1407: Voyager 2 entra no espaço interestelar

Esta ilustração mostra a posição das sondas Voyager 1 e Voyager 2 da NASA, para lá da heliosfera, uma bolha protectora criada pelo Sol que se estende bem para lá da órbita de Plutão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Pela segunda vez na história, um objecto feito pelo homem alcançou o espaço entre as estrelas. A sonda Voyager 2 da NASA saiu da heliosfera – a bolha protectora de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol.

Através da comparação de dados de diferentes instrumentos a bordo da pioneira sonda espacial, os cientistas da missão determinaram que atravessou a orla externa de heliosfera no dia 5 de Novembro. Esta fronteira, chamada heliopausa, é onde o ténue e quente vento solar encontra o frio e denso meio interestelar. A sua gémea, a Voyager 1, cruzou este limite em 2012, mas a Voyager 2 transporta um instrumento ainda em funcionamento que fornecerá as primeiras observações do seu tipo sobre a natureza dessa porta de entrada no espaço interestelar.

A Voyager 2 está agora a pouco mais de 18 mil milhões de quilómetros da Terra. Os operadores da missão ainda podem comunicar com a Voyager 2 enquanto entra nesta nova fase da sua viagem, mas a informação – que se move à velocidade da luz – leva cerca de 16,5 horas para viajar da nave até à Terra. Em comparação, a luz do Sol demora aproximadamente 8 minutos para chegar à Terra.

A evidência mais convincente da saída da heliosfera pela Voyager 2 vem do instrumento PLS (Plasma Science Experiment), que parou de funcionar na Voyager 1 em 1980, muito antes da sonda atravessar a heliopausa. Até recentemente, o espaço em redor da Voyager 2 era preenchido predominantemente com plasma que fluía do nosso Sol. Este fluxo, chamado vento solar, cria uma bolha – a heliosfera – que envolve os planetas no nosso Sistema Solar. O PLS usa a corrente eléctrica do plasma para detectar a velocidade, densidade, temperatura, pressão e fluxo do vento solar. O PLS a bordo da Voyager 2 observou um declínio acentuado na velocidade das partículas do vento solar no dia 5 de Novembro. Desde essa data, o instrumento de plasma não observou nenhum fluxo de vento solar no ambiente em redor da Voyager 2, o que dá confiança aos cientistas da missão de que a sonda deixou a heliosfera.

“Trabalhar na missão Voyager faz-me sentir como um explorador, porque tudo o que vemos é novo,” comenta John Richardson, investigador principal do instrumento PLS e cientista principal do MIT em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts. “Embora a Voyager 1 tenha atravessado a heliopausa em 2012, fê-lo num local diferente e numa altura diferente, e sem dados do seu PLS. De modo que estamos a ver coisas que nunca ninguém viu antes.”

Além dos dados de plasma, os membros da equipa científica da Voyager viram evidências de outros três instrumentos a bordo – o subsistema de raios cósmicos, o instrumento de partículas carregadas de baixa energia e o magnetómetro – consistentes com a conclusão de que a Voyager 2 passou para lá da heliopausa. Os membros da equipa da Voyager estão ansiosos por continuar a estudar os dados destes instrumentos a bordo a fim de obter uma imagem mais clara do ambiente pelo qual a Voyager 2 está a viajar.

“Ainda há muito para aprender sobre a região do espaço interestelar imediatamente para lá da heliopausa,” comenta Ed Stone, cientista do projecto Voyager do Caltech em Pasadena, Califórnia.

Juntas, as duas Voyager fornecem um vislumbre detalhado de como a nossa heliosfera interage com o constante vento interestelar que flui de fora do Sistema Solar. As suas observações complementam dados do IBEX (Interstellar Boundary Explorer) da NASA, uma missão que está a detectar remotamente essa fronteira. A NASA também está a preparar uma missão adicional – IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe), com lançamento previsto para 2024 – com o objectivo de capitalizar as observações das Voyager.

“A Voyager tem um lugar muito especial na nossa frota heliofísica,” comenta Nicola Fox, director da Divisão de Heliofísica na sede da NASA. “Os nossos estudos começam no Sol e estendem-se a tudo o que o vento solar toca. O envio de informações, pelas Voyager, sobre o limite da influência do Sol dá-nos um vislumbre sem precedentes de um território verdadeiramente inexplorado.”

Embora as sondas já tenham deixado a heliosfera, a Voyager 1 e a Voyager 2 ainda não deixaram o Sistema Solar, e não vão sair tão cedo. Pensa-se que o limite do Sistema Solar alcance para lá da orla externa da Nuvem de Oort, uma colecção de objectos pequenos ainda sob a influência da gravidade do Sol. A largura da Nuvem de Oort não é conhecida com precisão, mas estima-se que comece a mais ou menos 1000 UA (Unidades Astronómicas) do Sol e se estenda a cerca de 100.000 UA. Uma Unidade Astronómica é a distância do Sol à Terra. A Voyager 2 levará cerca de 300 anos para alcançar o limite interno da Nuvem de Oort e possivelmente 30.000 anos para a cruzar.

As sondas Voyager são alimentadas usando o calor do decaimento de material radioactivo, contido num dispositivo chamado gerador térmico de radioisótopos. A energia destes dispositivos diminui cerca de 4 watts por ano, o que significa que várias partes das Voyager, incluindo as câmaras em ambas as sondas, foram desligadas ao longo do tempo a fim de conservar energia.

“Acho que estamos todos felizes e aliviados que as Voyager operem o tempo suficiente para superar este marco,” comenta Suzanne Dodd, gerente do projecto Voyager no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. “É por isto que todos esperávamos. Estamos agora ansiosos por aprender mais com as duas sondas fora da heliopausa.”

A Voyager 2 foi lançada em 1977, 16 dias antes da Voyager 1, e ambas viajaram muito além dos seus destinos originais. As naves foram construídas para durar cinco anos e para realizar estudar detalhados de Júpiter e Saturno. No entanto, à medida que a missão progredia, tornaram-se possíveis “flybys” adicionais pelos dois gigantes gasosos mais distantes, Úrano e Neptuno. À medida que a sonda viajava através do Sistema Solar, foi usada reprogramação por controlo remoto para dotar as Voyager de maiores capacidades do que possuíam quando deixaram a Terra. A sua missão bi-planetária tornou-se uma missão tetra-planetária. Os cinco anos de esperança de vida estenderam-se a 41 anos, fazendo da Voyager 2 a missão mais longa da NASA.

A história das Voyager não só teve impacto nas gerações de cientistas e engenheiros, actuais e futuros, mas também na cultura da Terra, incluindo no cinema, na arte e na música. Cada sonda transporta um Disco Dourado de sons, imagens e mensagens da Terra. Tendo em conta que as naves podem sobreviver durante milhares de milhões de anos, estas cápsulas do tempo podem, um dia, ser os únicos vestígios da civilização humana.

Astronomia On-line
11 de Dezembro de 2018

 

1397: Sonda da NASA captou o som do vento em Marte. Já ouviu?

A InSight aterrou no Planeta Vermelho a 26 de Novembro e tem como missão estudar o interior de Marte.

Um dos painéis solares da sonda
© NASA/JPL-Caltech/REUTERS

São os primeiros “sons” dos ventos de Marte ouvidos na Terra. Os sensores da sonda InSight, que aterrou no Planeta Vermelho a 26 de Novembro, registaram a 1 de Dezembro o murmúrio causado pelas vibrações do vento, que a NASA estima soprasse a 5 ou 7 metros por segundo, de noroeste para sudoeste.

“Captar este áudio foi um prazer não planeado”, disse Bruce Banert, o principal investigador da InSight no Jet Propulsion Laboratory, em Pasadena, citado no comunicado de imprensa da NASA. “Mas um dos aspectos da nossa missão é dedicado a medir o movimento em Marte e, naturalmente, isso inclui o movimento causado por ondas sonoras”, referiu.

O som original (a NASA recomenda que use um sub-woofer ou auriculares para conseguir ouvi-lo).

Nesta segunda versão, duas oitavas acima, o som torna-se mais audível.

De acordo com a NASA, dois sensores detectaram as vibrações do vento na InSight: um sensor de pressão do ar no interior da sonda e um sismómetro que está na parte de cima. Ambos gravam o som do vento de diferentes formas. O primeiro directamente, o segundo captando as vibrações causadas pelo vento a mover-se pelos painéis solares (cada um mede 2,2 metros de diâmetro).

O sismógrafo será colocado dentro de algumas semanas directamente na superfície de Marte e coberto por um escudo para o proteger do vento, deixando de “ouvir” o vento. Conseguirá detectar o movimento da sonda, através do solo do planeta, assim como outras vibrações, que permitirão perceber melhor o que se esconde debaixo da superfície.

A missão InSight, que deve durar dois anos, pretende dar respostas sobre a evolução da formação dos planetas rochosos do Sistema Solar, incluindo a Terra, ao estudar o tamanho, a espessura e a densidade do núcleo, manto e crosta de Marte e a temperatura interior do planeta.

A sonda aterrou em Marte ao fim de uma viagem de seis meses e meio, representando o regresso à superfície de Marte depois de um interregno de seis anos, desde que a sonda Curiosity chegou à superfície do planeta em 2012.

Diário de Notícias
Susana Salvador
08 Dezembro 2018 — 20:29

 

1392: Chineses vão plantar batatas na face oculta da Lua

Chang’e-4 foi lançada esta sexta feira à tarde do Centro Espacial de Xichang. O lado negro do satélite terrestre vai deixar de ser desconhecido.


Há um lado da Lua que nunca se consegue ver a partir da Terra.
© REUTERS

Eram seis e meia da tarde de sexta, 7 de Dezembro, quando Pequim confirmou a notícia. A sonda não tripulada Chang’e-4 está a caminho do espaço. Dirige-se à face oculta da Lua, o lado que os terrestres nunca conseguem ver no seu satélite e leva consigo, entre outras coisas, sementes de batata para plantar e ovos de bicho-da-seda. É mais um triunfo do expansão espacial chinesa.

Até aqui era impossível tecnologicamente chegar àquele lado do astro. Agora, se tudo correr bem, a sonda (baptizada com o nome de uma deusa chinesa que habita a lua) deverá alunar nos primeiros dias de Janeiro.

A China é então a primeira do mundo a enviar uma sonda e um veículo robotizado para o “lado negro da Lua”, onde pretende testar o crescimento de plantas e captar sinais de radiofrequência normalmente bloqueados pela atmosfera terrestre, de acordo com um artigo da revista científica Nature.

O local provável de alunagem da sonda e do veículo robotizado será a cratera Von Kármán, situada na bacia do Polo Sul-Aitken, a maior e mais antiga depressão na Lua e uma das maiores zonas de impacto do Sistema Solar.

“É uma área-chave para dar resposta a várias questões sobre a história da formação da Lua, incluindo a sua estrutura interna e a evolução da sua temperatura”, afirmou, citado pela Nature, o investigador Bo Wu, da Universidade Politécnica de Hong Kong, que descreveu a topografia e a geomorfologia da cratera.

O veículo robótico da Chang’e-4 está preparado para realizar diversas experiências no solo lunar, como avaliar com um radar a espessura das camadas subterrâneas e estudar com um espectrómetro a composição mineral à superfície.

A sonda, equipada também com vários instrumentos, irá estudar o gás interestelar e os campos magnéticos que se disseminam após a morte de uma estrela e testar se a batata e a planta herbácea arabidopsis thaliana (da família da mostarda) crescem e fazem a fotossíntese num ambiente controlado, mas condicionado à micro-gravidade da superfície lunar.

Experiências anteriores realizadas na Estação Espacial Internacional revelaram que a batata e a arabidopsis thaliana podem crescer normalmente em ambientes controlados que são sujeitos a uma gravidade inferior à da Terra, mas não a uma gravidade tão baixa como a da Lua.

Para comunicar com a sonda, o centro de controlo da missão Chang’e-4 irá usar o satélite Queqiao, lançado em maio, para intermediar as comunicações com o aparelho (a comunicação directa com a sonda não é possível no lado oculto da Lua).

Depois da “Chang’e-4 seguir-se-á a missão Chang’e-5, com lançamento previsto para 2019, e com a qual a China pretende recolher amostras do solo lunar.

A meta final da agência espacial chinesa, ainda sem data marcada, é criar uma base na Lua para exploração humana.

Diário de Notícias

DN

07 Dezembro 2018 — 20:27

 

1389: China envia sonda para o lado oculto da Lua em missão inédita

A Chang’e-4 tem lançamento previsto para o final da tarde de desta sexta feira (madrugada de sábado na China) do Centro Espacial de Xichang.

A China vai enviar esta sexta-feira uma sonda para o lado oculto da Lua, onde espera colocar um veículo robotizado para estudar a zona da superfície lunar que não pode ser vista da Terra, um feito inédito na exploração espacial. Trata-se da segunda missão espacial chinesa a colocar uma sonda na superfície da Lua, depois de uma outra, em 2013.

A nova missão da agência espacial chinesa, a Chang’e-4, é, no entanto, a primeira do mundo a enviar uma sonda e um veículo robotizado para o “lado negro da Lua”, onde pretende testar o crescimento de plantas e captar sinais de radiofrequência normalmente bloqueados pela atmosfera terrestre, de acordo com um artigo da revista científica Nature.

A Chang’e-4 tem lançamento previsto para o final da tarde de desta sexta feira (madrugada de sábado na China) do Centro Espacial de Xichang.

O local provável de alunagem da sonda e do veículo robotizado será a cratera Von Kármán, situada na bacia do Polo Sul-Aitken, a maior e mais antiga depressão na Lua e uma das maiores zonas de impacto do Sistema Solar.

“É uma área-chave para dar resposta a várias questões sobre a história da formação da Lua, incluindo a sua estrutura interna e a evolução da sua temperatura”, afirmou, citado pela Nature, o investigador Bo Wu, da Universidade Politécnica de Hong Kong, que descreveu a topografia e a geomorfologia da cratera.

O veículo robótico da Chang’e-4 está preparado para realizar diversas experiências no solo lunar, como avaliar com um radar a espessura das camadas subterrâneas e estudar com um espectrómetro a composição mineral à superfície.

A sonda, equipada também com vários instrumentos, irá estudar o gás interestelar e os campos magnéticos que se disseminam após a morte de uma estrela e testar se a batata e a planta herbácea arabidopsis thaliana (da família da mostarda) crescem e fazem a fotossíntese num ambiente controlado, mas condicionado à micro-gravidade da superfície lunar.

Experiências anteriores realizadas na Estação Espacial Internacional revelaram que a batata e a arabidopsis thaliana podem crescer normalmente em ambientes controlados que são sujeitos a uma gravidade inferior à da Terra, mas não a uma gravidade tão baixa como a da Lua.

Para comunicar com a sonda, o centro de controlo da missão Chang’e-4 irá usar o satélite Queqiao, lançado em maio, para intermediar as comunicações com o aparelho (a comunicação directa com a sonda não é possível no lado oculto da Lua).

Depois da “Chang’e-4 seguir-se-á a missão Chang’e-5, com lançamento previsto para 2019, e com a qual a China pretende recolher amostras do solo lunar.

A meta final da agência espacial chinesa, ainda sem data marcada, é criar uma base na Lua para exploração humana.

Diário de Notícias
DN/Lusa
07 Dezembro 2018 — 08:05

 

1386: Cientistas encontram a água mais estranha de todo o Sistema Solar

ESA
Um dos satélites de Saturno, Febe

Febe, um dos satélites de Saturno, tem a água mais incomum do Sistema Solar, apontou um novo estudo levado a cabo por uma equipa de cientistas do Instituto de Ciência Planetária de Tucson, no estado norte-americano do Arizona.

Para a investigação, publicada no fim de Novembro na revista Icarus, os cientistas analisaram os isótopos de deutério (D/H) dos anéis e dos satélites de Saturno. Segundo conclui o estudo, todos os anéis e satélites analisados têm uma água surpreendentemente semelhante à composição isotópica da Terra, à excepção do satélite Febe.

Tal como nota a Phys.org, a água do satélite Febe é a mais estranha quando comparada aos demais satélites e planetas do Sistema Solar. A sua composição isotópica mostrou que as suas reversas de água têm oito vezes mais deutério do que os outros satélites de Saturno. Por este motivo, concluíram os cientistas, Febe foi formada num lugar distante e frio bem longe do nosso sistema.

“A proporção  D/H de Febe é o valor máximo medido já encontrado no Sistema Solar, o que significa que tem a sua origem no sistema solar frio e exterior, muito para além Saturno”, explicou Roger N. Clark, autor da investigação.

Ainda no âmbito desta pesquisa, os cientistas mediram também a relação entre o carbono 13 e o carbono 12 (13C/12C). Uma outra lua de Saturno, a Jápeto, revelou ter uma proporção de carbono semelhante à terrestre, enquanto a de Febe é cinco vez maior.

Estes dados, apontam os cientistas, sugerem que o satélite se formou nas extremidades mais frias do Sistema Solar, para lá de Saturno, sendo, posteriormente, “capturado” por uma órbita do segundo maior planeta do Sistema Solar.

As medições foram feitas remotamente a partir da sonda da NASA Cassini usando o espectrómetro de mapeamento visual e infravermelho (VIMS). Cassini, que passou 13 anos a estudar Saturno de perto, mergulhou no passado Setembro na última etapa da sua missão, fornecendo preciosos dados finais que sustentaram esta pesquisa.

ZAP //

Por ZAP
7 Dezembro, 2018

 

1365: A OSIRIS-Rex chega esta segunda ao asteróide Bennu para recolher uma amostra

NASA’s Goddard Space Flight Center
Sonda OSIRIS-Rex

Depois de vários meses a viajar pelo espaço, a sonda espacial da NASA está quase a chegar ao asteróide Bennu. A derradeira missão da sonda vai começar na próxima segunda-feira, dia 3 de Dezembro.

A agência espacial norte-americana NASA prepara a chegada na segunda-feira de uma sonda ao asteróide Bennu, do qual será enviada uma amostra para Terra na expectativa de dar novas pistas sobre a origem do Sistema Solar.

Esta é a primeira missão da NASA que visa estudar e recolher uma amostra de um asteróide, neste caso um dos mais próximos da Terra e o corpo celeste mais pequeno alguma vez orbitado de tão perto por uma sonda, de acordo com a agência espacial.

A sonda OSIRIS-REx foi lançada em Setembro de 2016 e tem-se aproximado lentamente do asteróide, do qual estava a 49 quilómetros de distância esta sexta-feira. Na próxima segunda-feira, dia 3 de Dezembro, a sonda vai começar a operar em torno de Bennu, conhecido por ser rico em carbono, um composto básico da vida tal como se conhece.

Durante um ano, o aparelho vai estudar o corpo rochoso, sem aterrar nele, com o propósito de seleccionar um local seguro e cientificamente interessante para recolher em 2020, com o auxílio de um braço robótico, um fragmento de rocha que será enviado para análise na Terra, onde a sonda deverá regressar em 2023.

O braço robótico, que tem pouco mais de três metros de comprimento, irá tocar a superfície do asteróide durante cerca de cinco segundos.

Nesse tempo, será provocada uma explosão de gás nitrogénio (azoto) que causará oscilações na superfície, permitindo a recolha de fragmentos de rocha. Ao todo, só poderão ser feitas três tentativas de recolha de amostras.

O pedaço de asteróide aterrará na Terra numa cápsula que irá separar-se da sonda e está equipada com um escudo térmico e um para-quedas.

A missão irá ajudar os cientistas a compreenderem melhor como os planetas do Sistema Solar se formaram e como a vida começou na Terra. Asteróides como o Bennu contêm recursos naturais como água, compostos orgânicos e metais.

O encontro da OSIRIS-REx com Bennu será transmitido em directo pelo canal televisivo da NASA.

ZAP // Lusa

Por Lusa
2 Dezembro, 2018

 

“Lander” InSight aterra em Marte

– Aterragem se fosse na Terra… Amartagem quando é em Marte…. correcto…?

O instrumento IDC (Instrumento Deployment Camera), localizado no braço robótico do “lander” InSight da NASA, obteve esta imagem da superfície marciana no dia 26 de Novembro, o mesmo dia em que aterrou no Planeta Vermelho. A cobertura transparente da câmara ainda está presente, para impedir partículas levantadas durante a aterragem de assentarem na lente da câmara. Esta imagem foi transmitida para a Terra via Mars Odyssey, actualmente em órbita.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Marte acaba de receber o seu mais novo residente robótico. O “lander” InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA pousou com sucesso no Planeta Vermelho depois de uma viagem de quase sete meses e 458 milhões de quilómetros a partir da Terra.

A missão de dois anos do InSight será a de estudar o interior profundo de Marte para aprender como todos os corpos celestes com superfícies rochosas, incluindo a Terra e a Lua, se formaram.

O InSight foi lançado a partir da Base Aérea de Vandenberg, no estado norte-americano da Califórnia, no dia 5 de maio. O veículo aterrou ontem, dia 26 de Novembro, perto do equador marciano no lado oeste de uma planície chamada Elysium Planitia, com um sinal afirmando uma sequência completa de pouso, aproximadamente às 20:00 (hora portuguesa).

“Hoje, aterrámos com sucesso em Marte pela oitava vez na história humana,” comenta Jim Bridenstine, administrador da NASA. “O InSight vai estudar o interior marciano e ensinar-nos ciência valiosa enquanto nos preparamos para enviar astronautas à Lua e depois até Marte. Esta conquista representa a engenhosidade dos EUA e dos nossos parceiros internacionais e serve como um testemunho da dedicação e perseverança da nossa equipa. O melhor da NASA ainda está por vir, e está chegando em breve.”

O sinal de aterragem foi transmitido para o JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, via um dos dois pequenos CubeSats experimentais MarCO (Mars Cube One), lançados no mesmo foguetão que o InSight e que seguiram a nave até Marte. São os primeiros CubeSats enviados para o espaço profundo. Depois de realizar com sucesso uma série de comunicações e experiências de navegação em voo, os gémeos MarCOs foram posicionados para receber transmissões durante a entrada, descida e aterragem do InSight.

De Rápido a Lento

“Nós atingimos a atmosfera marciana a 19.800 km/h, e toda a sequência de tocar na superfície levou apenas seis minutos e meio,” comenta Tom Hoffman, gestor do projecto InSight no JPL. “Durante esse curto espaço de tempo, o InSight teve que executar autonomamente dúzias de operações e fazê-las sem falhas – e, por todas as indicações, é exactamente isso que a nossa nave fez.”

A confirmação de um pouso bem-sucedido não é o fim dos desafios de aterrar no Planeta Vermelho. A fase de operações de superfície do InSight começou um minuto após a aterragem. Uma das suas primeiras tarefas foi abrir os seus dois painéis solares decagonais, que fornecerão energia. Esse processo começou 16 minutos depois da aterragem e demorou outros 16 minutos para ser concluído.

A equipa da missão InSight também já recebeu a confirmação de que os painéis solares do “lander” foram abertos com sucesso. A verificação veio através da sonda Mars Odyssey da NASA, actualmente em órbita do planeta. Esse sinal chegou cerca de cinco horas e meia depois da aterragem.

“O veículo é alimentado a energia solar, de modo que a abertura dos painéis e consequente operação é muito importante,” comenta Hoffman. “Com os painéis a fornecerem a energia que precisamos para começar as operações científicas, estamos a caminho de investigar minuciosamente, e pela primeira vez, o interior de Marte.”

O InSight vai começar a recolher dados científicos na primeira semana após a aterragem, embora as equipas se concentrem principalmente em preparar os instrumentos do InSight no solo marciano. Pelo menos dois dias após o pouso, a equipa de engenharia começará a usar o braço robótico de 1,8 metros para tirar fotos da paisagem.

“A aterragem foi emocionante, mas estou ansioso pela perfuração,” realça Bruce Banerdt, investigador principal do InSight no JPL. “Quando obtivermos as primeiras imagens, as nossas equipas de engenharia e ciência começarão a planear onde implantar os nossos instrumentos científicos. Dentro de dois ou três meses, o braço colocará os instrumentos científicos principais, o SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure) e o HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package)”.

O InSight vai operar à superfície durante um ano marciano, mais 40 dias marcianos, ou sols, até 24 de Novembro de 2020. Os objectivos da missão dos dois pequenos MarCOs, que transmitiram a telemetria do InSight, foram concluídos após o “flyby” por Marte.

“Este é um salto gigantesco para os nossos intrépidos exploradores robóticos do tamanho de uma mala,” afirma Joel Krajewski, gestor do projecto MarCO no JPL. “Penso que os CubeSats têm um grande futuro além da órbita terrestre, e a equipa MarCO está feliz por pavimentar esse caminho.”

Com a aterragem do InSight em Elysium Planitia, a NASA conseguiu aterrar com sucesso um veículo no Planeta Vermelho oito vezes.

“Cada aterragem marciana é intimadora, mas agora com o InSight em segurança à superfície, vamos poder fazer um tipo único de ciência em Marte,” acrescenta Michael Watkins, director do JPL. “Os experimentais CubeSats MarCo também abriram uma nova porta para as espaço-naves planetárias mais pequenas. O sucesso destas duas missões únicas é um tributo às centenas de talentosos engenheiros e cientistas que depositaram o seu génio e trabalho em fazer deste um grande dia.”

Astronomia On-line
27 de Novembro de 2018

 

1342: O InSight da NASA aterrou com sucesso em Marte (e já mandou fotografias)

Kevin Gill / Flickr

A sonda que vai estudar o interior de Marte aterrou na segunda-feira no planeta, anunciou a agência espacial norte-americana NASA.

A aterragem, pouco antes das 20h00 de Lisboa, foi aplaudida no centro de controlo da missão InSight, na Califórnia.

Momentos depois, a sonda enviou para a Terra a primeira fotografia da superfície de Marte, uma imagem pouca nítida devido provavelmente à poeira causada pelo seu impacto.

A NASA aguarda agora actualizações de informação dada pelos satélites em redor do planeta para confirmar se a InSight aterrou no local previsto, uma ampla planície, a Elysium Planitia.

A missão InSight, que tem uma duração de dois anos, pretende dar respostas sobre a evolução da formação dos planetas rochosos do Sistema Solar, incluindo a Terra, ao estudar o tamanho, a espessura e a densidade do núcleo, manto e crosta de Marte e a temperatura interior do planeta.

O trabalho do InSight é estudar o interior profundo de Marte, obtendo os sinais vitais do planeta. A obtenção desses sinais vai ajudar a equipa científica da missão InSight a vislumbrar uma época em que os planetas rochosos do Sistema Solar se formaram. As investigações vão depender de três instrumentos:

Um sismógrafo com seis sensores, de nome SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), vai registar ondas sísmicas que viajam pela estrutura interior do planeta. O estudo das ondas sísmicas vai dizer aos cientistas o que poderá estar a criá-las.

A suite HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package) vai escavar mais fundo do que qualquer outra pá, broca ou sonda em Marte antes de medir quanto calor está a ser emanado para fora do planeta.

Finalmente, a experiência RISE (Rotation and Interior Structure Experiment) vai usar os rádios do veículo para avaliar a oscilação do eixo de rotação de Marte, fornecendo informações sobre o núcleo do planeta.

A sonda aterrou em Marte ao fim de uma viagem de seis meses e meio, depois de ter sido lançada para o espaço a 5 de maio deste ano.

O InSight representa o regresso das sondas à superfície de Marte depois de um interregno de seis anos, desde que a sonda Curiosity chegou à superfície do planeta em 2012.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Novembro, 2018

 

1340: Sonda InSight chega hoje a Marte e vai passar por ‘seis minutos de terror’. Acompanhe em directo

O pouso em solo marciano está previsto para as 19:54H, hora de Portugal Continental. Sonda vai estudar o interior dos terrenos em Marte, para que os cientistas possam perceber melhor o processo de formação e evolução do planeta.

Esta segunda-feira pode fazer-se história outra vez. O robô InSight está a aproximar-se de Marte a alta velocidade – 12 mil quilómetros por hora -, mas o grande momento só acontece ao final da tarde. Antes de tocar em solo marciano, a sonda vai passar por ‘seis minutos de terror’, um termo para designar o tempo em que as operações na Terra vão ter que esperar para saber se a ‘amartagem’ foi bem sucedida.

O momento crítico acontece quando a InSight entra na atmosfera marciana e tem de reduzir a sua velocidade de forma drástica para evitar uma colisão com o solo marciano. Quando a informação chegar junto dos investigadores e operadores da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos EUA (NASA na sigla em inglês), ou a sonda já está pousada há seis minutos ou já se despenhou há seis minutos.

“Claro que estamos preocupados. Nunca podes tomar Marte como garantido, Marte é difícil”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA, numa conferência de imprensa esta domingo.

Depois de passar pela atmosfera de Marte, o robô vai largar o escudo térmico protector e vai accionar um para-quedas. Depois, a descida até ao solo vai ser feita com a ajuda de 12 propulsores, que vão tentar reduzir ao máximo a velocidade de descida da sonda, para que o impacto com o solo seja o mais reduzido possível.

Além disso, a entrada na atmosfera marciana terá de ser feita com um robô num ângulo de 12º, caso contrário a sonda pode arder ou nem sequer fazer a entrada no planeta vermelho, perdendo-se depois no Sistema Solar, explica a publicação Space.com.

Caso a missão seja bem sucedida, a sonda InSight vai ajudar os investigadores da NASA e de outras unidades científicas do estudo do espaço a perceber melhor a composição do planeta vermelho. O objectivo é perceber melhor o processo de formação e evolução de Marte e, quem sabe, dar novas pistas sobre a existência de vida no planeta.

Pode acompanhar o processo a ‘amartagem’ da InSight através da transmissão em directo que a NASA vai fazer no YouTube:

DN_insider
Segunda-feira, 26 Novembro 2018

 

1319: Rover Marte 2020: NASA já escolheu o local de aterragem

NASA

A NASA anunciou na segunda-feira o local de aterragem para sonda da missão Marte 2020: um delta de um rio ancestral. A missão tem como objectivo provar que existiu vida no Planeta Vermelho.

Mesmo que Marte esteja frio e seco, o local de aterragem – a cratera Jezero – já foi preenchido com um lago com 500 metros de profundidade que formou uma rede de rios entre cerca de 3,5 e 3,9 mil milhões de anos atrás.

“O delta é um bom lugar para a evidência de vida serem depositadas e, em seguida, preservadas durante os mil milhões de anos que se passaram”, disse Ken Farley, integrante do projecto Marte 2020.

Especialistas acreditam que os 45 quilómetros de largura da bacia poderiam ter preservado antigas moléculas orgânicas e outros sinais de vida microbiana.

Pelo menos cinco tipos diferentes de rochas, incluindo “argilas e carbonatos que têm alto potencial para preservar evidências de vida passada”, devem existir na cratera, a norte do equador marciano. A rocha carbonática é produzida pela interacção de água, gases atmosféricos e rochas, e deixa pistas sobre ambientes habitáveis.

Os investigadores debateram sobre o local de aterragem do rover nos últimos quatro anos e reduziram a sua decisão a mais de 60 locais possíveis.

O rover, com o valor de 2,1 mil milhões de euros, deve ser lançado em Julho de 2020 e pousar em Fevereiro de 2021. O Marte 2020 foi projectado para aterrar dentro da cratera e recolher amostras que eventualmente serão devolvidas à Terra para análise posterior, talvez até o final dos anos 2020.

Aterragem perigosa

Mas, primeiro, o rover tem de chegar intacto à superfície, evitando um campo de pedregulhos, armadilhas de areia e as bordas do delta. O Marte 2020 usará o mesmo método que entregou com êxito o veículo não tripulado Curiosity da NASA num local chamado Cratera Gale em 2012.

A Cratera Gale, com muitas camadas de sedimentos, foi escolhida para contar a história de como Marte passou de um planeta quente e húmido para o planeta gelado e poeirento que é hoje. O local de pouso da Cratera Jezero é diferente por causa de abundantes rochas carbonáticas.

Em vez de ter um laboratório analítico a bordo – como o Curiosity tem – o rover 2020 foi projectado para observar rochas numa escala mais fina, observando as bio-assinaturas preservadas. Depois, irá guardá-las para um estudo mais aprofundado na Terra. Uma missão separada, ainda a ser definida, trará as rochas de volta ao nosso planeta.

JPL-Caltech / MSSS / NASA
O Curiosity encontrou “blocos de construção da vida” em Marte – e tirou uma selfie no local

NASA anuncia descoberta de moléculas orgânicas em Marte

A NASA anunciou esta quinta-feira a descoberta de moléculas orgânicas formadas há cerca de 3 mil milhões de anos em…

1257: Curiosity está de volta à exploração marciana (e tem um “cérebro” novo)

NASA/JPL-Caltech

Curiosity, a sonda marciana da NASA, percorreu cerca de 60 metros durante o fim de semana em direcção ao Lago Orcadie, aumentando a sua odometria total para 20 quilómetros.

Com cerca de 900 quilos, o rover chegou à cratera Gale, em Marte, em Agosto de 2012. Depois de percorrer o piso rico em sedimentos da cratera, a Curiosity alcançou o Monte Sharp, onde procurava vestígios do passado do Planeta Vermelho nas suas encostas.

Este foi o trajecto mais longo já realizado pelo rover desde que enfrentou um anomalia na memória no passado mês de Setembro. Tal como relata a NASA, as operações da sonda foram no mês de Outubro transferidas para uma memória externa – um computador de reserva apelidado de Side-A.

Volvidas mais de duas semanas de operações científicas, e agora recorrendo a este computador A, a missão marciana volta ao trabalho.

Os relatórios da agência espacial norte-americana revelam ainda que a equipa pretende definir um novo alvo exploratório ainda esta semana. Apesar de já estar funcional, a equipa de engenheiros da Curiosity continua a identificar uma a anomalia no computador Side-B (o computador principal com memória a longo prazo).

Como muitas das naves espaciais da NASA, a Curiosity foi projectada com dois computadores – neste caso, o computador Side-A e  o Side-B -, de forma a que as operações exploratórias possam ser continuadas mesmo que ocorra uma falha.

Depois de analisar várias opções, os engenheiros ordenaram que o rover mudasse do lado B para o A, o computador que o rover utilizou inicialmente após o pouso. Esta alteração vai permitir que a equipa faça um diagnóstico mais detalhado do problema técnico que está a impedir a memória principal do rover armazenar informação.

A Curiosity está funcional e recebe os comandos da equipa, mas continua a enviar dados limitados que são armazenados na memória a curto prazo.

“Neste momentos, estamos confiantes de que voltaremos às operações completas, mas ainda é cedo para dizermos em quanto tempo”, disse Steven Lee, um dos cientistas responsáveis pela sonda. “Estamos a operar a partir do Side A, mas pode levar algum tempo para perceber por completo a causa na raiz do problema e planear soluções alternativas para a memória no Side B”.

“É certamente possível executar a missão no computador Side-A, se for realmente necessário. Mas nosso plano é voltar para o Side B assim que pudermos, consertando o problema para que possamos utilizar a memória memória maior”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
8 Novembro, 2018