1614: Alterações climáticas podem tornar os Verões mais tempestuosos e abafados

(CC0/PD) pxhere

As alterações climáticas estão a mudar a energia na atmosfera, levando a Verões mais tempestuosos, mas também a longos períodos quentes e abafados, com implicações na qualidade do ar.

De acordo com um novo estudo, levado a cabo por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Estados Unidos (MIT), o aumento da temperatura global alimenta as tempestades com mais energia, mas que a circulação do ar vai estagnar em regiões do hemisfério norte, incluindo a América do Norte, a Europa e a Ásia.

Segundo escrevem os cientistas, o aumento da temperatura, principalmente do Árctico, está a redistribuir a energia na atmosfera, colocando mais energia nas tempestades e menos nos ciclones extra-tropicais de verão, que circulam por milhares de quilómetros e que estão associados a ventos e a frentes que geram chuva.

“Os ciclones extra-tropicais ventilam o ar e dispersam a poluição, por isso, com ciclones extra-tropicais mais fracos no verão estamos perante um potencial para dias de qualidade do ar mais pobre nas áreas urbanas”, disse um dos autores do estudo, Charles Gertler, acrescentando que se caminha para Verões com tempestades mais destrutivas e muitos dias mais quentes e abafados.

Com os resultados esta terça-feira publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, a publicação oficial da Academia de Ciências dos Estados Unidos, os autores dizem que os ventos associados aos ciclones extra-tropicais diminuíram devido às alterações climáticas.

Os ciclones extra-tropicais são grandes sistemas meteorológicos que geram mudanças rápidas de temperatura e de humidade e podem estar associados a nuvens, chuva e vento.

Quanto maiores as diferenças de temperatura entre, por exemplo, o Árctico e o Equador mais forte será um ciclone. Como nas últimas décadas o Árctico aqueceu mais depressa do que o resto da Terra, diminuíram as diferenças de temperatura.

O que os cientistas fizeram foi investigar como é que isso afectou a energia disponível na atmosfera e descobriram que desde 1979 que a energia disponível para os ciclones extra-tropicais em larga escala diminuiu 6%, enquanto a energia que pode alimentar tempestades menores e mais locais aumentou em 13%.

ZAP // Lusa

Por ZAP
20 Fevereiro, 2019

 

1612: Terramoto na Bolívia revelou uma cadeia montanhosa “escondida” nas profundezas da Terra

Kyle McKernan / Princeton University

Um forte terramoto, que atingiu a Bolívia em 1994, ajudou um grupo de investigadores a estudar uma “fronteira” entre o manto superior e inferior da Terra.

A maioria das crianças na escola aprende que a Terra tem três (ou quatro) camadas: a crosta, o manto e e o núcleo, que, por vezes, é dividido entre núcleo interior e exterior. Isto não está errado, mas exclui outras camadas que os cientistas têm identificado no interior da Terra, incluindo a zona de transição dentro do manto.

Num estudo publicado na revista Science, Jessica Irving e Wenbo Wu, geofísicos da Universidade de Princeton , em colaboração com Sidao Ni, do Instituto de Geodésia e Geofísica da China, usaram dados de um enorme terramoto na Bolívia para encontrar montanhas e outras topografias na base da zona de transição, uma camada de 660 quilómetros que separa o manto superior e inferior.

Para espiar profundamente a Terra, os cientistas usam as ondas mais poderosas do planeta, que são geradas por terramotos massivos.

Os grandes terramotos são mais poderosos que os pequenos – a energia aumenta 30 vezes a cada degrau da escala Richter. A investigadora obtém os melhores dados de terramotos de magnitude 7,0 ou mais, enquanto as ondas de choque que enviam em todas as direcções podem viajar através do núcleo para o outro lado do planeta – e vice versa.

Para este estudo, os principais dados vieram das ondas captadas após um terramoto de magnitude 8,2 – o segundo maior terramoto já registado – que abalou a Bolívia em 1994.

“Terramotos tão grandes não acontecem com frequência”, disse. “Temos sorte agora que temos muito mais sismógrafos do que há 20 anos. A sismologia é um campo diferente do que era há 20 anos entre instrumentos e recursos computacionais ”.

De acordo com um comunicado publicado pela Universidade de Princeton, sismólogos e cientistas de dados usam computadores poderosos para simular o complicado comportamento das ondas de dispersão na Terra profunda.

A tecnologia depende de uma propriedade fundamental das ondas: a capacidade de dobrar e saltar. Assim como as ondas de luz podem reflectir num espelho ou refractar ao passar por um prisma, ondas de terramotos viajam directamente através de rochas homogéneas, mas refletem ou refractam quando encontram qualquer limite ou rugosidade.

“Sabemos que quase todos os objectos têm aspereza da superfície e, portanto, dispersam a luz”, disse Wu. “É por isso que podemos ver estes objectos – as ondas espalhadas carregam as informações sobre a aspereza da superfície. Neste estudo, investigamos ondas sísmicas dispersas que viajavam dentro da Terra para restringir a aspereza do limite de 660 quilómetros da Terra.”

Os investigadores ficaram surpresos com o quão difícil este limite é – mais áspero do que a camada superficial em que todos vivemos. “A topografia mais forte do que as Montanhas Rochosas ou os Apalaches está presente no limite de 660 quilómetros”, disse Wu.

O modelo estatístico não permitia determinações precisas de altura, mas há probabilidades de estas montanhas serem maiores do que qualquer coisa na superfície da Terra. A aspereza não foi igualmente distribuída.

Assim como a superfície da crosta tem chão oceânico suave e montanhas enormes, o limite de 660 quilómetros tem áreas irregulares e áreas lisas. Os cientistas também examinaram uma camada de 410 quilómetros abaixo, no topo da “zona de transição” do manto e não encontraram rugosidade semelhante.

“As camadas profundas da Terra são tão complicadas como o que observamos na superfície”, disse a sismóloga Christine Houser, do Instituto de Tecnologia de Tóquio.

“Encontrar mudanças de elevação entre um e três quilómetros num um limite que tenha mais de 660 quilómetros de profundidade com recurso a ondas que viajam por toda a Terra é um feito inspirador. As descobertas sugerem que, à medida que os terramotos ocorrem, continuaremos a detectar novos sinais de pequena escala que revelam novas propriedades das camadas da Terra”.

A presença de rugosidade no limite de 660 quilómetros tem implicações significativas para entender como o planeta se formou e continua a funcionar. A camada divide o manto, que representa cerca de 84% do volume da Terra.

Durante anos, os geo-cientistas debateram o quão importante é este limite. Em particular, investigaram como o calor viaja através do manto – se as rochas quentes são levadas suavemente do limite do manto central até o topo do manto ou se a transferência é interrompida neste camada.

Algumas evidências geoquímicas e mineralógicas sugerem que o manto superior e inferior são quimicamente diferentes, o que suporta a ideia de que as duas secções não se misturam termicamente ou fisicamente.

As áreas mais lisas do limite de 660 quilómetros podem resultar de uma mistura vertical mais completa, enquanto as áreas montanhosas mais ásperas podem-se ter formado onde o manto superior e inferior não se misturam.

Além disso, a rugosidade, que existia em grandes, moderadas e pequenas escalas, poderia, teoricamente, ser causada por anomalias de calor ou por heterogeneidades químicas. Mas, por causa da forma como o calor transportado dentro do manto, qualquer anomalia térmica em pequena escala seria suavizada em poucos milhões de anos. Isto deixa apenas diferenças químicas para explicar a aspereza de pequena escala.

As rochas que costumavam pertencer à crosta agora descansam em silêncio no manto e podem ser responsáveis pelas diferenças químicas. Os cientistas há muito que debatem o destino das lajes do fundo do mar que são empurradas para o manto nas zonas de subducção.

Wu e Irving sugerem que os remanescentes destas placas podem estar logo acima ou logo abaixo do limite de 660 quilómetros”.

ZAP //

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19 Fevereiro, 2019

 

1611: Veja como é possível apanhar lixo espacial com um arpão

Experiência conduzida pela Universidade de Surrey mostra sucesso do satélite RemoveDEBRIS

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O satélite RemoveDEBRIS, uma das primeiras tentativas para lidar com a acumulação de detritos espaciais perigosos, conseguiu usar com sucesso o seu sistema em arpão de captura em órbita. A experiência foi filmada para que todos possam ver como funciona este sistema:

O arpão projectado pela Airbus Stevenage tem uma lança de 1,5 metros implantada a partir da nave espacial. Nesta experiência, o arpão foi disparado a uma velocidade de 20 metros/segundo para penetrar no alvo e demonstrar a capacidade do arpão para capturar detritos.

RemoveDEBRIS é uma pequena missão de satélite com o objectivo de testar técnicas de remoção de detritos activos usando um arpão. O satélite é projectado, construído e fabricado por um consórcio de empresas espaciais e instituições, liderado pela Universidade de Surrey, no Reino Unido. A nave espacial é operada em órbita por engenheiros da Surrey Satellite Technology Ltd, em Guildford, no Reino Unido. O projecto é co-financiado pela União Europeia.

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), há mais de 750 mil objectos com mais de um centímetro a orbitar a Terra. Naves e sondas defuntas, restos de foguetões usados, mas também parafusos e até pedaços de tinta solta – é deste tipo de lixo que falamos e, depois de seis décadas de exploração espacial, há mais de sete mil toneladas no espaço. A maioria foi gerada por mais de 250 explosões.

Este lixo é um perigo para os satélites e para as missões espaciais, nomeadamente para a Estação Espacial internacional (ISS, na sigla em inglês), e para operações futuras. Isto porque a uma velocidade média de 40 mil quilómetros por hora, o impacto gera uma energia semelhante à explosão de uma granada de mão.

Esta foi a terceira experiência bem sucedida do projecto RemoveDEBRIS. A equipa está a agora a preparar o teste final, que irá realizar-se em Março. Guglielmo Aglietti, director do Centro Espacial de Surrey, na Universidade de Surrey, disse: “Este é o teste mais exigente da RemoveDEBRIS. O projecto RemoveDEBRIS dá-nos fortes pistas sobre o que pode ser alcançado com o poder da colaboração – reunindo a experiência de toda a indústria e o campo de pesquisa para alcançar algo verdadeiramente notável.”

Já Chris Burgess, engenheiro na Airbus Defence and Space, não tem dúvidas de que “o sucesso na demonstração espacial da tecnologia de arpão é um passo significativo para resolver a crescente questão dos detritos espaciais”.

Chris Skidmore, ministro de Estado das Universidades, Ciência, Pesquisa e Inovação, explicou ainda: “Os escombros espaciais podem ter sérias consequências para os nossos sistemas de comunicação se chocarem com satélites. Este projecto mostra que especialistas britânicos estão a encontrar respostas para esse problema usando um arpão, uma ferramenta que as pessoas usaram ao longo da história”.

Diário de Notícias
18 Fevereiro 2019

– Desconhecia que no novo Acordo Ortográfico – que repudio solenemente, por isso, todos os textos inseridos neste Blogue são corrigidos para o Português de Portugal e não brasuquês -, existiam também as palavras: Européia, conseqüências. Já nem conseguem disfarçar o brasuquês com que escrevem. nem se preocupam em traduzi-lo correctamente para o Português de Portugal!!!

1610: Os terraplanistas estão a aumentar (e a culpa é do Youtube)

Kevin Carden / Deviant Art

Investigadores acreditam ter identificado o principal factor para um aumento surpreendente no número de pessoas que pensam que a Terra é plana: o YouTube.

A suspeita foi levantada quando participaram nas maiores reuniões mundiais de Flat Earthers na conferência anual do movimento em Rayleigh, Carolina do Norte, em 2017, e depois em Denver, Colorado, no ano passado.

Entrevistas com 30 participantes revelaram um padrão nas histórias que as pessoas contaram sobre como se convenceram de que a Terra não era uma esfera a girar no espaço, mas um grande disco achatado.

Dos 30, todos, excepto um, disseram que não consideraram a Terra plana há dois anos, mas mudaram de ideias depois de assistir a vídeos que promoviam teorias de conspiração no YouTube, de acordo com o The Guardian.

As entrevistas revelaram que a maioria estava a assistir vídeos sobre outras conspirações, como o 11 de Setembro, o tiroteio em Sandy Hook e se a NASA realmente foi à lua, quando o YouTube forneceu vídeos sobre a Flat Earth para assistirem a seguir. Alguns disseram que assistiram aos vídeos apenas para desmascará-los, mas ficaram convencidos.

Asheley Landrum, a principal investigadora do estudo, disse que um dos vídeos mais populares da Terra Plana, “200 provas que a Terra não é uma bola a girar” parece ser eficaz porque oferece argumentos que apelam a várias mentalidades, desde bíblicos e teóricos da conspiração até aqueles com uma inclinação mais científica.

Os entrevistados ficaram convencidos e, em pouco tempo, perguntavam “onde está a curva?” e “por que o horizonte está sempre ao nível dos olhos?”.

Landrum disse que não achava que o YouTube estivesse a fazer algo errado, mas disse que se o site quisesse ajudar, poderia ajustar o algoritmo para mostrar informações mais precisas.

“Há muita informação útil no YouTube, mas também muita desinformação“, disse Landrum. “Os algoritmos facilitam a queda no buraco do coelho, apresentando informações às pessoas que serão mais susceptíveis a isso”.

“Acreditar que a Terra é plana em si não é necessariamente prejudicial, mas vem com uma desconfiança nas instituições e na autoridade em geral“, acrescentou.

Landrum convidou cientistas a criar os seus próprios vídeos no YouTube para combater a proliferação de vídeos de conspiração. “Precisamos de outros vídeos a dizer porque é que estes motivos não são reais”.

A cientistas admitiu que alguns terraplanistas podem não ser influenciados pelas palavras de um cientista. Quando o astrofísico norte-americano Neil de Grasse Tyson explicou que pequenas secções de grandes superfícies curvas parecem sempre planas, a sua mensagem foi vista como condescendente e desdenhosa.

“Sempre haverá uma pequena percentagem de pessoas que rejeitarão qualquer coisa que os cientistas divulguem, mas talvez haja um grupo em que isso não acontecerá”, acrescentou. “A única ferramenta que temos para combater a desinformação é tentar sobrecarregá-la com melhores informações.”

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Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

 

1605: Há uma ameaça para a Humanidade “adormecida” no fundo do mar

Bob Embley / NOAA Office of Ocean Exploration

As alterações climáticas ameaçam causar uma enorme libertação de carbono que se encontra “adormecido” no fundo do mar, processo que já ocorreu no passado, tendo resultado num aumento da temperatura atmosférica de tal magnitude que acabou com a Era do Gelo, sugere um novo estudo.

O investigação, cujos resultados foram publicados em Janeiro passado na revista especializada Environmental Research Letters, aponta que no final do período Pleistoceno – há aproximadamente 17000 anos – uma grande quantidade de gases de efeito de estufa escapou do leito oceânico para a atmosfera devido à actividade hidrotermal.

Tal como explicam os cientistas, estes reservatórios subaquáticos de dióxido de carbono e metano são produzidos quando a actividade vulcânica liberta gás, que é então congelado até que seja encapsulado como uma massa de hidratos num estado líquido ou sólido.

Estes depósitos estão espalhados pelo leito marinho de todo o planeta e permanecem intactos, a menos que sejam perturbados por factores externos, como o aquecimento dos oceanos. Se o carbono geológico preso no interior destes reservatórios for libertado, o nível de gases de efeito estufa na atmosfera irá sofrer um enorme aumento, agravando, consequentemente, ainda mais as alterações climáticas.

Tendo isto em conta, os cientistas alertam que com a actual taxa de aquecimento global, em grande parte causada pela actividade humana, os oceanos atingirão a temperatura considerada mais crítica até o final deste século.

A título de exemplo, os especialistas mencionam um reservatório de carvão de importantes dimensões localizado na parte ocidental do Oceano Pacífico, ao largo da costa de Taiwan, que precisa apenas de um pequeno aumento, ou seja, alguns graus Celsius para perder sua estabilidade.

National Academy of Sciences
Reservatório em Taiwan

“A última vez que aconteceu, a mudança climática foi tão drástica que causou o fim da Idade do Gelo”, frisou Lowell Stott, investigador da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do trabalho. E concluiu: “Assim que o processo geológico começar, não podemos desactivá-lo”.

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Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

 

1597: Estrela massiva na vizinhança cósmica pode ter ditado a habitabilidade da Terra

Roger Thibaut
Impressão artística demonstra como é que os sistemas planetários nascidos em regiões densas e massivas de formação estelar (esquerda) herdam quantidades substanciais de materiais radioactivos, tornando-os muito diferentes do sistemas formados em outros ambientes (direita)

A Terra é um planeta “privilegiado”: possuiu uma superfície sólida e um clima ameno, potenciando assim a habitabilidade. Uma nova investigação concluiu que, em parte, estas condições se devem a uma estrela massiva que “morava” no ambiente de nascimento do Sol.

Em comunicado, a equipa realça a importância da estrela, explicando que sem os elementos radioactivos deste corpo celeste presentes no início da formação do Sistema Solar o Planeta Azul poderia, na verdade, ser um mundo oceânico hostil coberto por enormes mantos de gelo. O estudo em causa foi publicado esta semana na revista especializada Nature Astronomy. 

“Os resultados das nossas simulações sugerem que existem dois tipos de sistemas planetários qualitativamente diferentes”, disse Tim Lichtenberg do Centro Nacional de Competência em Pesquisa de Planetas (NCCRPS), na Suíça, citado na mesma nota.

Existem sistemas “semelhantes ao nosso Sistema Solar, cujos planetas têm pouca água, e aqueles nos quais mundos oceânicos são primordialmente criados, porque não havia uma estrela massiva por perto quando o seu sistema hospedeiro foi formado”, explicou.

Lichtenberg e a sua equipa, que contou com a colaboração do astrónomo da Universidade de Michigan, Estados Unidos, Michael Meyer, ficaram intrigados como o papel que a presença de uma eventual estrela massiva podia ter na formação de um planeta.

Apesar de ser importante para o campo que estuda a formação e evolução planetária e de responder a algumas, os cientistas reconhecem que a descoberta deixa também questões.

“É óptimo saber que os elementos radioactivos podem ajudar a tornar um sistema húmido mais seco e ter uma explicação para que os planetas pertencentes ao mesmo sistema solar partilhem propriedades semelhantes”, explicou o cientista.

Porém, “o aquecimento radioactivo pode não ser tudo. Como podemos explicar a nossa Terra, que é muito seca, na verdade, comparada aos planetas formados nos nossos modelos? Talvez ter Júpiter [na posição] onde também estava foi também importante para manter a maioria dos corpos gelados fora do Sistema Solar interno”.

De acordo com os cientistas e em termos astronómicos, a água cobre mais de dois terços da superfície da Terra, enquanto que os planetas terrestres interno dos nosso Sistema Solar são muito secos – e ainda bem que assim são.

Todos os planetas têm núcleo, manto (camada interna) e a crosta. Se o conteúdo da água de um planeta rochoso é significativamente maior do que o da Terra, o manto fica imerso num oceano profundo e global e uma camada de gelo impenetrável no fundo do oceano. Esta “imersão” seria prejudicial, uma vez que evita certos processos químicos, como é o caso do ciclo do carbono na Terra, que estabiliza o clima e cria condições superficiais conducentes à vida tal como a conhecemos.

Tal como mencionado anteriormente, os cientistas recorreram a modelos computacionais para simular a formação planetária a partir dos seus blocos de construção, os planetesimais (enormes corpos rochosos ou gelados com provavelmente dezenas de quilómetros de comprimento. Durante o nascimento de um sistema planetário, explicam, os planetesimais formam-se num disco de poeira e gás em torno de uma estrela jovem e torna-se depois em “embriões” planetários.

Como estes blocos são aquecidos a partir do interior, parte do conteúdo inicial de gelo evapora e escapa para o Espaço antes mesmo de poder ser enviado para o próprio planeta. Este aquecimento interno, segundo os cientistas, pode ter ocorrido logo após o nascimento do nosso Sistema Solar, há 4.600 milhões de anos, tal como é sugerido pelos traços primitivos dos meteoritos, podendo ainda estar em progresso em vários lugares.

SA, ZAP //

Por SA
15 Fevereiro, 2019

 

1596: Cientistas criaram o feixe de luz laser mais puro do mundo

Uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, criou o laser mais puro do mundo.

O dispositivo criado pelos investigadores, construído para ser portátil o suficiente para ser usado no Espaço, produz um feixe de luz laser que muda menos com o tempo do que qualquer outro laser até agora criado.

Em circunstâncias normais, mudanças de temperatura e outros factores ambientais fazem com que os feixes de laser oscilem entre os comprimentos de onda – num fenómeno conhecido por wiggle linewidth, que é medido em hertz ou ciclos por segundo. Enquanto outros lasers high-end atingem uma largura de linha entre os 1.000 e os 10.000 hertz, este laser tem uma largura de apenas 20 hertz.

Segundo o Live Science, para atingir esta pureza extrema, os cientistas usaram dois metros de fibras ópticas que já eram conhecidas por produzirem luz lazer com uma largura de linha muito reduzida.

Uma alta largura espectral é uma das fontes de erro em dispositivos de precisão que dependem de feixes de luz laser. Um relógio atómico ou um detector de ondas gravitacionais com um laser de alta linearidade não consegue produzir um sinal tão bom quanto uma versão de baixa largura de linha, uma vez que confunde os dados que o dispositivo produz.

Este era um dos obstáculos que a equipa teve de contornar. Num artigo científico, publicado no final de Janeiro na revista Optica, os investigadores escreveram que o dispositivo a laser já é “compacto” e “portátil”, mas, mesmo assim, estão a tentar reduzi-lo ainda mais.

Em relação ao uso futuro deste dispositivo, os especialistas respondem prontamente: Espaço. Os detectores de ondas gravitacionais percebem o impacto de eventos massivos e distantes no espaço-tempo. Quando dois buracos negros colidem, por exemplo, a onda de choque resultante desse impacto faz com que o espaço se espalhe como uma poça de água atingida por uma pedra.

O Observatório de Ondas Gravitacionais com Interferómetro a Laser (LIGO) detectou pela primeira vez essas ondulações em 2015, com um dispositivo vencedor do Prémio Nobel, que se baseava na monitorização cuidadosa dos feixes de laser. A mudança da forma dos feixes era um sinal de que o próprio espaço-tempo havia sido perturbado.

Os investigadores querem detectores de ondas gravitacionais maiores e mais precisos em órbita – segundo os cientistas do MIT, este novo dispositivo seria perfeito para a tarefa.

ZAP //

Por ZAP
15 Fevereiro, 2019

 

1595: Geólogos descobriram de onde vem a parte mais remota do oceano

GRID Arendal / Flickr

Um navio coreano chegou a uma das partes mais remotas do oceano em 2011 e 2013, uma área próxima à Antárctica e ao sul da Nova Zelândia. Lá, retirou material do fundo do mar que revelou uma região anteriormente desconhecida das profundezas da Terra.

Os cientistas analisaram uma mistura de variantes químicas chamadas isótopos em amostras do fundo do mar de diferentes partes do planeta para descobrir o “domínio do manto” que as produziu.

A maior parte das coisas sólidas na superfície da Terra ou perto dela era, em algum momento, parte do interior quente do planeta. Mas diferentes partes do interior contêm diferentes proporções de vários isótopos e, assim, produzem diferentes composições reveladoras.

Os cientistas que estudam o material desta parte distante do oceano, denominado Cume Antárctico-Australiano, determinaram que tinha uma marca química única. Esta nova marca significa que as amostras devem ter surgido de um domínio que era desconhecido anteriormente.

A região de 1.900 quilómetros de largura foi “a última lacuna” no modelo geológico do fundo do mar, escreveram os investigadores no artigo publicado na Nature Geoscience.

Os cientistas previram que esta região teria uma marca isotópica semelhante ao Pacífico, escreveram, sugerindo que as duas regiões do fundo do mar teriam emergido da mesma parte do manto da Terra – a região quente e rochosa, posteriormente colada entre a crosta e o núcleo.

Em vez disso, parece ter explodido separadamente da sua própria parte do manto, provavelmente como parte de uma grande ruptura geológica que ocorreu há cerca de 90 milhões de anos.

Este foi o fim do período em que as massas de terra da Terra foram unidas no super-continente Gondwana, com a Antárctida actual no seu centro. Quando Gondwana finalmente se separou, um “manto profundo que se eleva”, que apelidaram de Zealandia-Antarctic Swell, parece ter-se espalhado entre os pedaços continentais separadores, formando o fundo do mar relativamente raso desta região.

ZAP // Live Science

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15 Fevereiro, 2019

 

1591: “Desta vez vamos lá ficar”: NASA revela planos para regressar à Lua

(PD/CC0) Comfreak / pixabay

O administrador da agência espacial norte-americana tem planos ambiciosos para a Lua e para o Homem. Jim Bridenstine revelou na quinta-feira que quer que os humanos voltem a pisar solo lunar, pretendendo ainda que estes vão mais além da órbita da Terra desde 1972 – tudo isto enquanto exerce o seu cargo na NASA.

Num artigo assinado para o portal Ozy, Jim Bridenstine levantou o véu sobre os seus planos futuros: a NASA está à procura de assistência e ajuda de empresas norte-americanas para desenvolver módulos de descida e sistemas reutilizáveis para transportar astronautas para a Lua e vice-versa.

O responsável da NASA sublinha, contudo, que os planos para voltar à Lua não implicam repetir o que aconteceu há já 50 anos: “Vamos à Lua com novas tecnologias e sistemas inovadores para explorar mais locais na superfície do que imaginávamos ser possível. Desta vez, quando formos para a Lua, vamos lá ficar”, afirma.

Procurando “uma presença sustentável de seres humanos além da órbita da Terra”, a agência espacial norte-americana quer construir um posto na órbita lunar que poderia chamar-se de Gateway. Este posto, segundo o especialista, poderia garantir a passagem segura dos astronautas até à Lua e de volta à Terra.

O Gateway seria a base para o primeiro módulo de descida reutilizável na Lua, que abriria mais oportunidades de negócio para a exploração espacial a longo prazo. Para chegar até à base lunar e depois regressar à Terra, a NASA propõe a utilização do autocarro espacial SLS (Space Launch System) e a nave espacial Orion, ambos em fases de desenvolvimento.

Bridenstine convidou já representantes de empresas privadas e outros potenciais parceiros para uma reunião na sede da NASA, a realizar-se na próxima semana, na qual serão debatidos os módulos de descida lunar. O administrador adiantou ainda que a NASA trabalha já com nove empresas nacionais para enviar novas ferramentas e equipamentos científicos para a superfície lunar como, por exemplo, cargas comerciais.

A NASA quer enviar astronautas à Lua durante a próxima década. A primeira missão de envio comercial de equipamentos técnicos está prevista para o final de 2020. “Posso ter perdido o primeiro pouso do Homem na Lua, mas estou a trabalhar para ter certeza de que vou ver o próximo, juntamente com o resto do mundo”, rematou Bridenstine.

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14 Fevereiro, 2019

 

1588: Três objectos misteriosos caíram do céu em localidade espanhola (e ninguém sabe o que são)

(CC0/PD) pxhere

O responsável de de Cogollos de Guadix, na fronteira com o Parque Natural da Serra Navada, relatou a queda de um objeto “não identificado” num telhado da vila. Eduardo Martos entrou em contacto com a Universidade de Granada para identificar o objeto.

Segundo o jornal local Ideal, o diâmetro do impacto na casa é de dois metros, embora as autoridades ainda não tenham conseguido aceder ao interior porque os seus donos não estão em casa.

Não sabemos se é um meteorito ou um deslizamento de terra”, disse Martos, acrescentando que a descoberta nas proximidades da Rua Granada deixa todas as pessoas intrigadas. Na madrugada de segunda-feira, os vizinhos da cidade garantem vislumbrar várias luzes, semelhantes, como apontam, a estrelas cadentes.

O presidente da câmara local pediu ajuda à Universidade de Granada para investigar o caso. Em Guadix há quem fale de “uma espécie de chuva de meteoritos”, mas a verdade é que a natureza destes objectos ainda não é clara.

Contudo, para o jornal ABC, um fenómeno meteorológico é, de facto, a explicação mais plausível. Apesar de os cientistas não terem especificado uma causa, já descartam a possibilidade de ser um meteorito, dado que nenhum observatório de astrofísica observou este evento.

“Foi algo muito local”, referiu o astrónomo José María Madiedo, da Universidade de Huelva, onde não houve incidentes notáveis. Na sua opinião, seria um fenómeno “eléctrico”, conhecido como a queda de um raio globular ou em bola.

Este fenómeno, ao contrário dos raios convencionais, é caracterizado pela descida da electricidade até a superfície da Terra na forma de uma bola. A velocidade de deslocamento pode variar ostensivamente em cada caso, portanto a sua queda pode ser passageira ou lenta.

“Quando este raio de bola toca alguma coisa, coloca a sua energia e parte, neste caso, o telhado da casa”, relatou Madiedo o vereador de Cogollos de Guadix, que conclui: “As luzes que os moradores avistaram a cair do céu podem ter sido um raio globular”.

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13 Fevereiro, 2019

 

1587: Fotógrafo português captou um cometa, uma nebulosa, um meteoro e Plêiades numa só imagem

JPL-Caltech / UCLA / NASA
Esta imagem mostra o enxame estelar das Plêiades através dos olhos do WISE da NASA.

O português Miguel Claro, fotógrafo profissional especializado em retratar fenómenos astronómicos no céu nocturno, conseguiu captar um cometa, um meteoro, uma nebulosa e o enxame de estrelas das Plêiades numa só imagem panorâmica – e é incrível.

De acordo com o portal Space.com, a “épica” cena cósmica é composta por três fotografias captadas no passado 15 de Dezembro pelo fotógrafo português a partir do Observatório da Cumeada, na reserva Dark Sky Alqueva, no Alentejo, classificado pela UNESCO como Starlight Tourism Destination.

Nesse mesmo dia, o pequeno cometa 46P / Wirtanen – que na imagem aparece como um ponto azul esverdeado perto da margem esquerda – fez uma abordagem histórica ao nosso planeta, aproximando-se a apenas 11,5 milhões de quilómetros de distância.

“Isto será o mais próximo que o Cometa Wirtanen já se aproximou da Terra em séculos, e tão perto quanto estará nos próximos séculos”, disse Paul Chodas, gerente do Centro para o Estudo de Objectos da Terra Próximos da Terra da NASA.

Mais perto do centro da imagem, é possível ver um aglomerado estelar de jovens estrelas quentes conhecidas como as Plêiades ou As Sete Irmãs em tons de azul; no lado directo, foi registado em tons avermelhados a nebulosa NGC 1499, que devido à sua forma é também conhecida como a nebulosa da Califórnia.

Em simultâneo, um meteoro dos Geminids – uma chuva de estrelas visíveis a olho nu em todo mês de Dezembro – cruzava o céu deixando um rasto de fumaça que não passou despercebido nas lentes de Miguel Claro.

O português já nos tem habituado a incríveis fotografias dos céus nocturnos. Também no passado Dezembro, o portal norte-americano elegeu as 100 melhores fotografias de 2018. Entre as 100 fotografias, o português assinou dez, oito das quais junto da albufeira de Alqueva. O Dark Sky é o primeiro destino turístico do mundo para ver as estrelas a obter a certificação, integrando os municípios de Alandroal, Barrancos, Moura e Mourão, Portel e Reguengos de Monsaraz.

Em 2016, Miguel Claro capturou um airglow (luminescência hipnotizante causada por reacções químicas que chegam até ao topo da atmosfera terrestre) na montanha do Pico, no arquipélago dos Açores – uma espécie de arco-íris cósmico.

(dr) Miguel Claro
Airglow capturado em 2016

Miguel Claro, que é astro-fotógrafo oficial da reserva Dark Sky Alqueva, tem-se dedicado nos últimos anos à promoção da astronomia, através de palestras públicas, sessões guiadas de observação do céu nocturno e também em artigos e exposições. Nos últimos dez anos especializou-se em astro-fotografia de paisagem.

ZAP //

Por ZAP
13 Fevereiro, 2019