3817: Astrónomos localizam alvo cósmico escondido atrás da poeira

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Marta De Simone
Representação artística do sistema binário Iras 4A

Uma equipa de cientistas usou o telescópio Karl G. Jansky VLA para revelar uma região que havia escapado anteriormente à detecção, e a revelação respondeu a uma pergunta antiga.

As regiões ao redor das proto-estrelas jovens contêm moléculas orgânicas complexas que se combinam em moléculas prebióticas, os primeiros passos no caminho da vida. Estas regiões, conhecidas como Hot Corinos, são do tamanho do Sistema Solar e muito mais quentes do que o ambiente (mas bastante frias para os padrões terrestres).

O primeiro Hot Corino foi descoberto em 2003 e, até agora, só uma dúzia foi encontrada. A maioria está em sistemas binários, com duas proto-estrelas em formação. Os cientistas ficaram muito surpreendidos quando descobriram que, em alguns destes sistemas binários, encontravam evidências de um Hot Corino em torno de uma proto-estrela, mas não da outra.

“Como ambas as estrelas se formam da mesma nuvem molecular ao mesmo tempo, parecia muito estranho que uma estivesse cercada por uma região densa de moléculas orgânicas complexas e a outra não”, explicou Cecilia Ceccarelli, do Instituto de Ciências Planetárias e Astrofísica da Universidade de Grenoble (IPAG), em França.

Segundo explica o portal Europa Press, as moléculas orgânicas complexas foram encontradas através da detecção de radiofrequências específicas, chamadas linhas espectrais. Estas frequências de rádio são como uma espécie de “impressões digitais” para identificar produtos químicos.

A equipa apercebeu-se de que todos os produtos químicos encontrados nos Hot Corinos foram encontrados através da detecção dessas “impressões digitais” em frequências de rádio correspondentes a comprimentos de onda de apenas alguns milímetros.

“Sabemos que a poeira bloqueia esses comprimentos de onda, por isso decidimos procurar evidências dos produtos químicos em comprimentos de onda mais longos que possam facilmente passar através da poeira”, explicou a investigadora Claire Chandler.

A poeira pode estar a impedir-nos de detectar as moléculas numa das duas proto-estrelas gémeas”, concluiu.

A equipa usou o telescópio Karl G. Jansky VLA para observar um par de proto-estrelas, chamado IRAS 4A, numa região de formação de estrelas a cerca de 1.000 anos-luz da Terra. Os cientistas observaram o par em comprimentos de onda de centímetros onde procuravam emissões de metanol por rádio.

“Com o VLA, as duas proto-estrelas revelaram fortes evidências de metanol ao seu redor, o que significa que ambas têm Hot Corinos. A razão pela qual não os vemos é a poeira”, adiantaram os cientistas. O artigo científico foi publicado esta segunda-feira no  The Astrophysical Journal Letters.

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Por ZAP
9 Junho, 2020

 

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