1428: Não um, não dois, não três, mas quatro foguetões podem ir hoje para o espaço

Space X, Blue Origin, Arianespace e United Launch Alliance têm previsto lançar foguetões para o espaço esta terça-feira

Imagem do foguetão Falcon 9 da Space X
© D.R.

Se não houver nenhum imprevisto de última hora, como refere a notícia da Bloomberg, quatro empresas privadas planeiam lançar foguetões para o espaço esta terça-feira. Evento inédito. Que pode revolucionar a exploração espacial a nível comercial.

As empresas são as norte-americanas SpaceX, Blue Origin, United Launch Alliance e a francesa Arianespace. A primeira foi fundada por Elon Musk, que foi também o fundador da Tesla Motors, tendo sido a primeira empresa a vender um voo comercial à Lua. A segunda foi fundada por Jeff Bezos, também fundador da Amazon, conhecida empresa transnacional de comércio eletrónico. A terceira empresa resulta de uma joint venture entre a Boeing e a Lockheed Martin Corp e a quarta é uma empresa francesa lançada em 1980.

O primeiro foguetão a ser lançado será o Falcon 9 da Space X, em Cabo Canaveral, na Florida, EUA. O lançamento será acompanhado pelo vice-presidente norte-americano Mike Pense e está marcado para as 09.11 locais, ou seja, 14.11 em Lisboa.

19 minutos depois será lançado o New Shepard da Blue Origin e, em terceiro lugar, ocorrerá o lançamento do rocket russo Soyuz pela francesa Arianespace a partir da Guiana Francesa. Em último, será lançado o foguetão Delta da United Launch Alliance, a partir da base aérea de Vandenberg, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Diário de Notícias
18 Dezembro 2018 — 11:25

 

1427: Afinal, os tornados não se formam como os meteorologistas pensavam

CIÊNCIA

(CC0/PD) skeeze / Pixabay

Se imaginarmos um tornado a formar-se, pensamos numa nuvem em forma de funil a descer dos céus como se fosse um dedo malicioso a tocar na Terra. No entanto, este modelo “de cima para baixo” da génese dos tornados pode, afinal, estar errado.

Esqueça os tornados que, na sua cabeça, se formam nas nuvens e descem até à Terra. Segundo uma pesquisa recente, os tornados formam-se a partir do zero.

Segundo os cientistas, este fenómeno pode formar-se muito rapidamente, em alguns minutos. É por este motivo que capturar o nascimento de um tornado não é tarefa fácil, especialmente perto do solo, onde as árvores e as casas podem atrapalhar. Ainda assim, a meteorologista Jana Houser, da Universidade de Ohio, vem perseguindo-os há anos.

Através de um radar Doppler móvel, a especialista conseguiu obter dados abrangentes sobre quatro tornados nascidos de tempestades de super-células raras, surpreendentes e também perigosas.

Na sua investigação, a meteorologista chegou à conclusão que nenhum dos tornados começou no céu. No caso do tornado El reno, de 2013, a equipa de Houser obteve um “conjunto de dados sem precedentes” durante a génese do tornado, que permitiu à equipa concluir que o fenómeno começou a 10 metros acima do solo – e muito longe do céu.

Para ajudar na investigação, a equipa teve acesso a centenas de fotografias do fenómeno meteorológico, captadas por “caçadores de tempestades” que estavam presentes em massa. Durante a análise, a equipa comparou as fotografias com os dados das medições de radar da velocidade do vento.

E foi aí que surgiu a maior surpresa: as fotografias mostravam um claro tornado no chão antes de os dados mostrarem qualquer rotação em altitudes mais altas. Assim, a equipa voltou a analisar os dados do radar e encontrou a rotação no solo antes de, efectivamente, se materializar nas nuvens.

O conjunto de dados referentes a outros três tornados analisados mostraram padrões semelhantes, apesar de o tornado El Reno de 2011 ter mostrado rotações em múltiplas elevações diferentes em simultâneo. Isto significa que pode haver diferentes modos de tornadogénese, mas, ainda assim, os cientistas concluíram que os tornados não começaram no céu.

A equipa realça que quatro tornados é um tamanho de amostra muito pequeno, tendo em conta a média de mais de mil tornados registada nos Estados Unidos todos os anos.

Ainda assim, entender como se formam os tornados pode ajudar a proteger as pessoas que são, todos os anos, feridas e mortas por essas tempestades, adianta o Science Alert.

Actualmente, a detecção dos tornados é baseada na velocidade do vento nas nuvens. Se a formação começar perto do solo – e se puder ser detectada – isso pode adicionar preciosos segundos aos primeiros avisos de tornados.

A equipa apresentou a sua investigação no dia 14 de Dezembro na reunião anual da American Geophysical Union. Admitem a necessidade de mais análises, mas mantêm este avanço debaixo de olho. “Com base neste modelo, podemos estar mais confiantes na hora de emitir um aviso de um tornado”, concluiu Houser.

LM, ZAP //

Por LM
18 Dezembro, 2018

 

1425: Bola de fogo que explodiu na Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar mundos alienígenas

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Uma misteriosa bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar a estrutura de mundos alienígenas distantes e cobertos de gelo.

Apesar de os primeiros dados terem demonstrado que a bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia era uma das mais energéticas de 2018, durante meses os cientistas não sabiam que implicações teria este meteorito.

A bola de fogo iluminou o céu nocturno e fez o chão tremer no dia 25 de Julho, mas a maior parte do mundo teve conhecimento deste evento passado uma semana, quando um cientista da NASA, Ron Baalke, informou no Twitter.

Mais tarde, também através do Twitter, Hans M. Kristensen, investigador de armas nucleares, adiantou que a explosão ocorreu muito perto da base da Força Aérea de Thule, na Gronelândia. No entanto, a Base Aérea manteve-se muito silenciosa em relação ao fenómeno.

Agora, graças a uma feliz coincidência de tempo e espaço, temos novas provas para interpretar o evento da bola de fogo.

Em maio, alguns meses antes da bola de fogo irromper nos céus, os cientistas instalaram um sistema sísmico a apenas 70 quilómetros de Qaanaaq, num projecto chamado “Sismómetro para Investigar Gelo e Estruturas do Oceano” (SIIOS).

O objectivo do projecto é usar sismómetros para medir como podem acontecer terramotos em mundos gelados e luas (como a lua gelada de Júpiter Europa), usando análogos baseados na Terra (como o gelo da Gronelândia).

Os cientistas afirmam que o que podemos aprender sobre as espessas crostas de gelo que cobrem esses ambientes pode ser a chave para encontrar água em futuras missões no Espaço. No entanto, a mesma infra-estrutura pode também dar-nos uma visão única do que realmente aconteceu com a bola de fogo em Qaanaaq.

Num relatório apresentado na reunião anual da União de Geofísica Americana, em Washington, uma equipa liderada por Nicholas C. Schmer, da Universidade de Maryland, relatou que os sensores do sismómetro permitiram aos cientistas isolar um “evento sísmico candidato consistente com a trajectória do ponto de impacto projectado pela bola de fogo”.

Na prática, a actividade sísmica captada por vários sensores correlacionou o caminho do meteoro com o das ondas terrestres. A matriz permitiu também que os cientistas identificassem a localização exacta do impacto.

A investigação ainda não foi revisada por especialistas, mas os dados preliminares sugerem que o epicentro do impacto estava situado “nas proximidades da geleira de Humboldt, no manto de gelo da Gronelândia”.

Ainda há muita coisa por desvendar sobre a bola de fogo de Qaanaaq, mas graças à infra-estrutura do SIIOS temos agora uma pista consistente sobre o misterioso meteorito e, segundo os cientistas, uma novidade mundial no âmbito da pesquisa astronómica.

“Este candidato a evento de impacto sísmico registado por um sistema é o primeiro análogo sísmico de alta fidelidade para eventos de impacto do mundo gelado”, explicaram os autores.

Estas descobertas têm então implicações que se estendem além da Terra. Como este evento foi o primeiro registo de eventos de impacto em mundos cobertos de gelo, estas descobertas podem “informar a Ciência do impacto de objectos em todo o Sistema Solar“.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Dezembro, 2018

 

1424: Revelada a causa de três meses de terramotos em Yellowstone

Brocken Inaglory/ Wikimedia
Géiser no Parque NAcional de Yellowstone

A água pode ter sido a causa de uma longa série de terremotos sentidos no verão de 2017 no Parque Nacional de Yellowstone, Wyoming, nos Estados Unidos.

A possível causa é defendida pelo sismólogo David Shelley, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), numa coluna semanal escrita por cientistas e colaboradores do Observatório Vulcanológico do Parque de Yellowstone.

Ao longo de três meses, mais de 2500 terramotos foram registados na área, um dos quais foi o exame sísmico mais longo da história de Yellowstone. A maioria dos terramotos foi de intensidade muito fraca, mas alguns chegaram a ser sentidos no parque, como é o caso do mais forte, de magnitude 4,4, sentido a 16 de Junho de 2017.

A série de terremotos foi também capturada com mais detalhes do que qualquer outro grande enxame sentido em Yellowstone, nota Shelley na sua publicação.

De acordo com o sismólogo, os padrões desta cadeia de terramotos, especialmente a rápida migração e a falta de deformação da superfície próxima, sugerem que pode ter sido causada pela difusão da água através de gretas no subsolo da Terra, e não devido ao do movimento do magma, que pode também gerar enxames de terremotos em vulcões.

Para ao cientista, a água pode explicar parcialmente por que motivo estes enxames são tão longos. A sua duração é longa porque os enxames “expandem-se dramaticamente ao longo do tempo” e também porque as estruturas das falhas são “tão complexas”.

“Isto também pode explicar por que motivos estes enxames são comuns em áreas vulcânicas, onde a água é um subproduto libertado pelo magma mais profundo à medida que este arrefece”, explicou o cientistas.

Como esta água estão sob uma enorme pressão na crosta profunda, tende a mover-se para cima e, ocasionalmente, lateralmente. Ao interagir com rochas mais frias e quebradiças, esta água pode desencadear terramotos, acrescenta Shelley.

Por outro lado, estima o sismólogo, sem outros sinais de actividade vulcânica – como a rápida deformação da superfície ou mudanças nas emissões de gases -, os enxames sísmicos “não indicam, provavelmente, um risco crescente” de uma erupção.

ZAP // RT

Por ZAP
16 Dezembro, 2018

 

1422: Super-colónia com 1,5 milhões de pinguins esteve 3 mil anos escondida na Antárctida

CIÊNCIA

Mary Bomford / Flickr
A população de pinguins esteve “escondida” da vista humana durante milhares de anos

Uma equipa de cientistas descobriu uma super-colónia de pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) com mais de 1,5 milhões de espécimes nas remotas Ilhas Danger, no ponto mais a norte da península da Antárctida.  

A nova investigação, que foi apresentada no passado dia 11 de Dezembro num encontro da União de Geofísica dos Estados Unidos, descobriu que a enorme colónia permaneceu escondida da vista humana durante 2.800 anos, aponta o portal Live Science.

Em Março passado, os cientistas davam já conta da descoberta através de um artigo publicado na revista Scientific Reports, notando que a população era muito maior do que imaginavam. Agora, descobriram outro dado curioso: a população escondeu-se durante anos dos olhos do Homem.

A colónia foi descoberta graças a imagens de satélite, nas quais os cientistas detectaram manchas de fezes destas aves. De acordo com os relatos dos média internacionais, os cientistas tinham como objectivo de conduzir pesquisas sobre esta espécie e, para isso, decidiram recorrer a imagens de satélite capturadas do continente.

As imagens foram capturadas do programa de satélites Landsat, uma iniciativa da agência espacial americana em parceria com os Serviços Geológicos dos Estados Unidos (USGS), lançada no início dos 1970 e em curso até aos dias de hoje.

“Achávamos que sabíamos onde estavam todas as colónias”, disse Heather Lynch, ecologistas da Universidade norte-americana Stony Brook.

A pesquisa contou com a colaboração de cientistas da NASA que desenvolveram um algoritmo de detecção automática, que se revelou crucial para evidenciar que as Ilhas Danger estavam cobertas de excrementos. Os cientistas ficaram surpresos com a descoberta, nota a BBC.

Uma das imagens captada através de satélites

Os cientistas explicaram que este conjunto de ilhas é de difícil acesso, uma vez que está “quase sempre coberto por uma camada de gelo marinho que impede os censos regulares que são realizados na área”.

Apesar das dificuldades, os cientistas viajaram até ao local, onde contaram com a ajuda de drones para mapear a população dos pinguins nunca antes descrita. Segundo o ecologista, esta área “é tão pequena que, na maioria dos mapas da Antárctida, nem aparece”, contudo, disse, neste local vivem mais exemplares desta espécie do que em todo o continente.

Apesar de os 1,5 milhões ser um número bastante expressivo, os cientistas acreditam que a presença dos pinguins-de-adélia foi muito mais expressiva no passando, tendo vindo a diminuir nas últimas décadas devido às alterações climáticas.

“Agora que descobrimos este ‘ponto quente’ de abundância de pinguins-de-adélia nas ilhas de Danger, queremos ser capazes de protegê-los, o que significa tentar entender por que mas populações podem ter mudado”, disse Lynch.

Peter Fretwell, da equipa britânica de investigação na Antárctida, realçou ainda a importância de aliar as novas tecnologias à exploração destes locais de acesso remoto.

“Satélites modernos são ferramentas fantásticas para explorar e estudar estes locais de difícil acesso. Tenho certeza que muitas outras descobertas serão feitas usando estes nossos ‘olhos no céu’”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2018

 

1421: 2018 foi o segundo ano mais quente no Árctico desde que há registo

CIÊNCIA

usgeologicalsurvey / Flickr

Este ano, 2018, foi o segundo mais quente no Árctico desde 1900, quando começou a haver registos das temperaturas, aponta um relatório esta semana divulgado.

Em 2018, a temperatura esteve 1,7 graus Celsius mais elevada do que a média dos últimos 30 anos e o aquecimento global foi duas vezes mais rápido do que a média mundial. O recorde absoluto data de 2016.

Os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que coordenou um relatório de referência, escrito por mais de 80 investigadores de 12 países.

Aquele organismo depende directamente da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, que em Novembro rejeitou um relatório sobre os efeitos das alterações climáticas, da responsabilidade de investigadores federais. Apesar disso, a NOAA publicou este ano a 13.ª edição do relatório sobre o Árctico.

“O Árctico enfrenta uma transição repentina, sem precedentes na História da Humanidade”, advertiu Emily Osborne, do programa da NOAA de pesquisa do Árctico, citada pela Agência France Presse.

No Oceano Árctico, o gelo forma-se de Setembro a Março, mas a temporada tem-se encurtado nos últimos anos. O gelo é menos espesso, mais jovem e cobre menos o oceano. O gelo velho, com mais de quatro anos, reduziu-se em 95% em 33 anos.

Segundo o relatório da NOAA, cria-se um círculo vicioso em que o gelo mais jovem é mais frágil e derrete mais cedo na primavera, com menos gelo a significar menos capacidade de reflectir a luz solar, o que tem como resultado que o oceano absorve mais energia e aquece um pouco mais. Os doze anos de cobertura de gelo mais fraca são os últimos doze anos.

O relatório indica que nunca houve tão pouco gelo de inverno no mar de Bering, entre a Rússia e o Alasca, como em 2017-2018. Habitualmente, o inverno mais forte chega em Fevereiro, mas este ano o gelo derreteu naquele mês em proporções sem precedentes.

Donald Perovich, professor na Universidade de Dartmouth, no estado norte-americano de New Hampshire, refere que a perda de gelo atingiu “uma área do tamanho do estado [norte-americano] de Idaho”, cerca de 215.000 quilómetros quadrados em duas semanas de Fevereiro, um terço do território francês.

Por outro lado, de acordo com a NOAA, a aceleração do derretimento da camada de gelo na Gronelândia estabilizou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

 

1420: Os vulcões podem ser alimentados por “reservatórios de papa”

CIÊNCIA

Esteban Biba / EPA

Afinal, os vulcões podem não ser alimentados pelo magma derretido que se forma nas enormes câmaras magmáticas, mas antes por “reservatórios de papa”, áreas quase totalmente repletas cristais, onde o magma flui nos pequenos espaços existentes entre as estruturas cristalinas. 

Até então, a nossa compreensão dos processo vulcânicos dava conta que os processos vulcânicos, incluindo os que levam a enormes e destrutivas erupções, que o magma é armazenado nas chamadas câmaras magmáticas, que são uma espécie de caverna subterrânea repleta de magma no estado líquido.

No entanto, este pressuposto nunca foi observado e uma nova investigação, publicada no início do mês de Dezembro na revista científica Nature, sugere que esta suposição fundamental na compreensão dos vulcões precisa de ser repensada.

De acordo com a publicação, os vulcões são alimentados pelos chamados “reservatórios de papa” que, segundo descreveram os cientistas, são áreas compostas por cristais, na sua maioria sólidos, onde o magma flui entre os pequenos espaços existentes.

“Um ‘reservatório de papa’ compreende uma estrutura porosa e permeável de cristais fortemente compactados com o processo de fusão está presente no espaço poroso”, escreveram os cientistas do Imperial College e da Universidade de Bristol, no Reino Unido, que levaram a nova investigação a cabo.

“Devemos agora olhar novamente para como e porquê se produzem as erupções dos reservatórios. Podemos aplicar as nossas descobertas para entender as erupções vulcânicas que têm implicações para a segurança pública, e também para compreender a formação de depósitos de minerais metálicos associados aos sistemas vulcânicos”, disse Matthew Jackson, professor do Imperial College.

A teoria da “papa”

Para entrar em erupção, os vulcões precisam de uma fonte de magma, a rocha líquida, que contém relativamente poucos cristais sólidos. Acreditava-se, até então, que este magma era formado e armazenado numa enorme caverna subterrânea – a câmara magmática.

Estudos publicados recentemente sobre a química do magma já desafiavam este pressuposto, levando ao aparecimento da hipótese do “reservatório de papa”. Porém, este modelo tinha uma lacuna, não sendo capaz de capaz de explicar por que motivo os magmas pobres em cristais são formados e chegam a ser enviados para que o vulcão entre em erupção – até então.

Agora, e recorrendo à modelagem sofisticada de reservatórios, a equipa de investigadores encontrou uma solução. No cenário em causa, o magma é menos denso do que os cristais, o que faz com que a rocha líquida suba pelos espaços vazios entre os cristais.

À medida que sobe, explicaram os cientistas, o magma vai reagindo com os cristais, derretendo-os e conduzindo-os, posteriormente, a áreas locais que contêm magma com relativamente poucos cristais. E são estas mesmas áreas de vida curta de magma que, à medida que vão crescendo, podem conduzir a erupções vulcânicas.

“Um dos grandes mistérios sobre os vulcões é que se acreditava que eram sustentados por grandes câmaras de rocha derretida, mas estas câmaras eram sempre muito difíceis de encontrar”, explicou o co-autor, Stephen Sparks, da Universidade de Bristol.

“A nova ideia defende que as rochas derretidas se formam dentro de rochas quentes em grande parte cristalinas, que passam a maior parte do tempo em pequenos poros no interior da rocha, e não em grandes câmaras de magma [como se acreditava]. No entanto, a fusão ‘espreme-se’ lentamente de modo formar grupos de fusão, que podem depois explodir ou formar câmaras de magma efémeras”, sustentou.

Ao contrário da água, o líquido formado é mais denso do que o seu estado sólido. Neste caso, o magma é mais “flutuante” do que os cristais sólidos, conseguindo ir subir gradualmente, levando consigo pequenas quantidades de cristais mais antigos.

No fundo, a equipa propõe que o armazenamento de magma ocorre por fluxo reactivo de fusão dos “reservatórios de papa”, em vez de o processo comummente aceite da cristalização fraccionada em câmaras magmáticas.

Além das erupções, o novo modelo de reservatório pode ajudar a explicar outros fenómenos dos sistemas vulcânicos, como a evolução da composição química do magma.

SA, ZAP // Europa Press / Sci News

Por SA
15 Dezembro, 2018

 

1419: Caçador da Idade da Pedra não foi vítima de canibalismo. Foi queimado vivo

CIÊNCIA

Jacek Tomczyk / Universidade Cardeal Stefan Wyszyński

O crânio partido de um caçador que viveu há cerca de 8.000 anos não é evidência de canibalismo, como os investigadores pensavam anteriormente. Em vez disso, o caçador morreu num terrível assassinato, sugere um novo estudo.

Embora o crânio antigo, encontrado no que hoje é a Polónia, esteja severamente danificado, uma nova análise revelou que o crânio mostrava sinais de cura, o que significa que o homem provavelmente viveu pouco mais de uma semana após a lesão.

“Descobriu-se que o crânio danificado mostra traços de cura que não podem ser vistos a olho nu”, disse Jacek Tomczyk, antropólogo da Universidade Cardeal Stefan Wyszyński, em Varsóvia. “Isso significa que a pessoa não morreu no momento em que o impacto ocorreu, o que também destrói a crença dos arqueólogos de que estamos a lidar com uma vítima do canibalismo”.

Investigadores encontraram o crânio da Idade da Pedra há quase 50 anos, perto do Rio Narew, em Wieliszew. Além disso, os arqueólogos também encontraram um osso humano queimado, assim como ferramentas de pedra, sugerindo que o homem era um caçador.

Uma vez que o osso foi queimado e o crânio sofreu um forte golpe, os investigadores concluíram que o homem tinha sido vítima de canibalismo. Mas Tomczyk e os colegas decidiram voltar a analisar os restos mortais.

A análise mostrou uma longa incisão horizontal no centro da testa do homem, disse Tomczyk. “Apesar da fragmentação do crânio, as bordas das incisões são regulares”. Um olhar mais atento a estas bordas revelou uma “formação subtil que une vários fragmentos ósseos”, indicando que a ferida estava a começar a cicatrizar.

“Este é o primeiro caso da Polónia da Idade da Pedra em que vemos lesões nos ossos e cicatrização”, disse o antropólogo. De acordo com os investigadores, é possível que o corpo tenha sido queimado num ritual funerário, prática comum durante o período Mesolítico.

O antigo caçador tinha provavelmente 20 anos quando morreu. “Também fizemos testes de ADN, mas infelizmente os danos nos tecidos causados por altas temperaturas tornaram impossível obter resultados confiáveis”, referiu Tomczyk. A lesão no crânio, no entanto, era clara como a água: parece que o caçador “foi golpeado com uma ferramenta”.

O estudo foi submetido para ser revisto pelos pares, mas ainda não foi publicado.

ZAP // Live Science

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

 

1418: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

 

1416: Virgin Galactic chegou ao espaço com humanos a bordo e fez história. Vem aí o turismo espacial

A Virgin Galactic, a empresa de Richard Branson, conseguiu lançar uma nave até ao limiar do espaço, com dois pilotos a bordo. Um voo de teste que fez história e que abre caminho ao turismo espacial e a uma nova era na conquista do espaço.

A nave da Virgin Galactic, designada SpaceShipTwo, conseguiu alcançar o espaço sub-orbital (não chegando a entrar em órbita), atingindo uma altitude de 82,7 quilómetros, com dois pilotos no cockpit – Mark “Forger” Stucky e C.J. Sturckow.

Foi “o primeiro voo espacial humano a ser lançado de solo americano desde a missão final do Space Shuttle em 2011″ e “a primeira vez que um veículo pilotado construído para serviço comercial de passageiros alcançou o espaço”, anunciou a Virgin Galactic num comunicado.

A nave atingiu a altitude que a Administração Federal de Aviação dos EUA define como o limiar do espaço, mas o conceito não é unânime. Há quem demarque essa fronteira, chamada de linha de Karman, numa altitude de 100 quilómetros – nesta semântica, a nave de Branson terá ficado a 17 km da entrada no espaço, como nota o astrofísico Jonathan McDowell, da Universidade de Harvard, no LiveScience.

Contudo, o astrofísico refere que a marca dos 100 só existe por ser um número redondo, porque “não há justificação física” para a sua definição como linha de Karman. McDowell defende que é preciso rever aquela marca, constatando nas suas investigações, que tanto as publicações tradicionais como “as análises empíricas” e “teóricas” convergem todas no sentido de que “80 é um número melhor do que 100”.

Independentemente deste pormenor técnico, o teste de voo bem sucedido da SpaceShipTwo é encarado como um marco decisivo para a Virgin Galactic que assume a dianteira na corrida espacial para fins comerciais. A empresa fundada por Richard Branson está agora mais perto do objectivo de levar turistas a voar pelo espaço.

Não admira assim que o momento tenha sido celebrado com muito entusiasmo pela Virgin Galactic, nomeadamente com uma publicação no Twitter que destaca “SpaceShipTwo, bem-vinda ao espaço”.

“Hoje mostramos que a Virgin Galactic pode mesmo abrir o espaço para mudar o mundo de vez”, aponta Richard Branson no comunicado da empresa.

O multimilionário foi um dos muitos entusiastas que assistiu ao teste de voo no deserto de Mojave, na Califórnia. “Foram 14 longos anos até chegar aqui“, disse aos jornalistas um Branson emocionado.

“Tivemos lágrimas, lágrimas reais, e momentos de alegria”, acrescentou, reconhecendo que “as lágrimas de hoje são lágrimas de alegria” e “talvez também, sejam lágrimas de alívio”. “Quando se está no programa de testes de voo de uma companhia espacial, nunca se pode ter completamente 100 por cento de certeza”, constata Branson.

Na memória do empreendedor está certamente ainda o acidente de 2014, durante um outro teste de voo que terminou com a nave a partir-se ao meio, matando o piloto Michael Alsbury.

“Uma conquista extraordinária”

O sucesso deste novo teste é “uma conquista extraordinária”, como atesta o CEO da Virgin Galactic, George Whitesides, frisando que é a prova de que os voos espaciais comerciais vão ser “uma das indústrias definidoras do Século XXI”, com potencial para “transformar os negócios e as vidas pessoais de formas que são ainda difíceis de imaginar”.

Certo é que a Virgin Galactic se coloca na frente de empresas como a SpaceX de Elon Musk e a Blue Origin de Jeffrey Bezos. A empresa de Bezos espera fazer os primeiros testes de voo com humanos em 2019, enquanto que a companhia de Musk pretende começar a levar astronautas da NASA até à Estação Espacial Internacional também no próximo ano.

A entrada em força de empresas privadas na corrida espacial, que tem sido até agora monopolizada por Governos de países como EUA, Rússia e China, pode assinalar uma viragem decisiva nos avanços nesta área. Até porque são movidas por jovens multimilionários cheios de entusiasmo e de dinheiro.

Branson investiu quase mil milhões de dólares da sua fortuna pessoal no projecto espacial da Virgin Galactic que já está a vender bilhetes para as futuras viagens turísticas no espaço.

Entretanto, vai também construir mais naves e planeia edificar vários aeroportos espaciais pelo mundo, para permitir que milhares de pessoas possam viver a experiência. Branson já disse que quer seguir a bordo do primeiro voo espacial comercial.

SV, ZAP //

Por SV
14 Dezembro, 2018

 

1411: Um cometa verde vai passar pela Terra na segunda-feira (e qualquer pessoa vai poder vê-lo)

Pepe Manteca / Flickr

A cada 5,4 anos, o cometa 46P/Wirtanen orbita o Sol, passando pelos céus da Terra durante o caminho. Este ano, a sua visita é este mês.

Geralmente, o cometa 46P/Wirtanen está demasiado longe para o podermos ver. Mas, desta vez, o corpo celeste vai fazer a sua maior aproximação em 70 anos – passando a uma distância de 11,6 milhões de quilómetros, isto é, 30 vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Está previsto que o cometa faça a sua maior aproximação ao Sol no dia 12, quarta-feira, e à Terra no dia 17, próxima segunda-feira. Já é possível vê-lo com um telescópio.

O Cometa 46P/Wirtanen foi descoberto em Janeiro de 1948 pelo astrónomo norte-americano Carl Wirtanen, e é um dos poucos cometas que são, às vezes, visíveis a olho nu – fica tão brilhante como uma estrela fraca.

Ainda não se sabe se vai ser suficientemente brilhante para ser visível a olho nu desta vez. Mas certamente será visível com binóculos. Como acontece com todas as estrelas, será possível ver melhor em locais sem poluição luminosa.

A cauda do cometa aponta para o lado contrário da Terra, por isso, a maior parte do tempo, esta parte não será visível. No entanto, pode aparecer entre dia 13 e 14. “Existe a possibilidade de observar uma cauda de poeira, quando a Terra atravessa o plano orbital do cometa”, escreve o site australiano Southern Comets.

Como muitos outros cometas, como Lovejoy e Machholz, vai brilhar com luz verde. Isto ocorre porque o coma – a nuvem de partículas em redor do núcleo – contém cianogénio e carbono diatómico, que brilham com cor verde quando ionizados pela luz solar.

Cometas movem-se por isso a sua posição vai mudar no céu nocturno. O Time and Date tem um prático mapa nocturno interactivo no seu site, que permite localizar o cometa, seja no hemisfério Norte ou Sul.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
13 Dezembro, 2018