4329: Exoplanetas ricos em carbono podem ser feitos de diamantes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ilustração de um planeta rico em carbono com diamante e sílica como minerais principais. A água pode converter um planeta de carboneto num planeta rico em diamantes. No interior, os principais minerais seriam diamante e sílica (camada com cristais na imagem).O núcleo (azul escuro) poderia ser uma liga de ferro-carbono.
Crédito: Shim/Universidade Estatal do Arizona/Vecteezy

À medida que missões como o Telescópio Espacial Hubble, TESS e Kepler da NASA continuam a fornecer informações sobre as propriedades dos exoplanetas (planetas em torno de outras estrelas), os cientistas são cada vez mais capazes de descobrir o aspecto destes planetas, a sua composição e se podem ser habitáveis ou mesmo habitados.

Num novo estudo publicado recentemente na revista The Planetary Science Journal, uma equipa de investigadores da Universidade Estatal do Arizona e da Universidade de Chicago determinou que alguns exoplanetas ricos em carbono, dadas as circunstâncias certas, podem ser feitos de diamantes e sílica.

“Estes exoplanetas são diferentes de tudo no nosso Sistema Solar,” disse o autor principal Harrison Allen-Sutter da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da Universidade Estatal do Arizona.

Formação exoplanetária diamante

Quando as estrelas e os planetas se formam, fazem-no a partir da mesma nuvem de gás, de modo que as suas composições são semelhantes. Uma estrela com uma proporção carbono para oxigénio mais baixa terá planetas como a Terra, compostos de silicatos e óxidos com um conteúdo muito pequeno de diamante (o conteúdo de diamante da Terra é de cerca de 0,001%).

Mas os exoplanetas em torno de estrelas com uma proporção de carbono para oxigénio mais alta do que o nosso Sol têm maior probabilidade de serem ricos em carbono. Allen-Sutter e os co-autores Emily Garhart, Kurt Leinenweber e Dan Shim da Universidade Estatal do Arizona, com Vitali Prakapenka e Eran Greenberg da Universidade de Chicago, levantaram a hipótese de que estes exoplanetas ricos em carbono podiam converter-se para diamante e silicato, caso a água (que é abundante no Universo) estivesse presente, criando uma composição rica em diamantes.

“Bigornas” de diamante e raios-X

Para testar esta hipótese, a equipa de investigação precisava de imitar o interior de exoplanetas de carboneto usando alta temperatura e alta pressão. Para tal, usaram células de bigorna de diamante de alta pressão no Laboratório para Materiais Terrestres e Planetários do co-autor Shim.

Primeiro, imergiram carboneto de silício em água e comprimiram a amostra entre os diamantes a uma pressão muito alta. De seguida, para monitorizar a reacção entre o carboneto de silício e a água, realizaram um aquecimento a laser no Laboratório Nacional Argonne, no estado norte-americano do Illinois, obtendo medições de raios-X enquanto o laser aquecia a amostra em altas pressões.

Como previram, com alta temperatura e pressão, o carboneto de silício reagiu com a água e transformou-se em diamantes e sílica.

Habitabilidade e inabitabilidade

Até agora, não encontrámos vida noutros planetas, mas a busca continua. Os cientistas planetários e os astro-biólogos estão a usar instrumentos sofisticados no espaço e na Terra para encontrar planetas com as propriedades certas e a localização certa em torno das suas estrelas onde a vida poderia existir.

No entanto, para os planetas ricos em carbono, que são o foco deste estudo, provavelmente não têm as propriedades necessárias para a vida.

Embora a Terra seja geologicamente activa (um indicador de habitabilidade), os resultados deste estudo mostram que os planetas ricos em carbono são demasiado rígidos para serem geologicamente activos e esta ausência de actividade geológica pode tornar a composição atmosférica inabitável. As atmosferas são críticas para a vida, pois fornecem-nos ar para respirar, protecção do ambiente hostil do espaço e até mesmo pressão para permitir água no estado líquido.0

“Independentemente da habitabilidade, esta é uma etapa adicional para nos ajudar a compreender e a caracterizar as nossas observações cada vez mais detalhadas dos exoplanetas,” disse Allen-Sutter. “Quanto mais aprendermos, melhor seremos capazes de interpretar novos dados de missões futuras como a do Telescópio Espacial James Webb e do Telescópio Nancy Grace Roman, para entender os mundos para lá do nosso próprio Sistema Solar.”

Astronomia On-line
15 de Setembro de 2020

 

spacenews

 

4164: TESS completa a sua missão principal

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O TESS da NASA, visto aqui nesta impressão de artista, identifica exoplanetas em órbita das estrelas mais brilhantes e próximas. Isto permite com que telescópios terrestres e o futuro Telescópio Espacial James Webb façam observações de acompanhamento a fim de caracterizar as suas atmosferas.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

No dia 4 de Julho, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA completou a sua missão principal, observando cerca de 75% do céu estrelado como parte de um levantamento de dois anos. Ao capturar este mosaico gigante, o TESS encontrou 66 novos exoplanetas, ou mundos para lá do nosso Sistema Solar, bem como cerca de 2100 candidatos que os astrónomos estão a trabalhar para confirmar.

“O TESS está a produzir um ‘dilúvio’ de observações de alta qualidade, fornecendo dados valiosos numa ampla gama de tópicos científicos,” disse Patricia Boyd, cientista do projecto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Já é um sucesso estrondoso, mesmo antes de entrar na sua missão estendida.”

O TESS monitoriza faixas do céu com 24 por 96 graus, chamadas sectores, durante cerca de um mês, usando as suas quatro câmaras. A missão passou o seu primeiro ano observando 13 sectores que abrangem o céu do hemisfério sul e depois passou mais um ano a observar o céu do hemisfério norte.

Agora na sua missão estendida, o TESS voltou-se para retomar a observação do hemisfério sul. Além disso, a equipa do TESS introduziu melhorias na maneira como o satélite recolhe e processa dados. As suas câmaras capturam agora uma imagem completa a cada 10 minutos, três vezes mais depressa do que durante a missão principal. Um novo modo rápido permite que o brilho de milhares de estrelas seja medido a cada 20 segundos, juntamente com o método anterior de recolher estas observações de dezenas de milhares de estrelas a cada dois minutos. As medições mais rápidas vão permitir que o TESS resolva com mais eficácia as mudanças de brilho provocadas por oscilações estelares e capture proeminências explosivas de estrelas activas com mais detalhes.

Estas mudanças permanecerão em vigor durante a missão estendida, que será dada como concluída em Setembro de 2022. Depois de passar um ano a observar o céu do hemisfério, o TESS passará outros 15 meses a recolher observações adicionais do hemisfério Norte e a pesquisar áreas ao longo da eclíptica – o plano da órbita da Terra em torno do Sol – que o satélite ainda não fotografou.

O TESS procura trânsitos, o escurecimento revelador de uma estrela provocada quando um planeta em órbita passa em frente dela a partir do nosso ponto de vista. Entre as mais recentes descobertas planetárias da missão está o seu primeiro mundo do tamanho da Terra, de nome TOI 700 d, localizado na zona habitável da sua estrela, a gama de distâncias em que as condições podem ser as ideais para permitir água líquida à superfície. O TESS revelou um planeta recém-formado em torno da jovem estrela AU Microscopii e encontrou um mundo do tamanho de Neptuno em órbita de dois sóis.

Além das suas descobertas planetárias, o TESS observou o surto de um cometa no nosso Sistema Solar, bem como os de inúmeras estrelas. O satélite descobriu eclipses inesperados num sistema estelar binário bem conhecido, resolveu um mistério sobre uma classe de estrelas pulsantes e explorou um mundo que passa por estações moduladas pela sua estrela. Ainda mais notável, o TESS observou um buraco negro numa galáxia distante despedaçar uma estrela parecida com o Sol.

Missões com a do TESS ajudam a contribuir para o campo da astrobiologia, a pesquisa interdisciplinar sobre as variáveis e condições de mundos distantes que poderiam abrigar vida como a conhecemos, e que forma essa vida poderia assumir.

Astronomia On-line
14 de Agosto de 2020

 

spacenews

 

3915: TESS e Spitzer descobrem um mundo em órbita de jovem estrela única

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do planeta AU Mic b e da sua jovem estrela anã vermelha. O sistema fica a cerca de 32 anos-luz de distância na direcção da constelação do hemisfério sul de Microscópio.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith (USRA)

Há mais de uma década que os astrónomos procuram planetas em órbita de AU Microscopii, uma estrela próxima ainda rodeada por um disco de detritos deixado para trás durante a sua formação. Agora, os cientistas usaram dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) e do aposentado Telescópio Espacial Spitzer para relatar a descoberta de um planeta tão grande quanto Neptuno que completa uma órbita em torno da jovem estrela em pouco mais de uma semana.

O sistema, conhecido pela abreviação AU Mic, fornece um laboratório único para estudar como os planetas e as suas atmosferas se formam, evoluem e interagem com as suas estrelas.

“AU Mic é uma jovem estrela anã M. Está cercada por um vasto disco de detritos no qual foram rastreados aglomerados de poeira em movimento e, agora, graças ao TESS e ao Spitzer, sabemos hospedar um planeta e temos uma medição directa do tamanho,” disse Bryson Cale, estudante de doutoramento da Universidade George Mason em Fairfax, no estado norte-americano da Virgínia. “Não existe outro sistema conhecido que preencha todos estes importantes requisitos.”

O novo planeta, Au Mic b, é descrito num novo artigo em que Cale é co-autor e liderado pelo seu orientador Peter Plavchan, professor assistente de física e astronomia na mesma universidade. O seu trabalho foi publicado dia 24 de Junho na revista Nature.

AU Mic é uma estrela anã vermelha e fria, com uma idade estimada entre 20 a 30 milhões de anos, o que torna numa “criança” estelar em comparação com o nosso Sol, que é pelo menos 150 vezes mais velho. A estrela é tão jovem que brilha principalmente do calor gerado quando a sua própria gravidade a puxou para dentro e comprimiu. Menos de 10% da energia da estrela vem da fusão do hidrogénio em hélio no seu núcleo, o processo que alimenta estrelas como o nosso Sol.

O sistema está localizado a 31,9 anos-luz de distância na direcção da constelação do hemisfério sul de Microscópio. Faz parte de uma colecção próxima de estrelas chamada Grupo Móvel de Beta Pictoris, cujo nome refere-se a uma estrela maior e mais quente, do tipo-A, que abriga dois planetas e também é rodeada por um disco de detritos.

Embora os sistemas tenham a mesma idade, os seus planetas são marcadamente diferentes. O planeta AU Mic b quase que abraça a sua estrela, completando uma órbita a cada 8,5 dias. Tem menos de 58 vezes a massa da Terra, colocando-o na categoria de mundos semelhantes a Neptuno. Beta Pictoris b e c, no entanto, são pelo menos 50 vezes mais massivos do que Au Mic b e levam 21 e 3,3 anos, respectivamente, a orbitar a sua estrela.

“Nós pensamos que AU Mic b se formou longe da estrela e migrou para dentro até à sua órbita actual, algo que pode acontecer à medida que os planetas interagem gravitacionalmente com um disco de gás ou com outros planetas,” disse o co-autor Thomas Barclay, cientista associado da Universidade de Maryland em Baltimore County e cientista associado do projecto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. “Por outro lado, a órbita de Beta Pictoris b não parece ter migrado muito. As diferenças entre estes sistemas com idades semelhantes podem dizer-nos muito sobre a formação e migração dos planetas.”

A detecção de planetas em torno de estrelas como AU Mic representa um desafio particular. Estas estrelas tempestuosas possuem fortes campos magnéticos e podem estar cobertas por manchas estelares – regiões mais frias, mais escuras e altamente magnetizadas parecidas com as manchas solares – que frequentemente despoletam fortes explosões estelares. Tanto as manchas como as suas proeminências contribuem para as mudanças de brilho da estrela.

Em Julho e Agosto de 2018, quando o TESS estava a observar AU Mic, a estrela produziu várias erupções, algumas das quais eram mais poderosas do que as mais fortes já registadas no Sol. A equipa realizou uma análise detalhada para remover estes efeitos dos dados do TESS.

Quando um planeta passa em frente da sua estrela, da perspectiva da Terra, um evento a que chamamos trânsito, a sua passagem provoca uma distinta queda de brilho estelar. O TESS monitoriza grandes áreas do céu, chamadas sectores, durante 27 dias de cada vez. Durante este longo olhar, as câmaras da missão capturam regularmente instantâneos que permitem com que os cientistas rastreiem alterações no brilho estelar.

Quedas regulares no brilho de uma estrela assinalam a possibilidade de um planeta em trânsito. Geralmente, são necessários pelo menos dois trânsitos observados para reconhecer a presença de um planeta.

“Por azar, o segundo dos três trânsitos observados com o TESS ocorreu quando a nave espacial estava no seu ponto mais próximo da Terra. Nestas alturas, o TESS não observa porque está ocupado a transmitir todos os dados armazenados,” disse a co-autora Diana Dragomir, professora assistente da Universidade do Novo México em Albuquerque. “Para preencher a lacuna, a nossa equipa recebeu tempo de observação com o Spitzer, que capturou dois trânsitos adicionais em 2019 e nos permitiu confirmar o período orbital de AU Mic b.”

O Spitzer foi um observatório infravermelho polivalente que operou de 2003 até à sua desactivação no dia 30 de Janeiro de 2020. A missão mostrou-se especialmente hábil na detecção e estudo de exoplanetas em torno de estrelas frias. O Spitzer observou AU Mic durante o seu último ano de observações.

Como a quantidade de luz bloqueada por um trânsito depende do tamanho do planeta e da sua distância orbital, os trânsitos observados pelo TESS e pelo Spitzer forneceram uma medição directa do tamanho de AU Mic b. A análise destas medições mostra que o planeta é aproximadamente 8% maior do que Neptuno.

Observações com instrumentos acoplados a telescópios terrestres fornecem limites superiores para a massa do planeta. À medida que um planeta se desloca, a sua gravidade puxa a estrela hospedeira, que se move levemente em resposta. Os instrumentos sensíveis de telescópios grandes podem detectar a velocidade radial da estrela, o seu movimento para a frente e para trás ao longo da nossa linha de visão. Graças à combinação de observações com o Observatório W. M. Keck e com o IRTF (InfraRed Telescope Facility) da NASA no Hawaii, juntamente com o ESO no Chile, a equipa concluiu que AU Mic b tem uma massa equivalente a pouco menos que 58 Terras.

Esta descoberta mostra o poder do TESS em fornecer novas informações para estrelas bem estudadas como Au Mic, onde podem existir mais planetas à espera de serem encontrados.

“Há um candidato adicional a evento de trânsito visto nos dados do TESS, e esperamos que o TESS revisite AU Mic ainda este ano durante a sua missão estendida,” disse Plavchan. “Continuamos a monitorizar a estrela com medições de velocidade radial, portanto fiquem atentos.”

Durante décadas, AU Mic intrigou os astrónomos como um possível lar para planetas, graças à sua proximidade, juventude e brilhante disco de detritos. Agora que o TESS e o Spitzer encontraram lá um planeta, a história completa-se. AU Mic é um sistema importante, um laboratório próximo para entender a formação e a evolução de estrelas e de planetas que continuará a ser estudado nas próximas décadas.

Astronomia On-line
26 de Junho de 2020

 

 

O momento em que um buraco negro “come” uma estrela do tamanho do Sol

CIÊNCIA

Foto: DR

O telescópio espacial Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da NASA, captou o momento em que um buraco negro consumiu uma estrela do tamanho do Sol.

De acordo com a NASA, o evento aconteceu quando as forças gravitacionais do buraco negro dominaram a gravidade da estrela, levando a que esta se despedaçasse. O fenómeno, conhecido como “perturbações da maré”, é raro e muito difícil de ser observado, acontecendo apenas a cada 10 mil anos.

@NASA
What happens when a star strays too close to a black hole? Intense tides break it apart into a stream of gas. @NASA_TESS helped produce the most detailed look yet at the beginning of this cataclysmic phenomenon. Visualize how it unfolded: https://go.nasa.gov/2mYhMsE #BlackHoleWeek

O buraco negro, de acordo com o artigo publicado na revista científica “The Astrophysical Journal”, possui seis milhões de vezes a massa do Sol. Encontra-se localizado no meio da constelação Volans, conhecida como Peixe Voador, está a 375 milhões de anos-luz da Terra.

“Tivemos a oportunidade de ver exactamente quando começou a brilhar. Isso nunca tinha acontecido antes”, explicou Thomas Holoien, um dos cientistas responsável pelo estudo.

Os cientistas explicam que, neste tipo de situações, parte do material da estrela que acaba por ser engolido pelo buraco negro forma um disco de gás quente e brilhante.

“Apenas alguns foram descobertos antes de atingirem o pico de brilho, e este foi encontrado apenas alguns dias depois de começar a brilhar mais intensamente”, disse Thomas Holoien.

As imagens do buraco negro, apresentadas pelos cientistas, são ilustrações. Os equipamentos usados nesta pesquisa captam dados, com as frequências de ondas, que depois são convertidos em modelos gráficos.

Jornal de Notícias
29/09/2019

 

2136: Investigadores descobrem cinco estrelas “raras”

(dr) Gabriel Pérez / SMM

Uma equipa internacional, liderada pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, descobriu, nos dois primeiros meses de operações científicas do telescópio espacial TESS, cinco estrelas “raras”.

Em comunicado, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) adianta que a descoberta, aceite para publicação na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, recorreu a “técnicas asterossísmicas”, um método que observa as oscilações à superfície das estrelas.

“Entre 32 mil estrelas observadas em cadência curta, nos primeiros dois meses de operações científicas da missão espacial TESS (…) a equipa descobriu cinco raras estrelas ‘roAp’”, afirma o IA. O instituto afirma que “duas” das cinco estrelas são “particularmente desafiadoras”, isto porque uma “é menos quente do que a teoria prevê” e outra “oscila com uma frequência inesperadamente alta”.

As estrelas ‘roAp’ (estrelas de oscilação rápida), são “objectos estelares raros” e constituem um subgrupo de estrelas magnéticas (estrelas Ap) cujos campos magnéticos são fortes e oscilam com frequências semelhantes às observadas no Sol.

Além das cinco estrelas ‘roAp’, a equipa de investigadores encontrou, ao longo das operações científicas, “o mais rápido oscilador ‘roAp‘”, que completa uma pulsação a cada 4,7 segundos.

Citada no comunicado, Margarida Cunha, a primeira autora do artigo acrescenta que os dados recolhidos mostram que “as estrelas ‘roAp’ são raríssimas”, uma vez que representam menos de 1% de todas as estrelas com temperaturas semelhantes.

“A importância desta descoberta reside no facto de elas serem autênticos laboratórios estelares. Permite-nos testar teorias relativas a fenómenos físicos fundamentais no contexto da evolução das estrelas, tais como a difusão de elementos químicos e a sua interacção com campos magnéticos intensos”, adianta.

De acordo com o IA, durante uma análise detalhada de 80 estrelas conhecidas por serem “quimicamente peculiares”, os investigadores descobriram ainda 27 “novas” variáveis rotacionais ‘Ap’, onde o brilho das estrelas varia de acordo com as suas rotações.

Também citado no comunicado, Daniel Holdsworth, do Instituto Jeremiah Horrocks da Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido, acredita que estas observações vão permitir “estudar este tipo raro de estrelas de uma forma homogénea”

“Podemos finalmente comparar cada estrela com as restantes, sem precisar de tratar os dados de uma forma especial. Com a continuação da missão TESS, que irá fazer uma cobertura quase total do céu, teremos a capacidade de descobrir muitas mais estrelas peculiares”, aponta.

O IA conclui afirmando que estes resultados só foram possíveis porque o telescópio TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, Satélite de Rastreio de Trânsito de Exoplanetas), “observa continuamente as estrelas por períodos de pelo menos 27 dias e sem a interferência da atmosfera da Terra, algo que não é possível aos observatórios à superfície do nosso planeta”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Junho, 2019



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