391: O misterioso Steve foi avistado na Escócia

A NASA está a financiar um projecto de ciência cidadã para conseguir ter mais imagens e estudar o fenómeno

O título pode parecer tão misterioso quanto Steve, mas esta é apenas uma sigla para Strong Thermal Emission Velocity Enhancement (emissão térmica forte com aumento de velocidade, em tradução livre), um novo tipo de aurora que os astrónomos ainda estão a tentar compreender. Desta vez, esta aurora chamada Steve foi vista nas ilhas escocesas de Skye e Lewis, avança a BBC.

A Agência Espacial Norte-americana (NASA), que está a financiar um projecto de ciência cidadã para conseguir ter mais imagens e estudar o fenómeno, descreve-o como um arco estreito de luz violeta, alinhado este-oeste, que se estende por centenas ou milhares de quilómetros.

Segundo a NASA, em 2015 e 2016 um fórum deste projecto chamado Aurorasaurus, recebeu pelo menos 30 relatos destas luzes misteriosas. Graças a estes relatos foi possível descobrir mais sobre esta estrutura óptica nas camadas superiores da atmosfera. Segundo um artigo publicado na semana passada na Science Advances, este fenómeno é diferente das auroras tradicionais e não estava documentado na literatura científica.

As auroras boreais (e austrais) são um fenómeno visível nas latitudes setentrionais e que resulta da interacção do vento solar com o campo magnético da Terra. Imagens e dados de satélite deste “novo” fenómeno ajudaram a perceber que se trata de algo que ocorre a milhares de quilómetros do chão, “no espaço”, explica Liz MacDonald, do NASA’s Goddard Space Flight Center. E que as partículas carregadas que formavam esta aurora tinham uma temperatura de cerca de 6000°C, “impressionantemente quente” em comparação com a atmosfera próxima, diz MacDonald.

Este aquecimento e o movimento rápido provavelmente contribui para o aspecto violeta ou roxo de Steve, concluiu a cientista.

Ou seja, não é uma aurora normal. As auroras têm uma forma oval, duram horas e apresentam sobretudo tons verdes, azuis e vermelhos. Steve é violeta com uma espécie de borda verde que oscila e foi observado por períodos entre os 20 minutos e uma hora. A diferença está nos pormenores, diz a NASA, embora sejam “diferentes sabores do mesmo gelado”. Steve, por exemplo, é visível em latitudes mais baixas.

DN
20 DE MARÇO DE 2018 10:07

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383: Steve: o misterioso fenómeno que os cientistas estão a tentar desvendar

Steve, o misterioso fenómeno celeste que pinta os céus com tons de roxo e verde, foi estudado por cientistas da NASA, que revelam que se trata de uma nova forma de aurora boreal.

Cientistas da NASA estão a estudar as propriedades do misterioso fenómeno chamado “Steve“, nome dado pelos observadores deste evento que é, também, uma abreviação de “Strong Thermal Emission Velocity Enhancement”.

Steve é semelhante a uma aurora boreal e tem sido documentado nos céus do Canadá, descrito geralmente como um fio vertical de luz roxa e tons esverdeados.

Segundo Elizabeth MacDonald, cientista da NASA, o fenómeno pode ocorrer em latitudes mais baixas do que as auroras comuns, oferecendo aos cientistas um vislumbre das interacções do campo magnético e da atmosfera superior da Terra. As descobertas da equipa foram publicadas esta semana na Science Advances.

Os cientistas tomaram conhecimento deste fenómeno quando membros de um grupo do Facebook, chamado “Alberta Aurora Chasers” – que reúne pessoas da província de Alberta, no oeste do Canadá, que gostam de observar auroras – começaram a publicar fotografias de observações incomuns do (agora conhecido) fenómeno Steve.

Os céus surgem “pintados” com fios roxos esverdeados, orientados quase verticalmente. Uma vez que aparece em áreas mais populosas, no sul do país, esta é uma espécie de aurora boreal que está ao alcance de mais pessoas.

Cientificamente, “diz-nos que os processos que criam auroras boreais estão a penetrar todo o caminho até à magnetosfera interna“, explica MacDonald.

Os cientistas compararam estas observações amadoras com dados dos satélites Swarm, da Agência Espacial Europeia (ESA), que medem precisamente a variação no campo magnético da Terra, de modo a descobrir quais as condições que propiciaram este fenómeno.

As auroras mais comuns formam-se quando as partículas carregadas impulsionadas pelo Sol são conduzidas em direcção à atmosfera superior dos pólos do nosso planeta pelo campo magnético da Terra. Estas partículas solares atingem partículas neutras na atmosfera superior, e produzem luz e calor, visíveis a olho nu no céu nocturno.

Pelo contrário, as Steves formam-se de maneira diferente. Nas regiões onde aparecem, há um campo eléctrico que aponta para o pólo e um campo magnético que aponta para baixo. Os dois juntos criam esta emissão orientada para oeste.

Assim, o fluxo na ionosfera terrestre atrai as partículas solares carregadas para oeste, onde atingem e aquecem partículas neutras durante o caminho, produzindo as tais luzes ascendentes. Este fenómeno configura o primeiro indicador visível da “movimentação” de partículas carregadas, que os investigadores têm vindo a estudar via satélite há cerca de 40 anos.

Dada a dificuldade em obter uma visão geral das auroras com os satélites actuais (porque não são capazes de ver um hemisfério inteiro ao mesmo tempo ou observar cada ponto com frequência), as pessoas desempenharam um papel determinante na compreensão do fenómeno Steve.

“Em conjunto, todas as observações nos ajudaram a construir novos modelos de auroras”, diz MacDonald, acrescentando que a melhoria tecnológica de câmaras significaria que os registos amadores seriam ainda mais valiosos para os cientistas.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
17 Março, 2018

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