1157: A Terra precisará de 5 milhões de anos para recuperar da extinção em massa de mamíferos

CIÊNCIA

Mark Dumont / Flickr
O rinoceronte-negro, nativo de África, é uma das espécies em perigo iminente de extinção

Muitas espécies de mamíferos vão desaparecer nos próximos 50 anos se nada for feito pela sua conservação, e a natureza poderá demorar três a cinco milhões de anos a recuperar essa perda. A evolução das espécies não está a conseguir acompanhar as extinções em massa.

Uma equipa de cientistas das universidades de Aarhus, na Dinamarca, e de Gotemburgo, na Suécia, chegou a esta conclusão a partir de simulações computacionais sobre a evolução das espécies e de dados sobre a evolução das relações e do tamanho das espécies de mamíferos sobreviventes e extintas.

De acordo com o estudo, publicado nesta segunda-feira na revista PNAS, a evolução das espécies não está a acompanhar o ritmo a que as espécies estão a desaparecer.

Os cientistas estimam que serão necessários cinco a sete milhões de anos para que a biodiversidade entre os mamíferos volte aos patamares anteriores à evolução dos homens modernos, isto se, ressalvam, em geral, os mamíferos se diversificarem a uma taxa considerada normal.

Num cenário mais optimista, em que os humanos deixam de destruir os habitats naturais, serão precisos três a cinco milhões de anos para os mamíferos se diversificarem o suficiente para regenerarem os ramos da árvore da sua evolução que os cientistas estimam virem a perder-se nos próximos 50 anos.

Espécies de mamíferos “criticamente em perigo”, como o rinoceronte-negro, nativo de África, estão em risco elevado de desaparecer dentro de cinco décadas, advertem, realçando que, tal como no passado, muitas espécies poderão extinguir-se sem deixar um “parente” próximo que dê continuidade à linhagem.

A União Internacional para a Conservação da Natureza, citada pelo Science Alert, prevê que 99,9% das espécies “criticamente em perigo” e 67% espécies em risco de extinção serão perdidas nos próximos 100 anos.

Matt Davis / Aarhus University

O portal de Ciência nota ainda que as cinco extinções em massa registadas nos últimos 450 milhões de anos deveram-se a desastres naturais no entanto, agora o cenário é diferente – é a actividade humana que está a dizimar espécies de mamíferos.

Os investigadores salientam ainda que a sua análise poderá ser usada para priorizar a conservação de diferentes espécies ameaçadas de extinção.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
17 Outubro, 2018

 

1156: Encontrado vestígio de vida animal mais antigo de sempre

CIÊNCIA

Paco Cárdenas
Um retrato subaquático da espécie de Demospongiae moderna Rhabdastrella globostellata, que produz os mesmos esteróides que os pesquisadores encontraram em rochas antigas

Investigadores da Universidade da Califórnia afirmam ter descoberto o vestígio mais antigo de vida animal conhecido, de formas de vida que existiram há mais de 635 milhões de anos.

O estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature Ecology & Evolution, descreve como a equipa liderada por Gordon Love, do departamento de Ciências da Terra, procurou vestígios moleculares de vida animal da era Neoproterozóica – entre 660 milhões e 635 milhões de anos.

Em rochas e óleos recolhidos em Omã, na Sibéria e na Índia, encontraram um composto esteróide que é produzido pelas esponjas marinhas, uma das primeiras formas de vida animal conhecidas.

Os investigadores consideram demonstrar ainda que já existiam formas de vida animal 100 milhões de anos antes do período Câmbrico, época em que houve uma explosão de quantidade e diversidade de formas de vida.

“Os fósseis moleculares são importantes para estudar os primeiros animais, uma vez que as primeiras esponjas seriam muito pequenas, não teriam esqueleto e não deixariam uma impressão fóssil forte ou até reconhecível”, afirmou Alex Zumberge, um dos autores do estudo.

O bio-marcador que encontraram tem uma estrutura única, e hoje em dia só se encontra sintetizado por certas espécies modernas de esponjas marinhas.

“Este esteróide é a primeira prova que as esponjas, portanto os animais multi-celulares, existiam nos mares da antiguidade pelo menos há 635 milhões de anos“, explicou Zumberge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
16 Outubro, 2018

 

1151: Seis aviões comerciais avistam OVNIs no Chile

Bueggel / Flickr
O Chile é um dos países que mais documenta objetos voadores não identificados

Pelo menos seis aviões comerciais — cinco deles da Latam Chile e um da Copa Airlines — comunicaram ao Comité de Estudos de Fenómenos Aéreos Anómalos (CEFAA) o avistamento de objectos voadores não identificados no norte do Chile.

O fenómeno ocorreu na madrugada de 7 de Maio, a cerca de 1.350 quilómetros a norte de Santiago, perto da cidade de Antofagasta. Porém, só agora foi disponibilizado um vídeo no YouTube que mostra o diálogo entre os pilotos das aeronaves com o controlador de voo.

No vídeo, é possível ouvir o piloto do voo Copa 174 informar que na altura do posto de controle aéreo Livor, a 380 quilómetros do litoral de Antofagasta, era possível visualizar três luzes. “Não sabemos o que é“, disse, pouco antes de informar que uma das luzes desapareceu. Em seguida, o piloto do voo Latam 639 entra em contacto com a torre de controle e declara que também está a ver as luzes “aparentemente, sobre o mar”.

O piloto do Latam 2473 responde que também está ver as luzes e, depois o voo Latam 79 também informa que uma luz no nível do mar pode ser vista intensificando o seu brilho, acabando depois por desaparecer.

Nesse momento, o primeiro piloto informa que consegue ver três luzes à esquerda da aeronave: “As luzes estão a movimentar-se e aumentam e diminuem de intensidade. Vamos virar à direita pois parece que se estão a aproximar“, diz o piloto do voo Copa 174.

O voo Latam 501 também confirma que avistou os Ovnis e o Copa 174 volta a falar: “Que fenómeno estranho! Agora, temos três luzes em forma de triângulo“. Logo após esse momento, o piloto do voo Latam 577 situou as luzes quilómetros de Livor.

O Chile é um dos países que mais documenta objectos voadores não identificados no seu território aéreo, a par dos Estados Unidos, Peru, Rússia e Brasil. Nos últimos 65 anos, mais de 600 relatos foram registados.

Os diálogos entre os pilotos e controladores de voo podem ser ouvidos no vídeo abaixo, após o 4º minuto, com legendas e áudio em espanhol.

ZAP // CanalTech

Por CT
15 Outubro, 2018

 

Stephen Hawking previu raça de “super-humanos” que irá destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico, que morreu no passado mês de Março, deixou artigos e ensaios nos quais prevê a existência de uma raça modificada geneticamente que irá acabar por destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking morreu no dia 14 de Março
© REUTERS/Lucas Jackson

Antes de morrer, Stephen Hawking deixou um aviso: o físico britânico previu que os avanços na engenharia genética vão levar à criação de uma raça de super-humanos, que acabará por destruir a humanidade.

“Acredito que durante este século, as pessoas vão descobrir como modificar a inteligência e os instintos, tal como a agressão. ​​​Vão ser criadas leis contra a engenharia genética em humanos, mas algumas pessoas não vão ser capazes de resistir à tentação de melhorar as características humanas como a memória, a resistência a doenças e a longevidade da vida”, escreveu Stephen Hawking num conjunto de artigos e ensaios, revelados pelo The Sunday Times , e que vão ser publicados esta terça-feira, 16 de Outubro, no livro “Brief Answers to the Big Questions” (“Breves Respostas para as Grandes Questões”, em tradução livre).

Nos seus últimos pensamentos, o físico e o cosmólogo britânico, que morreu no dia 14 de Março, aos 76 anos, refere que as pessoas mais ricas vão, em breve, poder editar o seu próprio ADN e o dos seus filhos com o objectivo de “criar super-humanos com uma memória aprimorada, resistência a doenças, inteligência e longevidade”, escreve a publicação.

Edição genética

Estes super-humanos vão ser uma ameaça à humanidade, avisa Stephen Hawking nos artigos e ensaios que deixou. O professor britânico, que sofria de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada aos 21 anos, refere nos textos que quem não conseguir recorrer à alteração genética vai sofrer com a raça modificada. “Assim que os super-humanos aparecerem vai haver problemas políticos significativos com os humanos que não foram melhorados, que não serão capazes de competir”, argumenta. Hawkings refere que os humanos comuns vão, presumivelmente, acabar por “morrer, ou deixar de ter importância”.

No conjunto de artigos e ensaios, o físico alerta para a possibilidade de existir no futuro “uma raça de seres auto desenhados que vai melhorando a um ritmo acelerado”.

De acordo com o The Guardian, as afirmações de Stephen Hawkings são baseadas na técnica de edição genética CRISPR-Cas9, que permite cortar o genoma (informação genética modificada no ADN) onde se quer para depois repará-lo. Um sistema que tem gerado controvérsia entre a comunidade científica.

Diário de Notícias
DN
15 Outubro 2018 — 15:14

 

1148: Se não pararmos de comer carne, vamos acabar com o planeta

CIÊNCIA

luderbrus / Flickr

Cada cidadão deverá reduzir em 75% o seu consumo de carne de vaca, 90% de carne de porco, comer metade da quantidade de ovos e triplicar o consumo de sementes e frutos secos.

Segundo um estudo publicado esta quinta-feira na revista Nature, o consumo de carne de vaca teria de descer em 90% nos países ocidentais para que conseguíssemos evitar mudanças muito perigosas no ambiente.

Esta e outras recomendações são de alguns investigadores da Universidade de Oxford, que recomendam a redução drástica do consumo de carne para evitar alterações climáticas com efeitos devastadores.

Ao The Guardian, Marco Springmann, investigador e professor na Universidade de Oxford que liderou a investigação, disse que, actualmente, “estamos mesmo a arriscar a sustentabilidade de todo o sistema. Se estamos interessados em que as pessoas consigam comer e produzir, temos de reduzir o consumo de carne”, alertou.

Desta forma, a solução proposta pelos cientistas passa por diminuir drasticamente o consumo de carne e substituí-la por proteína animal, optando assim pelo consumo de legumes e leguminosas.

Segundo o estudo recentemente tornado publico, cada cidadão deveria reduzir em 75% o consumo de carne de vaca, em 90% o de carne de porco e comer metade da quantidade de ovos. No que diz respeito ao consumo de leguminosas, este deveria triplicar. Já o consumo de frutos secos e sementes deveria quadruplicar.

O Jornal Económico avança que a indústria agropecuária é a que mais danos causa a nível ambiental, graças à emissão de gases de efeito de estufa, à desflorestação, às quantidades de água que não são utilizadas e à contaminação de aquíferos subterrâneos.

Além desta informação – que não é propriamente uma novidade – o estudo apresenta uma previsão: se não houver uma intervenção, tudo irá ficar muito pior, dado que se prevê que a população cresça em 2,3 mil milhões em 2050, alcançando assim os 9,8 mil milhões de habitantes.

O crescimento da população estimula invariavelmente a criação de animais para consumo humano, que se está a tornar cada vez mais insustentável. Os países acidentais têm a maior culpa no cartório, dado que muitas das suas dietas são à base de produtos agropecuários.

Ainda que os investigadores lancem o alerta, admitem que esta mudança passa também pelos governos, através de políticas de educação, criação de taxas sobre os alimentos e concessão de subsídios para a produção de alimentos sustentáveis.

Isto significa que a atenção na produção de gado não é suficiente. É também necessário um cuidado adicional com os produtos de origem agrícola.

“Acho que conseguimos mudar, mas temos de ter governos mais pro-activos. As pessoas podem contribuir para a mudança se alterarem a sua alimentação, mas também se procurarem os seus políticos para lhes dizerem que precisam de ter melhores leis ambientais. Isso é muito importante”, concluiu Springmann.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2018

 

1147: Encontrado raro caracol fossilizado em âmbar com 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Lida Xing, China University of Geosciences

Uma equipa internacional de paleontólogos descobriu em Mianmar um caracol incrivelmente fossilizado em âmbar datado de há cerca de 100 milhões de anos – sendo, por isso, contemporâneo dos dinossauros. 

Ao contrário da maioria dos fósseis de caracol já encontrados, que costumam apenas preservar a concha, o fóssil recém-descoberto está perfeitamente intacto, desde a sua concha até aos seus tecidos moles e tentáculos.

De acordo com o cientista e professor Xing Lida, que liderou a pesquisa, este é o exemplar de caracol com tecidos moles mais antigo até agora encontrado. “O par de tentáculos e os olhos do caracol foram preservados intactos no âmbar”, disse.

O fóssil foi encontrado no Vale de Hukawng, no norte de Mianmar, uma região rica em descobertas fósseis em âmbar, pertencendo assim ao período do Cretáceo, no qual viveram alguns dos dinossauros mais amados do mundo, como o T-Rex ou o Velociraptor.

De acordo com o artigo publicado esta semana na revista Cretaceous Research, a morfologia sugere que o fóssil encontrado é ancestral dos Cyclophoridae, uma família de caracóis terrestres. Desta forma, este exemplar não é só o mais antigo já encontrado em âmbar, como pode também ser do mais antigo já descoberto na Ásia.

Os caracóis são extremamente frágeis, tal como nota o Science Alert. Os seus corpos são macios e gelatinosos, e os seus exoesqueletos – também conhecidos como as suas conchas – são sensíveis. Apesar de haver registo de alguns exemplares, é muito raro encontrar caracóis preservados em âmbar.

Este fóssil, comprado a um coleccionador de fósseis privado em 2016, é 70 milhões de anos mais velho do que qualquer outro fóssil de caracol com tecido mole até agora encontrado – é um fóssil excepcional de um caracol ainda jovem.

“A antiga resina das árvores tinha um excepcional potencial de preservação, capturando até os detalhes mais ínfimos dos organismos fósseis há milhões de anos num espaço 3D perfeito – os animais parecem ter ficado presos em resina ontem”, explicou o paleontólogo Jeffrey Stilwell em declarações à National Geographic.

Há ainda outro detalhe interessante sobre o fóssil. De acordo com os especialistas, o animal estava provavelmente vivo quando foi “apanhado” pela resina. “As partes moles do caracol estão muito esticadas e isso pode significar que estava a tentar uma fuga final que não tem sucesso”, lê-se no artigo.

Esta é uma descoberta com detalhes sem precedentes neste tipo de fossilização, que agora se junta às demais descobertas feitas em Mianmar nos últimos anos. O fóssil encontra-se agora na colecção do Instituto de Paleontologia de Dexu em Chaozhou, na China.

Por ZAP
15 Outubro, 2018

 

1146: Queimaduras solares? Os dinossauros são os culpados

Alex Beynon / Flickr

Sempre que apanhamos sol, uma preocupação emerge de imediato: queimaduras. Por que somos tão vulneráveis à luz solar? Um estudo recente procura responder a este enigma evolutivo, apontando os dinossauros como principais culpados.

O sol emite radiação electromagnética em todo o espectro, mas a parte visível é a única que podemos ver. Há também raios ultravioletas, e essa parte do espectro tem energia suficiente para danificar o nosso ADN. O protector solar impede que os raios UV danifiquem as células.

Os humanos precisam de protector solar porque fazemos parte do grupo conhecido como mamíferos placentários, que carecem de um recurso genético chamado função de reparo do ADN por fotorreação. Organismos que têm essa capacidade podem activar mecanismos de reparo do ADN em resposta à luz solar, como é o caso das plantas e a maioria dos animais.

Segundo o estudo recente, publicado na Cell, há um animal diferente dos mamíferos placentários que não possui esse mecanismo: o caverna da Somáliaou “peixe-vampiro”, Phreatichthys andruzzii.

Como o próprio nome indica, o peixe vive em cavernas submarinas onde não há luz, por isso não precisa de olhos. Após milhões de anos de evolução, também perdeu a função de reparo do ADN de fotorreativação. Ao analisar o ADN do peixe, os cientistas descobriram os genes que deveriam controlar essas habilidades de reparo do ADN.

Segundo o ExtremeTech, a equipa concluiu então que o Phreatichthys andruzzii está nas fases iniciais do mesmo processo que afectou os nossos ancestrais mamíferos há milhões de anos.

O estudo sugere que os mamíferos placentários experimentaram uma selecção relaxada no que diz respeito aos mecanismos de reparo do ADN. Quando as condições de um organismo mudam, traços que antes eram muito importantes podem ser perdidos com o tempo.

Desta forma, se prestarmos atenção à história dos nossos ancestrais mamíferos, apercebemo-nos que eles evoluíram numa época em que os dinossauros passeavam o dia todo,à procura de pequenas porções para comer.

Isto pode ter causado um “gargalo nocturno“, já que os mamíferos sobreviveram durante gerações, escondendo-se no subsolo durante o dia e apenas saindo à noite. Assim, por causa disso, terão perdido o mecanismo de reparo de fotorreativação ao longo do tempo porque não lhes era útil.

A investigação terá ainda de ser aprofundada, procurando pistas na genética dos mamíferos antes que possamos dar esta informação como um dado adquirido. Ainda assim, se a culpa é dos dinossauros, podemos, pelo menos, consolar-nos com o fato de já estarem todos mortos, e nós não.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2018

 

1144: Cientistas explicam como surgem os sistemas de magma que nutrem super-erupções

Francis R. Malasig / EPA

Para descobrir onde é que o magma se encontra na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista da Universidade de Vanderbilt, Guilherme Gualda, e a sua equipa viajaram para a área mais activa: a Zona Vulcânica Taupo, na Nova Zelândia.

Para descobrir onde o magma se acumula na crosta terrestre e durante quanto tempo, o vulcanologista Guilherme Gualda, da Universidade de Vanderbilt, e a sua equipa, viajaram para o aglomerado mais activo: a Zona Vulcânica Taupo na Nova Zelândia, onde ocorreram algumas das maiores erupções dos últimos dois milhões de anos .

Depois de estudar camadas de pedra-pomes visíveis em cortes de estradas e outros afloramentos, medindo a quantidade de cristais nas amostras e usando modelos termodinâmicos, a equipa de cientistas determinou que o magma se aproximava da superfície a cada erupção sucessiva.

Este trabalho integra-se num projecto que tem como objectivo estudar super-erupções – como os sistemas de magma que os alimentam são construídos e como a Terra reage à entrada repetida de magma em curtos períodos de tempo.

“À medida que o sistema é redefinido, os depósitos tornam-se mais rasos”, disse Gualda, professor associado de ciências da terra e do meio ambiente. “A crosta está a ficar cada vez mais quente, então o magma pode alojar-se em níveis mais rasos.”

Além disso, a natureza dinâmica da crosta da Zona Vulcânica de Taupo tornou muito mais provável a erupção do magma em vez de simplesmente ficar armazenado na crosta. As erupções mais frequentes e com menor impacto, que produziam 50 a 150 quilómetros cúbicos de magma, impediram, muito provavelmente, uma super-erupção.

Super-erupções produzem mais de 450 quilómetros cúbicos de magma e afectam o clima da Terra durante vários anos após a erupção, adianta o EurekAlert.

“Há magma estagnado que é pobre em cristal, que se mantém fundido durante algumas décadas, e a certa altura irrompe”, disse Gualda. “Aí, outro corpo de magma é estabelecido, mas não sabemos como se forma esse corpo.  É um período no qual aumenta o derretimento na crosta.”

A questão que permanece no ar tem a ver com o tempo que esses corpos de magma, ricos em cristais, se reúnem entre as erupções. Pode demorar milhares de anos, mas Gualda acredita que o período de tempo é mais curto do que isso.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2018

 

1143: Os aceleradores de partículas não vão destruir o planeta (mas os humanos sim)

kotedre / DeviantArt
Detalhe do LHC, Large Hadron Collider, acelerador de partículas do CERN

Antes de nos preocuparmos com o que os aceleradores de partículas podem fazer com o nosso planeta – se transformá-lo num buraco negro ou numa grande esfera densa – devemo-nos preocupar com o que nós próprios estamos a fazer à Terra, avisa Martin Rees.

Nos últimos dias, os media têm relatado que o último livro do cosmólogo britânico Martin Rees, On the Future: Prospects for Humanity, faz uma afirmação que deixou muitos a pensar: se tudo der errado, os aceleradores de partículas podem ser capazes de transformar a Terra numa grande esfera densa ou num buraco negro.

Mas, na verdade, segundo Rees, o seu livro diz transmite exactamente a ideia contrária: a probabilidade de isso acontecer é muito baixa. A ideia de o Large Hadron Collider formar mini-buracos negros não tem de nos preocupar, afirma.

“Acho que as pessoas se preocupavam muito com essa questão antes de fazerem experiências. Agora as experiências são realizadas pela natureza – ao extremo“, disse Rees.

Raios cósmicos, ou partículas com energias muito mais altas do que aquelas criadas em aceleradores de partículas colidem frequentemente na galáxia, e ainda não fizeram nada de desastroso. “Não é estúpido pensar nesta possibilidade, mas não devem ser preocupações sérias.”

No entanto, “se estivermos a fazer algo contra a natureza, sim, é preciso ter cuidado. Aliás, é nestes casos que a tecnologia pode ser uma verdadeira ameaça para o futuro”.

A edição genética é um exemplo, dado que pode gerar novos produtos orgânicos que não existem na natureza. Estas alterações genéticas que, essencialmente, alteram o código genético para alterar a probabilidade de herdar certos traços, podem levar a efeitos ambientais imprevisíveis.

A tecnologia, no entender do cosmologista, está também a fazer com que seja mais fácil as acções terem consequência de longo alcance. Rees dá como exemplo um ataque cibernético.

A tecnologia faz também coisas incríveis, especialmente no campo da medicina e nas viagens espaciais. “Apesar de as coisas poderem correr muito bem, há sempre muitos perigos ao longo do caminho por causa do uso indevido das tecnologias”, avisa.

Outra grande ameaça para o nosso futuro é a nossa influência humana no clima, no meio ambiente e na biodiversidade. “É importante ter conversas internacionais sobre como combater as pressões que a humanidade colocou no mundo. E, além disso, é muito mais fácil combater as mudanças climáticas do que migrar para um planeta novo”, afirmou.

“É uma ilusão perigosa pensar que podemos escapar dos problemas do mundo indo para Marte”, disse Rees.

Por ZAP
14 Outubro, 2018

 

1142: Cientistas já sabem como alimentar 10 mil milhões de pessoas de forma sustentável até 2050

Stegerding / Flickr

Investigadores identificaram as melhorias que o planeta precisa para alimentar de forma sustentável a população humana em expansão.

“Sem uma acção eficaz, os impactos ambientais do sistema alimentar podem aumentar entre 50% a 90% até 2050”, afirmou Marco Springmann, especialista em sustentabilidade ambiental e saúde pública da Universidade de Oxford que liderou a pesquisa.

“Nesse caso, todas as fronteiras planetárias relacionadas com a produção de alimentos seriam superadas, algumas delas em mais do dobro”, acrescentou à Discover Magazine.

Segundo o estudo publicado a 10 de Outubro na revista Nature, a população terrestre aumentará tanto nos próximos 30 anos que esgotará a capacidade do planeta para cultivar alimentos suficientes.

À medida que as nações em crescimento começarem a comer mais – como já acontece no mundo ocidental – haverá uma intensificação dos impactos ambientais.

O sistema alimentar global estimula as mudança climatéricas, altera as paisagens e impulsiona a escassez de recursos.

Para tentar reverter o panorama futuro, Springmann estudou as opções possíveis para evitar uma crise mundial.

Para isso, Springmann e os seus colegas investigadores construíram um modelo para entender o impacto do sistema alimentar nos cinco principais sectores ambientais: emissões de gases de efeito de estufa, uso de terras agrícolas, uso de água doce e aplicações de nitrogénio e de fósforo.

O modelo criado pelos investigadores recria a produção de alimentos, o processamento e as necessidade de alimentação para 62 produtos agrícolas de 159 países, juntamente com pegadas ambientais específicas de cada país.

Panorama e situação actual

De acordo com a equipa, em 2010, o sistema mundial de alimentos emitiu cerca de 5,2 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono e ocupou cerca de 12,6 milhões de quilómetros quadrados de terras cultivadas (uma área maior do que os EUA).

No cultivo das terras foram ainda usados 1,810 quilómetros cúbicos de água doce e 104 teragramas de nitrogénio – algo como 300 mil aviões Boeing 747 – e 18 teragramas de fertilizantes fosfatados.

Com estes dados apresentados e a estimativa de que a população global crescerá cerca de um terço para quase 10 mil milhões até 2050, as expectativas não são as melhores.

Segundo o estudo, este aumento da população mundial, combinado com a triplicação da renda global, pressionará ainda mais o sistema alimentar elevando o impacto das catástrofes mundiais nos sectores alimentares entre 50% e 92%.

A solução sustentável

Para os investigadores, a produção de alimentos de origem animal é responsável por quase três quartos do total das emissões e é tão intensa e prejudicial para o ambiente que os cientistas propõe mudar as dietas para incluir menos carne e mais grãos, nozes, legumes, verduras e frutas.

Esta alteração no consumo de carne proporcionaria um alívio para todo o sistema global alimentar e ainda ajudaria a aumentar o índice de saúde mundial. Os investigadores recomendam ainda reduzir o desperdício de alimentos e melhorar as práticas agrícolas.

Em relação ao desperdício alimentar, segundo o estudo, mais de um terço de toda a comida produzida é perdida antes de chegar ao mercado ou é desperdiçada pelo consumidor final. Segundo o relatório, uma redução pela metade do desperdício de alimentos diminuiria o impacto ambiental do sistema alimentar em 16%.

Quanto à proposta da melhoria das práticas agrícolas, o estudo fala em aumentar a rentabilidade, reciclar o fósforo e utilizar as águas das chuvas de maneira mais eficiente para reduzir as tensões do sistema alimentar sobre o meio ambiente em 30%.

Não há uma solução única suficientemente eficaz para evitar ultrapassar fronteiras planetárias”, disse Springmann. “Mas quando várias soluções são implementadas em conjunto, a nossa pesquisa indica que pode ser possível alimentar a população em crescimento de forma sustentável”.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2018