5376: Derretimento dos glaciares contribui para os terramotos do Alasca

CIÊNCIA/GEOLOGIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

(dr) Sam Herreid
Glaciares como o Yakutat, no Alasca, estão a derreter desde o final da Pequena Idade do Gelo

Em 1958, um terramoto de magnitude 7,8 desencadeou um deslizamento de rochas na baía de Lituya, no sudeste do Alasca, criando um tsunami. Agora, os cientistas acreditam que a perda generalizada de gelo do glaciar ajudou a preparar o terreno para o terramoto. 

Uma equipa de cientistas do Instituto Geofísico Fairbanks da Universidade do Alasca descobriu, recentemente, que a perda de gelo perto do Parque Nacional de Glacier Bay influenciou o momento e a localização dos terramotos que ocorreram naquela área durante o século passado.

De acordo com o EurekAlert, o peso do gelo faz com que a terra por baixo afunde. Quando um glaciar derrete, o solo “salta”.

Chris Rollins, principal autor do artigo científico publicado recentemente na JGR Solid Earth, explicou que existem dois componentes para a elevação: o efeito elástico, que ocorre quando a terra volta instantaneamente a levantar-se assim que a massa de gelo é removida, e o efeito prolongado do manto, que flui para cima.

Neste estudo, os investigadores relacionaram o movimento de expansão do manto com os grandes terramotos no sudeste do Alasca, um local onde os glaciares estão a derreter há mais de 200 anos.

Rollins executou modelos de movimento da terra e perda de gelo desde 1770 e encontrou uma correlação subtil, mas inconfundível, entre terramotos e recuperação da terra.

Quando os cientistas combinaram os mapas de perda de gelo e tensão de cisalhamento com registos sísmicos de 1920, descobriram que a maioria dos grandes terramotos estava relacionada com a tensão da recuperação de longo prazo da terra.

Segundo a equipa, a maior quantidade de stress da perda de gelo ocorreu perto do epicentro exacto do terramoto de 1958, que causou o tsunami da Baía de Lituya.

Apesar de o derretimento dos glaciares não ser a causa directa dos terramotos, o estudo mostra que influencia o momento e a gravidade dos eventos sísmicos.

Por Liliana Malainho
23 Março, 2021


5267: Estranhos terramotos revelam vulcões ocultos debaixo do deserto do Utah

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Bureau of Land Management / Flickr

Duas estranhas sequências de terramotos, em Setembro de 2018 e Abril de 2019, chamaram a atenção dos cientistas para o deserto de Black Rock, no estado norte-americano do Utah.

As sequências de sismos, que incluíram os terramotos principais e os seus tremores secundários, foram muito diferentes do terramoto Magna, que sacudiu a Wasatch Front em 2020, e outros terramotos no Utah.

Os sismos de magnitude 4,0 e 4,1 no deserto de Black Rock foram captados pela Rede Sísmica Regional do Utah e pela implantação de equipamento sísmico temporário nas proximidades, que monitorizava um poço geotérmico do Utah FORGE, um projecto geotérmico experimental financiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e controlado pela Universidade do Utah, a cerca de 30 quilómetros a sul do deserto.

Terramotos neste deserto são raros e capturar as gravações sísmicas fornece um vislumbre do sistema vulcânico do deserto de Black Rock que, embora não mostre nenhum sinal de erupção, ainda está activo.

A rede temporária permitiu que os investigadores detectassem mais tremores secundários do que o normal. A rede regional, por exemplo, detectou 19 terramotos como parte da sequência de Abril de 2019. Porém, a densa rede temporária detectou 35 terramotos.

As sequências mostraram algumas características que as diferenciam da sequência do Magna 2020 e de outras sequências de terramotos no Utah. Enquanto o terramoto Magna ocorreu a uma profundidade de cerca de 9,5 quilómetros abaixo da superfície, uma profundidade típica para terramotos no Utah, os sismos de Black Rock foram muito mais rasos – cerca de 2,4 quilómetros abaixo da superfície.

“Como estes terramotos eram muito rasos, conseguimos medir a deformação da superfície [devido aos terramotos] usando satélites, o que é muito incomum para terramotos tão pequenos”, explicou Maria Mesimeri, investigadora nas Estações Sismográficas da Universidade do Utah, em comunicado.

Mesimeri e os seus colegas descobriram ainda que os terramotos produziram energia sísmica de frequência muito mais baixa do que a normalmente observada.

Além disso, um dos principais tipos de ondas sísmicas, ondas transversais ou ondas S, não foi detectado nas sequências do Black Rock.

Todos estes sinais sugerem que as sequências Black Rock tinham uma origem muito diferente da sequência Magna, que foi gerada pelo movimento da falha Wasatch.

Segundo os geólogos, os terramotos de Black Rock podem ter sido gerados pela actividade contínua no campo vulcânico de Black Rock.

As montanhas Wasatch formam a margem oriental de uma região chamada província de Basin and Range, que se estende a oeste até Sierra Nevada. A província está a expandir-se por placas tectónicas e esse alongamento afina a crosta, permitindo que mais calor suba do interior da Terra. Na área de Black Rock, esse calor resultou na erupção de lava basáltica há cerca de nove mil a 12 mil anos.

“As nossas descobertas sugerem que o sistema ainda está activo e que os terramotos foram provavelmente resultado de movimento relacionado com os fluidos na área geral”, afirmou Mesimeri, referindo-se ao potencial magma ou água aquecida. “Os terramotos podem ser o resultado da compressão do fluido através da rocha ou o resultado da deformação do movimento do fluido que stressou as falhas da superfície”.

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Actividade num campo vulcânico, contudo, não significa erupção. Segundo a investigadora, não há evidências de que qualquer erupção seja iminente no Deserto de Black Rock.

No entanto, é uma área que os geo-cientistas podem querer monitorizar um pouco mais de perto. “Os resultados mostraram-nos que devemos dar mais atenção à área de Black Rock”, disse Mesimeri. “Precisamos de melhorar a monitorização sísmica e vulcânica nesta área para estarmos cientes das pequenas mudanças que podem ocorrer.”

Este estudo foi publicado em Fevereiro na revista científica Geophysical Research Letters.

Por Maria Campos
6 Março, 2021


5260: A Islândia foi atingida por 17 mil terramotos na semana passada (e uma erupção pode estar iminente)

CIÊNCIA/GEOLOGIA/TERRAMOTOS

Chris Liverani / unsplash

Mesmo para uma ilha vulcânica acostumada a tremores ocasionais, esta foi uma semana incomum para a Islândia. De acordo com o Escritório Meteorológico da Islândia, cerca de 17 mil terramotos atingiram a região sudoeste de Reykjanes.

De acordo com a CNN, o maior terramoto, de magnitude 5,6 na escala Richter, ocorreu na manhã de 24 de Fevereiro. Foi o mais forte de um enxame que continua a abalar os moradores da capital Reykjavík e dos municípios ao redor dela, onde dois terços da população islandesa vive.

Dois sismos de magnitude 5,6 também ocorreram em 27 de Fevereiro e 1 de Março.

 

Até agora, poucos foram os danos causados pelos tremores, embora a Administração de Estradas e Costa da Islândia tenha relatado pequenas fendas nas estradas na área e quedas de rochas em encostas íngremes perto do epicentro do enxame.

“Já experimentei terramotos antes, mas nunca tantos consecutivos“, disse Auður Alfa Ólafsdóttir, residente de Reykjavik, em declarações à CNN. “É muito incomum sentir a Terra tremer 24 horas por dia durante uma semana inteira. Isso faz-nos sentir muito pequenos e impotentes contra a natureza”.

Na cidade pesqueira de Grindavík, os locais tiveram um lugar na primeira fila para sentir os tremores. “Nunca experimentei nada parecido antes”, disse Páll Valur Björnsson, que é deputado parlamentar. “Estamos habituados, começou há um ano. Mas é muito mais agora – muito inquietante. Não tenho medo, mas é incómodo. Acordei duas vezes ontem à noite por causa de [tremores]. É difícil, mas tem de se aprender a conviver com isso”.

A Islândia localiza-se numa fronteira de placa tectónica que continuamente se divide, afastando a América do Norte e a Eurásia uma da outra ao longo da linha da Cadeia Mesoatlântica. A maior parte da actividade sísmica é detectada apenas por equipamentos científicos sensíveis. Os ocasionais tremores mais fortes são uma parte inevitável da vida numa região sísmica activa.

Þorvaldur Þórðarson, professor de vulcanologia da Universidade da Islândia, disse que as preocupações com a actividade recente são compreensíveis. “Claro que preocupa as pessoas. Para esta região, isto é bastante incomum, não por causa do tipo de terramotos ou sua intensidade, mas pela sua duração. Já dura há mais de uma semana.”

“Por que está a acontecer? É muito provável que tenhamos uma intrusão de magma na crosta [da Terra]. Definitivamente, aproximou-se da superfície, mas estamos a tentar descobrir se se está a aproximar ainda mais”, explicou.

Como há vários vulcões na área afectada pelo terramotos, as autoridades locais alertaram que uma erupção pode estar iminente.

Elísabet Pálmadóttir, especialista em riscos naturais do Escritório Meteorológico da Islândia, disse que as autoridades estão a instalar equipamentos de vigilância na área, desde GPS e monitores de terramoto a câmaras e detectores de gás.

Segundo a especialista, um evento mais poderoso pode ser motivo de preocupação e estima que a área pode sofrer um terramoto de magnitude 6 ou superior. “Nesta área em particular, onde vimos actividade na semana passada, poderíamos experimentar um terramoto de magnitude 6,0. Mas poderíamos ter um 6,5 a leste da área, a leste do Lago Kleifarvatn”, disse.

Nenhuma cidade parece estar em risco de fluxos de lava no caso de uma erupção vulcânica, de acordo com a última modelagem do Grupo de Vulcanologia e Perigos Naturais da Universidade da Islândia, que divulgou mapas de fluxos potenciais esta quarta-feira.

“Com base no modelo actual, nenhuma grande cidade está em perigo“, disse o vulcanologista Ármann Höskuldsson, acrescentando que o Aeroporto Internacional de Keflavík também seria poupado. No entanto, a estrada principal que liga o aeroporto à capital, Reykjavík, pode ser afectada, assim como algumas linhas de transmissão.

Pálmadóttir observa ainda que estes modelos não tomam em consideração possíveis gases perigosos que poderiam ser emitidos por uma erupção vulcânica.

O espectro de uma grande erupção lembra a erupção do Eyjafjallajökull em 2010, que causou uma das maiores paralisações de tráfego aéreo do mundo desde a II Guerra Mundial. No entanto, Pálmadóttir considera que uma nuvem de cinzas semelhante seria improvável na situação actual. Além disso, “a composição do magma aqui é muito diferente, a intensidade da actividade explosiva seria significativamente menor.”

Víðir Reynisson, do Departamento de Protecção Civil e Gestão de Emergências da Islândia, disse que era “mais provável” haver uma erupção do que “não haver”. Seria o primeiro na área desde o século XII.

Por enquanto, os residentes aguardam sinais de uma erupção. Víkurfréttir, um serviço de notícias local, instalou uma câmara de vídeo a apontar para Keilir, que começará a ser transmitida ao vivo caso uma erupção comece.

Nas últimas 24 horas, os grandes terramotos sentiram que os dias anteriores haviam diminuído em grande parte – mas a calma pode não durar muito. “Definitivamente não acabou”, rematou Pálmadóttir.

Por Maria Campos
4 Março, 2021


4942: Nos próximos anos, Israel deverá ser atingido por um terramoto que “irá causar centenas de vítimas”

CIÊNCIA/GEOLOGIA

jimmyweee / Wikimedia
Mar Morto, Israel

Um estudo realizado no Mar Morto revelou que um terremoto de magnitude 6,5 poderá atingir a região nos próximos anos. A pesquisa mostrou que um terremoto desta magnitude ocorre em Israel num ciclo médio entre 130 e 150 anos, mas houve casos em que o período de suspensão durou apenas algumas décadas.

O último terremoto de magnitude 6,5 foi sentido no vale do Mar Morto em 1927, altura em que centenas de pessoas ficaram feridas nas cidades de Amã, Jerusalém, Belém e Jaffa. Agora, de acordo com as descobertas do novo estudo, os investigadores alertam que é muito provável que outro terremoto ocorra nos próximos anos ou décadas.

A pesquisa foi realizada sob a conduta do Programa Internacional de Perfuração Científica Continental (ICDP, em inglês), que realiza perfurações profundas em leitos de todo o mundo, com o objectivo de estudar o clima antigo da Terra e outras mudanças ambientais.

Neste sentido, em 2010, uma plataforma foi colocada no centro do Mar Morto e começou a perfurar a uma profundidade de centenas de metros, permitindo uma análise de cerca de 220 mil anos de geologia.

No seguimento dos trabalhos, a equipa descobriu que devido ao facto do Mar Morto ser o lugar mais baixo da terra, a cada inverno, as águas das enchentes que lá desaguam, carregam consigo sedimentos que se acumulam em diferentes camadas.

Uma camada escura de cerca de um milímetro representa o sedimento da enchente de inverno e uma camada mais clara, também com um milímetro de espessura, representa o aumento da evaporação da água durante os meses de verão. Assim que ocorre um terremoto os sedimentos giram juntos com as camadas que anteriormente se haviam acomodado numa sequência perfeita.

Através do uso de equações e modelos computacionais, os investigadores foram capazes de compreender a física do processo e reconstruir a partir do registo geológico a história dos terremotos ao longo do tempo.

Uma análise do registo mostra que a frequência dos terremotos no vale do Mar Morto não é fixa ao longo do tempo. Houve períodos de milhares de anos com mais actividade sísmica e outros com menos. Além disso, os especialistas descobriram que houve uma subestimação significativa da frequência de terremotos em Israel.

Até agora, os investigadores acreditavam que a fenda do Mar Morto tremia a uma magnitude de 7,5, ou mais, a cada 10 mil anos em média, mas agora sugerem que esses terremotos destrutivos são muito mais frequentes, e invadem o local com um intervalo médio que varia entre 1.300 e 1.400 anos.

Os geólogos estimam que o último terremoto com essa magnitude que atingiu a região foi em 1.033, ou seja, há quase mil anos. Segundo os cálculos dos geólogos, isso significa que nos próximos séculos, o local pode esperar outro terremoto de magnitude 7,5 ou superior.

Por outro lado, a equipa de investigação descobriu que terremotos com magnitude de 6,5 ocorrem na região a cada 130 a 150 anos, mas que a frequência entre estes varia.

Segundo o Phys, embora tenha havido casos em que o período entre um terremoto e outro tenha durado centenas de anos, também houve situações em que os poderosos fenómenos ocorreram com apenas algumas décadas de espaçamento.

“Não quero causar alarme, mas vivemos num período tectonicamente activo. O registo geológico não mente e em breve virá um grande terremoto em Israel. Claro, não temos como prever exactamente quando a terra vai tremer sob os nossos pés, mas, infelizmente, posso dizer que o terremoto irá causar centenas de vítimas e que deverá acontecer nos próximos anos”, refere Shmuel Marco, autor do estudo.

O professor alerta ainda que “pode ser em dez anos ou em várias décadas, mas também pode ser na próxima semana, e precisamos de estar preparados para isso”.

A pesquisa foi realizada por uma equipa internacional de investigadores e os resultados do estudo foram publicados na revista Science Advances em Novembro.

Por Ana Moura
12 Janeiro, 2021


4576: Terramotos na falha de San Andreas podem ser explicados por um lago antigo

CIÊNCIA/GEOFÍSICA/GEOLOGIA

Leohotens / Wikimedia

A falha de San Andreas, que se situa ao longo da costa oeste da América do Norte e atravessa centros populacionais densos como o de Los Angeles, na Califórnia, é uma das falhas mais estudadas devido ao seu elevado risco de perigo.

Tendo por base o intervalo de recorrência de, aproximadamente, 150 anos em que ocorrem terramotos de magnitude 7,5, e no facto de que já se passaram mais de 300 anos desde que isso aconteceu, a falha de San Andreas é há muito chamada de “atrasada”.

Durante décadas, os geólogos questionavam-se como é que já tinha passado tanto tempo desde a ocorrência do último terramoto no local, que daria origem a uma maior ruptura. Agora, alguns geofísicos acreditam que a “seca do terramoto” – como os especialistas lhe chamam – pode ser parcialmente explicada por lagos, ou neste caso pela falta deles.

Na Reunião Anual da Geological Society of America, Ryley Hill apresentou um novo trabalho através do uso de modelagem geofísica para quantificar como a presença de um grande lago junto de uma falha, pode ter afectado o tempo de ruptura no sul de San Andreas no passado.

Há centenas de anos, um lago gigante – o Lago Cahuilla – que se situava no sul da Califórnia e norte do México, cobria falhas dos vales Mexicali, Imperial e Coachella, fazendo assim a sua travessia muito próximo da falha de San Andreas.

Ao longo dos anos este lago tem secado lentamente e isso faz levantar a questão: se o lago que ficava junto ao San Andreas secou, e o peso da sua água foi removido, isso pode explicar porque razão a falha de San Andreas está numa “seca de terramotos”?

Hill está a explorar as consequências da presença de um lago no tempo de ruptura de uma falha, processo conhecido como carregamento do lago – trata-se do efeito cumulativo de duas forças que são o peso da água do lago e a maneira como essa água se difunde para o solo.

O peso da água do lago aumenta a pressão colocada nas rochas que estão debaixo dele, enfraquecendo-as. Quanto mais fundo for o lago, maior será a pressão sobre as rochas e maior será a probabilidade da falha escorregar.

“Imaginemos duas mãos escorregadias a fazer pressão para dentro. Se tentarmos desliza-las lado a lado elas não vão escorregar facilmente. Mas se houver água entre elas, a pressão empurra-as para fora e elas escorregam com facilidade”, explica Hill, que garante que as forças juntas criam pressão na falha, atingindo assim um limite crítico, fazendo com que a falha se rompa.

Segundo o Phys, o modelo de Hill é complexo e incorpora diferentes níveis de pressão de água nos sedimentos e nas rochas localizadas debaixo do lago, permitindo que a pressão dos poros seja directamente afectada pela tensão da água. Isso, por sua vez, afecta o comportamento geral da falha.

Enquanto o trabalho estava em andamento, Hill revelou que encontrou respostas importantes. Quando a água do lago está no seu máximo esta faz com que a pressão aumente e se torne capaz de empurrar o cronograma de modo a que a falha alcance o ponto crítico um pouco mais cedo do que o previsto.

De acordo com Hill, o efeito geral da seca do Lago Cahuilla torna mais difícil a ruptura de uma falha. “À medida que a pressão dos poros diminuiu, tecnicamente, o alicerce fica mais forte”, diz o geólogo, explicando assim o que está a acontecer em San Andreas.

ZAP //

Por ZAP
31 Outubro, 2020


4360: Super-vulcão Yellowstone registou 91 terramotos em apenas 24 horas

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA/YELLOWSTONE

Brocken Inaglory / Wikimedia
A Grand Prismatic Spring, no Parque National de Yellowstone, EUA

Os vulcanólogos têm andado atentos ao super-vulcão localizado no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) relatou recentemente a ocorrência de 91 terremotos em apenas 24 horas. Estes não ultrapassaram os 3 graus de intensidade e manifestaram-se a sudoeste do Lago Yellowstone.

Michael Poland, cientista do observatório do vulcão Yellowstone, explicou que apesar de este ser um número elevado de terramotos a acontecer em tão pouco tempo “está longe de ser o mais impactante”. Entre Junho e Setembro de 2017, 2400 terramotos atingiram o parque, sendo que um deles atingiu uma magnitude de 4,4 graus. Na verdade, o parque regista entre 1500 e 2000 terramotos por ano.

Segundo o ABC, os geólogos estão a conduzir experiências que estão a causar vibrações de frequência muito baixa — experiências controversas, uma vez que alguns especialistas defendem que 2020 não é o ano ideal para mexer no Yellowstone. “Felizmente, o vulcão não sabe em que ano estamos”, respondeu o USGS no Twitter.

mjonno79
@mjonno79

11 de set de 2020

Em resposta a @USGSVolcanoes

Although I don’t particularly doubt the science and the chance of triggering an eruption is basically inconceivable, 2020 its just not the year to be messing about with things like Yellowstones magma chamber.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

USGS Volcanoes
@USGSVolcanoes
Well, happily, the volcano doesn’t know what year it is. And even more happily, the Yellowstone magma chamber is mostly solid! (usgs.gov/center-news/us
) We know that from past experiments just like this one.

As observações e experiências dos vulcanologistas têm como objectivo reconhecer a parte superior da grande câmara magmática do Yellowstone, para o que foram colocadas centenas de sismómetros temporários. Os últimos terramotos foram assim registados com um grande nível de detalhe.

Actualmente, o parque está num nível de alerta verde ou “normal”, ou seja, não há sinais de uma erupção iminente. No entanto, os vulcanologistas continuam a estudar os possíveis terramotos, a actividade hidro-térmica e possíveis deformações do solo que podem anunciar um.

Debaixo da caldeira de Yellowstone há uma grande câmara magmática de 60 quilómetros de comprimento, 29 de largura e 5 a 12 de profundidade. De acordo com as estimativas dos geólogos, as super-erupções de Yellowstone ocorrem com uma frequência de uma vez a cada um a dois milhões de anos.


– Vídeo carregado por cópia de écran por não estar disponibilizado o endereço original.

Em Junho deste ano uma nova investigação internacional concluiu que a região vulcânica de Yellowstone, nos Estados Unidos, parecia estar em declínio. Contudo, o especialista Thomas Knott alertou que os números apresentados eram apenas estimativas e que era crucial continuar a monitorizar a actividade deste super-vulcão de perto.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2020

 

 

4315: Desvendado o mistério dos “terramotos invisíveis” na falha de San Andreas

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Ikluft / Wiklimedia

Um conjunto de forças inexplicáveis ​​que derretem as rochas sob a crosta terrestre e muito mais profundas do que se acreditava anteriormente parecem ser responsáveis ​​pelos poderosos terramotos ao longo de um segmento da falha de San Andreas.

Ao longo da falha de San Andreas, perto da cidade de Parkfield, Califórnia, um conjunto incrivelmente sensível de instrumentos sísmicos e GPS detecta algo estranho há vários anos: terramotos profundos que ocorrem bem abaixo de onde ocorre a maior parte do movimento sísmico na Califórnia.

Esses terremotos não são sentidos na superfície, mas são intrigantes porque este segmento de San Andreas perto da cidade de Parkfield também estremece com terramotos de magnitude 6 ou mais a cada 20 ou 40 anos .

Esses tremores profundos podem estar ligados aos tremores da superfície. Agora, uma nova investigação encontrou a raiz desses terremotos profundos e silenciosos.

Especialistas da University of Southern California e da China Earthquake Administration descobriram que, ao longo de uma secção particularmente problemática da falha de San Andreas, as excitações subterrâneas que ocorrem muito mais profundamente do que onde se origina a maioria dos tremores monitorizados foram a causa de grandes instabilidades sísmicas.

Segundo os cientistas, a maior parte da actividade sísmica da Califórnia origina-se nos primeiros 16 quilómetros da crosta, mas alguns tremores na falha de San Andreas ocorrem muito mais profundamente.

“Porque e como é que isto acontece é em grande parte desconhecido. Mostrámos que uma secção profunda da falha de San Andreas parte com frequência e derrete as rochas hospedeiras, gerando essas ondas sísmicas anómalas”, disse Sylvain Barbot, geofísico na University of Southern California e líder do estudo, em comunicado.

Usando modelos matemáticos e experiências de laboratório, os cientistas simularam a dinâmica da actividade nas profundezas da Terra durante 300 anos e observaram que, após um grande terramoto, as placas tectónicas que colidem ao longo da falha entram num período de relativa calma.

Porém, aos poucos, essa interacção começa a gerar calor devido ao atrito. O atrito faz com que a temperatura suba e os enormes blocos de rocha se tornem mais fluidos. Ao mesmo tempo, é criado um ciclo vicioso, uma vez que o aumento da fluidez leva a mais deslizamento e mais atrito.

Em pouco tempo, os blocos deslizam rapidamente entre si e é desencadeado um terramoto.

Os cientistas argumentam que esta é uma forma diferente de estudar a falha de San Andreas. “É difícil fazer previsões, por isso, em vez de apenas prever, estamos a tentar explicar todos os diferentes tipos de movimento que se vê no solo”, concluiu Barbot.

Terramoto na Califórnia deixou enorme fissura visível do Espaço

O forte terremoto de magnitude 7,1 que assolou o sul do estado norte-americano da Califórnia na passada sexta-feira, deixou uma…

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Este estudo foi publicado este mês na revista científica Science Advances.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2020

 

 

4157: Detectado um raro terramoto “boomerang” nas profundezas do Oceano Atlântico

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(dr) Stephen Hicks

Uma equipa de geólogos encontrou evidências de um terramoto “boomerang” raro e praticamente sem precedentes que fez tremer as profundezas do Oceano Atlântico em 2016.

O terramoto ocorreu ao longo da zona de fractura Romanche, que fica perto do Equador, aproximadamente a meio caminho entre a costa leste do Brasil e a costa oeste da África.

A zona de fractura, uma falha que percorre cerca de 900 quilómetros entre as placas tectónicas da América do Sul e da África produziu um terramoto de magnitude 7,1 em Agosto de 2016, que foi detectado por sismómetros submarinos na região, bem como por estações de monitorização distantes.

A análise destes sinais revela que este não foi um terramoto comum, mas sim um tremor bizarro que aconteceu numa direcção e, depois, virou-se e voltou para trás com um aumento significativo de velocidade.

“Embora os cientistas tenham descoberto que este mecanismo de reversão de ruptura é possível a partir de modelos teóricos, o nosso novo estudo fornece algumas das evidências mais claras para este mecanismo enigmático a ocorrer numa falha real”, disse o investigador Stephen Hicks, sismólogo do Imperial College London, em comunicado.

De acordo com a análise dos dados sísmicos, o terramoto de 2016 teve duas fases distintas. Primeiro, a ruptura propagou-se para cima e para o leste na direcção de um ponto fraco onde a zona de fractura se encontra com a Dorsal Mesoatlântica. Depois, numa súbita reviravolta, ocorreu uma “retro-propagação incomum para o oeste”, com os tremores a voltar para o centro da falha, e em velocidades de “super-cisão” muito aceleradas de até seis quilómetros por segundo.

“Mesmo que a estrutura da falha pareça simples, a forma como o terramoto cresceu não foi, e isso foi completamente o oposto de como esperávamos que o terramoto fosse antes de começarmos a analisar os dados”, disse Hicks.

Para já, os cientistas levantam a hipótese de que a primeira fase profunda do terramoto libertou energia de fractura suficiente para iniciar a reversão da ruptura no terreno subaquático mais raso e oeste.

Embora terramotos de propagação reversa tenham sido estudados por sismólogos anteriormente, até agora, as evidências são escassas, tendo o fenómeno sido visto principalmente em modelagem teórica.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Nature Geoscience.

ZAP //

Por ZAP
13 Agosto, 2020

 

 

3266: NASA pode ter registado o primeiro abalo sísmico em Marte

CIÊNCIA

Sinais obtidos pela sonda InSight são semelhantes aos que foram registados na superfície lunar pelas missões Apollo

Imagem tirada a 19 de Março pela sonda InSight mostra a cobertura que protege o sismógrafo © NASA/JPL-Caltech

A NASA pode ter registado pela primeira vez o “tremor de Marte” – ou seja, um terramoto no planeta vermelho. Numa nota emitida esta terça-feira a agência espacial norte-americana aponta como “provável” que o registo detectado por um sismógrafo se deva a movimentos internos e não à acção de elementos exteriores, à superfície, como o vento. Os cientistas estão agora a examinar os dados para apurar uma explicação definitiva. E divulgaram entretanto um áudio com o som do sismo marciano.

O sinal foi registado a 6 de Abril, o 128º dia marciano, por um sismógrafo transportado pela sonda InSight da NASA, que instalou aquele instrumento na superfície do planeta através de um braço robótico, a 19 de Dezembro de 2018. De acordo com a nota da agência, a comparação dos sinais obtidos agora em Marte com os resultados das missões Apollo na superfície lunar apontam para a possibilidade de se tratar efectivamente de um abalo sísmico. “O tamanho e a duração correspondem ao padrão dos abalos sísmicos na Lua detectados durante as missões Apollo”, afirma Lori Glaze, director da divisão de Ciência Planetária da NASA.

“Temos vindo a recolher os ruídos e este novo passo lança oficialmente um novo campo: a sismologia de Marte”, diz, por sua vez, Bruce Banerdt, investigador principal da missão.

Para já, os dados detectados ainda são insuficientes para fornecer mais indicações sobre o interior de Marte, o grande objectivo da InSight, que procura informação que ajude a perceber a formação e evolução dos planetas rochosos do Sistema Solar.

A própria NASA explica que a superfície marciana é extremamente calma, em contraste com a da Terra, que regista vibrações constantes, resultado do barulho provocado pelos oceanos e pelos elementos climáticos. Um registo como aquele que foi obtido em Marte passaria despercebido num sismógrafo “terrestre”. Mas não no planeta vermelho. “Esperámos meses por um sinal como este”, diz Philippe Lognonné, geofísico do Institut de Physique du Globe de Paris (IPGP) e investigador principal da missão, que tem uma componente francesa – o sismógrafo que está em Marte foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais francês. “É muito estimulante ter finalmente provas de que Marte é sismicamente activo”, acrescentou o cientista.

Ao contrário da Terra, Marte (tal como a Lua) não tem placas tectónicas. Mas um contínuo processo de arrefecimento e contracção acaba por ter o mesmo efeito nas camadas interiores do planeta, levando a uma libertação de energia que provoca então os abalos sísmicos.

Diário de Notícias
DN
24 Abril 2019 — 12:28

 

 

3229: Diamantes podem ser a chave para explicar os choques entre placas tectónicas

CIÊNCIA

(CC0/PD) gr8effect / pixabay

Depois de terem descoberto defeitos e inserções dentro de diamantes extraídos das zonas mais profundas da Terra, uma equipa de cientistas acredita que o líquido presente no manto terrestre pode explicar os terramotos profundos.

Além dos sismos sentidos na superfície da Terra, o nosso planeta é palco de terramotos profundos, na zona de transição entre as camadas inferior e superior do manto terrestre.

Os cientistas pensam que o líquido no manto desempenha um papel importante neste fenómeno, ainda que não tenham encontrado qualquer prova inequívoca da existência desse líquido nas profundezas do manto.

No entanto, esta teoria ganhou força depois de uma equipa de cientistas ter encontrado indícios da presença do tal líquido num local improvável: dentro de diamantes retirados de camadas entre 600 e 800 quilómetros de profundidade.

A maioria dos diamantes cristaliza a profundidades entre os 140 e os 200 quilómetros de profundidade, mas os diamantes super-profundos podem ser encontrados até 800 quilómetros abaixo da superfície. Dentro destes diamantes existem pequenas falhas, ou inclusões, feitas por fluídos – e são essas falhas que, segundo os cientistas, revelam que é provável que o líquido flua nas camadas do manto onde se formaram os diamantes.

Steven Shirey, geoquímico da Carnegie Institution for Science em Stanford, no estado norte-americano da Califórnia, explicou ao Live Science que a localização e o movimento dos fluídos podem ser a chave para entender um dos mistérios do nosso planeta – o fenómeno dos terramotos profundos.

A equipa de cientistas apresentou uma nova pesquisa, no dia 10 de Dezembro num encontro promovido pela União Geofísica Americana (AGU), que revela um modelo do movimento líquido nas profundezas da Terra, onde se formam este tipo de diamantes.

Ao criar estes modelos, os cientistas esperam ligar os pontos entre o movimento do fluido no manto profundo, a formação de diamantes “e as propriedades de ruptura física das rochas naquela região” da zona de transição do manto.

“[Terremotos profundos são] uma manifestação muito interessante das placas tectónicas”, disse o investigador. Além disso, o movimento do líquido poderia estar correlacionado com o comportamento das placas tectónicas.

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20 Dezembro, 2019

 

 

2146: Já se sabe como é que as marés podem desencadear terramotos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Free-Photos / Pixabay

Como e porquê que as marés desencadeavam terramotos sempre foi uma incógnita que os cientistas têm tentado resolver ao longos dos anos. Agora, o mecanismo foi descoberto num novo estudo.

Actividade sísmica e vulcânica pode ser desencadeada pela força das marés, com terramotos a acontecerem nas profundezas oceânicas. Estes terramotos acontecem durante a maré baixa, apesar de teorias convencionais sugerirem que deveriam acontecer em alturas de maré alta.

Um novo estudo publicado esta sexta-feira na revista Nature Communications mostra como o magma debaixo da dorsal oceânica é responsável por esta actividade sísmica, até agora inexplicável.

É a câmara de magma a respirar, expandindo e contraindo devido às marés, o que está a fazer com que as falhas se movam”, explicou Christopher Scholz, sismólogo do Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade da Columbia.

Os cientistas ficaram surpreendidos com os resultados, uma vez que esperavam que quando a maré estivesse alta, o bloco superior seria empurrado para baixo e causaria terramotos numa falha. “Em vez disso, a falha desliza durante a maré baixa, que é o oposto do que esperávamos”, explicou Christopher.

Como alvo de análise, os cientistas usaram o vulcão submarino Axial, do oceano pacífico. Posteriormente, analisaram os resultados e exploraram as diferentes maneiras que a maré baixa poderia estar a causar actividade sísmica.

Com isto, perceberam que quando a maré está baixa, há menos água em cima da câmara de magma, o que faz com que esta se expanda. O Tech Explorist explica que, à medida que aumenta, ele movimenta as rochas ao redor, forçando o bloco inferior a deslizar para cima da falha e, consequentemente, causando terramotos.

“As pessoas no negócio do hydrofracking querem saber. Há alguma pressão segura que se possa exercer sem que se desencadeiem terramotos? E as resposta a que chegamos é que não há. Pode acontecer a qualquer nível de pressão”, realçou o cientista.

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9 Junho, 2019



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2115: Milhares de réplicas de um terramoto de 1959 espalharam-se por Yellowstone 60 anos depois

CIÊNCIA

Acroterion / Gaendalf / Wikimedia

Um enxame de milhares de minúsculos terramotos que se espalharam por baixo do Parque Nacional de Yellowstone em 2017 e 2018 podem ser os muito aguardados tremores secundários de um terramoto muito maior – que atingiu há 60 anos.

Num artigo publicado em 30 de Abril na revista Geophysical Research Letters, os investigadores examinaram a sismicidade de cerca de 3.345 terramotos que ocorreram perto de Maple Creek em Yellowstone, no canto noroeste do parque, entre Junho de 2017 e Março de 2018.

Os cientistas descobriram que, por cerca de metade destes terramotos menores, as ondas sísmicas abaixo do parque ondularam ao longo da mesma linha de falha, e na mesma direcção exacta, como as ondas do chamado evento Lago Hebgen – um terramoto gigantesco de magnitude 7,2 que ocorreu em 1959 e matou 28 pessoas.

A equipa não viu nenhum sinal de que este grupo de terramotos tivesse sido causado pelo movimento do magma sob o parque, levando-os a concluir que os terramotos eram, na verdade, um conjunto de tremores sísmicos que aconteceram há seis décadas.

“Este tipos de terramotos em Yellowstone são muito comuns”, disse o co-autor do estudo, Keith Koper, director das Estações Sismográficas da Universidade de Utah, em comunicado. No entanto, este enxame “foi um pouco mais longo e teve mais eventos do que o normal”.

Segundo os autores do estudo, este evento não é inédito e casos semelhantes surgiram nas proximidades na América do Norte. O terramoto de magnitude 6,9 ​​que atingiu Borah Peak, Idaho, em 1983, ainda produzia tremores secundários em 2017, segundo os investigadores. A hipótese é que, sob certas condições, os tremores secundários podem durar centenas de anos.

Ao contrário das inundações, furacões e outros desastres naturais, os terramotos “não acontecem como um único evento no tempo”, disse Koper, mas podem evoluir ao longo de décadas ou séculos.

Enquanto cerca de metade dos mini-terramotos de Maple Creek pareciam ser ondas do desastre de 1959, a outra metade, que ocorreu um pouco mais ao sul, parecia ligada à actividade natural no poço de magma abaixo do parque.

Yellowstone continua a ser um viveiro de actividade sísmica e vulcânica. Grande parte do parque fica sobre uma grande caldeira vulcânica, que é responsável pelas erupções de rotina de amados géiseres como o Old Faithful. O gigantesco vulcão sob o parque entrou em erupção três vezes nos últimos 2,1 milhões de anos e alguns cientistas especulam que uma quarta erupção pode estar para acontecer.

Segundo os autores do novo estudo, os tremores secundários do terramoto no Lago Hebgen estão localizados fora da caldeira de Yellowstone e provavelmente têm pouca ou nenhuma relação com a sua actividade vulcânica.

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5 Junho, 2019



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2044: Há uma nova teoria para explicar a onda de sismos silenciosos que fez a Terra tremer em 2018

CIÊNCIA

Jean-Pierre Dalbéra / Flickr

Em Maio de 2018, milhares de terramotos sacudiram a pequena ilha francesa de Mayotte, no arquipélago das Comoras, situado entre o continente africano e Madagáscar. A maioria foram tremores leve mas, um deles, a 15 de maio, foi o mais forte já registado naquela região.

Meses mais tarde, em Novembro, um entusiasta dos terramotos registou ondas sísmicas raras que começaram a propagar-se pelo mundo e que ressoaram durante mais de 20 minutos. Contudo, a sua frequência foi demasiado baixa para que os humanos se apercebessem do ocorrido.

Cientistas franceses decidiram lançar uma missão múltipla para controlar melhor a origem desta misteriosa actividade sísmica. Coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), o trabalho incluiu expedições do navio Marion Dufresne, co-dirigido por Nathalie Feuillet, do Instituto de Física do Globo de Paris, e Stephan Jorry, do Instituto Francês de Pesquisa para Exploração do Mar (IFREMER).

Após um ano de intensa pesquisa, os cientistas terão conseguido descobrir a origem da inesperada actividade sísmica: o nascimento de um vulcão submarino a cerca de 50 quilómetros da costa leste de Mayotte, informou a National Geographic.

Segundo os cientistas, o jovem vulcão está localizado a 3,2 quilómetros de profundidade, tem uma altura de 0,8 quilómetros e mede 4,8 quilómetros no seu ponto mais largo.

A 16 de maio, os investigadores divulgaram um comunicado de imprensa, e Robin Lacassin, do Instituto de Física da Globo, em Paris, publicou algumas imagens no Twitter. Uma imagem que mostra o vulcão recém-nascido em imagens acústicas, que agem como um golfinho que usa o seu sonar para perceber o ambiente. “É quase um ecografia de gravidez, apenas com barras de erro maiores”, comentou a geofísica Lucile Bruhat

Robin Lacassin @RLacassin

Another amazing view, in section, of the newly discovered active #volcano 50km offshore #Mayotte
Topography of the volcanic edifice and the rising fluid column above it are clearly imaged. Fluid column is ~2km high but do not reach the surface.

Na fotografia, vê-se uma coluna torcida que se eleva a quase dois quilómetros através da coluna de água a partir do topo de um objecto cónico. Não se sabe exactamente do que se trata esta pluma, mas é possível que o que faz com que as ondas sonoras saltem sejam fragmentos de cristal semelhantes às cinzas que emanam dos vulcões terrestres em erupção, disse Helen Robinson, candidata em vulcanologia aplicada na Universidade de Glasgow, no Reino Unido.

A segunda imagem revela uma série de estruturas acidentadas no fundo do mar que formam uma espécie de caminho para o novo centro vulcânico do qual os terremotos ocorrem, localizado entre 4,8 e 14,4 quilómetros da costa da Ilha Petite – Terre de Mayotte.

Robin Lacassin @RLacassin

Fantastic results from #MAYOBS scientific study lead by @IPGP_officiel !

Source of prolonged #Mayotte #earthquake swarm identified: new active #volcano discovered 3.5km below sea surface, 0.8km high and 4-5km diameter. Fluid release reaches 2km above volcano.

“Talvez o centro vulcânico tenha migrado para fora da ilha”, especula Stephen Hicks, da Escola Imperial de Londres que, no entanto, ressalta que, para confirmar esse mecanismo, é necessário ter mais dados sobre esses possíveis pontos de actividade vulcânica.

Além disso, os cientistas admitem que ainda não é claro se o vulcão é completamente novo ou simplesmente está a experimentar uma nova actividade numa estrutura antiga, enfatiza Ken Rubin, um vulcanologista da Universidade do Hawai, nos EUA, especializado em erupções submarinas.

Os investigadores não podem dizer exactamente que situação causou o ruído de baixa frequência e o enxame sísmico – ou mesmo se a erupção do novo vulcão está em andamento. Assim, Hicks acredita que as pistas para a origem da actividade vulcânica mais recente poderiam estar bloqueadas nos minerais de lava potencial solidificada no fundo do mar. Mas, sem mais dados de alta resolução, é impossível dizer com certeza se este é um nascer ou um despertar de um vulcão.

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25 Maio, 2019

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2003: Descoberto o culpado dos misteriosos terramotos na cordilheira Hindu Kush

CIÊNCIA

Faizi.be87 / Wikimedia

A cordilheira Hindu Kush – que se estende por 800 quilómetros ao longo da fronteira do Afeganistão com o Paquistão – treme com mais de cem terramotos de magnitude 4,0 ou mais por ano.

A área é um dos locais mais sismicamente activos do mundo, especialmente para terramotos de profundidade intermediária – tremores que se formam entre 70 e 300 quilómetros abaixo da superfície do planeta). No entanto, os cientistas não têm certeza do porquê.

As montanhas não se localizam numa grande falha geológica, onde se espera alta actividade sísmica, e a região fica a muitos quilómetros de distância da zona de colisão em movimento lento, onde as placas tectónicas euro-asiática e indiana colidem continuamente.

Um novo estudo publicado em 17 de Abril na revista Tectonics pode ter uma resposta para os terramotos misteriosos do Hindu Kush – e, como todos os grandes mistérios geológicos, envolve massas viscosas.

De acordo com o estudo, as montanhas Hindu Kush devem a sua reputação sísmica a uma longa “massa” de rocha que lentamente escorre da parte subterrânea da cordilheira para o manto quente e viscoso por baixo. Como uma gota de água solitária que se afasta da borda de uma torneira, a faixa de 150 quilómetros de montanha pode estar a afastar-se da crosta continental a uma velocidade de até dez centímetros por ano. Esse stress subterrâneo pode estar a desencadear terremotos.

Os investigadores descobriram a problemática massa após vários anos de observações de terramotos perto das montanhas Hindu Kush. Viram que os terramotos formaram-se num padrão, criando o que parecia ser um “caminho redondo” de actividade sísmica na superfície do planeta, disse Rebecca Bendick, geofísica da Universidade de Montana em Missoula, citada pela Live Science.

Esses terramotos também se formaram ao longo de um eixo vertical claro, começando entre 160 e 230 quilómetros abaixo do continente e eram mais comuns mais abaixo, onde a sólida crosta continental encontra o manto superior, quente e viscoso. Aqui, é onde a massa de alongamento lento é mais tensa.

Todas as observações foram consistentes com uma massa de rocha sólida que lentamente escorria no submundo pegajoso – uma hipótese que foi usada anteriormente para explicar a actividade sísmica semelhante sob as Montanhas dos Cárpatos na Europa central. De acordo com os geólogos, Hindu Kush terá começado a pingar não antes de há dez milhões de anos e continua a estender-se quase dez vezes mais rápido que a superfície das montanhas, enquanto as placas da Índia e da Eurásia colidem.

Se confirmados, estes resultados podem ser mais uma evidência de que as forças geofísicas além da subducção de placas tectónicas podem enviar terramotos pelo planeta.

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18 Maio, 2019



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1878: Um “burburinho” para o homem, um sismo em Marte. NASA pode ter captado primeiro terramoto marciano

Um sismógrafo implantado em Marte, no âmbito da missão da NASA InSight, registou o que pode ser o primeiro terramoto do planeta vermelho, anunciou a agência espacial francesa CNES.

“É formidável finalmente ter um sinal de que ainda há uma actividade sísmica em Marte”, salienta o investigador do Instituto de Física da Terra de Paris, Philippe Lognonné.

“Estávamos à espera há meses pelo nosso primeiro terramoto marciano”, acrescenta o “pai” do sismógrafo francês SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure) que captou o potencial terramoto e que foi instalado a 19 de Dezembro de 2018 no solo de Marte, graças a um braço robótico da sonda InSight que chegou ao planeta vermelho a 26 de Novembro.

O objectivo é, através do registo de terramotos, perceber melhor a história da formação de Marte.

Mas embora o primeiro tremor “marque o nascimento oficial de uma nova disciplina: a sismologia marciana“, este foi muito fraco para fornecer dados úteis sobre o interior do planeta, de acordo com o investigador principal da InSight, Bruce Banerdt, cientista da NASA.

De acordo com os cientistas, ainda é necessário confirmar se o terramoto foi registado dentro do planeta e se não foi o efeito do vento ou de outras fontes de ruído.

Três outros sinais, mas ainda mais fracos do que este que foi registado a 6 de Abril, foram detectados nos últimos dois meses.

A NASA constata que embora “o evento sísmico” tenha sido “demasiado pequeno” para obter “dados sólidos sobre o interior marciano”, é ainda assim “excitante porque o seu tamanho e duração mais longa encaixam no perfil dos tremores da lua detectados na superfície lunar durante as missões Apolo”, como destaca a directora da Divisão de Ciência Planetária da agência espacial norte-americana, Lori Glaze.

“A superfície marciana é extremamente tranquila”, o que permitiu ao SEIS captar “burburinhos fracos”, explica a NASA, notando que “em contraste, a superfície da Terra treme constantemente com ruídos sísmicos criados pelos oceanos e pelo clima”. “Um evento deste tamanho no Sul da Califórnia perder-se-ia entre as dúzias de pequenos estalos que ocorrem todos os dias”, acrescenta a agência espacial.

A esperança dos cientistas é que este avanço nos dados recolhidos sobre Marte ajude a resolver alguns dos grandes mistérios do planeta, nomeadamente “o que aconteceu à sua atmosfera” e “o que aconteceu à água que se pensa que, em tempos, terá estado presente de uma forma muito abundante à superfície”, como evidencia o coordenador nacional da Sociedade Planetária, Miguel Gonçalves, em declarações à TSF.

Miguel Gonçalves atesta que se se provar a onda sísmica, “é particularmente interessante porque, tendo actividade sísmica no seu interior, tem dinamismo interior, o que quer dizer que temos de perceber quais são os mecanismos de aquecimento no seu interior” e “como é que é feita a transição de energia entre várias camadas do interior”.

ZAP // Lusa

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24 Abril, 2019

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1858: Monte Evereste pode ter encolhido após o terramoto de 2015

 

markhorrell / Flickr

O Monte Evereste pode ter encolhido como resultado de um terramoto devastador. Uma equipa de topógrafos vai ao cume da montanha mais alta do mundo para confirmar esta hipótese colocada pelo Governo do Nepal.

O pico do Monte Evereste foi medido pela primeira vez por uma equipa de cientistas indianos em 1954. No entanto, o país foi atingido, em 2015, por um terramoto de magnitude 7,8 e acredita-se que, devido a esse fenómeno, a maior montanha do mundo encolheu.

Depois de dois anos a treinar, um grupo de quatro especialistas vai agora tentar descobrir se a altura oficial de 8.848 metros continua a mesma. “Não será fácil trabalhar neste terreno, mas estamos confiantes de que a nossa missão será bem sucedida”, afirmou o líder da expedição, Khim Lal Gautam, citado pelo The Independent.

A equipa vai subir até ao cume da montanha e lá activará um sistema global de navegação por satélite. “As sessões de observação podem durar cerca de 10 minutos no pico. O dispositivo será ligado no cume da montanha para receber dados de satélites”, explicou Susheel Dangol, coordenador da expedição, em entrevista separada ao Kathmandu Post.

Para subir até ao cimo da montanha, a equipa terá de suportar as duras condições climáticas e o terreno acidentado, carregando ainda o equipamento de medição.

Esta não é a primeira vez que são desencadeados rumores sobre a altura do Evereste. Em 2017, uma equipa de especialistas estava também preparada para medir o terreno e, dias depois, corroborou a medida oficial, fixada em 1954.

Contudo, a altura exacta do Evereste é um assunto que não reúne consenso. Em 1999, o Governo dos Estados Unidos usou a tecnologia GPS para medir a montanha mais alta do mundo, concluindo que era dois metros mais alta do que a medida obtida em 1954. Mas o valor obtido pelos EUA não é aceite.

Anos depois, o Nepal entrou num conflito diplomático com a China pois este último país afirmava que a montanha era quatro menos mais baixa do que a medida oficial.

Agora, alguns geólogos suspeitam de que o terramoto de 2015 fez “encolher” o Monte Evereste. A verdade é que, após o sismo, o topo da montanha tornou-se num objecto de interesse não apenas para cientistas, como também para todo o mundo.

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17 Abril, 2019

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1693: Misteriosos terramotos estão a fazer a Antárctida tremer (e já se sabe porquê)

ravas51 / Wikimedia

Durante parte do verão em partes da Antárctida, o gelo derrete num ensopado pantanoso conforme as temperaturas sobem e descem. Ao derreter, gera centenas de milhares de pequenos terramotos.

Agora, os cientistas capturaram o padrão diário destes pequenos sismos usando o mesmo tipo de sismógrafo usado para detectar terremotos. Os investigadores acham que os “icequakes” – terramotos de gelo – são causados pelo repentino estalo de partes de gelo que cobrem poças de lama.

“Nestas lagoas, muitas vezes, há uma camada de gelo em cima da água derretida, como se vê com um lago congelado”, disse Douglas MacAyeal, glaciologista da Universidade de Chicago, em comunicado. “À medida que a temperatura arrefece à noite, o gelo no topo contrai e a água abaixo expande-se à medida que passa pelo congelamento. Isso distorce a tampa superior até que finalmente parte com um estalo.”

MacAyeal e a sua equipa estavam interessados ​​nos ritmos diários do gelo porque pouco se sabe sobre a mecânica do rompimento de uma grande camada de gelo. Tais rupturas ocorreram na Antárctida várias vezes ao longo das últimas décadas.

A plataforma de gelo Larsen C criou um enorme icebergue no Mar de Weddell em 2017. A plataforma Larsen B, localizada nas proximidades, desabou inesperadamente em 2002. Quando as placas de gelo flutuantes colapsam, não contribuem directamente para o aumento do nível do mar, porque já estavam em ambiente marinho. Mas permitem que as geleiras terrestres por trás dos lençóis de gelo fluam mais rápido, despejando água derretida no mar.

Os investigadores também estavam interessados ​​em testar sismómetros como forma de monitorizar o derretimento do gelo. Implantaram dois perto da Estação McMurdo, na borda da McMurdo Ice Shelf. Uma estação de sismógrafo foi posicionada num local seco, onde a superfície foi coberta com neve firme. O outro foi colocado num local húmido e pantanoso onde o gelo estava parcialmente derretido. Os instrumentos registaram tremores nestas duas estações entre Novembro de 2016 e Janeiro de 2017.

Os padrões não poderiam ter sido mais diferentes. A estação seca estava sismicamente pacífica. Os únicos tremores detectados estavam ligados ao tráfego de veículos ou navios em redor da Estação McMurdo.

Na estação húmida, no entanto, os sismógrafos recolheram centenas de milhares de pequenos terremotos, às vezes, milhares numa noite. Esses terremotos foram geralmente abaixo da magnitude 2,5 – em que os tremores se tornam perceptíveis para os seres humanos, embora as pessoas na Antárctida, por vezes, ouvissem o gelo a partir, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. Os terremotos seguiram um padrão diário e aumentavam de frequência por algumas horas todas as noites.

Os investigadores pensaram que os picos diários do terremoto podiam ter a ver com as marés, mas uma discrepância descartou essa opção. Em 30 de Novembro de 2016, o pico não aconteceu. Quando os investigadores acompanharam a temperatura diária durante o período do estudo, descobriram que os picos do terremoto correspondiam a períodos de queda do mercúrio. Em 30 de Novembro, aconteceu que a temperatura aumentou, em vez de arrefecer, no decorrer da noite.

Segundo MacAyeal, o que provavelmente está a acontecer é que, à medida que o ar fica mais frio, os lagos lamacentos sob a fina camada de gelo superficial começam a congelar. Enquanto congelam, expandem-se, colocando pressão sobre o gelo da superfície. Finalmente, o gelo da superfície encaixa-se, enviando tremores indetectáveis.

ZAP // Live Science

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10 Março, 2019

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1423: Revelada a causa de três meses de terramotos em Yellowstone

Brocken Inaglory/ Wikimedia
Géiser no Parque NAcional de Yellowstone

A água pode ter sido a causa de uma longa série de terremotos sentidos no verão de 2017 no Parque Nacional de Yellowstone, Wyoming, nos Estados Unidos.

A possível causa é defendida pelo sismólogo David Shelley, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), numa coluna semanal escrita por cientistas e colaboradores do Observatório Vulcanológico do Parque de Yellowstone.

Ao longo de três meses, mais de 2500 terramotos foram registados na área, um dos quais foi o exame sísmico mais longo da história de Yellowstone. A maioria dos terramotos foi de intensidade muito fraca, mas alguns chegaram a ser sentidos no parque, como é o caso do mais forte, de magnitude 4,4, sentido a 16 de Junho de 2017.

A série de terremotos foi também capturada com mais detalhes do que qualquer outro grande enxame sentido em Yellowstone, nota Shelley na sua publicação.

De acordo com o sismólogo, os padrões desta cadeia de terramotos, especialmente a rápida migração e a falta de deformação da superfície próxima, sugerem que pode ter sido causada pela difusão da água através de gretas no subsolo da Terra, e não devido ao do movimento do magma, que pode também gerar enxames de terremotos em vulcões.

Para ao cientista, a água pode explicar parcialmente por que motivo estes enxames são tão longos. A sua duração é longa porque os enxames “expandem-se dramaticamente ao longo do tempo” e também porque as estruturas das falhas são “tão complexas”.

“Isto também pode explicar por que motivos estes enxames são comuns em áreas vulcânicas, onde a água é um subproduto libertado pelo magma mais profundo à medida que este arrefece”, explicou o cientistas.

Como esta água estão sob uma enorme pressão na crosta profunda, tende a mover-se para cima e, ocasionalmente, lateralmente. Ao interagir com rochas mais frias e quebradiças, esta água pode desencadear terramotos, acrescenta Shelley.

Por outro lado, estima o sismólogo, sem outros sinais de actividade vulcânica – como a rápida deformação da superfície ou mudanças nas emissões de gases -, os enxames sísmicos “não indicam, provavelmente, um risco crescente” de uma erupção.

ZAP // RT

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16 Dezembro, 2018

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1351: Terramoto aproximou ilhas da Nova Zelândia. E continuam a mover-se

CIÊNCIA

flyingkiwigirl / Flickr

Cientistas do Instituto de Pesquisa da Coroa da Nova Zelândia, mais conhecido como GNS Science, concluíram que uma série de terremotos que abalaram o país em Novembro de 2016 acabaram por aproximar as duas ilhas do país, “afundando” uma das regiões.

Cientistas do Instituto de Pesquisa da Coroa da Nova Zelândia confirmaram que a crosta terrestre continua a mudar após a ruptura cataclísmica que se deu durante o terramoto de 2016. A aproximação, de apenas 35 centímetros, deu-se entre as ilhas do Norte e do Sul, enquanto que a cidade de Nelson, no topo da ilha do Sul, se afundou cerca de 20 milímetros.

O sismo de magnitude 7,8 na escala de Ritcher, que abalou o país no dia 14 de Novembro de 2016, reduziu inicialmente a distância entre as ilhas em vários metros, e a partir daí as falhas sísmicas “puxaram” a ilha do Sul para norte, aproximando as duas ilhas, adianta a Sputnik News.

O movimento é muito lento e demasiado subtil para ser sentido por seres humanos, mas os cientistas têm medido esse movimento através de uma combinação de sensores de GPS e medições por satélite. Essas medições comprovam que a Nova Zelândia está, de facto, a sentir os efeitos do terramoto de 2016.

No entanto, a distância entre o cabo Campbell, na ilha do Sul, onde acaba a maior falha, e a capital neozelandesa, Wellington, situada na ponta sul da ilha Norte, continua muito grande: cerca de 50 quilómetros.

O terramoto que abalou o país teve epicentro a 39 quilómetros da cidade de Kaikoura, fazendo duas vítimas mortais e um sistema complexo de 25 falhas, o que dificulta o estabelecimento da falha responsável por este fenómeno de aproximação.

Segundo o Live Science, este terramoto foi demasiado complexo, dado que atingiu uma zona de transição entre duas regiões geológicas muito diferentes. A Nova Zelândia fica na zona de colisão entre a placa indo-australiana e a placa do Pacífico. A última “mergulha” debaixo da primeira, criando calhas submarinas e elevando uma parte da Nova Zelândia, e é nesse lugar que ocorrem mais de 15 mil terremotos por ano.

Até agora, os dados dos especialistas mostram que as falhas profundas da zona de subducção não contribuíram para o terramoto de Kaikoura. Ainda assim, esta interface profunda parece estar a movimentar-se dois anos após o terramoto.

É ainda muito cedo para compreender a fundo o que significa este movimento no futuro sismológico do país.

Os cientistas publicaram algumas das suas descobertas sobre o movimento pós-terremoto, incluindo um estudo de Março publicado na revista Geophysical Research Letters. Os especialistas analisaram movimentos até 600 quilómetros do epicentro do terramoto. Em Dezembro, apresentarão os seus resultados actualizados na reunião anual da American Geophysical Union.

Ainda assim, os cientistas consideram que os maiores movimentos já ocorreram, sendo que agora a terra está apenas a “rastejar”. Os movimentos vão, gradualmente, diminuindo, mas segui-los no futuro ajudará os cientistas a determinar quais os movimentos que vêm da crosta superior e quais os mais profundos.

Além disso, serão também capazes de descobrir mais sobre se o terremoto pressionou as falhas próximas (tornando um terremoto futuro mais provável) ou se retirou alguma pressão de outras falhas (o que significa que a crosta provavelmente ficará tranquila nos próximos tempos).

Esta é a razão pela qual é tão importante monitorizar o que acontece depois de um terramoto.

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30 Novembro, 2018

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937: Grande terramoto no Anel de Fogo do Pacífico pode destruir a Califórnia

CIÊNCIA

A enorme actividade sísmica sentida nos últimos dias no Anel de Fogo do Pacífico tem provocado o caos, causando ainda forte preocupação entre os cientistas que acreditam que este pode ser o prenúncio de um terramoto muito mais forte.

De acordo com USGS, Serviço Geológico dos Estados Unidos, em apenas 48 horas ocorreram 69 terremotos, 16 dos quais foram classificados como muito fortes, isto é, de magnitude de 4.5 ou superior. O território mais afectado foi o das ilhas Fiji.

Segundo o Daily Mail, os cientistas descrevem o “grande terremoto” – apelidado vulgarmente como the Big One – como um sismo de magnitude superior a 8 – desastre cuja magnitude provavelmente causaria uma destruição maciça na Califórnia.

O último terremoto a atingir o estado norte-americano, com uma magnitude de 7.9, ocorreu em 1906. Nesse ano, 80% da cidade de São Francisco – uma das mais populosas dos EUA – ficou destruída. O desastre fez mais de 3 mil vítimas mortais.

Passaram mais de 100 anos desde esse trágico Big One, mas segundo alguns cientistas,  é possível que um terramoto semelhante esteja à espreita.

Um estudo de 2008 do USGS sugere que há uma probabilidade de mais de 99% de um terramoto de magnitude igual ou superior a 6.7 atingir a área da Califórnia nos 30 anos seguintes. Em 2015, também o Jet Propulsion Laboratory da NASA previa a ocorrência de uma catástrofe em Los Angeles nos 3 anos seguintes – que entretanto, já passaram.

De acordo com os cientistas, ocorreu a 19 de Agosto mais um sismo no Anel de Fogo, desta vez de magnitude 8.2, com epicentro a uma profundidade de 550 quilómetros. Os moradores das ilhas Fiji e da Califórnia não foram atingidos porque o epicentro foi demasiado profundo para causar um tsunami.

“Estamos a acompanhar a situação e algumas pessoas sentiram o sismo, mas foi um terramoto muito profundo“, explicou à Reuters o director do Departamento de Recursos Minerais das ilhas Fiji, Apete Soro.

O Anel de Fogo do Pacífico é um arco de linhas de falhas na Bacia do Pacífico com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 continuam activos. A região, com grande actividade sísmica e vulcânica, regista cerca de sete mil terramotos por ano – na sua grande maioria moderados.

Gringer / wikimedia
Anel de Fogo do Pacífico

Este Anel de Fogo apanha em cheio toda a Califórnia – razão pela qual os 69 sismos que se fizeram sentir nos últimos dias levantam na população do estado norte-americano o temor de que o temível Big One de que os cientistas falam possa estar mais perto do que se deseja.

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30 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

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917: Erupção vulcânica está longe de ser a maior ameaça de Yellowstone

CIÊNCIA

Acroterion / Gaendalf / Wikimedia
Opal Pool, no Parque Nacional de Yellowstone, no Wyoming, Estados Unidos. Ao fundo, os picos Twin Buttes

Na realidade, a grande ameaça do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, não é que o seu super-vulcão entre em erupção mas, sim, um terramoto de grandes proporções.

Muitos alertam que o super-vulcão do famoso Parque Nacional de Yellowstone, no estado norte-americano do Wyoming, poderá explodir, mas outros receiam que o maior perigo será mesmo um terremoto capaz de “sacudir” uma zona muito sensível.

“O maior medo que temos relativamente a Yellowstone não é o vulcão em si, mas antes os sismos”, afirma Michael Poland, cientista responsável pelo Observatório do Vulcão Yellowstone, em entrevista ao USA Today.

“Este é um risco subestimado na área de Yellowstone. Pode haver e haverá no futuro terramotos de magnitude 7“, acrescenta ainda ao jornal norte-americano.

No geral, explica o diário, Yellowstone regista uma média de 1.500 a 2.500 sismos por ano, sendo que muitos deles são tão pequenos que até passam despercebidos. Podem ocorrer durante praticamente todo o dia, ainda que os visitantes do parque não o notem.

Porém, houve grandes terramotos que aconteceram num passado não muito distante. O último ocorreu em Agosto de 1959, com uma magnitude de 7,3 na Escala de Richter, e provocou a morte de 28 pessoas devido a um deslizamento de terras que atingiu uma zona de acampamento.

Mais de 80 milhões de toneladas de rocha caíram, bloqueando um rio e formando um lago, apropriadamente baptizado de “Lago do Terramoto”, que continua a existir até hoje.

De acordo com o jornal, comparado com uma erupção menor do vulcão, a probabilidade de um terramoto numa escala similar acontecer novamente é mais provável. “Podemos dizer onde é provável que ocorra, mas não podemos dizer quando”, explica Poland.

“Poderá ser muito pior actualmente tendo em conta que há mais pessoas nesta área”, afirma Jamie Farrell, professor de Geologia da Universidade de Utah. Recorde-se que este parque recebe mais de quatro milhões de visitantes por ano.

Além disso, há ainda a adversidade de o parque estar localizado numa zona rural com poucos acessos. Se um dos acessos é cortado, faz-se um enorme desvio. No caso de duas estradas se tornarem intransitáveis, às vezes nem é possível chegar lá de carro, lembra.

No entanto, uma coisa é certa: o Parque Nacional de Yellowstone é uma zona vulcânica muito sensível e, por isso, o local foi convertido numa das zonas geologicamente mais bem protegidas e controladas do mundo, com mais de 40 estações sísmicas, juntamente com a Universidade de Utah, a registar incessantemente os movimentos terrestres.

Por SN
25 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

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844: Os terramotos podem desencadear sismos no outro lado do mundo

(CC0/PD) Josh Sorenson / pexels

Um estudo recente descobriu que um grande terramoto pode causar ou tremores secundários não só perto do epicentro, como no lado oposto do planeta.

Os terramotos secundários são uma característica bastante comum nos grandes sismo mas, por norma, ocorrem relativamente perto do epicentro do abalo sísmico.

Agora, e pela primeira vez, os investigares descobriram evidências de que os terramotos desencadeiam outros eventos sísmicos no outro lado do mundo, sugerindo um efeito em cascata que, no futuro, poderá ser utilizada para prever catástrofes. As conclusões foram publicadas esta quinta-feira na Nature Scientific Reports.

Investigadores da Oregon State University analisaram quase meio século de dados sobre terramotos e chegaram a uma conclusão surpreendente: quando grandes terramotos assolam uma região, há uma boa probabilidade de ocorrer um outro sismo no outro lado do planeta nos ias seguintes.

“Os casos em estudo mostraram um claro e detectável aumento nas taxas” relacionadas com a ocorrência destes fenómenos geológicos, disse o cientista Robert O’Malley.

Os investigadores concluíram que quando um terramoto de magnitude igual ou superior 6,5 na escala de Richter ocorre, é muito provável que outro sismo de magnitude 5,0 ou mais o suceda até 3 dias depois.

A maioria dos eventos sísmicos são causados por fragmentos da crosta terrestre que colidem entre si, enquanto são puxados e empurrados pela agitação gradual das “entranhas” derretidas do planeta.

De vez em quando, quando a tensão supera a fricção entre estas placas gigantes, há uma súbita libertação de energia que muitas vezes pode originar uma série de pequenos tremores de terra em cascata.

“Os terramotos são parte do ciclo de acumulação e libertação de tensão das placa tectónicas. Como resultado, as falhas das placas podem ser alcançadas, desencadeando um sismo”, explicou O’Malley.

Estas ondas de energia podem sacudir a superfície da terra, mas também podem direccionar ondas de pressão para o manto terrestre. Por isso, estas ondas são muitas vezes utilizadas como uma espécie de sonar gigante, permitindo estudar a estrutura interna do planeta.

Têm sido realizados vários estudo sobre a actividade sísmica. Um deles, publicado em 2011 na revista Nature, estudou as mudanças na frequência dos terramotos vários meses após o fenómeno. Esta investigação contradiz o estudo recentemente liderado por O’Malley, defendendo que não há muitos terramotos desencadeados além do epicentro.

No entanto, os investigadores dizem que o novo estudo pode ser mais “sensível”, ressaltando, no entanto, que é necessário fazer novas pesquisas antes de estabelecer uma ligação directa entre os eventos sísmicos.

Identificar exactamente onde e quando é que terramotos catastróficos vão sacudir o solo, pode, apesar de muito difícil, ajudar a salva milhares de vidas. Por isso, qualquer pesquisa que possa ajudar a calcular a probabilidade de um evento sísmico acontecer é extremamente útil.

Por ZAP
5 Agosto, 2018

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773: Terramoto no México revelou templo Asteca secreto com quase mil anos

Tony Rivera / EPA

Os terramotos são conhecidos pelo seu poder destrutivo, mas um recente terramoto no México teve um resultado surpreendentemente positivo. Arqueólogos encontraram um templo oculto no interior de uma pirâmide, que esteve escondido durante centenas de anos.

A 19 de Setembro de 2017, um terramoto de magnitude 7,1 sacudiu o centro do México, pouco depois de um outro terramoto, de magnitude 8,1, que tinha ocorrido 12 dias antes, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.

O segundo terramoto matou mais de 360 pessoas e danificou várias estruturas – incluindo uma pirâmide no sítio arqueológico de Teopanzolco, a cerca de 70 quilómetros ao sul da Cidade do México.

Quando os arqueólogos usaram um radar para avaliar a extensão dos danos na pirâmide – que data do século XIII -, descobriram um templo ainda mais antigo escondido dentro da própria pirâmide. Segundo aponta a BBC, acredita-se que a ruína escondida tenha mais de 800 anos.

Investigadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México disseram em declarações à BBC que o templo foi provavelmente construído em 1150 pelos Tlahuica, povo da cultura Asteca. A estrutura media cerca de 6 metros de comprimento e 4 de largura, sendo que estavam preservados no seu interior fragmentos de cerâmica e um queimador de incenso.

Durante o terramoto, os tremores causaram um colapso parcial na estrutura central da pirâmide, afectando dois templos conhecidos: um que foi dedicado ao deus da chuva asteca Tlaloc, e outro honrando Huitzilopochtli, o deus da guerra, apontou a cadeia australiana ABC.

Segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História do México, o templo recém-descoberto é muito semelhante aos outros templos da pirâmide, possuindo paredes de estuque, uma fachada construída com pedras alongadas e com os restos de um pilar que, provavelmente, suportava o telhado do templo.

O templo secreto é, até aos dias de hoje, a estrutura mais antiga da pirâmide, ou seja, é datado de ainda antes do século XII, de acordo com a declaração do INAH.

Por ZAP
17 Julho, 2018

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676: Imperceptíveis “terramotos lentos” na falha de Santo André podem causar uma catástrofe

Ikluft / Wiklimedia
A Falha de Santo André estende-se ao longo de 1290km, na costa leste dos Estados Unidos.

O risco sísmico na Califórnia pode ser maior do que pensávamos. Há 75% de probabilidade de ocorrer um terramoto de magnitude 7 (ou mais) nas próximas três décadas.

Foram descobertos movimentos totalmente inesperados na área central da falha de Santo André, na Califórnia, Estados Unidos.

Cientistas da Universidade do Arizona revelaram que nesta área da falha, que tem cerca de 145 quilómetros de comprimento, há “terramotos lentos” que não são notados pelas pessoas, mas que podem ser um autêntico perigo, podendo desencadear terramotos poderosos no futuro.

Até agora, pensava-se que os movimentos lentos e estáveis nessa área da falha de Santo André permitiam libertar a energia que se acumula nessa área. No entanto, o novo estudo, publicado esta segunda-feira na Nature Geoscience, sugere que esses movimentos tectónicos são mais intensos e esporádicos.

“Descobrimos que essa parte da falha tem um movimento médio de cerca de três centímetros por ano”, afirma Mostafa Khoshmanesh, um dos autores do recente estudo. “Às vezes, esse movimento estagna completamente, mas há outras em que essa área se desloca até 10 centímetros por ano.”

Estes episódios lentos e esporádicos levam a uma aumento da pressão nos segmentos fechados da falha a norte e sul da secção central, explica Manoochehr Shirzaei, outro investigador. Essas secções, lembra o cientista, já experimentaram dois terramotos de magnitude 7,9 em 1857 em Fort Tejon e em 1906, em San Francisco.

M. Khoshmanesh / ASU

“Com base nas nossas observações, acreditamos que o risco sísmico na Califórnia varia com o tempo e é provavelmente maior do que pensávamos até agora“, diz Shirzaei. O cientista adverte para a importância de incluir estimativas precisas desse risco variável nos sistemas de previsão de terramotos, de modo a diminuir as consequências.

De acordo com os modelos actuais, sublinha Khoshmanesh, há uma probabilidade de um terramoto de magnitude 7, ou mais, ocorrer tanto a sul como no norte da Califórnia nas próximas três décadas. Os cientistas manter-se-ão atentos.

ZAP // RT

Por ZAP
21 Junho, 2018

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