3678: Robô autónomo russo mergulhou mais de 10.000 metros na Fossa das Marianas

CIÊNCIA/OCEANO

FPI

O Vitiaz, um veículo submarino não tripulado e autónomo russo, desceu pela primeira vez às profundezas da Fossa das Marianas, o abismo mais profundo do planeta Terra, localizado no Oceano Pacífico.

A informação é avançada pela Fundação para a Pesquisa Avançada (FPI), que precisa que o robô autónomo mergulhou mais de 10.000 metros.

“A 8 de Maio de 2020, às 22h34, horário de Moscovo, o veículo subaquático autónomo russo Vitiaz chegou ao fundo da Fossa das Marianas. Os sensores de Vitiaz registaram uma profundidade de 10.028 metros”, adiantou a FPI, citada pela Europa Press.

A Fossa das Marianas tem uma profundidade estimada de 10.984 metros.

“Ao contrário dos dispositivos Kaiko (Japão) e Nereus (Estados Unidos) que operavam anteriormente nesta área, o dispositivo Vitiaz funciona de forma totalmente autónoma. Graças ao uso de elementos de inteligência artificial no sistema de controlo do veículo, esse pode contornar a obstáculos de forma independente e encontrar uma saída de um espaço limitado e resolver outros problemas”, realça a fundação, citada pelo portal Sputnik News.

De acordo com o mesmo órgão de comunicação russo, o Vitiaz fez o mapeamento, captou fotografias e gravou vídeos do ponto mais profundo dos cinco oceanos, tendo também aproveitado a missão para estudar o ambiente marinho.

“A missão durou mais de três horas, sem contar o mergulho e o retorno à superfície”.

O director da fundação, Andrei Grigoriev, detalhou ainda que esta expedição, de 8 de maio, foi a primeira fase de uma série de procedimentos que o Vitiaz vai levar a cabo.

“Este é o primeiro dos procedimentos programados no âmbito do projecto Vitiaz. Foi realizado em conjunto com especialistas russos e equipas científicas da Academia Russa de Ciências, com o apoio da frota do Pacífico”, acrescentou.

Já pode visitar o ponto mais profundo dos 5 oceanos (mas há um preço)

Graças a um explorador rico, em maio, alguns sortudos poderão escapar da pandemia de covid-19 durante um curto período de…

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2020

 

spacenews

 

1213: Submarino nazi com toneladas de mercúrio ameaça o mar na Noruega

DESTAQUES

A 9 de Fevereiro de 1945, nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão U-864 navegava pela costa oeste da Noruega carregado de matérias-primas para fabricar equipamento bélico – incluindo chumbo, aço e 65 toneladas de mercúrio.

A missão do U-864, chamada Operação César, era chegar até ao Japão, país aliado da Alemanha, com o objectivo de fortalecer o arsenal japonês na 2ª Guerra Mundial. A tripulação do submarino era de 73 pessoas, incluindo cientistas que trabalhavam para o regime nazi, e que iriam passar o seu conhecimento aos japoneses.

Mas a operação fracassou.

Um submarino britânico, o HMS Venturer, conseguiu interceptar o U-864 e torpedeou-o. Todos os ocupantes morreram.  O ataque entrou para a história como o único episódio da guerra em que um submarino submerso conseguiu destruir outro que também estava no fundo do mar.

Em 2003, passados 58 anos, a Marinha norueguesa encontrou os destroços do U-864, a duas milhas náuticas de distância da ilha Fedje. E a descoberta trouxe preocupações para as autoridades do país.

O submarino, cujos destroços estão a 150 metros de profundidade, está fendido em duas partes, na proa e na popa, e diversos fragmentos da embarcação repousam à volta. Agora, as autoridades norueguesas discutem qual é a melhor forma de lidar com o risco de contaminação trazido pela carga de mercúrio que ainda está no interior do U-864.

Kystverket / Norwegian Coastal Administration
Imagens captadas por sondas mostram que o U-864 está a 150 metros de profundidade

Nos anos após a descoberta dos destroços, estudos indicaram que a concentração de mercúrio nas proximidades do submarino estava acima de limites aceitáveis. Em 2005, a Autoridade de Segurança Alimentar norueguesa recomendou que crianças e mulheres grávidas não comessem alimentos que tivessem sido pescados naquela região.

Um estudo do Instituto Nacional de Investigação sobre Nutrição e Alimentos Marinhos concluiu que os peixes que tinham sido expostos a sedimentos da zona em que o submarino se encontra tinham níveis de mercúrio quatro vezes mais altos que os peixes de outras áreas da costa norueguesa.

Em 2014, a Administração Costeira da Noruega levantou outra preocupação: remover os destroços do submarino faria com que o material tóxico se espalhasse. Para evitar que o submarino se movesse durante eventuais tremores no leito marinho, foram lançados sobre os destroços 100.000 m3 de areia e rochas, para estabilizar a área.

As autoridades norueguesas decidiram agora que cobrir o submarino é a solução mais segura e ambientalmente correcta. Segundo comunicado recente do Ministério dos Transportes do país, será lançado sobre os destroços uma espécie de “cobertor” com uma área de 47.000 m2.

Se tudo correr bem, a cobertura estará concluída até 2020, “para proteger os destroços, os sedimentos contaminados e uma zona de transição de 17.000 m2“. O objectivo é conter o mortífero legado – que poderia desencadear um dos piores desastres ecológicos de sempre no Mar do Norte.

ZAP // BBC

Por CC
29 Outubro, 2018

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1110: Inventor de submarinos quer criar uma cidade no fundo do mar

Ken Brown Mondolithic
Vent Base Alpha, ilustração de Ken Brown, cortesia Phil Nuytten

Viver sob a águas não é um sonho novo. Desde os anos 1960, há relatos de projectos que tentaram criar colónias submarinas nos oceanos do planeta – todos eles com pouco sucesso.

Agora, o engenheiro canadiano Phil Nuytten, que dedicou a sua vida profissional a construir submarinos e a estudar as condições oceanográficas, quer tirar do papel um projecto que passou décadas a imaginar. O seu plano é desenvolver um protótipo a partir do fim deste ano na costa oeste do Canadá.

O projecto chama-se Vent Base Alpha e, segundo disse Nuytten à BBC, depende de alguns factores essenciais: a geração de energia e o controle da pressão sob as águas.

“Nos anos 1960, todos nós, que nos dedicávamos à exploração das profundezas do oceano, acreditávamos mesmo que haveria cidades submarinas nas décadas seguintes, e é claro que isso não aconteceu”, diz Nuytten.

“Mas o que torna o que eu estou a fazer agora completamente diferente de tudo que já foi feito antes é que esta colónia será a 1 atmosfera, a mesma pressão a que vivemos, ou seja, a mesma pressão que fomos projectados para suportar. E conseguiremos isso com tecnologia – uma nova tecnologia de blindagem”, explica Nuytten.

Essa nova tecnologia de blindagem protege não apenas as roupas submarinas, mas também um sistema de ventilação especial, chamada ventilação hidrotermal, abastecida pelo movimento de êmbolos que, por sua vez, sobem e descem com a oscilação das temperaturas da água à volta.

Segundo sustenta Nuytten, se for possível proteger-nos da diferença de pressão no fundo do mar, conseguiremos manter uma vida “confortável” nos oceanos.

Nuytten diz também que as construções humanas não têm de ocorrer necessariamente no leito do mar – podem ser feitas em níveis intermédios das águas. Os transportes teriam que ser assegurados com fatos especiais resistentes à pressão das águas profundas, abaixo de 300m, que nos permitiriam flutuar a essas profundidades.

A colónia planeada por Nuytten consistiria assim numa reprodução da vida na Terra, com residências, escritórios, hospitais e comércio submersos. E a justificação a necessidade de uma tal proeza de engenharia é simples: com cada vez menos espaço e recursos na Terra, os oceanos podem vir a servir de abrigo.

Não há dúvida de que o Homem precisa de encontrar um novo habitat para se expandir. Mas há uma pergunta que nos ocorre agora a todos: onde irá o Homem viver primeiro, no fundo do mar ou na superfície de Marte?

ZAP // BBC

Por CC
7 Outubro, 2018

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