3418: Cientistas descobriram que uma super tempestade solar atinge a Terra a cada 25 anos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Estamos cada vez mais conhecedores do nosso Sol. Temos mais informação científica, imagens de alta definição e muitos outros dados que ajudam a perceber o que se passa com a estrela. Assim, uma equipa de cientistas da Universidade de Warwick deu a conhecer uma descoberta excepcional. A cada 25 anos, a Terra é atingida por uma grande super tempestade solar suficientemente poderosa para causar estragos nas redes de energia, satélites, sistemas de navegação aérea e de telecomunicações e equipamentos electrónicos, em geral.

De acordo com o novo estudo, outras tempestades menos poderosas, mas também perigosas, ocorrem com muito mais frequência, cerca de uma vez a cada três anos.

Terra é fustigada a cada 25 anos com tempestades solares

Tempestades solares, ou geo-magnéticas, ocorrem como resultado de perturbações no Sol que disparam ondas de partículas extremamente energéticas para o espaço. Quando estas partículas atingem a magnetosfera, o “escudo” magnético do nosso planeta, a tempestade ocorre.

As partículas podem vir de várias fontes: uma ejecção de massa coronal (CMEs), regiões de interacção co-rotativas (CIRs), ou buracos coronais, que emitem um fluxo de vento solar de alta velocidade, capaz de se mover duas vezes mais rápido do que o vento solar normal.

Tempestade solar de 1859

Até agora, a maior tempestade geo-magnética conhecida ocorreu em 1859. Chamado de “evento Carrington” pelo cientista que o estudou, causou apagões e desligou inúmeras estações telegráficas em todo o mundo. Algumas delas incendeiam-se espontaneamente e as auroras boreais foram registadas em latitudes nunca antes vistas.

Mais recentemente, em 1989, uma tempestade solar no Quebec, Canadá, perturbou os sistemas de distribuição de energia e novamente criou poderosas auroras que foram vistas até mesmo no sul dos Estados Unidos, como no Texas.

Mais tecnologia… maior o perigo

Conforme é do conhecimento científico, as tempestades solares representam um perigo crescente dado que está igualmente a aumentar a dependência do ser humano da tecnologia. Isto porque a energia é o elo de ligação entre tudo o que hoje é vital. Como seria o mundo sem computadores, telemóveis, aviões, barcos, televisão, e uma panóplia de dispositivos e sistemas que regem as nossas rotinas?

Tudo está dependente da energia, do semáforo nas estradas à água que corre nas torneiras de um hospital. Contudo, os satélites são provavelmente os elos mais expostos e vulneráveis da cadeia tecnológica. Na verdade, a sociedade moderna depende deles muito mais do que as pessoas imaginam.

E se o evento Carrington ocorresse agora?

Segundo os relatos da altura e o impacto que causou, transposto à realidade actual haveria danos de milhões de euros. Além disso, as perdas humanas seriam igualmente aos milhões.  Nesse sentido, perceber como funciona a estrela, prever o tempo e o comportamento poderá igualmente significar poupar milhões ou mesmo biliões. É por isso que, para os prever a tempo, os cientistas estão cada vez mais interessados nas tempestades solares.

E é precisamente aí que entra este estudo. Os investigadores têm vindo a analisar os dados do campo magnético em detalhe há quase 150 anos. Foram capazes de detectar quantas super tempestades ocorreram nesse período e, mais importante, quantas vezes ocorreram.

Estas super tempestades são eventos raros, mas estimar a sua probabilidade é uma parte importante do planeamento necessário para proteger a infra-estrutura crítica.

Referiu a investigadora Sandra Chapman, do Centro de Fusão, Espaço e Astrofísica da Universidade de Warwick.

No seu estudo, os investigadores mostram que “severas” super tempestades solares ocorreram em 42 dos últimos 150 anos. Ou seja, a uma taxa de aproximadamente um a cada três anos. Da mesma forma, as maiores e mais poderosas super tempestades ocorreram em seis dos séculos e meio estudados. Por outras palavras, uma vez a cada 25 anos.

Normalmente estes tipos de tempestades duram apenas alguns dias, mas podem ser extremamente prejudiciais para a tecnologia moderna. Apesar da sua magnitude, o evento Carrington não tem feito parte do estudo. A razão é que os dados tratados pelos investigadores não remontam a esse ponto.

O que é mais surpreendente sobre este estudo é que ele mostra muito claramente que eventos solares tão poderosos como o evento Carrington poderiam ser muito mais comuns do que se pensava anteriormente. E que eles podem acontecer a qualquer momento e sem aviso prévio.

O susto de 2012

O que muitos não sabem é que há pouco tempo, em 2012, a Terra evitou por pouco a catástrofe. Naquele ano, ocorreu uma grande ejecção de massa coronal, emitindo uma nuvem gigante de partículas carregadas no espaço.

Felizmente, a nuvem não se dirigiu para o nosso planeta. No entanto, se o tivesse feito, teria causado uma enorme tempestade geo-magnética de consequências imprevisíveis.

Actualmente há várias missões espaciais a estudar o Sol. Entre elas, o Observatório da Heliosfera Solar (SOHO), o Observatório da Dinâmica Solar (SDO) ou o recente Solar Parker, ao qual se juntará esta semana a missão europeia Solar Orbiter. Uma frota inteira de naves com um único objectivo: compreender a dinâmica solar e ser capaz de prever os episódios mais violentos a tempo de minimizar os danos à Terra.

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pplware
04 Fev 2020
Imagem: NASA

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