5377: Tempestades de poeira em Marte terão acelerado perda de água

CIÊNCIA/MARTE/ASTRONOMIA/ESA

NASA

As tempestades de poeira em Marte terão acelerado a perda de água no planeta, concluíram dois estudos divulgados, esta segunda-feira, pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Segundo os estudos, citados em comunicado pela ESA, Marte terá perdido uma camada de água de dois metros de profundidades a cada mil milhões de anos, mas ainda hoje, apesar de inóspito, vaza pequenas quantidades remanescentes na sua atmosfera.

Actualmente, a água em Marte, que terá sido abundante, só existe sob a forma de gelo ou gás devido à baixa pressão atmosférica.

Dados da sonda europeia Mars Express revelam, de acordo com a ESA, que a fuga de água de Marte para o espaço foi acelerada por tempestades de poeira e pela proximidade do planeta com o Sol, mas sugerem também que uma parte da água “pode ter recuado para o subsolo”.

Os novos estudos, liderados pelos investigadores Anna Fedorova, do Instituto de Investigação Espacial da Academia Russa de Ciências, e Jean-Yves Chaufray, do Laboratório de Atmosferas e Observações Espaciais de França, que assentam nestes dados, complementam informação recentemente obtida a partir do satélite europeu TGO, que aponta para que a perda de água em Marte possa estar ligada a mudanças sazonais.

Anna Fedorova e a sua equipa estudaram, durante oito anos marcianos, o vapor de água na atmosfera do planeta, desde o solo até uma altitude de 100 quilómetros, “região que ainda não havia sido explorada”.

O vapor de água “permaneceu confinado” a menos de 60 quilómetros de altitude quando Marte estava longe do Sol, mas “estendeu-se” até 90 quilómetros de altitude quando o planeta estava mais próximo do Sol.

Perto do Sol, “as temperaturas mais quentes e a circulação mais intensa na atmosfera impediram que a água congelasse a uma determinada altitude”.

“Então, a atmosfera superior fica humedecida e saturada de água, o que explica porque as taxas de fuga de água aumentam durante esta temporada: a água é transportada para mais alto, ajudando a sua fuga para o Espaço”, assinalou a investigadora, citada no comunicado da ESA.

Nos anos em que Marte teve uma tempestade de poeira, a parte superior da atmosfera tornou-se ainda mais húmida, acumulando água em excesso em altitudes de mais de 80 quilómetros.

Para Anna Fedorova, tal significa que “as tempestades de poeira, que são conhecidas por aquecer e perturbar a atmosfera de Marte, também levam água a grandes altitudes”.

No seu estudo, o grupo liderado por Jean-Yves Chaufray acrescenta que parte da água de Marte pode não ter escapado para o Espaço através da atmosfera, mas “recuado” para o subsolo.

“Como nem tudo foi perdido para o Espaço, os nossos resultados sugerem que ou a água se moveu para o subsolo ou as taxas de fuga de água eram muito mais altas no passado”, sustentou o investigador.

ZAP //LusaLusa

Por Lusa
23 Março, 2021


5247: As tempestades marcianas podem criar “faíscas” eléctricas (brilhantes e roxas)

CIÊNCIA/MARTE/ASTROFÍSICA

NASA

As tempestades de areia do Planeta Vermelho podem brilhar no escuro. Segundo os cientistas, o atrito das partículas de areia pode criar pequenos “raios”, como os que ocorrem dentro das nuvens de gás e cinzas que emergem de vulcões em erupção.

Quando uma tempestade de areia assola Marte, o ar pode crepitar brilhantes partículas de luz roxa, resultantes da colisão de partículas de poeira carregadas estaticamente. Esta é a mais recente conclusão de uma investigação, cujo artigo científico será publicado na Icarus, este mês.

De acordo com a Space, estas faíscas coloridas são inofensivas. No entanto, a presença de forças electrostáticas no Planeta Vermelho pode ter implicações abrangentes no entendimento geral da atmosfera marciana e do seu potencial para sustentar vida, disse Joshua Méndez Harper, geólogo da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos.

“Pequenas faíscas podem catalisar a produção de produtos químicos capazes de impactar a presença de materiais orgânicos”, explicou o investigador em declarações ao Live Science. “Um artigo recente sugeriu que os percloratos – compostos tóxicos para muitas formas de vida – podem ser gerados por descargas em pequena escala.”

Brilho corona

Méndez Harpere e a sua equipa replicaram a atmosfera de baixa pressão de Marte dentro de recipientes de vidro e, para simular a poeira marciana, juntaram pequenos grãos de basalto vulcânico, com uma composição semelhante às rochas detectadas no Planeta Vermelho. A equipa também usou jactos de dióxido de carbono para “agitar” as partículas.

Quando as rajadas de poeira começaram a “acender” a equipa ficou muito surpreendida. Os resultados indicam, nas palavras de Méndez Harper, que as tempestades de poeira marcianas podem estar “a estalar com electricidade”.

Ao contrário do que acontece na Terra, as cargas em Marte nunca se acumulam ao ponto de formar longos filamentos de relâmpagos. Em vez disso, as tempestades de areia marcianas podem erguer-se com pequenas faíscas que fazem as nuvens grossas brilharem na cor roxa.

O efeito é chamado de “brilho corona”.

Por Liliana Malainho
4 Março, 2021


3133: Tempestades globais em Marte lançam torres de poeira para o céu

CIÊNCIA

Animações lado a lado de como a tempestade global de poeira de 2018 envolveu o Planeta Vermelho, cortesia da câmara MARCI (Mars Color Imager) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. Esta tempestade global de poeira fez com que o rover Opportunity perdesse contacto com a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

As tempestades de poeira são comuns em Marte. Mas, mais ou menos a cada década, acontece algo imprevisível: ocorrem uma série de tempestades descontroladas, cobrindo todo o planeta numa névoa empoeirada.

No ano passado, uma frota de naves espaciais da NASA teve uma visão detalhada do ciclo de vida da tempestade global de poeira de 2018 que encerrou a missão do rover Opportunity. E enquanto os cientistas ainda estão a analisar os dados, dois artigos científicos publicados recentemente lançam uma nova luz sobre um fenómeno observado dentro da tempestade: torres de poeira, ou nuvens de poeira concentrada que aquecem à luz do Sol e se elevam no ar. Os cientistas pensam que o vapor de água preso a poeira pode estar a elevar-se com ela para o espaço, onde a radiação solar quebra as suas moléculas. Isto pode ajudar a explicar como a água de Marte desapareceu ao longo de milhares de milhões de anos.

As torres de poeira são nuvens massivas, rodopiantes e mais densas que sobem muito mais alto do que a poeira de fundo normal na fina atmosfera marciana. Embora também ocorram em condições normais, as torres parecem formar-se em maior número durante tempestades globais.

Uma torre começa à superfície do planeta como uma área de poeira relativamente elevada com algumas dezenas de quilómetros de largura. Quando uma torre atinge uma altura de 80 quilómetros, como observado na tempestade global de poeira de 2018, pode ter várias centenas de quilómetros de largura. À medida que a torre decai, pode formar uma camada de poeira 56 quilómetros acima da superfície com milhares de quilómetros de comprimento.

As descobertas mais recentes sobre as torres de poeira surgem da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, liderada pelo JPL em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Embora as tempestades de poeira globais cubram a superfície do planeta, a MRO pode usar o seu instrumento MCS (Mars Climate Sounder) com detecção de calor para espiar através da neblina. O instrumento foi construído especificamente para medir os níveis de poeira. Os seus dados, juntamente com imagens de uma câmara a bordo do orbitador chamada MARCI (Mars Context Imager), permitiram aos cientistas detectar inúmeras torres “inchadas” de poeira.

Como é que Marte perdeu a sua água?

As torres de poeira aparecem durante todo o ano marciano, mas a MRO observou algo diferente durante a tempestade de poeira global de 2018. “Normalmente, a poeira cai num dia ou mais,” disse o autor principal do artigo, Nicholas Heavens da Universidade Hampton, no estado norte-americano da Virgínia. “Mas durante uma tempestade global, as torres de poeira são renovadas continuamente durante semanas.” Em alguns casos foram vistas várias torres durante três semanas e meia.

O ritmo da actividade da poeira surpreendeu Heavens e outros cientistas. Mas especialmente intrigante é a possibilidade de as torres de poeira agirem como “elevadores espaciais” para outros materiais, transportando-os pela atmosfera. Quando a poeira transportada pelo ar aquece, cria correntes de ar que transportam gases, incluindo a pequena quantidade de vapor de água às vezes vista como nuvens finas em Marte.

Um artigo anterior liderado por Heavens mostrou que, durante uma tempestade global de poeira em 2007, as moléculas de água foram lançadas para a atmosfera superior onde a radiação solar pode decompo-las em partículas que escapam para o espaço. Isto pode ser uma pista de como o Planeta Vermelho perdeu os seus lagos e rios ao longo de milhares de milhões de anos, tornando-se no deserto gelado que é hoje.

Os cientistas não sabem dizer com certeza o que provoca as tempestades globais de poeira; estudaram menos de uma dúzia até agora.

“As tempestades globais de poeira são realmente invulgares,” disse o cientista do instrumento MCS, David Kass, no JPL. “Não temos realmente nada parecido com isto na Terra, onde o clima do planeta inteiro muda durante vários meses.”

Com tempo e mais dados, a equipa da MRO espera entender melhor as torres de poeira criadas nas tempestades globais e que papel podem desempenhar na remoção de água da atmosfera do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
3 de Dezembro de 2019

 

3038: Grande tempestade de areia pode ter ditado o fim de um império da Mesopotâmia

CIÊNCIA

martin_heigan / Flickr

O Império Acádio da Mesopotâmia entrou em colapso devido a uma enorme tempestade de areia, sugeriu uma nova investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão.

Em comunicado, os especialistas explicam que a tempestade terá continuado durante um período de tempo, causando graves problemas agrícolas na região que levaram, consequentemente, à queda do império.

A descoberta de seis corais fósseis com 4.100 anos no Golfo de Omã foi fundamental para encontrar novas evidências sobre o fenómeno climático que ocorreu na época. Os cientistas compararam as amostras recentemente encontradas com dados antigos e modernos e informações meteorológicas.

Os resultados revelaram que, durante o colapso do império, a área em causa enfrentou períodos significativos de seca devido aos ventos conhecidos como shamals, que trazem grandes quantidades de poeira. Apesar destes fenómenos serem comuns durante o Inverno, naquela época terão demorado mais do que o habitual.

“O impacto das tempestades de areia e da falta de chuva terão causado grandes problemas agrícolas, levando, possivelmente, o reino à instabilidade social e à fome, factores que já tinha sido associados ao colapso do império”, pode ler-se na nota.

O Império Acádio prosperou graças ao desenvolvimento da irrigação e desapareceu quando os seus assentamentos foram repentinamente abandonados há 4.200 anos. A região não foi repovoada durante os 300 anos seguintes da queda do império.

“Embora a marca oficial do colapso do império Acádio seja a invasão da Mesopotâmia por outras populações, as nossas amostras de fósseis são janelas temporais que sugerem que variações no clima contribuíram significativamente para o seu declínio”, explicou Tsuyoshi Watanabe, um dos autores do estudo, cujos resultados foram no início deste mês publicados na revista Geo Science World.

ZAP //

Por ZAP
16 Novembro, 2019