2170: Stephen Hawking estava certo. Buracos negros podem evaporar-se

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA

Em 1974, Stephen Hawking fez uma das suas mais famosas predições: que os buracos negros poderiam, eventualmente, evaporar-se.

De acordo com a teoria de Hawking, os buracos negros não são perfeitamente “negros”. Em vez disso, emitem partículas. Essa radiação, acreditava o cientista, poderia eventualmente extrair energia e massa suficientes dos buracos negros para fazer com que desaparecessem. A teoria é amplamente aceite como verdadeira, mas já foi quase impossível provar.

Pela primeira vez, no entanto, os físicos mostraram a indescritível radiação de Hawking – pelo menos em laboratório. Embora a radiação de Hawking seja demasiado fraca para ser detectada no espaço pelos nossos instrumentos actuais, os físicos já viram a radiação num buraco negro analógico criado usando ondas sonoras e algumas das mais frias e estranhas matérias do universo.

Os buracos negros exercem uma força gravitacional incrivelmente poderosa que até mesmo um fotão, que viaja à velocidade da luz, não conseguiria escapar. Enquanto o vácuo do espaço é geralmente visto como vazio, a incerteza da mecânica quântica dita que o vácuo está repleto de partículas virtuais que entram e saem da existência em pares matéria-antimatéria.

Normalmente, depois de um par de partículas virtuais aparecer, aniquilam-se imediatamente. Ao lado de um buraco negro, no entanto, as forças extremas da gravidade, em vez disso, separam as partículas, com uma partícula absorvida pelo buraco negro, enquanto a outra é disparada para o espaço.

A partícula absorvida tem energia negativa, o que reduz a energia e a massa do buraco negro. Engolindo suficientes partículas virtuais, o buraco negro acabará eventualmente por evaporar. A partícula que escapa é conhecida como radiação de Hawking. Essa radiação é demasiado fraca e é impossível actualmente observá-la no espaço.

O físico Jeff Steinhauer e os seus colegas do Technion – Instituto de Tecnologia de Israel em Haifa usaram um gás extremamente frio chamado condensado de Bose-Einstein para modelar o horizonte de eventos de um buraco negro, a fronteira invisível além da qual nada pode escapar. Num fluxo desse gás, colocaram um penhasco, criando uma “cascata” de gás. Quando o gás fluía sobre a cascata, transformava energia potencial em energia cinética para fluir mais rápido do que a velocidade do som.

Em vez de partículas de matéria e antimatéria, os investigadores usaram pares de fonões, ou ondas sonoras quânticas, no fluxo de gás. O fonão no lado lento conseguia viajar contra o fluxo do gás, longe da cascata, enquanto o fonão no lado rápido não conseguia, ficando preso pelo “buraco negro” do gás supersónico.

“É como se estivesse a tentar nadar contra uma corrente mais rápida do que poderia nadar”, disse Steinhauer ao Live Science. “Isso é análogo a um fotão num buraco negro a tentar sair, mas a ser puxado pela gravidade da maneira errada”.

Hawking previu que a radiação das partículas emitidas estaria num espectro contínuo de comprimentos de onda e energias. O físico também disse que poderia ser descrito por uma única temperatura que dependesse apenas da massa do buraco negro. A recente experiência confirmou ambas as previsões no buraco negro sónico.

Este estudo é um passo ao longo de um longo processo. Por outro lado, este estudo não mostrou os pares de fonões a ser correlacionados a nível quântico, que é outro aspecto importante das previsões de Hawking.

ZAP //

Por ZAP
14 Junho, 2019

1805: Stephen Hawking estava errado. A matéria escura não é composta por mini buracos negros

JPL-Caltech / NASA

Os físicos descartaram a possibilidade de que os buracos negros primordiais – com menos de um décimo de milímetro – componham a maior parte da matéria escura.

Uma equipa internacional de investigadores colocou uma teoria especulativa formulada por Stephen Hawking sob o teste mais rigoroso até ao momento. Detalhes desse estudo foram publicados na revista Nature Astronomy.

Os cientistas sabem que 85% da matéria no Universo é composta de matéria escura. A sua força gravitacional impede que as estrelas da Via Láctea se separem. No entanto, as tentativas de detectar partículas de matéria escura com recurso a experiências subterrâneas, ou experiências com aceleradores, incluindo o maior acelerador do mundo, o Large Hadron Collider, falharam até agora.

Isso levou os cientistas a considerar a teoria de Hawking, de 1974, sobre a existência de buracos negros primordiais nascidos logo após o Big Bang, e a sua especulação de que poderiam constituir uma grande fracção da matéria escura que os cientistas estão a tentar descobrir actualmente.

A equipa, liderada por Masahiro Takada, Hiroko Niikura e Naoki Yasuda, do Instituto Kavli de Física e Matemática do Universo, e incluindo investigadores do Japão, Índia e EUA, usaram o efeito de lente gravitacional para procurar buracos negros primordiais entre a Terra e a galáxia de Andrómeda.

A lente gravitacional, efeito primeiramente sugerido por Albert Einstein, manifesta-se na curvatura dos raios de luz vindos de um objeto distante, como uma estrela, devido ao efeito gravitacional de um objeto massivo interveniente, como um buraco negro primordial. Em casos extremos, a curvatura da luz faz com que a estrela pareça muito mais brilhante do que originalmente é.

Instituto Kavli de Física e Matemática do Universo

No entanto, os efeitos de lentes gravitacionais são eventos muito raros, porque requerem que uma estrela na galáxia de Andrómeda, um buraco negro primordial a actuar como lente gravitacional e um observador na Terra estejam exactamente alinhados.

Para maximizar as probabilidades de capturar um evento, os investigadores usaram a câmara digital Hyper Suprime-Cam no telescópio Subaru, no Hawai, que consegue capturar toda a imagem da galáxia de Andrómeda de uma vez, de acordo com um comunicado publicado no site do Instituto.

Tendo em conta a rapidez com que se espera que os buracos negros primordiais se movam no espaço interestelar, a equipa tirou várias fotografias para capturar o brilho de uma estrela enquanto esta se ilumina por um período de alguns minutos a horas devido às lentes gravitacionais.

Partindo de 190 imagens consecutivas da galáxia de Andrómeda, a equipa vasculhou os dados em busca de possíveis eventos de lentes gravitacionais. Se a matéria escura consistisse de buracos negros primordiais com uma determinada massa – neste caso, massas mais leves que a Lua -, os investigadores esperariam encontrar cerca de mil eventos. Mas depois de análises cuidadosas, só conseguiram identificar um caso.

Os resultados da equipa mostraram que os buracos negros primordiais não poderiam contribuir com mais de 0,1% de toda a massa de matéria escura. Portanto, é improvável que a teoria esteja correta.

Uma nova teoria que os cientistas investigam agora é tentar descobrir se os buracos negros binários descobertos pelo detector de ondas gravitacionais LIGO são, na verdade, buracos negros primordiais.

ZAP //

Por ZAP
4 Abril, 2019

 

1718: A radiação de Hawking pode ser a chave para encontrar vida alienígena

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

O Universo é assustadoramente antigo e vasto ao ponto de vários cientistas  considerarem a possibilidade de existirem civilizações alienígenas avançadas. Até ao momento, estes seres não foram encontrados, mas o problema pode estar no método de detecção – e um matemático acaba de propor uma nova forma de rastreamento, recorrendo à hipotética radiação de Stephen Hawking.

Louis Crane, matemático da Universidade Estadual no Kansas, no Estados Unidos, é o “cérebro” do novo método que propõe rastrear a radiação de Hawking que emana dos buracos negros para procurar naves estelares de civilizações avançadas distantes.

“Uma civilização avançada iria querer aproveitar um buraco negro microscópico porque poderia atirar-se na matéria e obter energia”, sustentou Crane ao Universe Today. “Seria a melhor fonte de energia. Em particular, poderia impulsionar uma nave espacial grande o suficiente para ser protegida de velocidades relativistas”, sustentou.

Em 2009, Crane foi co-autor de um estudo que versava sobre a viabilidade de recorrer à radiação de buracos negros do físico britânico como fonte de energia para impulsionar naves espaciais, algo até agora inacessível à Humanidade.

Agora, no seu novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados no arXiv, o matemático argumenta que estas naves alienígenas, que seriam interceptadas por telescópios de raios gama de alta energia, manifestariam-se como pequenos pontos que seriam mais quentes de que qualquer outro objeto natural. Estes pontos emitiriam também uma enorme quantidade de partículas e raios gama como subproduto do buraco negro.

Segundo Crane, o cone da radiação gama apareceria em tons de vermelho durante a primeira metade da viagem de uma nave, passado depois para azul na sua segunda fase, quando começasse a desacelerar. O matemático nota que a detecção das naves estaria no limiar mais baixo do que é observável, frisando que há muitos factores desconhecidos.

“Se alguma civilização avançada tivesse já estas naves estelares, os actuais telescópios de raios gama VHE poderiam detectá-los de 100 a 1000 anos-luz se estivéssemos no seu feixes. [Os pontos] poderiam ser distinguidos das fontes naturais através dos seus constantes redshift durante um determinado período de anos”, afirmou.

Para investigar, remata, os cientistas “precisariam de fazer séries temporais de curvas de frequência das fontes de raios gama. Algo que não parecem estar a fazer actualmente”.

Dificuldades da radiação de Hawking

Assinado por Crane e Shawn Westmoreland, o artigo de 2009, também publicado no arXiv,  sugeria que um buraco negro com um raio de 2,8 metros e uma vida útil de cerca de um século, poderia produzir 15 petawatts de potência, sendo, por isso, talhado para alimentar naves e acelerá-las a velocidades próximas à da luz.

Uma das grandes dificuldades seria direccionar eficientemente a radiação de Hawking emitida pelo buraco negro. Por isso, os cientistas sugeriram que fosse bombardeado um reflector parabólico com radiação para impulsionar a nave.

Apesar da teorização de Crane e Westmoreland, os cientistas reconheceram que a Humanidade não dispõe ainda de materiais e tecnologias necessárias para a construção de uma nave deste tipo. Contudo, uma civilização alienígena avançada pode ter já conseguido atingir este feito – a procura continua.

Traçada por Hawking em 1974, acredita-se que esta radiação represente a transmissão da energia térmica no Espaço que é emitida por buracos negros devido a efeitos quânticos. A descoberta do britânico foi o primeiro vislumbre convincente sobre a gravidade quântica. Até então, a existência desta radiação continua controversa, permanecendo no campo do hipotético, tal como os seres alienígenas.

SA, ZAP //

Por SA
15 Março, 2019

 

1525: Físicos comprovam teoria da radiação de Hawking sobre buracos negros

Kjordand / Wikimedia

A famosa teoria da radiação sobre buracos negros do astrofísico Stephen Hawking, apresentada em 1974, foi testada em laboratório por uma equipa de investigadores, escreve a revista Physics World.

A investigação, levada a cabo em Israel pelo Instituto de Ciências Weizmann e pelo Departamento de Física do Centro de Pesquisa e Estudos Avançados do México, pode ser um enorme passo para verificar experimentalmente a existência da célebre conjectura teorizada pelo astrofísico britânico.

Em laboratório, e através do análogo óptico de um buraco negro, a equipa de investigadores conseguiu promover a apelidada “radiação de Hawking“. O teste imita este fenómeno noutros meios através de pulsações de luz para estabelecer condições artificiais.

“A radiação de Hawking é um fenómeno muito mais geral do que se pensava inicialmente”, explicou o físico e director da investigação Ulf Leonhardt, acrescentando que esta radiação pode ocorrer “sempre que horizontes são feitos, sejam estes na astrofísica ou por luz em materiais ópticos, ondas de água ou átomos ultra-frios”. 

Na sua teoria, Hawking assinala em que “os buracos negros não são tão negros“, porque são capazes de emitir radiação apenas para fora do seu horizonte de eventos, além do ponto em que nem a luz é capaz de escapar da gravidade intensa.

Esta radiação – que não foi ainda comprovada, uma vez que os instrumentos actuais não a conseguem detectar – implica que os buracos negros evaporam lenta e constantemente e, apesar de ainda não ser possível verificar a sua veracidade, a conjectura é aceite pela comunidade científica.

Apesar de admitir que ainda existem muitas perguntas sem respostas, o director do estudo, no início de Janeiro publicado na Physical Review Letters, afirmou que a investigação marcou a visualização da radiação espontânea de um buraco negro.

A Physics World recorda que Stephen Hawking afirmava que, caso a sua previsão mais famosa tivesse sido verificada experimentalmente, teria ganho um Nobel, prémio atribuído apenas a descobertas científicas corroboradas com dados observacionais.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
26 Janeiro, 2019

 

1269: Cadeira de rodas e tese de Stephen Hawking leiloadas por um milhão de euros

NOTÍCIAS

lwpkommunikacio / Flickr
O físico teórico Stephen Hawking

A cadeira de rodas usada pelo físico britânico Stephen Hawking e uma cópia da sua tese de doutoramento foram leiloadas por 881 mil libras (um milhão de euros).

A cadeira motorizada, que Hawking usou depois de ter ficado paralisado por uma doença neuro-degenerativa, foi vendida por 296.750 libras (340.790 euros), com o dinheiro a reverter para a fundação do cosmólogo e uma associação britânica de apoio a pessoas com doenças neuro-degenerativas.

Uma das cópias da tese de doutoramento, que o físico teórico escreveu em 1965 sobre as origens do Universo, foi leiloada por 584.750 libras (671.509 euros), um valor três vezes superior ao estimado.

No leilão, promovido na Internet pela leiloeira britânica Christie’s, foi igualmente vendida uma colecção de medalhas e prémios, por 296.750 libras (340.790 euros).

Stephen Hawking, que sofria desde jovem de esclerose lateral amiotrófica, doença que o deixou numa cadeira de rodas e a comunicar através de um sintetizador de voz, morreu em Março com 76 anos.

As suas cinzas estão depositadas na Abadia de Westminster, em Londres, entre as sepulturas do físico Isaac Newton (1643-1727), que formulou a lei da gravitação universal, e do naturalista Charles Darwin (1809-1882), que postulou a teoria da evolução das espécies por selecção natural.

O último livro de Hawking, “Breves respostas a grandes perguntas”, que compila as suas últimas reflexões sobre o Universo, foi lançado há cerca de um mês no Reino Unido. Numa mensagem póstuma, transmitida na apresentação da obra, o físico advertiu que a ciência e a educação estão ameaçadas no mundo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
9 Novembro, 2018

– Até depois de morto, fazem negócios com os bens dele… Chiça…!!! E não leiloaram as cinzas dele?

Stephen Hawking previu raça de “super-humanos” que irá destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico, que morreu no passado mês de Março, deixou artigos e ensaios nos quais prevê a existência de uma raça modificada geneticamente que irá acabar por destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking morreu no dia 14 de Março
© REUTERS/Lucas Jackson

Antes de morrer, Stephen Hawking deixou um aviso: o físico britânico previu que os avanços na engenharia genética vão levar à criação de uma raça de super-humanos, que acabará por destruir a humanidade.

“Acredito que durante este século, as pessoas vão descobrir como modificar a inteligência e os instintos, tal como a agressão. ​​​Vão ser criadas leis contra a engenharia genética em humanos, mas algumas pessoas não vão ser capazes de resistir à tentação de melhorar as características humanas como a memória, a resistência a doenças e a longevidade da vida”, escreveu Stephen Hawking num conjunto de artigos e ensaios, revelados pelo The Sunday Times , e que vão ser publicados esta terça-feira, 16 de Outubro, no livro “Brief Answers to the Big Questions” (“Breves Respostas para as Grandes Questões”, em tradução livre).

Nos seus últimos pensamentos, o físico e o cosmólogo britânico, que morreu no dia 14 de Março, aos 76 anos, refere que as pessoas mais ricas vão, em breve, poder editar o seu próprio ADN e o dos seus filhos com o objectivo de “criar super-humanos com uma memória aprimorada, resistência a doenças, inteligência e longevidade”, escreve a publicação.

Edição genética

Estes super-humanos vão ser uma ameaça à humanidade, avisa Stephen Hawking nos artigos e ensaios que deixou. O professor britânico, que sofria de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada aos 21 anos, refere nos textos que quem não conseguir recorrer à alteração genética vai sofrer com a raça modificada. “Assim que os super-humanos aparecerem vai haver problemas políticos significativos com os humanos que não foram melhorados, que não serão capazes de competir”, argumenta. Hawkings refere que os humanos comuns vão, presumivelmente, acabar por “morrer, ou deixar de ter importância”.

No conjunto de artigos e ensaios, o físico alerta para a possibilidade de existir no futuro “uma raça de seres auto desenhados que vai melhorando a um ritmo acelerado”.

De acordo com o The Guardian, as afirmações de Stephen Hawkings são baseadas na técnica de edição genética CRISPR-Cas9, que permite cortar o genoma (informação genética modificada no ADN) onde se quer para depois repará-lo. Um sistema que tem gerado controvérsia entre a comunidade científica.

Diário de Notícias
DN
15 Outubro 2018 — 15:14

 

1129: Publicado o último trabalho de Stephen Hawking

Black hole entropy and soft hair é o título do último trabalho em que o físico colaborou e dá um contributo para resolver o “paradoxo da informação” relativo aos buracos negros

Imagem de buraco negro na galáxia MCG 6-30-15
Foto ESA

Stephen Hawking

Stephen Hawking morreu no dia 14 de Março, aos 76 anos, mas até aos últimos dias de vida fez parte da equipa formada por cientistas de Cambridge e Harvard que desenvolveu um trabalho sobre o “centro da vida de Hawking” durante mais de 40 anos, segundo palavras do seu colega de equipa, o físico teórico Malcolm Perry.

O resultado é Black hole entropy and soft hair, publicado na terça-feira. Assinado por Sasha Haco, Stephen Hawking, Malcolm Perry e Andrew Strominger, debruça-se sobre o chamado “paradoxo da informação”, questão relacionada com a preservação da informação de um objeto que caia num buraco negro.

Seis décadas depois de Albert Einstein definir a massa, carga eléctrica e momento angular na teoria da relatividade, Hawking acrescentou outra propriedade aos buracos negros: a temperatura. Como todos os objectos perdem calor no espaço, previu que os buracos negros acabassem por deixar de existir. Porém, o cientista britânico estabeleceu a hipótese de que de alguma forma a informação dos objectos que lá tivessem caído permanecesse.

“Como é que a informação pode ser recuperada se o próprio buraco negro acaba por desaparecer?”, questiona Perry, em declarações ao The Guardian. A resposta está na hipótese de o objecto alterar a temperatura do buraco negro – e que a sua entropia pode ser registada através de fotões ou outras partículas à volta do buraco negro.

A fórmula para a temperatura dos buracos negros é conhecida como a temperatura de Hawking. Como escreve Malcolm Perry no Guardian, “todo o objecto que tem temperatura tem entropia e a entropia é uma medida de quantas formas formas diferentes um objecto pode ser feito através dos seus ingredientes microscópicos e continuar a parecer o mesmo”.

O físico John Wheeler e colegas defendiam a ideia de que os buracos negros não têm cabelo (teorema da calvície), uma metáfora que significava que todos os buracos negros eram idênticos.

Mas como todos os buracos negros se assemelham, a “origem da entropia estava no centro do paradoxo da informação”, continua Perry. Este físico, em conjunto com Hawking e Strominger descobriu em 2016 que afinal os buracos negros “têm cabelo”. E neste trabalho os cientistas descrevem a forma de calcular a entropia dos buracos negros.

Perry explica que este paper não tem a solução para o paradoxo da informação, mas que é um contributo nesse sentido. “É necessário mais trabalho, mas sentimo-nos muito encorajados a continuar a nossa investigação nesta área. O paradoxo da informação está intimamente ligado à nossa busca por uma teoria da gravidade que seja compatível com a mecânica quântica”, concluiu o professor de Cambridge.

Diário de Notícias
DN
11 Outubro 2018 — 14:03

 

899: Cientistas afirmam ter evidências de um universo anterior ao nosso

NASA / Dana Berry / SkyWorks Digital

Cientistas afirmam que as evidências de universos passados ​​podem existir mesmo no céu nocturno – sendo restos de buracos negros de outro universo.

De acordo com a New Scientist, a ideia baseia-se na Cosmologia Cíclica Conforme (CCC). A teoria dá conta de que o Universo passa por ciclos constantes de Big Bangs e compressões, ao invés de ter começado a partir de uma única explosão vinda do nada.

Enquanto a maior parte do Universo seria destruída de um ciclo para o outro, os cientistas afirmam que certa quantia de radiação electromagnética poderia sobreviver ao processo de “reciclagem”. As descobertas foram publicadas no arXiv, sendo ainda passíveis de questionamento antes de serem publicadas numa revista científica.

“O que afirmamos ver é o material remanescente final depois de um buraco negro que evaporou no universo anterior”, disse o físico matemático da Universidade de Oxford, Roger Penrose, co-autor do estudo e co-criador da teoria da CCC, em declarações ao site.

A evidência surge na forma de “pontos de Hawking“, em homenagem ao famoso físico britânico Stephen Hawking, falecido em Março deste ano, que lançou uma teoria de que os buracos negros emitiriam um tipo de radiação que ficou conhecida como “radiação Hawking”. É isto que Penrose e os restantes colegas sugerem que passe de um universo para outro.

A equipa diz que os pontos de Hawking podem aparecer no Universo presentes no calor remanescente do Big Bang, conhecido como fundo cósmico de micro-ondas (CMB, na sigla em inglês para Cosmic Microwave Background). Os pontos de Hawking pareceriam círculos de luz no mapa do CMB, conhecidos como modos B.

Anteriormente, acreditava-se que esses pontos anómalos no CMB fossem causados ​​por ondas gravitacionais de poeira interestelar. Mas Penrose e os seus colegas afirmam que a sua teoria poderia fornecer uma resposta intrigante, e um desses pontos de Hawking pode até já ter sido encontrado pelo projecto BICEP2, que tem como objectivo mapear o CMB.

“Embora pareça problemático para a inflação cósmica, a existência de tais pontos anómalos é uma implicação da Cosmologia Cíclica Conforme“, escreveu a equipa no artigo.

“Apesar da temperatura extremamente baixa na emissão, na CCC, essa radiação é concentrada pela compressão de todo o futuro do buraco negro, resultando num único ponto no cruzamento para o nosso universo actual”, acrescentaram.

A teoria de um universo reciclado não surge sem controvérsia. A maioria das evidências sugere que a expansão do Universo tem acelerado, não sendo denso o suficiente para comprimir de volta num único ponto e se expandir novamente; às vezes chamado de teoria do Big Bounce.

Ainda estamos a tentar encontrar uma evidência concreta da radiação Hawking, assim como dos pontos de Hawking. Por isso, embora seja uma teoria interessante, ainda há muito trabalho a fazer antes que alguém reivindique a existência definitiva de um universo anterior ao nosso.

Por Ciberia
21 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos do texto original)

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686: Os buracos negros podem ser dois wormholes que colidiram

 

Embora este tema já tivesse sido publicado AQUI, penso que este é mais completo, por isso a sua repetição.

(dr) The SXS (Simulating eXtreme Spacetimes) Project

Quando dois wormholes colidem, são criadas ondulações no espaço-tempo. Esses ecos gravitacionais poderiam ser detectados por instrumentos futuros, fornecendo evidências de que essa hipotética colisão através do espaço-tempo existe mesmo.

O Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferómetro Laser (LIGO) detectou recentemente ondulações no espaço-tempo, chamadas de ondas gravitacionais, uma descoberta que valeu aos cientistas o Prémio Nobel da Física em 2017. Essas ondas são provenientes da fusão de buracos negros, acreditam os especialistas.

No entanto, embora essa detecção sustente a existência de buracos negros, esses objectos apresentam ainda muitos problemas teóricos. Um deles relaciona-se com o facto de parecerem inconsistentes com as leis da mecânica quântica.

Uma das principais características dos buracos negros é o seu horizonte de eventos, uma região do espaço-tempo além da qual nada pode escapar – nem mesmo a luz. Aliás, é por este motivo que se atirarmos algum objecto para um buraco negro, esse objecto desaparece.

Stephen Hawking descobriu que, graças ao tunelamento quântico, os buracos negros podem na verdade produzir um pouco de radiação, algo que ficou conhecido como “radiação Hawking“. Contudo, o que sai do buraco negro é completamente aleatório, isto é, não contém nenhuma pista sobre o que entrou nele anteriormente.

A mecânica quântica funciona de uma forma muito pragmática: se sabemos tudo sobre um sistema particular, devemos também ser capazes de descrever o seu passado e o seu futuro. Assim, um horizonte de eventos do qual nada sabemos não combina com a mecânica quântica.

Para resolver este paradoxo, alguns físicos sugeriram que os horizontes de eventos não existem. Em vez de abismos dos quais nada retorna, os buracos negros podem ser objectos especulativos que não têm horizontes de eventos, como as estrelas de bósons ou os wormholes.

Sai buraco negro, entra wormhole

No recente estudo, publicado na revista científica Physical Review D, físicos belgas e espanhóis levantaram a hipótese de que se dois wormholes colidissem, produziriam ondas gravitacionais muito semelhantes às que são geradas pela fusão de buracos negros.

A única diferença seria na última fase da fusão, chamada de ringdown, quando o buraco negro ou os wormholes recém-combinados relaxam no seu estado final. Como os wormholes não têm horizontes de eventos, as ondas gravitacionais poderiam ser recuperadas, produzindo um eco durante o ringdown.

“O interior do objecto é uma espécie de cavidade onde as ondas gravitacionais são reflectidas. A produção de ecos gravitacionais não é muito diferente de ecos sonoros num vale, por exemplo”, explicaram os investigadores ao Live Science.

O problema é que, como a força do sinal cai durante o ringdown, torna-se muito fraco para a configuração atual do LIGO conseguir detectar. No entanto, este panorama pode mudar no futuro, uma vez que os cientistas continuam a actualizar-se, ajustando o instrumento.

A verdade é que, actualmente, os wormholes são menos um facto científico e mais ficção científica. Aliás, eles são comummente descritos em filmes e livros como uma espécie de “estrada intergaláctica“.

No entanto, para que se possa atravessar os wormholes, precisaríamos de alguma matéria exótica desconhecida de forma a mantê-los abertos. Por esse motivo é que se mantêm hipotéticos, pelo menos para já. Além disso, as repercussões de uma detecção de ecos gravitacionais potencialmente provenientes de wormholes seriam dramáticas para a física.

Mas os cientistas mantêm a mente aberta e acreditam que vale a pena explorar essa possibilidade. “Está na altura de levar a sério a possibilidade de existirem outros objectos que podem ser tão maciços e compactos quanto os buracos negros”, afirma o físico português Vitor Cardoso, que já estudou wormholes.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
24 Junho, 2018

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658: A voz de Hawking vai ser enviada para o espaço numa mensagem de “paz e esperança”

A voz de Hawking vai ser enviada para o espaço numa mensagem de “paz e esperança”

Esta sexta-feira, a voz de Stephen Hawking será enviada para o espaço, quando as suas cinzas forem depositadas na Abadia de Westminster, em Londres. “É uma mensagem de paz e esperança”, diz a família.

Um registo da voz sintetizada do astrofísico Stephen Hawking será enviada para o espaço esta sexta-feira, quando forem depositadas as suas cinzas junto às sepulturas de Isaac Newton e de Charles Darwin, na Abadia de Westminster, em Londres, Reino Unido.

As palavras do físico, que faleceu no dia 14 de Março aos 76 anos em Cambridge, serão acompanhadas de uma trilha musical composta pelo músico grego Vangelis, famoso por ser o autor da trilha sonora do filme “Carruagens de Fogo”.

Para Lucy Hawking, filha do cosmólogo, a acção constitui “um belo e simbólico gesto que cria um vínculo” entre a presença do seu pai neste planeta e o “seu desejo de ir ao espaço e todas as suas explorações do Universo”.

A voz de Hawking será transmitida por satélite para o buraco negro mais próximo da Terra. “É uma mensagem de paz e esperança, sobre união e sobre a nossa necessidade de vivermos juntos em harmonia neste planeta”, afirmou Lucy.

Um CD da composição, uma “homenagem pessoal de Vangelis ao professor”, será entregue a todos os convidados ao Serviço de Ação de Graças na Abadia de Westminster, adiantaram os familiares.

Amigos de Hawking, entre eles o actor Benedict Cumberbatch – que interpretou Hawking numa série da BBC – e o astronauta Tim Peake, vão marcar presença durante a cerimónia de despedida do investigador, assim como a sua família e outras mil pessoas que solicitaram presença.

Stephen Hawking sofria desde os 21 anos de uma doença neuro-degenerativa que, aos poucos, o deixou imóvel e o obrigava a comunicar através de um sintetizador de voz.

ZAP // Ciberia / EFE

Por ZAP
15 Junho, 2018

Com o devido respeito pelo falecido e sua Família, não se esqueçam de traduzir essa mensagem para Goa’uld no Planeta P3X-888, assim como para os Asgard, Tokra’s, Tollan’s mas não mandem para o Apophis, nem para o He-ur que esses ainda podem vir atacar a Terra… O Dr. Jackson e o Teal’c podem ajudar na tradução

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547: Os viajantes no tempo foram convidados para o funeral de Stephen Hawking

ntnu-trondheim / Flickr

O físico Stephen Hawking, que morreu em Março aos 76 anos, será lembrado, principalmente, pelo seu trabalho pioneiro no estudo de buracos negros e na descrição da origem do universo. Mas Hawking deveria também ser lembrado por dar uma das “piores” festas de sempre.

Em Junho de 2009, Stephen Hawking organizou uma festa destinada a viajantes no tempo. No dia seguinte, o físico envio os convites. “As cópias sobreviverão de qualquer forma.”

“Talvez alguém a viver no futuro encontre esta informação e use uma máquina do tempo para vir à minha festa, provando que, um dia, as viagens no tempo serão possíveis.”

Ninguém compareceu na festa de Hawking. Mas talvez um humano curioso utilize uma máquina do tempo desta vez para comparecer nas cerimónias fúnebres do cientista, que se realizarão em Westminster Abbey, a 15 de Junho.

De acordo com a Fundação Stephen Hawking, os viajantes no tempo foram cordialmente convidados para as cerimónias.

O blogger de viagens IanVisits apercebeu-se dos convites dirigidos a viajantes no tempo quando tentava comprar um dos 1000 bilhetes disponíveis para o público no site da Fundação.

Quando procurou explicações para isso, a Fundação do físico esclareceu sobre a sua política de integração de viajantes no tempo: “Não podemos excluir a possibilidade de viagens no tempo, uma vez que ainda não foi possível refutar esta possibilidade. Tudo é possível até prova em contrário”, defendeu um representante da Fundação à BBC.

A Fundação Stephen Hawking indicou que ainda nenhum viajante no tempo comprou bilhete para as cerimónias. As bilhetes encerraram à meia-noite desta terça-feira.

“Até agora tivemos inscrições de todo o globo. E sim, estamos a dizer do globo: não há terraplanistas aqui”, referiu um porta-voz.

As cinzas de Stephen Hawking vão ficar em Westminster Abbey, entre o túmulo de Sir Isaac Newton e Charles Darwin, que o público poderá visitar logo a seguir à conclusão do memorial.

ZAP // Live Science

Por ZAP
16 Maio, 2018

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