4179: “É preocupante”. Cientistas detectam micro-plásticos em tecidos humanos

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Cientistas norte-americanos detectaram micro-plásticos e nano-plásticos em órgãos e tecidos humanos e consideram a descoberta preocupante, ainda que falte informação sobre os efeitos na saúde.

“Nunca queremos ser alarmistas, mas é preocupante que estes materiais não bio-degradáveis, que estão presentes em todo o lado, possam entrar e acumular-se em tecidos humanos, e não conhecemos os possíveis efeitos na saúde”, afirmou Varun Kelkar, um dos autores da investigação.

Os resultados do trabalho são apresentados, esta segunda-feira, numa reunião da Sociedade Americana de Química (ACS), na qual são apresentados até quinta-feira mais de 600 investigações científicas.

A ACS lembra, num documento sobre a investigação, que a ingestão de partículas de plástico por animais e seres humanos tem consequências ainda desconhecidas para a saúde.

“Pode encontrar-se plástico a contaminar o ambiente em praticamente todos os locais do globo, e em poucas décadas deixámos de ver o plástico como algo muito benéfico para o considerarmos uma ameaça”, diz Charles Rolsky, que, com Varun Kelkar, vai apresentar a investigação na reunião da ACS.

“Há provas de que o plástico está a entrar no nosso corpo, mas muito poucos estudos o procuram lá. E neste momento não sabemos se este plástico é apenas um incómodo ou se representa um perigo para a saúde humana”, adiantou o investigador.

Os cientistas definem micro-plástico como um fragmento de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro. Os nano-plásticos são ainda mais pequenos, com diâmetros inferiores a 0,001 milímetros.

Investigações em animais têm ligado a exposição a micro-plásticos e nano-plásticos a infertilidade, inflamações e cancro, mas os resultados para a saúde das pessoas ainda são desconhecidos.

Estudos já mostraram que os plásticos podem passar através do trato intestinal dos humanos, mas os dois investigadores, da Universidade do Arizona, quiseram saber se há partículas a acumularem-se nos órgãos humanos, tendo para isso obtido 47 amostras de tecidos corporais, colhidas nomeadamente de pulmões, fígado, baço e rins.

O método que os investigadores usaram permite detectar dezenas de tipos de componentes de plástico dentro dos tecidos humanos, incluindo poli-carbonatos, tereftalato de polietileno e polietileno. O bisfenol A, utilizado ainda em recipientes para alimentos, apesar das preocupações com a saúde, foi encontrado em todas as 47 amostras.

Os investigadores acreditam que o estudo é o primeiro a examinar a existência de partículas de plástico em órgãos humanos, de pessoas com um historial conhecido de exposição ambiental.

Os doadores de tecidos forneceram informações detalhadas sobre o seu estilo de vida, dieta e exposições ocupacionais, o que pode ajudar a encontrar potenciais fontes e vias de exposição a micro e nano-plásticos, dizem os cientistas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
17 Agosto, 2020