 e 2018 podem ser os muito aguardados tremores secundários de um terramoto muito maior – que atingiu há 60 anos.

Num artigo publicado em 30 de Abril na revista Geophysical Research Letters, os investigadores examinaram a sismicidade de cerca de 3.345 terramotos que ocorreram perto de Maple Creek em Yellowstone, no canto noroeste do parque, entre Junho de 2017 e Março de 2018.

Os cientistas descobriram que, por cerca de metade destes terramotos menores, as ondas sísmicas abaixo do parque ondularam ao longo da mesma linha de falha, e na mesma direcção exacta, como as ondas do chamado evento Lago Hebgen – um terramoto gigantesco de magnitude 7,2 que ocorreu em 1959 e matou 28 pessoas.

A equipa não viu nenhum sinal de que este grupo de terramotos tivesse sido causado pelo movimento do magma sob o parque, levando-os a concluir que os terramotos eram, na verdade, um conjunto de tremores sísmicos que aconteceram há seis décadas.

“Este tipos de terramotos em Yellowstone são muito comuns”, disse o co-autor do estudo, Keith Koper, director das Estações Sismográficas da Universidade de Utah, em comunicado. No entanto, este enxame “foi um pouco mais longo e teve mais eventos do que o normal”.

Segundo os autores do estudo, este evento não é inédito e casos semelhantes surgiram nas proximidades na América do Norte. O terramoto de magnitude 6,9 ​​que atingiu Borah Peak, Idaho, em 1983, ainda produzia tremores secundários em 2017, segundo os investigadores. A hipótese é que, sob certas condições, os tremores secundários podem durar centenas de anos.

Ao contrário das inundações, furacões e outros desastres naturais, os terramotos “não acontecem como um único evento no tempo”, disse Koper, mas podem evoluir ao longo de décadas ou séculos.

Enquanto cerca de metade dos mini-terramotos de Maple Creek pareciam ser ondas do desastre de 1959, a outra metade, que ocorreu um pouco mais ao sul, parecia ligada à actividade natural no poço de magma abaixo do parque.

Yellowstone continua a ser um viveiro de actividade sísmica e vulcânica. Grande parte do parque fica sobre uma grande caldeira vulcânica, que é responsável pelas erupções de rotina de amados géiseres como o Old Faithful. O gigantesco vulcão sob o parque entrou em erupção três vezes nos últimos 2,1 milhões de anos e alguns cientistas especulam que uma quarta erupção pode estar para acontecer.

Segundo os autores do novo estudo, os tremores secundários do terramoto no Lago Hebgen estão localizados fora da caldeira de Yellowstone e provavelmente têm pouca ou nenhuma relação com a sua actividade vulcânica.

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5 Junho, 2019



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2044: Há uma nova teoria para explicar a onda de sismos silenciosos que fez a Terra tremer em 2018

CIÊNCIA

Jean-Pierre Dalbéra / Flickr

Em Maio de 2018, milhares de terramotos sacudiram a pequena ilha francesa de Mayotte, no arquipélago das Comoras, situado entre o continente africano e Madagáscar. A maioria foram tremores leve mas, um deles, a 15 de maio, foi o mais forte já registado naquela região.

Meses mais tarde, em Novembro, um entusiasta dos terramotos registou ondas sísmicas raras que começaram a propagar-se pelo mundo e que ressoaram durante mais de 20 minutos. Contudo, a sua frequência foi demasiado baixa para que os humanos se apercebessem do ocorrido.

Cientistas franceses decidiram lançar uma missão múltipla para controlar melhor a origem desta misteriosa actividade sísmica. Coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), o trabalho incluiu expedições do navio Marion Dufresne, co-dirigido por Nathalie Feuillet, do Instituto de Física do Globo de Paris, e Stephan Jorry, do Instituto Francês de Pesquisa para Exploração do Mar (IFREMER).

Após um ano de intensa pesquisa, os cientistas terão conseguido descobrir a origem da inesperada actividade sísmica: o nascimento de um vulcão submarino a cerca de 50 quilómetros da costa leste de Mayotte, informou a National Geographic.

Segundo os cientistas, o jovem vulcão está localizado a 3,2 quilómetros de profundidade, tem uma altura de 0,8 quilómetros e mede 4,8 quilómetros no seu ponto mais largo.

A 16 de maio, os investigadores divulgaram um comunicado de imprensa, e Robin Lacassin, do Instituto de Física da Globo, em Paris, publicou algumas imagens no Twitter. Uma imagem que mostra o vulcão recém-nascido em imagens acústicas, que agem como um golfinho que usa o seu sonar para perceber o ambiente. “É quase um ecografia de gravidez, apenas com barras de erro maiores”, comentou a geofísica Lucile Bruhat

Robin Lacassin @RLacassin

Another amazing view, in section, of the newly discovered active #volcano 50km offshore #Mayotte
Topography of the volcanic edifice and the rising fluid column above it are clearly imaged. Fluid column is ~2km high but do not reach the surface.

Na fotografia, vê-se uma coluna torcida que se eleva a quase dois quilómetros através da coluna de água a partir do topo de um objecto cónico. Não se sabe exactamente do que se trata esta pluma, mas é possível que o que faz com que as ondas sonoras saltem sejam fragmentos de cristal semelhantes às cinzas que emanam dos vulcões terrestres em erupção, disse Helen Robinson, candidata em vulcanologia aplicada na Universidade de Glasgow, no Reino Unido.

A segunda imagem revela uma série de estruturas acidentadas no fundo do mar que formam uma espécie de caminho para o novo centro vulcânico do qual os terremotos ocorrem, localizado entre 4,8 e 14,4 quilómetros da costa da Ilha Petite – Terre de Mayotte.

Robin Lacassin @RLacassin

Fantastic results from #MAYOBS scientific study lead by @IPGP_officiel !

Source of prolonged #Mayotte #earthquake swarm identified: new active #volcano discovered 3.5km below sea surface, 0.8km high and 4-5km diameter. Fluid release reaches 2km above volcano.

“Talvez o centro vulcânico tenha migrado para fora da ilha”, especula Stephen Hicks, da Escola Imperial de Londres que, no entanto, ressalta que, para confirmar esse mecanismo, é necessário ter mais dados sobre esses possíveis pontos de actividade vulcânica.

Além disso, os cientistas admitem que ainda não é claro se o vulcão é completamente novo ou simplesmente está a experimentar uma nova actividade numa estrutura antiga, enfatiza Ken Rubin, um vulcanologista da Universidade do Hawai, nos EUA, especializado em erupções submarinas.

Os investigadores não podem dizer exactamente que situação causou o ruído de baixa frequência e o enxame sísmico – ou mesmo se a erupção do novo vulcão está em andamento. Assim, Hicks acredita que as pistas para a origem da actividade vulcânica mais recente poderiam estar bloqueadas nos minerais de lava potencial solidificada no fundo do mar. Mas, sem mais dados de alta resolução, é impossível dizer com certeza se este é um nascer ou um despertar de um vulcão.

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25 Maio, 2019

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2003: Descoberto o culpado dos misteriosos terramotos na cordilheira Hindu Kush

CIÊNCIA

Faizi.be87 / Wikimedia

A cordilheira Hindu Kush – que se estende por 800 quilómetros ao longo da fronteira do Afeganistão com o Paquistão – treme com mais de cem terramotos de magnitude 4,0 ou mais por ano.

A área é um dos locais mais sismicamente activos do mundo, especialmente para terramotos de profundidade intermediária – tremores que se formam entre 70 e 300 quilómetros abaixo da superfície do planeta). No entanto, os cientistas não têm certeza do porquê.

As montanhas não se localizam numa grande falha geológica, onde se espera alta actividade sísmica, e a região fica a muitos quilómetros de distância da zona de colisão em movimento lento, onde as placas tectónicas euro-asiática e indiana colidem continuamente.

Um novo estudo publicado em 17 de Abril na revista Tectonics pode ter uma resposta para os terramotos misteriosos do Hindu Kush – e, como todos os grandes mistérios geológicos, envolve massas viscosas.

De acordo com o estudo, as montanhas Hindu Kush devem a sua reputação sísmica a uma longa “massa” de rocha que lentamente escorre da parte subterrânea da cordilheira para o manto quente e viscoso por baixo. Como uma gota de água solitária que se afasta da borda de uma torneira, a faixa de 150 quilómetros de montanha pode estar a afastar-se da crosta continental a uma velocidade de até dez centímetros por ano. Esse stress subterrâneo pode estar a desencadear terremotos.

Os investigadores descobriram a problemática massa após vários anos de observações de terramotos perto das montanhas Hindu Kush. Viram que os terramotos formaram-se num padrão, criando o que parecia ser um “caminho redondo” de actividade sísmica na superfície do planeta, disse Rebecca Bendick, geofísica da Universidade de Montana em Missoula, citada pela Live Science.

Esses terramotos também se formaram ao longo de um eixo vertical claro, começando entre 160 e 230 quilómetros abaixo do continente e eram mais comuns mais abaixo, onde a sólida crosta continental encontra o manto superior, quente e viscoso. Aqui, é onde a massa de alongamento lento é mais tensa.

Todas as observações foram consistentes com uma massa de rocha sólida que lentamente escorria no submundo pegajoso – uma hipótese que foi usada anteriormente para explicar a actividade sísmica semelhante sob as Montanhas dos Cárpatos na Europa central. De acordo com os geólogos, Hindu Kush terá começado a pingar não antes de há dez milhões de anos e continua a estender-se quase dez vezes mais rápido que a superfície das montanhas, enquanto as placas da Índia e da Eurásia colidem.

Se confirmados, estes resultados podem ser mais uma evidência de que as forças geofísicas além da subducção de placas tectónicas podem enviar terramotos pelo planeta.

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18 Maio, 2019



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1878: Um “burburinho” para o homem, um sismo em Marte. NASA pode ter captado primeiro terramoto marciano

Um sismógrafo implantado em Marte, no âmbito da missão da NASA InSight, registou o que pode ser o primeiro terramoto do planeta vermelho, anunciou a agência espacial francesa CNES.

“É formidável finalmente ter um sinal de que ainda há uma actividade sísmica em Marte”, salienta o investigador do Instituto de Física da Terra de Paris, Philippe Lognonné.

“Estávamos à espera há meses pelo nosso primeiro terramoto marciano”, acrescenta o “pai” do sismógrafo francês SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure) que captou o potencial terramoto e que foi instalado a 19 de Dezembro de 2018 no solo de Marte, graças a um braço robótico da sonda InSight que chegou ao planeta vermelho a 26 de Novembro.

O objectivo é, através do registo de terramotos, perceber melhor a história da formação de Marte.

Mas embora o primeiro tremor “marque o nascimento oficial de uma nova disciplina: a sismologia marciana“, este foi muito fraco para fornecer dados úteis sobre o interior do planeta, de acordo com o investigador principal da InSight, Bruce Banerdt, cientista da NASA.

De acordo com os cientistas, ainda é necessário confirmar se o terramoto foi registado dentro do planeta e se não foi o efeito do vento ou de outras fontes de ruído.

Três outros sinais, mas ainda mais fracos do que este que foi registado a 6 de Abril, foram detectados nos últimos dois meses.

A NASA constata que embora “o evento sísmico” tenha sido “demasiado pequeno” para obter “dados sólidos sobre o interior marciano”, é ainda assim “excitante porque o seu tamanho e duração mais longa encaixam no perfil dos tremores da lua detectados na superfície lunar durante as missões Apolo”, como destaca a directora da Divisão de Ciência Planetária da agência espacial norte-americana, Lori Glaze.

“A superfície marciana é extremamente tranquila”, o que permitiu ao SEIS captar “burburinhos fracos”, explica a NASA, notando que “em contraste, a superfície da Terra treme constantemente com ruídos sísmicos criados pelos oceanos e pelo clima”. “Um evento deste tamanho no Sul da Califórnia perder-se-ia entre as dúzias de pequenos estalos que ocorrem todos os dias”, acrescenta a agência espacial.

A esperança dos cientistas é que este avanço nos dados recolhidos sobre Marte ajude a resolver alguns dos grandes mistérios do planeta, nomeadamente “o que aconteceu à sua atmosfera” e “o que aconteceu à água que se pensa que, em tempos, terá estado presente de uma forma muito abundante à superfície”, como evidencia o coordenador nacional da Sociedade Planetária, Miguel Gonçalves, em declarações à TSF.

Miguel Gonçalves atesta que se se provar a onda sísmica, “é particularmente interessante porque, tendo actividade sísmica no seu interior, tem dinamismo interior, o que quer dizer que temos de perceber quais são os mecanismos de aquecimento no seu interior” e “como é que é feita a transição de energia entre várias camadas do interior”.

ZAP // Lusa

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24 Abril, 2019

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1858: Monte Evereste pode ter encolhido após o terramoto de 2015

 

markhorrell / Flickr

O Monte Evereste pode ter encolhido como resultado de um terramoto devastador. Uma equipa de topógrafos vai ao cume da montanha mais alta do mundo para confirmar esta hipótese colocada pelo Governo do Nepal.

O pico do Monte Evereste foi medido pela primeira vez por uma equipa de cientistas indianos em 1954. No entanto, o país foi atingido, em 2015, por um terramoto de magnitude 7,8 e acredita-se que, devido a esse fenómeno, a maior montanha do mundo encolheu.

Depois de dois anos a treinar, um grupo de quatro especialistas vai agora tentar descobrir se a altura oficial de 8.848 metros continua a mesma. “Não será fácil trabalhar neste terreno, mas estamos confiantes de que a nossa missão será bem sucedida”, afirmou o líder da expedição, Khim Lal Gautam, citado pelo The Independent.

A equipa vai subir até ao cume da montanha e lá activará um sistema global de navegação por satélite. “As sessões de observação podem durar cerca de 10 minutos no pico. O dispositivo será ligado no cume da montanha para receber dados de satélites”, explicou Susheel Dangol, coordenador da expedição, em entrevista separada ao Kathmandu Post.

Para subir até ao cimo da montanha, a equipa terá de suportar as duras condições climáticas e o terreno acidentado, carregando ainda o equipamento de medição.

Esta não é a primeira vez que são desencadeados rumores sobre a altura do Evereste. Em 2017, uma equipa de especialistas estava também preparada para medir o terreno e, dias depois, corroborou a medida oficial, fixada em 1954.

Contudo, a altura exacta do Evereste é um assunto que não reúne consenso. Em 1999, o Governo dos Estados Unidos usou a tecnologia GPS para medir a montanha mais alta do mundo, concluindo que era dois metros mais alta do que a medida obtida em 1954. Mas o valor obtido pelos EUA não é aceite.

Anos depois, o Nepal entrou num conflito diplomático com a China pois este último país afirmava que a montanha era quatro menos mais baixa do que a medida oficial.

Agora, alguns geólogos suspeitam de que o terramoto de 2015 fez “encolher” o Monte Evereste. A verdade é que, após o sismo, o topo da montanha tornou-se num objecto de interesse não apenas para cientistas, como também para todo o mundo.

ZAP //

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17 Abril, 2019

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1693: Misteriosos terramotos estão a fazer a Antárctida tremer (e já se sabe porquê)

ravas51 / Wikimedia

Durante parte do verão em partes da Antárctida, o gelo derrete num ensopado pantanoso conforme as temperaturas sobem e descem. Ao derreter, gera centenas de milhares de pequenos terramotos.

Agora, os cientistas capturaram o padrão diário destes pequenos sismos usando o mesmo tipo de sismógrafo usado para detectar terremotos. Os investigadores acham que os “icequakes” – terramotos de gelo – são causados pelo repentino estalo de partes de gelo que cobrem poças de lama.

“Nestas lagoas, muitas vezes, há uma camada de gelo em cima da água derretida, como se vê com um lago congelado”, disse Douglas MacAyeal, glaciologista da Universidade de Chicago, em comunicado. “À medida que a temperatura arrefece à noite, o gelo no topo contrai e a água abaixo expande-se à medida que passa pelo congelamento. Isso distorce a tampa superior até que finalmente parte com um estalo.”

MacAyeal e a sua equipa estavam interessados ​​nos ritmos diários do gelo porque pouco se sabe sobre a mecânica do rompimento de uma grande camada de gelo. Tais rupturas ocorreram na Antárctida várias vezes ao longo das últimas décadas.

A plataforma de gelo Larsen C criou um enorme icebergue no Mar de Weddell em 2017. A plataforma Larsen B, localizada nas proximidades, desabou inesperadamente em 2002. Quando as placas de gelo flutuantes colapsam, não contribuem directamente para o aumento do nível do mar, porque já estavam em ambiente marinho. Mas permitem que as geleiras terrestres por trás dos lençóis de gelo fluam mais rápido, despejando água derretida no mar.

Os investigadores também estavam interessados ​​em testar sismómetros como forma de monitorizar o derretimento do gelo. Implantaram dois perto da Estação McMurdo, na borda da McMurdo Ice Shelf. Uma estação de sismógrafo foi posicionada num local seco, onde a superfície foi coberta com neve firme. O outro foi colocado num local húmido e pantanoso onde o gelo estava parcialmente derretido. Os instrumentos registaram tremores nestas duas estações entre Novembro de 2016 e Janeiro de 2017.

Os padrões não poderiam ter sido mais diferentes. A estação seca estava sismicamente pacífica. Os únicos tremores detectados estavam ligados ao tráfego de veículos ou navios em redor da Estação McMurdo.

Na estação húmida, no entanto, os sismógrafos recolheram centenas de milhares de pequenos terremotos, às vezes, milhares numa noite. Esses terremotos foram geralmente abaixo da magnitude 2,5 – em que os tremores se tornam perceptíveis para os seres humanos, embora as pessoas na Antárctida, por vezes, ouvissem o gelo a partir, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. Os terremotos seguiram um padrão diário e aumentavam de frequência por algumas horas todas as noites.

Os investigadores pensaram que os picos diários do terremoto podiam ter a ver com as marés, mas uma discrepância descartou essa opção. Em 30 de Novembro de 2016, o pico não aconteceu. Quando os investigadores acompanharam a temperatura diária durante o período do estudo, descobriram que os picos do terremoto correspondiam a períodos de queda do mercúrio. Em 30 de Novembro, aconteceu que a temperatura aumentou, em vez de arrefecer, no decorrer da noite.

Segundo MacAyeal, o que provavelmente está a acontecer é que, à medida que o ar fica mais frio, os lagos lamacentos sob a fina camada de gelo superficial começam a congelar. Enquanto congelam, expandem-se, colocando pressão sobre o gelo da superfície. Finalmente, o gelo da superfície encaixa-se, enviando tremores indetectáveis.

ZAP // Live Science

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10 Março, 2019

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1423: Revelada a causa de três meses de terramotos em Yellowstone

Brocken Inaglory/ Wikimedia
Géiser no Parque NAcional de Yellowstone

A água pode ter sido a causa de uma longa série de terremotos sentidos no verão de 2017 no Parque Nacional de Yellowstone, Wyoming, nos Estados Unidos.

A possível causa é defendida pelo sismólogo David Shelley, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), numa coluna semanal escrita por cientistas e colaboradores do Observatório Vulcanológico do Parque de Yellowstone.

Ao longo de três meses, mais de 2500 terramotos foram registados na área, um dos quais foi o exame sísmico mais longo da história de Yellowstone. A maioria dos terramotos foi de intensidade muito fraca, mas alguns chegaram a ser sentidos no parque, como é o caso do mais forte, de magnitude 4,4, sentido a 16 de Junho de 2017.

A série de terremotos foi também capturada com mais detalhes do que qualquer outro grande enxame sentido em Yellowstone, nota Shelley na sua publicação.

De acordo com o sismólogo, os padrões desta cadeia de terramotos, especialmente a rápida migração e a falta de deformação da superfície próxima, sugerem que pode ter sido causada pela difusão da água através de gretas no subsolo da Terra, e não devido ao do movimento do magma, que pode também gerar enxames de terremotos em vulcões.

Para ao cientista, a água pode explicar parcialmente por que motivo estes enxames são tão longos. A sua duração é longa porque os enxames “expandem-se dramaticamente ao longo do tempo” e também porque as estruturas das falhas são “tão complexas”.

“Isto também pode explicar por que motivos estes enxames são comuns em áreas vulcânicas, onde a água é um subproduto libertado pelo magma mais profundo à medida que este arrefece”, explicou o cientistas.

Como esta água estão sob uma enorme pressão na crosta profunda, tende a mover-se para cima e, ocasionalmente, lateralmente. Ao interagir com rochas mais frias e quebradiças, esta água pode desencadear terramotos, acrescenta Shelley.

Por outro lado, estima o sismólogo, sem outros sinais de actividade vulcânica – como a rápida deformação da superfície ou mudanças nas emissões de gases -, os enxames sísmicos “não indicam, provavelmente, um risco crescente” de uma erupção.

ZAP // RT

Por ZAP
16 Dezembro, 2018

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1351: Terramoto aproximou ilhas da Nova Zelândia. E continuam a mover-se

CIÊNCIA

flyingkiwigirl / Flickr

Cientistas do Instituto de Pesquisa da Coroa da Nova Zelândia, mais conhecido como GNS Science, concluíram que uma série de terremotos que abalaram o país em Novembro de 2016 acabaram por aproximar as duas ilhas do país, “afundando” uma das regiões.

Cientistas do Instituto de Pesquisa da Coroa da Nova Zelândia confirmaram que a crosta terrestre continua a mudar após a ruptura cataclísmica que se deu durante o terramoto de 2016. A aproximação, de apenas 35 centímetros, deu-se entre as ilhas do Norte e do Sul, enquanto que a cidade de Nelson, no topo da ilha do Sul, se afundou cerca de 20 milímetros.

O sismo de magnitude 7,8 na escala de Ritcher, que abalou o país no dia 14 de Novembro de 2016, reduziu inicialmente a distância entre as ilhas em vários metros, e a partir daí as falhas sísmicas “puxaram” a ilha do Sul para norte, aproximando as duas ilhas, adianta a Sputnik News.

O movimento é muito lento e demasiado subtil para ser sentido por seres humanos, mas os cientistas têm medido esse movimento através de uma combinação de sensores de GPS e medições por satélite. Essas medições comprovam que a Nova Zelândia está, de facto, a sentir os efeitos do terramoto de 2016.

No entanto, a distância entre o cabo Campbell, na ilha do Sul, onde acaba a maior falha, e a capital neozelandesa, Wellington, situada na ponta sul da ilha Norte, continua muito grande: cerca de 50 quilómetros.

O terramoto que abalou o país teve epicentro a 39 quilómetros da cidade de Kaikoura, fazendo duas vítimas mortais e um sistema complexo de 25 falhas, o que dificulta o estabelecimento da falha responsável por este fenómeno de aproximação.

Segundo o Live Science, este terramoto foi demasiado complexo, dado que atingiu uma zona de transição entre duas regiões geológicas muito diferentes. A Nova Zelândia fica na zona de colisão entre a placa indo-australiana e a placa do Pacífico. A última “mergulha” debaixo da primeira, criando calhas submarinas e elevando uma parte da Nova Zelândia, e é nesse lugar que ocorrem mais de 15 mil terremotos por ano.

Até agora, os dados dos especialistas mostram que as falhas profundas da zona de subducção não contribuíram para o terramoto de Kaikoura. Ainda assim, esta interface profunda parece estar a movimentar-se dois anos após o terramoto.

É ainda muito cedo para compreender a fundo o que significa este movimento no futuro sismológico do país.

Os cientistas publicaram algumas das suas descobertas sobre o movimento pós-terremoto, incluindo um estudo de Março publicado na revista Geophysical Research Letters. Os especialistas analisaram movimentos até 600 quilómetros do epicentro do terramoto. Em Dezembro, apresentarão os seus resultados actualizados na reunião anual da American Geophysical Union.

Ainda assim, os cientistas consideram que os maiores movimentos já ocorreram, sendo que agora a terra está apenas a “rastejar”. Os movimentos vão, gradualmente, diminuindo, mas segui-los no futuro ajudará os cientistas a determinar quais os movimentos que vêm da crosta superior e quais os mais profundos.

Além disso, serão também capazes de descobrir mais sobre se o terremoto pressionou as falhas próximas (tornando um terremoto futuro mais provável) ou se retirou alguma pressão de outras falhas (o que significa que a crosta provavelmente ficará tranquila nos próximos tempos).

Esta é a razão pela qual é tão importante monitorizar o que acontece depois de um terramoto.

ZAP //

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30 Novembro, 2018

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937: Grande terramoto no Anel de Fogo do Pacífico pode destruir a Califórnia

CIÊNCIA

A enorme actividade sísmica sentida nos últimos dias no Anel de Fogo do Pacífico tem provocado o caos, causando ainda forte preocupação entre os cientistas que acreditam que este pode ser o prenúncio de um terramoto muito mais forte.

De acordo com USGS, Serviço Geológico dos Estados Unidos, em apenas 48 horas ocorreram 69 terremotos, 16 dos quais foram classificados como muito fortes, isto é, de magnitude de 4.5 ou superior. O território mais afectado foi o das ilhas Fiji.

Segundo o Daily Mail, os cientistas descrevem o “grande terremoto” – apelidado vulgarmente como the Big One – como um sismo de magnitude superior a 8 – desastre cuja magnitude provavelmente causaria uma destruição maciça na Califórnia.

O último terremoto a atingir o estado norte-americano, com uma magnitude de 7.9, ocorreu em 1906. Nesse ano, 80% da cidade de São Francisco – uma das mais populosas dos EUA – ficou destruída. O desastre fez mais de 3 mil vítimas mortais.

Passaram mais de 100 anos desde esse trágico Big One, mas segundo alguns cientistas,  é possível que um terramoto semelhante esteja à espreita.

Um estudo de 2008 do USGS sugere que há uma probabilidade de mais de 99% de um terramoto de magnitude igual ou superior a 6.7 atingir a área da Califórnia nos 30 anos seguintes. Em 2015, também o Jet Propulsion Laboratory da NASA previa a ocorrência de uma catástrofe em Los Angeles nos 3 anos seguintes – que entretanto, já passaram.

De acordo com os cientistas, ocorreu a 19 de Agosto mais um sismo no Anel de Fogo, desta vez de magnitude 8.2, com epicentro a uma profundidade de 550 quilómetros. Os moradores das ilhas Fiji e da Califórnia não foram atingidos porque o epicentro foi demasiado profundo para causar um tsunami.

“Estamos a acompanhar a situação e algumas pessoas sentiram o sismo, mas foi um terramoto muito profundo“, explicou à Reuters o director do Departamento de Recursos Minerais das ilhas Fiji, Apete Soro.

O Anel de Fogo do Pacífico é um arco de linhas de falhas na Bacia do Pacífico com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 continuam activos. A região, com grande actividade sísmica e vulcânica, regista cerca de sete mil terramotos por ano – na sua grande maioria moderados.

Gringer / wikimedia
Anel de Fogo do Pacífico

Este Anel de Fogo apanha em cheio toda a Califórnia – razão pela qual os 69 sismos que se fizeram sentir nos últimos dias levantam na população do estado norte-americano o temor de que o temível Big One de que os cientistas falam possa estar mais perto do que se deseja.

Por ZAP
30 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

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917: Erupção vulcânica está longe de ser a maior ameaça de Yellowstone

CIÊNCIA

Acroterion / Gaendalf / Wikimedia
Opal Pool, no Parque Nacional de Yellowstone, no Wyoming, Estados Unidos. Ao fundo, os picos Twin Buttes

Na realidade, a grande ameaça do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, não é que o seu super-vulcão entre em erupção mas, sim, um terramoto de grandes proporções.

Muitos alertam que o super-vulcão do famoso Parque Nacional de Yellowstone, no estado norte-americano do Wyoming, poderá explodir, mas outros receiam que o maior perigo será mesmo um terremoto capaz de “sacudir” uma zona muito sensível.

“O maior medo que temos relativamente a Yellowstone não é o vulcão em si, mas antes os sismos”, afirma Michael Poland, cientista responsável pelo Observatório do Vulcão Yellowstone, em entrevista ao USA Today.

“Este é um risco subestimado na área de Yellowstone. Pode haver e haverá no futuro terramotos de magnitude 7“, acrescenta ainda ao jornal norte-americano.

No geral, explica o diário, Yellowstone regista uma média de 1.500 a 2.500 sismos por ano, sendo que muitos deles são tão pequenos que até passam despercebidos. Podem ocorrer durante praticamente todo o dia, ainda que os visitantes do parque não o notem.

Porém, houve grandes terramotos que aconteceram num passado não muito distante. O último ocorreu em Agosto de 1959, com uma magnitude de 7,3 na Escala de Richter, e provocou a morte de 28 pessoas devido a um deslizamento de terras que atingiu uma zona de acampamento.

Mais de 80 milhões de toneladas de rocha caíram, bloqueando um rio e formando um lago, apropriadamente baptizado de “Lago do Terramoto”, que continua a existir até hoje.

De acordo com o jornal, comparado com uma erupção menor do vulcão, a probabilidade de um terramoto numa escala similar acontecer novamente é mais provável. “Podemos dizer onde é provável que ocorra, mas não podemos dizer quando”, explica Poland.

“Poderá ser muito pior actualmente tendo em conta que há mais pessoas nesta área”, afirma Jamie Farrell, professor de Geologia da Universidade de Utah. Recorde-se que este parque recebe mais de quatro milhões de visitantes por ano.

Além disso, há ainda a adversidade de o parque estar localizado numa zona rural com poucos acessos. Se um dos acessos é cortado, faz-se um enorme desvio. No caso de duas estradas se tornarem intransitáveis, às vezes nem é possível chegar lá de carro, lembra.

No entanto, uma coisa é certa: o Parque Nacional de Yellowstone é uma zona vulcânica muito sensível e, por isso, o local foi convertido numa das zonas geologicamente mais bem protegidas e controladas do mundo, com mais de 40 estações sísmicas, juntamente com a Universidade de Utah, a registar incessantemente os movimentos terrestres.

Por SN
25 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

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844: Os terramotos podem desencadear sismos no outro lado do mundo

(CC0/PD) Josh Sorenson / pexels

Um estudo recente descobriu que um grande terramoto pode causar ou tremores secundários não só perto do epicentro, como no lado oposto do planeta.

Os terramotos secundários são uma característica bastante comum nos grandes sismo mas, por norma, ocorrem relativamente perto do epicentro do abalo sísmico.

Agora, e pela primeira vez, os investigares descobriram evidências de que os terramotos desencadeiam outros eventos sísmicos no outro lado do mundo, sugerindo um efeito em cascata que, no futuro, poderá ser utilizada para prever catástrofes. As conclusões foram publicadas esta quinta-feira na Nature Scientific Reports.

Investigadores da Oregon State University analisaram quase meio século de dados sobre terramotos e chegaram a uma conclusão surpreendente: quando grandes terramotos assolam uma região, há uma boa probabilidade de ocorrer um outro sismo no outro lado do planeta nos ias seguintes.

“Os casos em estudo mostraram um claro e detectável aumento nas taxas” relacionadas com a ocorrência destes fenómenos geológicos, disse o cientista Robert O’Malley.

Os investigadores concluíram que quando um terramoto de magnitude igual ou superior 6,5 na escala de Richter ocorre, é muito provável que outro sismo de magnitude 5,0 ou mais o suceda até 3 dias depois.

A maioria dos eventos sísmicos são causados por fragmentos da crosta terrestre que colidem entre si, enquanto são puxados e empurrados pela agitação gradual das “entranhas” derretidas do planeta.

De vez em quando, quando a tensão supera a fricção entre estas placas gigantes, há uma súbita libertação de energia que muitas vezes pode originar uma série de pequenos tremores de terra em cascata.

“Os terramotos são parte do ciclo de acumulação e libertação de tensão das placa tectónicas. Como resultado, as falhas das placas podem ser alcançadas, desencadeando um sismo”, explicou O’Malley.

Estas ondas de energia podem sacudir a superfície da terra, mas também podem direccionar ondas de pressão para o manto terrestre. Por isso, estas ondas são muitas vezes utilizadas como uma espécie de sonar gigante, permitindo estudar a estrutura interna do planeta.

Têm sido realizados vários estudo sobre a actividade sísmica. Um deles, publicado em 2011 na revista Nature, estudou as mudanças na frequência dos terramotos vários meses após o fenómeno. Esta investigação contradiz o estudo recentemente liderado por O’Malley, defendendo que não há muitos terramotos desencadeados além do epicentro.

No entanto, os investigadores dizem que o novo estudo pode ser mais “sensível”, ressaltando, no entanto, que é necessário fazer novas pesquisas antes de estabelecer uma ligação directa entre os eventos sísmicos.

Identificar exactamente onde e quando é que terramotos catastróficos vão sacudir o solo, pode, apesar de muito difícil, ajudar a salva milhares de vidas. Por isso, qualquer pesquisa que possa ajudar a calcular a probabilidade de um evento sísmico acontecer é extremamente útil.

Por ZAP
5 Agosto, 2018

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773: Terramoto no México revelou templo Asteca secreto com quase mil anos

Tony Rivera / EPA

Os terramotos são conhecidos pelo seu poder destrutivo, mas um recente terramoto no México teve um resultado surpreendentemente positivo. Arqueólogos encontraram um templo oculto no interior de uma pirâmide, que esteve escondido durante centenas de anos.

A 19 de Setembro de 2017, um terramoto de magnitude 7,1 sacudiu o centro do México, pouco depois de um outro terramoto, de magnitude 8,1, que tinha ocorrido 12 dias antes, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.

O segundo terramoto matou mais de 360 pessoas e danificou várias estruturas – incluindo uma pirâmide no sítio arqueológico de Teopanzolco, a cerca de 70 quilómetros ao sul da Cidade do México.

Quando os arqueólogos usaram um radar para avaliar a extensão dos danos na pirâmide – que data do século XIII -, descobriram um templo ainda mais antigo escondido dentro da própria pirâmide. Segundo aponta a BBC, acredita-se que a ruína escondida tenha mais de 800 anos.

Investigadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México disseram em declarações à BBC que o templo foi provavelmente construído em 1150 pelos Tlahuica, povo da cultura Asteca. A estrutura media cerca de 6 metros de comprimento e 4 de largura, sendo que estavam preservados no seu interior fragmentos de cerâmica e um queimador de incenso.

Durante o terramoto, os tremores causaram um colapso parcial na estrutura central da pirâmide, afectando dois templos conhecidos: um que foi dedicado ao deus da chuva asteca Tlaloc, e outro honrando Huitzilopochtli, o deus da guerra, apontou a cadeia australiana ABC.

Segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História do México, o templo recém-descoberto é muito semelhante aos outros templos da pirâmide, possuindo paredes de estuque, uma fachada construída com pedras alongadas e com os restos de um pilar que, provavelmente, suportava o telhado do templo.

O templo secreto é, até aos dias de hoje, a estrutura mais antiga da pirâmide, ou seja, é datado de ainda antes do século XII, de acordo com a declaração do INAH.

Por ZAP
17 Julho, 2018

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676: Imperceptíveis “terramotos lentos” na falha de Santo André podem causar uma catástrofe

Ikluft / Wiklimedia
A Falha de Santo André estende-se ao longo de 1290km, na costa leste dos Estados Unidos.

O risco sísmico na Califórnia pode ser maior do que pensávamos. Há 75% de probabilidade de ocorrer um terramoto de magnitude 7 (ou mais) nas próximas três décadas.

Foram descobertos movimentos totalmente inesperados na área central da falha de Santo André, na Califórnia, Estados Unidos.

Cientistas da Universidade do Arizona revelaram que nesta área da falha, que tem cerca de 145 quilómetros de comprimento, há “terramotos lentos” que não são notados pelas pessoas, mas que podem ser um autêntico perigo, podendo desencadear terramotos poderosos no futuro.

Até agora, pensava-se que os movimentos lentos e estáveis nessa área da falha de Santo André permitiam libertar a energia que se acumula nessa área. No entanto, o novo estudo, publicado esta segunda-feira na Nature Geoscience, sugere que esses movimentos tectónicos são mais intensos e esporádicos.

“Descobrimos que essa parte da falha tem um movimento médio de cerca de três centímetros por ano”, afirma Mostafa Khoshmanesh, um dos autores do recente estudo. “Às vezes, esse movimento estagna completamente, mas há outras em que essa área se desloca até 10 centímetros por ano.”

Estes episódios lentos e esporádicos levam a uma aumento da pressão nos segmentos fechados da falha a norte e sul da secção central, explica Manoochehr Shirzaei, outro investigador. Essas secções, lembra o cientista, já experimentaram dois terramotos de magnitude 7,9 em 1857 em Fort Tejon e em 1906, em San Francisco.

M. Khoshmanesh / ASU

“Com base nas nossas observações, acreditamos que o risco sísmico na Califórnia varia com o tempo e é provavelmente maior do que pensávamos até agora“, diz Shirzaei. O cientista adverte para a importância de incluir estimativas precisas desse risco variável nos sistemas de previsão de terramotos, de modo a diminuir as consequências.

De acordo com os modelos actuais, sublinha Khoshmanesh, há uma probabilidade de um terramoto de magnitude 7, ou mais, ocorrer tanto a sul como no norte da Califórnia nas próximas três décadas. Os cientistas manter-se-ão atentos.

ZAP // RT

Por ZAP
21 Junho, 2018

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624: Terramotos ocultos sacodem a Antárctida (e nem sequer o sabemos)

John Sonntag / NASA
Foto aérea da NASA revela uma enorme fenda na plataforma de gelo Larsen C, na Antárctida

Foi uma falha sem precedentes. Do nada, em meados de 1982, um grupo de cientistas confirmou o primeiro terramoto na Antárctida – mas não seria o último. Centenas de terramotos ocultos podem estar enterrados sob o gelo da Antárctida, aponta um novo estudo.

Com o passar das décadas, os investigadores detectam mais oito eventos sísmicos na Antárctida Oriental. E aí, o inferno soltou-se: os sensores captaram 27 terramotos só em 2009, triplicando o número total de eventos sísmicos registado em apenas um ano.

Mas não foi a catástrofe planetária ou a ira divina que esteve por detrás dos tremores de terra nunca antes registados – foi apenas o método científico em acção.

“Em última análise, a falta de sismicidade registada não foi devido à falta de eventos, mas à falta de instrumentos perto o suficiente para serem capazes de os registar”, explicou a sismóloga Amanda Lough, da Universidade de Drexel, nos EUA.

Enquanto o estranho silêncio da Antárctica relativamente à actividade sísmica era alvo de inúmeras hipóteses científicas, Lough mostrou que não se tratava apenas de uma peculiaridade tectónica manter intacta a infinita paisagem branca – era apenas uma questão de falta de dados.

Em 2007, a sismóloga começou uma tarefa épica que levaria muitos anos a completar: instalar o GAMSEIS/AGAP, um conjunto de sismógrafos de banda larga na Antárctida Oriental, dando aos cientistas uma visão sem precedentes sobre a actividade sísmica da região.

Como demonstram os dados de 2009, a Antárctida sofre a sua parte de terramotos e movimentos sísmicos tal como todo o resto do planeta, mas só agora é que os cientistas conseguiram registar observações para o provar.

Não é mais uma anomalia“, explicou, observando que os resultados obtidos em 2009 levaram mesmo a equipa de pesquisa a regressar ao local, com “um pouco mais de verificação para garantir que os eventos fossem mesmo reais e que a equipa fosse capaz de os localizar com precisão“.

No novo estudo, publicado esta segunda-feira na Nature, os investigadores explicam que a Antárctida Oriental é um cratão – um grande e estável pedaço de rocha na crosta terrestre subjacente aos continentes.

Apesar de alguns cientistas terem argumentado que a actividade sísmica da Antárctida pudesse ser suprimida pelo imenso peso da camada de gelo continental, as novas pesquisas mostram que esse não é o caso.

A maioria dos 27 terramotos registados em 2009 foram resultado de fendas – regiões na crosta terrestre onde a rocha é dilacerada.

“As fendas proporcionam zonas de fraqueza que permitem que as falhas ocorram mais facilmente, e pode ser que a situação na Antárctida seja tal que a actividade sísmica esteja a ocorrer preferencialmente ao longo dessas áreas de fraqueza pré-existentes”, explicou Lough num comunicado de imprensa.

A investigadora notou ainda que as novas descobertas são baseadas em dados de apenas um ano e, por isso, é necessário que se façam mais pesquisas de forma a obter uma visão completa sobre o fenómeno.

Mas isto apenas mostra como os cientistas, sem as ferramentas certas para registar e detectar fenómenos físicos, ficam cegos – e portanto, todos nós.

E, enquanto em retrospectiva o ponto cego do leste da Antárctida parece incrível, a verdade é que ainda há muita coisa que não estamos a registar adequadamente em termos de actividade sísmica global.

“A Antárctida é o continente do qual menos recolhemos dados analíticos, mas também existem outras áreas do planeta de que temos“, disse Lough.

“O oceano cobre 71% do planeta, mas é caro e muito difícil conseguir dados de lá. Precisamos de pensar em melhorar a cobertura e depois melhorar a sua densidade”, concluiu.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
7 Junho, 2018

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