2339: Protestos, detidos e estado de emergência. Um super-telescópio está a agitar o Havai

occupyhilo / Flickr
Manifestantes estão contra a construção do Thirty Meter Telescope no Mauna Kea, no Havai

Centenas de manifestantes estão reunidos, na base da montanha Mauna Kea, no Havai, para contestar a construção no seu pico de um super-telescópio, avaliado em mil milhões de dólares.

Segundo o Washington Post, os anciãos havaianos, conhecidos como kupuna, e outras centenas de manifestantes estão a bloquear a estrada de acesso à montanha Mauna Kea, sentando-se em cadeiras ou ficando algemados numa grade de metal.

Para os havaianos nativos, esta montanha é um local sagrado. Para os astrónomos, no entanto, representa um dos melhores sítios do planeta para observar o Espaço.

“Não queremos o telescópio nesta montanha. Esta montanha representa mais do que um edifício que agora querem construir. Esta montanha representa a última coisa que eles querem levar e que nós não lhes vamos dar”, afirmou Walter Ritte ao Hawaii News Now.

Em causa está a construção do Thirty Meter Telescope (TMT) – Telescópio de Trinta Metros em Português -, assim baptizado pelo diâmetro do seu espelho. Este é um projecto de 1,4 mil milhões de dólares que, segundo o governador do Havai, David Ige, seria para começar na segunda-feira.

(dr) Thirty Meter Telescope
Representação artística do Thirty Meter Telescope

Durante a semana, mais de 30 manifestantes foram detidos e, esta sexta-feira, o governador decidiu declarar o estado de emergência e autorizou o estado a tomar medidas de emergência e a levar para o local a guarda nacional, escreve o New Scientist.

Foi em 2009 que o Mauna Kea foi escolhido para receber o TMT, por causa da sua elevação e céu limpo. O telescópio vários metros de altura e vai proporcionar aos astrónomos uma oportunidade de observar melhor planetas, estrelas, galáxias e buracos negros.

Os protestos pacíficos começaram em 2014, durante a cerimónia da colocação da primeira pedra no local e, no ano seguinte, conseguiram impedir o início da sua construção. Mais tarde, o Supremo Tribunal do Havai confirmou a decisão do Conselho Estatal de Terras e Recursos Naturais de conceder uma licença de construção. E então, em Junho de 2019, a agência permitiu que a construção do TMT avançasse.

O Departamento de Terras e Recursos Naturais do estado deu uma concessão de terra à Universidade do Havai e a outros grupos para a construção de observatórios. Antes do TMT, o pico da montanha já abrigava outros 13 telescópios, cujo trabalho está agora em suspenso, uma vez que os funcionários foram evacuados devido aos protestos.

“Estamos a perder todas as coisas pelas quais somos responsáveis enquanto havaianos. Somos responsáveis pelos nossos oceanos, pela nossa terra, pelas nossas gerações futuras”, continua Ritte.

Caso a ideia não vá para a frente, o Thirty Meter Telescope tem um plano B: mudar-se para La Palma, nas Ilhas Canárias, em Espanha.

ZAP //

Por ZAP
19 Julho, 2019

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60: A misteriosa megaestrutura alienígena pode ser só poeira

Esta ilustração mostra um hipotético anel disforme de poeira em redor de KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby.

A Estrela de Tabby, um dos objectos estelares mais misteriosos do nosso tempo, pode estar finalmente a revelar alguns dos seus segredos – entre os quais, a origem da famosa “megaestrutura alienígena” que parece ocultá-la parcialmente.

Com a designação formal de KIC 8462852, mas conhecida como Estrela de Tabby ou Estrela de Boyajian, o misterioso objecto cósmico sofreu diminuições invulgares de brilho. O Telescópio Espacial Kepler, da NASA, observou inclusivamente um escurecimento de até 20% em questão de dias.

Além disso, a estrela tem tido tendências enigmáticas de atenuação muito mais subtis a longo prazo e uma continua ainda hoje. Este comportamento é inesperado para estrelas normais ligeiramente mais massivas que o Sol.

As especulações têm incluído a ideia de que a estrela engoliu um planeta instável, e uma teoria mais imaginativa envolve um engenho gigante ou “megaestrutura alienígena“, construída por uma civilização avançada, que pode recolher energia da estrela e estar a fazer com que o seu brilho diminua.

Um novo estudo, com base em dados das missões Swift e Spitzer da NASA bem como do observatório belga AstroLAB IRIS, sugere agora que a causa do escurecimento em longos períodos é provavelmente uma nuvem de poeira disforme que se move em torno da estrela.

Isto destrói a ideia da “megaestrutura alienígena” e das outras especulações mais exóticas.

No entanto, os investigadores encontraram menos diminuições estelares no infravermelho do que no ultravioleta. Qualquer objecto maior do que simples partículas de poeira cósmica escureceria todos os comprimentos de onda de forma igual quando passasse em frente da Estrela de Tabby.

“Isto descarta a teoria da megaestrutura alienígena, pois não pode explicar a diminuição de brilho dependente do comprimento de onda,” afirma Huan Meng, da Universidade do Arizona em Tucson, EUA, autor principal do novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal.

“Nós suspeitamos, ao invés, que existe uma nuvem de poeira em órbita da estrela com um período de aproximadamente 700 dias”, diz Meng.

Conceito artístico do aspecto de uma estrela vista atrás de um cometa fragmentado; algumas observações sugerem que esse seja o motivo dos misteriosos padrões de luz da estrela KIC 8462852

Por que a poeira é o mais provável

Nós discernimos o escurecimento uniforme da luz muitas vezes no nosso quotidiano: se formos à praia durante um dia limpo e nos sentarmos debaixo de um chapéu de praia, o chapéu reduz a quantidade de luz solar que atinge os nossos olhos em todos os comprimentos de onda.

Mas se esperarmos pelo pôr-do-Sol, o Sol parece vermelho porque a luz azul e ultravioleta é espalhada por partículas pequenas. O novo estudo sugere que os objectos que provocam o escurecimento de longo período da Estrela de Tabby não podem ter mais do que alguns micrómetros em diâmetro.

Entre Janeiro e Dezembro de 2016, os investigadores observaram a Estrela de Tabby no ultravioleta usando o Swift e no infravermelho usando o Spitzer.

Complementando os telescópios espaciais, os cientistas também observaram a estrela no visível durante o mesmo período usando o AstroLAB IRIS, um observatório público com um telescópio reflector de 27 polegadas localizado perto da vila belga de Zillebeke.

Com base no forte mergulho ultravioleta, os investigadores determinaram que as partículas de bloqueio devem ser maiores do que a poeira interestelar, pequenos grãos que podem ser encontrados entre a Terra e a estrela. Tais partículas pequenas não podiam permanecer em órbita da estrela porque a pressão da sua luz as empurraria para o espaço.

A poeira que orbita uma estrela, chamada poeira circunstelar, não é tão pequena para voar para longe, mas também não é suficientemente grande para bloquear uniformemente a luz em todos os comprimentos de onda. Esta é considerada, actualmente, a melhor explicação, embora outras sejam possíveis.

Colaboração com Astrónomos Amadores

Os cientistas-cidadão fazem parte integrante da exploração da Estrela de Tabby desde a sua descoberta. A luz deste objecto foi identificada, ao início, como “bizarra” e “interessante” pelos participantes do projecto Planet Hunters, que permite com que qualquer pessoa procure planetas nos dados do Kepler.

Isto levou a um estudo de 2016 que deu a conhecer o objecto, cuja alcunha honra Tabetha Boyajian, agora na Universidade Estatal do Louisiana, em Baton Rouge, autora principal do artigo original e co-autora do novo estudo.

O trabalho recente sobre o escurecimento de longo período envolve astrónomos amadores que fornecem suporte técnico e de software ao AstroLAB. Vários membros da equipa do AstroLAB que se voluntariaram no observatório não têm educação formal em astronomia.

Franky Dubois, que operou o telescópio durante as observações da Estrela de Tabby, foi capataz numa fábrica de cintos.  Ludwig Logie, que ajuda com questões técnicas do telescópio, é coordenador de segurança no sector da construção.

Steve Rau, que processa as observações do brilho estelar, é formador numa companhia ferroviária belga. Siegfried Vanaverbeke, voluntário do AstroLAB que detém um doutoramento em física, tornou-se interessado pela Estrela de Tabby depois de ler o estudo de 2016 e convenceu Dubois, Logie e Rau a usar o AstroLAB para a observar.

“Disse aos meus colegas: ‘Este seria um objecto interessante de seguir,’” recorda Vanaverbeke. “E decidimos juntar-nos.”

O astrónomo George Rieke, da Universidade do Arizona, co-autor do novo estudo, contactou o grupo AstroLAB quando viu os seus dados sobre a Estrela de Tabby publicados num arquivo público de astronomia. Os grupos dos EUA e da Bélgica uniram-se para combinar e analisar os seus resultados.

Exploração Futura

Embora os autores do estudo tenham uma boa ideia da razão porque a Estrela de Tabby diminui de brilho a longo prazo, não abordaram os eventos de atenuação de curto prazo que aconteceram em períodos de três dias em 2017.

Também não se debruçaram sobre o mistério das grandes diminuições de 20% que o Kepler observou enquanto estudava o campo de Cisne da sua missão primária.

Investigações anteriores com o Spitzer e com o WISE sugeriram um enxame de cometas como responsável pelas diminuições mais curtas. Os cometas também são uma das fontes mais comuns de poeira que orbitam as estrelas e, como tal, também podem estar relacionados com o escurecimento de longo período estudado por Meng e colegas.

Agora que o Kepler explora outras áreas do céu na sua missão actual, de nome K2, já não consegue acompanhar a Estrela de Tabby, mas os telescópios do futuro podem ajudar a revelar mais segredos acerca deste misterioso objecto.

A Estrela de Tabby pode ter uma espécie de ciclo de actividade solar. É algo que precisa ser investigado e continuará a interessar os cientistas por muitos anos,” conclui Vanaverbeke.

ZAP // CCVAlg

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52: Hubble observa o cometa activo mais distante a dirigir-se para o Sol

O Telescópio Espacial Hubble da NASA fotografou o cometa activo, dirigindo-se na direcção do Sol, mais distante alguma vez visto, a uma enorme distância de 2,41 mil milhões de quilómetros da estrela (para lá da órbita de Saturno).

Ligeiramente aquecido pelo longínquo Sol, já começou a desenvolver uma nuvem de poeira difusa com quase 129 mil quilómetros de comprimento, a que chamamos coma ou cabeleira, envolvendo um núcleo sólido e minúsculo de gás e poeira congelados. Estas observações representam os sinais mais precoces de actividade, alguma vez vistos, num cometa que entra na zona planetária do Sistema Solar pela primeira vez.

O cometa, chamado C/2017 K2 (PANSTARRS) ou “K2”, tem vindo a viajar durante milhões de anos desde a sua casa nos confins distantes e frios do Sistema Solar, onde a temperatura ronda os -262º C.

A órbita do cometa indica que é oriundo da Nuvem de Oort, uma região esférica com quase um ano-luz em diâmetro e que se pensa conter centenas de milhares de milhões de cometas. Os cometas são remanescentes gelados da formação do Sistema Solar há 4,6 mil milhões de anos e, portanto, têm uma composição gelada pristina.

“K2 está tão longe do Sol e é tão frio, que sabemos com certeza que a actividade – todas aquelas coisas difusas que o fazem parecer-se com um cometa – não é produzida, como nos outros cometas, pela evaporação de água gelada,” comenta David Jewitt, investigador principal da Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA.

“Em vez disso, pensamos que a actividade se deve à sublimação – passagem do estado sólido directamente para o estado gasoso – de super-voláteis à medida que o K2 faz a sua primeira entrada na zona planetária do Sistema Solar. É por isso que é especial. Este cometa está tão distante e é tão incrivelmente frio que a água gelada é como se fosse rocha”.

Com base nas observações do Hubble da cabeleira de K2, Jewitt sugere que a luz solar está a aquecer os gases voláteis congelados – como oxigénio, azoto, dióxido de carbono e monóxido de carbono – que cobrem a superfície gelada do cometa.

Estes gelos voláteis saem do cometa e libertam poeira, formando a cabeleira. Estudos anteriores da composição de cometas, perto do Sol, revelaram a mesma mistura de gelos voláteis.

“Eu penso que estes voláteis estão espalhados pelo cometa K2 e, no início, há milhares de milhões de anos, provavelmente em cada cometa da Nuvem de Oort,” acrescenta Jewitt.

“Mas estes voláteis à superfície são os que absorvem calor do Sol, então, em certo sentido, o cometa está a expelir a sua pele externa. A maioria dos cometas são descobertos muito mais perto do Sol, perto da órbita de Júpiter, de modo que quando os encontramos, estes voláteis superficiais já foram sublimados. Por isso, acho que o K2 é o cometa mais primitivo que já vimos.”

O K2 foi descoberto em maio de 2017 pelo Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System) no Hawai, um projeto de pesquisa do Programa de Observações Próximas da Terra da NASA. Jewitt usou o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble no final de Junho para obter um olhar mais detalhado sobre o visitante gelado.

O “olho” afiado do Hubble revelou a extensão da cabeleira e também ajudou Jewitt a estimar o tamanho do núcleo – menos de 19 km de comprimento – embora a ténue cabeleira tenha um tamanho equivalente a 10 diâmetros terrestres.

Esta vasta cabeleira deve ter-se formado quando o cometa ainda estava mais longe do Sol. Através de imagens de arquivo, a equipa de Jewitt encontrou imagens do K2 e da sua cabeleira ténue obtidas em 2013 pelo CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope) no Hawai. Mas o objecto era tão fraco que ninguém notou.

“Nós pensamos que o cometa está activo, continuamente, há pelo menos quatro anos,” afirma Jewitt. “Nos dados do CFHT, K2 tinha uma cabeleira já a 3,2 mil milhões de quilómetros do Sol, quando se encontrava entre as órbitas de Úrano e Neptuno. Já estava activo e eu penso que assim tem permanecido continuamente. À medida que se aproxima do Sol, está a ficar cada vez mais quente e a actividade cresce“.

Mas, curiosamente, as imagens do Hubble não mostram a existência de uma cauda no K2, também característica dos cometas. A sua ausência indica que as partículas libertadas do cometa são demasiado grandes para a pressão de radiação do Sol as “varrer” e formar uma cauda.

NASA, ESA e D. Jewitt (UCLA)
imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra uma nuvem difusa de poeira, a que chamamos coma ou cabeleira, em redor do cometa C/2017 K2 PANSTARRS (K2)

Os astrónomos terão muito tempo para realizar estudos detalhados do cometa K2. Durante os próximos cinco anos, continuará a sua viagem até ao Sistema Solar interior antes de atingir a sua maior aproximação ao Sol em 2022, logo além da órbita de Marte.

“Vamos monitorizar, pela primeira vez, o desenvolvimento de actividade de um cometa que viaja desde a Nuvem de Oort ao longo de uma extraordinária gama de distâncias. Com o aproximar do Sol, deverá tornar-se cada vez mais activo e, presumivelmente, formará uma cauda”, comenta Jewitt.

Jewitt disse que o Telescópio Espacial James Webb da NASA, um observatório infravermelho com lançamento previsto para 2019, pode medir o calor do núcleo, o que daria aos astrónomos uma estimativa mais precisa do seu tamanho.

Os resultados da equipa foram publicados na edição de 28 de Setembro da revista The Astrophysical Journal Letters.

// Centro Ciência Viva do Algarve

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35: Hubble descobre objecto único no Sistema Solar

O telescópio espacial Hubble ajudou um grupo de astrónomos na observação de algumas características intrigantes de um tipo de objecto invulgar na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter: dois asteróides que orbitam entre si e que exibem características semelhantes a cometas, incluindo uma cabeleira brilhante e uma longa cauda.

Este é o primeiro asteróide binário conhecido, também classificado como cometa. A investigação foi apresentada esta semana num artigo publicado na revista Nature.

Em Setembro de 2016, pouco antes do asteróide 288P fazer a sua maior aproximação ao Sol, estava perto o suficiente da Terra para permitir aos astrónomos uma visão detalhada com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.

As imagens do 288P, localizado na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter, revelou que, na verdade, não era um único objecto mas sim dois asteróides quase da mesma massa e do mesmo tamanho, orbitando entre si a uma distância de mais ou menos 100 quilómetros. Essa descoberta foi, só por si, um achado importante: tendo em conta que se orbitam um ao outro, as massas dos objectos em tais sistemas conseguem ser medidas.

Mas as observações também revelaram actividade continuada no sistema binário.

Nós detectámos fortes indícios de sublimação de água gelada devido ao aumento do aquecimento solar – semelhante à forma como é criada a cauda de um cometa.

Explicou Jessica Agarwal (Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, Alemanha), a líder da equipa e autora principal do artigo.

Isto torna o 288P no primeiro asteróide binário, também classificado como um cometa da cintura principal.

Asteróide binário pode ajudar a perceber como a água chegou à Terra

Compreender a origem e evolução dos cometas da cintura principal – asteróides que orbitam entre Marte e Júpiter e que mostram actividade parecida com a de um cometa – é um elemento crucial na nossa compreensão da formação e evolução de todo o Sistema Solar. Entre as questões que os cometas da cintura principal de asteróides podem ajudar a responder, está a forma como a água chegou à Terra. Uma vez que apenas se conhecem alguns objectos deste tipo, o 288P apresenta-se como um sistema extremamente importante para estudos futuros.

As várias características do 288P – grande separação entre os dois componentes, tamanho quase igual, alta excentricidade e actividade semelhante a um cometa – também o tornam único entre os poucos asteróides binários no Sistema Solar. Igualmente, a actividade observada no 288P revela informações sobre o seu passado, realça Agarwal:

…o gelo à superfície não consegue sobreviver na cintura de asteróides durante toda a vida do Sistema Solar, mas pode ser protegido durante milhares de milhões de anos por um manto de poeira refractária, com apenas alguns metros de espessura.

A partir daqui a equipa concluiu que o 288P existe como sistema binário há cerca de 5000 anos. Agarwal elabora sobre o cenário de formação:

O cenário de formação mais provável para o 288P é uma fragmentação devido à rápida rotação. Depois disso, os dois fragmentos podem ter-se afastado graças às forças de sublimação.

O facto de que o 288P é tão diferente de todos os outros asteróides binários conhecidos levanta algumas questões sobre se algumas das suas propriedades únicas não são apenas coincidências. Dado que a descoberta do 288P envolveu muita sorte, é provável que permaneça como o único exemplo do seu género durante muito tempo.

Precisamos de mais trabalho teórico e observacional, bem como mais objectos semelhantes ao 288P, para encontrar uma resposta a esta questão.

Conclui Agarwal.

Ainda há muito o que estudar e perceber sobre o comportamento destes dois asteróides que orbitam entre si a uma distância pequena, a cerca de 100 quilómetros, e o Hubble é uma ferramenta indispensável neste estudo.

Via

pplware
Vitor M
25 SET 2017

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31: Hubble descobre dois asteróides com características de um cometa

Uma equipa internacional de astrónomos observou dois Asteróides a girarem à volta um do outro, entre Marte e Júpiter, com características de um cometa (uma longa cauda e uma cabeleira brilhante), divulgou esta quarta-feira a agência espacial europeia ESA.

O corpo foi observado com o auxílio do telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela congénere norte-americana NASA, com os resultados da observação a serem publicados na quinta-feira na revista científica Nature.

Segundo a equipa, liderada por astrónomos na Alemanha, é o primeiro sistema binário de Asteróides classificado como cometa (da cintura principal de asteróides).

O sistema binário 288P, localizado na Cintura de Asteróides, entre Marte e Júpiter, foi observado em detalhe pelos astrónomos em Setembro de 2016, quando estava perto o suficiente da Terra, antes de fazer a sua maior aproximação ao Sol.

As imagens captadas pelo Hubble permitiram aos investigadores concluírem que os dois asteróides giram em torno um do outro a uma distância de cerca de 100 quilómetros e têm quase a mesma massa e o mesmo tamanho. As observações revelaram ainda que os asteróides têm actividade contínua similar à de um cometa.

“Detectámos fortes vestígios de sublimação – mudança directa do estado sólido para o estado gasoso – do gelo devido ao aumento do calor solar, um processo semelhante ao modo como a cauda de um cometa é criada“, afirma a coordenadora da equipa, Jessica Agarwal, do Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar, na Alemanha.

Para os cientistas, a compreensão da origem e da evolução dos cometas da cintura principal de asteróides – asteróides que orbitam entre Marte e Júpiter e que têm actividade similar a cometas – é fundamental para a compreensão da formação e da evolução de todo o Sistema Solar.

Uma das questões a que os cometas da cintura principal de asteróides podem responder é como a água chegou à Terra (estudos recentes apontam para que a água tenha chegado via asteróides gelados, e não via cometas).

De acordo com o grupo de investigadores, o sistema binário 288P é mais recente do que os asteróides que o constituem, com cerca de 5000 anos.

// Lusa / Canal Tech

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20: As galáxias têm formas estranhas e agora já se sabe porquê

Andrómeda, ou M31, é uma galáxia espiral parecida com a Via Láctea.

Em 1926, o célebre astrónomo Edwin Hubble desenvolveu o diagrama de classificação morfológica das galáxias. Este método dividiu-as em três grupos básicos – elíptica, espiral e lenticular – com base nos formatos.

Desde então, os astrónomos dedicaram tempo e esforço consideráveis ​​na tentativa de determinar como as galáxias evoluíram ao longo de milhares de milhões de anos, até se tornarem o que são.

Uma das teorias mais amplamente aceites é a de que as galáxias se modificaram por fusão, onde pequenas nuvens de estrelas – ligadas pela gravidade mútua – se juntaram, alterando o tamanho e a forma de uma galáxia ao longo do tempo.

No entanto, um novo estudo conduzido por uma equipa internacional de cientistas revelou que as galáxias poderiam realmente ter assumido o formato moderno através da formação de novas estrelas no interior dos centros.

O estudo, intitulado “Rotating Starburst Cores in Massive Galaxies at z = 2.5“, foi publicado na Astrophysical Journal Letters.

Liderada por Ken-ichi Tadaki – cientista pós-doutorado do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre e do Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ) – a equipa conduziu observações de galáxias distantes para obter uma melhor compreensão sobre as metamorfoses.

O procedimento envolveu o uso de telescópios terrestres para estudar 25 galáxias que estão a uma distância de cerca de 11 mil milhões de anos-luz do nosso planeta. A essa distância, a equipa verificou como eram as galáxias há 11 mil milhões de anos, ou cerca de 3 mil milhões de anos após o Big Bang.

Essa época inicial coincide com o ápice do período de formação de galáxias no Universo, quando os fundamentos da maioria das galáxias se formaram. Como Tadaki indicou num comunicado de imprensa emitido pelo NAOJ: “Acredita-se que as galáxias elípticas maciças se formem a partir de colisões de galáxias em forma de disco. Mas não há certeza de que todas elas tenham experimentado uma colisão galáctica. Pode ter havido um caminho alternativo”.

Capturar a luz pálida dessas galáxias distantes não foi uma tarefa fácil: a equipa precisou de três telescópios terrestres para resolver o problema adequadamente. Começaram a utilizar o Telescópio Subaru de 8,2 metros da NAOJ, no Havai para seleccionar as 25 galáxias da época.

Depois, dirigiram-se a essas formações para conduzir estudos com o Telescópio Espacial Hubble da NASA / ESA (HST) e a Matriz do Atacama Large Millimeter/submillimeter (ALMA) no Chile.

Considerando que o HST capturou a luz das estrelas para discernir a forma das galáxias (como existiram há 11 biliões de anos), a matriz ALMA observou ondas submilimétricas emitidas pelas nuvens frias de poeira e gás – onde novas estrelas estão em formação.

Ao combinar os equipamentos, conseguiram obter uma imagem detalhada de como essas galáxias se pareciam há 11 mil milhões de anos, quando as formas ainda estavam em processo evolutivo.

O que encontraram foi bastante revelador: as imagens do HST indicaram que as galáxias iniciais eram dominadas por um componente de disco, em oposição à característica de protuberância central que associamos às galáxias espirais e lenticulares.

Enquanto isso, as imagens da matriz ALMA mostraram reservatórios maciços de gás e poeira próximos do centro das galáxias, o que coincidiu com uma taxa muito elevada de formação estelar.

Para excluir a alternativa de que esta intensa formação de estrelas seja originada por fusões, a equipa também usou dados do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul – localizado no Observatório Paranal no Chile – para confirmar que não havia indícios de grande quantidade de colisões de galáxias a ocorrer na época.

Como Tadaki explicou: “Aqui, obtivemos provas sólidas de que os núcleos galácticos densos podem se formar sem colisões intergalácticas. Também se podem originar a partir da intensa formação de estrelas no coração da galáxia”.

As descobertas podem levar os astrónomos a repensar as teorias correntes sobre a evolução galáctica e como surgiram características tais como uma protuberância central e braços espirais. Isso também poderia levar a uma revisão dos modelos em relação à evolução cósmica, bem como da história da própria galáxia.

Quem sabe? Isso pode até fazer com que os astrónomos repensem o que pode acontecer em milhões de anos, quando a Via Láctea colidir com a Galáxia Andrómeda, possivelmente.

Como sempre, quanto mais investigamos o Universo, mais ele se revela. A cada revelação que não se encaixa às expectativas, as hipóteses forçam a submetê-las a uma revisão.

 

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1: O super-telescópio que vai procurar vida extraterrestre

Imagine um radiotelescópio — que produz imagens do cosmos a partir das ondas de rádio e não a partir da luz — em forma de antena parabólica, construído para desvendar os grandes mistérios do Universo, com uma gigantesca superfície de 1 km2, algures no Hemisfério Sul, onde o céu observável está iluminado por mais estrelas, planetas e galáxias. Seria uma maravilha da ciência, a maior infraestrutura científica mundial do século XXI, mas não passa de um sonho: é tecnicamente impossível erguer e manobrar uma parabólica com um milhão de metros quadrados, o equivalente a 140 campos de futebol.

Só que este sonho pode tornar-se realidade a partir de 2020, com o arranque da construção de um radiotelescópio com esta área mas organizado em rede, isto é, distribuído por milhares de antenas ligadas entre si e espalhadas por vastos territórios na África do Sul e na Austrália. Chama-se SKA — Square Kilometer Array, e Portugal está envolvido através de um consórcio liderado pelo Instituto de Telecomunicações (IT), que junta as universidades de Aveiro, Porto e Évora, o Instituto Politécnico de Beja, o Polo de Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica (TICE) e empresas.

O coordenador do consórcio português no super-telescópio, Domingos Barbosa, investigador do IT na Universidade de Aveiro, afirma ao Expresso que “a principal tarefa do projecto é gerir toda a informação gerada pelo SKA, um grande desafio quando está em causa um volume de dados anual três vezes superior aos dados gerados hoje pelo Google”. E a sua maior descoberta “será a identificação de todos os 100 mil pulsares da Via Láctea”. Pulsares são estrelas de neutrões em rotação, muito pequenas e densas, que emitem um feixe de radiação electromagnética a intervalos de tempo muito regulares, como uma pulsação.

Mas para o público em geral, olhando para os grandes objectivos do SKA (ver caixa), o mais aliciante será a procura de vida extraterrestre, em especial vida inteligente, porque o super-telescópio poderá detectar um radar de aeroporto até uma distância de 50 anos-luz. E será capaz de identificar moléculas complexas, que são blocos de construção da vida.

Há dez países membros do projecto e Portugal fez o pedido de adesão em abril, decorrendo negociações para definir, até ao fim do ano, quanto irá pagar para participar no projecto e quais serão as contrapartidas, nomeadamente para a indústria nacional. “Mas a organização do SKA vai ser transformada em tratado internacional, com o nome de SKA Observatory, e Portugal será um membro fundador”, revela Domingos Barbosa.

O interesse da indústria portuguesa não reside apenas na construção das gigantescas infraestruturas do SKA, que só na primeira fase envolvem 200 grandes antenas parabólicas na África do Sul e 130 mil antenas dipolo (para captar ondas de rádio de baixa frequência) na Austrália, bem como extensas redes eléctricas e de comunicações.

Portugal vai tratar volume 
de dados igual ao do CERN

Há também oportunidades únicas no tratamento do (literalmente) astronómico volume de dados gerado pelas observações do super-telescópio (Big Data), porque 2% a 3% desses dados serão tratados anualmente em Portugal, o equivalente aos dados gerados pelos aceleradores de partículas do CERN (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear) em Genebra (Suíça). E há pelo menos três interessados: o Centro de Dados da Altice (PT) na Covilhã, o futuro Centro de Super-computação da IBM na Universidade do Minho e a FCCN, unidade pública que gere a Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade.

© ALEXANDER JOE/GETTY IMAGES O super-telescópio que vai procurar vida extraterrestre

Vasco Lagarto, presidente da comissão executiva do Polo de Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica (TICE), com sede na Universidade de Aveiro, salienta que “Portugal tem uma posição estratégica global nas ligações de alto débito por cabo submarino, porque é o único país do mundo a ter ligações directas com todos os continentes excepto a Antárctida”. Os grandes cabos submarinos que ligam a África, o Mediterrâneo ou a Ásia à Europa passam todos pela região de Lisboa, “e Portugal pode oferecer capacidade global em termos de transporte e processamento de dados, bem como projectar, instalar e manter redes de fibra óptica”. O dirigente do TICE avisa que “quanto mais cedo Portugal for membro do SKA mais viável será envolver a indústria portuguesa na sua construção, e já temos pouco tempo”.

O radiotelescópio “vai ser decisivo para o desenvolvimento da Critical Software”, reconhece Paulo Guedes, director de negócios da empresa portuguesa, envolvida em contratos no SKA. A Critical foi atraída “pelo grande impacto do projecto na compreensão do Universo”, por ser “um desafio de engenharia”, pelo tratamento de dados “e pela propriedade intelectual, que vai levar a empresa a formar uma série de engenheiros e que pode ser aplicada noutros projectos”.

Mas, além do tratamento dados, o que vai ficar em Portugal? “Vamos ter plataformas de teste de tecnologia nacional no centro do país, no radiotelescópio de 9 metros de diâmetro de Pampilhosa da Serra, onde em breve será também instalado um espectrógrafo solar (equipamento que realiza um registo fotográfico do espectro luminoso do Sol) da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP)”, explica Domingos Barbosa. Haverá ainda a criação de protótipos de aplicações de software no Instituto de Telecomunicações e plataformas de teste de antenas e de sensores da tecnologia da Internet das Coisas em Moura e Beja, no Alentejo. Por outro lado, serão actualizadas as antenas de comunicações de satélite da Altice (PT) nos Açores, “para integrarem as redes de antenas europeia e africana e fornecerem serviços de grande distância do SKA”.

Um dos membros do grupo científico de física solar do SKA, Dalmiro Maia, investigador da FCUP envolvido no projecto desde os primeiros estudos em 2002, considera que “na primeira fase as tarefas mais importantes dos investigadores serão o estudo dos pulsares e as ondas gravitacionais”. Estas ondas “serão depois usadas como ferramentas para progredirmos na cosmologia (origem e evolução do Universo) e na gravitação”, conta Dalmiro Maia. Para já, cerca de 30 investigadores portugueses estão envolvidos na engenharia e na ciência do mais poderoso radiotelescópio de sempre.

MSN notícias
Virgílio Azevedo

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