5390: NASA reveals flight zone for historic helicopter flight on Mars

SCIENCE/MARS/HELICOPTER ingenuity

Ingenuity, an experimental helicopter, is nearing its debut flight

NASA has locked in a location on Mars for the first demo flight of its mini helicopter named Ingenuity, engineers announced on Tuesday. The four-pound rotorcraft is gearing up to attempt the first powered flight on another planet, demonstrating a new capability that could unlock access to hard-to-reach areas of other celestial bodies in the future.

Ingenuity arrived on Mars in February, clinging to the belly of the Perseverance rover, surviving a seven-month trek through deep space and an intense seven-minute landing sequence through Mars’ atmosphere. Within a few hours of Perseverance’s landing, engineers started analyzing orbital imagery to find a prime flight zone to drop off Ingenuity for its first flight — “an area where it is safe for the helicopter to take off, and also safe for the helicopter to land again after flight,” the craft’s chief pilot, Håvard Grip, said.

The landing site, he said, needed to be flat and free of any large rocks that could threaten Ingenuity’s flight demos. But it also needed to have “texture” — distinct features on the ground that the helicopter’s AI-powered navigation camera can spot to track its whereabouts during flight. Soon after landing, “we began to realize that we might just have a really great airfield right in front of our noses,” Grip told reporters at a press briefing on Tuesday.

Perseverance is in the middle of a days-long drive to the flight zone, just 196 feet away from the landing site. When it arrives, the craft will be lowered to the ground. Then Perseverance will spend roughly 25 hours driving about 330 feet away to a location NASA named the Van Zyl Overlook as a tribute to Jakob Van Zyl, a senior Jet Propulsion Laboratory scientist who died last year.

Dropping Ingenuity off in its flight zone is “a very prescribed and meticulous process,” said Farah Alibay, who leads Ingenuity’s integration with Perseverance. Ingenuity will need to be flipped from its current horizontal position on the rover to a vertical position before touching the ground, which will take “multiple days,” she said. “The most stressful day, at least for me, is gonna be that last day while we finally separate the helicopter and drop Ingenuity on the ground.”

Engineers test Ingenuity’s deployment from Perseverance using mock-ups.Image: NASA / JPL

Lockheed Martin designed the Mars Helicopter Delivery System that will help Ingenuity’s tiny landing legs set foot on the ground. Keeping that delivery system lightweight while secure was a huge challenge even for Lockheed, which has decades of experience designing space systems. “We had to toss all that heritage and knowledge aside and literally start from scratch with a new electrical connection design,” Jeremy Morrey, Lockheed’s top engineer for the deployment system, told The Verge in an interview.

Once on the ground, NASA engineers expect Ingenuity to conduct its first flight test no earlier than April 8th, give or take a few days depending on Mars’ weather. The helicopter’s flight zone is shaped like a mini running track, with a box-shaped takeoff and return area on one side of the zone. “The first flight is special — it’s by far the most important flight we plan to do,” Grip said, adding that a successful first flight will mean “complete mission success.”

For that debut flight, Ingenuity will climb nearly 10 feet (3 meters), hover in place for about 30 seconds, turn in midair, then descend for a landing. It will be fully autonomous, operating on commands sent by engineers back on Earth the day prior. A 0.5-megapixel navigation camera on Ingenuity’s underside will be snapping 30 photos per second of the ground to inform its movement.

Ingenuity has another, more powerful camera with 13 megapixels facing the horizon. That will snap pictures in midair, while cameras aboard Perseverance will aim to capture the helicopter in flight. All of those pictures will eventually be transmitted back to Earth.

The flight model of NASA’s Ingenuity Mars Helicopter. Image: NASA / JPL

Four more flight tests are planned in a month-long window after Ingenuity’s first 10-foot takeoff. What the helicopter does during those flight tests will largely depend on the results of the first one. “It could, in principle, go higher currently as designed,” Grip said. “There may be cases where, if everything goes well during our nominal flights, we might stretch things a little bit beyond the nominal flight.”

After that, Ingenuity’s test campaign will likely come to an end. It’s a demo mission, and Perseverance has other objectives to focus on, like collecting Martian soil samples for a future Mars mission to bring back to Earth.

If successful, Ingenuity will mark the first powered flight on another world. A mission to Venus by the Soviet Union in the 1980s under its Vega program claimed the title for first off-world flight, with two balloon aerobots (not powered) flying into the clouds of Venus. Off-world helicopters like Ingenuity, if proven to be viable, could be used in future missions to trek places where wheeled rovers can’t reach, like caves, tunnels, or mountaintops.

Even before Ingenuity’s first flight, engineers are already celebrating making it this far. Having a tiny, four-pound helicopter survive a trip from Earth to Mars is no easy task, said Morrey, the Lockheed engineer. “You have to survive launch on a rocket while carrying a carbon fiber feather. It’s never been done before,” he said of a mission like this.

The Verge

23/03/2021


5389: Encontradas moléculas nunca vistas no Espaço. Estavam escondidas entre as estrelas

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

M. Weiss / Center for Astrophysics / Harvard & Smithsonian

Uma equipa de investigadores descobriu um vasto reservatório até então desconhecido de novo material aromático numa nuvem molecular fria e escura, detectando, pela primeira vez, moléculas individuais de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos no meio interestelar.

“Sempre pensámos que os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos se formavam principalmente na atmosfera de estrelas moribundas”, disse Brett McGuire, professor assistente de química no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e investigador principal do projecto Green Bank Telescope (GBT) Observations of TMC-1: Hunting Aromatic Molecules (GOTHAM), em comunicado divulgado pelo EurekAlert.

Pela primeira vez, segundo McGuire, estes hidrocarbonetos foram encontrados “em nuvens escuras e frias, onde as estrelas ainda nem se começaram a formar“.

Agora, os investigadores estão a começar a responder a um mistério científico de três décadas: como e onde se formam estas moléculas no Espaço?

Moléculas aromáticas e PAHs – hidrocarbonetos aromáticos policíclicos – são bem conhecidos pelos cientistas. As moléculas aromáticas existem na composição química dos seres humanos e de outros animais e são encontradas em alimentos e medicamentos.

Da mesma forma, os PAHs são poluentes formados a partir da queima de muitos combustíveis fósseis e estão entre os carcinógenos formados quando vegetais e carne são carbonizados em altas temperaturas.

“Acredita-se que os hidrocarbonetos aromáticos poli-cíclicos contenham até 25% do carbono do Universo”, disse McGuire. “Agora, pela primeira vez, temos uma janela directa para a química deles que nos permitirá estudar em detalhe como esse enorme reservatório de carbono reage e evolui através do processo de formação de estrelas e planetas.”

Cientistas suspeitam da presença de PAHs no Espaço desde os anos 1980, mas o novo estudo fornece a primeira prova definitiva da sua existência em nuvens moleculares.

Para pesquisar as moléculas indescritíveis, a equipa concentrou-se na Taurus Molecular Cloud (TMC-1) – uma grande nuvem pré-estelar de poeira e gás localizada a cerca de 450 anos-luz da Terra que colapsou sobre si mesma para formar estrelas – e o que descobriram foi surpreendente.

“De décadas de modelagem anterior, acreditávamos ter um entendimento bastante bom da química das nuvens moleculares”, disse o astro-químico Michael McCarthy. “O que estas novas observações astronómicas mostram é que essas moléculas não estão só presentes em nuvens moleculares, mas em quantidades que são de magnitude maior do que os modelos padrão preveem.

“Nos últimos 30 anos ou mais, os cientistas têm observado o marcador da massa dessas moléculas na nossa galáxia e outras galáxias em infravermelho, mas não conseguimos ver que moléculas individuais compunham essa massa. Com a adição da radioastronomia, em vez de ver essa grande massa que não podemos distinguir, estamos a ver moléculas individuais“, disse McGuire.

Para a sua surpresa, a equipa não descobriu só uma nova molécula escondida no TMC-1, mas sim 1-cianonaftaleno, 1-ciano-ciclopentadieno, HC11N, 2-cianonaftaleno, vinil cianoacetileno, 2-ciano-ciclopentadieno, benzonitrila, trans-(E)-cianovinilacetileno, HC4NC e propargilcianeto, entre outros.

“Há 50 anos, coleccionámos pequenas moléculas e agora descobrimos que há uma porta nos fundos. Quando abrimos aquela porta e olhámos, encontrámos este armazém gigante de moléculas e química que não esperávamos”, disse McGuire.

“Tropeçámos num novo conjunto de moléculas, diferente de tudo que conseguimos detectar anteriormente, e isso mudará completamente a nossa compreensão de como essas moléculas interagem entre si”, disse McGuire.

“Quando essas moléculas ficam suficientemente grandes para serem as sementes da poeira interestelar, têm a possibilidade de afectar a composição dos asteróides, cometas e planetas, as superfícies nas quais os gelos se formam e talvez, por sua vez, até mesmo os locais onde os planetas se formam dentro de sistemas estelares”, continuou.

Antes do lançamento do GOTHAM em 2018, os cientistas catalogaram 200 moléculas individuais no meio interestelar da Via Láctea. Estas novas descobertas levaram a equipa a se perguntar o que há mais lá fora.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Science.

Por Maria Campos
24 Março, 2021


5388: Quando batem, as asas do beija-flor fazem um som característico. Os cientistas já sabem porquê

CIÊNCIA/BIOLOGIA

– Vídeo obtido por captura de écran uma vez que continua a não ser disponibilizado pelo ZAP, o endereço URL original, tendo depois ser editado no Youtube.

Com a ajuda de 12 câmaras de alta velocidade, seis placas de pressão e 2.176 microfones, uma equipa de cientistas descobriu que, quando batem, as asas emplumadas suaves e complexas do beija-flor produzem som de uma forma muito semelhante às asas mais simples dos insectos.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, da Universidade de Stanford e a empresa Sorama observaram meticulosamente beija-flores com a ajuda de uma dúzia de câmaras de alta velocidade, meia dúzia de placas de pressão e 2.176 microfones para medir a origem do som.

De acordo com o Phys, os engenheiros conseguiram medir a origem precisa do som do bater das asas do pássaro e descobriram, assim, que se origina face à diferença de pressão entre a parte superior e a parte inferior das asas, que muda tanto em magnitude quanto em orientação conforme as asas batem para a frente e para trás.

As diferenças de pressão são essenciais, uma vez que fornecem a força aerodinâmica líquida que permite ao beija-flor levantar voo e pairar.

Ao contrário das asas de outras espécies de pássaros, a asa de um beija-flor gera uma forte força aerodinâmica ascendente durante o movimento da asa para baixo e para cima, ou seja, duas vezes por batida de asa.

Considerando que ambas as diferenças de pressão – quer devido à força de sustentação, quer ao arrasto – contribuem para o som, os especialistas explicam que a diferença de pressão de elevação da asa é a principal fonte do zumbido.

David Lentink, investigador da Universidade de Stanford e autor do artigo científico publicado no dia 16 de Março na eLife, disse que as conclusões do estudo explicam por que motivo as criaturas aladas fazem barulhos diferentes.

“A maioria dos pássaros é relativamente silenciosa porque geram a maior parte da sustentação apenas uma vez durante o bater de asas [na descida]”, disse o investigador.

“O som distinto do beija-flor é agradável devido aos ‘tons’ criados pelas forças aerodinâmicas variáveis ​​na asa. Uma asa de beija-flor é semelhante a um instrumento afinado”, acrescentou.

A recente descoberta pode ser útil na fabricação de aviões, drones, ventiladores de computador e até aspiradores mais silenciosos.

“Tornamos o som visível para criar aparelhos mais silenciosos. A poluição sonora está a tornar-se um problema cada vez maior. E, sozinho, um decibelímetro não resolve o problema”, rematou Rick Scholte, da Sorama.

Por Liliana Malainho
24 Março, 2021


5387: Primeira tentativa de voar de helicóptero em Marte será em Abril

CIÊNCIA/MARTE/TECNOLOGIA

Se a experiência for bem-sucedida, será uma façanha, porque o ar marciano tem uma densidade equivalente a apenas 1% da atmosfera da Terra

© Patrick T. FALLON / AFP

A NASA fará uma primeira tentativa de voo de um dispositivo motorizado noutro planeta no início de Abril, quando testará o helicóptero Ingenuity em Marte, anunciou a agência espacial dos Estados Unidos esta terça-feira.

Por enquanto, este helicóptero ultra-leve, semelhante a um grande drone, está dobrado e acoplado à parte inferior do rover Perseverance, que pousou no planeta vermelho no mês passado.

“A nossa melhor estimativa é 8 de Abril”, revelou Bob Balaram, engenheiro-chefe do Ingenuity, numa conferência de imprensa sobre a data do evento que será o equivalente ao primeiro voo de uma aeronave na Terra pelos Irmãos Wright em 1903.

No entanto, o dia exacto da tentativa de voo ainda pode mudar, esclareceu o engenheiro.

Se a experiência for bem-sucedida, será uma façanha, porque o ar marciano tem uma densidade equivalente a apenas 1% da atmosfera da Terra.

Espera-se que o primeiro voo seja muito simples: após descolar verticalmente, o helicóptero voará a uma altitude de três metros, pairará ali por 30 segundos e fará uma curva antes de pousar no solo novamente.

O dispositivo receberá instruções da Terra algumas horas antes, mas analisará a sua posição em relação ao solo durante o próprio voo, tirando 30 fotos por segundo.

A NASA já determinou o terreno sobre o qual o mini-helicóptero voará, localizado ao norte do local de pouso do rover.

O Perseverance ainda não chegou ao destino, o que “levará mais alguns dias”, disse Farah Alibay, chefe de ligação da NASA entre as equipas encarregadas do veículo e do helicóptero.

O Ingenuity será posicionado no local preciso de lançamento antes de ser desacoplado do rover, que então se distanciará dele.

Assim que o helicóptero estiver a uma distância segura do Perseverance, o rover deve mover-se cerca de cinco metros para não obscurecê-lo, o que levará aproximadamente 25 horas. O helicóptero precisará do sol para abastecer de energia seus painéis solares antes da chegada da gelada noite marciana.

O rover será então posicionado num ponto de observação para capturar as proezas da nave com suas câmaras. Estão planeados até cinco voos de dificuldade gradual, distribuídos ao longo de um mês.

Composto por quatro pés, um corpo e duas hélices sobrepostas, o Ingenuity pesa apenas 1,8 kg e mede 1,2 metros de largura.

O programa deste helicóptero custou à NASA cerca de 85 milhões de dólares (cerca de 71 milhões de euros).

No futuro, esses dispositivos podem ser cruciais para a exploração do planeta, sendo capazes de ir onde os rovers não podem, como os desfiladeiros.

Diário de Notícias
DN/AFP
23 Março 2021 — 22:49


5386: Degelo no Árctico abre oportunidade para criar nova rota comercial marítima

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL

(cv) NASA Goddard / Youtube

O Árctico perde 43,8 mil quilómetros quadrados de gelo todos os anos, uma realidade do aquecimento global que abre a possibilidade de uma nova rota marítima que revolucionaria os transportes globais, segundo especialistas ouvidos pela agência Lusa.

O degelo é irreversível, segundo o contra-almirante da Marinha Portuguesa Carlos Ventura Soares, que dirige o Instituto Hidrográfico, mas “neste momento ninguém consegue dizer quão rápido vai ser”.

Uma consequência óbvia é o impacto no ecossistema do Árctico, mas também a abertura de “duas novas grandes áreas: a facilidade de acesso a recursos naturais e abertura de novas rotas marítimas“.

Aquilo com que nações como a Noruega ou os Estados Unidos já contam é com a possibilidade de explorar recursos naturais que o degelo expõe e torna acessíveis nas suas zonas económicas exclusivas.

A possibilidade de navegar de forma segura pelo Árctico com rotas regulares “faria ao canal do Suez, na passagem do trânsito de mercadorias da Ásia para a Europa, o que o canal do Suez fez à rota do Cabo, que deixou de ser tão usada para muito trânsito do Índico para o Atlântico”, afirma o director do Instituto Hidrográfico.

Ventura Soares salienta que poderão decorrer décadas até que haja condições de navegabilidade regular, o que “por enquanto ainda não houve”, para além de “viagens experimentais limitadas ou apenas para portos locais”.

Além de menos gelo, essas rotas precisariam de ter “capacidade de busca e salvamento em caso de acidente, pilotagem marítima, capacidade de limitar eventuais derrames. Enquanto isso não ocorrer, dificilmente poderemos falar de uma rota marítima perene e com possibilidade de utilização comercial, mesmo que dificilmente durante o ano inteiro, mas durante uma grande parte do ano”, refere.

Do lado de algumas das maiores empresas de transporte marítimo ainda não é uma hipótese viável explorar uma rota árctica, mas do lado da chinesa Cosco continua a haver “uma aposta no Árctico como forma de se diferenciar dos seus concorrentes mais directos e tem a vindo a fazer mais algumas viagens sempre com grandes restrições”, disse à Lusa o sócio-gerente da consultora SACONSULT Jorge D’Almeida, com mais de 40 anos no sector marítimo-portuário.

“A maior empresa do mundo quando se fala de contentores é a dinamarquesa Maersk, com o potencial de alterar o sistema mundial de transporte marítimo, que tentou e conseguiu fazer um teste da rota do Árctico em 2018, com uma travessia durante um dos meses em que ainda é possível, embora seja sempre necessário usar quebra-gelos e rebocadores para garantir que os navios passam com gelo disperso”, apontou.

A Cosco, no entanto, tem feito avanços na exploração de uma rota árctica, mas com navios com capacidade máxima para três mil contentores, enquanto “os navios-mãe que fazem a rota da Ásia têm todos capacidade de 16 mil e, no caso dos maiores, 23 mil”.

Isso é uma desvantagem económica, mas um incentivo é o facto de se poder encurtar o tempo de travessia Ásia-Europa em 14 dias ou mais e em transporte marítimo, “o custo financeiro da mercadoria retida durante o tempo de trânsito tem às vezes um impacto tão grande como o frete”.

Jorge D’Almeida acredita que “não será nos próximos 50 anos” que os maiores navios do mundo poderão usar a rota árctica, até porque na rota tradicional que traz carga da Ásia para os portos do norte da Europa (Antuérpia, Roterdão e Hamburgo) via canal do Suez, pode fazer-se negócio pelo caminho com a passagem por entrepostos importantes, como Singapura.

Mesmo que ainda não seja uma realidade, é preciso agir já para salvaguardar o Árctico da cobiça económica dos estados, defendeu em declarações à Lusa a advogada norte-americana Kristina Gjerde, consultora do Programa Global Marinho e Polar da União Internacional para a Conservação da Natureza.

“No Árctico são as pessoas, a vida marinha, o gelo e todo o ecossistema que precisa de ser protegido e onde se passam algumas das mudanças mais rápidas do planeta”, afirma. Segundo os dados mais recentes do norte-americano National Snow and Ice Data Center, o gelo do Árctico no mês de Fevereiro tem vindo a diminuir a um ritmo de 2,9 por cento em cada década.

“O desafio é criar estruturas de governação que sejam legalmente vinculativas e que inibam a corrida aos recursos ou a canais navegáveis que possam vir a ser abertos, como já aconteceu no acordo de pescas em alto mar para o Árctico, que demonstra como países como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou estados europeus conseguem colaborar quando se trata de algo que é do interesse internacional”, defende.

Kristina Gjerde salienta que, mesmo sem rotas permanentes a atravessar a região e o trânsito limitado aos portos locais, já há navios movidos a combustíveis pesados a circular, que “são emitidos para a atmosfera e para o gelo, acelerando o aquecimento”.

“O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tem dito que estamos a fazer guerra ao nosso planeta e temos que pensar no impacto total da navegação, tanto agora como daqui a 20 anos”, afirmou a advogada.

Os impactos totais num ecossistema tão sensível são ainda desconhecidos e todos os oito países com assento no Conselho do Árctico precisam de os avaliar e os cinco com zonas económicas exclusivas na região (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega) precisam de monitorizar o impacto da exploração de recursos.

Precisamos de descarbonizar o transporte marítimo. Garantir uma pegada ecológica silenciosa, porque são lugares que não estão habituados a ruído. Precisam de navegar lentamente e não podem exacerbar o problema das alterações climáticas globais. É preciso avaliar melhor os prós e os contras”, defende Kristina Gjerde.

“Desta vez, há a oportunidade de agir bem. Os navios circulam muitas vezes por sítios onde não deviam. Há naufrágios, há derrames de combustível. Antes de pensar em abrir rotas, seria útil começar a desenhar navios adequados, hiper-seguros. Os antiquados porta-contentores não servem. Têm que ser movidos a energia solar, eólica, só devíamos deixar entrar no Árctico navios com desenho da era espacial. Não bastam navios ‘verdes’. Têm que ser navios ‘brancos’”, considera.

O estado do Árctico e a investigação científica em torno da região estão no centro do congresso científico virtual Arctic Science Summit Week, que começou na sexta-feira passada com reuniões de trabalho, mas cuja parte científica, organizada por Portugal, decorre entre quarta e sexta-feira.

ZAP //LusaLusa

Por Lusa
23 Março, 2021


World’s oldest meteor crater isn’t what it seems

SCIENCE/ASTRONOMY/METEOR

New controversial claim suggests it’s not a meteor crater at all

(Image credit: Shutterstock)

The world’s oldest meteor impact crater is not a crater at all, say scientists of a new study suggesting natural forces put the giant indent into Earth’s surface. But the jury is still out.

The wannabe crater, known locally as the Maniitsoq structure, is located 34 miles (55 kilometers) southeast of the town of Maniitsoq in Greenland. The structure is around 62 miles (100 km) in diameter and formed around 3 billion years ago, although its origin has been disputed in recent years.

In 2012, geologist Adam Garde, of the Geological Survey of Denmark and Greenland, and colleagues said they had found evidence that the Maniitsoq structure was created by a meteor impact, calling it the earliest known example of its kind on Earth. However, a new study calls into question the 2012 team’s findings.

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“After an extensive investigation of the Maniitsoq region, we have not yet found evidence of microscopic shock deformation that is found in nearly all other impact craters,” lead author Chris Yakymchuk, a geologist at the University of Waterloo in Canada, told Live Science. “Our data indicate that the structure in the region is the product of ancient plate tectonic movement, deformation and heating over hundreds of millions of years.”

However, Garde said he is not convinced.

Part of the Maniitsoq structure in southeast Greenland. (Image credit: University of Waterloo)

Not an impact crater?

Garde and his colleagues concluded the Maniitsoq structure is an impact crater mainly due to the structure of rocks at its center, they wrote in 2012 in the journal Earth and Planetary Science Letters. The researchers said that the depth of those rocks and the way they had been forced into the ground could be explained only by the impact of a meteorite.

“With the data they had at the time, an impact origin was plausible,” Yakymchuk said. “Our goal was to test the impact hypothesis using more data collected with a wider array of techniques.”

Other studies had already shed some doubt on the 2012 findings, but Yakymchuk said he and his team arrived with an “open mind” about the structure’s origin when they started their research in 2016.

Their main evidence against an impact origin comes from an analysis of zircon crystals — extremely durable and minute structures made up of zirconium silicate. The team analyzed more than 5,000 of these mineral grains and didn’t find any evidence — such as fractures within the crystals — of them being damaged by a powerful impact.

“Zircon crystals are microscopic time capsules that can capture the damage produced from shock waves generated during a meteorite impact,” Yakymchuk said. “We did not find any damage that indicated ancient shock waves passed through these minerals.”

Recently, scientists have used these crystals to show that Earth’s crust grew rapidly at around the same time the Maniitsoq structure was formed, Live Science previously reported. This kind of tectonic growth spurt likely created the Maniitsoq structure, the researchers said.

Yakymchuk’s team also found a different age for the structure.

“When we started to combine some field observations with data on the age of specific rock units, it started to point us away from an impact crater origin,” Yakymchuk said. “The age we retrieved was 40 million years younger than the proposed age of impact.”

Contrasting views

The new findings highlight the need to continually challenge previous studies, which is an important part of the scientific process, Yakymchuk said. “As we develop new scientific techniques and technologies, we are always testing previous hypotheses.”

However, the authors of the 2012 study argue the new paper doesn’t tell the whole story.

“The most obvious single feature of the Maniitsoq structure that requires an extraterrestrial impact is the central part of the structure,” Garde, lead author of the 2012 study, told Live Science. “I would be happy to change my interpretation, but I would first of all need to see a convincing alternative physical explanation.”

Natural geological processes aren’t enough to explain the formation of the structure, especially in the central regions where rocks appear to have been put under a tremendous amount of force, Garde said.

“Our observations are not discussed in the new study, although they are of fundamental importance,” Garde said.

He also doesn’t think that zircon crystals can tell the whole story because no other proposed impact craters are this old, meaning the evidence for a past impact might have been wiped away by geological processes over the eons. Other studies have also shown that zircon crystals can get damaged on the surface without any visible damage within the crystals, Garde said.

“Yakymchuk et al. have not studied the exterior surfaces of the zircons they have imaged,” Garde said. “So also as regards the zircons something is missing in their story.”

However, the Maniitsoq structure is no longer recognized as an impact crater, according to the Earth Impact Database. Instead, a study published Jan. 21 in the journal Nature claims the Yarrabubba impact structure in Western Australia, at around 2.2 billion years old, is now the oldest known impact crater.

The new study was published online March 1 in the journal Earth and Planetary Science Letters.

Originally published on Live Science.
By Harry Baker – Staff Writer
23/03/2021


5383: NASA’s new Mars rover is about to spawn a tiny helicopter

SCIENCE/MARS/ROVER

The mini Ingenuity helicopter aims to become the first off-Earth rotorcraft

Ingenuity’s debris shield lies beneath Perseverance NASA/JPL

NASA’s Perseverance rover is getting ready to deploy a mini-helicopter named Ingenuity on Mars. The four-pound, four-blade rotorcraft will attempt the first flight of its kind on another planet, and in the process, it will test a new mode of mobility that could transform the way we Earthlings remotely explore other worlds.

The craft is currently attached to the belly of Perseverance, which landed at Mars’ Jezero crater in February. One of the first steps toward setting the baby helicopter off on its debut flight came this weekend when Perseverance dropped a protective shell and exposed Ingenuity to the bright Martian sunlight for the first time. “Away goes the debris shield, and here’s our first look at the helicopter,” the rover’s Twitter account said on Sunday.

After dropping the debris shield, Perseverance will spend a couple of days driving itself to Ingenuity’s flight zone, which NASA officials plan to unveil in a press conference on Tuesday. The helicopter will be lowered to the ground, and Perseverance will scoot away to a safe distance of about 330 feet, leaving Ingenuity to unlock its rotor blades and carry out a few spin tests. NASA expects the first test flights to come “no earlier than the first week of April,” a statement read.

The artificial boundaries of the flight zone, wherever it is, will be a 50-foot-long oval patch of land that Ingenuity will need to stay within during its flight tests. Perseverance will drop the helicopter off near one end of this flight zone, in a space engineers call the helipad.

Deploying the first helicopter on Mars is no easy task. Ingenuity’s team of engineers at NASA’s Jet Propulsion Laboratory had to account for a Martian atmosphere 100 times thinner than Earth’s, which means the craft needs to work much harder than Earth-bound helicopters to lift itself off the ground.

And it’s not just a more powerful toy drone: Ingenuity is an $85 million spacecraft built to withstand an extremely turbulent ride to Mars — from the violent rumbling during liftoff from Earth last summer to Perseverance’s seven-minute landing sequence through Mars’ atmosphere in February. Its design also has to comply with the international 1967 Outer Space Treaty, which requires signatories to ensure their spacecraft don’t contaminate environments on other planets.

“This was a design challenge that straddled both the aircraft and spacecraft boundaries,” says Bob Balaram, Ingenuity’s chief engineer. The team’s biggest challenge, he said, was creating a craft that can spin its blades fast enough to generate thrust, while keeping the overall design simple and lightweight — “otherwise whatever lift you generate doesn’t do any good if you’ve gotten too heavy in the process in the design.”

Packing all that power in the craft’s four-pound body is made possible by a rectangular solar panel installed above the craft’s four carbon fiber blades. That panel also holds a tiny telecommunications device that can communicate with a node on Perseverance’s body called the Mars Helicopter Base Station, even from as far as nine football fields away. The Base Station will help relay signals back to Earth.

Beneath the blades is a tissue box-sized fuselage that houses flight sensors, two cameras, batteries, and mini “survival heaters” that protect Ingenuity from freezing during nighttime on Mars, where temperatures drop as low as negative 130 degrees Fahrenheit. One of the two cameras has a 13-megapixel color camera facing the horizon that will snap and send images to Perseverance mid-flight (the other camera has a 0.5-megapixel black-and-white sensor used for navigation).

In all, Ingenuity will attempt to carry out five flight tests within a short, 30-day window. If the tests work, similar helicopter tech could be used in other missions, to trek places where wheeled rovers can’t reach, like caves, tunnels, or mountaintops. Ingenuity won’t fly again after its 30-day window, even if the tests are wildly successful. That’s because “we are being accommodated by a major flagship mission that’s got a huge, new astrobiology exploration ahead of it,” Balaram says. Perseverance’s primary mission is to explore Mars’ Jezero crater and pack soil samples into tiny, cigar-sized sample tubes that the rover will scatter around the surface for a future “fetch” rover to send back to Earth.

After that 30-day window, Ingenuity will lie on the Martian surface for eternity. If the craft’s first flight attempt doesn’t work out, Balaram said his team can still celebrate a number of achievements they’ve already made.

“I think the main thing is, we’ve already achieved a lot of milestones just by having a design that could do all of these things, and we have had a successful test program so far,” he said. “Every step is something to celebrate because nothing is a given. It’s a fairly high-risk, high-reward type of activity. And tech demos are inherently a quite risky venture, they’re not a slam dunk.”

The Verge


5382: Hubble mostra que fluxos torrenciais de proto-estrelas podem não impedi-las de crescer

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/HUBBLE

Estas quatro imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA revelam o caótico nascimento estelar no complexo de Orionte, a maior e mais próxima região de formação estelar. As fotos mostram estrelas bebés enterradas nos seus casulos gasosos empoeirados que anunciam os seus nascimentos por meio de ventos poderosos e pares de jactos giratórios parecidos as aspersores que disparam em direcções opostas. A luz no infravermelho próximo perfura a região empoeirada para revelar detalhes do processo de nascimento. Os fluxos estelares estão a formar cavidades dentro da nuvem gasosa de hidrogénio. Este estágio relativamente breve de nascimento dura cerca de 500.000 anos. Embora envoltas em poeira, as próprias estrelas emite m radiação poderosa que atinge as paredes da cavidade e espalha grãos de poeira, iluminando com luz infravermelha as lacunas nos invólucros gasosos. Os astrónomos descobriram que as cavidades na nuvem de gás circundante, esculpidas pelo fluxo de fluxo proto-estelar, não cresciam regularmente à medida que amadureciam, como propõem as teorias. As proto-estrelas foram fotografadas no infravermelho pelo instrumento WFC3 do Hubble. As imagens foram obtidas dia 14 de Novembro de 2009, dia 25 de Janeiro, 11 de Fevereiro e 11 de Agosto de 2010.
Crédito: NASA, ESA, STScI, N. Habel e S. T. Megeath (Universidade de Toledo) (ver versão não legendada)

Esta imagem obtida no solo fornece uma visão mais ampla de todo o complexo da nuvem de Orionte, a maior e mais próxima região de formação estelar. O material vermelho é hidrogénio gasoso ionizado e aquecido pela radiação ultravioleta de estrelas massivas em Orionte. As estrelas formam-se em nuvens de hidrogénio gasoso frio que são invisíveis ou aparecem como regiões escuras nesta imagem. A forma crescente é conhecida como Loop de Barnard e envolve parcialmente a figura da constelação de Orionte, o Caçador. A cintura do Caçador é a cadeia diagonal de três estrelas no centro da imagem. Os seus pés são as brilhantes estrelas Saiph (em baixo à esquerda) e Rigel (em baixo à direita). Esta paisagem abrange dezenas de milhares de estrelas que se formaram e ganharam vida. Muitas ainda estão envoltas nos seus casulos natais de gás e poeira e só são vistas no infravermelho. A linha ondulante de pontos amarelos, que começa em baixo à esquerda, é uma imagem sobreposta de 304 proto-estrelas obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA. Os investigadores usaram os telescópios espaciais Hubble e Spitzer da NASA e o Telescópio Espacial Herschel da ESA para analisar como os fluxos das estrelas bebés esculpem cavidades nas vastas nuvens de gás. O estudo é o maior levantamento já feito sobre estrelas em desenvolvimento.
Crédito: Cortesia de R. B. Andreo, DeepSkyColors.com; Sobreposição dos dados: NASA, ESA, STScI, N. Habel e S. T. Megeath (Universidade de Toledo)

Embora a nossa Galáxia seja uma cidade imensa com pelo menos 200 mil milhões de estrelas, os detalhes de como se formaram permanecem envoltos em mistério.

Os cientistas sabem que as estrelas se formam a partir do colapso de enormes nuvens de hidrogénio que são comprimidas pela gravidade até ao ponto de ignição da fusão nuclear. Mas apenas mais ou menos 30% da massa inicial da nuvem termina como uma estrela recém-nascida. Para onde vai o resto do hidrogénio durante um processo tão ineficiente?

Supõe-se que uma estrela recém-formada liberte uma grande quantidade de gás quente por meio de jactos em forma de sabre de luz e ventos semelhantes a furacões lançados do disco circundante por poderosos campos magnéticos. Estes fogos de artifício devem impedir o crescimento da estrela central. Mas um novo e abrangente levantamento do Hubble mostra que esta explicação mais comum não parece funcionar, confundindo os astrónomos.

Os investigadores usaram dados previamente recolhidos pelos telescópios espaciais Hubble e Spitzer da NASA e pelo Telescópio Espacial Herschel da ESA para analisar 304 estrelas em desenvolvimento, chamadas proto-estrelas, no complexo de Orionte, a maior e mais próxima região de formação estelar (o Spitzer e o Herschel já não estão operacionais).

Neste que é até à data o maior levantamento de estrelas nascentes, os cientistas estão a descobrir que a eliminação do gás pelo escoamento de uma estrela pode não ser tão importante na determinação da sua massa final como sugerem as teorias convencionais. O objectivo dos investigadores era determinar se os fluxos estelares interrompiam a queda de gás numa estrela e impediam o seu crescimento.

Em vez disso, descobriram que as cavidades na nuvem de gás circundante, esculpidas pelo fluxo de uma estrela em formação, não cresciam regularmente à medida que amadureciam, como propõem as teorias.

“Num modelo de formação estelar, se começarmos com uma pequena cavidade, à medida que a proto-estrela rapidamente se torna mais evoluída, o seu fluxo cria uma cavidade cada vez maior até que o gás circundante é eventualmente expelido, deixando uma estrela isolada,” explicou o líder da investigação Nola Habel da Universidade de Toledo, no estado norte-americano do Ohio.

“As nossas observações indicam que não há um crescimento progressivo que podemos encontrar, de modo que as cavidades não estão a crescer até que empurrem toda a massa da nuvem. Portanto, deve haver algum outro processo a acontecer que elimina o gás que não acaba na estrela.”

Os resultados da equipa vão aparecer numa próxima edição da revista The Astrophysical Journal.

Nasce uma estrela

Durante o estágio relativamente breve de nascimento de uma estrela, que dura apenas mais ou menos 500.000 anos, a estrela rapidamente aumenta de massa. O que complica as coisas é que, conforme a estrela cresce, ela lança um vento, bem como um par de jactos giratórios parecidos a aspersores que disparam em direcções opostas. Estes fluxos começam a corroer a nuvem circundante, criando cavidades no gás.

As teorias populares preveem que, à medida que a jovem estrela evolui e o fluxo continua, as cavidades ficam mais largas até que toda a nuvem de gás em torno da estrela é completamente afastada. Com o “tanque de combustível” vazio, a estrela para de acumular massa – por outras palavras, para de crescer.

Para procurar o crescimento da cavidade, os investigadores primeiro classificaram as proto-estrelas por idade, analisando os dados do Herschel e Spitzer da emissão de luz de cada estrela. As proto-estrelas nas observações do Hubble também foram observadas como parte do Levantamento de Proto-estrelas de Orionte do telescópio Herschel.

De seguida, os astrónomos observaram as cavidades no infravermelho próximo com os instrumentos NICMOS (Near-infrared Camera and Multi-object Spectrometer) e WFC3 (Wide Field Camera 3). As observações foram feitas entre 2008 e 2017. Embora as próprias estrelas estejam envoltas em poeira, elas emitem radiação poderosa que atinge as paredes da cavidade e espalha grãos de poeira iluminando as lacunas nos invólucros gasosos no infravermelho.

As imagens do Hubble revelam os detalhes das cavidades produzidas pelas proto-estrelas em vários estágios de evolução. A equipa de Habel usou as imagens para medir as formas das estruturas e estimar os volumes de gás libertados para formar as cavidades. A partir desta análise, puderam estimar a quantidade de massa que foi eliminada pelas explosões estelares.

“Descobrimos que no final da fase proto-estelar, onde a maior parte do gás caiu da nuvem circundante para a estrela, várias estrelas jovens ainda têm cavidades bastante estreitas,” disse o membro da equipa Tom Megeath da Universidade de Toledo. “Então, esta imagem que ainda é comum sobre o que determina a massa de uma estrela e o que impede a queda do gás é que esta cavidade crescente do fluxo recolhe todo o gás. Isto tem sido fundamental para a nossa ideia de como a formação estelar continua, mas simplesmente não parece encaixar aqui nos dados.”

Futuros telescópios como o Telescópio Espacial James Webb da NASA vão investigar mais profundamente o processo de formação das proto-estrelas. As observações espectroscópicas do Webb vão examinar as regiões internas dos discos que rodeiam as proto-estrelas no infravermelho, procurando jactos nas fontes mais jovens. O Webb também ajudará os astrónomos a medir o ritmo de acreção de material do disco para estrela e estudará como o disco interno está a interagir com o fluxo.

Astronomia On-line
23 de Março de 2021


5381: Medidos pela primeira vez em Júpiter ventos estratosféricos muito fortes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/JÚPITER

Esta imagem mostra uma representação artística dos ventos na estratosfera de Júpiter perto do pólo sul do planeta, com as linhas azuis a representarem as velocidades dos ventos. Estas linhas estão sobrepostas a uma imagem real de Júpiter, obtida pela câmara JunoCam instalada a bordo da sonda espacial Juno da NASA.
As famosas bandas de nuvens de Júpiter estão situadas na atmosfera inferior, onde já se tinham anteriormente medido ventos. No entanto, detectar ventos logo por cima desta camada atmosférica, na estratosfera, é muito mais difícil porque não existem nuvens nesta zona. Ao analisar os resultados da colisão de um cometa em 1994 e com o auxílio do ALMA, do qual o ESO é um parceiro, os investigadores conseguiram detectar ventos estratosféricos extremamente fortes, com velocidades de até 1450 km/hora, perto dos pólos de Júpiter.
Crédito: ESO/L. Calçada & NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o Observatório Europeu do Sul (ESO) é um parceiro, uma equipa de astrónomos mediu directamente e pela primeira vez ventos na atmosfera intermédia de Júpiter. Ao analisar o resultado da colisão de um cometa em 1994, os investigadores descobriram ventos muito fortes, com velocidades de até 1450 km/hora, perto dos pólos de Júpiter, o que pode apontar para o que a equipa descreveu como um “monstro meteorológico único no nosso Sistema Solar”.

Júpiter é famoso pelas suas distintas bandas vermelhas e brancas: nuvens serpenteantes de gás em movimento que os astrónomos usam tradicionalmente para seguir os ventos na baixa atmosfera de Júpiter. Os cientistas observam também brilhos intensos, as chamadas auroras, perto dos pólos do planeta gigante, que parecem estar associadas a ventos fortes na atmosfera superior. No entanto, e até agora, os investigadores nunca tinham medido de forma directa padrões de vento entre estas duas camadas atmosféricas, i.e., na estratosfera.

Medir velocidades do vento na estratosfera de Júpiter usando as técnicas normais de seguimento das nuvens é impossível devido à ausência de nuvens nesta parte da atmosfera. No entanto, e com a ajuda do cometa Shoemaker-Levy 9, que colidiu com o gigante gasoso de forma espectacular em 1994, os astrónomos tiveram a oportunidade de fazer estas medições utilizando uma técnica alternativa. O impacto deste cometa no planeta deu origem a novas moléculas na estratosfera de Júpiter, as quais se têm estado a movimentar com os ventos desde essa altura.

Uma equipa de astrónomos, liderada por Thibault Cavalié do Laboratoire d’Astrophysique de Bordeaux em França, seguiu uma dessas moléculas — cianeto de hidrogénio (HCN) — para medir directamente “jactos” estratosféricos em Júpiter. Os cientistas usam a palavra “jacto” para se referirem a bandas estreitas de ventos na atmosfera, tal como as correntes de jacto na Terra.

“O resultado mais espectacular que obtivemos foi a detecção de jactos muito fortes, com velocidades de até 400 metros por segundo, localizados por baixo das auroras, perto dos pólos,” diz Cavalié. Estas velocidades dos ventos, equivalentes a cerca de 1450 km/hora, correspondem a mais do dobro das velocidades das tempestades mais fortes observadas na Grande Mancha Vermelha de Júpiter e a mais do triplo das velocidades dos ventos medidas nos tornados mais extremos da Terra.

“Esta nossa detecção indica que estes jactos se podem comportar como um vórtice gigante com um diâmetro de até quatro vezes o tamanho da Terra e com cerca de 900 km de altura,” explica o co-autor do trabalho Bilal Benmahi, também do Laboratoire d’Astrophysique de Bordeaux. “Um vórtice deste tamanho pode bem ser um ‘monstro meteorológico’ único no nosso Sistema Solar,” acrescenta Cavalié.

Os astrónomos já sabiam da existência de ventos fortes perto dos pólos de Júpiter, mas situados muito mais alto na atmosfera, a centenas de quilómetros por cima da área de foco deste novo estudo, o qual foi publicado a semana passada na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics. Estudos anteriores previam que estes ventos na atmosfera superior diminuiriam em velocidade e desapareceriam muito antes de chegar às profundidades correspondentes à estratosfera. No entanto, “os novos dados ALMA dizem-nos o contrário,” refere Cavalié, acrescentando que o facto de descobrir estes ventos estratosféricos fortes perto dos pólos de Júpiter constituiu uma “verdadeira surpresa”.

A equipa utilizou 42 das 66 antenas de alta precisão do ALMA, localizadas no deserto do Atacama no norte do Chile, para analisar as moléculas de cianeto de hidrogénio que se têm estado a deslocar na estratosfera de Júpiter desde o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9. Os dados ALMA permitiram medir o desvio de Doppler — variações minúsculas na frequência da radiação emitida pelas moléculas — causado pelos ventos nesta região do planeta. “Ao medir estas variações, pudemos determinar a velocidade dos ventos, um pouco como podemos determinar a velocidade de um comboio a passar pela variação na frequência do apito do comboio,” explica o coautor do estudo Vincent Hue, um cientista planetário do SwRI (Southwest Research Institute) nos EUA.

Para além dos surpreendentes ventos polares, a equipa usou também o ALMA para confirmar a existência de ventos estratosféricos fortes em torno do equador do planeta ao medir directamente, e também pela primeira vez, as suas velocidades. Os jactos descobertos nesta região do planeta têm velocidades médias de cerca de 600 km por hora.

As observações ALMA necessárias para seguir os ventos estratosféricos nos pólos e no equador de Júpiter necessitaram de menos de 30 minutos em termos de tempo de telescópio. “Os altos níveis de detalhe que conseguimos atingir em tão pouco tempo demonstram bem o extraordinário poder do ALMA,” disse Thomas Greathouse, cientista no SwRI e co-autor do estudo. “Achei surpreendente obter a primeira medição directa destes ventos.”

“Estes resultados do ALMA abrem uma nova janela no estudo das regiões aurorais de Júpiter, algo inesperado a apenas alguns meses atrás,” disse Cavalié. “Esta descoberta preparou também o palco para as medições, semelhantes mas mais extensas, que serão levadas a cabo pela missão JUICE e o seu instrumento de ondas submilimétricas,” acrescenta Greathouse, referindo-se ao JUpiter ICy moons Explorer da ESA, que se espera que seja lançado no próximo ano.

O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, que deverá ver a sua primeira luz durante a segunda metade desta década, irá também explorar Júpiter. O telescópio será capaz de fazer observações extremamente detalhadas das auroras do planeta, fornecendo-nos assim mais informações sobre a atmosfera de Júpiter.

Astronomia On-line
23 de Março de 2021

(artigo relacionado: Medidos pela primeira vez em Júpiter ventos estratosféricos muito fortes )


5380: Hubble vê a mudança das estações em Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/HUBBLE

Imagens pelo Telescópio Espacial Hubble de Saturno obtidas em 2018, 2019 e 2020, à medida que o verão no norte hemisfério do planeta transita para outono.
Crédito: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth

Imagens pelo Telescópio Espacial Hubble de Saturno obtidas em 2018, 2019 e 2020, à medida que o verão no norte hemisfério do planeta transita para outono. Crédito: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth

O Telescópio Espacial Hubble da NASA está a dar aos astrónomos uma visão das mudanças na vasta e turbulenta atmosfera de Saturno à medida que o verão no hemisfério norte do planeta transita para outono, conforme mostrado nesta série de imagens obtidas em 2018, 2019 e 2020 (da esquerda para a direita).

“Estas pequenas mudanças anuais nas bandas coloridas de Saturno são fascinantes,” disse Amy Simon, cientista planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “À medida que Saturno se move em direcção ao outono no seu hemisfério norte, vemos as regiões polares e equatoriais a mudar, mas também vemos que a atmosfera varia em escalas de tempo muito mais curtas.” Simon é a autora principal de um artigo sobre estas observações publicado dia 11 de Março na revista The Planetary Science Journal.

“O que descobrimos foi uma ligeira mudança na cor de um ano para o outro, possivelmente na altura das nuvens e nos ventos – não é surpreendente que as mudanças não sejam enormes, pois estamos a olhar apenas para uma pequena fracção do ano de Saturno,” acrescentou Simon. “Esperamos grandes mudanças numa escala de tempo sazonal, de modo que isto está a mostrar a progressão em direcção à próxima estação.”

Os dados do Hubble mostram que de 2018 a 2020 o equador ficou 5 a 10% mais brilhante e os ventos mudaram ligeiramente. Em 2018, os ventos medidos perto do equador eram de cerca de 1600 quilómetros por hora, maiores do que aqueles medidos pela sonda Cassini da NASA durante 2004-2009, quando rondavam os 1300 km/h. Em 2019 e 2020 diminuíram de volta para as velocidades da Cassini. Os ventos de Saturno também variam com a altitude, de modo que a mudança nas velocidades medidas pode significar que as nuvens em 2018 estavam cerca de 60 quilómetros mais profundas do que as medidas durante a missão Cassini. Outras observações são necessárias para saber o que está a acontecer.

Saturno é o sexto planeta a contar do Sol e orbita a uma distância de mais ou menos 1,4 mil milhões de quilómetros da nossa estrela. Demora cerca de 29 anos terrestres a completar uma órbita, fazendo com que cada estação de Saturno tenha mais de sete anos terrestres. A Terra está inclinada em relação ao Sol, o que altera a quantidade de luz solar que cada hemisfério recebe à medida que o nosso planeta se move na sua órbita. Esta variação na energia solar é o que impulsiona as nossas mudanças sazonais. Saturno também está inclinado, de modo que à medida que as estações mudam naquele mundo distante, a mudança na luz solar pode estar a provocar algumas das suas alterações observadas.

Como Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, Saturno é um “gigante gasoso” feito principalmente de hidrogénio e hélio, embora possa haver um núcleo rochoso bem no interior. Tempestades enormes, algumas quase tão grandes quanto a Terra, ocasionalmente surgem das profundezas da atmosfera. Como muitos dos planetas descobertos em torno de outras estrelas também são gigantes gasosos, os astrónomos anseiam aprender mais sobre como funcionam as suas atmosferas.

Saturno é o segundo maior planeta do Sistema Solar, com mais de 9 vezes o diâmetro da Terra, com mais de 50 luas e um sistema espectacular de anéis composto principalmente de água gelada. Duas destas luas, Titã e Encélado, parecem ter oceanos sob as suas crostas geladas que podem sustentar vida. Titã, a maior lua de Saturno, é a única lua no nosso Sistema Solar com uma atmosfera espessa, incluindo nuvens que fazem chover metano líquido e outros hidrocarbonetos até à superfície, formando rios, lagos e mares. Pensa-se que esta mistura de substâncias químicas seja semelhante à da Terra há milhares de milhões de anos, quando a vida surgiu. A missão Dragonfly da NASA sobrevoará a superfície de Titã, pousando em vários locais para procurar os blocos de construção primordiais da vida.

As observações de Saturno fazem parte do programa OPAL (Outer Planets Atmospheres Legacy) do Hubble. “O programa OPAL permite-nos observar cada um dos planetas exteriores com o Hubble todos os anos, permitindo novas descobertas e observando como cada planeta está a mudar ao longo do tempo,” disse Simon, investigadora principal do OPAL.

Astronomia On-line
23 de Março de 2021


5379: A maior cratera de Titã pode ser o berço perfeito para abrigar vida extraterrestre

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA/SATURNO

NASA / JPL / Space Science Institute

A maior cratera de Titã, uma das mais promissores luas de Saturno, pode ser o berço perfeito para abrigar vida extraterrestre, segundo um novo estudo cujos resultados foram apresentados na Lunar and Planetary Science Conference, que decorreu nos Estados Unidos.

A comunidade científica anda há muito atenta a Titã, a maior lua de Saturno, tendo em vista a tão procurada vida extraterrestre. A nova investigação vem reforçar estudos anteriores que consideram este satélite natural promissor.

A superfície dr Titã é coberta por hidrocarbonetos orgânicos e acredita-se que exista um oceano líquido a 100 quilómetros abaixo da sua crosta gelada.

Depois de levar a cabo uma série de simulações, a equipa de especialistas concluiu que um asteróide ou cometa poderá ter caído em Titã, misturando estes dois ingredientes, num fenómeno que poderá ter produzido “uma sopa primordial para gerar vida”, tal como explicou o geólogo planetário Álvaro Penteado Crósta, citado pelo portal Science.

De acordo com os cientistas, o calor do impacto terá derretido o gelo, criando um lago na cratera que permaneceu líquido durante um milhão de anos antes de a água voltar a congelar por causa das baixas temperaturas de Titã.

Esta janela de tempo, acredita a equipa, pode ter sido suficiente para que os micróbios tivessem evoluído, aproveitando a água líquida, as molécula orgânicas e o calor do impacto. “Esta situação é muito boa para as bactérias”, explicou a equipa.

Apesar de os resultados serem animadores, existem outros investigadores, como Elizabeth Turtle, chefe da missão Dragonfly no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que reiteram que não há ainda “evidências sólidas” que validem este cenário. A missão, que voará rumo a Titã em breve, poderá, contudo, ajudar a resolver a questão, dando força a esta hipótese ou descartando-a.

A procura continua.

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ZAP ZAP //

Por ZAP
23 Março, 2021


5378: Cientistas descobriram como se formam as estranhas “aranhas” de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOFÍSICA/MARTE

NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Uma equipa de investigadores do Trinity College, na Irlanda, estudou as enigmáticas “aranhas de Marte”, fornecendo a primeira evidência física de que estas características únicas podem ser formadas pela sublimação de gelo de dióxido de carbono. 

As “aranhas”, formalmente chamadas de araneiformes, são sistemas radiais de topografia negativa de aparência estranha de depressões dendríticas. Acredita-se que essas características, que não são encontradas na Terra, sejam esculpidas na superfície marciana pelo gelo seco que muda directamente de sólido para gasoso – através da sublimação – na primavera.

Ao contrário da Terra, a atmosfera de Marte compreende principalmente dióxido de carbono e, à medida que as temperaturas diminuem no inverno, este deposita-se na superfície como geada de dióxido de carbono e gelo.

A equipa do Trinity College, juntamente com colegas da Durham University e da Open University, conduziu uma série de experiências na Open University Mars Simulation Chamber, sob pressão atmosférica marciana, a fim de investigar se padrões semelhantes às aranhas marcianas se podem formar por sublimação de gelo seco.

A principal hipótese proposta para a formação de aranhas – hipótese de Kieffer – sugere que, na primavera, a luz solar penetra no gelo translúcido e aquece o terreno abaixo dele. O gelo vai sublimar da sua base, fazendo com que a pressão se acumule e, eventualmente, o gelo quebre, permitindo que o gás pressurizado escape por uma fenda no gelo.

O gás a escapar deixará para trás os padrões dendríticos observados em Marte e o material arenoso será depositado no topo do gelo na forma de uma pluma.

Para provar esta teoria, a equipa fez furos nos centros de blocos de gelo de dióxido de carbono e suspendeu-os com uma garra, acima de leitos granulares de diferentes tamanhos de grãos. Os investigadores baixaram a pressão dentro de uma câmara de vácuo para a pressão atmosférica marciana – 6 mbar – e usaram um sistema de alavanca para colocar o bloco de gelo de dióxido de carbono na superfície.

Trinity College
Lauren McKeown fez furos nos blocos de gelo

Os cientistas usaram um efeito conhecido como Efeito Leidenfrost, através do qual, se uma substância entrar em contacto com uma superfície muito mais quente do que o seu ponto de sublimação, formará uma camada gasosa ao seu redor. Quando o bloco atingiu a superfície arenosa, o dióxido de carbono passou directamente de sólido para gás e o material foi visto a escapar pelo orifício central na forma de uma pluma.

Quando o bloco era levantado, um padrão de aranha era erodido pelo gás que escapou. Os padrões de aranha eram mais ramificados quando eram usados tamanhos de grãos mais finos e, pelo contrário, eram menos ramificados quando eram usados tamanhos de grãos mais grossos.

“Esta investigação apresenta o primeiro conjunto de evidências empíricas para um processo de superfície que pode modificar a paisagem polar de Marte. A hipótese de Kieffer foi bem aceite durante mais de uma década, mas até agora, foi enquadrada num contexto puramente teórico”, disse Lauren McKeown, que liderou o estudo, em comunicado.

“As experiências mostram directamente que os padrões de aranha que observamos em Marte podem ser esculpidos pela conversão directa de gelo seco de sólido em gasoso. É empolgante porque estamos a começar a entender mais sobre como a superfície de Marte está a mudar sazonalmente”, continuou.

“Este trabalho inovador apoia o tema emergente de que o clima e as condições meteorológicas actuais em Marte têm uma influência importante não só nos processos dinâmicos da superfície, mas também em qualquer futura exploração robótica e/ou humana do planeta”, afirmou Mary Bourke, do Departamento de Geografia do Trinity College.

Este estudo pode ser usado para investigar o papel geomórfico da sublimação de dióxido de carbono na formação de outras características da superfície marciana e pode abrir caminho para investigações sobre processos de sublimação noutros corpos planetários com nenhuma ou escassa atmosfera como a lua de Júpiter, Europa, e a lua de Saturno, Encélado.

Este estudo foi publicado esta semana na revista científica Scientific Reports.

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Maria Campos Maria Campos, ZAP //

Por Maria Campos
23 Março, 2021


5377: Tempestades de poeira em Marte terão acelerado perda de água

CIÊNCIA/MARTE/ASTRONOMIA/ESA

NASA

As tempestades de poeira em Marte terão acelerado a perda de água no planeta, concluíram dois estudos divulgados, esta segunda-feira, pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Segundo os estudos, citados em comunicado pela ESA, Marte terá perdido uma camada de água de dois metros de profundidades a cada mil milhões de anos, mas ainda hoje, apesar de inóspito, vaza pequenas quantidades remanescentes na sua atmosfera.

Actualmente, a água em Marte, que terá sido abundante, só existe sob a forma de gelo ou gás devido à baixa pressão atmosférica.

Dados da sonda europeia Mars Express revelam, de acordo com a ESA, que a fuga de água de Marte para o espaço foi acelerada por tempestades de poeira e pela proximidade do planeta com o Sol, mas sugerem também que uma parte da água “pode ter recuado para o subsolo”.

Os novos estudos, liderados pelos investigadores Anna Fedorova, do Instituto de Investigação Espacial da Academia Russa de Ciências, e Jean-Yves Chaufray, do Laboratório de Atmosferas e Observações Espaciais de França, que assentam nestes dados, complementam informação recentemente obtida a partir do satélite europeu TGO, que aponta para que a perda de água em Marte possa estar ligada a mudanças sazonais.

Anna Fedorova e a sua equipa estudaram, durante oito anos marcianos, o vapor de água na atmosfera do planeta, desde o solo até uma altitude de 100 quilómetros, “região que ainda não havia sido explorada”.

O vapor de água “permaneceu confinado” a menos de 60 quilómetros de altitude quando Marte estava longe do Sol, mas “estendeu-se” até 90 quilómetros de altitude quando o planeta estava mais próximo do Sol.

Perto do Sol, “as temperaturas mais quentes e a circulação mais intensa na atmosfera impediram que a água congelasse a uma determinada altitude”.

“Então, a atmosfera superior fica humedecida e saturada de água, o que explica porque as taxas de fuga de água aumentam durante esta temporada: a água é transportada para mais alto, ajudando a sua fuga para o Espaço”, assinalou a investigadora, citada no comunicado da ESA.

Nos anos em que Marte teve uma tempestade de poeira, a parte superior da atmosfera tornou-se ainda mais húmida, acumulando água em excesso em altitudes de mais de 80 quilómetros.

Para Anna Fedorova, tal significa que “as tempestades de poeira, que são conhecidas por aquecer e perturbar a atmosfera de Marte, também levam água a grandes altitudes”.

No seu estudo, o grupo liderado por Jean-Yves Chaufray acrescenta que parte da água de Marte pode não ter escapado para o Espaço através da atmosfera, mas “recuado” para o subsolo.

“Como nem tudo foi perdido para o Espaço, os nossos resultados sugerem que ou a água se moveu para o subsolo ou as taxas de fuga de água eram muito mais altas no passado”, sustentou o investigador.

ZAP //LusaLusa

Por Lusa
23 Março, 2021


5376: Derretimento dos glaciares contribui para os terramotos do Alasca

CIÊNCIA/GEOLOGIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

(dr) Sam Herreid
Glaciares como o Yakutat, no Alasca, estão a derreter desde o final da Pequena Idade do Gelo

Em 1958, um terramoto de magnitude 7,8 desencadeou um deslizamento de rochas na baía de Lituya, no sudeste do Alasca, criando um tsunami. Agora, os cientistas acreditam que a perda generalizada de gelo do glaciar ajudou a preparar o terreno para o terramoto. 

Uma equipa de cientistas do Instituto Geofísico Fairbanks da Universidade do Alasca descobriu, recentemente, que a perda de gelo perto do Parque Nacional de Glacier Bay influenciou o momento e a localização dos terramotos que ocorreram naquela área durante o século passado.

De acordo com o EurekAlert, o peso do gelo faz com que a terra por baixo afunde. Quando um glaciar derrete, o solo “salta”.

Chris Rollins, principal autor do artigo científico publicado recentemente na JGR Solid Earth, explicou que existem dois componentes para a elevação: o efeito elástico, que ocorre quando a terra volta instantaneamente a levantar-se assim que a massa de gelo é removida, e o efeito prolongado do manto, que flui para cima.

Neste estudo, os investigadores relacionaram o movimento de expansão do manto com os grandes terramotos no sudeste do Alasca, um local onde os glaciares estão a derreter há mais de 200 anos.

Rollins executou modelos de movimento da terra e perda de gelo desde 1770 e encontrou uma correlação subtil, mas inconfundível, entre terramotos e recuperação da terra.

Quando os cientistas combinaram os mapas de perda de gelo e tensão de cisalhamento com registos sísmicos de 1920, descobriram que a maioria dos grandes terramotos estava relacionada com a tensão da recuperação de longo prazo da terra.

Segundo a equipa, a maior quantidade de stress da perda de gelo ocorreu perto do epicentro exacto do terramoto de 1958, que causou o tsunami da Baía de Lituya.

Apesar de o derretimento dos glaciares não ser a causa directa dos terramotos, o estudo mostra que influencia o momento e a gravidade dos eventos sísmicos.

Por Liliana Malainho
23 Março, 2021


5375: Fortaleza de Berenike revela que uma erupção vulcânica pode ter forçado antigos egípcios a abandonar a cidade

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA/VULCÕES

S.E. Sidebotham / Antiquity

Manter o acesso a água doce não poluída era muito valioso para qualquer cultura antiga. Uma equipa de arqueólogos, que explorou um poço de água no antigo Egipto, descobriu evidências de que uma cidade costeira foi abandonada há mais de 2.000 anos, quando a nascente de água doce secou.

Há mais de 2.000 anos, os antigos egípcios abandonaram uma cidade costeira depois de terem deixado de ter acesso a água potável. De acordo com a equipa, uma grande erupção vulcânica, possivelmente do outro lado do mundo, pode ter desencadeado uma forte seca na região.

Segundo o New Scientist, os arqueólogos têm escavado Berenike, na costa do Mar Vermelho do Egipto, desde 1994. A cidade foi fundada entre 275 e 260 a.C., mas foi temporariamente abandonada entre 220 e 200 a.C., antes de ter sido repovoada durante muitos séculos.

Depois de o Egipto ter sido anexado pelo Império Romano em 30 a.C., Berenike tornou-se o porto mais meridional do império. Era “uma espécie de combinação de cidade e base militar”, explicou Marek Woźniak, do Instituto de Culturas Mediterrâneas e Orientais de Varsóvia, na Polónia.

Juntamente com James Harrell, da Universidade de Toledo, Woźniak encontrou um poço embutido no chão que acumula água até hoje.

Os arqueólogos acreditam que o poço terá secado entre 220 e 200 a.C.. A areia, que acabou por tapá-lo, continha duas moedas de bronze que datam das décadas anteriores a 199 a.C.. Numa outra parte da fortaleza, a equipa encontrou alguns artefactos da época, o que sugere que Berenike terá sido abandonada.

Woźniak acredita que um período de seca atingiu a região durante vários anos e fez com que o poço secasse. Segundo o artigo científico, publicado no dia 19 de Março na Antiquity, a causa mais provável é uma erupção vulcânica.

Um estudo de 2017, liderado por Jennifer Marlon da Universidade de Yale, descobriu que, em 209 a.C., uma erupção vulcânica libertou muitos aerossóis de sulfato na atmosfera da Terra, fazendo com que as chuvas de verão do Nilo diminuíssem. A falta de chuva pode explicar a seca do poço, que pode ter incentivado os moradores a abandonarem a cidade.

Não está claro que vulcão terá sido o responsável, mas Woźniak e Harrell colocam quatro hipóteses em cima da mesa: Popocatéptl no México, Pelée na ilha de Martinica nas Pequenas Antilhas, Tsurumi ou Hakusan, ambas no Japão.

Por Liliana Malainho
23 Março, 2021


Jaw-dropping Milky Way mosaic took 12 years to create. Here’s why

SCIENCE/MILKY WAY

The Milky Way mosaic is shown here mapped colors from the light emitted by an ionized elements, hydrogen = green, sulfur = red and oxygen = blue. The apparent size of the moon is shown in the lower left corner. (Image credit: J-P Metsavainio)

An eye-popping new image of the Milky Way took 12 years and 1,250 hours of photographic exposure to create.

The photo mosaic is the work of J-P Metsavainio, a Finnish photographer who specializes in astronomical imagery. Metsavainio shared his work on his blog,. The mosaic is 100,000 pixels wide, stitched together from 234 individual mosaic panels that cover 125 degrees by 22 degrees of the night sky.

When Metsavainio started the photographic process more than a decade ago, he knew he wanted to make a full Milky Way mosaic, he told Live Science. But each shot that makes up the mosaic was its own piece of art, he said.

“At the same time, I always kept in my mind the needs of the final large composition,” he said.

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Metsavainio takes his photos from Finland. He began the project with a Meade LX200 GPS 12-inch telescope and a Canon EF 200-millimeter lens, later upgrading to a customized setup he calls “the Frankenstein monster,” made of an Apogee Alta U16 camera and a Tokina AT-x 300-millimeter lens. He then blended the high-resolution images into a mosaic, using Photoshop. This is a complex process, he said, because the images are a mix of highly detailed long-focal-length frames (which magnify distant objects) and lower resolution short-focal-length frames (which provide a wider angle of view but less magnification).

The Milky Way mosaic is shown here mapped colors from the light emitted by an ionized elements, hydrogen = green, sulfur = red and oxygen = blue. NOTE, the apparent size of the moon in a lower left corner. (Image credit: J-P Metsavainio)

By painstakingly merging these frames together, though, Metsavainio can create a mosaic that is both broad, covering the Milky Way as it looks stretched across the sky, and detailed. His favorite features, he said, are the extremely dim supernova remnants that his cameras managed to pick up. These leftovers from exploded stars can be photographed only by extremely long exposures, in which the camera lens is left open for hours at a time to allow enough light to shine through from the objects. One remnant, the Cygnus Shell, required 100 hours of exposure to photograph, Metsavainio said. Another, called G65.3+5.7, required 60 hours of exposure. These supernova remnants appear as light blue rings or bubbles amid brighter orange and yellow stars.

The supernova remnant G65.3+5.7. (Image credit: J-P Metsavainio

The mosaic also contains images of nebulas, black holes and streams of gas. There are around 20 million stars in the mosaic, according to Metsavainio. The colors come from ionized, or charged, elements, with hydrogen represented in green, sulfur in red and oxygen in blue. Placed against the night sky, the mosaic would seem to stretch from the constellation Taurus through Perseus, Cassiopeia, Lacerta and Cygnus.

Next, Metsavainio plans to take more long-focal-length, highly magnified images of the night sky, using his Milky Way mosaic as a map for new compositions.

“As a visual artist,” he said, “I like to give people a visual experience, even if they have no idea what they are looking at.”

Originally published on Live Science.
By Stephanie Pappas – Live Science Contributor
22/03/2021


5373: Via Láctea e Andrómeda vão entrar numa dança cósmica (e dar à luz a Milkomeda)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Z. Levay and R. van der Marel, STScI; T. Hallas; and A. Mellinger / NASA, ESA

Daqui a 4,3 mil milhões de anos, a Via Láctea e a Andrómeda vão aproximar-se de tal forma que vão acabar por formar uma grande galáxia elíptica. Segundo os astrónomos, os braços espirais vão mesmo desaparecer.

Os buracos negros super-massivos nos centros da Via Láctea e da Andrómeda estão condenados a uma dança cósmica daqui a 4,3 mil milhões de anos.

Segundo a Science News, os astrónomos já sabiam há muito tempo que Andrómeda estava em rota de colisão com a nossa galáxia, mas muito pouco se sabia sobre o que poderia implicar este processo. Simulações recentes desvendaram um pouco do que irá acontecer.

As galáxias vão aproximar-se uma da outra daqui a 4,3 mil milhões de anos e aglutinar-se numa galáxia elíptica gigante, chamada Milkomeda, em 10 mil milhões de anos.

A simulação revelou que os buracos negros vão começar a orbitar-se mutuamente e colidir ao fim de 17 milhões de anos. Pouco antes de os buracos negros colidirem, vão irradiar ondas gravitacionais com a potência de 10 quintilhões de sóis.

A estimativa da equipa para a data de fusão da Milkomeda “é um pouco mais longa do que as descobertas de outras equipas”, disse Roeland van der Marel, astrónomo do Space Telescope Science Institute, em Baltimore, que não esteve envolvido na investigação.

No entanto, este resultado pode ser derivado da incerteza na medição da velocidade da Andrómeda. Os dados mais recentes sugerem que se aproxima da Terra a cerca de 116 quilómetros por segundo (km/s).

O artigo científico, submetido no dia 22 de Fevereiro, está disponível no arXiv.

Por Liliana Malainho
22 Março, 2021


5372: Vários animais marinhos nadam misteriosamente em círculos

CIÊNCIA/BIOLOGIA

kris-mikael.krister / Flickr

Cientistas perceberam que, por razões que ainda não conseguiram entender muito bem, vários animais marinhos partilham um comportamento muito comum: nadar em círculos. 

“Descobrimos que uma grande variedade da mega-fauna marinha exibe um comportamento circular semelhante, no qual os animais circulam consecutivamente a uma velocidade relativamente constante mais do que duas vezes”, disse Tomoko Narazaki, biólogo marinho da Universidade de Tóquio e autor principal do estudo, citado pelo site Science Alert.

Os investigadores notaram este misterioso comportamento pela primeira vez em tartarugas-verdes. Mas depois perceberam que não estavam sozinhas: baleias, tubarões e pinguins também mostraram mais ou menos os mesmos movimentos circulares.

Para chegar a estas conclusões, a equipa controlou os movimentos de 19 animais, incluindo espécimes do tubarão-tigre, do pinguim-rei, do lobo-marinho-antárctico, da baleia-bicuda-de-cuvier e do tubarão-baleia.

Mas porque é que estes animais fazem isto? Apesar de à primeira vista podermos pensar que nadar em linha recta seria o mais eficiente (e é, quando se trata de poupar energia), a verdade é que num imenso oceano isso pode significar perder a próxima refeição.

Segundo o mesmo site, alguns destes movimentos circulares foram registados em zonas onde os animais normalmente procuram por alimento. Por exemplo, quatro tubarões-tigre na costa do Havai nadaram em círculos até 30 vezes e desceram cerca de 130 metros até aos seus locais de alimentação.

No entanto, os lobos-marinhos-antárcticos nadaram em círculos sobretudo durante o dia, embora se alimentassem mais à noite; enquanto um grupo de pinguins-rei o fazia principalmente na superfície, entre mergulhos profundos para recolher comida.

Ou seja, este comportamento pode ter mais do que um motivo, para além da comida. Os rituais de acasalamento podem ser outra explicação, tendo em conta que um tubarão-tigre macho foi visto a tentar cortejar uma fêmea ao nadar em círculos à sua volta.

Porém, para Narazaki, cujo estudo foi publicado a 18 de Março na revista científica iScience, a descoberta mais surpreendente foi ver algumas tartarugas a nadar em círculos enquanto se aproximavam das praias onde iam desovar.

Uma das tartaruga rastreadas pelos investigadores, por exemplo, circulou 76 vezes num único dia e 37 vezes no seguinte, seleccionando a direcção correta para nadar depois de uma intensa deliberação.

Este comportamento fez a equipa pensar que também pode desempenhar algum tipo de papel na navegação destes animais. O seu palpite é que as tartarugas em migração podem nadar em círculos para detectar gradientes nos campos magnéticos da Terra, que usam para navegar pelos oceanos e encontrar o caminho até casa.

Conclusão: provavelmente não há apenas uma resposta para este mistério aquático. Nas próximas pesquisas, os cientistas querem examinar os movimentos dos animais em relação ao seu estado interno e às condições ambientais para tentar obter mais respostas.

ZAP ZAP //

Por ZAP
21 Março, 2021


5371: Pedregulhos (e misteriosas riscas gigantes) na Etiópia desvendam mistério sobre a Idade do Gelo

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Alexander R. Groos

Uma equipa de investigadores da Universidade de Berna, na Suíça, conseguiram demonstrar um forte arrefecimento local nos trópicos durante o último período glacial, com base nas flutuações dos glaciares e grandes riscas em pedras nas terras altas da Etiópia.

Como impulsionadores da circulação atmosférica e oceânica global, os trópicos desempenham um papel central na compreensão das mudanças climáticas passadas e futuras. As simulações do clima global e as reconstruções da temperatura do oceano em todo o mundo indicam que o arrefecimento nos trópicos durante o último período glacial, que começou há cerca de 115 mil anos, foi muito mais fraco do que na zona temperada e nas regiões polares.

Contudo, a hipótese de isto se aplicar também às altas montanhas tropicais da África Oriental e noutros lugares é questionada com base em estudos paleo-climáticos, geológicos e ecológicos em altitudes elevadas.

Uma equipa de investigadores, liderada por Alexander Groos, Heinz Veit – ambos do Instituto de Geografia – e Naki Akçar – do Instituto de Ciências Geológicas – da Universidade de Berna, em colaboração com colegas da ETH Zurique, da Universidade de Marburg e da Universidade de Ankara, usou as Terras Altas da Etiópia como local de teste para investigar a extensão e o impacto do arrefecimento regional nas montanhas tropicais durante o último período glacial.

“As montanhas da Etiópia actualmente não estão cobertas por gelo, apesar da sua elevação de mais de quatro mil metros”, explicou Groos, em comunicado. “As morenas e outras formas de terra, no entanto, atestam o facto de que estas montanhas tinham gelo durante o último período glaciar”.

Pedregulhos de morena nas montanhas Bale e Arsi foram mapeados, amostrados no campo e posteriormente datados usando o isótopo de cloro 36Cl para determinar com precisão a extensão e o tempo das glaciações anteriores.

Os cientistas tiveram uma surpresa. “Os nossos resultados mostram que os glaciares nas montanhas do sul da Etiópia atingiram a sua extensão máxima há entre 40 mil e 30 mil anos, vários milhares de anos antes do que noutras regiões montanhosas na África Oriental e em todo o mundo”, explicou o Groos.

No total, os glaciares nas terras altas do sul cobriam uma área de mais de 350 quilómetros durante o seu máximo. Além do arrefecimento de pelo menos 4ºC a 6°C, os extensos planaltos vulcânicos acima de quatro mil metros favoreceram o desenvolvimento de glaciação nesta magnitude.

Os cientistas obtiveram percepções importantes comparando as flutuações dos glaciares nas Terras Altas da Etiópia com os das montanhas mais altas do Leste Africano e arquivos climáticos do Grande Vale do Rift Africano.

“As comparações cruzadas mostram que as montanhas tropicais na África Oriental sofreram um arrefecimento mais pronunciado do que as planícies circundantes”, concluiu Groos. “Além disso, os resultados sugerem uma resposta não uniforme dos glaciares e calotas polares da África Oriental às mudanças climáticas durante o último período glacial, o que pode ser atribuído a diferenças regionais na distribuição da precipitação e relevo das montanhas, entre outros factores”.

As estranhas “riscas” gigantes

Durante o trabalho de campo no planalto central de Sanetti, nas montanhas Bale, os cientistas também encontraram faixas de pedra gigantescas de até mil metros de comprimento, 15 de largura e dois de profundidade fora da área da antiga calota polar.

“A existência destas riscas de pedra num planalto tropical surpreendeu-nos, já que os chamados acidentes geográficos periglaciais dessa magnitude eram anteriormente conhecidos apenas na zona temperada e regiões polares e estão associados a temperaturas do solo em torno do ponto de congelamento“, disse Groos.

Alexander R. Groos / Digital Globe Foundation

No entanto, a temperatura média do solo no Planalto Sanetti é de cerca de 11ºC.

As grandes rochas e colunas de basalto que compõem as faixas de pedra originalmente vieram de formações rochosas fortemente erodidas e tampões vulcânicos.

Os investigadores presumem que as faixas de pedra formaram-se durante o último período glacial através da classificação natural das rochas previamente distribuídas de forma caótica durante o congelamento e descongelamento periódico do solo próximo à antiga calota de gelo.

No entanto, isso teria exigido uma queda na temperatura média do solo de pelo menos 11°C e na temperatura média do ar de pelo menos 7°C.

Os investigadores alertam que esse eventual arrefecimento sem precedentes deve ser demonstrado por estudos futuros noutras regiões montanhosas tropicais.

Este estudo foi publicado este mês nas revistas científicas Science Advances and Earth Surface Dynamics.

Por Maria Campos
22 Março, 2021


5370: Há uma espécie ameaçada de pássaro australiano a “esquecer-se” da sua própria melodia

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Val-birds / Flickr
Anthochaera phrygia

A espécie Anthochaera phrygia, uma ave característica do sudeste da Austrália e ameaçada de extinção, está a perder a sua “cultura musical”.

Uma investigação levada a cabo por cientistas da Universidade Nacional da Austrália descobriu que os Anthochaera phrygia estão a “esquecer” as suas melodias porque há poucos pássaros mais velhos para as ensinar às gerações futuras.

Estes pássaros de manchas amarelas e pretas aprendem os cantos territoriais com outros pássaros mais velhos. Quando as populações são já muito pequenas, não restam quase aves nenhumas para que os mais jovens possam aprender, explica a Nature.

A perda de habitat desde a década de 1950 reduziu tanto a população que, actualmente, existem apenas entre 300 a 400 pássaros em estado selvagem. A equipa, liderada por Ross Crates, localizou mais de 100 machos e gravou o canto das aves para, mais tarde, o comparar com registos históricos.

Segundo o estudo, publicado no dia 17 de Março na Proceedings of the Royal Society B, 27% dos machos cantaram melodias que diferiam das melodias típicas, enquanto que cerca de 12% recorreram ao canto de outras espécies de pássaros.

Como a perda de habitat e a competição entre pássaros maiores ameaçam Anthochaera phrygia, os cientistas defendem que a perda da sua “cultura musical” pode acelerar o seu declínio. A espécie é já classificada como “criticamente ameaçada” pelo Grupo do Meio Ambiente, Energia e Ciência (EES) do Governo de Nova Gales do Sul.

Citado pela CBS, Carl Safina, ecologista da Stony Brook University que não participou no estudo, disse que “temos de estar cientes da importância de preservar o canto dos pássaros – é possível ter uma população que ainda é geneticamente viável, mas não é viável em termos de transmissão de conhecimento cultural”.

“Alguns elementos do que esses pássaros precisam fazer para sobreviver não são instintivos, mas sim aprendido”, frisou.

A equipa da universidade australiana já começou a ajudar os pássaros mais jovens, em programas de reprodução em cativeiro, a aprender as suas próprias notas musicais, reproduzindo gravações de machos a cantar.

Por Liliana Malainho
22 Março, 2021


5369: Afinal, o famoso “rapaz da Gran Dolina” era uma rapariga

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Tom Björklund / CENIEH
Afinal, o famoso “rapaz da Gran Dolina” era uma rapariga

Uma análise aos dentes do famoso fóssil de Atapuerca, em Espanha, revelou que este rapaz era, na verdade, uma rapariga.

O “rapaz da Gran Dolina”, como é conhecido, é um dos fósseis mais emblemáticos da Serra de Atapuerca, no norte de Espanha. Pertence à espécie Homo antecessor e os seus restos mortais foram descobertos durante uma escavação em 1994. Mas agora, conta o jornal espanhol ABC, uma análise aos seus dentes revelou que se tratava, na verdade, de uma rapariga.

Segundo o diário, esta não é a primeira vez que se fica a saber o sexo de um Homo antecessor. No ano passado, uma análise das proteínas presentes no esmalte de um pequeno fragmento de um dente revelou que pertencia a um indivíduo do sexo masculino.

No entanto, desconhecia-se este dado nos dois fósseis mais famosos destes hominídeos: o chamado indivíduo H1, a partir do qual se definiu a própria espécie, e o indivíduo H3, conhecido até agora como o “rapaz da Gran Dolina”.

Como fazer a análise das proteínas implicaria destruir os fósseis, Cecilia García Campos, a líder desta nova pesquisa e investigadora do grupo de Antropologia Dentária do Centro Nacional de Investigação sobre a Evolução Humana (CENIEH), decidiu abordar a questão de outra forma.

(dr) Cecilia García Campos
Os dentes do indivíduo H1

Em primeiro lugar, fez uma análise dos tecidos dentários de uma amostra da população actual e conseguiu atribuir, com uma taxa de sucesso de 92,3%, o sexo de cada indivíduo. Por sua vez, os fósseis H1 e H3 foram analisados ​​de forma segura com recurso à micro-tomografia computorizada (microCT), o que permitiu fazer uma reconstrução 3D dos dentes e observar a dentina, o volume das raízes, o esmalte e outros detalhes.

De acordo com o ABC, os resultados mostraram diferenças comparáveis ​​às observadas entre os homens e as mulheres dos dias de hoje, o que permitiu à equipa afirmar com segurança duas coisas: o H1 era do sexo masculino (algo que já se suspeitava devido ao seu tamanho e outras características) e o H3 era do sexo feminino.

Os investigadores estimam que esta jovem teria entre nove e 11 anos quando morreu e certo é que foi vítima de canibalismo, uma prática que seria comum naquela altura.

É o caso de canibalismo mais antigo e mais bem documentado até agora”, afirmou ao jornal o paleoantropólogo José María Bermúdez de Castro, que é também vice-presidente da Fundação Atapuerca.

O novo estudo foi publicado, a 16 de Março, na revista científica Journal of Anthropological Sciences.

ZAP ZAP //

Por ZAP
22 Março, 2021


5368: Anna Kikina, a única cosmonauta activa na Rússia, inspirou uma nova Barbie

ESPAÇO/RÚSSIA/COSMONAUTAS

Roscosmos
Anna Kikina com a Barbie que ajudou a inspirar

A única mulher que está actualmente activa no corpo de cosmonautas da Rússia tem agora uma Barbie que a representa. Anna Kikina deverá ir a Estação Espacial Internacional no outono de 2022 e realizar uma caminhada espacial.

A figura da cosmonauta está entre os modelos escolhidos para a campanha “Podes ser quem quiseres” da Mattel, que tem como objectivo inspirar as meninas a seguirem a profissão que desejarem. “A boneca mais popular do mundo continua a inspirar as meninas a seguirem os seus sonhos, mostrando que cada uma delas pode se tornar em quem quiser!”, refere a marca.

A Barbie Anna Kikina foi produzida em dois modelos: um deles veste um fato azul com o padrão do macacão da cosmonauta que era usado durante os treinos, e o outro está vestido com uma versão do traje espacial de actividade extra-veicular (EVA) da Rússia.

Kikina reagiu à criação da boneca partilhando memórias de sua infância. “Quando era criança não sonhava ser astronauta, mas se eu tivesse uma boneca cosmonauta Barbie, então a ideia provavelmente teria-me ocorrido”, disse num comunicado divulgado pela Roscosmos.

Pode ainda ler-se que “a Barbie cosmonauta não representa apenas a profissão para as crianças, mas também deixa claro que todos que a virem têm a possibilidade de se tornar cosmonauta”.

Com 36 anos, Kikina é apenas a quarta mulher russa a ser seleccionada para ir ao espaço. A engenheira está destacada para envergar na primeira missão em 2022, num voo à Estação Espacial Internacional.

“Actualmente, a Anna é um modelo para muitos. É forte e feminina, ousada e gentil, sábia e com um excelente senso de humor – uma personalidade brilhante na qual o profissionalismo e a cordialidade combinam harmoniosamente”, refere a Roscosmos.

Tal como outras bonecas da campanha da Mattel, a Barbie Anna Kikina não está a ser produzida para venda ao público, avança o Space.com.

A primeira roupa de astronauta da Barbie, a “Barbie Miss Astronaut”, criada em 1965, foi inspirada pela cosmonauta Valentina Tereshkova, tornando-se a primeira mulher do mundo a ir ao espaço dois anos antes – em 1963.

Em 2017, a Mattel também colaborou com a Agência Espacial Europeia (ESA) para desenvolver duas bonecas Barbie únicas inspiradas na astronauta italiana Samantha Cristoforetti.

Por Ana Isabel Moura
21 Março, 2021


5367: Falta de oxigénio empurra tubarões para a superfície

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/OCEANOS

O aquecimento do Atlântico está a desoxigenar as águas profundas e a levar os grandes tubarões azuis para a superfície, onde ficam particularmente vulneráveis às frotas de pesca.

Os ecossistemas de profundidade estão a mudar. As alterações climáticas estão a expandir as zonas de oxigénio mínimo, que tipicamente se encontravam entre os 200 e os 800 metros nas regiões tropicais. Essa mudança diminui fortemente o habitat disponível para os grandes peixes pelágicos, como os tubarões azuis. E em busca de concentrações de oxigénio mais elevadas, essas espécies rumam à superfície, onde correm maior risco de caírem em redes de pesca industrial.

Este trabalho estudou o efeito que uma dessas zonas de oxigénio mínimo no Nordeste Atlântico, próximo de Cabo Verde, tem nos movimentos e na distribuição do tubarão azul. Para conseguirem os seus objectivos, os investigadores marcaram vários espécimes com transmissores de satélite, registando as profundidades máximas de mergulho. “Ao seguir os movimentos horizontais e o comportamento de mergulho dos tubarões marcados, conseguimos observar mudanças no seu comportamento, com períodos de maior permanência à superfície, como forma de evitar o défice de oxigénio das águas profundas”, explicou David Sims, um dos responsáveis pelo estudo.

Em simultâneo, a equipa de investigação monitorizou as deslocações dos barcos de pesca por palangre de superfície e confirmaram que a zona de oxigénio mínimo da Costa Ocidental Africana é uma área de pesca intensiva, nomeadamente de tubarões azuis. “A compressão de habitat em tubarões azuis torna

a sua captura potencialmente mais fácil e deverá continuar de futuro, se esta situação se mantiver”, alertou o biólogo Nuno Queiroz, que co-liderou este estudo.

Esta investigação foi publicada na revista científica eLife e tem como primeira autora Marisa Vedor, que foi orientada por Nuno Queiroz e David Sims. A equipa internacional de cientistas responsáveis por este artigo integra cientistas do MARE – Centro de Ciências do Ambiente e do Mar e do CIBIO-InBIO.

Para saber mais: https://elifesciences.org/articles/62508

Diário de Notícias
Paulo Caetano
21 Março 2021 — 07:00


5366: Grande asteróide aproxima-se da Terra, a mais de 2 milhões de quilómetros

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTERÓIDES

“Não há risco de colisão com o nosso planeta”, assegura a agência espacial norte-americana. Chamado “2001 FO32” e medindo menos de um quilómetro de diâmetro, ele girará a 124.000 km/h, “mais rápido que a maioria dos asteróides” passando perto da Terra, de acordo com a NASA.

Asteróides são corpos rochosos com órbita definida em redor do Sol
© D.R.

O maior asteróide aproximar-se da Terra em 2021 passará neste Domingo, porém a cerca de dois milhões de quilómetros de distância, sem qualquer risco de colisão. Mas o evento permitirá que os astrónomos estudem o objecto celestial.

Chamado “2001 FO32” e medindo menos de um quilómetro de diâmetro, gira a 124.000 km/h, “mais rápido que a maioria dos asteróides” passando perto da Terra, de acordo com a NASA.

O corpo rochoso deve passar pelo ponto mais próximo do nosso planeta neste domingo às 16h02 GMT . Estará então a 2.016.158 km da Terra, ou cerca de cinco vezes a distância Terra-Lua.

“Não há risco de colisão com o nosso planeta”, assegura a agência espacial norte-americana. Sua trajectória é, de facto, “suficientemente conhecida e regular” para descartar qualquer perigo, garantem os especialistas do Observatório Paris-PSL.

O grande corpo rochoso é, no entanto, classificado como “potencialmente perigoso”, como todos os asteróides cuja órbita é inferior a 19,5 vezes a distância Terra-Lua e cujo diâmetro é superior a 140 metros.

Interesse científico

Esta categoria é “incansavelmente procurada por astrónomos de todo o mundo para fazer um inventário o mais exaustivo possível”, salienta o Observatório, recordando que o primeiro – e maior – asteróide, Ceres, foi descoberto em 1801.

O asteroide “2001 FO32” foi observado pela primeira vez em 2001 e tem sido objecto de estreita vigilância desde então. Pertence à família “Apollo” de asteróides próximos da Terra, que circundam o Sol em pelo menos um ano e podem cruzar a órbita terrestre.

“Actualmente, pouco se sabe sobre este objecto, então esta passagem próxima nos dá uma oportunidade incrível de aprender muito”, disse Lance Benner, cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, do qual depende o Centro de Estudos de Objectos Próximos à Terra (CNEOS).

De acordo com o CNEOS, “astrónomos amadores no hemisfério sul e em baixas latitudes no norte devem ser capazes de vê-lo”.

“Teremos que esperar até escurecer e armar-nos com um bom telescópio de pelo menos 20 centímetros de diâmetro”, precisou à AFP Florent Delefie, do Observatório de Paris.

“Devemos ver um ponto branco a mover-se como um satélite“, acrescentou o astrónomo.

A trajectória nada tem a ver com a das estrelas cadentes, que são asteróides pequenos que formam uma linha luminosa que divide o céu em uma fracção de segundo.

Nenhum dos grandes asteróides listados tem chance de colidir com a Terra no próximo século.

Diário de Notícias
DN / AFP
21 Março 2021 — 13:28

(artigo relacionado: The largest asteroid of the year will swing by Earth on Sunday. But don’t worry)