1390: Combinação de telescópios revela mais de 100 exoplanetas

Tamanhos relativos, temperaturas e órbitas dos exoplanetas.
Crédito: John H. Livingston

Uma equipa internacional, incluindo investigadores da Universidade de Tóquio e do Centro de Astrobiologia dos Instituto Nacionais de Ciências Naturais, anunciou a descoberta de 60 planetas usando dados da missão K2 da NASA e da missão Gaia da ESA.

Em combinação com o seu anterior tesouro exoplanetário, anunciado no passado mês de Agosto, descobriram um total de 104 planetas, um recorde para o Japão. Entre os achados estão duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, 18 planetas com menos de 2 vezes o tamanho da Terra e vários planetas de período ultra-curto, que orbitam as suas estrelas em menos de 24 horas.

A equipa realizou uma análise detalhada de 155 candidatos a planeta encontrados em dados do segundo ano de operações da missão K2, levando a um conjunto uniforme de disposições candidatas e parâmetros de sistema. Devido ao brilho das suas estrelas hospedeiras, muitos destes planetas apresentam oportunidades para caracterização detalhada a fim de sondar as suas composições e atmosferas.

Este novo trabalho combina o grande poder da fotometria de séries temporais com a astrometria precisa do Gaia, que é a medição das posições das estrelas no céu. Esta combinação de dados restringe fortemente as propriedades das estrelas hospedeiras e dos seus planetas, e só se tornou possível este ano com a segunda versão de dados da missão Gaia.

O anúncio deste novo lote de planetas segue as pisadas de outro estudo pelo mesmo autor principal, John Livingston, estudante da Universidade de Tóquio. O estudo anterior incluiu 44 planetas descobertos pelo K2, à época o maior tesouro exoplanetário já encontrado por investigadores no Japão.

“Nós quebrámos o nosso antigo recorde com este novo artigo científico,” afirma Livingston, “de modo que perfaz um total de 104 planetas com estes dois estudos.” A missão original do Kepler terminou em 2013, quando a segunda roda de reacção sofreu uma falha mecânica. Isto levou ao início de uma missão estendida, conhecida como K2, na qual o mesmo telescópio espacial podia continuar a encontrar planetas executando uma estratégia de observação diferente. A missão K2 chegou recentemente ao fim depois de ficar sem combustível, mas não sem antes de descobrir mais de 360 planetas.

“Ao extrapolar a nossa análise destes 155 candidatos, estimamos que, nos dados da missão K2, fiquem por confirmar centenas de planetas,” realça Livingston. No entanto, a maioria destes exigirá mais observações para determinar a sua verdadeira natureza.

O conjunto recém-anunciado de planetas contém duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, bem como vários planetas de período ultra-curto, que estão muito próximos das suas estrelas; um ano nesses planetas é equivalente a menos de um dia aqui na Terra. Os planetas de período ultra-curto têm atraído atenção porque a sua formação é actualmente um mistério, já que a teoria prevê que os planetas deveriam formar-se longe das suas estrelas hospedeiras.

Um destes sistemas, conhecido como K2-187, contém um total de quatro planetas, um dos quais tem período ultra-curto. “Este sistema junta-se a uma lista crescente de planetas de período ultra-curto em sistemas multi-planetários, o que pode fornecer pistas importantes sobre a formação deste tipo de exoplaneta,” explica Livingston. Os interessados na busca por planetas pequenos não ficarão desapontados: “18 dos 60 planetas têm menos de 2 vezes o tamanho da Terra e têm provavelmente composições rochosas com pouca ou nenhuma atmosfera,” acrescenta Livingston.

A equipa também descobriu que 18 dos 155 candidatos a planeta são na realidade falsos positivos, onde estrelas binárias eclipsantes produzem sinais parecidos aos produzidos por planetas em trânsito.

Além dos dados do K2 e do Gaia, a equipa caracterizou as estrelas hospedeiras recolhendo imagens através de ópticas adaptativas de alta resolução e interferometria, bem como espectros de alta resolução. A óptica adaptativa é uma técnica usada para corrigir distorções provocadas pela atmosfera, usando um espelho deformável que ajusta rapidamente a sua forma para produzir uma imagem muito nítida. A interferometria é uma técnica usada para superar as mesmas distorções, mas sem a utilização de um espelho deformável; ao invés, é captada uma sequência de imagens de exposição muito curta, efectivamente congelando o padrão de distorção atmosférica. Posteriormente, sofisticados algoritmos de processamento de imagem transformam a sequência numa única imagem com uma resolução tão alta como se não existisse atmosfera. “Com as nossas imagens de alta resolução podemos procurar outras estrelas muito próximas das estrelas hospedeiras e, com os nossos espectros, podemos até olhar para mais longe,” realça Livingston. Tais métodos observacionais desempenham um papel importante na validação de novos planetas, e os esforços contínuos vão levar ao anúncio de mais planetas no futuro.

Embora a NASA já tenha retirado oficialmente a nave Kepler, terminando assim a missão K2, a tarefa passou para uma nova missão chamada TESS, que já produziu as suas primeiras descobertas planetárias. “O futuro parece promissor para os planetas em trânsito,” diz Livingston. “Com o TESS já em funcionamento e o Telescópio Espacial James Webb ao virar da esquina, podemos esperar muitas novas e emocionantes descobertas nos próximos anos.”

O novo estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal no dia 26 de Novembro de 2018.

Astronomia On-line
7 de Dezembro de 2018

 

1373: Hubble encontra milhares de enxames globulares espalhados entre galáxias

Mosaico do gigantesco enxame de Coma, que tem mais de 1000 galáxias, localizado a 300 milhões de anos-luz da Terra. A incrível nitidez do Hubble foi usada para fazer um censo compreensivo dos mais pequenos membros do enxame: 22.426 enxames globulares.
Crédito: NASA, ESA, J. Mack (STScI) e J. Madrid (ATNF)

Olhando através de 300 milhões de anos-luz para uma cidade monstruosa de galáxias, os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para fazer um censo abrangente de alguns dos seus membros mais pequenos: 22.426 enxames globulares encontrados até à data.

O levantamento, publicado na edição de 9 de Novembro da revista The Astrophysical Journal, permitirá aos astrónomos usar o campo de enxames globulares para mapear a distribuição de matéria e matéria escura no enxame galáctico de Coma, que contém mais de 1000 galáxias.

Dado que os enxames globulares são muito mais pequenos que galáxias inteiras – e muito mais abundantes – são um muito melhor indício de como a estrutura do espaço é distorcida pela gravidade do enxame de Coma. De facto, o enxame de Coma é um dos primeiros lugares onde as anomalias gravitacionais observadas foram consideradas indicativas de uma grande quantidade de massa invisível no Universo – que depois seria chamada de “matéria escura”.

Entre os primeiros “lares” do Universo, os enxames globulares são “ilhas” em forma de globo de neve com várias centenas de milhares de estrelas antigas. São parte integrante do nascimento e crescimento de uma galáxia. Existem cerca de 150 na nossa Galáxia e, dado que contêm as estrelas mais antigas conhecidas do Universo, estavam presentes nos primeiros anos de formação da Via Láctea.

Alguns dos enxames globulares da Via Láctea são visíveis a olho nu como “estrelas” de aparência difusa. Mas, à distância do enxame de Coma, os seus enxames globulares aparecem como pontos de luz até mesmo para a visão super-nítida do Hubble. O levantamento encontrou os enxames globulares espalhados no espaço entre as galáxias. Ficaram órfãos das suas galáxias hospedeiras devido a colisões galácticas no interior deste denso aglomerado de galáxias. O Hubble revelou que alguns dos enxames globulares alinham-se como padrões semelhantes a pontes. Esta é uma evidência reveladora de interacções entre as galáxias, onde se puxam gravitacionalmente umas às outras.

O astrónomo Juan Madrid do ATNF (Australian Telescope National Facility) em Sydney, Austrália, pensou sobre a distribuição dos enxames globulares em Coma quando examinava imagens do Hubble que mostravam enxames globulares que se estendiam até à orla de qualquer fotografia de galáxias no aglomerado galáctico de Coma.

Ele estava ansioso por obter mais dados de um dos levantamentos do legado Hubble que foi projectado para recolher dados de todo o enxame de Coma, de nome “Coma Cluster Treasury Survey”. No entanto, a meio do programa, em 2006, o poderoso instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble teve uma falha electrónica (O ACS foi posteriormente reparado por astronautas durante uma missão de manutenção do Hubble em 2009).

Para preencher as lacunas do levantamento, Madrid e a sua equipa obtiveram arduamente várias imagens do enxame galáctico, pelo Hubble, a partir de diferentes programas de observação do telescópio espacial. Estas são armazenadas no Arquivo Mikulski do STScI (Space Telescope Science Institute) para Telescópios Espaciais em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. Ele compôs um mosaico da região central do enxame, trabalhando com alunos do programa estudantil do NSF (National Science Foundation). “Este programa dá uma oportunidade aos alunos universitários, com pouca ou nenhuma experiência em astronomia, de ganhar experiência no campo,” comenta Madrid.

A equipa desenvolveu algoritmos para filtrar as imagens do mosaico Coma que tivessem pelo menos 100.000 fontes potenciais. O programa usou a cor dos enxames globulares (dominados pelo brilho das estrelas vermelhas envelhecidas) e a forma esférica para eliminar objectos estranhos – principalmente galáxias de fundo não associadas com o enxame de Coma.

Embora o Hubble tenha excelentes detectores com sensibilidade e resolução inigualáveis, a sua principal desvantagem é que têm campos de visão minúsculos. “Um dos aspectos mais interessante da nossa investigação é que mostra a incrível ciência que será possível com o planeado WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope) da NASA, que terá um campo de visão muito maior que o Hubble,” comenta Madrid. “Seremos capazes de visualizar enxames galácticos inteiros de uma só vez.”

Astronomia On-line
4 de Dezembro de 2018

 

1338: Telescópio ALMA detecta açúcar na Nebulosa Pata de Gato

ESO
A nebulosa Pata de Gato fica na constelação de Escorpião, a cerca de 4.300 anos-luz da Terra.

Através dos seus receptores de maior frequência, o telescópio ALMA detestou 695 assinaturas de rádio para várias moléculas, incluindo açúcar simples, na direcção da formação estelar da Nebulosa Pata de Gato.

Tal como nota a Europa Press, estes são os primeiros resultados dos receptores do ALMA Band 10 (Atacama Large Millimeter / submillimeter Array), que foram desenvolvidos no Japão e garantem um futuro promissor no âmbito das observações de alta frequência. 

Da mesma forma que as diferentes estações de rádio na Terra emitem informações diferentes, as diferentes frequências de ondas de rádio vindas do Espaço estão carregadas com variadas informações sobre o ambiente e a composição química da sua origem.

Os receptores ALMA Band 10 (787 a 950 GHz) são a banda de frequência mais alta já conseguida. Esta tem sido uma banda de frequência difícil de observar, não só para o ALMA, que está localizado no Chile, mas também para outros radiotelescópios terrestres.

Brett McGuire, químico do Observatório Nacional de Radioastronomia em Charlottesville, no estado norte-americano da Virgínia, e a sua equipe observaram a NGC 6634I, uma nuvem de estrelas massivas, através dos novos receptores da nova “Banda Japonesa”. A NGC 6334I faz parte da Nebulosa Pata de Gato, localizada na constelação de Escorpião, a cerca de 4.300 anos-luz da Terra.

Esta nuvem estelar já tinha sido observada anteriormente nesta frequência pelo Observatório Espacial Herschel da Agência Espacial Europeia, mas tinha detectado um número muito menor de moléculas.

O Herschel detectou 65 linhas de emissão molecular, enquanto o ALMA foi capaz de identificar 695 – valor dez vezes superior. As moléculas agora detectadas na direcção da NGC 6334I incluem metanol, etanol, metilamina e glicolaldeído – a molécula mais simples associada ao açúcar.

De acordo com o novo estudo, agora publicado na Astrophysical Journal Letters, o glicolaldeído já tinha sido rastreado anteriormente noutras partes do Espaço, mas clareza da detecção do ALMA vem agora aumentar as expectativas sobre as observações com receptores de banda 10. A equipa espera que esta banda possa fornecer novas perspectivas sobre a distribuição destas e de outras moléculas.

// ZAP

Por ZAP
26 Novembro, 2018

 

1276: NASA mostra duas galáxias a colidir (e o que pode acontecer à Via Láctea)

Debra Meloy Elmegreen et al / Hubble/AURA/STScI/NASA

Observando os espessos muros de gás e pó que cercam os núcleos de galáxias em fusão, os astrónomos estão a conseguir ver o que acontece quando dois buracos negros massivos de galáxias diferentes colidem um com o outro.

Num novo estudo, publicado a 7 de Novembro na revista Nature, cientistas da Eureka Scientific analisaram centenas de imagens de galáxias em colisão capturadas pelos telescópios Hubble da NASA e do Observatório W. M Keck.

“Ver os pares de núcleos de galáxias fundidos com buracos negros massivos tão próximos foi bastante surpreendente”, disse Michael Koss, líder da equipa.

As imagens fornecem uma visão aproximada de um fenómeno que deverá ter sido mais comum no início do Universo, quando as fusões de galáxias eram mais frequentes. Quando as galáxias colidem, os buracos negros podem libertar energia poderosa na forma de ondas gravitacionais, o tipo de ondulação no espaço-tempo que só recentemente foi detectada por experiências inovadoras.

O novo estudo também mostra o que poderá acontecer ao nosso próprio espaço cósmico, daqui a milhares de milhões de de anos, quando a Via Láctea colidir com a galáxia vizinha Andrómeda e os seus respectivos buracos negros centrais se misturarem.

“Simulações de computador de galáxias mostram que os buracos negros crescem mais rapidamente no final da fusão, perto do momento em que os buracos negros interagem”, disse Laura Blecha, da Universidade da Florida.

NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.)

Uma fusão de galáxias é um processo lento que dura mais de mil milhões de anos, quando duas galáxias, sob o impulso inexorável da gravidade, se aproximam até se finalmente unirem.

O gás e pó ejectados durante a colisão de galáxias forma, muitas vezes, uma cortina espessa em redor dos centros destas, protegendo-os da vista em luz visível. Parte do material também cai nos buracos negros dos núcleos das galáxias em fusão. Os buracos negros crescem rapidamente enquanto se alimentam dessa comida cósmica, fazendo o gás brilhar intensamente.

Este rápido crescimento ocorre durante os últimos 10 milhões a 20 milhões de anos da fusões. As imagens da NASA capturaram esse fenómeno já perto da fusão final, quando os buracos negros estão separados por apenas três mil anos-luz – quase um abraço em termos cósmicos.

Não é fácil encontrar núcleos de galáxias tão próximos. A maioria das observações de galáxias em colisão capturaram os buracos negros em estágios iniciais, quando estavam cerca de 10 vezes mais distantes. O estágio final do processo requer observações de alta resolução em luz infravermelha que podem ver através das nuvens de pó e identificar as localizações dos dois núcleos que se fundem.

“O gás que cai nos buracos negros emite raios-X e o brilho dos raios-X indica a rapidez com que o buraco negro está a crescer”, explicou Koss. “Eu não sabia se encontraríamos fusões ocultas, mas suspeitávamos, com base em simulações de computador, que estariam em galáxias densamente encobertas. Por isso, tentámos ver através da poeira, na esperança de encontrar fusões de buracos negros”.

NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.)

A equipa analisou galáxias com uma distância média de 330 milhões de anos-luz da Terra. Muitas das galáxias são semelhantes em tamanho à Via Láctea e à Andrómeda. A equipa analisou 96 galáxias do Observatório Keck e 385 galáxias do arquivo do Hubble encontrado em 38 programas de observação do último. A amostra representa o que os astrónomos encontrariam ao realizar uma investigação em todo o céu.

Para verificar os resultados, a equipa de Koss comparou as galáxias do estudo com outras 176 galáxias do arquivo do Hubble que não possuem buracos negros em crescimento. A comparação confirmou que núcleos luminosos são, de facto, uma assinatura de buracos negros em rápido crescimento e em direcção a uma colisão.

Futuros telescópios infravermelhos, como o planeado Telescópio Espacial James Webb da NASA, fornecerão uma sonda de colisões de galáxias empoeiradas, medindo as massas, a taxa de crescimento e a dinâmica de pares de buracos negros próximos.

ZAP // NASA

Por ZAP
12 Novembro, 2018

 

1264: COLISÕES CÓSMICAS: SOFIA DESVENDA A MISTERIOSA FORMAÇÃO DOS ENXAMES ESTELARES

Ilustração da formação de um enxame estelar a partir da colisão de nuvens moleculares turbulentas, que aparecem como sombras escuras em frente do fundo estelar galáctico.
Crédito: NASA/SOFIA/Lynette Cook

O Sol, tal como todas as estrelas, nasceu numa gigantesca nuvem de gás e poeira molecular. Pode ter tido dezenas ou até centenas de irmãs estelares – um enxame – mas essas companheiras iniciais estão agora espalhadas pela Via Láctea. Embora os remanescentes deste evento de formação em particular se tenham dispersado há muito, o processo de nascimento estelar continua ainda hoje dentro da nossa Galáxia e além. Os enxames estelares são concebidos nos corações de nuvens opticamente escuras onde as primeiras fases de formação têm permanecido historicamente escondidas da nossa vista. Mas estas nuvens frias e empoeiradas brilham intensamente no infravermelho, de como que telescópios como o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) podem começar a revelar estes segredos de longa data.

Os modelos tradicionais afirmam que a força da gravidade pode ser a única responsável pela formação de estrelas e aglomerados estelares. Observações mais recentes sugerem que os campos magnéticos, a turbulência ou ambos estão também envolvidos e podem até dominar o processo de formação. Mas o que desencadeia os eventos que levam ao nascimento de enxames estelares?

Usando o instrumento do SOFIA conhecido como GREAT (German Receiver for Astronomy at Terahertz Frequencies), os astrónomos encontraram novas evidências de que os enxames estelares se formam através de colisões entre nuvens moleculares gigantes.

Os resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

“As estrelas são alimentadas por reacções nucleares que produzem novos elementos químicos,” comenta Thomas Bisbas, investigador de pós-doutorado da Universidade da Virgínia, em Charlottesville, EUA, autor principal do artigo que descreve estes novos resultados. “A própria existência de vida na Terra é o produto de uma estrela que explodiu há milhares de milhões de anos, mas ainda não sabemos como essas estrelas – incluindo o nosso próprio Sol – se formam.”

Os investigadores estudaram a distribuição e o movimento do carbono ionizado em torno de uma nuvem molecular onde as estrelas podem formar-se. Parecem haver dois componentes distintos de gás molecular a colidir um com o outro a velocidades superiores a 32.000 km/h. A distribuição e velocidade dos gases moleculares e ionizados são consistentes com as simulações de colisões de nuvens, que indicam que os enxames de estrelas se formam à medida que o gás é comprimido na onda de choque criada quando as nuvens colidem.

“Estes modelos de formação estelar são difíceis de avaliar em termos observacionais,” realça Jonathan Tan, professor da Universidade Chalmers de Tecnologia em Gotemburgo, Suécia, e da Universidade da Virgínia, investigador principal do artigo. “Estamos num ponto fascinante do projecto, onde os dados que estamos a obter com o SOFIA podem realmente testar as simulações.”

Embora ainda não haja consenso científico sobre o mecanismo responsável por impulsionar a formação de enxames de estrelas, estas observações do SOFIA ajudaram os cientistas a dar um passo importante para desvendar o mistério. Este campo de pesquisa continua activo e os dados fornecem evidências cruciais a favor do modelo de colisão. Os autores esperam que as futuras observações testem este cenário para determinar se o processo de colisão de nuvens é único para esta região, mais difundido, ou até mesmo um mecanismo universal para a formação de enxames estelares.

“O nosso próximo passo é usar o SOFIA para observar um número maior de nuvens moleculares que formam aglomerados estelares,” acrescenta Tan. “Só então podemos entender quão comuns são as colisões de nuvens no desencadeamento do nascimento estelar na nossa Galáxia.”

Astronomia On-line
9 de Novembro de 2018

 

1237: Telescópio Hubble capturou a gigantesca “Sombra do Batman”

NASA
O fenómeno da “Sombra do Batman” está no canto superior esquerdo da imagem

A NASA entrou no clima de Halloween nesta quarta-feira ao publicar uma imagem capturada pelo telescópio espacial Hubble de um fenómeno apelidado de “Sombra do Batman” – a silhueta escura e em forma de cone de uma estrela muito semelhante ao Sol, localizada a mais de mil anos-luz da Terra. 

O telescópio Hubble capturou uma sombra enorme, provocada por um estrela massiva chamada de HBC 672. De acordo com astrónomos da NASA, esta estrela está cercada por um anel de detritos de poeira, rocha e gelo, que é tão pequeno e distante que nem mesmo o Hubble seria capaz de o ver. No entanto, a sua sombra projecta-se sobre a nuvem onde nasceu, tornando possível a sua identificação através do Hubble.

“As sombras na Terra podem ser misteriosas, mas quando ocorrem no espaço, estas podem fornecer informações que não encontraríamos de outra forma“, escreveu a NASA na sua conta do Twitter.

E continuou: “Nesta imagem, o fenómeno – apelidado de “Sombra do Batman” – abrange aproximadamente 200 vezes o comprimento do nosso Sistema Solar.

O fenómeno é, literalmente, de outro mundo, mais especificamente da Nebulosa Serpente, constelação localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra.

“Isso é um análogo de como era o Sistema Solar quanto tinha apenas 1 ou 2 milhões de anos”, explicou Klaus Pontoppidan do Instituto de Ciências Espaciais Telescópicas, acrescentando ainda que, de acordo com a informação que têm “o Sistema Solar criou, uma vez, uma sombra parecida”, rematou.

ZAP // SputnikNews

Por SN
3 Novembro, 2018

 

1236: Astrónomos detectaram ondas de rádio da nossa galáxia a “saltar” na Lua

Ben Mckinley, Curtin University / ICRAR / ASTRO 3D

Durante todo o tempo em que a Lua esteve lá em cima, numa órbita silenciosa em torno da Terra, esteve a fazer algo incrível que nos poderia dar preciosas luzes sobre o início do Universo.

Fora da sua impressionante superfície rochosa, a Lua reflete as ondas de rádio emitidas pela nossa galáxia, a Via Láctea. Agora, astrónomos conseguiram finamente detectar esses sinais.

O sinal foi captado por investigadores do Núcleo da Curtin University do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR) e do Centro de Excelência ARC para Toda a Astrofísica do Céu em 3 Dimensões (ASTRO 3D). Ainda assim, apesar de ser um feito incrível, este não é o objectivo final dos cientistas.

O alvo dos astrónomos é muito mais ambicioso: querem detectar o sinal, extremamente fraco, que emana do hidrogénio dos primeiros dias do Universo, no tempo entre o Big Bang e a Época da Reionização (EoR).

“Antes o Universo era, basicamente, apenas hidrogénio a flutuar no espaço”, disse o astrónomo Benjamin McKinley. “Como não há fontes da luz óptica visíveis aos nossos olhos, esse estágio inicial do Universo é conhecido como as ‘eras cósmicas das trevas‘”.

A equipa de cientistas está a usar um radiotelescópio de baixa frequência chamado  Murchison Widefield Array (MWA), no deserto da Austrália Ocidental. Com 2.048 antenas dipolo, este instrumento é uma das melhores ferramentas do mundo para tentar entender o início do Universo.

Os astrónomos esperam que o seu alcance de baixa frequência – de 80-300 MHz – seja capaz de detectar o sinal de rádio que emana dos átomos de hidrogénio anteriores à EoR. “Se conseguirmos detectar esse sinal de rádio, ele dir-nos-á se as nossas teorias sobre a evolução do Universo estão corretas“, observou McKinley.

O problema que se impõe é que esse sinal é extremamente fraco em comparação com todos os outros sinais de rádio que, desde então, preencheram o Universo. Mas há uma solução, que passa por medir o brilho médio do céu. Contudo, isso não pode ser feito usando as técnicas habituais, já que os interferómetros não são suficientemente sensíveis.

É aqui que entra a Lua. As ondas de rádio não conseguem atravessar a Lua. Por esse motivo, os astrónomos consideram que seria uma boa ideia colocar um radiotelescópio “atrás” da Lua, para que, assim, não conseguisse encontrar interferências de emissões de rádio terrestre.

No entanto, há outro entrave: a Lua oculta o céu do rádio por trás dele. Para contornar esta situação, a equipa aproveitou essa propriedade para medir o brilho médio do pedaço de céu que a cercava.

Esta não é uma ideia nova, mas a equipa empregou também um método mais sofisticado de lidar com o “earthshine”, as emissões de rádio da Terra que “saltam” da Lua e interferem no sinal recebido pelo telescópio. Assim, depois de calcular o brilho da Terra, os cientistas precisaram de esclarecer quanta interferência estava a ser causada pela nossa própria galáxia.

Desta forma, para criar a imagem do plano galáctico da Via Láctea reflectido na Lua, a equipa de astrónomos reuniu todos os dados e, usando o ray-tracing e a modelagem por computador, mapearam o Modelo do Céu Global na face da Lua para, assim, calcularem o brilho de rádio médio das ondas de rádio reflectidas da galáxia.

O resultado final foi a imagem abaixo, na qual a mancha escura no meio é a Lua.

Portanto, os cientistas detectaram a EoR? Ainda não. Esta é parte do processo para estabelecer a eficácia desta técnica que, até agora, está a correr muito bem.

Os resultados iniciais usando a técnica de ocultação lunar são promissores. Estamos a começar a entender os erros e as características espectrais e continuaremos a refinar as nossas técnicas”, escreveram os investigadores no artigo científico, publicado recentemente na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
3 Novembro, 2018

 

1222: Nove anos e 2600 planetas depois, o telescópio Kepler reforma-se

Foi o responsável pelo primeiro levantamento de planetas da Via Láctea

© Via site da agência espacial NASA

O telescópio Kepler, que durante nove anos encontrou mais de 2600 planetas para lá do Sistema Solar, deixou de estar operacional, anunciou a agência espacial norte-americana NASA, esta terça-feira. A inactividade chegou por ter ficado sem combustível numa órbita “segura, longe da Terra”.

“Enquanto primeira missão de caça-planetas da NASA, o Kepler excedeu todas as nossas expectativas e abriu o caminho para a exploração da vida no Sistema Solar e para além dele”, explica o responsável pelas missões da NASA em Washington, Thomas Zuburchen, num comunicado da agência espacial.

Embora não vá continuar a recolher informações cientificas, ainda restam dados por analisar que os cientistas recolheram antes dos avisos da falta de combustível começarem, menciona a astrofísica da NASA Jessie Dotson no mesmo comunicado.

Kepler foi responsável pelo primeiro levantamento de planetas na Via Láctea, muitos deles do tamanho da Terra. Permitiu ainda concluir que 20 a 50% das estrelas visíveis no céu à noite podem tratar-se de pequenos e rochosos planetas semelhantes à Terra, alguns sugerem mesmo a possibilidade da existência de condições favoráveis à vida, segundo a NASA.

O telescópio, lançado a 6 de Março de 2009, combinava tecnologias de ponta para medir o brilho estelar com a maior câmara digital para observações espaciais da altura. Foi posicionado originalmente para vigiar 150 000 estrelas em movimento na constelação de Cygnus.

Agora, a missão fica a cargo do telescópio TESS, que procurará planetas no céu inteiro, ao contrário de Kepler que apenas cobria uma parte. O novo telescópio foi lançado em Abril, com a colaboração do investigador português do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço Tiago Campanto.

Diário de Notícias
DN
30 Outubro 2018 — 22:03

 

1221: As luzes estão a apagar-se: galáxia vizinha da Via Láctea está a morrer lentamente

(dr) CSIRO
Radiotelescópio australiano ASKA Pathfinder (ASKAP) da CSIRO

A uma distância de 200.000 anos-luz da Terra, a Pequena Nuvem de Magalhães está a morrer lentamente. A galáxia está a perder a capacidade de formar novas estrelas, transformando-se num gás intergaláctico à medida que o tempo passa.

Os astrónomos conseguiram testemunhar a morte lenta da Pequena Nuvem de Magalhães através do poderoso radiotelescópio australiano Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP). “Conseguimos acompanhar a saída de gás de hidrogénio da Pequena Nuvem de Magalhães”, contou Naomi McClure-Griffiths, da Universidade Nacional da Austrália.

Esta galáxia pode deixar de ser capaz de formar novas estrelas caso perca todo o seu gás. “Geralmente, as galáxias que param gradualmente de formar estrelas, caem no esquecimento. É uma espécie de morte lenta para uma galáxia”, referiu a cientista.

A Pequena Nuvem de Magalhães, a cerca de 200.000 anos-luz da Terra, é absolutamente minúscula, com apenas 7.000 anos-luz de diâmetro – menos de um décimo do tamanho da Via Láctea. Ainda assim, a galáxia é visível a olho nu no hemisfério sul.

Esta é uma das várias galáxias que orbitam a Via Láctea e surge emparelhada com a Grande Nuvem de Magalhães como uma espécie de sistema de galáxias binárias. Na prática, as duas galáxias anãs orbitam-se uma à outra enquanto, em conjunto, orbitam a Via Láctea.

Ao longo do tempo, tem sido teorizado que galáxias anãs como estas desempenham um papel crítico na evolução do Universo. Porquê? Graças ao feedback estelar, ou seja, quando as estrelas massivas conduzem potentes fluxos de gás, energia, massa e metais para o meio intergaláctico através de ventos estelares e explosões de super-novas.

Isto então enriquece o meio intergaláctico e regula a formação de estrelas. Além disso, este processo não é fácil de observar em acção.

Ainda assim, foi possível graças ao campo de visão do radiotelescópio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP). Os cientistas foram, assim, capazes de observar toda a galáxia e as suas saídas de hidrogénio atómico, um ingrediente crítico para a formação de estrelas. Através desta observações, foi possível obter a primeira medição clara da quantidade de massa perdida de uma galáxia anã.

No artigo científico, publicado esta segunda-feira na Nature Astronomy, a equipa demonstrou que as “descargas” de hidrogénio atómico se estenderam por, pelo menos, 6.523 anos-luz da barra de formação de estrelas da galáxia. No fundo, as saídas formaram-se de 25 a 60 milhões de anos atrás.

De acordo com a equipa, o fluxo de massa inferido do gás atómico é, pelo menos, uma ordem de magnitude maior do que a taxa de formação de estrelas. Em suma, a Pequena Nuvem de Magalhães está a explodir hidrogénio atómico mais rápido do que produz novas estrelas.

Esta é uma má notícia para a sobrevivência desta galáxia, mas pode ser uma boa notícia para o espaço ao seu redor, assim como para os astrónomos que procuram novas pistas sobre o feedback estelar das galáxias anãs.

“Em última análise, a Pequena Nuvem de Magalhães provavelmente será engolida pela nossa Via Láctea”, afirmam os cientistas.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
31 Outubro, 2018

 

1197: Não, não bastou uma pancadinha e um reboot para reparar o Hubble

NASA
Telescópio espacial da NASA Hubble, lançado em 1990

Desde o início do mês que o telescópio espacial Hubble, lançado em 1990, não estava a funcionar. Mas não bastou desligar e voltar a ligar o equipamento.

Há 28 anos a vasculhar o espaço, a NASA já esperava que o telescópio Hubble reportasse algum tipo de avaria durante este ano, mas foi surpreendida com uma repentina avaria: o equipamento começou para direcções erradas comprometendo as observações do cosmos.

Kenneth Sembach, director do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, disse na altura que, apesar de estar programado para 2021 o lançamento do telescópio James Webb, o sucessor do Hubble, o plano era garantir que este se mantivesse operacional até pelo menos 2025.

E essa meta pode mesmo ser possível. Os engenheiros da NASA descobriram uma forma de reactivar o telescópio espacial, reparando um instrumento que não estava a funcionar correctamente, de acordo com o Extreme Tech.

A NASA decidiu colocar o Hubble em modo de hibernação depois de um dos seus giroscópios falhar. O Hubble precisa de três giroscópios activos para detectar o movimento e garantir que esteja apontado na direcção certa.

Segundo o The Washington Post, no dia 16 de Outubro, a agência espacial tentou pela primeira vez o método de desligar e ligar o equipamento. Mas isso não funcionou. “Assim, teria sido fácil”, disse Patrick Crouse, gestor de operações do Hubble.

Esta segunda-feira, a NASA explicou, numa nota publicada no seu site, a forma como fez a reparação. O equipamento foi testado a partir do dia 18, com manobras em direcções opostas, que serviram também para testar a sua velocidade. A partir do dia 19, as rotações do giroscópio foram normalizadas. Alguns testes ainda serão feitos antes que o Hubble possa voltar ao seu funcionamento regular.

“Sempre acreditámos que o giroscópio parecia ser útil e só tínhamos de conseguir recuperá-lo para o ser novamente”, disse Crouse.

A notícia também foi ao Twitter, onde a NASA diz que “depois de avaliar o desempenho do Hubble, espera-se que o telescópio volte à ciência como sempre“.

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Por ZAP
25 Outubro, 2018

 

1122: Telescópio espacial Hubble avaria e aponta para direções erradas

O telescópio espacial Hubble sofreu uma avaria e começou a apontar para direcções erradas impossibilitando as observações aos cientistas

Telescópio Hubble
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A NASA já esperava que o telescópio Hubble, há 28 anos no espaço, tivesse alguma avaria este ano, mas foi surpreendida com uma falha súbita no aparelho de observação. O telescópio começou a apontar para direcções erradas e os cientistas ficaram impossibilitados de prosseguir com as observações do cosmos.

O Hubble já tinha tido problemas giratórios e em 2009, numa missão de manutenção, os astronautas da NASA substituíram três dos seus dispositivos. Kenneth Sembach, director do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, que opera o Hubble. citado pelo jornal britânico TheGuardian, admite: “O facto de termos alguns problemas de giroscópio, é uma longa tradição com o observatório”.

Giroscópios

Os giroscópios são necessários para manter o Hubble, que está a 540 quilómetros da Terra, a apontar na direcção certa durante as observações. Os astrónomos usam o telescópio para analisar profundamente o cosmos e descobrir sistemas solares distantes, bem como galáxias e buracos negros. Na semana passada foi, aliás, anunciada uma descoberta através do Hubble, a primeira lua fora do nosso sistema solar.

Desde o seu lançamento em 1990, o Hubble fez mais de 1,3 milhões de observações, Neste momento, dois dos seus giroscópios funcionam bem, segundo Kenneth Sembach, mas o terceiro é que falhou. O telescópio usa três giroscópios, mas pode ser adaptado para funcionar apenas com dois, mas nesta situação Há pouca margem para falhas. Mas o director do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial mostra-se confiante que o Hubble “tem muitos anos de boa ciência pela frente.”

Diário de Notícias
Paula Sá
09 Outubro 2018 — 08:37