3155: Múmias milenares tinham tatuagens escondidas (e já podemos vê-las)

CIÊNCIA

Anne Austin

As tatuagens escondidas em antigas múmias egípcias estão agora a ser reveladas pelos cientistas, usando uma nova tecnologia de infravermelho, permitindo vislumbrar como os membros da sociedade há três mil anos viviam e trabalhavam.

Tatuagens semelhantes já tinham sido previamente identificadas pela arqueóloga Anne Austin num estudo publicado em 2017, que descreveu símbolos identificáveis de conotação religiosa, bem como representações de motivos florais, animais e divindades.

Na época, as medidas fotográficas revelaram dezenas de tatuagens no pescoço, ombros, braços e costas da múmia, incluindo um “par de tatuagens de flor de lótus” conectado por uma linha pontilhada nos quadris de uma mulher. Foi determinado que todas as tatuagens foram feitas antes da mumificação e em locais que exigiam que alguém as aplicasse.

“Em 2014, a missão do Institut Français d’Archéologie Orientale (IFAO) identificou uma múmia amplamente tatuada da necrópole de Deir el-Medina, a comunidade dos trabalhadores que cortavam e decoravam os túmulos reais do Novo Reino”, de acordo com o resumo do estudo. “Desde então, identificamos vários outros indivíduos com tatuagens entre os muitos restos humanos não publicados no local”.

Anne Austin, juntamente com a sua equipa, examinou as múmias em 2016 e, novamente, este ano. As novas descobertas, que foram apresentadas na reunião anual da American Schools of Oriental Research identificam novos indivíduos tatuados, além dos descritos anteriormente.

No entanto, os investigadores ainda não conseguiram identificar os símbolos ou para que podem ter sido utilizados. As identidades das múmias também permanecem desconhecidas.

Anne Austin

Os desenhos e a colocação das tatuagens variam amplamente entre os indivíduos, mas o número de tatuagens descobertas sugere que a prática provavelmente terá sido uma grande parte da cultura Deir el-Medina.

“A distribuição, exibição e conteúdo dessas tatuagens revelam como foram usadas na prática religiosa e para forjar identidades públicas permanentes”, escreveram os investigadores, citados pelo IFLScience. “As tatuagens extensas numa múmia feminina demonstram o uso de tatuagens para identificar e permitir que essa mulher actue como uma praticante religiosa essencial para a comunidade Deir el-Medina.”

Deir El-Medina foi uma antiga vila onde viviam artesãos que construíram os túmulos reais no Vale dos Reis e no Vale das Rainhas, de acordo com a Enciclopédia da História Antiga. Ao contrário de muitas outras civilizações da época, Deir El-Medina era uma comunidade planeada com o objectivo de abrigar trabalhadores que eram conhecidos como “Servos no Lugar da Verdade”.

O local foi escavado desde o início do século XX e fornece uma riqueza de informações sobre a vida quotidiana das pessoas que lá moravam, bem como o seu papel na construção dos eternos lugares de descanso da realeza.

Estas descobertas oferecem algumas das “evidências mais abrangentes que temos até hoje sobre a prática de tatuar no Egipto antigo”. Os egiptólogos identificaram tatuagens em apenas algumas múmias que abrangem a história com mais de três mil anos do Egipto faraónico – e pouco se sabe sobre a importância da prática no Egipto Antigo.

As tatuagens figurativas mais antigas foram eternizadas em duas múmias egípcias alojadas no Museu Britânico de Londres, datadas de 5.300 anos.

ZAP //

Por ZAP
7 Dezembro, 2019

 

1171: Arqueólogos revelam segredos da única múmia tatuada do Egipto

CIÊNCIA

Ann Austin

Um grupo de arqueólogos acaba de concluir as análises realizadas na única múmia tatuada já encontrada no Egipto. Os testes revelaram muitos dos segredos desta múmia milenar, principalmente sobre as suas misteriosas tatuagens.

A múmia, com cerca de 3 mil anos, foi descoberta em 2014 em Deir el-Medina, no Egipto. Os novos testes, conduzidos por uma equipa de investigação da Universidade Francesa de Arqueologia Oriental (IFAO), revelaram que a múmia pertence a uma mulher da elite, com cerca de 25 a 34 anos, que terá vivo entre 1300 e 1070 d.C.

De acordo com a Egypt Today, no total, foram identificadas 30 tatuagens diferentes no corpo da múmia. Entre as figuras, foram identificadas imagens de touros, ovelhas, flores de lótus, babuínos e vários olhos de Hórus ou Udyat – símbolo do Antigo Egipto que representa a protecção contra o mal.

Os cientistas acreditam que estas tatuagens podem ter servido para demonstrar e fortalecer os poderes religiosos desta mulher na corte do faraó.

Até ao momento, foram encontradas poucas múmias com tatuagens e, mesmo as que já foram encontradas, apresentam marcas menos elaboradas, compostas por traços e pontos. Segundo os investigadores, esta é a primeira múmia com tatuagens de objectos reais.

Inicialmente, Anne Austin, investigadora da Universidade de Standford, na Califórnia, pensou que as marcas eram apenas pinturas, mas logo percebeu que se tratavam mesmo de tatuagens. Com a mais recente análise, que recorreu a tecnologias mais avançadas, a equipa descobriu que as imagens estavam escondidas pelas resinas da mumificação.

Os investigadores salientaram que estes desenhos têm um significado importante do ponto de vista religioso, uma vez que, acreditam os especialistas, estas imagens estão directamente ligadas às divindades do Antigo Egipto.

Nos últimos quatro anos, a múmia milenar permaneceu no mesmo túmulo onde foi encontrada, de forma a manter as mesmas condições atmosféricas, assegurou o Ministério das Antiguidades do Egipto.

O corpo remonta ao Império Novo do Egipto, que está compreendido entre 1550 e 1069 a.C, e compreende as dinastias dos faraós XVIII, XIX e XX. Este foi o período mais próspero do Egipto, marcando o auge do seu poder.

Ötzi, com cerca de 5300 anos, é a múmia mais antiga da Europa, tendo também figuras tatuadas no seu corpo. No entanto, neste caso, os cientistas acreditam que as tatuagens tenham servido com uma forma primitiva de acupuntura.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

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