3014: Hubble capta uma galáxia que tem 12 clones no céu

CIÊNCIA

NASA

O telescópio espacial Hubble captou uma galáxia que parece ter sido duplicada várias vezes, aparecendo em regiões distantes do Universo.

A galáxia, apelidada de Sunburst Arc, fica a a quase 11 mil milhões de anos-luz da Terra. Na foto do Hubble, há 12 imagens da mesma galáxia, devido a um enorme aglomerado de galáxias a 4,6 mil milhões de anos-luz de distância que causou o efeito conhecido como lentes gravitacionais.

Esse aglomerado massivo de galáxias é suficientemente grande para duplicar e ampliar a luz da galáxia mais distante que está atrás de si. Essa perspectiva dos objectos na lente do telescópio resulta não apenas numa deformação da luz, mas também na multiplicação da imagem da galáxia, que sofre este efeito de lente gravitacional e, por isso, apareceu “clonada” na foto.

No caso da Sunburst Arc, o efeito de lente gravitacional resultou em pelo menos 12 imagens da galáxia, distribuídas em quatro arcos principais. Três desses arcos são visíveis no canto superior direito da imagem, enquanto um contraponto é visível no canto inferior esquerdo, parcialmente obscurecido por uma estrela brilhante em primeiro plano localizada dentro da Via Láctea.

Esse efeito ilusório é útil para os investigadores, porque telescópios como o Hubble usam as lentes gravitacionais para “ver” objectos distantes que, de outra forma, seriam muito fracos e pequenos para que pudessem ser observados. O efeito torna as várias imagens da Sunburst Arc cerca de dez a 30 vezes mais brilhantes, permitindo ao Hubble visualizar melhor o alvo de estudo.

De acordo com o estudo publicado na semana passada na revista especializada Sciente, as observações de Hubble mostraram que a Sunburst Arc é, na verdade, um análogo de galáxias que existiam durante um período muito antigo conhecido como a época da reionização — período que começou 150 milhões de anos após o Big Bang.

Cerca de 300 mil anos após o Big Bang, o Universo era completamente opaco, cheio de hidrogénio neutro. Então, de acordo com o ScienceAlert, algo surgiu e ionizou o hidrogénio, tornando o Universo transparente. Não se sabe que mecanismos exactos que ocorreram na época.

Os astrónomos pensam que foi a radiação das primeiras estrelas e galáxias, mas há um problema: a radiação de alta energia necessária para ionizar o hidrogénio teria de ter conseguido escapar das galáxias sem ser absorvida pelo meio interestelar – e apenas um pequeno número de galáxias foi encontrado a fazer isso.

A Sunburst Arc contém uma pista: mostra que alguns fotões podem “escapar” através de canais estreitos num meio neutro que possui muito gás.

ZAP // CanalTech

Por ZAP
12 Novembro, 2019