3977: Descoberto um pacífico “rio de estrelas” na Via Láctea. É o que resta da morte violenta de uma galáxia

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

(dr) ESA/Gaia/DPAC

Uma equipa de astrónomos descobriu um vasto fluxo de estrelas que acreditam ser os restos de uma galáxia anã maciça que foi arrastada para o disco galáctico antes de ser despedaçada.

De acordo com o modelo padrão da evolução do Universo, as galáxias crescem ao fundir-se a absorver galáxias mais pequenas. Existem muitas evidências desse processo na Via Láctea: foram identificados vários fluxos que foram ligados a galáxias anãs e aglomerados globulares interrompidos pelas forças de maré da galáxia.

O satélite Gaia, que foi lançado em 2013 e colhe dados para produzir o mapa 3D mais preciso da Via Láctea, está a estudar cuidadosamente os movimentos adequados, velocidades radiais e distâncias das estrelas para determinar onde tudo se localiza e como se move.

Esse processo está a revelar a história das altercações da Via Láctea com outras bolhas de estrelas – como Antlia 2, a Galáxia Anã Elíptica de Sagitário e a Salsicha Gaia. Porém, tudo isto foi identificado ao procurar coisas que se movem e são construídas de forma diferente. É mais difícil identificar uma galáxia fragmentada. Estrelas que se movem com a rotação do disco galáctico e têm composições químicas semelhantes às estrelas da Via Láctea podem ser negligenciadas.

Lina Necib, física teórica da Caltech e os seus colegas, aplicou uma rede neural para construir um catálogo de estrelas a partir do segundo lançamento de dados de Gaia do que tinha sido atirado para a galáxia – em vez de nascer na Via Láctea.

“A rede toma como entrada a cinemática tridimensional de cada estrela (duas coordenadas angulares, dois movimentos apropriados e paralaxe) e, em seguida, gera uma pontuação associada à probabilidade de a estrela ser acumulada”, explicaram os investigadores, de acordo com o ScienceAlert.

Quando extraíram as estrelas que a rede neural estava certa de que tinham sido acumuladas, a equipa encontrou um grupo de 232 estrelas, que se moviam juntas num movimento progressivo – com a rotação da galáxia – e com composições químicas semelhantes. A esse “rio de estrelas” chamaram Nyx, em homenagem à deusa grega da noite.

Quando simularam as órbitas dessas estrelas há mil milhões de anos, a equipa descobriu que possuíam propriedades orbitais diferentes das estrelas tanto no disco espesso como no disco fino da Via Láctea.

“Acoplar essa observação ao facto de Nyx ficar atrás do disco em ~90kms1 e ter um componente substancial de velocidade radial é um forte argumento de que é o resultado de uma fusão por satélite“, escreveram os cientistas.

Grupos estelares que se movem juntos podem ser criados por outros meios, como ressonâncias geradas por perturbações da barra galáctica ou ondas de densidade nos braços espirais – mas não se encaixam com Nyx. Simulações desses fenómenos não poderiam produzir o atraso de Nyx sem causar outros efeitos que não foram identificados nos dados.

A melhor teoria para seus dados é uma galáxia anã que, em algum momento da longa história da Via Láctea, foi sugada e esticada quando as estrelas começaram a orbitar o centro da Via Láctea.

É provável que Nyx contenha estrelas que não foram identificadas neste estudo, porque ficaram fora dos rígidos parâmetros inseridos na rede neural. No entanto, estudos futuros podem ajudar a esclarecer esse evento.

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Como também há evidências de que populações de estrelas acumuladas se correlacionam com aglomerados de matéria escura que se acredita terem sido absorvidos na fusão juntamente com as estrelas, Nyx pode ajudar a entender a forma como essas fusões contribuem para o disco de matéria escura de uma galáxia.

O estudo foi publicado esta semana na revista científica Nature Astronomy.

ZAP //

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9 Julho, 2020

 

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3976: Anãs brancas podem ser fonte de um elemento essencial para a vida no Universo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA, ESA and G. Bacon (STScI)
Representação artística da anã branca Sirius, a estrela mais brilhante no nosso firmamento

Uma nova análise sobre anãs brancas levada a cabo por uma equipa de cientistas internacionais sugere que os remanescentes estelares destes corpos podem ser uma importante fonte de carbono, um elemento essencial para a vida.

Em comunicado, os cientistas recordam que quase 90% de todas as estrelas completam o seu desenvolvimento sob a forma de uma anã branca, um remanescente estelar muito denso que arrefece e se atenua gradualmente ao longo de milhões de anos.

A nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Astronomy, concluiu que estes corpos, antes de serem completamente queimados, emitem as suas cinzas para o Espaço circundante através de ventos estelares enriquecidos com elementos químicos, incluindo carbono recém-sintetizado no interior profundo da estrela durante as últimas fases da sua vida.

Na mesma nota, os cientistas refere que, desde 2018, analisam e calculam massas de várias anãs brancas da Via Láctea e de outras galáxias do Universo.

“Usando a teoria da evolução estelar, fomos capazes de voltar às estrelas-mães‘ e derivar as suas massas à nascença”, explicou Enrico Ramirez-Ruiz co-utor do estudo e professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade da Califórnia em Santa Cruz (EUA).

Por norma, quanto mais maciça é uma estrela ao nascer, mais maciça será também a anã branca no momento do seu desaparecimento, tendência que tem sido apoiada por várias observações e conjecturas teóricas.

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9 Julho, 2020

 

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3975: Área de gelo com a dimensão de duas Espanhas desapareceu no Mar de Wedell nos últimos cinco anos

CIÊNCIA/ANTÁRCTIDA

NASA

O gelo de marinho de verão na região do Grande Mar de Weddell, na Antárctida, diminuiu um milhão de quilómetros nos últimos cinco anos, concluiu uma nova investigação levada a cabo por uma equipa de cientistas internacionais.

Esta área “desaparecida” na região da Antárctida é duas vezes maior do que Espanha e mais de dez vezes o tamanho do território português.

Os resultados da investigação foram publicados na revista especializada Geophysical Research Letters, num artigo científico que detalha as implicações do desaparecimento desta massa de gelo para o ecossistema marinho.

Em comunicado, os cientistas alertam que o gelo marinho que circunda a Antárctida é um habitat importante para muitas espécies, incluindo pinguins e focas, que dependem destas massas de gelo para aceder a alimento e para se reproduzirem.

Para chegar a esta conclusão, escreve a agência espanhola Europa Press, os cientistas analisaram registos de satélite da extensão do gelo marinho e análises climáticas do final dos anos 70, tentando compreender porque é que o gelo marinho de verão na área Antárctida do Mar de Weddell se reduziu em um terço nos últimos cinco anos.

A equipa descobriu que a perda de gelo ocorreu devido a uma série de fortes tempestades no verão antárctico de 2016/17, sendo a situação também agravada pelo reaparecimento de uma área de água aberta no centro do “bloco de gelo” – área de águas abertas, conhecida como polínia -, que não ocorria desde meados da década de 70.

“O gelo marinho da Antárctida continua a surpreender-nos. Em contraste com o Ártico, o gelo em torno da Antárctida estava a aumentar a sua extensão desde a década de 1970, mas depois declinou rapidamente, registando níveis baixos, sendo o mais dos declínios [registado] no Mar de Weddell”, explicou o cientista climático do British Antarctic Survey, sediado em Cambridge (Reino Unido), e principal autor do estudo John Turner.

E alertou: “No verão, esta área possui agora um terço a menos de gelo marinho, [situação] que terá implicações para a circulação oceânica e para a fauna marinha da região”.

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9 Julho, 2020

 

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3974: A Grande Mancha Vermelha de Júpiter tem uma nova companhia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Clyde Foster / NASA

Um astrónomo amador na África do Sul detectou uma nova mancha no hemisfério sul do maior planeta do Sistema Solar. A mancha, apelidada de “Mancha de Clyde”, aparece entre a icónica Grande Mancha Vermelha de Júpiter e o S2-AWO A7, outra grande tempestade a sudeste.

A nova mancha de Júpiter foi descoberta na manhã e 31 de maio por Clyde Foster, director da secção Shallow Sky da Sociedade Astronómica da África Austral (ASSA). Foster estava a observar Júpiter na época, identificando o local com um filtro sensível ao gás metano. A mancha não foi detectada pelos astrónomos na Austrália horas antes.

Num golpe de sorte, a nave espacial Juno, da NASA, fez o seu 27.º sobrevoo em Júpiter dois dias depois. “Dado o tempo, o facto de Juno estar numa órbita altamente alongada de 53 dias e capaz de capturar apenas uma fatia fina de Júpiter durante o sobrevoo, é uma coincidência notável”, escreveu Foster no site da ASSA.

Usando os dados colhidos durante o sobrevoo, o astrónomo amador Kevin M. Gill criou uma projecção de mapa combinando cinco imagens diferentes tiradas por Juno quando estava entre 45 mil e 59 mil quilómetros do topo das nuvens de Júpiter, mostrando a nova mancha em grande detalhe.

As imagens de Juno “mostram estruturas fascinantes dentro do sistema de tempestades que já estão a causar excitação na comunidade científica planetária”, escreveu Foster.

Conhecida como um “surto convectivo”, a mancha de Clyde é uma pluma de nuvens que se estende acima das camadas de nuvens. Tais características são facilmente detectáveis em comprimentos de onda de metano, aparecendo como manchas brilhantes.

De acordo com a NASA, surtos convectivos não são incomuns no cinturão do Sul Temperado de Júpiter, incluindo um que apareceu nesta faixa de latitude há dois anos.

Juno fará outro sobrevoo em 25 de Julho, quando a NASA terá outra visão aproximada dessa tempestade, para que se possa ver como este surto mudou ao longo dos dias e semanas desde a sua descoberta inicial.

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter pode estar a encolher, mas a sua espessura é constante

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A mancha mais famosa do maior planeta do Sistema Solar é  Grande Mancha Vermelha, que é alvo de estudos há vários anos. Os cientistas chegaram mesmo a prever o pior: a tempestade está a diminuir e podia estar a morrer. Num estudo mais recente, concluiu-se que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter pode até estar a encolher, mas a sua espessura manteve-se constante nas últimas décadas.

ZAP //

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8 Julho, 2020

 

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3973: Cortiça portuguesa usada em foguetões da Space X

CIÊNCIA/SPACE X

SpaceX

A Corticeira Amorim forneceu a Space X, de Elon Musk, para componentes usados nos foguetões espaciais da empresa, adiantou o presidente da empresa, António Rios Amorim.

“É o nosso maior cliente [deste segmento] neste momento desde que a NASA parou” de lançar os próprios vaivéns, disse o gestor, durante um debate sobre “40 anos de Ciência e Conhecimento: capacitar as empresas para os novos desafios”, organizado pelo INESC, no Porto.

Este segmento de negócio, que faz parte do esforço da corticeira em diversificar actividade, terá rendido entre três e quatro milhões de dólares (1,7 milhões de euros a 2,6 milhões de euros) e é “a aplicação a seguir a rolha que mais traz valor acrescentado”, segundo Rios Amorim.

A empresa, que trabalhava antes com a NASA para fornecer componentes de foguetões que são obrigatoriamente de cortiça, produz as peças nos EUA, por ser mais fácil de certificar, mas a cortiça é portuguesa.

“Discordo da análise e narrativa de que não havia ciência em Portugal e agora é espectacular e as empresas não conseguem usar a ciência. É a narrativa errada”, disse o presidente do Conselho de Administração da Sonae, Paulo Azevedo, citado pela TSF.

“O progresso na ciência foi fabuloso, mas nas empresas também foi muito grande”, acrescentou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
7 Julho, 2020

 

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3972: Dubai vai construir uma cidade marciana no deserto

CIÊNCIA/EAU

(dr) Bjarke Ingels Group
Mars Science City

O Dubai tem em mãos um projecto ambicioso: a construção de uma cidade marciana. O projecto foi apresentado por uma empresa sediada em Copenhaga e Nova Iorque e é uma parte do plano dos Emirados Árabes Unidos de colonizar Marte nos próximos 100 anos.

Na impossibilidade de irem até ao Planeta Vermelho, um conjunto de arquitectos decidiu arregaçar as mangas e recriar a ideia de uma cidade marciana em pleno deserto, nos arredores do Dubai.

O Mars Science City foi projectado para cobrir 176 mil metros quadrados de deserto, o equivalente a mais de 30 campos de futebol, e terá um custo aproximado de 120 milhões de euros.

Segundo a CNN, este projecto contempla a criação do Centro Espacial Mohammed Bin Rashid do Dubai (MBRSC) que visa desenvolver a tecnologia necessária para colonizar Marte nos próximos 100 anos. Foi com esse propósito que os arquitectos da Bjarke Ingels Group (BIG), empresa sediada em Copenhaga e Nova Iorque, apresentaram uma proposta para projectar no deserto um protótipo de uma cidade marciana.

Os especialistas tiveram de ter em consideração o facto de Marte ter uma atmosfera fina: pelo facto de haver pouca pressão de ar, os líquidos evaporam-se rapidamente. Além disso, não existe campo magnético e, como consequência, há pouca protecção à radiação solar.

Jonathan Eastwood, director do Laboratório Espacial do Imperial College London que não está ligado a este projecto, explicou que a possibilidade de se poder viver no Planeta Vermelho vai muito além dos aspectos técnicos. “O maior desafio não é de engenharia ou científico, mas humano. Ou seja, não é só saber como é possível sobreviver, mas também saber como é possível prosperar.”

Ainda assim, a equipa do Bjarke Ingels Group decidiu superar os desafios colocados em Marte. Desta forma, para manter uma temperatura confortável e uma pressão de ar habitável, a cidade seria composta por cúpulas pressurizadas, cobertas por uma membrana de polietileno transparente. Cada uma das cúpulas receberia oxigénio produzido por uma instalação de electricidade no gelo subterrâneo.

À medida que a população crescesse, as cúpulas iriam ficar juntas para formar aldeias e cidades em forma de anéis. As cidades poderiam ser alimentadas e aquecidas usando energia solar e a atmosfera fina poderia ajudar as cúpulas a manter a temperatura.

Os engenheiros explicaram à CNN que os edifícios teriam uma sala debaixo do solo marciano, a uma profundidade até seis metros, para que as pessoas se pudessem proteger da radiação ou de meteoros. Nessas salas poder-se-iam construir “claraboias que poderiam ter aquários”. As janelas de água protegeriam os habitantes da radiação e permitiriam a entrada de luz nessas salas.

“A ideia de proteger gradualmente da radiação é sensata e a ideia das janelas de água é bastante elegante”, disse Jonathan Eastwood.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2020

 

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3971: Investigadores descobrem origem e massa máxima de buracos negros observados por detectores de ondas gravitacionais

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Diagrama esquemático do percurso evolutivo de buraco negro binário para GW170729. Uma estrela com menos de 80 massas solares evolui e desenvolve-se numa super-nova de colapso de núcleo. A estrela não sofre instabilidade de par, de modo que não há uma ejecção significativa de massa por pulsação. Depois da estrela formar um núcleo massivo de ferro, colapsa sob a sua própria gravidade e forma um buraco negro abaixo das 38 massas solares. Uma estrela entre 80 e 140 massas solares evolui e transforma-se numa super-nova por instabilidade de par pulsante. Depois da estrela formar um núcleo massivo de carbono-oxigénio, o núcleo sofre uma criação catastrófica de pares electrão-positrão. Isto estimula uma forte pulsação e ejecção parcial dos materiais estelares. Os materiais ejectados formam a nuvem que envolve a estrela. Depois, a estrela continua a evoluir forma um núcleo massivo de ferro, que colapsa de maneira semelhante a uma super-nova comum de colapso de núcleo, mas com um buraco negro com massa final entre 38 e 52 massas solares. Estes dois caminhos podem explicar a origem das massas dos buracos negros binários detectados no evento de ondas gravitacionais GW170729.
Crédito: Shing-Chi Leung et al./Instituto Kavli para Física e Matemática do Universo

Através de simulações de uma estrela moribunda, uma equipa de físicos teóricos descobriu a origem evolutiva e a massa máxima de buracos negros que são descobertos graças à detecção de ondas gravitacionais.

A excitante descoberta de ondas gravitacionais com o LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) e com o Virgo mostrou a presença de buracos negros em sistemas binários íntimos.

As massas dos buracos negros observados foram medidas antes da fusão e resultaram numa massa muito maior do que o esperado anteriormente, cerca de 10 vezes a massa do Sol (massa solar). Num destes eventos, GW170729, a massa observada de um buraco negro, antes da fusão, é na realidade tão grande quanto 50 massas solares. Mas não está claro que tipo de estrela pode formar um buraco negro tão massivo, ou qual a massa máxima para um buraco negro observado pelos detectores de ondas gravitacionais.

Para responder a esta pergunta, uma equipa de investigação do Instituto Kavli para Física e Matemática do Universo estudou o estágio final da evolução de estrelas muito massivas, em particular com 80 a 130 massas solares, em sistemas binários íntimos. O seu achado está ilustrado nos desenhos (a-e) e nos gráficos.

Em sistemas binários íntimos, inicialmente estrelas com 80 a 130 massas solares perdem o seu invólucro rico em hidrogénio e tornam-se estrelas de hélio com 40 a 65 massas solares. Quando as estrelas com massa inicial entre 80 e 130 vezes a do Sol formam núcleos ricos em oxigénio, as estrelas sofrem pulsação dinâmica, porque a temperatura no interior estelar torna-se alta o suficiente para que os fotões sejam convertidos em pares electrão-positrão. Esta “criação de pares” torna o núcleo instável e acelera a contracção para o colapso (ilustração b).

Na estrela super-comprimida, o oxigénio é queimado explosivamente. Isto desencadeia um salto de colapso e em seguida uma rápida expansão da estrela. Uma parte da camada estelar externa é expelida, enquanto a parte mais interna arrefece e colapsa novamente (ilustração c). A pulsação (colapso e expansão) repete-se até que o oxigénio se esgote (ilustração d). Este processo é chamado “instabilidade de par pulsante” (PPI – “pulsational pair-instability”). A estrela forma um núcleo de ferro e colapsa finalmente para um buraco negro, o que desencadeia a explosão de super-nova (ilustração e), chamada super-nova-PPI (PPSISN).

Ao calcularem várias destas pulsações e ejecções associadas de massa até ao colapso da estrela e formação do buraco negro, a equipa descobriu que a massa máxima de um buraco negro formado a partir de uma super-nova-PPI (super-nova por instabilidade de par pulsante) é de 52 massas solares.

As estrelas inicialmente mais massivas do que 130 massas solares (que formam estrelas de hélio com mais de 65 massas solares) passam por uma “super-nova por instabilidade de par” devido à queima explosiva de oxigénio, que interrompe completamente a estrela sem nenhum remanescente de buraco negro. As estrelas acima das 300 massas solares colapsam e podem formar um buraco negro mais massivo do que aproximadamente 150 massas solares.

Os resultados acima preveem a existência de uma “lacuna de massa” na massa do buraco negro entre 52 e aproximadamente 150 massas solares. Os resultados significam que o buraco negro com 50 massas solares em GW170729 é provavelmente o remanescente de uma super-nova por instabilidade de par pulsacional.

O resultado também prevê que um meio circum-estelar massivo seja formado pela perda de massa pulsacional, de modo que a explosão de super-nova associada com a formação do buraco negro induzirá a colisão do material ejectado com o material circum-estelar para se tornar uma super-nova super-luminosa. Os futuros sinais de ondas gravitacionais vão fornecer uma base sobre a qual estas previsões teóricas podem ser testadas.

Astronomia On-line
7 de Julho de 2020

 

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3970: Radar sugere que a Lua é mais metálica do que se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem, com base em dados da sonda LRO da NASA, mostra a face da Lua como a vemos da Terra. Quanto mais aprendermos sobre o nosso vizinho mais próximo, mais podemos começar a entender a Lua como um lugar dinâmico com recursos úteis que um dia podem suportar presença humana.
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona

O que começou como uma caça ao gelo escondido nas crateras polares lunares transformou-se numa descoberta inesperada que pode ajudar a esclarecer uma história “lamacenta” sobre a formação da Lua.

Os membros da equipa do instrumento Mini-RF (Miniature Radio Frequency) na sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA encontraram novas evidências de que a sub-superfície da Lua pode ser mais rica em metais, como ferro e titânio, do que os investigadores pensavam. Esta descoberta, publicada dia 1 de Julho na revista Earth and Planetary Science Letters, pode ajudar a estabelecer uma ligação mais clara entre a Terra e a Lua.

“A missão LRO e o seu instrumento de radar continuam a surpreender-nos com novas ideias sobre as origens e sobre a complexidade do nosso vizinho mais próximo,” disse Wes Patterson, investigador principal do Mini-RF do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, co-autor do estudo.

Evidências substanciais apontam para a Lua como o produto de uma colisão entre um proto-planeta do tamanho de Marte e a jovem Terra, formando-se a partir do colapso gravitacional da restante nuvem de detritos. Consequentemente, a composição química da Lua assemelha-se à da Terra.

No entanto, observando em detalhe a composição química da Lua, essa história torna-se menos clara. Por exemplo, nas planícies brilhantes da superfície da Lua, chamadas terras altas lunares, as rochas contêm quantidades mais pequenas de minerais contendo metais em comparação com a Terra. Esta descoberta podia ser explicada se a Terra tivesse se diferenciado completamente num núcleo, manto e crosta antes do impacto, deixando a Lua em grande parte pobre em metais. Mas quando nos debruçamos sobre os mares lunares – as planícies grandes e mais escuras – a abundância de metais torna-se mais rica do que muitas rochas na Terra.

Esta discrepância intrigou os cientistas, levando a inúmeras perguntas e hipóteses sobre o quanto o proto-planeta impactante pode ter contribuído para as diferenças. A equipa do Mini-RF encontrou um padrão curioso que pode levar a uma resposta.

Usando o Mini-RF, os investigadores procuraram medir uma propriedade eléctrica no solo lunar empilhado no chão de crateras no hemisfério norte da Lua. Esta propriedade eléctrica é conhecida como constante dieléctrica, um número que compara as capacidades relativas de um material e o vácuo do espaço para transmitir campos eléctricos, e pode ajudar a localizar gelo escondido nas sombras das crateras. A equipa, no entanto, percebeu que esta propriedade aumentava com o tamanho das crateras.

Para crateras com aproximadamente 2 a 5 km de diâmetro, a constante dieléctrica do material aumentava constantemente à medida que as crateras cresciam, mas para crateras com 5 a 20 km de diâmetro, a propriedade permanecia constante.

“Foi uma relação surpreendente que não tínhamos motivo para acreditar que existisse,” disse Essam Heggy, co-investigador das experiências Mini-RF da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles e autor principal do artigo publicado.

A descoberta deste padrão abriu a porta para uma nova possibilidade. Como os meteoros que formam crateras maiores também escavam mais fundo na sub-superfície da Lua, a equipa argumentou que a constante dieléctrica crescente da poeira nas crateras maiores podia ser o resultado de meteoros que escavam óxidos de ferro e titânio situados abaixo da superfície. As propriedades dieléctricas estão directamente ligadas à concentração desses minerais metálicos.

Se a sua hipótese estivesse correta, isso significaria que apenas as primeiras centenas de metros da superfície da Lua são escassas em óxidos de ferro e titânio, mas abaixo da superfície, há um aumento constante até um tesouro rico e inesperado.

Comparando imagens de radar do chão de crateras obtidas pelo Mini-RF com mapas de óxido de metais do instrumento Wide-Angle Camera da LRO, da missão japonesa Kaguya e da Lunar Prospector da NASA, a equipa encontrou exactamente o que suspeitava. As crateras maiores, com o seu material dieléctrico maior, também eram mais ricas em metais, sugerindo que mais óxidos de ferro e titânio haviam sido escavados das profundidades de 0,5 a 2 km do que das profundidades 0,2 a 0,5 km do subsolo lunar.

“Este empolgante resultado do Mini-RF mostra que, mesmo após 11 anos de operação na Lua, ainda estamos a fazer novas descobertas sobre a história antiga do nosso vizinho mais próximo,” disse Noah Petro, cientista do projecto LRO do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. “Os dados do Mini-RF são incrivelmente valiosos e contam-nos mais sobre as propriedades da superfície lunar, mas usamos estes dados para inferir o que ocorreu há mais de 4,5 mil milhões de anos!”

Estes resultados seguem evidências recentes da missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) da NASA, que sugere que uma massa significativa de material denso existe apenas algumas dezenas a centenas de quilómetros abaixo da enorme bacia do Polo Sul-Aitken da Lua, indicando que os materiais densos não estão distribuídos uniformemente no subsolo lunar.

A equipa enfatiza que o novo estudo não pode responder directamente às questões pendentes sobre a formação da Lua, mas reduz a incerteza na distribuição dos óxidos de ferro e titânio na sub-superfície lunar e fornece evidências críticas necessárias para melhor entender a formação da Lua e a sua ligação com a Terra.

“Realmente levanta a questão do que isso significa para as nossas anteriores hipóteses de formação,” disse Heggy.

Ansiosos por mais descobertas, os cientistas já começaram a examinar o chão de crateras no hemisfério sul da Lua para ver se existem aí as mesmas tendências.

Astronomia On-line
7 de Julho de 2020

 

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3969: Gaia revoluciona o rastreamento de asteróides

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do Gaia a mapear as estrelas da Via Láctea.
Crédito: ESA/ATG medialab; fundo – ESO/S. Brunier

O observatório espacial Gaia da ESA é uma missão ambiciosa que tem o objectivo de construir um mapa tridimensional da nossa Galáxia, fazendo medições de alta precisão de mais de mil milhões de estrelas. No entanto, na sua jornada para mapear sóis distantes, o Gaia está a revolucionar um campo científico muito mais perto de casa. Ao mapear com precisão as estrelas, está a ajudar os investigadores a rastrear asteróides perdidos.

Usando estrelas para avistar asteróides

O Gaia mapeia a Galáxia “varrendo” repetidamente o céu inteiro. Ao longo da sua missão planeada, observou cada uma das suas mais de mil milhões de estrelas alvo aproximadamente 70 vezes para estudar como a sua posição e brilho mudam ao longo do tempo.

As estrelas estão tão distantes da Terra que os seus movimentos entre imagens são muito pequenos, por isso o Gaia tem que medir as suas posições com grande precisão a fim de perceber uma diferença. No entanto, às vezes o Gaia vê fontes de luz fracas que se movem consideravelmente de uma imagem de uma determinada região do céu para a seguinte, ou são avistadas apenas numa única imagem antes de desaparecerem.

Para percorrer o campo de visão do Gaia tão rapidamente, estes objectos devem estar localizados muito mais perto da Terra.

Ao verificar as posições destes objectos em relação aos catálogos de corpos conhecidos do Sistema Solar, determina-se que muitos destes objectos são asteróides conhecidos. Alguns, no entanto, são identificados como potencialmente novas detecções e são seguidos pela comunidade astronómica através da Rede de Acompanhamento Gaia para Objectos do Sistema Solar. Graça a este processo, o Gaia descobriu com sucesso novos asteróides.

Perdidos e achados

Estas observações directas de asteróides são importantes para os cientistas do Sistema Solar. No entanto, as medições altamente precisas das posições das estrelas pelo Gaia fornecem ainda outra vantagem mais impactante, mas indirecta, para o rastreamento de asteróides.

“Quando observamos um asteróide, observamos o seu movimento em relação às estrelas de fundo para determinar a sua trajectória e prever onde estará no futuro,” diz Marco Micheli, do NEOCC (Near-Earth Object Coordination Centre) da ESA. “Isto significa que, quanto mais precisamente conhecemos as posições das estrelas, mais confiável é a determinação da órbita de um asteróide que passa à sua frente.”

Em colaboração com o ESO, a equipa de Marco participou numa campanha de observações visando 2012 TC4, um pequeno asteróide que deveria passar perto da Terra. Infelizmente, desde que o asteroide foi avistado pela primeira vez em 2012 que se tornou cada vez mais fraco à medida que se afastava da Terra, tornando-se finalmente inobservável. O local em que apareceria no céu, durante a próxima campanha, não era bem conhecido.

“A possível região do céu onde o asteróide podia aparecer era maior do que a área que o telescópio podia observar ao mesmo tempo,” diz Marco. “Portanto, tivemos que encontrar uma maneira de melhorar a nossa previsão da posição do asteróide.”

“Debrucei-me sobre as observações iniciais de 2012. O Gaia desde então fez medições mais precisas das posições de algumas estrelas de fundo das imagens, e usei-as para actualizar a nossa compreensão da trajectória do asteróide e para prever onde apareceria.”

“Apontámos o telescópio para a área prevista do céu usando os dados do Gaia e encontrámos o asteróide na nossa primeira tentativa.”

“O nosso próximo objectivo era medir com precisão a posição do asteroide, mas tínhamos muito poucas estrelas na nossa imagem para usar como referência. Havia 17 estrelas listadas num catálogo mais antigo e apenas quatro estrelas medidas pelo Gaia. Fiz cálculos usando os dois conjuntos de dados.”

“No final do ano, quando o asteroide foi observado várias vezes por outras equipas e a sua trajectória era mais conhecida, ficou claro que as medições que fiz usando apenas quatro estrelas do Gaia eram muito mais precisas do que as que usavam as 17 estrelas. Isto foi realmente incrível.”

Mantendo a Terra segura

Esta mesma técnica está a ser aplicada a asteróides que nunca foram perdidos, permitindo que os investigadores usem dados do Gaia para determinar as suas trajectórias e propriedades físicas com a mais alta precisão até agora.

Isto ajuda-os a actualizar os modelos populacionais de asteróides e a aprofundar a nossa compreensão de como as órbitas dos asteróides se desenvolvem, por exemplo, medindo efeitos dinâmicos subtis que desempenham um papel fundamental na inserção de pequenos asteróides em órbitas que os colocam em rota de colisão com a Terra.

Dançando com a luz do Sol

Para fazer medições tão precisas das posições de outras estrelas, o Gaia tem um relacionamento complicado com a nossa própria estrela.

O Gaia orbita no segundo ponto de Lagrange, L2, do sistema Sol-Terra. Esta posição mantém o Sol, a Terra e a Lua todos por trás do Gaia, permitindo observar uma grande parte do céu sem a sua interferência. Também está num ambiente de radiação térmica uniforme e mantém uma temperatura estável.

No entanto, o Gaia não pode cair na sombra da Terra, pois a espaço-nave ainda depende da energia solar. Dado que a órbita no ponto L2 é instável, pequenos distúrbios podem acumular-se e encaminhar a sonda para um eclipse.

A equipa de controle de voo do Gaia no centro de missões ESOC da ESA em Darmstadtm, Alemanha, é responsável por fazer correcções na trajectória da nave a fim de mantê-la na órbita correta e fora da sombra da Terra. Garantem que o Gaia continua a ser uma das naves espaciais mais estáveis e precisas de todos os tempos. No dia 16 de Julho de 2019, a equipa executou com sucesso uma manobra crucial para evitar eclipses, movendo o Gaia para a fase estendida da sua missão e permitindo que continue a examinar o céu por mais alguns anos.

Astronomia On-line
7 de Julho de 2020

 

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3968: Âmbar preserva cores de insectos com 99 milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) NIGPAS

A natureza é repleta de tons, mas as cores raramente são preservadas no registo fóssil. A maioria das reconstruções tem por base a imaginação dos artistas.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing da Academia Chinesa de Ciências (NIGPAS) desvendou os segredos da verdadeira coloração de insectos com 99 milhões de anos. O artigo científico foi recentemente publicado na Proceedings of the Royal Society B.

As cores oferecem muitas pistas sobre o comportamento e a ecologia dos animais: além de os manter protegidos de predadores, também os ajuda a manter a aparência e a temperatura certa. Compreender a coloração de animais extintos pode ajudar os cientistas a descobrir mais informações sobre os ecossistemas no passado geológico profundo.

Este novo estudo oferece uma nova perspectiva sobre as vidas frequentemente negligenciadas de insectos que coexistiam com os dinossauros nas florestas tropicais do período Cretáceo. Os cientistas analisaram 35 peças de âmbar com insectos preservados de uma mina no norte do Myanmar.

“O âmbar é de meados do Cretáceo, com aproximadamente 99 milhões de anos, e remonta à idade de ouro dos dinossauros. É essencialmente resina produzida por árvores coníferas antigas que cresceram num ambiente de floresta tropical. Os animais e plantas presos nesta resina espessa foram preservados”, explicou Chenyang Cai, professor do NIGPAS e líder da investigação.

O raro conjunto de fósseis inclui vespas-cuco com cores metálicas: uma vespa verde-azulada, outra verde-amarelada, uma terceira com um tom azul-arroxeado e a última com a cor verde na cabeça, no tórax, no abdómen e nas pernas. Em termos de cor, são quase as mesmas das vespas que existem actualmente na natureza.

Segundo o SciTechDaily, a equipa também descobriu espécimes de besouros azuis e roxos e uma mosca verde-escura-metálica. “Vimos milhares de fósseis presos no âmbar, mas a preservação da cor destes espécimes é extraordinária”, disse Diying Huang, co-autor do estudo.

(dr) NIGPAS

O tipo de cor preservado nos fósseis é chamado de cor estrutural. “É causado pela estrutura microscópica da superfície do animal. A nano-estrutura superficial dispersa a luz de comprimentos de onda específicos e produz cores muito intensas. Este mecanismo é responsável por muitas das cores que conhecemos”, explicou Yanhong Pan, especialista em reconstrução de paleocorais.

Os cientistas usaram lâminas de diamante para cortar os exo-esqueletos de duas das vespas coloridas e uma amostra de cutícula opaca normal para perceberem se estas eram as verdadeiras cores dos insectos há milhões de anos.

Através da microscopia electrónica, os cientistas conseguiram mostrar que os fósseis coloridos têm uma nano-estrutura exo-esquelética bem preservada que dispersa a luz. A nano-estrutura inalterada dos insectos coloridos sugeria que as cores preservadas em âmbar podem ser as mesmas que as exibidas no Cretáceo.

No entanto, em fósseis que não preservam a cor, as estruturas cuticulares estão seriamente danificadas, explicando a sua aparência castanha ou preta.

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7 Julho, 2020

 

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3967: O buraco negro mais faminto do Universo engole por dia uma massa equivalente à do Sol

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

No centro do quasar mais brilhante já descoberto “mora” um dos maiores buracos negros que é também o mais “faminto” de todo o Universo: por dia, engole o equivalente à massa do nosso Sol.

As estimativas são de um grupo de astrónomos da Austrália, Estados Unidos e do Observatório Europeu do Sul (ESO) e constam num novo artigo que foi recentemente publicado na revista científica Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

Em causa está o buraco negro super-massivo J2157-3602, localizado na constelação de Southern Fish, a 12.000 milhões de anos-luz de distância. Pesa aproximadamente 8.000 vezes a massa de Sagitário A *, o buraco negro central de nossa galáxia.

A sua massa é equivalente a 34 mil milhões de vezes a do Sol, frisa o portal Sci News.

Estas estimativas, frisam os cientistas no novo estudo, refletem o estado do quasar quando o Universo tinha apenas 1,2 mil milhões de anos (cerca de 10% da sua idade actual), devido à enorme distância que existe entre este corpo e a Terra.

A partir desta idade estimada, os cientistas foram capazes de calcular a taxa de crescimento do seu buraco negro e concluíram que esta é a maior conhecida até agora – este corpo engole diariamente o equivalente à massa solar.

“A quantidade de massa que os buracos negros podem absorver depende da quantidade de massa que já possuem”, começou por explicar Fuyan Bian, co-autor do estudo e especialista do Observatório Europeu do Sul, sediado no Chile. “Por isso, para este objecto devorar uma taxa de matéria tão elevada como esta, pensamos que possa ser detentor de um novo recorde. E agora sabemos disso”, continuou, citado em comunicado.

As novas estimativas do objecto foram calculadas tendo por base dados de um telescópio australiano e do Very Large Telescope (VLT) do ESO.

“Se o buraco negro da Via Láctea quisesse engordar até este ponto, teria que engolir dois terços de todas as estrelas da nossa galáxia”, compara o astrónomo australiano Christopher Onken, que também participou na nova investigação.

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7 Julho, 2020

 

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3966: Campo magnético da Terra pode mudar 10 vezes mais rápido do que se pensava

CIÊNCIA/GEOFÍSICA

(dr) Peter Reid / The University of Edinburgh

As mudanças na direcção do campo magnético da Terra podem ocorrer dez vezes mais rápido do que se pensava até então, sugerem novas simulações levadas a cabo por cientistas da Universidade de Leeds (Reino Unido) e da Califórnia (EUA).

A nova investigação, explicaram os cientistas em comunicado citado pelo portal de Ciência Phys.org, fornece uma nova visão sobre o fluxo em espiral do ferro a 2800 quilómetros abaixo da superfície e a forma como este influenciou o movimento do campo magnético terrestre nos últimos cem mil anos.

Para chegar a esta conclusão, a equipa utilizou uma abordagem diferente: os especialistas combinaram simulações computorizadas do processo de criação do campo magnético com uma reconstrução publicada recentemente das variações de tempo no campo magnético terrestre nos últimos cem mil anos.

As simulações, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Nature Communications, demonstraram que as mudanças na direcção do campo magnético da Terra atingiram taxas até 10 vezes maiores do que as variações mais rápidas até agora relatadas, de até um grau por ano.

Os cientistas acreditam que estas rápidas mudanças estão ligadas ao enfraquecimento local do campo. Segundo os especialistas, estas mudanças ocorrem, por norma, em momentos em que o campo inverteu a polaridade ou durante durante excursões geo-magnéticas em que o eixo dipolo – correspondente às linhas do campo que emergem de um pólo e convergem no outro – se afasta dos locais no norte e dos pólos geográficos no sul.

“Temos um conhecimento muito incompleto do nosso campo magnético de há 400 anos. Como estas rápidas mudanças representam alguns dos comportamentos mais extremos do núcleo líquido, estes podem fornecer informações importantes sobre o comportamento do interior profundo da Terra”, disse Chris Davies, professor associado da Universidade de Leeds e autor do estudo.

Catherine Constable, da Universidade da Califórnia, rematou: “Entender as simulações computorizadas refletem com precisão o comportamento físico do campo geo-magnético, conforme inferido a partir de registos geológicos, pode ser muito desafiador”.

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7 Julho, 2020

 

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3965: Há um ponto específico da Terra que está a arrefecer (e não a aquecer)

CIÊNCIA/OCEANOGRAFIA

Em contra-ciclo com o resto da Terra, há um ponto específico no centro do Oceano Pacífico que está a arrefecer de ano para ano, segundo uma nova investigação.

Ao contrário do resto do planeta, que parece sentir os efeitos das mudanças climáticas e da emissão de gases de efeito de estufa, uma equipa de cientistas descobriu que há um ponto no Pacífico onde as temperaturas estão a descer, escreve o portal Mashable.

Um novo estudo que foi recentemente publicado na revista científica especializada Nature Climate Change explora as possíveis razões por detrás do estranho comportamento deste ponto, que tem sido mencionado como “buraco de aquecimento” ou “a bolha”.

Os cientistas concluíram que não há uma razão isolada para o fenómeno, mas antes várias.

Isto é, não há uma justificação para explicar o fenómeno por si só, sendo antes um conjunto de factores responsável pelo comportamento. A equipa de cientistas destaca que as correntes oceânicas e as nuvens espessas que se reúnem sobre este ponto localizado no Pacífico têm um papel importante na sua temperatura.

Em contra-ciclo, o mesmo efeito de estufa que está a aquecer a maior parte da Terra está também, muito provavelmente, a causar fenómenos complexos que, consequentemente, fazem “a bolha” do Pacífico ficar mais fria.

“A mudança climática causada pelo Homem muda o circuito do sistema climático“, começou por explicar Kristopher Karnauskas, oceanógrafo da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, que não participou nesta investigação. “[A bolha fria do Pacífico] é uma manifestação interessante do perigo que estamos a criar”.

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7 Julho, 2020

 

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3964: Arqueólogos encontram antigos locais aborígenes debaixo de água na Austrália

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(dr) Flinders University
Arquipélago Dampier, na Austrália

Muitos assentamentos, construídos em solo seco no final da Era do Gelo, foram inundados pelo mar. Na costa australiana, é provável que muitos locais antigos estejam debaixo de água.

Uma equipa internacional de arqueólogos encontrou, pela primeira vez, artefactos aborígenes no fundo do mar na Austrália, abrindo a porta para a descoberta de assentamentos antigos inundados desde a última era glacial.

As descobertas foram realizadas depois de vários levantamentos arqueológicos e geofísicos no arquipélago de Dampier. O trabalho integra o projecto Deep History of Sea Country (DHSC), financiado pelo Discovery Project Scheme do Conselho de Pesquisa da Austrália (ARC).

Centenas de ferramentas de pedra feitas pelos povos indígenas da Austrália, há pelo menos 7.000 anos, foram descobertas a dois metros de profundidade na remota costa ocidental da Austrália. Os artefactos descobertos representam o caso de arqueologia subaquática mais antigo da Austrália.

A equipa de arqueólogos da Universidade Flinders, da Universidade da Austrália Ocidental, da Universidade James Cook, da ARA – Airborne Research Australia e da Universidade de York (Reino Unido) fizeram parceria com a Murujuga Aboriginal Corporation para localizar e investigar artefactos antigos em dois locais subaquáticos.

Os antigos locais subaquáticos, em Cape Bruguieres e Flying Foam Passage, fornecem novas evidências dos modos de vida aborígenes, numa altura em que o fundo do mar era terra seca, avança o RawStory.

As paisagens culturais submersas representam o que é actualmente conhecido como “País do Mar” para muitos aborígenes australianos, que têm uma profunda conexão cultural, espiritual e histórica com estes ambientes subaquáticos.

“Anunciamos a descoberta de dois sítios arqueológicos subaquáticos que já estiveram em terra seca. Este é um passo emocionante para a arqueologia australiana ao integrarmos a arqueologia marítima e indígena e estabelecer conexões entre a terra e o mar”, disse Jonathan Benjamin, da Universidade Flinders.

De acordo com o artigo científico, publicado na PLOS One, mais de 30% da massa terrestre da Austrália foi submersa pelo aumento do nível do mar após a última era glacial, o que significa que uma grande quantidade de evidências arqueológicas que documentam a vida dos aborígenes está agora debaixo da água.

“Agora, temos a primeira prova de que algumas dessas evidências arqueológicas sobreviveram ao processo de subida do nível do mar. A arqueologia costeira antiga não está perdida para sempre, simplesmente não a encontramos. Estas novas descobertas são o primeiro passo para explorar a verdadeira última fronteira da arqueologia australiana”, disse o cientista.

A equipa encontrou 269 artefactos em Cape Bruguieres, a profundidades de até 2,4 metros abaixo do nível da água do mar. A datação por radio-carbono e a análise das mudanças no nível do mar mostram que o local tem, pelo menos, 7 mil anos.

O segundo sítio arqueológico, na Flying Foam Passage, inclui uma nascente de água doce subaquática, a cerca de 14 metros abaixo do nível do mar. Estima-se que este sítio tenha, pelo menos, 8.500 anos.

Ambos os locais podem ser muito mais antigos, uma vez que as datas representam apenas idades mínimas.

Estes territórios, agora subaquáticos, “abrigavam ambientes favoráveis ​​para assentamentos indígenas, incluindo água doce, diversidade ecológica e oportunidades para explorar recursos marinhos que teriam dado suporte a densidades populacionais relativamente altas”, disse Michael O’Leary, geo-morfólogo marinho da Universidade da Austrália Ocidental.

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7 Julho, 2020

 

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3963: Northolt Branch Observatories

The NEOCP object, ZTF0DcQ, that we observed last night, has now been designated 2020 NB. It is an Apollo-type asteroid with a diameter of 17-38 metres.

2020 NB was first observed at Zwicky Transient Facility, Palomar Mountain on July 6th. It made a close approach on the July 5th, at a distance of 0.0012au (179,500 km) from Earth.

We observed it when it was visible at +17.8 mag moving at 34″/min through the constellation of Draco.
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20N20.html

O objecto NEOCP, ZTF0DcQ, que observámos ontem à noite, foi agora designado como 2020 NB. É um asteróide do tipo Apollo com um diâmetro de 17-38 metros.

2020 NB foi observada pela primeira vez na Zwicky Transient Facility, Montanha Palomar, no dia 6 de Julho. Fez uma aproximação próxima no dia 5 de Julho, a uma distância de 0.0012 au (179,500 km) da Terra.

Observámo-lo quando era visível a + 17.8 mag movendo-se a 34 “/ min através da constelação de Draco.
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20N20.html

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

 

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3962: Reconstrução 3D mostra rosto de homem da Idade da Pedra

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

(dr) Oscar Nilsson

Oscar Nilsson, um artista forense sueco, reconstruiu virtualmente a aparência de um homem da Idade da Pedra, cujo crânio sem mandíbula foi encontrado em 2012.

Em 2012, arqueólogos suecos encontraram um cemitério de pessoas que terão vivido há cerca de 8 mil anos. Lá, descobriram 11 crânios submersos que, segundo a investigação, foram datados da época da Idade da Pedra. Apenas dois crânios tinham mandíbulas.

Oscar Nilsson, um artista forense sueco, decidiu fazer uma reconstrução em 3D de um homem da Idade da Pedra, utilizando a informação genética e anatómica disponível. O artista criou um busto de um homem com, aproximadamente, 50 anos, de olhos azuis, cabelo castanho e pele pálida, que seguramente pertencia a um grupo de caçadores-colectores.

Para recriar o rosto sem danificar o crânio, o especialista realizou uma tomografia computorizada e imprimiu uma réplica tridimensional em plástico.

Pelo facto de não possuir mandíbula, Nilsson baseou-se nas medições do crânio para o recriar proporcionalmente. Segundo o Live Science, o especialista também utilizou métodos forenses para determinar como seriam os músculos, a pele e outras características faciais.

Para escolher a indumentária e o penteado do homem, Nilsson inspirou-se nos restos de animais selvagens (ursos pardos, veados, javalis e alces) que foram encontrados no cemitério sueco.

“Acredito que os animais eram muito importantes para estas pessoas. Este homem está, de alguma forma, conectado com javalis: além de usar a pele dos animais, o seu penteado é inspirado neles”, explicou.

O homem da Idade da Pedra apresenta ainda uma ferida, de cerca de 2,5 centímetros, na cabeça. Por apresentar sinais de cicatrização, os investigadores concluíram que o ferimento não foi a causa da morte do indivíduo.

As pinturas de giz branco no peito é uma alusão a uma das práticas mais conhecidas entre estes povos da Idade da Pedra. “É um lembrete de que não podemos entender o gosto estético, apenas observá-lo. Não temos motivos para acreditar que estas pessoas estavam menos interessadas na sua aparência e em expressar a sua individualidade do que estamos hoje”, justificou Nilsson.

O artista salvaguarda que esta ideia é totalmente especulativa, mas sublinha que “uma descoberta tão específica como esta exige uma interpretação correspondente”.

Esta nova reconstrução facial fornece um raro vislumbre do passado. Apesar de não ser perfeita, nem totalmente precisa, é bem-sucedida.

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6 Julho, 2020

 

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3961: Quantos humanos são precisos para colonizar Marte? Novo estudo responde

CIÊNCIA/MARTE

D Mitriy / Wikimedia

Quantas pessoas são necessárias para colonizar o Planeta Vermelho? Segundo um novo estudo, no mínimo, 110.

Jean-Marc Salotti, investigador e professor no Instituto Politécnico de Bordéus, em França, concluiu recentemente que são necessários 110 colonos para continuar a civilização humana noutro planeta. O artigo científico foi publicado no dia 16 de Junho na Scientific Reports.

Partindo do princípio de que estes humanos, colocados, por exemplo, no Planeta Vermelho, não contam com suporte vindo da Terra, o investigador estima que 110 pessoas seriam suficientes para iniciar a agricultura e outras indústrias autos-suficientes antes que os recursos que tivessem levado a bordo terminassem.

A investigação teve por base um modelo matemático para determinar a exequibilidade de sobrevivência noutro planeta em regime autos-suficiente, e concluiu que a sobrevivência depende do acesso a recursos naturais, condições de trabalho e outras.

A ideia central é o factor de partilha, que permite a redução dos requisitos por indivíduo. “A sobrevivência só é possível se a exigência de tempo de trabalho for menor do que a capacidade do tempo de trabalho. Como a exigência de tempo por indivíduo tende a diminuir com o aumento da população, a determinação do número mínimo para a sobrevivência é directa”, explicou o cientista.

Segundo este princípio, os colonos deveriam trabalhar em conjunto para realizar funções e tarefas que beneficiariam todo o grupo. “Se cada colono estivesse completamente isolado e não fosse possível compartilhar, cada indivíduo teria que realizar todas as actividades e o tempo total necessário seria obtido por uma multiplicação pelo número de indivíduos”, explicou Salotti citado pelo Interesting Engineering.

Apesar de este cálculo ser hipotético, trata-se da “primeira avaliação quantitativa do número mínimo de indivíduos para sobrevivência com base em restrições de engenharia”.

Actualmente, a empresa norte-americana SpaceX está a trabalhar num projecto para levar colonos a Marte, embora ainda não haja qualquer data confirmada para a missão.

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6 Julho, 2020

 

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3960: Manchas gigantes de Betelgeuse podem explicar o seu estranho escurecimento

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

As manchas gigantes da estrela Betelgeuse podem estar por detrás do estranho escurecimento que esta estrela tem vindo a experimentar, segundo uma nova investigação levada a cabo por cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha.

No ano passado, cientistas observaram que esta estrela estava a perder o seu brilho, como se se estivesse a apagar, não se conhecendo o motivo por detrás deste fenómeno.

Não se sabe ao certo o que causa o escurecimento, mas a nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters, sugere que os pontos gigantes da estrela, localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra, foram os responsáveis pela queda significativa na luminosidade da estrela.

Entre Outubro de 2019 e Abril de 2020, foi observada uma diminuição de até 40% no brilho de Betelgeuse. Estudos anteriores sugeriam que a atenuação de brilho estava relacionada com uma nuvem de poeira que a estrela “espirrou” e que, consequentemente, escurece a luz das estrelas durante um período de tempo.

No entanto, a investigação do instituto alemão apresenta outra justificação.

“No final das suas vidas, as estrelas torna-se gigantes vermelhas. À medida que o suprimento de combustível acaba, os processos mudam, fazendo com que as estrelas libertem energia. Como resultado, estas incham, tornam-se instáveis ​​e palpitam por períodos de centenas ou mesmo milhares de dias, algo que vemos como uma flutuação no brilho”, disse Thavisha Dharmawardena, autora principal do estudo, citada em comunicado.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas utilizaram dados novos e antigos do Atacama Pathfinder Experiment (APEX) e pelo James Clerk Maxwell Telescope (JCMT), que medem a radiação em comprimentos de onda abaixo do milímetro.

“O que nos surpreendeu foi que a Betelgeuse ficou 20% mais escura mesmo na faixa de ondas abaixo do milímetro“, continuou Steve Mairs, co-autor do estudo.

Os cientistas acreditam que este comportamento não pode ser explicado pela presença da poeira, sendo mais provável que se trate de uma “distribuição de temperatura assimétrica” na estrela, uma vez que a luminosidade de uma estrela depende do seu diâmetro e, especialmente, da temperatura à sua superfície.

De acordo com os especialistas, o escurecimento medido na luz visível e nas ondas sub-milimétricas pode ser uma evidência de uma redução na temperatura média da superfície de Betelgeuse. Os dados obtidos apontam para a existência em Betelgeuse de grandes pontos que cobrem entre 50% e 70% de sua superfície visível.

“As imagens de alta resolução Betelgeuse em Dezembro de 2019 mostram áreas de brilho variável. Juntamente com os nosso resultado, esta é uma indicação clara de grandes manchas estelares que cobrem entre 50% a 70% da superfície visível e têm uma temperatura mais baixa que a fotosfera mais brilhante “, explicou o co-autor do estudo, Peter Scicluna, do European Southern Observatory (ESO).

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6 Julho, 2020

 

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3959: Northolt Branch Observatories

=== June NEO Confirmations ===

In June we helped to confirm four new near-Earth Asteroids.

Three were found by ATLAS, the other by the Catalina Sky Survey.

Of the four, there were a pair of Apollo-type asteroids, with the other two being an Amor and an Aten. None were classified as a potentially hazardous asteroid (PHA).

===

• Nearest miss: 2020 MP1 made a close approach to the Earth on June 25th at a distance of 449,000km (0.0030au)

• Smallest: 2020 MP1, 17-39 metres

• Largest: 2020 MS1, 64-143 metres

• Faintest object: 2020 MS1, at +18.8 mag

• Interesting Objects:

– June 14th: 2002 NN4, a large Aten-type asteroid that made a close approach on June 6th, became visible from the northern hemisphere at 15th magnitude.

– June 23rd: We began observing 2010 NY65, an Apollo-type asteroid about 230 metres in diameter. It is notable for making close approaches of Earth every year in late June.

– June 24th: We found 2020 MP1 to be considerably fainter than expected during its close approach, possibly indicating that it has a very elongated shape.

*Orbital diagram courtesy of: Catalina Sky Survey. D. Rankin*

#AsteroidDay2020

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

=== Junho NEO confirmações ===

Em Junho, ajudamos a confirmar quatro novos asteróides perto da Terra.

Três foram encontrados pelo ATLAS, o outro pelo Catalina Sky Survey.

Dos quatro, havia um par de asteróides do tipo Apolo, com os outros dois sendo um Amor e um Aten. Nenhum foi classificado como um asteróide potencialmente perigoso (PHA).

===

• Miss mais próxima: 2020 MP1 fez uma aproximação próxima da Terra no dia 25 de Junho a uma distância de 449,000 km (0.0030 au)

• O menor: 2020 MP1, 17-39 metros

• Maior: 2020 MS1, 64-143 metros

• Objecto mais fraco: 2020 MS1, em + 18.8 mag

• Objectos interessantes:

– 14 de Junho: 2002 NN4, um grande asteróide do tipo Aten que fez uma aproximação estreita no dia 6 de Junho, tornou-se visível do hemisfério norte à 15 a magnitude.

– 23 de Junho: Começamos a observar 2010 NY65, um asteróide tipo Apollo com cerca de 230 metros de diâmetro. É notável por fazer abordagens próximas da Terra todos os anos no final de Junho.

– 24 de Junho: Descobrimos que 2020 MP1 é consideravelmente mais fraco do que o esperado durante a sua aproximação, possivelmente indicando que tem uma forma muito alongada.

* Diagrama orbital cortesia de: Catalina Sky Survey. D. Rankin *

#AsteroidDay2020

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
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3958: Mudanças climáticas ameaçam 60% das espécies de peixes do mundo

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

oakleyoriginals / Flickr

Uma nova investigação levada a cabo por cientistas do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, sugere que as mudanças climáticas podem destruir mais espécies de peixes do que se pensavam anteriormente.

Se as temperaturas globais subirem cinco graus Celsius, um cenário muito negro para o aquecimento global, 60% de todas as espécies de peixes podiam ser extintas até 2100, de acordo com o novo estudo, cujos resultados foram publicados na revista científica Science.

Se o Homem conseguir manter o objectivo definido no Acordo de Paris de manter o aquecimento em torno do 1,5 graus Celsius, ficariam em risco cerca de 10% dos peixes.

“Podemos dizer que 1,5 graus Celsius não é o paraíso, mas haverá mudanças” para a vida marinha, começou por dizer Hans-Otto Pörtner, do instituo alemão.

Contudo, a Humanidade ainda pode travar esta tendência. “Podemos limitar estas mudanças se conseguirmos travar as alterações climáticas. Os peixes são tão importantes para a nutrição humana e, por isso, o estudo é um forte argumento para proteger os nosso ecossistema e ambientes naturais”.

Tal como frisa o portal New Scientist, estes números não são animadores, uma vez que investigações anteriores concluíam que os peixes são resilientes às alterações climáticas.

O novo estudo, importa frisar, coloca na equação as larvas, embriões e outros estados iniciais no ciclo de vida dos peixes, fase em que estes animais são muito mais vulneráveis a temperaturas altas. “[O estudo] lança luz sobre uma fase da vida [dos peixes] que tem sido amplamente ignorada”, rematou Hans-Otto Pörtner.

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5 Julho, 2020

 

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3957: Cientistas criam miniatura de ondas de choque de super-novas (e quase desvendam um mistério)

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Frederico Fiuza / SLAC National Accelerator Laboratory
A estrutura turbulenta do campo magnético em duas ondas de choque a afastar-se uma da outra

Esta versão em miniatura das ondas de choque das super-novas pode ter ajudado os cientistas a chegar muito perto da resolução de um antigo mistério cósmico.

Uma equipa de investigadores do Departamento de Energia do Centro de Aceleração Linear de Stanford (SLAC) criou uma versão em miniatura das ondas de choque das super-novas, eventos que acontecem quando uma estrela morre.

As super-novas emitem ondas de choque e explodem em raios cósmicos. Estas ondas agem como se fossem uma espécie de acelerador de partículas, mas os cientistas não entendiam como e porque é que este processo acontece. “Estes sistemas são fascinantes, mas como estão muito longe é muito difícil estudá-los”, disse o investigador Frederico Fiuza, citado pelo Live Science.

Para entender melhor este fenómeno, os cientistas reproduziram a dispersão das ondas em laboratório, mas de forma reduzida. “Não estamos a tentar criar remanescentes de super-novas em laboratório, mas podemos aprender mais sobre a física dos choques astrofísicos e validar modelos”, explicou Fiuza.

A equipa disparou lasers potentes em placas de carbono, o que resultou em dois fluxos de plasma que, ao colidirem, criaram uma onda de choque “em condições semelhantes a um choque remanescente de uma super-nova”.

Ao ver de perto o que acontece nestes eventos, os cientistas verificaram que o choque é capaz de acelerar os electrões quase à velocidade da luz. Ainda assim, como se trata de um fenómeno análogo, não foi possível perceber como é que os electrões atingiram esta velocidade, o que levou a equipa a recorrer à modelagem por computador.

“Não conseguimos ver como é que as partículas obtêm a sua energia, nem nas experiências, nem nas observações astrofísicas. É neste momento que as simulações entram em cena”, disse Anna Grassi, co-autora do estudo, publicado no dia 8 de Junho na Nature Physics.

O mistério ainda continua. No entanto, a simulação sugere que os campos electromagnéticos turbulentos dentro da onda de choque podem ser os responsáveis por acelerar os electrões à velocidade da luz.

Os cientistas vão continuar a investigar para encontrar uma resposta definitiva para este mistério cósmico.

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5 Julho, 2020

 

 

3956: Rocket Lab’s 13th launch ends in failure, after rocket experiences problem mid-flight

The vehicle started losing speed and it dropped in altitude

Rocket Lab’s 13th mission ended in failure on Saturday, after the company’s rocket experienced some kind of problem after launching to space. As a result, Rocket Lab lost its rocket, as well as all the satellites it carried on board.

The company’s Electron rocket successfully took off at 5:19PM ET from Rocket Lab’s primary launch facility on the Mahia Peninsula in New Zealand. The launch seemed to proceed just fine for the first crucial minutes, but about six minutes into the launch, live video from the rocket stalled. At that point, Rocket Lab’s livestream indicated that the rocket started to lose speed, and the vehicle dropped in altitude.

Rocket Lab eventually cut the livestream. Afterward, the company revealed that the Electron rocket had been lost during flight.

Profile photo, opens profile page on Twitter in a new tab

Rocket Lab
@RocketLab
An issue was experienced today during Rocket Lab’s launch that caused the loss of the vehicle. We are deeply sorry to the customers on board Electron. The issue occurred late in the flight during the 2nd stage burn. More information will be provided as it becomes available.

Rocket Lab’s CEO Peter Beck apologized for the failure on Twitter. “I am incredibly sorry that we failed to deliver our customers satellites today,” he tweeted. “Rest assured we will find the issue, correct it and be back on the pad soon.”

The mission, named “Pics Or It Didn’t Happen,” carried mostly Earth-imaging small satellites. The primary payload was Canon Electronics’ CE-SAT-IB, designed to demonstrate Earth-imaging technology with high-resolution and wide-angle cameras. The rocket also carried five SuperDove satellites from the company Planet, designed to image Earth from above. The last payload was a small satellite called Faraday-1, from In-Space Missions, which hosted multiple instruments from startups and other organizations that needed a ride to space.

Planet’s CEO Will Marshall announced the loss of the satellites on Twitter, noting that the company has plans to launch even more satellites this summer on two separate launches. “While it’s never the outcome that we hope for, the risk of launch failure is one Planet is always prepared for,” the company said in a statement. Planet is about to launch up to 26 of its SuperDove satellites on a European Vega rocket in August, from South America.

Since its inception, Rocket Lab has put 53 spacecraft into low Earth orbit on 12 separate missions, with this weekend’s launch the third for Rocket Lab this year. The majority of the company’s flight have been successful. Rocket Lab’s very first flight in 2017, called “It’s a Test,” was the only flight that didn’t operate according to plan; the rocket successfully launched and made it to space, but didn’t reach orbit. All of Rocket Lab’s other missions have been picture perfect since then, making today’s flight the first major failure for the company.

Profile photo, opens profile page on Twitter in a new tab

Rocket Lab
@RocketLab

Replying to @RocketLab

An incredible view of Earth below as Electron continues nominally.

Image

The Verge

 

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