3168: As tartarugas-gigantes podem aprender coisas (e lembrar-se durante anos)

CIÊNCIA

jdegenhardt / Flickr

Um novo estudo sugere que as tartarugas-gigantes podem ser treinadas e lembrar-se daquilo que aprenderam durante vários anos.

De acordo com o IFLScience, uma nova pesquisa mostra como as tartarugas-gigantes podem aprender novas tarefas e até executá-las quase uma década depois de serem treinadas.

Há quase dez anos, cientistas do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa, no Japão, começaram a testar o poder cerebral das tartarugas gigantes de Galápagos e das Seychelles, alojadas no Jardim Zoológico de Schönbrunn, em Viena, na Áustria.

Usando um treino de reforço positivo, as tartarugas foram treinadas para associar uma recompensa (comida) a uma bola colorida específica num pau. Quando viam duas bolas coloridas diferentes, estes animais foram capazes de seleccionar a bola associada à comida, mordê-la e receber a recompensa.

Então, a equipa avaliou se as tartarugas se lembravam deste treino 95 dias depois. Resultado: todos os animais se aproximaram e responderam aos paus, tal como haviam sido treinados há meses, embora não se conseguissem lembrar imediatamente da cor específica da bola. Nove anos depois, o mesmo grupo de tartarugas foi testado e ainda se lembrava do treino.

Segundo o mesmo site, pensa-se que existam cerca de 15 espécies conhecidas de tartarugas-gigantes. No caso das de Galápagos, podem atingir até 227 quilos e viver facilmente até aos 100 anos idade.

As das Seychelles, por sua vez, também podem viver durante muito tempo. Pensa-se que o espécime vivo mais antigo conhecido, de nome Jonathan, tenha cerca de 187 anos, o que também o torna o animal mais antigo do mundo.

“Esperamos que este trabalho desafie as suposições sobre a inteligência dos répteis. O trabalho sobre cognição em répteis é geralmente limitado pela disponibilidade. Quantas mais espécies testamos, mais clara se torna a ideia de que muitos répteis têm capacidade cognitiva semelhante aos mamíferos”, afirma Michael Kuba, autor principal do estudo publicado na revista científica Animal Cognition.

ZAP //

Por ZAP
10 Dezembro, 2019

spacenews

 

2323: Em 2100, não haverá tartarugas macho (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

As tartarugas-marinhas-comuns nascidas num terreno fértil em Cabo Verde serão todas fêmeas por causa das mudanças climáticas, alertou um novo estudo.

Mesmo sob um cenário de baixas emissões, 99,86% das crias de tartarugas seriam fêmeas até 2100, de acordo com investigadores da Universidade de Exeter. Se as emissões continuarem inabaláveis, mais de 90% poderão ser incubadas em “altas temperaturas letais”, matando jovens antes de eclodirem.

Cabo Verde tem uma das maiores populações de nidificação de tartarugas do mundo, com cerca de 15% do total global de nidificação. O sexo das tartarugas é determinado pelas temperaturas em que são incubadas e as temperaturas quentes favorecem as fêmeas.

Os cientistas analisaram as projecções de temperatura do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) para 2100 – baixa (1,8°C), média (2,8°C) e alta (3,4°C).

Actualmente, 84% das crias em Cabo Verde são do sexo feminino, de acordo com o artigo publicado na revista Marine Ecology Progress Series. Temperaturas mais quentes poderão, então, aumentar dramaticamente esse número.

“Sob todos os três cenários de mudança climática, em 2100 mais de 99% das crias seriam fêmeas – e em cenários de média e alta emissão não poderia haver machos”, disse a Lucy Hawkes da Universidade de Exeter, de acordo com o The Independent.

A principal autora Claire Tanner, que trabalhou no estudo como parte de um mestrado na instituição, acrescentou: “O que nos surpreendeu foi como até mesmo o cenário de baixas emissões tem efeitos prejudiciais para esta população. O que isso mostra é que agora é a hora de agir sobre a mudança climática – antes que seja tarde demais para impedir as estimativas vistas neste artigo”.

As projecções baseiam-se no comportamento actual de aninhamento e os cientistas dizem que as tartarugas podem adaptar-se ao acasalar no início do ano, quando é mais frio. Em teoria, a selecção natural favorecerá as tartarugas que fizerem isso, mas a velocidade da mudança climática significará que não conseguem evoluir suficientemente rápido.

Os cientistas disseram que as tartarugas podem beneficiar de características específicas, como sombra debaixo das árvores, o que poderia fornecer condições um pouco mais frias.

A vida reprodutiva dos machos não é conhecida, portanto os machos mais velhos podem continuar a produzir anos após os novos machos deixarem de ser incubados, embora seja provável que, em algum momento, a população caia.

No ano passado, a investigação liderada pelo World Wide Fund for Nature (WWF) da Austrália descobriu que mais de 99% das tartarugas verdes que nasceram em partes da Grande Barreira de Corais eram fêmeas.

Também alertaram que as populações de tartarugas enfrentam “feminização completa” no futuro próximo. Em algumas praias do norte, perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, os cientistas descobriram que praticamente todas as tartarugas jovens eram do sexo feminino, tal como mais de 85% dos adultos.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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