726: Cientistas descobriram uma forma de tornar objectos invisíveis de todos os ângulos

Marian / Flickr

Um grupo de investigadores do Instituto Nacional de Pesquisas Científicas de Montreal, no Canadá, diz ter conseguido tornar um objecto invisível para a luz de banda larga, através de uma nova técnica – o manto de invisibilidade espectral.

O dispositivo, apelidado de spectral cloaking, é o primeiro a conseguir manipular a cor – ou a frequência – das ondas de luz que interagem com o objecto, tornando-o desta forma  invisível.

“A nossa pesquisa representa um grande avanço na questão do manto de invisibilidade”, disse José Azaña, autor do estudo, que foi publicado na Optical Society of America no fim de Junho, num comunicado de imprensa.

O espectro electromagnético é o intervalo completo de todas as frequências de radiação possíveis da radiação electromagnética. Esta escala tem ondas de baixa frequência, como as ondas de rádio, estendendo-se até às ondas de maior frequência, como as da radiação gama ou os raios-X.

Nós não somos capazes de ver uma raio X, mas os nosso olhos são capazes de ver uma pequena faixa de frequências no espectro electromagnético – a luz visível. Entende-se por luz visível as únicas ondas electromagnéticas que podem ser vistas a olho nu.

É através deste intervalo separado que nós conseguimos ver as cores, que vão desde do vermelho numa extremidade até ao vermelho na outra. Existem algumas fontes de luz que contêm mais que uma frequência específica, como é o caso do Sol. A estas fontes que têm mais que uma frequência específica dá-se o nome de fontes de banda larga.

Quando observamos um objecto, o que estamos a ver, na verdade, é a interacção destas frequências de luz com o objecto. Por exemplo, quando o sol brilha num carro azul, o carro está a reflectir a frequência da luz azul, enquanto que as restantes frequências das outras cores simplesmente passam pelo objecto. Os nossos olhos detectam a luz reflectida, deixando-nos ver o carro azul.

O dispositivo criado pelos investigadores tira partido desta interacção entre as frequências de luz e os objectos. A equipa de investigação descreve um objecto que só reflecte a cor verde.

Para fazer com que este objecto pareça “invisível” ao olho humano, os investigadores utilizaram um filtro especialmente projectado para mudar temporariamente as frequências verdes do espectro de banda larga que brilha no objecto, tornando-as azuis. Resultado: o olho humano não é capaz de ver o objecto.

O dispositivo funciona como uma espécie de camuflagem, mudando a frequência da luz para que esta passe pelo objecto em questão em vez de interagir com o mesmo, tornando-o visível. Azaña disse ao Global News que o processo consiste em transformar a luz num “fantasma“, que é capaz de passar pelo objeto e depois voltar ao normal.

“Reconstruímos a onda de luz exactamente como estava por isso é como se não houvesse objecto”, explicou.

Actualmente, o dispositivo de camuflagem só funciona numa direcção – o olhar de quem vê precisa de seguir o caminho da luz, olhando para o objecto através do primeiro filtro. O segundo filtro é o que permite que a frequência volte ao normal.

Azaña acredita, no entanto, que este método poderia, teoricamente tornar um objecto invisível a partir de todas as direcções.

Por enquanto, o dispositivo pode ajudar a proteger as telecomunicações, que usam ondas de banda larga para transportar dados. As empresas de telecomunicações podem tornar “invisíveis” determinadas frequências ao longo das suas redes de fibra óptica, impedindo que terceiros usem a luz de banda larga para os espionar.

Já em Janeiro de 2017, investigadores da Universidade Pública de Navarra e da Universidade Politécnica de Valência criaram um “manto da invisibilidade” capaz de ocultar objectos em ambientes difusos, sob qualquer tipo de iluminação.

Ainda há um caminho a percorrer para que nos possamos tornar completamente “invisíveis” mas, até lá, podemos usar este processo de camuflagem para evitar que os nosso dados sejam espionados. E, é possível que o “manto de invisibilidade” do Harry Potter não seja assim tão fantástico…

ZAP // Science Alert

Por ZAP
3 Julho, 2018

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