5317: SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE/PERSEVERANCE

Combinando duas imagens, este mosaico mostra uma ampliação da rocha denominada “Yeehgo” obtida pelo instrumento SuperCam do rover Perseverance da NASA em Marte. As imagens foram obtidas pelo RMI (Remote Micro-Imager) da SuperCam. Para ser compatível com o software do rover, “Yeehgo” tem uma grafia diferente de “Yéigo”, a palavra Navajo para “diligente”.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/LANL/CNES/CNRS

As primeiras leituras do instrumento SuperCam a bordo do rover Perseverance da NASA chegaram à Terra. A SuperCam foi desenvolvida em conjunto pelo Laboratório Nacional de Los Alamos no estado norte-americano do Novo México e por um consórcio de laboratórios de pesquisa franceses sob a liderança do CNES (Centre National d’Etudes Spatiales). O instrumento forneceu dados ao centro de operações da agência espacial francesa em Toulouse, que incluem o primeiro áudio de disparos de laser noutro planeta.

“É incrível ver a SuperCam a funcionar tão bem em Marte,” disse Roger Wiens, investigador principal do instrumento SuperCam do rover no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México. “Quando sonhámos pela primeira vez com este instrumento, há oito anos, estávamos preocupados por sermos ambiciosos demais. Agora, está em Marte a funcionar como um encanto.”

“Empoleirada no topo do mastro do rover, a cabeça do sensor de 5,6 kg da SuperCam pode realizar cinco tipos de análises para estudar a geologia de Marte e ajudar os cientistas a escolher quais as rochas que o rover deverá amostrar na sua busca por sinais de antiga vida microbiana. Desde o pouso do rover de dia 18 de Fevereiro que a missão tem realizado verificações da saúde de todos os seus sistemas e subsistemas. Os primeiros dados dos testes da SuperCam – incluindo sons do Planeta Vermelho – foram intrigantes.

“Os sons adquiridos são de qualidade notável, diz Naomi Murdoch, investigadora da escola de engenharia aeroespacial ISAE-SUPAERO em Toulouse. “É incrível pensar que vamos fazer ciência com os primeiros sons já gravados à superfície de Marte!”

No dia 9 de Março, a missão divulgou três ficheiros de áudio da SuperCam. Obtidos apenas 18 horas após a aterragem, quando o mastro permanecia ainda retraído no convés do veículo marciano, o primeiro ficheiro captura os sons fracos do vento marciano.

O vento é mais audível, especialmente por volta dos 20 segundos, no segundo ficheiro de som, gravado no quarto dia marciano, ou sol.

O terceiro ficheiro da SuperCam, do sol 12, inclui os sons dos disparos de laser a impactar 30 vezes um alvo rochoso a uma distância de aproximadamente 3,1 metros. Alguns dos “zaps” soam ligeiramente mais altos do que outros, fornecendo informações sobre a estrutura física dos alvos, como a sua relativa dureza.

“Quero estender os meus sinceros agradecimentos e parabéns aos nossos parceiros internacionais no CNES e à equipa da SuperCam por fazer parte desta jornada importante,” disse Thomas Zurbuchen, administrador associado de ciência na sede da NASA em Washington. “A SuperCam realmente dá ao nosso rover olhos para ver amostras de rochas promissoras e ouvidos para ouvir o som dos lasers quando as atingem. Esta informação será essencial para determinar quais as amostras a armazenar em cache e, em última análise, a enviar para a Terra através da nossa campanha MSR (Mars Sample Return), que será um dos feitos mais ambiciosos já realizados pela humanidade.”

A equipa da SuperCam também recebeu excelentes primeiros conjuntos de dados do sensor VISIR (Visible and InfraRed) bem como do seu espectrómetro Raman. O VISIR recolhe a luz reflectida do Sol para estudar o conteúdo mineral de rochas e sedimentos. Esta técnica complementa o espectrómetro Raman, que usa um feixe de laser verde para excitar as ligações químicas numa amostra a fim de produzir um sinal dependendo de quais os elementos ligados, que por sua vez fornece informações sobre a composição mineral de uma rocha.

“Esta é a primeira vez que um instrumento usa a espectroscopia Raman em qualquer lugar que não a Terra! disse Olivier Beyssac, director de pesquisa do CNRS no Institut de Minéralogie, de Physique des Matériaux et de Cosmochimie em Paris. “A espectroscopia Raman vai desempenhar um papel crucial na caracterização de minerais para obter uma visão mais profunda das condições geológicas sob as quais se formaram e na potencial detecção de moléculas orgânicas e minerais que podem ter sido formados por organismos vivos.”

Astronomia On-line
12 de Março de 2021