5316: Detecções da sonda Juno destroem ideias sobre a origem da luz zodiacal

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ilustração que mostra a sonda Juno da NASA ao entrar em órbita de Júpiter no dia 4 de Julho de 2016, depois de viajar durante quase cinco anos e percorrer mais de 2,7 mil milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL/SwRI

Olhe para o céu logo antes do nascer-do-Sol, ou depois do pôr-do-Sol, e poderá ver uma ténue coluna de luz a estender-se do horizonte. Esse brilho difuso é a luz zodiacal, ou luz solar reflectida em direcção à Terra por uma nuvem de minúsculas partículas de poeira que orbitam o Sol. Os astrónomos há muito tempo que pensam que a poeira é trazida para o Sistema Solar interior por algumas famílias de asteróides e cometas que se aventuram de longe.

Mas agora, uma equipa de cientistas da Juno argumenta que Marte pode ser o culpado. Publicaram os seus achados na edição online de 11 de Novembro de 2020 da revista Journal of Geophysical Research: Planets.

Um instrumento a bordo da sonda Juno detectou por acaso partículas de poeira a chocarem contra a nave espacial durante a sua viagem da Terra a Júpiter. Os impactos forneceram pistas importantes sobre a origem e evolução orbital da poeira, resolvendo algumas variações misteriosas da luz zodiacal.

Embora a sua descoberta tenha grandes implicações, os cientistas que passaram anos a estudar os detritos cósmicos não planearam fazê-la. “Nunca pensei que estivéssemos a procurar poeira interplanetária,” disse John Leif Jørgensen, professor da Universidade Técnica da Dinamarca.

Jørgensen projectou os quatro rastreadores estelares que fazem parte do magnetómetro da Juno. Estas câmaras a bordo tiram fotos do céu a cada quarto de segundo para determinar a orientação da Juno no espaço, reconhecendo padrões estelares nas suas imagens – uma tarefa de engenharia espacial essencial para a precisão do magnetómetro.

Mas Jørgensen esperava que as suas câmaras também pudessem avistar um asteroide desconhecido. De modo que programou uma câmara para relatar “coisas” que apareciam em várias imagens consecutivas, mas que não estavam no catálogo de objectos celestes conhecidos.

Ele não esperava ver muito: quase todos os objectos no céu são contabilizados no catálogo estelar. De modo que quando a câmara começou a transmitir milhares de imagens de objectos não identificáveis – riscos que apareciam e depois desapareciam misteriosamente – Jørgensen e os seus colegas ficaram perplexos. “Estávamos a olhar para as imagens e a dizer, ‘O que pode ser isto?'” acrescentou.

Jørgensen e a sua equipa consideraram muitas causas plausíveis e algumas implausíveis. Havia a possibilidade enervante de que a câmara estelar tivesse captado um derrame do tanque de combustível da Juno. “Pensámos, ‘Algo está realmente errado'”, disse Jørgensen. “As imagens pareciam que alguém estava a sacudir uma toalha de mesa cheia de pó à janela.”

Só quando os investigadores calcularam o tamanho aparente e a velocidade dos objectos nas imagens é que finalmente perceberam algo: grãos de poeira estavam a colidir com a Juno a cerca de 16.000 km/h, lascando pedaços sub-milimétricos. “Mesmo que estejamos a falar de objectos com apenas uma minúscula massa, têm um grande impacto,” disse Jack Connerney, líder da investigação do magnetómetro da Juno, e investigador principal adjunto da missão, que trabalha no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Ao que parece, o spray de detritos estava a vir dos grandes painéis solares da Juno – o maior e mais sensível detector não intencional de poeira já construído.

“Cada pedaço de detrito que acompanhámos regista o impacto de uma partícula de poeira interplanetária, permitindo-nos compilar uma distribuição de poeira ao longo da viagem da Juno,” disse Connerney. A Juno foi lançada em 2011. Após uma manobra no espaço profundo na cintura de asteróides em 2012, regressou ao Sistema Solar interior para uma assistência gravitacional da Terra em 2013, que catapultou a nave em direcção a Júpiter.

Connerney e Jørgensen notaram que a maioria dos impactos de poeira foram registados entre a Terra e a cintura de asteróides, com lacunas na distribuição relacionadas com a influência da gravidade de Júpiter. Segundo os cientistas, esta foi uma revelação radical. Até agora, os cientistas não conseguiam medir a distribuição destas partículas de poeira no espaço. Os detectores de poeira dedicados têm áreas de recolha limitadas e, portanto, sensibilidade limitada a uma população esparsa de poeira. Contam principalmente as partículas de poeira mais abundantes e muito mais pequenas do espaço interestelar. Em comparação, os expansivos painéis solares da Juno têm 1000 vezes mais área de recolha do que a maioria dos detectores de poeira.

Os cientistas da Juno determinaram que a nuvem de poeira acaba na Terra porque a gravidade do nosso planeta “suga” toda a poeira que chega cá perto. “Essa é a poeira que vemos como luz zodiacal,” disse Jørgensen.

No que toca à orla mais externa, a cerca de 2 UA (unidades astronómicas) do Sol (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol), esta acaba logo além de Marte. Nesse ponto, relatam os cientistas, a influência da gravidade de Júpiter actua como uma barreira, evitando que as partículas de poeira atravessem do Sistema Solar interior para o espaço profundo. Este mesmo fenómeno, conhecido como ressonância orbital, também funciona no sentido inverso, onde bloqueia a poeira originária no espaço profundo de passar para o Sistema Solar interior.

A influência profunda da barreira gravitacional indica que as partículas de poeira estão numa órbita quase circular em torno do Sol, disse Jørgensen. “E o único objecto que conhecemos numa órbita quase circular por volta das 2 UA é Marte, de modo que o raciocínio natural é que Marte seja uma fonte desta poeira,” explicou.

“A distribuição da poeira que medimos é mais consistente com a variação observada da luz zodiacal,” disse Connerney. Os cientistas desenvolveram um modelo de computador para prever a luz reflectida pela nuvem de poeira, dispersada pela interacção gravitacional com Júpiter que espalha a poeira num disco mais espesso. O espalhamento depende apenas de duas variáveis: a inclinação da poeira em relação à eclíptica e a sua excentricidade orbital. Quando os investigadores inseriram os elementos orbitais de Marte, a distribuição previu com precisão a assinatura reveladora da variação da luz zodiacal perto da elíptica. “Isto é, na minha opinião, uma confirmação de que sabemos exactamente como estas partículas estão a orbitar no nosso Sistema Solar,” disse Connerney, “e qual a sua origem.”

Embora existam agora boas evidências de que Marte, o planeta mais empoeirado que conhecemos, seja a fonte da luz zodiacal, Jørgensen e colegas ainda não conseguem explicar como a poeira pode ter escapado das garras da gravidade marciana. Esperam que outros cientistas os ajudem.

Entretanto, os investigadores salientam que a determinação da verdadeira distribuição e densidade das partículas de poeira no Sistema Solar vai ajudar os engenheiros a projectar materiais para naves espaciais que podem suportar melhor os impactos da poeira. O conhecimento da distribuição precisa de poeira também pode orientar o design de trajectórias de voo para futuras espaço-naves, a fim de evitar a maior concentração de partículas. As partículas minúsculas que viajam a velocidades tão altas podem arrancar até 1000 vezes a sua massa de uma nave espacial.

Os painéis solares da Juno escaparam a estes danos porque as células solares estão bem protegidas contra impactos na parte de trás – ou lado escuro – dos painéis pela estrutura de suporte.

Astronomia On-line
12 de Março de 2021


5283: Sonda passa ao lado de Vénus, tira-lhe uma fotografia e surpreende cientistas da NASA

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA/Johns Hopkins APL/Naval Research Laboratory/Guillermo Stenborg and Brendan Gallagher

A imagem obtida pelo Wide-field Imager (WISPR) da Parker Solar Probe foi capturada a 12.380 quilómetros de Vénus.

A Parker Solar Probe, da NASA, capturou vistas deslumbrantes de Vénus em Julho de 2020. O alvo da missão é o Sol, mas o planeta desempenha um papel muito importante: a sonda vai passar muito perto de Vénus sete vezes ao longo da sua missão de sete anos e usar a gravidade do planeta para se mover em direcção ao seu destino final.

Além da dinâmica orbital, as passagens podem produzir vistas únicas e inesperadas do Sistema Solar. A 11 de Junho de 2020, durante a sua terceira assistência gravitacional, o Wide-field Imager (WISPR) da Parker Solar Probe capturou uma impressionante imagem do lado nocturno do planeta a uma distância de 12.380 quilómetros.

O Europa Press explica que o WISPR foi desenhado para gerar imagens da coroa solar e da heliosfera interna em luz visível, assim como imagens do vento solar e das suas estruturas à medida que se aproximam da sonda.

No caso de Vénus, a câmara detectou uma borda brilhante à volta do planeta que pode ser um brilho nocturno causado por átomos de oxigénio na alta atmosfera.

A proeminência escura no centro do planeta é Afrodite Terra, a maior região montanhosa na superfície de Vénus, que aparece escura na imagem devido à sua temperatura mais baixa – cerca de 30 graus Celsius mais fria em comparação com os arredores.

A imagem apanhou os cientistas de surpresa. “O WISPR foi projectado e testado para observações de luz visível. Esperávamos ver nuvens, mas a câmara captou diretamente a superfície”, comentou o investigador Angelos Vourlidas, em comunicado.

WISPR capturou a emissão térmica da superfície de Vénus“, completou Brian Wood, astrofísico e membro da equipa WISPR do Laboratório de Investigação Naval dos Estados Unidos. “São semelhantes às imagens capturadas pela Akatsuki em comprimentos de onda próximos ao infravermelho.”

Se o instrumento for mesmo sensível a comprimentos de onda de luz próximos do infravermelho, proporcionará aos cientistas novas oportunidades para estudar a poeira à volta do Sol e do Sistema Solar interno.

Por Liliana Malainho
8 Março, 2021


5253: China divulga novas imagens de Marte capturadas pela sonda Tianwen-1

CIÊNCIA/MARTE/TIANWEN-1

A sonda Tianwen-1, que tem previsto aterrar em solo marciano em Maio, revela pormenores da superfície do planeta e do seu pólo norte.

A Administração Espacial da China divulgou esta quinta-feira novas imagens de Marte, capturadas pela sonda Tianwen-1, que entrou na órbita do planeta vermelho em Fevereiro, estando prevista a colocação de um veículo robotizado na superfície marciana em maio.

As autoridades divulgaram três fotografias, duas delas pancromáticas, capturadas com uma câmara de alta resolução, e tiradas de uma distância de entre 330 e 350 quilómetros acima da superfície de Marte, informou a cadeia televisiva estatal CCTV.

As imagens mostram a superfície do planeta e a sua morfologia, incluindo pequenas crateras, cristas e dunas.

O diâmetro da maior cratera registada nas imagens é de cerca de 620 metros, acrescentou a agência noticiosa oficial estatal Xinhua.

Uma terceira imagem a cores, também divulgada hoje, foi tirada por uma câmara de média resolução e captura a região do pólo norte do planeta vermelho.

A ANEC divulgou anteriormente dois vídeos, de pouco menos de um minuto cada, feitos quando a Tianwen-1 entrou na órbita de Marte, após seis meses e meio de viagem desde a Terra.

A Tianwen-1, que integra um módulo de pouso e um rover, é a primeira missão de exploração da China a Marte e a primeira a combinar viagem, entrada em órbita e descida numa única missão.

A China pode agora tornar-se o terceiro país a aterrar um rover no solo de Marte, décadas depois de os Estados Unidos e da antiga União Soviética.

O módulo planeia pousar em maio próximo no Utopia Planitia, no hemisfério norte de Marte, e descer um veículo para explorar aquela área durante três meses.

O custo da missão está estimado em cerca de 8000 milhões de dólares (6596 milhões de euros).

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Março 2021 — 13:06


5169: Perseverance envia novas fotos. E é uma estrela das redes sociais

CIÊNCIA/MARTE/PERSEVERANCE

Operação de aterragem do novo rover da NASA no Planeta Vermelho contabilizou 53 tweets por segundo.

Foto do Perseverance pendurado pelos para-quedas momentos antes de tocar o solo marciano.
© EPA/NASA/JPL-Caltech

A chegada do rover Perseverance a Marte foi um êxito científico mas também um enorme sucesso mediático, em particular nas redes sociais.

No Twitter, segundo os dados reunidos esta sexta-feira pela plataforma Visibrain “mais de 1,5 milhões de mensagens foram publicadas” em 24 horas sobre a arriscada operação de aterragem da sonda.

Durante as últimas cinco horas de aproximação ao Planeta Vermelho, houve 53 tweets por segundo sobre o assunto, revelou a Visibrain, citada pela AFP.

Ainda de acordo com a mesma fonte, esta foi a primeira vez que um evento deste género gerou tanto interesse nesta rede social.

Números elevados mas que estão longe de outros tipos de de conteúdos, como a invasão do Congresso americano, a 6 de Janeiro, que gerou mais de 23 milhões de tuítes em 24 horas (uma média de 430 por segundo).

Tal como já vem sendo hábito neste tipo de missões, a NASA criou para o novo habitante robô de Marte a sua própria conta de Twitter.

No momento conta com 1,7 milhões de seguidores. Aqui é possível acompanhar a progressão da missão do Rover.

Destaque para a foto do rover pendurado pelos para-quedas momentos antes de tocar solo marciano.

Também foi divulgada a primeira fotografia em alta resolução e a cores da sonda, com o seguinte comentário: “Um horizonte aberto, com tanto por explorar. Mal posso esperar para arrancar”.

Há ainda a imagem de uma das rodas do rover, junto de rochas cujo tipo é ainda desconhecido. Uma das missões da sonda é descobrir de que género se tratam.

Diário de Notícias Com AFP


5158: NASA. Sonda Perseverance posou com sucesso em Marte

CIÊNCIA/MARTE/PERSEVERANCE/NASA

O novo rover da NASA pousou com sucesso na superfície marciana após uma complicada operação de entrada na atmosfera.

A NASA conseguiu esta quinta-feira pousar mais uma sonda robô na superfície marciana. A sonda Perseverance aterrou às 20.55 no Planeta Vermelho, na cratera de Jezero, e enviou as primeiras imagens, para gáudio dos cientistas em Terra. “Olá, mundo. Este é o primeiro olhar sobre a minha nova casa”, lê-se na conta oficial da missão Perseverance na rede social Twitter.

Veja o vídeo em directo:

A Perseverance leva consigo um drone helicóptero que a NASA vai utilizar para sobrevoar a superfície marciana. Será a primeira vez que um aparelho deste género será utilizado numa missão num planeta que não a Terra.

A aterragem da Perseverance em Marte foi uma operação complicada, apelidada de “sete minutos de terror”. Implica a utilização de retro-foguetes e longos para-quedas para travar a velocidade de reentrada da cápsula que carrega o rover.

Veja a simulação de como tudo aconteceu

Este rover é o quinto a tocar o Planeta Vermelho. O primeiro aconteceu em 1997 e todos foram americanos.

Este é também o maior de todos — tem sensivelmente as dimensões de um SUV, pesa uma tonelada, está equipado com um braço robótico de dois metros, tem 19 câmaras e dois microfones.

Esta é também a primeira vez que uma destas sondas transporta microfones para a superfície marciana, pelo que irá permitir ao Homem ouvir sons de Marte.

O aparelho leva consigo ainda um conjunto de outros instrumentos científicos que permitirão realizar várias experiências, nomeadamente procurar vestígios de vida microbiológica.

Tal como acontece com os seus “primos” já no solo marciano, prevê-se que a missão da Perseverance seja multi-anual, mas não tem fim definido. Durará tanto quanto as circunstâncias — e o equipamento — o permitirem.

Diário de Notícias

Ricardo Simões Ferreira


5140: Serão assim os 7 minutos de Terror da NASA até pousar o rover no solo de Marte

CIÊNCIA/MARTE/PERSEVERANCE

Após uma viagem de quase sete meses, a missão Mars 2020 da NASA, com o rover Perseverance a bordo, aterrará na próxima quinta-feira em Marte. Segundo a NASA, este equipamento da missão que custou já 3 mil milhões de dólares tem como ambicioso objectivo procurar vestígios de vida antiga pela primeira vez. Contudo, até o equipamento tocar no solo, a Perseverance vai ter 7 minutos de puro terror. A NASA explica tudo.

Num vídeo muito ilustrativo, a agência espacial norte-americana mostra o processo que poderá ser um êxito ou… um total e caro fracasso!

A NASA tem previsto para o próximo dia 18 a chegada do rover Perserverance (Perseverança) ao solo marciano. Com a contagem decrescente em curso, a tensão é alta no centro de controlo da agência espacial norte-americana. Engenheiros e investigadores estão a finalizar os detalhes do troço final e a avaliar uma possível correcção da trajectória da nave para escolher o ponto de entrada atmosférico óptimo.

A partir daí, o veículo começará a sua descida e enfrentará os chamados “sete minutos de terror”, o breve, mas vertiginoso, tempo que levará a executar manobras complexas até aterrar no solo.

Descida pelo inferno até ao solo de Marte

A missão foi preparada ao pormenor. Contudo, há centenas de coisas que podem correr mal e a sonda Perseverance terá de as resolver de forma completamente autónoma.

Para termos uma ideia, a equipa que na Terra segue a nave só onze minutos e meio depois de algo acontecer pode tentar resolver. Assim como, se a missão tiver sucesso, a NASA tem de esperar esse tempo até perceber. Aliás, pousar em Marte é um feito e tanto. Apenas 40% das missões enviadas por qualquer agência espacial foram bem sucedidas.

Conforme foi aqui explicado, o local escolhido para o rover pousar (falamos de um veículo do tamanho de um carro e semelhante ao seu antecessor o Curiosity) é a Cratera Jezero. A extensão de 50 quilómetros de diâmetro é de grande valor científico, pois acredita-se que tenha sido coberta por rios e um lago há 3,5 mil milhões de anos.

Portanto, o sítio escolhido tem excelentes condições para serem encontrados vestígios de microrganismos, se é que alguma vez lá viveram. Contudo, Jezero é um presente envenenado para o rover.

É fantástico para a ciência, mas está cheio de perigos: rochas, encostas, penhascos…

Adverte Fernando Abilleira, director-adjunto de operações de voo em Marte 2020.

O inferno da entrada na atmosfera de Marte a 20.000 km/h

É verdade que não é nada de novo para a NASA. De facto, esta é já a sua terceira aterragem em Marte depois da Curiosidade (2012) e da plataforma InSight (2018) que estuda o interior do planeta.

Entraremos na atmosfera a cerca de 20.000 km por hora e em menos de sete minutos o veículo terá de desacelerar para menos de 3 km por hora quando chegar à superfície.

Estamos a falar numa missão de 3 mil milhões de dólares e os responsáveis da agência espacial sabem que o mais pequeno erro pode fazer descarrilar a missão logo desde o início. Conforme é referido, tudo tem de funcionar exactamente como planeado. Por exemplo, o veículo tem mais de 70 cargas pirotécnicas que são utilizadas para implantar ou ejectar dispositivos. Se um deles não funcionar, a descida não será finalizada.

Para-quedas, uma grua e retro-foguetes

A sequência é medida ao milímetro. Cerca de 80 segundos após a entrada na atmosfera, a temperatura exterior atingirá 1.300 °C, mas o rover resistirá graças ao seu escudo térmico protector. À medida que desce, disparará pequenos propulsores para evitar que se desviem da rota.

Então, o escudo térmico abrandará a nave espacial para menos de 1.600 km por hora. Nesse momento, 240 segundos após a entrada, a uma altitude de 11 km e a uma velocidade de 1.512 km por hora, um para-quedas supersónico de mais de 21 metros de diâmetro será aberto. Para tal, o rover Perseverance empregará uma nova tecnologia (Range Trigger) que calcula a distância até ao alvo de pouso em vez da velocidade de navegação, como foi feito com a Curiosity. Esta tecnologia reduzirá os erros de aterragem em mais de 50%.

Vinte segundos depois, o escudo térmico irá separar-se e cair. O rover será exposto à atmosfera de Marte pela primeira vez. À medida que o seu radar de aterragem emite sinais para fora da superfície para calcular a sua altitude, uma outra nova tecnologia, a navegação por terreno, será activada.

Este sistema utiliza câmaras que irão captar imagens da superfície. O rover irá compará-los a um mapa de bordo para determinar exactamente onde se encontra durante a descida e manobrar com total autonomia para um local seguro para aterrar.

Explicou Fernando Abilleira.

Neste momento, o rover cairá para 320 km por hora e terá de se libertar do para-quedas e percorrer o resto do caminho utilizando foguetes de diferentes etapas. Quando atingir cerca de 2,7 km por hora, 12 segundos após tocar no solo e a uma altura de cerca de 20 metros, será iniciada uma manobra de “grua aérea”, em que o rover será suspenso por cabos de 6,4 metros de comprimento. Entretanto, irá montar as suas pernas e rodas para a posição de aterragem.

Tocar no solo e iniciar uma nova etapa no Planeta Vermelho

Assim que o rover detectar que as suas rodas tocaram no solo, cortará os cabos que o ligam à fase de descida, que serão libertados para cair a uma distância segura.

As equipas no terreno receberão o sinal tranquilizador de que tudo correu bem com onze minutos de atraso. Uma série de parâmetros confirmará o sucesso e uma imagem de baixa resolução seguir-se-á pouco depois. Os sons também serão gravados.

A máquina Perseverance tornar-se-á então o quinto rover da NASA a andar em Marte. Com sete magníficos instrumentos científicos, irá procurar vestígios de vida microbiana antiga e recolher amostras de rochas para serem trazidas de volta à Terra em missões futuras. Além disso, o seu trabalho preparará o caminho para a humanidade explorar outros mundos para além da Lua.

Iremos poder acompanhar tudo numa transmissão da NASA sobre o que se está a passar em Marte:

 

NASA vai levar um drone voador autónomo a Marte para fazer história

A NASA está bastante mais à frente de qualquer outra agência espacial no que toca à exploração de Marte. Nesse sentido, esta já percebeu como colocar no solo do planeta vermelho os seus rovers … Continue a ler

Autor: Vítor M.
15 Fev 2021


5133: Sonda Al Amal: Emirados Árabes Unidos partilham foto de Marte

CIÊNCIA/MARTE/SONDAS

Apesar de todos os problemas no Planeta Terra, existem neste momento três missões a Marte. As missões são da China, Estados Unidos e, pela primeira vez, Emirados Árabes Unidos. As três missões tiveram início em Julho de 2020, quando a distância entre a Terra e Marte era relativamente curta.

Neste domingo os Emirados Árabes Unidos divulgam a primeira foto de Marte capturada pela sonda Al Amal.

Sonda Al Amal deve começar a transmitir informação em Setembro…

Al Amal (Hope em inglês), Tianwen-1 e Perseverance são as sondas em operação para a descoberta de Marte. A Amal (que significa esperança em árabe) é dos Emirados Árabes Unidos, a Tianwen-1 é a sonda chinesa e a Perseverance é a sonda dos Estados Unidos.

A sonda Tianwen-1  já tinha enviado uma foto da Marte para Terra e agora foi a vez da sonda Al Amal. A foto foi partilhada no Twitter por Mohammed ben Rached al-Maktoum, emir do Dubai e primeiro-ministro do país.

A transmissão da primeira imagem de Marte da sonda Al Amal é um momento decisivo na nossa história e marca a união dos Emirados Árabes Unidos com nações avançadas envolvidas na exploração espacial. Esperamos que esta missão leve a novas descobertas sobre Marte que beneficiem a humanidade.

Mensagem traduzida do tweet

De acordo com os especialistas, através da foto é possível ver o vulcão Olympus Mons, o maior do sistema solar. Podem ainda ver-se três vulcões do Tharsis Monte situados mais à direita, na zona do planeta onde existe mais luz.

Segundo a agência de notícias francesa AFP, a imagem foi conseguida na quarta-feira, um dia depois de os Emirados conseguirem colocar a sonda “Al Amal”, na órbita de Marte.

Aquela sonda foi concebida para fornecer uma imagem completa da dinâmica meteorológica do planeta Marte, “mas é acima de tudo um passo para um objectivo muito mais ambicioso: a criação de uma colónia humana em Marte dentro de 100 anos”.

As previsões apontam para que a sonda dos Emirados comece a transmitir informação em Setembro, dados que estarão disponíveis para os cientistas de todo o mundo.

Hope: A sonda dos Emirados Árabes Unidos que será enviada a Marte

Não há volta a dar, Marte está efectivamente na mira dos países e das agências espaciais e é lá que todos querem ir. Depois dos Estados Unidos, Rússia, Europa, entre outros, apontarem tecnologia para … Continue a ler

Autor: Pedro Pinto
15 Fev 2021


Sonda ‘Esperança’ manda a sua primeira imagem de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

A sonda dos Emirados Árabes Unidos enviou a sua primeira imagem de Marte, alguns dias depois de entrar com sucesso na órbita do planeta vermelho, anunciou a agência espacial daquele país este domingo.

A sonda “Esperança” dos Emirados Árabes Unidos enviou sua primeira imagem de Marte

“A Missão Marte dos Emirados Árabes Unidos captou a imagem do maior vulcão do sistema solar, Olympus Mons, emergindo à luz do sol na primeira hora da manhã”, disse em comunicado a agência espacial.

A imagem foi captada a uma altitude de 24700 km sobre a superfície marciana na quarta-feira passada, um dia depois da sonda se ter instalado na órbita de Marte.

O xeque Mohamed bin Rashid Al-Maktum, primeiro-ministro emirati e governador do Dubai, partilhou a imagem a cores num tuíte.

“Primeira imagem de Marte captada pela primeira sonda árabe da história”, escreveu junto à foto.
Esta missão foi projectada para descobrir os segredos do clima marciano, mas os Emirados também querem que sirva de inspiração para a juventude da região.

“Esperança” tornou-se a primeira das três naves espaciais a chegar ao planeta vermelho, depois de a China e os Estados Unidos terem lançado missões em Julho, aproveitando um momento durante o qual a Terra e Marte estão mais perto.

A missão emirati também tem como objectivo comemorar o 50.º aniversário da unificação dos sete emirados que compõem a nação.

“Esperança” permanecerá na órbita do planeta vermelho pelo menos por um ano marciano, ou seja, 687 dias terrestres, implantando três instrumentos científicos para analisar a atmosfera marciana. Está previsto começar a enviar mais informação para a Terra em Setembro de 2021, com os dados disponíveis para cientistas de todo o mundo.

Diário de Notícias
AFP
14 Fevereiro 2021 — 12:29


5104: Sonda da NASA encontrou uma substância misteriosa numa lua de Saturno (e já se sabe o que é)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Space Science Institute / JPL / NASA

Quando a sonda espacial Cassini da NASA passou pela segunda maior lua de Saturno antes do fim da sua missão em 2017, avistou um estranho complexo. Agora, uma equipa de cientistas pode ter desvendado o mistério.

Entre 2004 e 2017, a sonda Cassini estudou Saturno e as suas luas, proporcionando descobertas sem precedentes sobre o sistema deste gigante gasoso. Ao sobrevoar a lua Reia para analisar a sua composição, a sonda descobriu uma substância misteriosa na sua superfície.

Enquanto a Cassini passava pelas luas de Saturno, examinou a luz do sol a reflectir nas suas superfícies para determinar de que eram feitas. Em Reia, assim como em várias outras luas, algo na superfície absorveu uma parte dessa luz na faixa ultravioleta do espectro.

“Percebemos que havia uma queda no espectro e perguntámo-nos o que era, mas especulamos que poderia ser algum tipo de gelo de água”, disse Amanda Hendrix, do Planetary Science Institute, em declarações ao NewScientist. “Ficámos intrigados com o que era durante muito tempo.”

Agora, a equipa de investigadores que analisou os dados da missão Cassini acredita ter desvendado este mistério da lua Reia. Em laboratório, os cientistas observaram a forma como a luz reflectia em vários compostos e descobriram dois que pareciam coincidir com o que a Cassini viu: hidrazina e cloro.

Embora qualquer um deles possa ser compatível com as observações da Cassini, é difícil encontrar uma forma de o cloro ser produzido na superfície de Reia. Assim, a equipa  suspeita que a substância seja hidrazina, um composto usado como combustível para foguetes.

A hidrazina pode ser produzida em reacções entre produtos químicos que se sabe que existem na lua gelada. Além disso, também pode flutuar da atmosfera da lua vizinha, Titã.

Mesmo que a Cassini usasse hidrazina como combustível, os seus propulsores nunca foram disparados perto de Reia, por isso os investigadores estão confiantes de que não veio da sonda.

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“Esta é uma possível explicação para o recurso em Reia, mas ainda temos trabalho a fazer para descobrir por que ocorre em outras luas”, explicou Hendrix. “Esta é uma pista para algum processo que está a acontecer em todo o sistema de Saturno e provavelmente noutros lugares também.”

Lançada em Outubro de 1997 pela NASA, a missão Cassini-Hyugens contou com duas sondas para investigar Saturno e as suas luas. Enquanto a sonda Hyugens seguiu viagem para Titã, a Cassini alcançou a órbita de Saturno em 2004, proporcionando informações e imagens do gigante e dos seus anéis.

Apesar de ter duração estimada de quatro anos, a Cassini tinha combustível suficiente para continuar em acção até 2017, quando mergulhou na atmosfera de Saturno e encerrou as suas actividades.

Este estudo foi publicado em Janeiro na revista científica Science Advances.

Por Maria Campos
11 Fevereiro, 2021


5101: Why Mars is having its busiest two weeks in 47 years

SCIENCE/SPACE/MARS

Mars and Earth lined up neatly last summer, and three separate space agencies seized their opportunity.

Left: An illustration shows the United Arab Emirates orbiter “Hope.” Center: An illustration shows the skycrane lowering NASA’s rover Perserverance to the Martian surface. Right: A still shows a Chinese Long March 5 rocket hefting Tianwen-1 into space.
(Image: © United Arab Emirates, NASA/JPL, China News Service)

It’s a busy February for Mars, with three probes from three separate countries arriving at the Red Planet over the course of just nine days. But this Martian party didn’t happen by coincidence — it has to do with the mechanics of both Earth and Mars’  orbits.

The United Arab Emirates’ first interplanetary mission, the Hope probe, achieved Mars orbit Tuesday (Feb. 9), as Live Science sister site Space.com reported. China’s first interplanetary mission, Tianwen-1, is scheduled to enter its own Martian orbit Wednesday (Feb. 10). The Chinese probe includes both an orbiter and a lander with a rover onboard, which is expected to try to land on the surface in May. And on Feb. 18, NASA’s first-of-its-kind descent vehicle will reach Mars and plunge directly through its atmosphere. If all goes according to plan, the vehicle will shed its outer shell and use rockets to stop its descent at the last moment. Then it will hover above the surface to lower the rhinoceros-sized, nuclear-powered, $2.7 billion Perseverance rover to the dirt via skycrane.

All these robots showing up at almost the exact same time is no coincidence, said Jonathan McDowell, a Harvard University astrophysicist and spaceflight expert.

Mars and Earth are like “runners on a circular racetrack,” he said. “And the really fast runner [Earth] regularly laps the runner just on the outside [Mars]. So sometimes they’re right next to each other, and sometimes they’re on opposite sides of the track.” This Earth-Mars cycle, meaning Earth completely laps Mars, takes about two years to complete.

It would take an enormous rocket, tons of fuel and much more time to reach Mars from Earth while the planets are far away from each other, McDowell told Live Science. But launching while the planets are at their absolute closest — when they are 38.6 million miles (62.1 million kilometers) apart on average —  isn’t the most efficient way to get to Mars either.

There’s an earlier point in the planets’ two-year cycle where the journey takes less time and requires less fuel. At that point, which occurs once during the two-year cycle, Earth is a bit behind Mars but continues to move faster than its neighbor. This positioning allows the spacecraft to enter a so-called “Hohmann transfer orbit,” named after German engineer Walter Hohmann, who worked out the underlying mathematics in 1925.

An animation shows the path NASA’s InSight lander took from Earth to Mars, an example of a Hohmann transfer orbit. (Image credit: Phoenix7777 – Own work Data source: HORIZONS System, JPL, NASA/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/))

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Here’s how that works:

No rocket carries enough fuel to burn all the way between Earth and Mars, a distance that ranges between tens and hundreds of millions of miles.

That means any interplanetary adventure begins with a brief, intense period of acceleration, followed by a long stretch of coasting. The job of the rocket engines during that initial period of acceleration is to put the spacecraft into an orbit around the sun that will intersect with Mars as soon as possible. The most efficient path between the planets is therefore the solar orbit intersecting with Mars that can be reached with the least expenditure of fuel, and that orbit becomes available once every two years.

But space agencies don’t have to nail that day exactly. As long as they launch during a window of a couple weeks around the date,they can place their spacecraft on Hohmann transfer orbits. Tarry longer than a couple weeks, however, and the trip starts getting much more difficult very quickly.

The Hope orbiter launched July 19, 2020, Tianwen-1 on July 23 and Perseverance on July 30. The gaps between the spacecrafts’ arrivals don’t exactly line up with their launch dates due to minor differences in their rocket technology, trajectories through space and destinations, McDowell said. (It takes a different angle of approach, for example, to plunge directly into the planet’s atmosphere than it does to enter a high orbit as Hope has done.)

It’s not the first time Martian orbital space has been this crowded, McDowell pointed out. The Soviet Union launched four spacecraft to Mars in 1973, though one failed to attain orbit and none of the other three worked as intended upon arrival. Two Soviet spacecraft and one American spacecraft launched to Mars in 1971, and all had at least partially successful missions. (Both nations planned additional probes that year, but the American Mariner 8 probe failed during launch and the Soviet Kosmos 419 never escaped low-Earth orbit.)

Related: Here’s every spaceship that’s ever carried an astronaut into orbit

What’s different this year, McDowell said, is the sheer diversity of spacecraft reaching Mars, and the fact that several additional probes are already active around the planet. NASA has three orbiters active in Martian orbit, the European Space Agency (ESA) has one of its own and one orbiter that’s a joint project with the Russian Roscosmos, and the Indian Space Research Organization has an active orbiter as well. NASA’s Curiosity rover and InSight lander are also still active on the Martian surface.

Despite that relatively crowded situation, McDowell said he doubts any of the probes will even come within tens of thousands of miles of each other, even if none of the countries had checked their trajectories with each other in advance.

“Space is big,” he said.

Originally published on Live Science.
By Rafi Letzter – Staff Writer
10/02/2021


5068: Sonda chinesa envia a sua primeira foto de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Lançada no final de Julho, a sonda vai começar a desaceleração por volta de 10 de Fevereiro, para entrar em órbita antes de pousar no planeta vermelho em Maio.

Marte fotografado pela Tianwen 1.
© China National Space Administration / AFP

A sonda espacial chinesa Tianwen-1, que vai a caminho de Marte, enviou nesta sexta-feira a sua primeira imagem do planeta vermelho, informou a agência espacial nacional (CNSA).

Lançada no final de Julho pela China, a sonda “está estável e deve desacelerar por volta de 10 de Fevereiro, entrar em órbita e pousar na planície Utopia, no hemisfério norte de Marte, em Maio”.

“O local de pouso fica na encruzilhada de vários oceanos antigos”, explicou. “Os cientistas acreditam que este local tem grande valor científico e é provável que alcance resultados inesperados“, descreveu.

A primeira foto recebida na Terra do planeta vermelho parece mostrar um conjunto gasoso e o que parecem ser crateras.

Marte fotografado pela Tianwen 1.
© China National Space Administration / AFP

A imagem a preto e branco foi tirada a cerca de 2,2 milhões de quilómetros de Marte, de acordo com a agência espacial chinesa e mostra Valles Marineris (vales próximos do equador do planeta vermelho), Schiaparelli (uma vasta cratera) e a planície de Acidalia Planitia, especifica a CNSA.

Tianwen-1 é composta por três elementos: um orbitador (que irá orbitar em torno do planeta), um módulo de pouso e um robot de controlo remoto com rodas (encarregado de analisar o solo).

O director de ciência e tecnologia da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, Bao Weimin, disse que a desaceleração vai ser crucial para o sucesso da missão porque, se falhar, tornar-se-á uma “nave perdida” no sistema solar.

“Durante a operação, os sistemas de orientação, navegação e controlo desempenharão os papéis principais, pois serão responsáveis por calcular e ajustar cada manobra”, apontou Bao.

A nave já realizou três correcções de meio curso e uma manobra orbital no espaço profundo, de acordo com o jornal oficial Diário do Povo.

A agência espacial do país asiático tem pelo menos outras três missões deste tipo programadas: a exploração de asteróides, por volta de 2024; outra missão a Marte para recolher amostras, em 2030; e outra missão de exploração, no mesmo ano, a Júpiter.

Nos últimos anos, Pequim investiu intensamente no seu programa espacial e, em Janeiro de 2019, a sonda lunar Chang’e 4 pousou no lado oculto da Lua, não visível da Terra, um marco nunca alcançado na história da exploração espacial.

Diário de Notícias
DN/AFP/Lusa
05 Fevereiro 2021 — 17:25


5009: Ao longo da última década, a “cratera feliz” de Marte mudou (e cresceu)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL / University of Arizona

Marte parece ter motivos para sorrir. A “cratera feliz” (Happy Face), perto do pólo sul do Planeta Vermelho, ficou visivelmente maior na última década.

A “cratera feliz” nasceu após um impacto de um meteorito na superfície do Planeta Vermelho e localiza-se na região do Pólo Sul marciano. Durante a última década, este lugar gelado tem aumentado de tamanho.

A sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA, que tem estado a voar a grande altitude sobre Marte desde 2006, registou, pela primeira vez, a “cratera feliz” em 2011, graças à sua potente câmara de alta resolução HiRISE.

Recentemente, uma equipa de cientistas comparou essa imagem com outra do mesmo lugar, mas tirada no dia 13 de Dezembro de 2020. De acordo com o Daily Mail, a diferença está na quantidade de gelo que cobre o solo da cratera.

“As características manchas na calota polar surgem porque o Sol sublima o dióxido de carbono nestes padrões redondos. É possível ver como os nove anos desta erosão térmica tornaram a ‘boca’ do rosto maior“, escreveu, em comunicado, Ross Beyer, membro da equipe do MRO.

O sorriso crescente é causado pela erosão térmica, à medida que o dióxido de carbono evapora e expõe mais solo. A sublimação acontece quando um material sólido se transforma em gás, sem passar pelo estado líquido.

Além do sorriso, o “nariz” também cresceu: de dois pequenos pontos para uma grande depressão, como se tivesse sido alvo de uma cirurgia plástica.

No entanto, estudar esta “cratera feliz” é mais do que apenas uma diversão.

Segundo Beyer, medir estas alterações ao longo do ano marciano “ajuda os cientistas a entender a deposição anual e a remoção da geada polar”. “Monitorizar estes locais por longos períodos de tempo ajuda-nos a entender as tendências climáticas de longo prazo no Planeta Vermelho.”

As características faciais que vemos nas figuras representam, na verdade, diferentes elevações e densidades de gelo na superfície.

Por Liliana Malainho
27 Janeiro, 2021


4962: Quão escuro é o Universo? Mais do que pensávamos, apurou a New Horizons

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA
A sonda New Horizons

Novas medições levadas a cabo pela sonda espacial não tripulada da NASA New Horizons mostram que o Universo não é tão escuro como pensávamos.

A escuridão do Universo é um fenómeno conhecido e estudado, sendo especialmente notório quando nos afastamos das luzes das grandes cidades e, ao olharmos para cima, observamos um céu que parece ainda mais escuro entre as estrelas.

Acima da atmosfera, o Espaço sideral é ainda mais escuro, não sendo, contudo, totalmente negro, uma vez que espelha um brilho fraco de algumas estrelas e galáxias distantes.

As novas medições da sonda da agência espacial norte-americana mostram que estas estrelas e galáxias não são tão abundantes como alguns cientistas teorizaram até então e, por isso, o Universo não é tão escuro como pensávamos.

De acordo com o novo, cujos resultados foram aceites para publicação na revista Astrophysical Journal, carecendo ainda de revisão de pares, o Universo tem “apenas” centenas de mil milhões de galáxias, em vez dos dois biliões de galáxias relatadas anteriormente, a partir da extrapolação de dados do telescópio espacial Hubble (NASA).

“É um número importante para se saber: quantas galáxias existem? Simplesmente, não vemos a luz de dois biliões de galáxias”, disse Marc Postman do Space Telescope Science Institute em Baltimore, Maryland, citado em comunicado.

Tod Lauer, autor principal do estudo, acrescentou: “Pegue em todas as galáxias que o Hubble pode ver, duplique esse número e é isso que vemos – mas nada mais”.

Para chegar a esta revisão do número de galáxias, a equipa de cientistas analisou imagens de arquivo da New Horizons, corrigindo algumas variáveis, como a luz oriunda das estrelas da Via Láctea que estão a reflectir a poeira interestelar. Estes corpos deixaram um brilho de fundo extremamente fraco, mas ainda mensurável.

Então, de onde vem a luz residual do Cosmos?

Os cientistas acreditam que a luz residual do Cosmos pode surgir de galáxias anãs muito difusas e relativamente próximas ou de galáxias muito mais fracas em distâncias mais longas.

As estrelas intergalácticas, também conhecidas como estrelas “rebeldes” por não pertencerem a qualquer galáxia, pode também ser as culpadas ou talvez os halos das galáxias sejam mais brilhantes do que imaginámos.

O telescópio James Webb, cujo lançamento está previsto para Outubro, poderá fazer observações importantes para determinar com precisão quão escuro é o Cosmos.

Por Sara Silva Alves
18 Janeiro, 2021


4947: NASA pode ter detectado um sinal de rádio vindo de Ganimedes, a maior lua de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Tsunehiko Kato / 4D2U Project / NAOJ

A sonda espacial Juno fez uma descoberta emocionante na órbita de Júpiter, de acordo com um embaixador da NASA. A pequena nave espacial terá detectado um sinal de rádio FM vindo da maior lua de Júpiter, Ganimedes.

De acordo com a Futurism, o sinal terá sido provavelmente causado por electrões a oscilar a uma taxa mais pequena do que a sua rotação, amplificando consideravelmente as ondas de rádio. O processo, conhecido como instabilidade do maser do ciclotrão (CMI), também está por trás das auroras em Júpiter, que Juno observou em 2017.

Juno só conseguiu, no entanto, detectar a emissão de rádio durante cinco segundos, enquanto orbitava Júpiter a 50 quilómetros por segundo.

Segundo Patrick Wiggins, um dos embaixadores da NASA no estado norte-americano do Utah, é quase certo de que seja um sinal natural. “Não é um extraterrestre”, disse Wiggins, em declarações à estação de notícias local KTVX. “É mais uma função natural.”

Assim, a descoberta não foi um choque, especialmente considerando que o sinal de rádio foi detectado perto das regiões polares de Júpiter, onde as linhas do campo magnético se ligam a Ganimedes.

Esta “emissão de rádio decamétrica” proveniente de Júpiter já é conhecida desde 1960. Na Terra, esses sinais coincidem aproximadamente com os sinais de Wi-Fi que usamos para navegar na web, de acordo com o ABC4.

A notícia, contudo, permanece envolta em mistério. Nenhum outro meio de comunicação parece ter confirmado os comentários de Wiggins e não parece haver nenhum artigo científico ou comunicado de imprensa que corresponda às suas afirmações.

Ganimedes é a maior lua das quatro luas de Júpiter, seguida por Io, Europa e Calisto. Com mais de 5 mil quilómetros de diâmetro, é maior que Mercúrio.

De certa forma, a lua é bastante semelhante à Terra, uma vez que tem, por exemplo, um campo magnético próprio muito activo. No entanto, o mais interessante sobre Ganimedes está dentro dela: pode ter um imenso mar de água salgada subterrânea – maior que todos os oceanos da Terra juntos.

Na superfície, este satélite é feito de silicatos e gelo, em quantidades aproximadamente iguais.

Por Maria Campos
14 Janeiro, 2021


4868: Quase a chegar a Marte. Há 7 minutos de terror à espera do Perseverance

CIÊNCIA/MARTE/PERSEVERANCE

O robô Perseverance está a aproximar-se de seu destino final, o planeta Marte, ao qual se prevê que chegue a 18 de Fevereiro de 2021. À espera do rover da NASA, sete minutos de terror.

Numa animação que a agência espacial norte-americana NASA acaba de distribuir, podemos ver o que serão os “sete minutos de terror” do Perseverance — tempo que vai durar a manobra de pouso do rover, após a chegada a Marte da nave que o leva ao Planeta Vermelho.

Neste período de tempo, o Perseverance passará de uma velocidade de 19.500 km/h, na parte superior da atmosfera marciana, para cerca de 3 km/h na altura do pouso, que ocorrerá na área conhecida como Cratera de Jezero.

Uma vez em Marte, explica a BBC, o rover irá procurar sinais de vida microbiana durante pelo menos um ano marciano, cerca de 687 dias terrestres. Para isso, irá recolher amostras de rochas e solo, armazená-las em tubos e deixá-las na superfície do planeta para uma futura transferência para a Terra.

O robô vai também estudar a geologia do planeta vermelho e testar formas de os astronautas em futuras missões poderem produzir oxigénio a partir do CO2 da atmosfera, que possa ser usado para respirar e como combustível.

Sete minutos de terror

A sequência de complicadas manobras que antecedem o pouso do Perseverance no Planeta Vermelho já foi descrita por muitos especialistas como “sete minutos de terror”. O robô, que partiu da Terra em Julho de 2020, viajará encapsulado numa “caixa” com duas partes: um escudo cinético posterior e um escudo térmico frontal.

À medida que a nave espacial atravessa a atmosfera marciana, este escudo térmico terá que resistir a temperaturas de até 2.100°C. Quando estiver a cerca de 11 km do solo, a nave lançará um para-quedas, que reduzirá a velocidade do veículo de 2.099 km/h para cerca 320 km/h.

Seguidamente, o escudo térmico separar-se-á da parte de trás da nave, e durante um curto período de tempo o robô estará em queda livre para o solo.

Serão então accionados os oito retro-foguetes que uma “sky crane” (“grua celeste”), manobra que permitira que o Perseverance desça lentamente em direcção ao solo marciana, suspenso por três cordas de nylon e um “cordão umbilical”. Quando as rodas do Perseverance tocarem no solo, o rover solta-se destas amarras.

Esta é a primeira missão da NASA a pesquisar explicitamente “assinaturas biológicas”, ou sinais biológicos de vida, desde o projecto Viking nos anos 1970. Mas o Perseverance será o quinto rover da NASA a pousar em Marte.

Antes do Perseverance, a agência espacial norte-americana fez chegar ao Planeta Vermelho cinco sondas exploradoras robóticas. As duas primeiras, as gémeas Spirit e Opportunity, chegaram a Marte a 3 e 24 de Janeiro de 2004. A Opportunity manteve-se em operação durante 14 anos, até ser atingida e danificada por uma tempestade de poeira em 2018.

Actualmente, a NASA mantém em Marte os rovers Curiosity, que pousou em Agosto de 2012 em Aeolis Palus, na cratera Gale, e InSight, que chegou ao Planeta Vermelho em Novembro de 2018.

ZAP // BBC

Por ZAP
26 Dezembro, 2020


4820: Cientistas ficaram “sem palavras” com as amostras recolhidas do asteróide Ryugu

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Akademy / Flickr
Asteróide Ryugu numa imagem capturada pela nave espacial japonesa Hayabusa2

Cientistas da agência espacial japonesa Jaxa revelaram ao jornal britânico The Guardian que ficaram surpresos ao ver a quantidade de poeira que a sonda espacial Hayabusa-2 recolheu do asteróide Ryugu.

Depois de uma missão de seis anos, a sonda espacial japonesa Hayabusa-2 recolheu, em 2019, poeira da superfície do asteróide Ryugu, a uma distância de 300 mil quilómetros.

Agora, neste mês de Dezembro, as amostras do corpo rochoso chegaram à Terra através de uma cápsula que “rompeu” a atmosfera da Terra e aterrou no deserto a sul da Austrália antes de ser transportada para o Japão.

Os cientistas, que tiveram acesso às amostras na passada terça-feira, confessaram que ficaram surpreendidos com a quantidade e qualidade das amostras recolhidas.

Quando realmente abrimos [a cápsula], fiquei sem palavras. Foi mais do que esperávamos e eram tantas coisas que fiquei realmente impressionado (…) Não eram apenas partículas finas como pó, mas havia também muitas amostras com vários milímetros de diâmetro”, disse ao mesmo jornal Hirotaka Sawada, cientista da Jaxa.

Os cientistas esperam que as amostras recolhidas lhes permitam investigar e melhor entender a origem do Sistema Solar. A sonda Hayabusa2 prosseguiu a sua viagem, rumo a outro asteróide, baptizado de 1998KY26.

Sara Silva Alves, ZAP //

Por Sara Silva Alves
16 Dezembro, 2020


4765: China torna-se o segundo país a colocar uma bandeira na lua

ESPAÇO/LUA/CHINA

Mais de 50 anos depois de Buzz Aldrin e Neil Armstrong terem fixado uma bandeira dos EUA no solo lunar, a China aproveitou a missão da sonda Chang’e-5 para se tornar no segundo país com uma bandeira na Lua

A bandeira deixada pela sonda chinesa em solo lunar
© CNSA

Fotos divulgadas da Administração Espacial Nacional chinesa mostram a bandeira vermelha com cinco estrelas douradas fixada na superfície lunar.

As imagens foram registadas por uma câmara da sonda espacial Chang’e-5, antes de deixar a Lua com amostras de rochas lunares, na quinta-feira (3).

Duas missões lunares chinesas anteriores tinham já levado bandeiras nas suas viagens, mas apenas no revestimento das naves, sem que nenhuma delas pudesse, portanto, ser afixada na Lua.

A primeira bandeira colocada na superfície lunar reporta à histórica missão tripulada norte-americana Apollo 11, em 1969, quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin deram esse “pequeno passo para o homem, mas um gigante salto para a humanidade”, tornando-se os primeiros homens a pisar a Lua.

Então, a missão norte-americana hasteou a Stars and Stripes (Estrelas e Riscas) – como é conhecida a bandeira dos EUA – na superfície lunar, numa imagem que se tornou icónica da exploração espacial.

Bandeira “pioneira” essa que foi cosida pela portuguesa Maria Isilda Ribeiro, que vivia em Nova Jérsia e ajudou a costurar a bandeira norte-americana que se acredita ter sido deixada na Lua, há quase 50 anos. “A minha chefe disse-me para findar a bandeira, que eles queriam levá-la à lua”, contou ao DN, em Julho do ano passado.

Desde então, outras cinco bandeiras dos Estados Unidos foram plantadas na superfície lunar em missões subsequentes até 1972.

Em 2012, a NASA citou imagens de satélite para garantir que cinco das bandeiras ainda estavam de pé, embora vários especialistas acreditem que elas tenham já perdido as cores devido ao brilho do sol.

A bandeira original (a que a portuguesa Maria Isilda ajudou a coser) foi, segundo o astronauta Buzz Aldrin, colocada muito perto da nave Apollo e, de acordo com Aldrin, terá provavelmente incendiado quando a nave descolou.

Buzz Aldrin junto à primeira bandeira norte-americana colocada na Lua, em 1969
© NASA

Sonda foi recolher amostras do solo lunar

O jornal estatal Global Times descreveu que este ato de hastear a bandeira chinesa na superfície lunar permitia reviver a “emoção e inspiração” sentidas durante as missões Apollo dos EUA.

A bandeira de tecido foi desfraldada pela sonda Chang’e-5, que recolheu amostras de solo e rocha para trazer para Terra pela primeira vez desde a missão de uma sonda soviética à Lua, na década de 1970.

A sonda chinesa deve regressar à região da Mongólia Interior, no norte da China, no final deste mês.

Na terça-feira, a sonda pousou com sucesso na área ao norte de Mons Rümker, no Oceanus Procellarum, uma área não visitada até agora por astronautas ou missões espaciais não tripuladas.

Quanto à bandeira chinesa agora deixada na Lua, tem 2 metros de largura e 90 centímetros de altura e pesa cerca de um quilo. Todas as partes da bandeira foram concebidas de modo a resistirem a muito baixas temperaturas, disse o líder do projecto, Li Yunfeng, ao Global Times.

“Uma bandeira nacional comum na Terra não sobreviveria ao severo ambiente lunar”, disse o um outro responsável chinês pelo projecto, Cheng Chang.

A missão Chang’e-5 é a terceira alunagem bem-sucedida da China em sete anos.

Diário de Notícias
DN
04 Dezembro 2020 — 17:55


4749: Objecto misterioso em órbita da Terra enganou cientistas

CIÊNCIA/ESPAÇO

Um objecto misterioso que está a orbitar a Terra desde há algum tempo é um foguete velho de 54 anos e não um asteroide, confirmaram na quarta-feira astrónomos e peritos norte-americanos.

© NASA

Um laboratório da agência espacial norte-americana (NASA, na sigla em Inglês), instalado em Pasadena, na Califórnia, adiantou que observações feitas por um telescópio no Havai permitiram obter a identidade do objecto.

O objecto tinha sido classificado como um asteróide depois da sua descoberta, em Setembro.

Mas o principal perito da NASA em asteróides, Paul Chodas, suspeitou desde logo que era a parte de cima do foguete Centauro, que visava colocar a sonda Surveyor 2 na Lua, uma missão falhada de aterragem, datada de 1966.

As estimativas do seu tamanho colocavam-no nas dimensões do velho Centauro, que tinha 10 metros de altura e três metros de diâmetro.

Chodas acabou por ver a suspeita confirmada, depois de uma equipa, liderada por Vishnu Reddy, da Universidade do Arizona, ter usado um telescópio com infravermelhos, no Havai, para observar, não apenas o objecto misterioso, mas um Centauro, de 1971, que continua a orbitar a Terra. A informação das imagens combinou.

“As notícias de hoje são super gratificantes!”, declarou Chodas, através de correio electrónico.

O objecto, designado como 2020 SO, entrou na órbita da Terra em Novembro e o mais próximo que esteve do planeta foram 50.476 quilómetros.

Em Março, vai regressar à sua antiga órbita, em torno do Sol, devendo regressar às proximidades da Terra em 2036.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Dezembro 2020 — 11:01


4747: Sonda espacial chinesa conclui recolha de amostras da superfície lunar

CIÊNCIA/CHINA/SONDAS

A sonda chinesa Chang’e 5 concluiu a recolha e armazenamento de rochas e detritos da superfície lunar, e prepara-se para voltar à Terra, informou esta quinta-feira a Administração Espacial Nacional da China.

“Às 22:00 de 02 de Dezembro (14:00, em Lisboa), após 19 horas a operar na superfície lunar, a Chang’e 5 concluiu com sucesso a recolha de amostras, que foram já embaladas e armazenadas, conforme planeado”, avançou o organismo, num comunicado difundido ‘online’.

As amostras foram recolhidas na superfície da Lua, com recurso a um braço robótico, e no subsolo, com uma broca que perfurou dois metros, para obter amostras variadas que podem datar de períodos muito diferentes.

O material recolhido foi armazenado num recipiente lacrado a vácuo para “garantir que não é afectado por condições externas” durante o regresso à Terra, lê-se no comunicado.

Espera-se que a Chang’e 5 volte à Terra nas próximas horas. A sonda deve pousar na região da Mongólia Interior, no norte da China, no final deste mês.

Esta terça-feira, a sonda pousou com sucesso na área ao norte de Mons Rümker, no Oceanus Procellarum, uma área não visitada até agora por astronautas ou missões espaciais não tripuladas.

Embora a principal tarefa seja recolher amostras, a sonda também está equipada para fotografar amplamente a área ao redor do local de pouso, mapear as condições abaixo da superfície, com um radar de penetração do solo, e analisar o solo lunar em busca de minerais.

Trata-se do mais recente empreendimento do programa espacial chinês, que enviou o seu primeiro astronauta ao espaço em 2003 e que tem uma nave a caminho de Marte. O programa visa, eventualmente, colocar um humano na Lua.

Caso tenha sucesso, será a primeira vez que cientistas obtêm novas amostras de rochas lunares desde que uma sonda soviética aterrou na Lua, na década de 1970.

A Chang’e 5 foi lançada, em 24 de Novembro, pelo foguete Longa Marcha-5, que já lançou, em 23 de Julho, a primeira missão da China a Marte, a Tianwen-1, cuja chegada ao planeta vermelho está prevista para maio.

A Chang’e 5 é a terceira sonda que pousa com sucesso na Lua. A predecessora, Chang’e 4, foi a primeira sonda a pousar no lado da Lua não visível a partir da Terra.

O programa espacial da China avançou com mais cautela do que a corrida espacial EUA – União Soviética, da década de 1960, que ficou marcada por fatalidades e falhas de lançamento.

Em 2003, a China tornou-se o terceiro país a enviar um astronauta para o espaço, depois da União Soviética e dos Estados Unidos.

A China, junto com o Japão e Índia, também se juntou à corrida para explorar Marte. A sonda Tianwen 1 está a caminho do planeta vermelho carregando uma sonda e um ‘rover’ (veículo explorador), que vão procurar vestígios de água.

Os planos chineses preveem a construção de uma estação espacial permanente, depois de 2022, que possivelmente será servida por um avião espacial reutilizável.

O país asiático tem colaborado em diferentes projectos com a Agência Espacial Europeia, mas o intercâmbio com a agência norte-americana NASA é limitado pelas preocupações sobre a natureza opaca e estreitas ligações militares do programa chinês.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Dezembro 2020 — 11:31


Sonda chinesa Chang’e 5 pousa “com sucesso” na Lua

CIÊNCIA/LUA/CHINA

Uma sonda robô chinesa enviada para devolver rochas lunares à Terra pela primeira vez desde os anos 1970 pousou na Lua “com sucesso”, anunciou o governo, somando-se a uma série de missões espaciais ousadas de Pequim.

Lançamento no Centro Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, China, em 24 de Novembro, do foguete que levou para o espaço a sonda chinesa.
© EPA/STR CHINA OUT

A missão Chang’e 5 – baptizada em homenagem a uma deusa da lua, de acordo com a mitologia chinesa – “aterrou com sucesso” no local planeado, informou a televisão estatal e as agências de notícias, citando a Administração Espacial Nacional da China, sem fornecer mais detalhes.

A sonda, lançada a 24 de Novembro na ilha tropical de Hainan, no sul do país, é a mais recente aventura de um programa espacial chinês que colocou um humano em órbita em 2003, tem uma sonda a caminho de Marte e visa, eventualmente, colocar um humano na Lua.

O objectivo é recolher cerca de dois quilos de rochas lunares, de escavações de até dois metros de profundidade. Essas amostras serão retiradas de uma área geológica muito mais jovem do que as que foram retiradas durante as missões soviéticas e norte-americanas, devendo permitir acrescentar peças ao grande quebra-cabeças da história da Lua.

O regresso das rochas à Terra deve acontecer no início ou em meados de Dezembro. Se tiver sucesso, esta será a primeira vez que cientistas vão obter novas amostras de rochas lunares desde a missão Luna 24, realizada com sucesso pela antiga União Soviética em 1976.

A televisão pública CCTV transmitiu um pequeno vídeo ‘online’ mostrando a sonda de 8,2 toneladas a pousar no solo lunar, enquanto os responsáveis pela missão na Terra aplaudiam o sucesso.

O voo do Chang’e 5 é a terceira aterragem lunar bem-sucedida da China -o seu predecessor, Chang’e 4, tornou-se na primeira sonda a pousar no lado mais distante e menos explorado da Lua.

Este último voo inclui a colaboração com a Agência Espacial Europeia, que está a ajudar a monitorizar a missão.

O programa espacial da China avançou com mais cautela do que a corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética, nos anos 1960, marcada por mortes e falhas nos lançamentos.

Em 2003, a China tornou-se no terceiro país a colocar um astronauta em órbita por conta própria, depois da União Soviética e os EUA, tendo lançado também uma estação espacial tripulada.

As autoridades espaciais dizem que esperam, eventualmente, por colocar um humano na Lua, mas não anunciaram qualquer prazo ou outros detalhes.

A China, juntamente com os seus vizinhos Japão e Índia, juntou-se à crescente corrida para explorar Marte.

A sonda Tianwen 1, lançada em Julho, está a caminho do planeta vermelho carregando uma sonda e um robô ‘rover’ para encontrar água.

Diário de Notícias

DN/Lusa


4709: NASA deixa recado à China, para partilharem os dados obtidos durante missão lunar

CIÊNCIA/LUA/CHINA

A China lançou ontem com êxito a sua sonda espacial Chang’e-5. Esta nave tem como finalidade a recolha de material da superfície lunar e regressar à Terra com o que foi obtido. É de realçar que esta é a primeira missão do género desde os anos 1970. Apesar da NASA nessa altura ter feito também várias recolhas, agora é a vez da China trazer solo lunar para o estudar.

Nesse sentido, a NASA afirmou numa declaração que tem expectativas que a China partilhe os dados obtidos durante a missão lunar do rover Chang’e.

A China já mostrou que tem interesse na exploração lunar e ao longo dos últimos anos desenvolveu tecnologia quer para alcançar o espaço, quer para estudar o solo do nosso satélite natural. Assim, o país lançou com êxito a sonda Chang’e-5 pelas 20:30 desta segunda-feira, horário de Lisboa. A sonda foi colocada a bordo do foguetão Changzheng 5 (Longa Marcha-5), que partiu do centro de lançamento de Wenchang, na província de Hainão (sul).

Segundo o responsável da missão, Zhang Xueyu, citado pela televisão estatal chinesa CCTV, a sonda entrou com precisão na órbita previamente estabelecida. A missão foi concluída com êxito.

NASA espera que a China partilhe os dados que conseguir recolher na Lua

A agência espacial norte-americana, usou o Twitter para congratular a China e deixar o recado:

Com o Chang’e 5, a China lançou um esforço para se juntar aos EUA e a antiga União Soviética para obter amostras lunares. Esperamos que a China partilhe os dados com a comunidade científica global para elevar a nossa compreensão sobre a Lua, assim como as nossas missões Apollo fizeram e o programa Artemis fará.

Pouso na Lua poderá revelar novos dados

A Chang’e-5 deverá colocar vários módulos na superfície lunar com a objetivo de recolher cerca de dois quilogramas de amostras. Assim, a nave precisa de dois dias a chegar à superfície e a missão terá uma duração de 23 dias. Como tal, o material recolhido deverá cegar à Terra em meados de Dezembro.

Segundo revelou a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, esta é uma das “missões espaciais mais complexas e desafiadoras” que a China já realizou.

A missão vai ajudar a promover o desenvolvimento científico e tecnológico da China e estabelecer uma base importante para futuros pousos tripulados na Lua.

Referiu o vice-director do Centro de Exploração Lunar da Administração Espacial da China, Pei Zhaoyu, citado pela Xinhua.

Os responsáveis revelaram também que a missão visa “contribuir para os estudos científicos sobre a formação e a evolução da Lua”.

A missão, baptizada em homenagem à deusa chinesa da lua Chang’e, está entre as mais ousadas da China desde que colocou um homem no espaço, pela primeira vez, em 2003, tornando-se a terceira nação a fazê-lo, depois dos EUA e da Rússia.

Pplware
Autor: Vítor M.
24 Nov 2020


4667: Calor e poeira ajudam a lançar água marciana para o espaço

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Este gráfico mostra como a quantidade de água na atmosfera de Marte varia dependendo da estação. Durante tempestades globais e regionais de poeira, que ocorrem durante o verão e primavera no hemisfério sul, a quantidade de água atinge máximos.
Crédito: Universidade do Arizona/Shane Stone/Goddard da NASA/Dan Gallagher

Cientistas usando um instrumento a bordo da sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN) da NASA descobriram que o vapor de água perto da superfície do Planeta vermelho é lançado para mais alto na atmosfera do que se pensava. Lá, é facilmente destruído pelas partículas de gás electricamente carregadas – ou iões – e perdido para o espaço.

Os investigadores disseram que o fenómeno que descobriram é um dos vários que levaram a que Marte perdesse o equivalente a um oceano global de água com até centenas de metros de profundidade ao longo de milhares de milhões de anos. Relatando as suas descobertas na edição de 13 de Novembro da revista Science, os cientistas disseram que Marte continua a perder água hoje à medida que o vapor é transportado para grandes altitudes após a sublimação das calotes polares congeladas durante as estações mais quentes.

“Todos nós ficámos surpresos ao encontrar água tão alto na atmosfera,” disse Shane W. Stone, estudante de doutoramento em ciências planetárias no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona em Tucson, EUA. “As medições que usámos só podem ter vindo da MAVEN conforme voa pela atmosfera de Marte, bem acima da superfície do planeta.”

Para fazer a sua descoberta, Stone e colegas basearam-se nos dados do instrumento NGIMS (Neutral Gas and Ion Mass Spectrometer) da MAVEN, desenvolvido no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. O espectrómetro de massa “inala” o ar e separa os iões que o compõem por massa, que é como os cientistas os identificam.

Stone e a sua equipa rastrearam a abundância de iões de água a grandes altitudes marcianas durante mais de dois sols (anos marcianos). Ao fazê-lo, determinaram que a quantidade de vapor de água próximo do topo da atmosfera, cerca de 150 km acima da superfície, é mais alta durante o verão no hemisfério sul. Durante esta altura, o planeta está mais próximo do Sol e, portanto, mais quente, e é mais provável de ocorrer tempestades de poeira.

As temperaturas quentes de verão e os ventos fortes associados com as tempestades de poeira ajudam o vapor de água a atingir as partes superiores da atmosfera, onde pode ser facilmente quebrado nos seus elementos constituintes, oxigénio e hidrogénio. O hidrogénio e o oxigénio então escapam para o espaço. Anteriormente, os cientistas pensavam que o vapor de água estava preso perto da superfície marciana como na Terra.

“Tudo o que chega à parte superior da atmosfera é destruído, em Marte ou na Terra,” disse Stone, “porque esta é a parte da atmosfera que está exposta à força total do Sol.”

Os investigadores mediram 20 vezes mais água do que o normal em dois dias de Junho de 2018, quando uma forte tempestade global de poeira rodeou Marte (aquela que colocou o rover Opportunity da NASA fora de serviço). Stone e os seus colegas estimam que Marte perdeu tanta água em 45 dias durante esta tempestade como normalmente ocorre ao longo de um ano marciano inteiro, que dura dois anos terrestres.

“Mostrámos que as tempestades de poeira interrompem o ciclo da água em Marte e empurram as moléculas de água para cima na atmosfera, onde as reacções químicas podem libertar os seus átomos de hidrogénio, que são perdidos para o espaço,” disse Paul Mahaffy, director da Divisão de Exploração do Sistema Solar em Goddard e investigador principal do NGIMS.

Outros cientistas também descobriram que as tempestades marcianas de poeira podem elevar o vapor de água muito acima da superfície. Mas ninguém tinha percebido até agora que a água chegava até ao topo da atmosfera. Existem iões abundantes nesta região da atmosfera que podem quebrar as moléculas de água 10 vezes mais depressa do que são destruídas a níveis mais baixos.

“O que é único nesta descoberta é que fornece-nos um novo percurso que não pensávamos existir para a água escapar do ambiente marciano,” disse Mehdi Benna, cientista planetário de Goddard e co-investigador do instrumento NGIMS da MAVEN. “Isto vai mudar fundamentalmente as nossas estimativas de quão rápido a água está a escapar hoje e quão rápido escapou no passado.”

Astronomia On-line
17 de Novembro de 2020


4665: Sonda da ESA identifica trio de crateras formado misteriosamente em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

ESA / DLR / FU Berlin

Nos antigos planaltos marcianos de Noachis Terra – uma região fortemente impactada há cerca de 4 mil milhões de anos – os astrónomos avistaram um trio de crateras formado por três bacias sobrepostas.

A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou recentemente a descoberta de uma cratera com três níveis sobrepostos na superfície do Planeta Vermelho pela missão Mars Express. Segundo o Science Alert, a cratera tripla (ou conjunto de três crateras gémeas) está localizada no hemisfério sul de Marte, numa região conhecida como Noachis Terra.

Este trio encontra-se muito perto da Cratera de Le Verrier, que possui 140 quilómetros de diâmetro – por comparação, a maior cratera trigémea possui 45 quilómetros de diâmetro. Os astrónomos adiantaram que esta área terá sido fortemente atingida por asteróides há cerca de 4 mil milhões de anos, pelo que a superfície está muito marcada pelos impactos.

Uma das possíveis explicações para a criação desta cratera tripla sugere que um asteróide se fragmentou em três pedaços antes de atingir a superfície de Marte. Se esta teoria for confirmada, pode ser um indício de que o planeta possuía uma atmosfera muito mais densa há 4 mil milhões de anos, suficientemente forte para fragmentar corpos celestes.

Há, no entanto, outra hipótese em cima da mesa: três asteróides distintos podem ter colidido ao mesmo tempo com Marte, criando este conjunto de crateras.

Os cientistas defendem que a teoria de uma atmosfera mais densa se torna mais plausível se cruzarmos esta informação com o facto de Marte ter sido mais quente e húmido no passado, o que coincide com recentes investigações divulgadas sobre a presença de antigos rios na superfície marciana.

Há semelhança de outras “cicatrizes”, esta pode revelar muitos segredos sobre o (ainda) misterioso Planeta Vermelho.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2020