4984: Dinossauro encontrado na Patagónia pode ter sido a maior criatura terrestre de sempre

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

PaleoEquii / Wikimedia
Uma reconstrução de dois patagotitanos ao amanhecer.

Ossos de um dinossauro encontrados na Patagónia podem pertencer ao maior animal que alguma vez existiu. Os ossos pertencem a um Titanossauro, uma espécie extinta de dinossauro herbívoro 

Fósseis de um dinossauro gigantesco estão a emergir do solo argentino, na Patagónia, após 98 milhões de anos. Os investigadores acreditam que esta criatura pode ter sido o maior animal terrestre alguma vez encontrado. Os ossos pertencem a um Titanossauro, uma espécie extinta de dinossauro herbívoro que viveu no fim do período Cretáceo, entre 83 e 65 milhões de anos atrás.

Os paleontólogos não encontraram o esqueleto completo do animal, mas pelas vértebras e ossos pélvicos escavados do local é possível perceber a enorme dimensão desta criatura, escreve o jornal britânico The Independent.

Os autores do estudo publicado este mês na revista científica Cretaceous Research acreditam que o animal pode vir de uma população até agora desconhecida de Saurópodes da Patagónia. O parente mais próximo terá sido o Andessauro, que podia atingir os 18 metros de comprimento.

A verdade é que os fósseis encontrados sugerem que este Titanossauro pode ter sido bem maior do que o seu parente mais próximo. Os autores alegam que o novo espécime é “considerado um dos maiores Saurópodes já encontrados, provavelmente ultrapassando o tamanho do patagotitano”.

Paleontólogos acreditam que o patagotitano era até então o maior animal terrestre de sempre. Esta criatura terá pesado quase 60 toneladas e medido 31 metros de comprimento.

“O registo de saurópodes titanossauros sobre-dimensionados tem sido tradicional e extremamente fragmentário, embora descobertas recentes tenham revelado informações anatómicas significativas anteriormente indisponíveis devido a vieses de preservação”, disseram os investigadores.

“O espécime aqui relatado sugere fortemente a coexistência dos maiores e médios titanossauros com rebbachisaurídeos de pequeno porte (uma família de dinossauros saurópodes) no início do Cretáceo Superior na Província de Neuquén”, acrescentaram.

Por Daniel Costa
21 Janeiro, 2021


4983: Cientistas alertam: A Terra está a morrer mais depressa do que se pensava

CIÊNCIA/AMBIENTE/CLIMA

Paulo Cunha / Lusa

A tripla ameaça das alterações climáticas, declínio da biodiversidade e superpopulação está a abater-se sobre o nosso planeta Terra, estando a morrer mais depressa do que pensávamos.

Num artigo publicado, a 13 de Janeiro, na revista científica Frontiers in Conservation Science, um grupo de cientistas alertou para o facto de a Humanidade estar a avançar em direção a um “futuro medonho”, que só pode ser evitado se os líderes mundiais começarem a levar a sério as ameaças ambientais.

Segundo o site Live Science, os 17 investigadores que assinaram o artigo – dos Estados Unidos, México e Austrália – descrevem três grandes ameaças: as alterações climáticas, o declínio da biodiversidade e a superpopulação humana (e consequente consumo excessivo).

Citando mais de 150 estudos científicos, a equipa argumenta que estas três crises – que estão prestes a escalar nas próximas décadas – colocam o planeta Terra numa posição mais precária do que a maioria das pessoas imagina e podem até mesmo colocar a própria raça humana em risco.

Segundo os autores, o objectivo deste novo artigo não é repreender os cidadãos ou alertar que tudo está perdido, mas antes descrever claramente as ameaças para que as pessoas (e esperançosamente os líderes políticos) comecem a levá-las a sério e a planear mudanças, antes que seja tarde demais.

Como será o futuro? Para começar, escreveu a equipa, a natureza será muito mais solitária. Desde o início da agricultura, há 11 mil anos, a Terra perdeu cerca de 50% das suas plantas terrestres e cerca de 20% da sua biodiversidade animal. Se as tendências actuais continuarem, cerca de um milhão das sete a 10 milhões de espécies vegetais e animais pode ficar em risco de extinção.

Essa enorme perda de biodiversidade também perturbaria os principais ecossistemas, havendo menos insectos para polinizar as plantas, menos plantas para filtrar o ar, a água e o solo e, assim sendo, menos florestas para proteger as populações de inundações e de outros desastres.

Ao mesmo tempo, tudo indica que esses mesmos fenómenos que causam desastres naturais irão tornar-se mais fortes e mais frequentes devido às alterações climáticas globais. Esses desastres, juntamente com as secas e o aumento do nível do mar, podem significar que mil milhões de pessoas se tornariam refugiadas até 2050.

A superpopulação humana também só irá dificultar as coisas. “Em 2050, a população mundial provavelmente irá crescerá para cerca de 9,9 mil milhões, com o crescimento projectado para continuar até ao próximo século”, escreveram os autores do estudo.

Este crescimento exacerbado irá agravar os problemas sociais como, por exemplo, a insegurança alimentar e habitacional, o desemprego, a superlotação e as desigualdades. Os investigadores também destacam que maiores populações também aumentam o risco de novas pandemias.

“Se a maioria da população mundial realmente entendeu a magnitude destas crises, e a inevitabilidade de virem a piorar, seria lógico esperar mudanças positivas nas políticas para corresponder à gravidade das ameaças. Mas está a acontecer o oposto”, lamentam os autores do artigo.

Guterres pede a todos os líderes mundiais que declarem estado de emergência climática

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ZAP //

Por ZAP
21 Janeiro, 2021


4982: Cérebros de ateus e de pessoas religiosas são diferentes? Psicólogo português responde

CIÊNCIA/NEUROCIÊNCIA/PSICOLOGIA

Raul Petri / Unsplash

O psicólogo português Miguel Farias, doutorado pela Universidade de Oxford, explica as diferenças entre os cérebros de ateus e de pessoas religiosas descobertas em estudos recentes.

O estudo cognitivo da religião alcançou recentemente uma terra nova e desconhecida: as mentes dos descrentes. Os ateus pensam de forma diferente das pessoas religiosas? Existe algo especial sobre como é que os seus cérebros funcionam? Para ilustrar o que eles descobriram, o psicólogo experimental Miguel Farias concentrou-se em três retratos principais.

Miguel Farias é doutorado pela Universidade de Oxford e professor na Universidade de Coventry. A sua investigação incide sobretudo na área da psicologia da crença e da espiritualidade.

O primeiro retrato, de 2003, é provavelmente o momento mais fotogénico do “neuro-ateísmo”. O biólogo e ateu Richard Dawkins viajou até ao laboratório do neuro-cientista canadiano Michael Persinger na esperança de ter uma experiência religiosa. Neste documentário da BBC Horizon, God on the Brain, um capacete de ficção científica foi colocado na cabeça de Dawkins. Este “capacete de deus” gerou campos magnéticos fracos, aplicados aos lobos temporais.

 

Persinger já tinha mostrado que este tipo de estimulação desencadeava uma ampla gama de fenómenos religiosos. Com Dawkins, porém, a experiência falhou. Como se viu, explicou Persinger, a sensibilidade do lobo temporal de Dawkins era “muito, muito mais baixa” do que é comum na maioria das pessoas.

A ideia de que os lobos temporais podem ser o espaço de experiências religiosas existe desde os anos 1960. Mas esta foi a primeira vez que a hipótese foi alargada para explicar a falta de experiências religiosas baseada na baixa sensibilidade de uma região do cérebro. Apesar da emocionante possibilidade de testar essa hipótese com uma amostra maior de ateus, isso ainda precisa de ser feito.

O segundo retrato leva-nos a 2012. Três artigos publicados por laboratórios nos EUA e Canadá apresentaram as primeiras evidências que associavam um estilo de pensamento analítico e lógico ao ateísmo.

Há muito tempo que psicólogos têm teorizado sobre as diferentes maneiras pelas quais o cérebro processa as informações: consciente vs. inconsciente, reflexivo vs. experimental, analítico vs. intuitivo.

Estes estão associados à actividade em certas áreas do cérebro e podem ser accionados por estímulos, incluindo arte. Os investigadores pediram aos participantes que contemplassem a famosa escultura de Rodin, O Pensador, e então avaliaram o seu pensamento analítico e descrença em Deus.

Eles descobriram que aqueles que viram a escultura tiveram melhor desempenho na tarefa de pensamento analítico e relataram uma menor crença em Deus do que pessoas que não viram a imagem.

Nesse mesmo ano, um laboratório finlandês publicou os resultados de um estudo em que os seus cientistas tentaram provocar os ateus a pensar de forma sobrenatural, apresentando-lhes uma série de contos e perguntando se o moral da história era um “sinal do universo”.

Eles fizeram isto enquanto analisavam os seus cérebros usando imagens de ressonância magnética funcional (fMRI). Quanto mais os participantes suprimiam o pensamento sobrenatural, mais forte era a activação do giro frontal inferior direito. Sabemos que essa área está envolvida na inibição cognitiva, uma capacidade de se abster de certos pensamentos e comportamentos.

Juntos, estes estudos sugerem que os ateus têm uma propensão a envolver-se mais no pensamento analítico ou reflexivo. Se acreditar em deuses é intuitivo, então essa intuição pode ser substituída por um pensamento mais cuidadoso. Esta descoberta certamente levantou a possibilidade de que as mentes dos ateus são simplesmente diferentes das dos crentes.

Crise de replicação

Então, quão robustas são as descobertas? Em 2015, uma “crise de replicação” atingiu o campo da psicologia. Descobriu-se que os resultados de muitos estudos clássicos não podiam ser alcançados ao executá-los novamente. A psicologia da religião e do ateísmo não foi excepção.

A experiência com o Pensador de Rodin foi a primeira a ser investigada. Três novos estudos foram conduzidos com amostras maiores do que o original – e todos eles falharam em replicar os resultados originais. Com uma amostra, eles descobriram exactamente o oposto: contemplar o Pensador aumentou a crença religiosa.

Uma possível limitação dos estudos originais é que todos foram realizados nos EUA. A cultura poderia agir de forma tão decisiva que o estilo cognitivo analítico associado ao ateísmo num país pudesse não existir noutro? O autor do estudo original de Rodin tentou responder a isso num novo estudo que incluiu indivíduos de 13 países. Os resultados confirmaram que um estilo analítico cognitivo só estava associado ao ateísmo em três países: Austrália, Singapura e EUA.

Em 2017, um ensaio clínico em dupla ocultação foi realizado para testar de forma mais robusta a ligação entre descrença e inibição cognitiva. Em vez de usar imagens do cérebro para ver qual área ficava iluminada, eles usaram uma técnica para estimular directamente a área responsável pela inibição cognitiva: o giro frontal inferior direito.

Metade dos participantes, no entanto, recebeu um estímulo falso. Os resultados mostraram que a estimulação cerebral funcionou: os participantes que a obtiveram registaram um desempenho melhor numa tarefa de inibição cognitiva. No entanto, isso não teve efeito na diminuição da crença sobrenatural.

A complexidade do ateísmo

O terceiro retrato é este: um homem está de pé contra um fundo que parece uma igreja. Ele parece estar a fazer o sinal da cruz com a mão direita, enquanto a esquerda repousa sobre o coração.

Ele é um padre – mas não de qualquer igreja que acredita em deuses: ele preside o Templo Positivista da Humanidade, uma igreja para ateus e agnósticos criada por Augusto Comte no século XIX. Este padre não está a fazer o sinal da cruz, mas sim a bênção positivista.

Juntamente com o fotógrafo Aubrey Wade, Miguel Farias deparou-se com este templo activo no sul do Brasil, enquanto recolhia dados para um grande projecto em andamento envolvendo mais de 20 laboratórios em todo o mundo: Understanding Unbelief.

(dr) Aubrey Wade
Bênção positivista.

Encontrar uma igreja activa de incrédulos dedicada ao amor pela humanidade rompeu o modo como o psicólogo português pensava nos ateus e na fronteira que os separava dos religiosos.

Ao fazer experiências com crentes, pode-se usar vários estímulos, de imagens religiosas a música, para desencadear um efeito religioso ou cognição no laboratório. Mas encontrar um equivalente para os ateus é difícil.

Um estudo de imagens cerebrais conduzido na Universidade de Oxford comparou uma imagem da Virgem Maria com a de uma mulher normal, ambas pintadas no mesmo período. Os investigadores descobriram que quando os católicos romanos se concentravam na Virgem Maria enquanto eram submetidos a choques eléctricos, isso aliviava a sua percepção de dor em comparação com olhar para a outra mulher. Esta diminuição da dor foi associada a um envolvimento do córtex pré-frontal ventro-lateral direito, uma região conhecida por conduzir os circuitos inibidores da dor.

Nenhum efeito semelhante foi encontrado para os ateus, embora eles classificassem a imagem secular como mais agradável do que a religiosa. Mas e se os ateus a serem testados fossem membros do Templo Positivista e, em vez disso, vissem uma imagem da sua deusa da humanidade – isso teria aliviado a dor de uma forma semelhante à dos indivíduos religiosos?

A futura ciência cognitiva do ateísmo terá que pensar muito sobre como seguir em frente. É necessário desenvolver modelos que tenham em consideração as variações culturais, bem como considerem as implicações do envolvimento de ateus em rituais que celebram a humanidade.

Por Daniel Costa
21 Janeiro, 2021


4981: Escavações revelam canibalismo azteca durante invasão espanhola

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA/ANTROPOLOGIA

INAH

Centenas de invasores espanhóis capturados na localidade azteca de Tecoaque em 1520 terão sido sacrificados e devorados pelos indígenas, motivando um posterior massacre ordenado pelo “conquistador” Hernan Cortés.

Um estudo publicado pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México, resultado de vários anos de escavações na localidade de Tecoaque – cujo nome, no dialecto indígena Nahuatl, significa “o lugar onde os comeram” – indica que, no ano de 1520, os habitantes locais aprisionaram um destacamento espanhol composto por 15 homens espanhóis, 50 mulheres e 10 crianças, e ainda 45 soldados rasos, entre os quais cubanos de ascendência africana ou indígena, e 350 aliados indígenas.

Todos terão sido aprisionados e sacrificados no espaço de poucos meses, tendo as escavações revelado incisões nos ossos que indicam que a carne terá sido cortada.

Os indígenas também devoraram os cavalos dos invasores, mas, curiosamente, não comeram os suínos, animal que desconheciam, e que os espanhóis transportavam para alimentação.

Os crânios dos homens e mulheres massacrados pelos indígenas foram colocados em exposição e a análise das ossadas revelou que algumas vítimas foram cortadas ao meio e outras desmembradas, incluindo crianças, aparentemente em sacrifício religioso.

Um homem espanhol foi desmembrado e incinerado, replicando o mítico destino dos deuses aztecas, em particular o do “Quinto Sol”.

O destacamento, que seguia para a capital azteca, Tenochtitlan, terá sido enviado de Cuba depois de um primeiro, liderado pelo comandante das forças espanholas, Hernan Cortés, em 1519.

Em 1521, quando estava a combater uma sublevação próxima do que é hoje a Cidade do México, Cortes tomou conhecimento do sucedido e ordenou a Gonzalo de Sandoval que destruísse a localidade azteca como retaliação.

De acordo com o arqueólogo Enrique Martinez Vargas, os habitantes de Tecoaque terão sabido da aproximação das forças espanholas e esconderam em poços rasos os ossos das vítimas, alguns dos quais tinham sido usados para fazer troféus.

Vencida pelos invasores a resistência dos guerreiros aztecas, restaram as mulheres e crianças, que foram as principais vítimas do massacre que se seguiu, segundo o Instituto, que identificou as ossadas de 12 mulheres que estariam a proteger 10 crianças, com idades entre os 5 e 6 anos.

“Mulheres e crianças que estavam abrigadas dentro de habitações foram mutiladas, conforme evidenciado pela descoberta de incisões nos ossos. Os templos foram queimados e as estátuas decapitadas”, refere o Instituto no estudo publicado esta semana.

Cortés viria a arrasar a capital azteca mais tarde nesse mesmo ano, concluindo a conquista da nação indígena sul-americana.

Para marcar os 500 anos da Conquista espanhola, o México realiza ao longo de 2021 uma série de conferências académicas e lançamento de estudos científicos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
20 Janeiro, 2021


4980: Centenas de estrelas nasceram ao mesmo tempo (e organizaram-se numa rara fila à volta da Via Láctea)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

R. Hurt, SSC & Caltech / JPL-Caltech / NASA

A Via Láctea abriga 8.292 fluxos estelares descobertos recentemente. Porém, Theia 456 é especial: um fluxo estelar é um padrão linear raro – em vez de um aglomerado – de estrelas.

Depois de combinar vários conjuntos de dados capturados pelo telescópio espacial Gaia, uma equipa de astrofísicos descobriu que todas as 468 estrelas do Theia 456 nasceram ao mesmo tempo e estão a viajar na mesma direcção no céu.

“A maioria dos aglomerados estelares forma-se em conjunto”, disse Jeff Andrews, astrofísico da Northwestern University, em comunicado. “O que é empolgante sobre o Theia 456 é que não é um pequeno aglomerado de estrelas juntas. É longo e esticado. Existem relativamente poucos fluxos próximos, jovens e tão amplamente dispersos”.

Enquanto que os investigadores já sabem há muito tempo que as estrelas se formam em grupos, a maioria dos aglomerados conhecidos tem uma forma esférica. Porém, recentemente, os astrofísicos começaram a encontrar novos padrões no céu e acreditam que longas cadeias de estrelas já foram aglomerados compactos, gradualmente separados e esticados pelas forças das marés.

“À medida que começamos a tornarmo-nos mais avançados na nossa instrumentação, tecnologia e capacidade de minerar dados, descobrimos que as estrelas existem em mais estruturas do que aglomerados”, disse Andrews. “Costumam formar estes fluxos no céu. Embora já saibamos sobre eles há décadas, estamos a começar a encontrar os que estão escondidos”.

Estendendo-se por mais de 500 anos-luz, Theia 456 é um desses fluxos ocultos. Por residir no plano galáctico da Via Láctea, é facilmente perdido no cenário de 400 mil milhões de estrelas da galáxia. A maioria dos fluxos estelares são encontrados noutras partes do universo por telescópios apontados para longe da Via Láctea.

“Temos a tendência de focar os nossos telescópios noutras direcções porque é mais fácil encontrar as coisas”, disse Andrews. “Agora estamos a começar a encontrar estes fluxos na nossa própria galáxia. É como encontrar uma agulha num palheiro”.

Identificar e examinar essas estruturas é um desafio da ciência de dados. Algoritmos de inteligência artificial vasculharam enormes conjuntos de dados estelares para encontrar essas estruturas. Em seguida, Andrews desenvolveu algoritmos para cruzar esses dados com catálogos pré-existentes de abundância de ferro de estrelas documentadas.

Andrews e a sua equipa descobriram que as 468 estrelas em Theia 456 tinham abundância de ferro semelhante, o que significa que as estrelas provavelmente se formaram juntas há 100 mil milhões de anos.

Adicionando mais evidências a esta descoberta, os cientistas examinaram um conjunto de dados de curvas de luz, que captura como o brilho das estrelas muda ao longo do tempo. “Isso pode ser usado para medir a velocidade com que as estrelas estão a girar”, disse o astrofísico Marcel Agüeros. “Estrelas com a mesma idade devem mostrar um padrão distinto nas suas taxas de rotação.”

Com a ajuda de dados do Transiting Exoplanet Survey Satellite da NASA e do Zwicky Transient Facility – que produziram curvas de luz para estrelas em Theia 456 – Andrews e os colegas determinaram que as estrelas no fluxo partilham uma idade comum.

A equipa também descobriu que as estrelas estão a mover-se juntas na mesma direcção.

“Se se sabe como as estrelas se movem, podemos voltar atrás para descobrir de onde as estrelas vieram”, disse Andrews. “À medida que avançávamos no relógio, as estrelas ficavam cada vez mais próximas. Então, pensámos que todas as estrelas nasceram juntas e têm uma origem comum”.

Para Andrews, combinar conjuntos de dados e mineração de dados é essencial para compreender o Universo que nos cerca.

Esta descoberta foi apresentada numa conferência de imprensa virtual no 237º encontro da American Astronomical Society.

Por Maria Campos
21 Janeiro, 2021


4979: Raro Planeta “algodão doce” está a intrigar os astrónomos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A procura constante por respostas leva os astrónomos a novas descobertas, algumas delas que contrariam completamente o conhecimento que se julgava seguro. Por exemplo, existe uma categoria rara de planetas, denominada “superpuff” ou “algodão doce”, que intriga os astrónomos. Isto é, são mundos gigantes, cobertos por um imenso envelope de gases que lhes conferem um tamanho incrível. Contudo, estes pesos plumas têm muito baixa densidade, uma vez que têm núcleos sólidos menores do que os de Júpiter e Saturno, os nossos gigantes gasosos.

Um caso que está a desafiar particularmente a comunidade científica é o exoplaneta gigante WASP-107b.

Exoplaneta gigante que é uma bola de algodão doce

O colossal exoplaneta gigante WASP-107b foi descoberto em 2017. No entanto, os cientistas acabam de descobrir que o WASP-107b tem uma peculiaridade que o torna único dentro do seu já estranho tipo. Assim, percebeu-se que a sua massa é muito inferior ao que se pensava ser necessário para criar a enorme camada de gás que a rodeia.

Esta intrigante descoberta sugere que os planetas gigantes a gás são formados de forma muito mais fácil do que se pensava anteriormente.

Tão grande como Júpiter, mas 10 vezes mais leve

O exoplaneta WASP-107b foi detectado pela primeira vez em 2017 à volta da sua estrela, baptizada de WASP-107. Conforme foi à data catalogada, a estrela está a cerca de 212 anos-luz da Terra na constelação Virgo. Assim, percebeu-se que este exoplaneta está muito próximo da sua estrela, mais de 16 vezes que a Terra está do Sol.

Portanto, este é um astro tão grande como Júpiter, contudo, 10 vezes mais leve. WASP-107b é um dos exoplanetas menos densos conhecidos.

Quem descobriu este peculiar planeta foi a estudante Caroline Piaulet do Instituto de Investigação Exoplanet (iREx) da Universidade de Montreal (UdeM) no Canadá. Ela e a sua equipa utilizaram pela primeira vez as observações WASP-107b obtidas no Observatório Keck no Havai para avaliar a sua massa com maior precisão.

Os investigadores utilizaram o método da velocidade radial, que permite determinar a massa de um planeta através da observação do movimento de oscilação da sua estrela hospedeira pela atracção gravitacional do planeta. Foi assim que concluíram que a densidade deste planeta do tipo “algodão doce” é cerca de um décimo da de Júpiter.

Método da velocidade radial. Quando a estrela se afasta de nós, o seu espectro desloca-se para o vermelho e quando se aproxima, para o azul. Crédito: Las Cumbres Observatory.

Depois de uma análise para determinar a sua estrutura interna mais provável, chegaram à surpreendente conclusão. Afinal a densidade é tão baixa que o planeta deve ter um núcleo sólido que não deverá ser mais do que quatro vezes a massa da Terra.

Assim, isto significa que mais de 85% da sua massa provém da espessa camada de gás que envolve o núcleo. Em comparação, Neptuno, que tem uma massa semelhante ao WASP-107b, tem apenas 5% a 15% da sua massa total na sua camada de gás.

Tínhamos muitas perguntas sobre o WASP-107b. Como poderia um planeta de tão baixa densidade ter-se formado, e como impediu que a sua enorme camada de gás escapasse, especialmente dada a proximidade do planeta à sua estrela? Isto levou-nos a realizar uma análise mais profunda para determinar a sua história de formação.

Disse Caroline Piaulet.

Um gigante do gás em concepção

Os planetas formam-se no disco de poeiras e gás que envolve uma estrela jovem, chamado disco protoplanetário. Os modelos clássicos de formação de planeta gigante a gás baseiam-se no que sabemos de Júpiter e Saturno. Estas teorias afirmam que é preciso um núcleo sólido pelo menos 10 vezes mais maciço do que a Terra para acumular uma grande quantidade de gás antes do disco se dissipar, porque sem ele não seria possível acumular e reter estes grandes projécteis de gás.

Então como explica a existência do WASP-107b?

A professora da Universidade McGill Eve Lee, uma especialista mundial em planetas como o WASP-107b, tem uma hipótese.

Para o WASP-107b, o cenário mais plausível é que o planeta se formou longe da estrela, onde o gás no disco é suficientemente frio para que a acumulação de gás possa ocorrer muito rapidamente. Mais tarde, o planeta pode ter migrado para a sua posição actual, quer através de interacções com o disco, quer com outros planetas do sistema.

Um segundo planeta de algodão doce: WASP-107c

As observações desta investigação levaram também a uma descoberta adicional que seria fundamental para a teoria da investigadora. Segundo ela, deverá existir um segundo planeta, o WASP-107c. Este terá uma massa de cerca de um terço da de Júpiter, consideravelmente maior do que a de WASP-107b.

Este novo planeta está muito mais longe da estrela central. Conforme refere o estudo, este precisa de três anos para completar uma órbita à sua volta, enquanto o WASP-107b leva 5,7 dias. Além disso, os astrónomos descobriram que tem uma órbita muito excêntrica, o que significa que a sua trajectória em torno da sua estrela é mais oval do que circular.

Para além da história da sua formação, existem ainda muitos mistérios em torno do WASP-107b. Estudos da atmosfera do planeta com o Telescópio Espacial Hubble publicados em 2018 revelaram uma surpresa: contém muito pouco metano.

Além disso, sabe-se também que devido à sua densidade ser tão pequena, não consegue reter a sua atmosfera, que é lenta, mas inexoravelmente “arrancada” pelas interacções com a sua própria estrela-mãe. Os cientistas calcularam que o WASP-107b perde entre 0,1 e 0,4% da sua massa a cada mil milhões de anos, e que a maior parte dessa massa perdida é projectada para o seu lado nocturno. Então, esse fenómeno leva à formação de uma enorme cauda que é três a cinco vezes maior do que o próprio planeta, o que levou ao seu apelido de “super-cometa”.

Portanto, para já não haverá muito mais que se possa apurar. Contudo, com o lançamento do telescópio espacial James Webb, os astrónomos acreditaram que serão capazes de obter mais informação para resolver os enigmas que estes planetas “de algodão doce” ainda contêm.

O estudo foi publicado no Astronomical Journal.

Pplware
Autor: Vítor M.
20 Jan 2021


4977: Matéria escura? Raios-X ao redor das “Magníficas 7” podem ser rastos de uma misteriosa partícula

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

University of Michigan

Uma equipa de cientistas descobriu que os misteriosos raios-X detectados em estrelas de neutrões próximas podem ser a primeira evidência de axiões, partículas hipotéticas que podem ajudar a desvendar segredos sobre a matéria escura.

Existem muitos tipos de partículas que constituem a matéria no Universo. Os mais comuns são protões, neutrões e electrões. Essas partículas colidem umas com as outras em certos ambientes, como dentro do núcleo de uma estrela ou em aceleradores de partículas construídos por cientistas na Terra.

Os axiões há muito tempo são esquivos para os físicos porque estão “a interagir fracamente”, o que significa que raramente colidem com outras partículas e, em vez disso, frequentemente passam por elas.

“O axião foi proposto pela primeira vez no final dos anos 1970 para resolver este problema chamado de problema de CP forte, o que significa que as distribuições de carga eléctrica negativa e positiva dentro do neutrão estão centradas em torno do mesmo ponto”, disse Christopher Dessert, investigador da Universidade do Michigan, em comunicado. “Na década seguinte, descobriu-se que, se o axião existisse, também poderia ser matéria escura.”

Teoricamente, os axiões podem ser criados por outras partículas em colisão ou existem naturalmente como matéria escura, que os físicos acreditam que constitui uma grande percentagem do Universo que não conseguimos ver directamente.

A descoberta de axiões responderia a muitas perguntas sobre a matéria escura e outros mistérios da física de partículas. Os axiões também são previstos pela teoria das cordas – a ideia de que todas as forças e partículas do Universo estão ligadas como parte da mesma estrutura.

“Encontrar axiões tem sido um dos maiores esforços na física de partículas de alta energia, tanto em teoria quanto em experimentos”, disse Raymond Co, ex-investigador da Universidade de Michigan. “Achamos que axiões podem existir, mas ainda não os descobrimos. Podemos pensar em axiões como partículas fantasmas. Pode estar em qualquer lugar do Universo, mas não interagem fortemente connosco, por isso não temos nenhuma observação deles ainda”.

Em 2019, a equipa liderada por Benjamin Safdi, que trabalha no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, observou um aumento misterioso e inexplicável nos raios-X emitidos pelas “Magníficas Sete” (Magnificent Seven) – várias estrelas de neutrões, que são estrelas extremamente densas compostas principalmente de neutrões.

Estas estrelas – núcleos em colapso de estrelas massivas mortas que morreram numa super-nova – não estão agrupadas num grupo, mas partilham várias características em comum: todas são estrelas de neutrões isoladas de cerca de meia-idade, algumas centenas de milhares de anos desde a morte estelar.

Recentemente, a equipa propôs que esses raios-X extras são causados ​​por axiões a ser produzidos nos núcleos das estrelas de neutrões.

Os cientistas usaram uma teoria proposta anteriormente sobre axiões para explicar este fenómeno. A teoria afirma que os axiões são produzidos no núcleo de uma estrela de neutrões como subprodutos da colisão de neutrões e protões. As partículas disparam para o forte campo magnético da estrela, onde são convertidas em fotões – partículas de luz – que constituem os raios-X detectados pelos telescópios na Terra.

Como os axiões carregam muito mais energia do que os fotões que as estrelas de neutrões normalmente emitem, os fotões produzidos a partir dos axiões produziriam mais energia, explicando o aumento inesperado dos raios-X.

Os investigadores dizem que este estudo não estabelece definitivamente a existência do axião, mas fornece evidências convincentes para isso.

“Mas passamos muito tempo naquele primeiro estudo, a verificar se o sinal que estávamos a ver é real e estamos muito, muito confiantes de que é”, disse Dessert. “No que diz respeito a saber se é um axião, pode ser um novo processo astrofísico na estrela de neutrões que não conhecemos. Mas é certamente consistente com a existência de um axião a fazer este sinal”.´

Se o excesso é produzido por axiões, a maior parte da radiação deve ser emitida com energias mais altas do que o XMM-Newton e o Chandra são capazes de detectar. A equipa espera usar um telescópio mais novo, o NuSTAR da NASA, para observar as Magníficas Sete numa faixa mais ampla de comprimentos de onda.

Estrelas anãs brancas magnetizadas podem ser outro lugar para procurar a emissão de axiões. Como as Magníficas Sete, estes objectos têm fortes campos magnéticos e não se espera que produzam forte emissão de raios-X.

Este estudo foi publicado na semana passada na revista científica Physical Review Letters.

Por Maria Campos
20 Janeiro, 2021


4976: Muito mais do que tabaco. Cientistas identificam drogas tomadas pelos maias em recipientes antigos

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA

Washington State University

Uma equipa de cientistas da Washington State University identificou a presença de planta que não é do tabaco em recipientes de drogas dos antigos maias.

Os investigadores detectaram “marigold mexicana” (Tagetes lucida) em resíduos retirados de 14 vasos de cerâmica. Originalmente enterrados há mais de mil anos na península mexicana de Yucatán, os vasos também contêm vestígios químicos presentes em dois tipos de tabaco seco e curado, Nicotiana tabacum e N. rustica.

A equipa, liderada pelo antropólogo Mario Zimmermann, acredita que a marigold mexicana era misturada com o tabaco para tornar o ato de fumar mais agradável.

“Embora tenha sido estabelecido que o tabaco era normalmente usado nas Américas antes e depois do contacto, as evidências de outras plantas usadas para fins medicinais ou religiosos permaneceram amplamente inexploradas”, disse Zimmermann, em comunicado. “Os métodos de análise desenvolvidos em colaboração entre o Departamento de Antropologia e o Instituto de Química Biológica dão-nos a capacidade de investigar o uso de drogas no mundo antigo como nunca antes.”

Neste trabalho, foi usado um novo método de análise baseado em metabolómica que pode detectar milhares de compostos de plantas ou metabólitos em resíduos colhidos de recipientes, canos, tigelas e outros artefactos arqueológicos. Os compostos podem ser usados ​​para identificar que plantas eram consumidas.

Anteriormente, a identificação de resíduos de plantas antigas dependia da detecção de um número limitado de biomarcadores, como nicotina, anabasina, cotinina e cafeína.

“O problema com isso é que, embora a presença de um biomarcador como a nicotina mostre que o tabaco foi fumado, não diz o que mais foi consumido ou armazenado no artefacto”, disse David Gang, professor do Instituto de Química Biológica da Washington State University. “A nossa abordagem não só dizem, sim, encontrámos a planta na qual está interessado, mas também pode dizer o que mais estava a ser consumido.”

Zimmermann ajudou a desenterrar dois dos vasos cerimoniais que foram usados ​​para a análise na primavera de 2012. Na época, estava a trabalhar numa escavação dirigida pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México nos arredores de Mérida, onde um empreiteiro descobriu evidências de um sítio arqueológico maia enquanto limpava terras para um novo conjunto habitacional.

A equipa de arqueólogos usou equipamento GPS para dividir a área numa grade semelhante a um tabuleiro de xadrez. Depois, abriram caminho através da densa selva em busca de pequenos montes e outros sinais reveladores de edifícios antigos onde os restos mortais de pessoas importantes como os xamãs às vezes são encontrados.

“Quando se encontra algo realmente interessante, como um recipiente intacto, isso dá uma sensação de alegria”, disse Zimmermann. “Existem literalmente toneladas de fragmentos de cerâmica, mas os recipientes completos são escassos e oferecem um potencial de pesquisa muito interessante”.

A equipa está actualmente em negociações com várias instituições no México para obter acesso a recipientes mais antigos da região que possam analisar em busca de resíduos vegetais. Outro projecto que estão a desenvolver actualmente passa por examinar resíduos orgânicos preservados na placa dentária de restos humanos antigos.

“Estamos a expandir as fronteiras da ciência arqueológica para que possamos investigar melhor as relações de tempo profundas que as pessoas tiveram com uma ampla gama de plantas psicoactivas, que foram (e continuam a ser) consumidas por humanos em todo o mundo”, disse Shannon Tushingham, professor de antropologia na Washington State University. “Existem muitas formas engenhosas pelas quais as pessoas gerem, usam, manipulam e preparam plantas nativas e misturas de plantas, e os arqueólogos estão apenas a começar a arranhar a superfície de quão antigas essas práticas eram.”

A descoberta do conteúdo dos recipientes pinta uma imagem mais clara das práticas de uso de drogas dos antigos maias. Este estudo, que foi publicado na semana passada na revista científica Scientific Reports, também abre caminho para estudos futuros que investiguem outros tipos de plantas psicoactivas e não psicoactivas que eram fumadas, mastigadas ou inaladas entre os maias e outras sociedades pré-colombianas.

Por Maria Campos
20 Janeiro, 2021


4975: Humans could move to this floating asteroid belt colony in the next 15 years, astrophysicist says

Should we build a ‘megasatellite’ of human habitats around the dwarf planet Ceres? It’s more plausible than it sounds.

This NASA illustration depicts an O’Neill Cylinder: a floating human habitat orbiting an alien planet. A new paper proposes building a mega-colony of them around the dwarf planet, Ceres.
(Image: © Rick Guidice courtesy of NASA)

Now more than ever, space agencies and starry-eyed billionaires have their minds fixed on finding a new home for humanity beyond Earth’s orbit. Mars is an obvious candidate, given its relatively close proximity, 24-hour day/night cycle and CO2-rich atmosphere. However, there’s a school of spacefaring thought that suggests colonizing the surface of another planet — any planet — is more trouble than it’s worth.

Now, a new paper published Jan. 6 date to the preprint database arXiv offers a creative counter-proposal: Ditch the Red Planet, and build a gargantuan floating habitat around the dwarf planet Ceres, instead.

In the paper, which has not yet been peer-reviewed, astrophysicist Pekka Janhunen of the Finnish Meteorological Institute in Helsinki describes his vision of a “megasatellite” of thousands of cylindrical spacecrafts, all linked together inside a disk-shaped frame that permanently orbits Ceres — the largest object in the asteroid belt between Mars and Jupiter. Each of these cylindrical habitats could accommodate upwards of 50,000 people, support an artificial atmosphere and generate an Earth-like gravity through the centrifugal force of its own rotation, Janhunen wrote. (This general idea, first proposed in the 1970s, is known as an O’Neill cylinder).

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But why Ceres? Its average distance from Earth is comparable to that of Mars, Janhunen wrote, making travel relatively easy — but the dwarf planet also has a big elemental advantage. Ceres is rich in nitrogen, which would be crucial in developing the orbiting settlement’s atmosphere, Janhunen said (Earth’s atmosphere is roughly 79% nitrogen.) Rather than building a colony on the surface of the tiny world — Ceres has a radius roughly 1/13th that of Earth — settlers could utilize space elevators to transfer raw materials from the planet directly up to their orbiting habitats.

This orbital lifestyle would also address one of the biggest caveats Janhunen sees in the idea of a Martian surface colony: the health impacts of low gravity.

“My concern is that children on a Mars settlement would not develop to healthy adults (in terms of muscles and bones) due to the too-low Martian gravity,” Janhunen told Live Science in an email. “Therefore, I searched for [an] alternative that would provide [Earth-like] gravity but also an interconnected world.”

Even so, Janhunen’s proposal comes with its own caveats that could work against a successful Ceres colony, an outside researcher pointed out.

This NASA illustration shows what the interior of an O’Neill Cylinder could look like. Each habitat would have an artificial atmosphere, Earth-like gravity and a mix of urban and agricultural space. (Image credit: Rick Guidice courtesy of NASA)

Welcome to disk-world

According to Janhunen’s proposal, each cylinder of the Ceres megasatellite would produce its own gravity through rotation; each cylindrical habitat would measure about 6.2 miles (10 kilometers) long, have a radius of 0.6 miles (1 km) and complete a full rotation every 66 seconds to generate the centrifugal force needed to simulate Earth-like gravity.

A single cylinder could comfortably hold about 57,000 people, Janhunen said, and would be held in place next to its neighboring cylinders through powerful magnets, like those used in magnetic levitation.

Janhunen’s megasatellite would include a disk of interconnected habitat cylinders (center), flanked on both sides by massive mirrors to angle sunlight into the colony. (Image credit: Pekka Janhunen)

That interconnectedness points to the other big advantage of megasatellite living, Janhunen said: New habitat cylinders could be added onto the edges of the colony indefinitely, allowing for near unlimited expansion.

“Mars’ surface area is smaller than Earth’s, and consequently it cannot provide room for significant population and economic expansion,” Janhunen told Live Science. A Ceres colony, on the other hand, “is growable from one to millions of habitats.”

Seeing the light

Beyond the cylinders and their massive disk frame, the colony’s main features will be two enormous glass mirrors, angled at 45 degrees relative to the disk in order to reflect just enough natural sunlight into each habitat. Part of each cylinder will be devoted to growing crops and trees, planted in a 5-foot-thick (1.5 meters) bed of soil derived from raw materials from Ceres, Janhunen wrote. The natural sunlight should keep them growing strong. (The “urban” part of each cylinder, meanwhile, would rely on artificial light to simulate an Earth-like day/night cycle. Janhunen does not stipulate where the settlement’s oxygen comes from.)

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This society of floating, cylindrical utopias may sound a bit outlandish, but it has its proponents. In 2019, Jeff Bezos (Amazon CEO and founder of the private space company Blue Origin) spoke at a Washington, D.C., event about the merits of building “O’Neill colonies” similar to the one Janhunen describes here. Bezos was skeptical that such a colony could exist in our lifetime, asking the audience, “How are we going to build O’Neill colonies? I don’t know and no one in this room knows.”

However, Janhunen is more optimistic. In an email to Live Science, he said that the first human settlers could start heading to Ceres within the next 15 years.

The future is bright when you live in a habitat cylinder millions of miles from Earth. (Image credit: Don Davis courtesy of NASA)

Next year on Ceres?

Manasvi Lingam, an assistant professor of astrobiology at the Florida Institute of Technology who studies planet habitability, said that the Ceres proposal presents a “plausible alternative” to colonizing the surface of Mars or the Moon, but still lacks some key considerations.

“I would say there are three main caveats,” Lingam, who was not involved with the paper, told Live Science. “The first is a question of other essential elements, other than nitrogen.”

One key element that isn’t mentioned in the paper is phosphorus, Lingam said. The human body relies on phosphorus to create DNA, RNA and ATP (a vital form of energy storage in cells). All organisms on Earth — including any plants colonists might hope to grow in their floating habitats — need it in one way or another, but Janhunen’s proposal doesn’t address where or how this critical element would be obtained.

The second caveat is the technology, Lingam said. Collecting nitrogen and other raw materials from Ceres would require mining the planet’s surface and extracting those crucial elements from the rocks themselves. This operation likely wouldn’t be possible without a fleet of autonomous mining vehicles ready to deploy on Ceres, plus satellites to guide them to the most viable nutrient-rich deposits. The idea is plausible, Lingam said, but technologically, we aren’t there yet; just recently (on Jan. 15), a NASA Mars robot was declared dead after it failed to bury itself just 16 feet (5 meters) into the Martian surface, terminating a two-year mission.

Those technological limitations point to Lingam’s third caveat, which is the proposed time frame. Janhunen’s proposal suggests that the megasatellite’s first cluster of orbiting habitats could be completed 22 years after mining begins on Ceres. But this estimate assumes the settlement’s available power supply grows exponentially each year, beginning immediately and never stalling due to technological or logistical problems. That estimate “isn’t inconceivable,” Lingam said, but shouldn’t be taken for granted.

“That timescale of 22 years might be the lower bound under optimal conditions, but I’d argue that the real timescale could be a lot longer,” Lingam said.

Originally published on Live Science.
By Brandon Specktor – Senior Writer
20/01/2021


Investigadores “voltam atrás no tempo” para calcular idade e local de explosão de super-nova

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Este retrato pelo Telescópio Espacial Hubble revela os remanescentes gasosos de uma estrela massiva que explodiu há aproximadamente 1700 anos. O cadáver estelar, um remanescente de super-nova chamado 1E 0102.2-7219, conheceu o seu fim na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea.
Crédito: NASA, ESA e J. Banovetz e D. Milisavljevic (Universidade Purdue)

Os astrónomos estão a “voltar atrás no tempo” num remanescente de super-nova. Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA, refizeram o percurso dos estilhaços velozes da explosão a fim de calcular uma estimativa mais precisa da localização e do momento da detonação estelar.

A vítima é uma estrela que explodiu há muito tempo na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea. A estrela condenada deixou para trás um cadáver gasoso em expansão, um remanescente de super-nova chamado 1E 0102.2-7219, que o Observatório Einstein da NASA descobriu pela primeira vez em raios-X. Como detectives, os investigadores vasculharam imagens de arquivo obtidas pelo Hubble, analisando observações no visível obtidas com 10 anos de intervalo.

A equipa de investigação, liderada por John Banovetz e Danny Milisavljevic da Universidade Purdue em West Lafayette, no estado norte-americano do Indiana, mediu as velocidades de 45 aglomerados de material em forma de girino, ricos em oxigénio, ejectados pela explosão de super-nova. O oxigénio ionizado é um excelente rastreador porque brilha mais forte no visível.

Para calcular uma idade precisa da explosão, os astrónomos escolheram os 22 aglomerados de ejecção mais rápidos, ou nós. Os cientistas determinaram que estes alvos eram os menos prováveis de verem a sua velocidade diminuída pela passagem pelo material interestelar. Então traçaram o movimento dos nós para trás no tempo até que o material ejectado se aglutinasse num ponto, identificando o local da explosão. Uma vez conhecido, puderam calcular o tempo necessário para os nós velozes viajarem do centro da explosão até à sua posição actual.

De acordo com a sua estimativa, a luz da explosão chegou à Terra há 1700 anos, durante o declínio do Império Romano. No entanto, a super-nova só seria visível para os habitantes do Hemisfério Sul. Infelizmente, não existem registos conhecidos deste evento titânico.

Os resultados dos investigadores diferem das observações anteriores do local da explosão de super-nova e da idade. Estudos anteriores, por exemplo, chegaram a idades da explosão de 2000 e 1000 anos. No entanto, Banovetz e Milisavljevic dizem que a sua análise é mais robusta.

“Um estudo anterior comparou imagens obtidas com anos de intervalo e com duas câmaras do Hubble, a WFPC2 (Wide Field Planetary Camera 2) e a ACS (Advanced Camera for Surveys),” disse Milisavljevic. “Mas o nosso estudo compara dados obtidos com a mesma câmara, a ACS, tornando a comparação muito mais robusta; os nós foram muito mais fáceis de rastrear usando o mesmo instrumento. É um testamento da longevidade do Hubble, termos conseguido fazer uma comparação tão limpa de imagens tiradas com 10 anos de diferença.”

Os astrónomos também aproveitaram as imagens nítidas do instrumento ACS para seleccionar quais os aglomerados de material ejectado para análise. Em estudos anteriores, os investigadores calcularam a média da velocidade de todos os detritos gasosos para calcular a idade da explosão. No entanto, os dados do ACS revelaram regiões onde o material ejectado desacelerou porque estava a chocar com o material mais denso “derramado” pela estrela antes de explodir como super-nova. Os cientistas não incluíram estes nós na amostra. Precisavam do material ejectado que melhor reflectisse as suas velocidades originais da explosão, usando-os para determinar uma estimativa precisa da idade da explosão de super-nova.

O Hubble também cronometrou a velocidade de uma estrela de neutrões suspeita – o núcleo esmagado da estrela condenada – que foi expelida pela explosão. Com base nas suas estimativas, a estrela de neutrões deve estar a mover-se a mais de 3,2 milhões de quilómetros por hora do centro da explosão para chegar à sua posição actual. A estrela de neutrões suspeita foi identificada em observações com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile, em combinação com dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA.

“É um valor bastante elevado e no extremo de quão rápido pensamos que uma estrela de neutrões pode mover-se, mesmo tendo recebido um ‘pontapé’ da explosão de super-nova,” disse Banovetz. “Investigações mais recentes questionam se o objecto é realmente a estrela de neutrões sobrevivente da explosão de super-nova. É potencialmente apenas um amontoado compacto do material ejectado pela super-nova que foi iluminado, e os nossos resultados geralmente apoiam esta conclusão.”

Portanto, a caça à estrela de neutrões ainda está em andamento. “O nosso estudo não resolve o mistério, mas dá uma estimativa da velocidade da estrela de neutrões candidata,” disse Banovetz.

Astronomia On-line
19 de Janeiro de 2021


4973: Investigação planetária encontra mundo em sistema triplo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração mostra o planeta KOI-5Ab a transitar uma estrela semelhante ao Sol, parte de um sistema estelar triplo localizado a 1800 anos-luz de distância na direcção da constelação de Cisne.
Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)

Pouco depois da missão Kepler da NASA ter começado operações em 2009, o telescópio espacial avistou o que se pensava ser um planeta com metade do tamanho de Saturno num sistema estelar múltiplo. KOI-5Ab foi apenas o segundo candidato a planeta a ser encontrado pela missão e, por mais excitante que fosse na época, acabou sendo posto de lado enquanto o Kepler acumulava cada vez mais descobertas exoplanetárias.

No final das operações da missão, em 2018, o Kepler havia descoberto uns colossais 2.394 exoplanetas, planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol, e 2.366 candidatos a exoplanetas adicionais que ainda precisavam de confirmação.

“KOI-5Ab foi abandonado porque era complicado e tínhamos milhares de candidatos,” disse David Ciardi, cientista-chefe do NExScI (NASA Exoplanet Science Institute). “Havia escolhas mais fáceis do que KOI-5Ab e estávamos a aprender algo novo com o Kepler todos os dias, de modo que KOI-5 foi praticamente esquecido.”

Agora, após uma longa caça que durou muitos anos e envolveu muitos telescópios, Ciardi disse que “ressuscitou KOI-5Ab dos mortos”. Graças a novas observações com a segunda missão de caça exoplanetária da NASA, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), e com uma série de telescópios terrestres, Ciardi foi finalmente capaz de desvendar todas as evidências em torno de KOI-5Ab e de provar a sua existência. Existem alguns detalhes intrigantes a ponderar sobre este planeta.

Muito provavelmente um planeta gigante gasoso como Júpiter ou Saturno no nosso Sistema Solar, tendo em conta o seu tamanho, KOI-5Ab é invulgar porque orbita uma estrela num sistema com outras duas estrelas companheiras, vagueando num plano que está desalinhado com pelo menos uma das estrelas. O arranjo questiona como cada membro neste sistema se formou a partir das mesmas nuvens rodopiantes de gás e poeira. Ciardi, do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, apresentou os seus achados numa reunião virtual da Sociedade Astronómica Americana.

“Não sabemos de muitos planetas que existem em sistemas estelares triplos, e este é muito especial porque a sua órbita é enviesada,” disse Ciardi. “Ainda temos muitas dúvidas sobre como e quando os planetas se formam em sistemas estelares múltiplos e como as suas propriedades se comparam a planetas em sistemas com uma estrela. Ao estudar este sistema em mais detalhe, talvez possamos obter uma visão de como o Universo produz planetas.”

Pegando nas pistas

Após a sua detecção inicial pelo Kepler, Ciardi e outros investigadores pegaram nas pistas de KOI-5Ab como parte de uma cache de candidatos a exoplaneta que estavam a acompanhar. Usando dados do Observatório W. M. Keck no Hawaii, do Observatório Palomar do Caltech perto de San Diego, e do Gemini Norte no Hawaii, Ciardi e outros astrónomos determinaram que KOI-5Ab parecia estar a orbitar uma estrela num sistema estelar triplo. No entanto, ainda não conseguiam descobrir se o sinal do planeta era na verdade uma falha errónea de uma das outras duas estrelas ou, caso o planeta fosse real, qual das estrelas orbitava.

Então, em 2018, surgiu o TESS. Tal como o Kepler, o TESS procura o “piscar” da luz estelar produzido pelo trânsito de um exoplaneta, isto é, quando este passa em frente da sua estrela hospedeira a partir do ponto de vista do Sistema Solar. O TESS observou uma parte do campo de visão do Kepler, incluindo o sistema KOI-5. Bem dito, bem feito: o TESS também identificou KOI-5Ab como um candidato a exoplaneta, embora o TESS o denomine TOI-1241b. Assim como o Kepler havia observado anteriormente, o TESS descobriu que o planeta completava uma órbita em torno da sua estrela aproximadamente a cada cinco dias.

“Pensei comigo mesmo, ‘Eu lembro-me deste alvo,'” observou Ciardi, depois de ver os dados do TESS. “Mas ainda não era possível determinar definitivamente se o planeta era real ou se o ‘blip’ nos dados vinha de outra estrela no sistema – podia ser uma quarta estrela.”

Pistas nas oscilações

Ele voltou então a reanalisar todos os dados, e procurou novas pistas com telescópios terrestres. Utilizando uma técnica alternativa à do Kepler e do TESS, o Observatório Keck é frequentemente usado para observações de acompanhamento de exoplanetas, medindo a leve oscilação numa estrela enquanto um planeta orbita em seu redor e exerce um puxão gravitacional. Ciardi, em parceria com outros cientistas por meio de um grupo de colaboração de exoplanetas chamado CPS (California Planet Search), procurou quaisquer oscilações no sistema KOI-5 nos dados do Keck. Eles foram capazes de distinguir uma oscilação produzida pela companheira estelar interna que orbita a estrela primária da oscilação do planeta aparente enquanto orbita a estrela primária. Juntas, as diferentes colecções de dados dos telescópios espaciais e terrestres ajudaram a confirmar que KOI-5Ab é, de facto, um planeta que orbita a estrela primária.

“Bingo – lá estava ele! Se não fosse o TESS ter observado o planeta novamente, nunca teria voltado e feito todo este trabalho de detective,” explicou. “Mas realmente foi necessária muita investigação nos dados recolhidos de muitos telescópios diferentes para finalmente acertar neste planeta.”

KOI-5Ab orbita a Estrela A, que tem uma companheira relativamente íntima, a Estrela B. A Estrela A e a Estrela B orbitam-se uma à outra a cada 30 anos. Uma terceira estrela ligada gravitacionalmente, a Estrela C, orbita as estrelas A e B a cada 400 anos.

Uma órbita inclinada

Os dados combinados também revelam que o plano orbital do planeta não está alinhado com o plano orbital da Estrela B, a segunda estrela interna, como seria de esperar caso as estrelas e os planetas fossem todos formados a partir do mesmo disco de material circundante. Os astrónomos não têm a certeza do que provocou o desalinhamento de KOI-5Ab, mas pensam que a segunda estrela “chutou” gravitacionalmente o planeta durante o seu desenvolvimento, inclinando a sua órbita e fazendo com que migre para dentro. Os sistemas estelares triplos constituem cerca de 10% de todos os sistemas estelares.

Esta não é a primeira evidência de planetas em sistemas duplos ou triplos. Um caso notável envolve o sistema estelar triplo GW Orionis, no qual um disco de formação planetária foi dividido em anéis distintos e desalinhados, onde os planetas podem estar a ser formados. No entanto, apesar de centenas de descobertas de planetas em sistemas estelares múltiplos, são quantitativamente muito menos comuns do que planetas em sistemas com uma única estrela. Isto pode ser devido a um viés observacional (planetas com única estrela são mais fáceis de detectar), ou porque a formação de planetas é de facto menos comum em sistemas estelares múltiplos.

“Esta investigação enfatiza a importância da frota completa de telescópios espaciais da NASA e a sua sinergia com sistemas terrestres,” disse Jessie Dotson, cientista do projecto Kepler no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, Califórnia. “Descobertas como esta podem levar muito tempo.”

Instrumentos novos e futuros, como o PARVI (Palomar Radial Velocity Instrument), acoplado ao Telescópio Hale de 200 polegadas em Palomar, como o instrumento NEID (NN-EXPLORE Exoplanet Investigations with Doppler spectroscopy) da NASA e da NSF no sul do Arizona, e como o KPF (Keck Planet Finder), vão abrir novos caminhos para aprender mais sobre exoplanetas.

Astronomia On-line
19 de Janeiro de 2021


“Toupeira” do InSight termina a sua viagem em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Nesta impressão de artista do “lander” InSight da NASA em Marte, podem ser vistas camadas da sub-superfície do planeta, e diabos marcianos no plano de fundo.
Crédito: IPGP/Nicolas Sarter

A sonda de calor desenvolvida e construída pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e implantada em Marte pelo “lander” InSight da NASA terminou a sua parte da missão. Desde 28 de Fevereiro de 2019 que a sonda de calor, chamada de “toupeira”, tenta penetrar na superfície marciana para medir a temperatura interna do planeta, fornecendo detalhes sobre o motor térmico interno que impulsiona a evolução e a geologia de Marte. Mas a tendência inesperada do solo de se aglomerar privou a toupeira em forma de espigão da fricção necessária para se martelar até uma profundidade suficiente.

Depois de colocar o topo da toupeira a cerca de 2 ou 3 centímetros abaixo da superfície, a equipa tentou pela última vez usar a pá no braço robótico do InSight para raspar terra para a sonda e comprimi-la para fornecer atrito adicional. Depois da sonda ter realizado 500 golpes de martelo adicionais no sábado, dia 9 de Janeiro, sem nenhum progresso, a equipa decidiu terminar os seus esforços.

Parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), a toupeira é uma “estaca” com 40 centímetros de comprimento e com sensores de temperatura, ligada ao módulo InSight por um cabo. Estes sensores foram construídos para medir o calor que flui do planeta, assim que a toupeira cavasse até pelo menos 3 metros de profundidade.

“Demos tudo o que temos, mas Marte e a nossa toupeira heróica permanecem incompatíveis,” disse Tilman Spohn do DLR, investigador principal do HP3. “Felizmente, aprendemos muito que beneficiará as missões futuras que tentam escavar o subsolo.”

Enquanto o “lander” Phoenix da NASA raspou a camada superior da superfície marciana, nenhuma missão antes da do InSight tentou escavar o solo. Isto é importante por uma série de razões: os futuros astronautas podem precisar de escavar o solo para aceder à água gelada, enquanto os cientistas querem estudar o potencial da sub-superfície em sustentar vida microbiana.

“Estamos muito orgulhosos da nossa equipa que trabalhou arduamente para levar a toupeira do InSight mais fundo no planeta. Foi incrível vê-los a resolver problemas a milhões de quilómetros de distância,” disse Thomas Zurbuchen, administrador associado para ciência na sede da agência espacial em Washington. “É por isso que corremos riscos na NASA – temos que empurrar os limites da tecnologia para aprender o que funciona e o que não funciona. Nesse sentido, fomos bem-sucedidos: aprendemos muito que beneficiará futuras missões a Marte e a outros lugares, e agradecemos aos nossos parceiros alemães da DLR por terem fornecido este instrumento e pela sua colaboração.”

Sabedoria conquistada a ferros

As propriedades inesperadas do solo perto da superfície, ao lado do InSight, serão estudadas pelos cientistas nos próximos anos. O design da toupeira foi baseado no solo visto por missões anteriores a Marte – solo que se mostrou muito diferente do que a toupeira encontrou. Durante dois anos, a equipa trabalhou para adaptar o instrumento único e inovador a estas novas circunstâncias.

“A toupeira é um instrumento sem herança. O que tentámos fazer – escavar tão fundo com um dispositivo tão pequeno – não tem precedentes,” disse Troy Hudson, cientista e engenheiro do JPL da NASA em Pasadena, no sul da Califórnia, que liderou esforços para que a toupeira penetrasse na crosta marciana. “Ter tido a oportunidade de levar isto até ao fim é a maior recompensa.”

Além de aprender mais sobre o solo neste local, os engenheiros ganharam experiência inestimável no que toca a operar o braço robótico. De facto, usaram o braço e a pá de várias formas que nunca pretendiam no início da missão, incluindo pressioná-la contra a toupeira para esta penetrar no solo. O planeamento dos movimentos e o ajuste preciso com os comandos que enviavam ao InSight fez com que a equipa crescesse.

E vão colocar em prática, no futuro, a sua sabedoria conquistada a ferros. A missão pretende utilizar o braço robótico para enterrar o cabo que transmite dados e energia entre o módulo de aterragem e o seu sismómetro, que registou mais de 480 sismos marcianos. Esta manobra ajudará a reduzir as mudanças de temperatura que criam ruído nos dados sísmicos.

Há bastante mais ciência por vir do InSight. A NASA estendeu a missão por mais dois anos, até Dezembro de 2022. Juntamente com a caça aos sismos, o “lander” hospeda uma experiência de rádio que está a recolher dados para revelar se o núcleo do planeta é líquido ou sólido. E os sensores meteorológicos do InSight são capazes de fornecer alguns dos dados climatéricos mais detalhados já obtidos em Marte. Juntamente com os instrumentos meteorológicos a bordo do rover Curiosity e em breve com o novo rover Perseverance, que pousará a 18 de Fevereiro, os três veículos marcianos vão criar a primeira rede meteorológica noutro planeta.

Astronomia On-line
19 de Janeiro de 2021


4971: Físicos propõem método para extrair energia de buracos negros (e pode ser usado pela humanidade no futuro)

CIÊNCIA/FÍSICA/BURACOS NEGROS/ASTROFÍSICA

NASA / CXC / M. Weiss

Dois físicos do Chile e dos Estados Unidos acreditam que, um dia, os humanos poderão aproveitar a enorme energia que os buracos negros abrigam para seu proveito.

A teoria da relatividade geral de Einstein – que conecta espaço, tempo e gravidade – previa que buracos negros em rotação têm enormes quantidades de energia.

Nos últimos 50 anos, os cientistas tentaram criar métodos para libertar esse poder. O físico Roger Penrose teorizou que a desintegração de uma partícula poderia extrair energia de um buraco negro. Stephen Hawking propôs que os buracos negros poderiam libertar energia através da emissão da mecânica quântica. Já Roger Blandford e Roman Znajek sugeriram o torque electromagnético como o principal agente de extracção de energia.

Agora, os físicos Luca Comisso, da Universidade de Columbia, e Felipe Asenjo, da Universidad Adolfo Ibáñez, encontraram uma nova forma de extrair energia de buracos negros, quebrando e reunindo linhas de campo magnético perto do horizonte de eventos, o ponto de onde nada consegue escapar à atracção gravitacional do buraco negro.

“Os buracos negros são normalmente cercados por uma ‘sopa’ quente de partículas de plasma que carregam um campo magnético”, disse Luca Comisso, em comunicado. “A nossa teoria mostra que, quando as linhas do campo magnético se desconectam e se reconectam, da forma certa, podem acelerar as partículas de plasma para energias negativas e grandes quantidades de energia de buraco negro podem ser extraídas.”

Esta descoberta pode permitir aos astrónomos estimar melhor a rotação dos buracos negros, conduzir as emissões de energia dos buracos negros e pode até fornecer uma fonte de energia para as necessidades de uma civilização avançada, segundo Comisso.

Comisso e Asenjo construíram a teoria com base na premissa de que a reconexão de campos magnéticos acelera as partículas de plasma em duas direcções diferentes. Um fluxo de plasma é empurrado contra a rotação do buraco negro, enquanto o outro é impulsionado na direcção do buraco negro e pode escapar, o que liberta energia se o plasma engolido pelo buraco negro tiver energia negativa.

“É como se uma pessoa perdesse peso a comer doces com calorias negativas”, disse Comisso, que explicou que um buraco negro perde energia ao comer partículas de energia negativa. “Isso pode parecer estranho, mas pode acontecer numa região chamada ergosfera, onde o contínuo do espaço-tempo gira tão depressa que todos os objectos giram na mesma direcção do buraco negro”.

Dentro da ergosfera, a reconexão magnética é tão extrema que as partículas de plasma são aceleradas a velocidades próximas da velocidade da luz. Segundo Asenjo, a alta velocidade relativa entre os fluxos de plasma capturados e em fuga é o que permite ao processo proposto extrair grandes quantidades de energia do buraco negro.

“Calculamos que o processo de energização de plasma pode atingir uma eficiência de 150%, muito maior do que qualquer central na Terra”, disse Asenjo. “Alcançar uma eficiência superior a 100% é possível porque os buracos negros libertam energia, que é dada gratuitamente ao plasma que escapa do buraco negro.”

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Este processo de extracção de energia pode já estar a acontecer num grande número de buracos negros. Isso pode estar a causar erupções dos buracos negros – explosões poderosas de radiação que podem ser detectadas da Terra.

Para os investigadores, a mineração de energia de buracos negros pode ser a resposta para as nossas necessidades futuras de energia. “Daqui a milhares ou milhões de anos, a humanidade poderá sobreviver ao redor de um buraco negro sem aproveitar a energia das estrelas”, disse Comisso. “É um problema essencialmente tecnológico. Se olharmos para a física, não há nada que o impeça”.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Physical Review D.

Por Maria Campos
19 Janeiro, 2021


4970: Cientistas transmitem sinais quânticos usando drones. É o primeiro passo para uma nova era da Internet

CIÊNCIA/MECÂNICA QUÂNTICA/INTERNET

(CC0/PD) TheDigitalArtist / pixabay

A Internet quântica é um sistema teórico que utiliza sinais quânticos para partilhar informações. Um nova investigação demonstrou que, surpreendentemente, os drones podem ter um papel importante neste processo.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Nanjing, na China, enviou, com sucesso, fotões entrelaçados entre um par de drones que pairava a um quilómetro de distância.

Apesar de experiências anteriores terem demonstrado que fotões entrelaçados podem ser transportados entre um satélite e estações terrestres a uma distância superior a 1.000 quilómetros, este feito mostra que tais ligações podem também ser criadas “em distâncias mais curtas” e com “hardware relativamente barato”.

De acordo com o New Scientist, os investigadores criaram um par de fotões entrelaçados “dividindo um único fotão com um cristal” através de um laser instalado num dos drones.

Um dos fotões foi enviado para uma estação terrestre, enquanto que o outro foi retransmitido para o segundo drone, “com as partículas a serem conduzidas através do drone por um pequeno pedaço de cabo de fibra ótica”.

O estado de ambos os fotões foi monitorizado pela estação terrestre, que assegurou que ambas as partículas permaneciam entrelaçadas. Os resultados foram publicados recentemente na Physical Review Letters.

O investigador Siddarth Joshi, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, realça que este estudo mostrou que os cientistas podem ter dado um passo muito importante para a criação da Internet quântica. Além disso, o especialista, que não participou no estudo, destacou que os drones poderiam desempenhar um papel proeminente neste processo.

Já Zhenda Xie, líder do estudo, espera que as “conexões de mais de 300 quilómetros” possam ser alcançadas com a ajuda de “drones mais avançados a alta altitude”, para não serem afectados pelo tempo e pela poluição. O cientista indica ainda que drones mais pequenos e baratos “poderiam ser produzidos para conexões locais”.

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Liliana Malainho, ZAP //

Por Liliana Malainho
19 Janeiro, 2021


4969: Podem existir vestígios de dinossauros “enterrados” na Lua (e até em Marte)

CIÊNCIA/ESPAÇO/LUA

(dr) Andrey Atuchin

O impacto do asteróide que dizimou os dinossauros da face da Terra há cerca de 65 milhões de anos, no final do período Cretáceo Superior, pode ter catapultado vestígios destes animais pré-históricos para a Lua e até para Marte.

A hipótese não é propriamente nova para astrofísicos e astronautas, mas tem ganhado visibilidade depois de um artigo científico sobre o tema ter sido partilhado online nos últimos dias, conta o portal de Ciência IFL Science.

Ao que parece, os dinossauros podem ter chegado à Lua ainda antes do Homem à boleia do meteorito Chicxulub, que caiu na Península de Yucatán, no México, há 65 milhões de anos, ditando o fim dos dinossauros e de 70% de todas as espécies terrestres.

Vestígios de dinossauros, como ossos – ou o que terá sobrado deles -, podem ter chegado à Lua envoltos nos escombros causados por este corpo rochoso.

Quando um determinado planeta, como a Terra, é impactado por corpos oriundos do Espaço, cria-se uma cratera de grandes dimensões. Contudo, se o asteróide for rápido e grande o suficiente, o seu impacto pode fazer com que os detritos resultantes atinjam a velocidade de escape (11 quilómetros por segundo), e deixem a atmosfera da Terra.

A maior parte destes detritos voltará ao planeta que impactou, mas outros vestígios podem ser ejectados rumo ao Sistema Solar, onde poderão ficar em rota de colisão com outros planetas e acabar por encontrar uma nova “morada”.

A hipótese pode parecer pouco provável, mas há vários estudos científicos que validam este fenómeno: há investigações que comprovam que pelo menos 289 meteoritos sobreviveram a impactos em Marte e chegaram até à Terra.

E mais: a teoria mais comummente aceite sobre a formação da Lua, conhecida como a teoria do grande impacto (1975), defende que o nosso satélite natural é fruto de um evento catastrófico causado pelo impacto de um corpo com o tamanho de Marte – conhecido por Theia – na Terra, há cerca de 4,5 mil milhões de anos.

Já em 2017, o premiado jornalista de Ciência Peter Brannen escreveu no seu livro The Ends of the World a propósito dos vestígios de dinossauros “enterrados” na Lua: “Quando o asteróide colidiu com a Terra, no céu acima dele, onde deveria existir ar, a rocha abriu um buraco no vácuo do Espaço sideral na atmosfera. Quando os céus se precipitaram para fechar este mesmo buraco, enormes volumes de terra foram ejectados para órbita e mais além – tudo dentro de um a dois segundos após o impacto”.

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Sara Silva Alves, ZAP //

Por Sara Silva Alves
18 Janeiro, 2021


4968: O que acontece aos buracos negros após a colisão de três galáxias?

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Apesar do muito que se sabe e vai sabendo sobre o universo, a verdade é que ainda existe muito por desbravar. Por exemplo, após uma colisão de três galáxias, é uma incógnita aquilo que acontece aos buracos negros que lhes pertencem.

Então, um estudo recente revela novas informações sobre os buracos negros que estão a crescer após a colisão de três galáxias.

Buracos negros após colisão de três galáxias

Está a ser elaborado um novo estudo a partir de informações recolhidas pelo Chandra X-ray Observatory da NASA e vários outros telescópios. Conforme se sabe, dá conta de novas informações sobre os buracos negros que estão a crescer após a colisão de três galáxias.

Aliás, os astrónomos pretendem aprender mais sobre colisões galácticas. Isto, porque as fusões subsequentes são uma forma de as galáxias e os seus buracos crescerem ao longo do período cósmico.

Tem havido muitos estudos sobre o que acontece aos buracos negros super-massivos quando duas galáxias se fundem. O nosso é um dos primeiros a olhar sistematicamente para o que acontece aos buracos negros quando três galáxias se juntam.

Disse Adi Foord, da Universidade de Stanford e líder do estudo.

Então, cruzando arquivos da missão WISE da NASA e da Sloan Digital Sky Survey com o Chandra X-ray Observatory, ela e os colegas conseguiram identificar sistemas de fusões triplas de galáxias. Aliás, através deste recurso, encontraram sete fusões triplas de galáxias localizadas entre 370 milhões e mil milhões de anos-luz da Terra.

Software para localizar buracos negros

Recorrendo a software especializado que Adi Foord desenvolveu, a equipa analisou os dados do Chandra X-ray Observatory, incidindo nestes sistemas de fusões triplas de galáxias, de forma a detectar fontes de raios-X que marcam a localização de crescentes buracos super-massivos.

Ou seja, à medida que o material se dirige para um, aquele é aquecido a milhões de graus, originando raios-X.

Então, é exactamente por esta razão que o Chandra X-ray Observatory e o software são o trunfo do estudo: a visão muito nítida do primeiro é capaz de localizar buracos negros crescentes em fusões. De outra forma, essas fontes de raios-X tornam-se difíceis de detectar, pois, de tão juntas, tornam as imagens fracas. Além do software de Foord que consegue, então, detectar correctamente essas fontes.

Estudos que ajudam a perceber fenómeno das fusões de três galáxias

Das sete fusões triplas de galáxias em estudo, os resultados apresentados pela equipa mostram que uma possui um buraco negro super-massivo em crescimento, quatro possuem buracos negros super-massivos em crescimento duplo e uma possui um tríplice. Enquanto isso, a sétima parece ter sido concluída sem nenhuma emissão de raios-X detectada a partir dos buracos super-massivos.

Por que nos preocupamos com a percentagem de impacto destes buracos negros? Porque estas estatísticas podem dizer-nos mais sobre como crescem os buracos negros e as galáxias onde eles habitam.

Garantiu Jessie Runnoe da Universidade de Vanderbilt, em Nashville, Tennessee, e co-autora do estudo.

Nos dados do Chandra, os investigadores encontraram evidências de fontes de raios-X brilhantes como candidatas ao crescimento de buracos negros super-massivos. Portanto, completaram-nos com dados de outros telescópios e confirmaram a existência de múltiplos buracos nas galáxias que se fundiram.

Aliás, os dados recolhidos pelo Chandra e pelo WISE mostram que o sistema com crescentes buracos negros super-massivos tem a maior quantidade de pó e gás. Isto, tendo em conta simulações teóricas de fusões feitas a partir de computador que sugerem que níveis mais elevados de gás perto de buracos são mais susceptíveis a desencadear um rápido crescimento.

Estudos de fusões triplas podem ajudar os cientistas a compreender se pares de buracos negros super-massivos se podem aproximar de tal forma que provocam ondulações chamadas ondas gravitacionais. Posteriormente, a energia perdida por essas ondas poderá causar uma fusão inevitável.

Porém, apesar dos buracos de massa estelar criarem ondas gravitacionais e se fundirem, não há certezas quanto ao processo dos super-massivos.

Evitar o “pesadelo”

Existe um cenário apelidado de “pesadelo”, onde os buracos negros super-massivos não podem perder energia para se aproximarem e criarem as ditas ondas gravitacionais. Porém, as interacções gravitacionais de um terceiro buraco negro super-massivo poderão impedir este processo.

Então, para os investigadores, os estudos que abordam os buracos negros super-massivos localizados na fusão de três galáxias são muito importantes para compreender todo o cenário.

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Autor: Ana Sofia
18 Jan 2021


4967: Virgin Orbit conseguiu! Já envia satélites para o espaço a partir de um avião

CIÊNCIA/ESPAÇO/VIRGIN ORBIT

A corrida para o Espaço está ao rubro. Se a SpaceX parece estar no comando, há muitas empresas apostadas nesta nova área, com propostas alternativas. Estas estão ainda em fase de testes, mas prometem muito para o futuro.

Com muita expectativa a Virgin Orbit tinha um teste muito importante a decorrer. A sua proposta é lançar satélites para o espaço a partir de um avião e agora já o conseguiu. O seu mais recente teste decorreu com sucesso completo.

Forma diferente de lançar satélites para o Espaço

Apesar de estarem mais atrasados que o resto dos concorrentes, a Virgin Orbit tem planos bem definidos para o futuro. A empresa de Richard Branson tem uma abordagem completamente diferente e aparentemente esta é também capaz de atingir o espaço.

Em vez de usar os foguetões de maiores dimensões, a Virgin Orbit resolveu recorrer ao seu LauncherOne. Este é um foguete que é colocado sob a asa do Cosmic Girl, um Boeing 747 modificado e preparado para a primeira parte do trajecto.

Virgin Orbit conseguiu sucesso com o LauncherOne

Depois do LauncherOne se separar, cada um dos elementos segue o seu caminho. Este sobe para o espaço para fazer o lançamento da sua carga e o 747 regressa ao solo. Rapidamente pode ser recarregado e fazer um novo lançamento.

O teste deste fim de semana procurava validar não apenas este conceito. Queria mostrar que esta é uma alternativa viável e que poderá ser uma forma de colocar satélites de menores dimensões no espaço.

– vídeo editado via captura de écran dado não ser facultado o URL original

Tudo é feito a partir de um avião

Do que foi mostrado, e pode ser visto no vídeo acima, este foi um sucesso. À hora prevista a separação foi realizada e o LauncherOne subiu para realizar a entrega da sua carga.

Curiosamente, esta era uma carga real e os satélites presentes eram da NASA e de algumas universidades norte-americanas. Desta forma, os custos podem ser reduzidos, em especial nos casos de satélites menores.

Está provado que será um sucesso no futuro

Apesar deste sucesso, falta ainda uma parte final que fica a cargo do LauncherOne. Este terá ainda de fazer a colocação dos satélites em órbita, algo que deverá também ser um sucesso.

Esta forma diferente de lançar satélites tem também o apoio e o financiamento da NASA. Cada vez mais existem formas de colocar material no Espaço, reanimando a corrida para este objectivo. A SpaceX domina, mas há muitas outras a trabalhar nesta meta, com muito sucesso.

Pplware
Autor: Pedro Simões
18 Jan 2021


4966: Papagaios, lémures, golfinhos e cães. Há vários animais que se auto-medicam

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Mathias Appel / Wikimedia

Há vários animais que, à semelhança do Homem, procuram determinadas substâncias na natureza para tratar a dor, prevenir o sofrimento ou simplesmente para se sentirem melhor – é uma espécie de auto-medicação do mundo animal. 

Este fenómeno comportamental observado em alguns animais, como papagaios, lémures, golfinhos ou cães, denomina-se de zoofarmacognosia e é um “ramo” relativamente recente da Biologia, tendo sido formalizado em meados de 1987.

Zoofarmacognosia surge da aglutinação das palavras gregas zoo (que significa “animal”), pharma (que pode ser traduzida como “droga” ou “medicamento”) e gnosis (que significa “conhecimento”), tal como frisa a Discover Magazine.

São várias as espécies que procuram na natureza produtos químicos – presentes em plantas, outros animais, fungos ou até no solo – para melhorar o seu bem-estar.

Este tipo de comportamento pode ser categorizado segundo o seu modo de administração: se é directamente consumido, como as folhas das plantas de Aspilia, que os chimpanzés colocam na boca para libertar toxinas que matam vermes intestinais, ou se aplicado numa área corporal, como o ácido fórmico que algumas aves utilizam para tratar os piolhos.

A administração pode ser mesmo directa, segundo escreve o mesmo portal, que recorda que há algumas formigas que forram os seus ninhos com resina de árvores coníferas, que tem propriedades anti-fúngicas e anti-bacterianas, para manter a colónia a salvo de infecções.

A Zoofarmacognosia pode também ser categorizada pelos seus fins, que podem ser preventivos ou terapêuticos. O uso preventivo foi observado em papagaios tropicais, morcegos e lémures da família Indridae, que consomem terra e argila ricas numa enorme variedade de minerais e micro-nutrientes (cálcio, magnésio, zinco, entre outros).

Quanto ao uso terapêutico, este pode ser observado em cães e gatos, quando estes consumem ervas com emético, uma substância que induz ao vómito, para aliviar sintomas intestinais. Há, contudo, outros motivos para o consumo destas plantas.

Também os ursos-castanhos recorrem a produtos químicos para fins terapêuticos: na sua boca, mastigam raízes de Oshá que, juntamente com saliva, formam uma espécie de pasta e servem para prevenir as picadas de insecto.

Por Sara Silva Alves
18 Janeiro, 2021


4965: Palácio mais antigo da China é descoberto perto de antiga capital. Tem mais de 5.000 anos

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

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Palácio de Shuanghuaishu, o mais antigo da China

Um Palácio descoberto no sítio arqueológico de Shuanghuaishu, nos arredores da cidade de Zhengzhou, uma das oito capitais antigas da China, foi construído por volta de 3300 a.C., ou seja, tem actualmente cerca de 5.300 anos. Esta é possivelmente a estrutura mais antiga deste tipo na China.

Quando foi descoberto, em 2017, o palácio localizado no sítio de Erlitou, na província de Henan — construído entre 1800 a.C. e 1500 a.C. — passou a ser considerado o mais antigo da China. Mais tarde, no mesmo ano, outro palácio foi encontrado em Taosi, uma província de Shanxi, tendo sido datado entre 2300 a.C. e 1900 a.C.

Agora, com a recente descoberta do palácio de Shuanghuaishu, o processo de construção das primeiras estruturas deste tipo viu a sua data de origem ser registada cerca de mil anos antes.

Com 5 mil anos, a estrutura milenar corrige o erro de que os primeiros palácios teriam sido construídos durante a Dinastia Xia.

A estrutura de arquitectura tradicional, que foi construída sobre um local de 4.300 metros quadrados, conta dois pátios de 1.300 e 1.500 metros quadrados. Um deles possui três portas, enquanto o outro se assemelha a um pátio típico de palácio chinês, com o território dividido entre a área administrativa e a de lazer.

He Nu, arqueólogo da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse à agência Xinhua que a descoberta no sítio arqueológico de Shuanghuaishu não representa um caso isolado, mas faz parte da tradição chinesa da construção de palácios.

“A organização do espaço dos grandes pátios e do complexo palaciano onde a área administrativa é colocada em frente à área de habitação da família real, criou um precedente para o sistema de palácios na China”, explicou o arqueólogo chinês.

Recentemente, foi também descoberto na China um raro mural da vida de um domador de cavalos da era da Dinastia Tang que se situa entre 618 d.C. e 907 d.C., revela a agência Sputnik.

ZAP //

Por ZAP
18 Janeiro, 2021


4964: Quão escuro é o Universo? Mais do que pensávamos, apurou a New Horizons

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA
A sonda New Horizons

Novas medições levadas a cabo pela sonda espacial não tripulada da NASA New Horizons mostram que o Universo não é tão escuro como pensávamos.

A escuridão do Universo é um fenómeno conhecido e estudado, sendo especialmente notório quando nos afastamos das luzes das grandes cidades e, ao olharmos para cima, observamos um céu que parece ainda mais escuro entre as estrelas.

Acima da atmosfera, o Espaço sideral é ainda mais escuro, não sendo, contudo, totalmente negro, uma vez que espelha um brilho fraco de algumas estrelas e galáxias distantes.

As novas medições da sonda da agência espacial norte-americana mostram que estas estrelas e galáxias não são tão abundantes como alguns cientistas teorizaram até então e, por isso, o Universo não é tão escuro como pensávamos.

De acordo com o novo, cujos resultados foram aceites para publicação na revista Astrophysical Journal, carecendo ainda de revisão de pares, o Universo tem “apenas” centenas de mil milhões de galáxias, em vez dos dois biliões de galáxias relatadas anteriormente, a partir da extrapolação de dados do telescópio espacial Hubble (NASA).

“É um número importante para se saber: quantas galáxias existem? Simplesmente, não vemos a luz de dois biliões de galáxias”, disse Marc Postman do Space Telescope Science Institute em Baltimore, Maryland, citado em comunicado.

Tod Lauer, autor principal do estudo, acrescentou: “Pegue em todas as galáxias que o Hubble pode ver, duplique esse número e é isso que vemos – mas nada mais”.

Para chegar a esta revisão do número de galáxias, a equipa de cientistas analisou imagens de arquivo da New Horizons, corrigindo algumas variáveis, como a luz oriunda das estrelas da Via Láctea que estão a reflectir a poeira interestelar. Estes corpos deixaram um brilho de fundo extremamente fraco, mas ainda mensurável.

Então, de onde vem a luz residual do Cosmos?

Os cientistas acreditam que a luz residual do Cosmos pode surgir de galáxias anãs muito difusas e relativamente próximas ou de galáxias muito mais fracas em distâncias mais longas.

As estrelas intergalácticas, também conhecidas como estrelas “rebeldes” por não pertencerem a qualquer galáxia, pode também ser as culpadas ou talvez os halos das galáxias sejam mais brilhantes do que imaginámos.

O telescópio James Webb, cujo lançamento está previsto para Outubro, poderá fazer observações importantes para determinar com precisão quão escuro é o Cosmos.

Por Sara Silva Alves
18 Janeiro, 2021


4963: Encontradas fibras de poliéster em todo o Oceano Árctico

CIÊNCIA/POLUIÇÃO/ÁRCTICO

usgeologicalsurvey / Flickr

Investigadores encontraram fibras de poliéster em todo o Oceano Árctico. As evidências sugerem que lavar as nossas roupas está a contribuir para esta contaminação.

Há muito tempo que o Árctico provou ser um barómetro da saúde do nosso planeta. Esta parte remota do mundo enfrenta ataques ambientais sem precedentes, à medida que as alterações climáticas e os produtos químicos industriais ameaçam o estilo de vida dos inuítes e de outras comunidades indígenas e do norte que dependem fortemente de frutos do mar e mamíferos marinhos para se alimentarem.

Mas quem poderia imaginar que as roupas que usamos poderiam contribuir para este ataque? As evidências mostram cada vez mais que pequenas fibras sintéticas estão a penetrar o Oceano Árctico e a encontrar caminho até ao zoo-plâncton, peixes, aves marinhas e mamíferos marinhos.

Num novo estudo publicado recentemente na revista Nature Communications, uma equipa de investigadores encontrou uma confirmação nítida de que os micro-plásticos são encontrados em todo o Oceano Árctico, da Europa ao Polo Norte e ao Árctico da América do Norte. A sua presença levanta preocupações de que têxteis, águas residuais municipais e a lavagem de roupa podem ser uma fonte importante desses poluentes emergentes.

Os autores recolheram amostras de água do mar logo abaixo da superfície do Oceano Árctico, como parte de quatro expedições científicas que vão de Tromsø, na Noruega, ao Mar de Beaufort, na América do Norte.

De seguida, filtraram e analisaram as amostras no Ocean Wise Plastics Lab usando microscópios e espectroscopia para identificar polímeros plásticos.

Micro-plásticos são partículas com menos de cinco milímetros de comprimento. Os investigadores encontraram uma média de 49 partículas micro-plásticas por metro cúbico de água do mar em todo o Árctico, ilustrando como é que a poluição por plástico sintético se espalhou nesta região remota.

O valor é menor do que as concentrações encontradas em regiões mais urbanizadas no Sul, mas aproxima-se dos níveis encontrados nos oceanos Pacífico e Atlântico.

Destes, 92% eram fibras, com média de 14 micrómetros (0,014 mm) de espessura e 1.100 micrómetros (1,1 mm) de comprimento. Talvez a descoberta mais surpreendente no laboratório foi que 73% dessas fibras eram de poliéster.

Os investigadores descobriram que as fibras no Árctico oriental eram três vezes mais abundantes no Árctico ocidental. Elas também eram 50% mais longas no leste, e a sua assinatura infravermelha parecia-se mais com o poliéster comercial.

Todas estas evidências sugerem que a maioria destas fibras entrou no Oceano Árctico a partir do Oceano Atlântico. As características oceanográficas fornecem uma explicação de apoio para estas observações, com aproximadamente nove vezes mais água a entrar no Oceano Árctico do Atlântico do que do Pacífico.

O tamanho, forma, cores e identidade de polímero da maioria dessas partículas fornecem indicações adicionais das suas origens.

As evidências sugerem que lavar as nossas roupas está a contribuir para a contaminação generalizada dos oceanos do mundo com micro-fibras – sintéticas e naturais. Há um vislumbre de esperança, porém, quando vemos muitas empresas de design, manufactura e têxteis a mergulhar no caminho da sustentabilidade.

Por ZAP
18 Janeiro, 2021


4962: “Bola de fogo” cruzou o céu sobre o Mediterrâneo a 105 mil quilómetros por hora

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(CC0/PD) pxhere

Uma “bola de fogo” atravessou o mar Mediterrâneo e o norte de Marrocos na noite de quarta-feira, a 105.000 quilómetros por hora.

A bola de fogo foi observada por um projecto científico espanhol a uma velocidade de 105.000 quilómetros por hora e testemunhada por várias pessoas na Andaluzia, avança a EFE. O fenómeno foi provocado pela entrada de uma rocha de um cometa na atmosfera terrestre.

O acontecimento foi detectado pelos sensores do projecto Smart, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) dos observatórios de Calar Alto (Almeria), Sevilha e La Hita (Toledo) e Sierra Nevada pelas 22:10 de quarta-feira.

Segundo o principal investigador do projecto Smart, José María Madiedo, do IAA-CSIC, a “bola de fogo” foi registada às 22.10 horas (21.10 em Portugal continental) de quarta-feira.

O fenómeno deveu-se à entrada de uma rocha de um cometa na atmosfera terrestre, a cerca de 105.000 quilómetros por hora.

O choque com a atmosfera, a esta velocidade, fez com que a rocha se tornasse incandescente, gerando assim uma “bola de fogo” que teve início a uma altura de 105 quilómetros do Mediterrâneo e a cerca de 23 quilómetros da costa marroquina.

O fenómeno avançou para sudoeste até finalmente desaparecer, a 69 quilómetros de altura, depois de ter percorrido 72 quilómetros na atmosfera.

Os detectores do projecto SMART operam no âmbito da Rede Meteorológica e de Observação da Terra do Sudoeste da Europa (SWEMN), que visa monitorizar continuamente o céu, com o intuito de registar e estudar o impacto na atmosfera terrestre de rochas de diferentes objectos do Sistema Solar.

ZAP // Lusa

Por ZAP
16 Janeiro, 2021