2206: Há uma cidade que quer abolir o tempo

Todos os dias, a Terra gira em torno de si própria. O Sol aparece no horizonte de manhã e, passado umas horas, deita-se. A vida humana está construída em volta desta periodicidade, com os dias divididos em horas, minutos e segundos.

Mas, em alguns lugares do planeta, o Sol só nasce uma vez por ano. Com o conceito de “dia” já tão distante do resto do mundo, uma população do Árctico começou a pensar: e se abandonássemos completamente o conceito de tempo?

Essa é a ideia do norueguês Kjell Ove Hveding, que vive ao norte do Círculo Árctico numa cidade chamada S. A ideia já descolou e foi apresentada pela agência de notícias estatal da Noruega e pelo menos por um dos grandes jornais nacionais do país.

Hveding encontrou-se com o seu membro local do parlamento para entregar uma petição para se livrar do tempo na cidade. O objectivo é fazer de Sommarøy um lugar onde as pessoas possam fazer o que quiserem quando quiserem.

“Temos que ir trabalhar e, mesmo depois do trabalho, o relógio toma o seu tempo”, disse Hveding ao Gizmodo. “Tenho que fazer isto, tenho que fazer isto. A minha experiência é que as pessoas esqueceram-se de como serem impulsivas, de decidir que o tempo está bom, o Sol está a brilhar, posso simplesmente viver. Mesmo que seja às três da manhã”.

No entanto, a proposta é escassa em detalhes. Está ligada à discussão sobre a utilidade do horário de verão, que a União Europeia descartou este ano. Essas discussões não têm nenhuma importância para Sommarøy, cidade com 321 habitantes em 2017, já que o Sol só se põe uma vez por ano.

Sem tempo, as lojas estariam abertas sempre que o lojista quisesse, as pessoas poderiam sair quando quisessem e, em vez de marcar, as pessoas poderiam encontrar-se impulsivamente.

Mas podem os humanos abandonar os relógios? Vivemos numa sociedade que depende de dias divididos em horas e minutos. Remover os relógios pode fazer as coisas parecerem mais flexíveis para um grupo que escolhe viver fora das regras, mas, em última análise, o trabalho, a escola e o transporte dependem do tempo.

“O problema é que os seres humanos não evoluíram no Árctico”, disse Hanne Hoffman, professor assistente de ciência animal que estuda o ritmo circadiano, ao Gizmodo. “Os nossos corpos adaptaram-se ao ciclo de 24 horas gerado pela rotação da Terra. Não podemos ir contra a evolução e é isso que está a acontecer nesses locais”.

Normalmente, as pessoas no Árctico compensam, apagando a luz nas suas casas durante o que seriam horas da noite. Uma série de hormonas e processos metabólicos respondem à luz e ao tempo, dizendo ao corpo como se comportar em diferentes pontos durante o dia. Mesmo os processos em que se pode não pensar, como a digestão e a temperatura corporal, estão ligados a esse ritmo. O desalinhamento do ritmo circadiano, onde o corpo está a trabalhar numa programação separada da mente, é um factor de risco para a doença.

Hoffman está especialmente preocupado com o facto de as crianças, que já enfrentam mudanças no seu ritmo circadiano ao entrarem na puberdade, poderem sofrer na escola em tal ambiente.

Experiências anteriores mostraram que os humanos não perdem o ritmo, mesmo na ausência de luz. Exemplo disso é Michel Siffre, explorador subterrâneo francês que se escondeu numa caverna escura durante dois meses. Embora a sua agenda lentamente tenha saído da sincronia do resto do mundo, ainda mantinha um ritmo de 24 horas.

ZAP //

Por ZAP
20 Junho, 2019

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1090: Cientistas calcularam quanto tempo ainda resta ao Universo

(dr) Colaboração TNG

Uma equipa de cientistas da Universidade de Tóquio e do Observatório Astronómico do Japão concluiu que o Universo não entrará em colapso dentro de 140 mil milhões de anos.

O período de tempo foi calculado como parte de uma análise abrangente dos efeitos da chamada energia escura, amplamente considerada a par da matéria escura como um catalisador para a expansão e destruição do Universo.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores observaram cerca de 10 milhões de galáxias ao longo de um ano, recorrendo a uma câmara de alta resolução desenvolvida para o telescópio Subaru, no Havai, Estados Unidos – a Hyper Suprime-Cam.

A análise dos dados determinou que o tempo que resta até à autodestruição do Universo – cerca de 10 vezes da sua idade actual – é maior do que apontavam as estimativas anteriores, uma vez que os cientistas encontraram uma taxa de crescimento da energia escura menor do que relatado anteriormente.

Estimativas anteriores, apontavam que o Universo tinha 22 mil milhões de anos de vida.

“Esperamos estudar muitas mais galáxias e descobrir o que vai acontecer quando o Universo acabar”, revelou Chiaki Hikage, professor na Universidade de Tóquio e líder do estudo publicado nesta semana no portal científico arXiv.org.

Por ZAP
1 Outubro, 2018

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221: Astronomia garante que os dias têm ficado mais longos

(CC0/PD) HypnoArt / pixabay

Como seria se não houvesse medidas precisas de tempo? Nada de horas ou minutos? A importância desse sistema nas nossas vidas é tal que se torna difícil imaginar a vida sem relógios, mas um dia já foi assim – e coube ao Homem criar uma forma de demarcar a passagem do tempo com exactidão.

Como os dias acabaram por ser divididos em 24 horas? E como se convencionou que o sentido horário seria da esquerda para a direita?

Marek Kukula, astrónomo do Observatório Real de Greenwich, em Londres, no Reino Unido, responde a esta e outras dúvidas e curiosidades sobre o tempo à BBC.

Por que os dias são divididos em 24 horas?

Isso remonta ao Egipto antigo e ao seu sistema de divisão dos períodos de luz do dia e de escuridão, segundo o especialista.

“De noite, dividiram o céu em dez secções iguais tendo certas estrelas como referência e ainda com outras duas secções específicas para o poente e o nascente”, diz Kukula. “Durante o dia, usavam relógios solares e decidiram dividir o dia também em 12 partes. E, com isso, chegamos ao sistema de 24 horas”.

A divisão de horas em 60 minutos e do minuto em 60 segundos vem do Médio Oriente – da Babilónia e, antes disso, do Império Sumério. Kukula explica que essas civilizações gostavam de usar divisões em 60 partes. “Aparentemente, achavam que essa era uma boa forma de fraccionar as coisas”.

É verdade que os dias hoje são mais curtos?

Pelo contrário. Na verdade, é muito difícil definir a duração de um dia, segundo o astrónomo britânico. A órbita da Terra não é exactamente circular, então, o Sol não demora o mesmo tempo a chegar ao mesmo ponto do céu a cada dia.

“E a rotação da Terra não é constante, pode acelerar ou ficar mais lenta“, diz Kukula. “Fenómenos como terramotos mudam o formato da crosta terrestre, e isso pode alterar o ritmo de rotação do planeta”.

A Lua e e sua influência sobre as marés, a enorme quantidade de água que a gravidade da Lua movimenta na superfície da Terra, também afectam os movimentos do planeta, funcionando como um “grande travão”.

“O efeito disso no longo prazo é que a rotação da Terra está a desacelerar, e os dias estão a ficar mais longos. Os dinossauros tinham dias mais curtos do que nós, e os dos nossos descendentes serão ainda mais longos”.

Quando foi decidido que os ponteiros do relógio se moveriam para a direita?

É por uma razão astronómica, diz Kukula. A tecnologia de engrenagens de relógios remonta à Grécia antiga, mas foi só na Idade Média que relógios mecânicos se popularizaram.

“Antes disso, as pessoas usavam relógios solares para demarcar o tempo. Conforme a Terra gira e o Sol produz uma sombra no chão que se movimenta. No hemisfério norte, move-se da esquerda para a direita, num arco“, diz o astrónomo.

“Quando começaram a ser criados relógios com faces circulares, foi possível adoptar esse movimento nos dispositivos”.

É possível voar rumo a oeste e chegar antes da hora em que se partiu por causa do fuso horário?

Todas as viagens levam algum tempo, então, é impossível chegar antes do horário de partida, segundo Kukula.

Mas é possível “voltar atrás no tempo” de certa forma já que vivemos num planeta esférico e determinamos o horário local de acordo com o sol.

“O mundo foi dividido em 24 fusos. Então, é possível ir para oeste e entrar numa zona com outro fuso e, de repente, o horário é adiantado em uma hora”, diz Kukula.

Isso torna-se mais complexo quanto mais próximos estamos do Equador, porque as zonas de fuso são mais largas nesta região do planeta.

“Teria de viajar muito rápido, mas, se for em direcção aos pólos, as zonas ficam mais estreitas, e, exactamente nos pólos,é possível estar em todas as zonas ao mesmo tempo”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
7 Janeiro, 2018

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