2778: Cientistas já sabem como funciona a proteína que torna os tardígrados “invencíveis”

CIÊNCIA

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Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, acaba de descobrir como funciona a proteína que torna os tardígrados, também conhecidos como ursos de água, quase invencíveis.

Os cientistas já conheciam as surpreendentes capacidades de sobrevivência destes minúsculos seres vivos, tendo agora conseguido explicar como é que uma proteína presente no seu corpo os torna tão resistentes, escreve o portal IFL Science.

Estes seres microscópicos, recorde-se, têm capacidades impressionantes que lhes permitem sobreviver em condições extremas: os tardígrados podem viver em temperaturas muito baixas no Oceano Árctico, resistir a altos níveis de radiação e até sobreviver a produtos químicos fatais para a maioria dos seres vivos.

Estudos anteriores revelaram que estes seres têm uma proteína (Dsup) que suprime danos no ADN induzidos por raio-X. No entanto, não era ainda claro como é que a proteína protegia os tardígrados contra este tipo de radiação – até agora.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica eLife, os cientistas descobriram, recorrendo a análises bioquímicas, que a Dsup se liga à cromatina, uma substância composta por ADN ligado a proteínas.

Durante o processo, explicaram os cientistas, é criada uma espécie de nuvem protectora que, tal como o nome indica, protege as células contra os radicais hidroxila, moléculas altamente reactivas produzidas pela exposição aos raios X, explica a Russia Today.

“Agora temos uma explicação molecular sobre como é que a proteína Dsup protege as células da radiação de raios-X”, afirmou o cientista James T. Kadonaga, que participou na nova investigação, citado em comunicado da universidade norte-americana.

Os cientistas frisaram que esta descoberta é importante não só porque ajuda a melhor perceber a Biologia destes seres vivos, como também pode facilitar o desenvolvimento de células animais resistentes a condições extremas, visando aumentar a sua longevidade.

“Dsup pode ser usado numa variedade de aplicações, como terapias baseadas em células e ‘kits’ de diagnóstico nas quais o aumento da sobrevivência celular é benéfico”, explicou ainda o cientista.

ZAP //

Por ZAP
5 Outubro, 2019

 

2496: Tardígrados na Lua – As questões que se levantam

CIÊNCIA

No passado mês de Abril, estava planeada a alunagem do módulo lunar israelita Beresheet que infelizmente não foi bem-sucedida, colidindo com a superfície lunar. Mas esta missão tornou-se famosa porque o Beresheet transportava uma biblioteca terrestre que, além de muitos registos humanos continha uns microrganismos chamados tardígrados (também conhecidos por ursos-d’água), que são especialistas em sobrevivência.

Estes microrganismos são capazes de resistir a ambientes onde se esperava que nenhum ser vivo sobrevivesse. Após este acontecimento várias questões se levantam. Os tardígrados conseguiram sobreviver ao impacto, contaminando assim a superfície lunar? Como é que isto pode acabar por contribuir, involuntariamente, para o futuro da astrobiologia?

Os tardígrados são imortais?

Os tardígrados também são designados por ursos-d’água devido ao seu movimento que faz lembrar o dos ursos. Além disso, estes microrganismos possuem um aspecto peculiar, que, apesar do seu tamanho microscópico (entre 0,05 e 1,2 mm de comprimento) são constituídos por uma cabeça e por um corpo segmentado com quatro pares de pernas.

Algumas espécies de tardígrados têm ainda presentes um par de células fotossensíveis na cabeça, que se assemelham visualmente a olhos. Curiosamente, os tardígrados mantêm o número de células durante toda a sua vida, apenas crescendo em tamanho.

Estes seres vivos são encontrados em quase todos os habitats da Terra, sendo facilmente encontrados em líquenes e musgo. De facto, eles são conhecidos pela sua capacidade de sobrevivência em ambientes com condições extremas, tendo voltado à vida e sendo até capazes de se reproduzirem (!), após três décadas congelados a -20°C.

Mas, ao contrário do que possa parecer estes microrganismos não gostam de viver nestas condições extremas, eles apenas fazem o possível para sobreviver e para que um dia consigam transmitir a sua informação genética de modo a continuar a perpetuar a sua espécie. Com este objectivo, quando sujeitos a condições extremas os tardígrados entram num estado reversível designado por criptobiose que, muito sucintamente, consiste na diminuição drástica da actividade metabólica de um ser vivo (até 0,01% da actividade normal, no caso dos tardígrados).

Um dos tipos de criptobiose mais estudado em tardígrados é a anidrobiose que é desencadeado face à ausência de água. Mas, mesmo neste estado os tardígrados não são imortais, embora consigam sobreviver décadas nessa forma!

Tardígrados no espaço

Num estudo liderado por K. Ingemar Jönsson e em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA), tardígrados no estado de criptobiose foram lançados para a órbita terrestre a bordo de um satélite. Assim, foram expostos ao vácuo espacial durante 10 dias. Ao fim deste período, voltaram à Terra para serem reidratados.

Surpreendentemente, parte destes microrganismos foram capazes de sobreviver. Isto, após serem expostos directamente a raios cósmicos e radiação ultravioleta. Tornando-se assim no primeiro animal conhecido pelo Homem capaz de sobreviver a condições tão extremas.

Da Terra à Lua: uma viagem de última hora

No dia 11 de Abril de 2019, uma missão espacial à Lua mal sucedida resultou na sua possível contaminação com tardígrados. No fundo, esta missão serviu para impulsionar as missões espaciais com fundos privados. Tendo assim como objectivo científico estudar o campo magnético da Lua.

Além disso, o módulo lunar Beresheet continha uma biblioteca com milhões de páginas de informação como uma cópia de quase toda a Wikipédia em língua inglesa, do Projeto Roseta, de memórias de sobreviventes do Holocausto e da Bíblia Hebraica.

Mas, à última hora decidiram também incluir material genético humano e tardígrados, preservados numa camada de resina (que se assemelha ao modo como os fósseis estão preservados em âmbar). Esta biblioteca do conhecimento humano e da biologia terrestre foi criada como uma espécie de cópia de segurança do planeta Terra.

Contudo, mesmo que estes microrganismos tenham sobrevivido ao impacto com a superfície lunar e resistam ao ambiente da Lua, tornando-se nos segundos seres vivos que visitam este satélite, é bastante improvável que recuperem do estado criptobiótico. Assim, apenas com uma nova viagem à Lua será possível resgatar e reidratar os tardígrados.

A missão que, à primeira vista pareceu ser um fracasso, no futuro poderá contribuir para aumentar o nosso conhecimento sobre a possibilidade de vida extraterrestre. Podendo vir a ser importante, por exemplo, para conhecermos e percebermos quais os efeitos e consequências que a vida noutro planeta poderá ter.

Além disso, dá-nos a confirmação de que a vida pode resistir em ambientes que para nós, humanos, é impossível. E se estes seres terrestres são capazes de sobreviver nestas condições, não poderá haver outros seres espalhados pela imensidão do Universo que também sejam capazes de prosperar?

pplware
21/08/2019
Imagem: Getty Images | Global Soil Biodiversity Atlas

 

2414: E se os bichos mais resistentes da Terra andarem pela Lua? Isto não é ficção

Uma missão israelita, que tinha a Lua como destino, fracassou mas a mercadoria poderá ter sobrevivido

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Costuma dizer-se que as baratas são rijas e sobrevivem a bombas nucleares. Nos últimos tempos, no entanto, esta versão foi perdendo força, pelo menos no que toca ao trono da resistência estóica, já que o tardígrado ganhou o estatuto de habitante mais resistente da Terra. Os tardígrados são micro-animais, não chegam a medir um milímetro e têm oito patas. De acordo com a Universidade de Oxford, esses bichos estarão por cá nos próximos 10 mil milhões de anos.

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Agora, estes micro-animais que aguentam décadas sem comer e beber, que resistem ao pior dos infernos na terra, poderão estar a colonizar a Lua. Pelo menos, à sua maneira. Ou micro maneira. É que a missão espacial israelita Beresheet, que seria a primeira daquele país a aterrar na Lua, transportava tardígrados para o satélite natural da Terra para descobrir se será um bom plano B ao nosso planeta, conta o “The Guardian”. Embora os cientistas tenham perdido o contacto com a Beresheet em Abril, acredita-se que a sonda tenha chegado à Lua. Mais: os cientistas acreditam que os micro-animais sobreviveram àquela viagem e à nova realidade.

Os tardígrados, também conhecidos por ursos de água, foram descobertos no século XVIII por Johann August Ephraim Goeze, um zoólogo alemão, conta aquele diário. E encontram-se por todo o lado: nos cenários mais rudes e desafiantes à sobrevivência, como cumes de montanhas, desertos que fervem e até lagos gelados da Antárctida.

© DE AGOSTINI PICTURE LIBRARY

Será que os seres mais resistentes da Terra serão igualmente resilientes na Lua? Um especialista na matéria diz que sim. “Os tardígrados podem sobreviver a pressões comparáveis àquelas criadas quando asteróides atingem a Terra, por isso um pequeno acidente como este não é nada para eles”, explicou ao “The Guardian” Lukasz Kaczmarek, da Universidade Adam Mickiewicz, em Poznan, que garante que aqueles micro-animais podem durar alguns anos por território lunar.

msn notícias
Expresso
07/08/2019