2007: Primavera em Plutão: uma análise ao longo de 30 anos

New Horizons / NASA
Imagem de Plutão enviada pela New Horizons em julho de 2015

Sempre que passa em frente de uma estrela, Plutão fornece informações preciosas sobre a sua atmosfera, preciosas porque as ocultações de Plutão são raras.  A investigação realizada por investigadores do Observatório de Paris, ao longo de várias décadas, foi publicada dia 10 de maio de 2019 na revista Astronomy & Astrophysics.

Interpretada à luz dos dados recolhidos em 2015 pela sonda New Horizons, permite refinar os parâmetros físicos essenciais para uma melhor compreensão do clima de Plutão e para prever futuras ocultações do planeta anão. Tal como a Terra, a atmosfera de Plutão é essencialmente composta por azoto, mas a comparação para aí.

Situado para lá de Neptuno, Plutão leva 248 anos a completar uma órbita em torno do Sol. Durante o ano plutoniano, a sua distância ao Sol varia muito, de 30 a 50 UA, levando a ciclos sazonais extremos. Com temperaturas superficiais extremamente baixas, inferiores a -230º C, há um equilíbrio sólido-gasoso, onde uma ténue atmosfera de essencialmente azoto coexiste com depósitos de gelo à superfície.

Actualmente, estima-se que o vapor de azoto esteja estabilizado a uma pressão de mais ou menos 1,3 pascal (ao passo que na Terra a pressão é de cerca de 100.000 Pa).

Dada a obliquidade (o ângulo formado entre o eixo polar e o plano orbital) do planeta anão, 120 graus, os pólos de Plutão enfrentam sucessivamente um dia permanente durante várias décadas, e depois uma noite permanente. Isto leva a um ciclo complexo de redistribuição dos seus materiais voláteis como azoto, metano e monóxido de carbono. Assim sendo, Plutão teve o seu equinócio em 1988, antes de passar pelo periélio (a 30 UA) em 1989. Desde então, o planeta anão afastou-se continuamente do Sol até alcançar 32 UA em 2016, o que representa uma perda de 25% da sua insolação média.

Ingenuamente, era esperada uma queda acentuada na pressão atmosférica. De facto, o equilíbrio gasoso-sólido do azoto impõe que para cada grau Kelvin perdido à superfície, a pressão diminua por um factor de dois.

Mas ocorre o exacto oposto. A prova é fornecida pelo artigo publicado na Astronomy & Astrophysics de dia 10 de maio, que analisa uma dúzia de ocultações estelares observadas ao longo de quase 30 anos, durante a primavera no hemisfério norte de Plutão: a pressão atmosférica aumentou por um factor de três entre 1988 e 2016.

Este cenário paradoxal já era considerado pelos modelos climáticos globais de Plutão desde a década de 1990, mas sem certeza, apenas como um cenário entre muitos outros. Vários parâmetros importantes do modelo permaneciam por restringir pelas observações.

Estas observações das ocultações estelares a partir da Terra, juntamente com dados recolhidos durante a passagem da New Horizons da NASA por Plutão em Julho de 2015, permitem agora descrever um cenário muito mais preciso.

A New Horizons mapeou a distribuição e a topografia do gelo à superfície do planeta anão, revelando uma vasta depressão com mais de 1000 km de diâmetro e 4 km de profundidade, localizada perto do equador entre as latitudes 25º S e 50º N, de nome Sputnik Planitia. Esta depressão retém uma parte do azoto disponível na atmosfera, formando um glaciar gigantesco que é o verdadeiro “coração” do clima do planeta anão, pois regula a circulação atmosférica por meio da sublimação do azoto.

Em adição, as ocultações estelares permitem restringir a inércia térmica do subsolo no modelo, explicando a mudança de fase de trinta anos entre a transição para o periélio (1989) e o aumento da pressão ainda observado hoje em dia. O subsolo armazenou o calor e está a restaurá-lo gradualmente. As ocultações também restringem a fracção de energia solar devolvida ao espaço (albedo de Bond) do azoto gelado e a sua emissividade.

Finalmente, estas observações eliminam a possibilidade da presença de um reservatório de azoto no hemisfério sul (actualmente em noite permanente), que produziria um máximo de pressão muito mais cedo do que o observado (curva magenta na figura).

Este estudo é uma boa ilustração da complementaridade entre as observações terrestres e espaciais. Sem a passagem da New Horizons, a distribuição do gelo e a topografia permaneceriam desconhecidas, e sem a monitorização a longo prazo da atmosfera, os modelos climáticos de Plutão não poderiam ser restringidos.

Previsão de ocultações futuras

Finalmente, as ocultações também fornecem 19 posições de Plutão entre 1988 e 2016, com uma precisão inigualável de alguns milissegundos de arco no céu. Tal precisão, possível graças à segunda versão de dados da missão europeia Gaia, permite que os autores calculem efemérides de Plutão com a mesma precisão para a próxima década.

Assim, será possível observar outras ocultações por Plutão e monitorizar o seu clima… os modelos teóricos indicam que a atmosfera de Plutão está actualmente perto da sua expansão máxima. As observações futuras podem confirmar ou refutar esta previsão.

Será que vamos em breve ver o começo desse lento declínio, que deverá reduzir por um factor de 20 a pressão atmosférica de Plutão no final, e cobrir a sua superfície com uma fina camada de “geada branca”?

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
18 Maio, 2019


 

1998: Sonda chinesa desvendou mais um segredo sobre o manto do lado oculto da Lua

NASA
O lado oculto da Lua

A Lua é um pequeno corpo localizado a poucos passos da Terra que, por causa da atracção gravitacional, mostra sempre a mesma face para nós. A sua superfície, devastada por centenas de crateras, é uma testemunha silenciosa do violento passado do Sistema Solar.

Mas também é uma valiosa fonte de informação que fala sobre os processos que permitem a formação de planetas, como o nosso, ou de todos os milhões de exoplanetas que se escondem na nossa galáxia.

Parece que há muito tempo a Lua era uma esfera de magma derretido que arrefecia e solidificava. Mas o satélite é pequeno e o seu arrefecimento foi muito rápido, o que levou o seu interior a “morrer”, não activando nenhuma tectónica, como aconteceu na Terra. Portanto, vemos uma superfície parada no tempo.

Uma sonda lunar pode ter diminuído o mistério do outro lado da lua. A quarta sonda Chang’E (CE-4) foi a primeira missão a pousar no lado oculto da lua e recolheu novas evidências da maior cratera do sistema solar, esclarecendo como a Lua pode ter evoluído. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Uma teoria surgiu na década de 1970 que dizia que, na infância da lua, um oceano feito de magma cobria a sua superfície. Quando o oceano começou a acalmar e arrefecer, minerais mais leves flutuaram até o topo, enquanto componentes mais pesados afundaram. A parte de cima incrustou, envolvendo um manto de minerais densos, como a olivina e o piroxena.

Quando os asteróides e o lixo espacial caíram na superfície da lua, quebraram a crosta e levantaram pedaços do manto lunar. “Compreender a composição do manto lunar é fundamental para testar se um oceano de magma existiu”, disse o autor Li Chunlai, professor dos Observatórios Astronómicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências. “Também ajuda a avançar a nossa compreensão da evolução térmica e magmática da lua.”

A evolução da Lua pode fornecer uma janela para a evolução da Terra e outros planetas terrestres, de acordo com Li, porque a sua superfície é relativamente intocada em comparação com a superfície inicial da Terra.

NASA Uma imagem capturada pelo Chang’E 4 mostrou a paisagem perto do local de pouso

Os investigadores esperavam, de acordo com o Phys, encontrar uma grande quantidade de material manto escavado no piso plano da bacia do Bacia do Polo Sul-Aitken, uma vez que o impacto teria penetrado e passado a crosta lunar. Em vez disso, encontraram apenas vestígios de olivina, o principal componente do manto superior da Terra.

Ao que parece, mais olivina apareceu nas amostras de impactos mais profundos. Uma teoria, segundo Li, é que o manto consiste em partes iguais de olivina e piroxena, em vez de ser dominado por um ou outro.

O CE-4 precisará de explorar mais para entender melhor a geologia do seu local de pouso, bem como recolher muito mais dados espectrais para validar as suas descobertas iniciais e entender completamente a composição do manto lunar.

ZAP //

Por ZAP
17 Maio, 2019



 

1995: Sonda chinesa revela segredos do lado oculto da Lua

A sonda lunar Chang’e-4 detectou minerais provenientes das entranhas do satélite natural da Terra.

A sonda chinesa Chang’e-4, que pousou no lado oculto da Lua no início deste ano, terá detectado vestígios de minerais que provêm das entranhas do nosso satélite natural, revela um estudo publicado esta semana na revista Nature.

Os minerais encontrados – “olivina e piroxena de baixo teor de cálcio”, – são diferentes dos que estão presentes nas amostras recolhidas da superfície lunar, concluem os investigadores que tentam perceber a composição do manto lunar, que existe entre a crosta e o núcleo, a formação e a evolução da Lua e da Terra.

© SIC Notícias A sonda chinesa Chang’e 4 pousou na Lua a 3 de Janeiro e levou sementes de algodão, colza, batata, ovos de mosca da fruta e algumas leveduras.

Foto em 360º desvenda o lado oculto da Lua

Poucos dias depois de pousar, a sonda chinesa enviou uma impressionante foto panorâmica a 360º do lado oculto da Lua, publicada no site da agência espacial chinesa CNSA.

© CNSA SIC Notícias

Robô e sonda investigam a Lua

O robô teleguiado Yutu-2 (Coelho de Jade 2) abandonou o módulo principal cerca de 12 horas depois da alunagem. No entanto, só depois de alguns dias “adormecido” para se proteger do frio, é que se começou a movimentar pela superfície lunar.

O Yutu-2 tem 140 kg, seis rodas, todas com potência para que possa continuar a operar mesmo que uma delas falhe. Pode subir uma colina de 20 graus ou obstáculos de até 20 centímetros de altura. A velocidade máxima é de 200 metros por hora.

Tem realizado diversas experiências no solo lunar, como avaliar com um radar a espessura das camadas subterrâneas e estudar com um espectrómetro a composição mineral à superfície.

© China Stringer Network SIC Notícias

Por sua vez a sonda Chang’e-4, equipada também com vários instrumentos, tem estado a estudar o gás interestelar e os campos magnéticos que se disseminam após a morte de uma estrela e testar se a batata e a planta herbácea Arabidopsis thaliana (da família da mostarda) crescem e fazem a fotossíntese num ambiente controlado, mas condicionado à micro-gravidade da superfície lunar.

Experiências anteriores realizadas na Estação Espacial Internacional revelaram que a batata e a Arabidopsis thaliana podem crescer normalmente em ambientes controlados que são sujeitos a uma gravidade inferior à da Terra, mas não a uma gravidade tão baixa como a da Lua.

Para comunicar com a sonda, o centro de controlo da missão Chang’e-4 usa o satélite Queqiao, lançado em maio, para intermediar as comunicações com o aparelho (a comunicação directa com a sonda não é possível no lado oculto da Lua).

Depois da Chang’e-4, seguir-se-á a missão Chang’e-5, com lançamento previsto para 2019, e com a qual a China pretende recolher amostras do solo lunar.

A meta final da agência espacial chinesa, ainda sem data marcada, é criar uma base na Lua para exploração humana.

As primeiras imagens enviadas a 3 de Janeiro

(vídeo não disponível)

msn notícias
SIC Notícias
16/05/2019



 

1960: Sonda da NASA mostra Júpiter pintado de mármore

NASA / JPL / SwRI

A sonda Juno da NASA capturou de perto uma fotografia do maior planeta do Sistema Solar, na qual é possível observar Júpiter pintado de “mármore”. 

“A partir daqui, Júpiter ainda parece esférico, mas a distorção de perspectiva faz com que pareça mais uma pedra mármore”, escreveu a agência espacial norte-americana.

A maioria dos registos fotográficos deste mundo gigante são capturadas a uma distância suficientemente grande para que pelo menos metade do planeta fique visível. Neste caso, e tal como explica o diário Mirror, a fotografia é composta por várias imagens capturadas pela sonda espacial a uma distância mais curta, permitindo observar Júpiter de perto.

A Grande Mancha Vermelha, visível no canto superior direito da imagem, é um enorme furacão na atmosfera de Júpiter, maior do que todo o planeta Terra.

Embora os pequenos remoinhos que alimentam o sistema de tempestades pareçam desempenhar um papel importante neste fenómenos, uma compreensão mais completa da gigantesca nuvem de tempestades continua a ser um assunto de debate para a comunidade científica – e poderia ajudar a compreender os padrões climáticos na Terra.

No topo das nuvens de Júpiter está uma faixa horizontal escura e proeminente que contém uma nuvem oval branca e uma nuvem de zona branca. Por sua vez, a nuvem branca é um sistema de alta pressão rodopiante, equivalente a um anticiclone terrestre e é um dos “cordões de pérolas” ovais ao sul da mancha vermelha gigante.

A sonda registou esta imagem incrível durante sua 17.ª passagem próxima de Júpiter. A missão de Juno, que foi estendida até 2021, passa por estudar Júpiter de novas maneiras.

Entre as descobertas já proporcionadas pela missão da NASA, destaca-se a informação de que o campo magnético de Júpiter é surpreendentemente irregular e que alguns dos sistemas de nuvem de Júpiter estão a cerca de 3000 quilómetros do planeta.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
11 Maio, 2019

 

1952: Para o InSight, as limpezas de poeira fornecem nova ciência

Este é o segundo “selfie” do InSight em Marte. Desde que obteve o primeiro, o “lander” removeu a sua sonda de calor e o sismómetro do convés, colocando-os à superfície de Marte; uma fina camada de poeira cobre agora o módulo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Os mesmos ventos que cobrem Marte com poeira também podem soprar a poeira para longe. As catastróficas tempestades de poeira têm o potencial de terminar uma missão, como aconteceu com o rover Opportunity da NASA. Mas, com muito mais frequência, os ventos passageiros limparam os painéis solares do veículo e deram-lhe um impulso energético. Estas limpezas de poeira permitiram que o Opportunity e o seu irmão gémeo, Spirit, sobrevivessem anos para lá dos seus prazos de validade de 90 dias.

As limpezas de poeira também são esperadas para o mais recente habitante de Marte, o “lander” InSight. Dado que o módulo tem sensores meteorológicos, cada limpeza também pode fornecer dados científicos cruciais sobre estes eventos – e a missão já tem um vislumbre disso.

No dia 1 de Fevereiro, o 65.º dia marciano, ou sol, da missão, o InSight detectou um vórtice passageiro de vento (também conhecido como diabo marciano se levantar poeira e tornar-se visível; as câmaras do InSight não observaram, neste caso em específico, o vórtice). Ao mesmo tempo, os dois grandes painéis solares do “lander” sofreram duas pequenas subidas de energia – cerca de 0,7% num painel e 2,7% no outro – sugerindo que limpou uma pequena quantidade de poeira.

Estes são meros sussurros comparados com as limpezas observadas pelos rovers Spirit e Opportunity, onde as rajadas de vento que expulsavam a poeira ocasionalmente aumentavam a energia até 10% e deixavam os painéis solares visivelmente mais limpos. Mas o evento recente deu aos cientistas as suas primeiras medições de vento e poeira interagindo “em directo” à superfície marciana; nenhum dos rovers a energia solar da NASA incluíam sensores meteorológicos que registavam tantos dados continuamente. Com o tempo, os dados das limpezas de poeira podem informar o planeamento das missões alimentadas a energia solar bem como investigações sobre o modo como o vento esculpe a paisagem.

“Não fez uma diferença significativa na nossa produção de energia, mas este primeiro evento é ciência fascinante,” disse Ralph Lorenz, membro da equipa científica da missão InSight, no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano da Maryland. “Dá-nos um ponto de partida para entender como o vento cria mudanças à superfície. Ainda não sabemos realmente quanto vento é necessário para levantar poeira em Marte.”

Os engenheiros calculam regularmente um “factor de poeira”, uma medida da quantidade de poeira que cobre os painéis, ao analisar a energia solar do InSight. Embora não tenham visto nenhuma mudança no factor de poeira aquando da passagem deste diabo marciano, viram um claro aumento na corrente eléctrica, sugerindo que limpou um pouco de poeira.

A chave para medir estas limpezas está nos sensores meteorológicos do InSight, conhecidos colectivamente como APSS (Auxiliary Payload Sensor Suite). Durante este primeiro evento de poeira, o APSS viu um aumento constante na velocidade do vento e uma queda acentuada na pressão do ar – a assinatura de um diabo marciano passageiro.

A direcção do vento mudou cerca de 180 graus, o que seria de esperar se um diabo marciano tivesse passado directamente sobre o “lander”. O APSS mediu uma velocidade máxima para o vento de 20 metros por segundo. Mas também detectou a maior queda de pressão de ar já registada por uma missão à superfície de Marte: 9 Pa (pascal), ou 13% da pressão ambiente. Esta queda de pressão sugere que podem ter havido ventos ainda mais fortes, demasiado turbulentos para os sensores registarem.

“O vento mais rápido que já medimos directamente, até agora, pelo InSight, rondou os 28 metros por segundo, de modo que o vórtice que limpou poeira dos nossos painéis solares esteve entre os ventos mais fortes que já vimos,” disse Aymeric Spiga, do Laboratório de Meteorologia Dinâmica da Universidade Sorbonne, em Paris. “Sem vórtice passageiro, os ventos estão tipicamente entre os 2 e os 10 metros por segundo, dependendo da hora do dia.”

Este levantamento de poeira ocorreu às 13:33, hora local marciana, que também é consistente com a detecção de um diabo marciano. Tanto em Marte como na Terra, os níveis mais altos de actividade de diabos de poeira são normalmente entre o meio-dia e as 3 da tarde, quando a intensidade da luz solar é mais forte e o solo está quente em comparação com o ar por cima.

O InSight pousou no dia 26 de Novembro de 2018, em Elysium Planitia, uma região ventosa do equador marciano. O “lander” já detectou muitos diabos marcianos e Lorenz disse que é provável que o módulo veja uma série de grandes limpezas de poeira ao longo da sua missão principal de dois anos.

Cada um dos painéis solares do InSight, com o tamanho de uma mesa de jantar, reuniu uma fina camada de poeira desde o pouso. A sua produção energética caiu cerca de 30% desde então, tanto devido à poeira quanto ao afastamento do planeta em relação ao Sol. Hoje, os painéis solares produzem cerca de 2700 watt-hora por sol – energia mais que suficiente para as operações diárias, que requerem cerca de 1500 watts-hora por sol.

Os engenheiros de energia da missão ainda estão à espera do tipo de limpeza que o Spirit e o Opportunity tiveram. Mas mesmo que demore a acontecer, têm energia suficiente.

Astronomia On-line
10 de Maio de 2019

 

1924: Estranho “corredor de gelo” encontrado na mais exótica lua de Saturno

NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Uma equipa de cientista da NASA, que estuda Titã – a mais exótica e a segunda maior lua de Saturno – descobriu um estranho “corredor de gelo” que abrange 6.300 quilómetros da região tropical do satélite natural.

A cientista planetária Caitlin Griffith, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, liderou a equipa que estudou a formação peculiar desta lua tendo por base imagens recolhidas pela sonda Cassini. Os especialista recorreram à espectroscopia infravermelha para conseguir penetrar na densa atmosfera de nitrogénio da lua de Saturno.

“Este corredor de gelo é intrigante, porque não possui uma correlação com quaisquer outras características da superfície, nem com as medidas do subsolo”, comentou Griffith sobre o longo corredor agora descoberto.

A nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Nature Astronomy, indica que “o gelo de água está distribuído de forma desigual, mas não de forma aleatória, ao longo da superfície tropical de Titã”, acrescentou a cientista.

Os cientistas, que até esperavam que a superfície de Titã estivesse coberta por sedimentos orgânicos que caem como chuva quando os raios solares “partem” metano na atmosfera, fenómeno que Griffith compara a uma “versão perturbada” da Terra, os cientistas ficaram surpresos ao descobrir uma espécie de anel de gelo a rodear o satélite de Saturno.

“É possível que estejamos a ver algo que é um vestígio de um período tempo no qual Titã era um pouco diferente”, completou a cientista em declarações à revista New Scientist.

De acordo com a mesma publicação, a teoria mais provável para justificar este estranho corredor de gelo sustenta que a formação é composta por vestígios de um antigo e massivo “vulcão de gelo” que produzia água, amoníaco ou metano, em vez de lava – algo que estamos habituados a observar na Terra.

ZAP // SputnikNews
Por ZAP
5 Maio, 2019

 

1868: Cassini revela surpresas nos lagos de Titã

Esta imagem a cores, no infravermelho próximo, pela Cassini, mostra o reflexo do Sol pelos mares polares norte de Titã.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade do Idaho

No seu último “flyby” pela maior lua de Saturno em 2017, a sonda Cassini da NASA recolheu dados de radar que revelaram que os pequenos lagos líquidos no hemisfério norte de Titã são surpreendentemente profundos, empoleirados no topo de colinas e repletos de metano.

Os novos achados, publicados na edição de 15 de Abril da revista Nature Astronomy, são a primeira confirmação de quão profundos são alguns dos lagos de Titã (mais de 100 metros) e da sua composição. Fornecem novas informações sobre a forma como o metano líquido chove, evapora e se infiltra em Titã – o único corpo planetário no nosso Sistema Solar, além da Terra, conhecido por ter líquido estável à sua superfície.

Os cientistas sabem que o ciclo hidrológico de Titã funciona de maneira semelhante ao da Terra – com uma grande diferença. Em vez de ser água a evaporar-se dos mares, formando nuvens e chuva, Titã fá-lo com metano e etano. Nós tendemos a pensar nestes hidrocarbonetos como gases na Terra, a menos que sejam pressurizados num tanque. Mas a lua Titã é tão fria que aqui estes elementos comportam-se como líquidos, como gasolina à temperatura ambiente no nosso planeta.

Os cientistas sabiam que os mares do Norte, muito maiores, estão repletos de metano, mas descobrir que os lagos mais pequenos são compostos principalmente por metano foi uma surpresa. Anteriormente, os dados da Cassini mediram Ontario Lacus, o único grande lago no hemisfério sul de Titã. Lá, encontraram uma mistura aproximadamente igual de metano e etano. O etano é um pouco mais pesado do que o metano, com mais átomos de carbono e hidrogénio na sua composição.

“De cada vez que fazemos descobertas em Titã, Titã torna-se mais misterioso,” comenta o autor principal Marco Mastrogiuseppe, cientista de radar do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “Mas estas novas medições ajudam a dar resposta a algumas questões-chave. Agora, podemos entender melhor a hidrologia de Titã.”

Acrescentando às excentricidades de Titã, com as suas características parecidas às da Terra esculpidas por materiais exóticos, está o facto de que a hidrologia de um lado do hemisfério norte é completamente diferente da do outro lado, disse o cientista da Cassini e co-autor Jonathan Lunine da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque.

“É como se olhássemos, a partir de órbita, para o Pólo Norte da Terra e pudéssemos ver que a América do Norte tinha um cenário geológico completamente diferente para corpos líquidos do que a Ásia,” explicou Lunine.

No lado este de Titã, existem grandes mares com baixa elevação, desfiladeiros e ilhas. No lado oeste: lagos pequenos. E as novas medições mostram lagos empoleirados no topo de grandes colinas e planaltos. As novas medições de radar confirmam as descobertas anteriores de que os lagos estão muito acima do nível do mar, mas evocam uma nova imagem de formações terrestres – como mesas ou morros – centenas de metros acima da paisagem circundante, com lagos líquidos profundos no topo.

O facto destes lagos ocidentais serem pequenos – com apenas dezenas de quilómetros de largura -, mas muito profundos, também diz aos cientistas algo novo sobre a sua geologia: é a melhor evidência, até agora, de que provavelmente formaram-se quando o substrato rochoso e circundante de gelo e compostos orgânicos se dissolveu e colapsou. Na Terra, lagos de água idênticos são conhecidos como lagos cársicos. Situados em áreas como na Alemanha, na Croácia e nos Estados Unidos, formam-se quando a água dissolve rocha calcária.

Juntamente com a investigação de lagos profundos, um segundo artigo na Nature Astronomy ajuda a desvendar mais do mistério que é o ciclo hidrológico de Titã. Investigadores usaram dados da Cassini para revelar o que chamam de lagos transientes. Conjuntos diferentes de observações – de dados de radar a dados infravermelhos – parecem mostrar que os níveis de líquido mudaram significativamente.

A melhor explicação é que houve algumas mudanças sazonais nos líquidos à superfície, disse a autora principal Shannon MacKenzie, cientista planetária do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA. “Uma possibilidade é que essas características transitórias podem ter sido corpos líquidos mais rasos que, ao longo da estação, evaporaram e se infiltraram no subsolo,” realçou.

Estes resultados e as descobertas presentes no artigo da Nature Astronomy sobre os lagos profundos de Titã apoiam a ideia de que a chuva de hidrocarbonetos alimenta os lagos, que então podem evaporar de volta para a atmosfera ou drenar para o subsolo, deixando reservatórios de líquido armazenados por baixo.

A Cassini, que chegou ao sistema de Saturno em 2004 e que terminou a sua missão em 2017 quando mergulhou deliberadamente na atmosfera do planeta gigante, mapeou mais de 1,6 milhões de quilómetros quadrados de lagos e mares à superfície de Titã. Fê-lo com o seu instrumento de radar, que enviou ondas de rádio e recolheu um sinal de retorno (ou eco) que forneceu informações sobre o terreno e sobre a profundidade e composição dos corpos líquidos, juntamente com dois sistemas de imagem que podiam penetrar através da espessa neblina atmosférica da lua.

Os dados cruciais para a nova investigação foram recolhidos durante a última passagem rasante por Titã, no dia 22 de Abril de 2017. Foi o último olhar da missão para os lagos menores da lua, que a equipa aproveitou ao máximo. A recolha dos ecos a partir das superfícies dos lagos pequenos, enquanto a Cassini passava por Titã, foi um desafio único.

“Este foi o último grande feito ousado da Cassini em Titã,” concluiu Lunine.

Astronomia On-line
19 de Abril de 2019

 

Curiosity “prova” primeira amostra em “unidade argilosa”

A Mastcam a bordo do rover Curiosity capturou este conjunto de imagens antes e depois de ter perfurado uma rocha apelidada “Aberlady”, no dia 6 de abril (2370.º dia marciano, ou sol, da missão). A rocha e outras próximas parecem ter-se movido quando a broca foi retirada. Esta foi a primeira vez que o Curiosity perfurou a tão ansiada “unidade argilosa”.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Os cientistas que trabalham com o rover Curiosity da NASA estão empolgados por explorar uma região chamada “unidade argilosa” até desde antes do lançamento do rover. Agora, o veículo finalmente “provou” a sua primeira amostra desta parte do Monte Sharp. O Curiosity perfurou um pedaço de rocha apelidado de “Aberlady” no sábado, dia 6 de Abril (o 2370.º dia marciano, ou sol, da missão) e entregou a amostra ao seu laboratório interno de mineralogia no dia 10 de Abril (sol 2374).

A broca do rover perfurou facilmente a rocha, ao contrário de alguns dos alvos mais duros que enfrentou nas proximidades de Vera Rubin Ridge. Foi um alvo tão mole, na verdade, que a broca não precisou de usar a sua técnica de percussão, útil para capturar amostras rochosas mais duras. Esta foi a primeira amostra da missão obtida usando apenas a rotação da broca.

“O Curiosity está na ‘estrada’ há quase sete anos,” disse Jim Erickson, gerente do projecto do Curiosity no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “A perfuração, finalmente, da unidade argilosa, é um marco importante na nossa jornada Monte Sharp acima.”

Os cientistas estão ansiosos por analisar a amostra em busca de vestígios de minerais de argila, porque estes formam-se geralmente em água. A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA espiou um forte “sinal” argiloso aqui muito antes do Curiosity pousar em 2012. A identificação desse sinal podia ajudar a equipa de cientistas a entender se uma era marciana mais húmida moldou esta camada do Monte Sharp, a montanha com 5 quilómetros de altura que o Curiosity tem vindo a escalar.

O Curiosity descobriu minerais argilosos durante toda a sua viagem. Estas rochas formaram-se como sedimentos fluviais instalados em lagos antigos há quase 3,5 mil milhões de anos. Tal como acontece noutros lugares em Marte, os lagos eventualmente secaram.

O sinal de argila, visto do espaço, trouxe aqui o rover, mas a região claramente tem várias outras histórias para contar. Agora que o Curiosity está a investigar esta área, os cientistas podem olhar em volta como turistas geológicos, encontrando uma paisagem antiga e nova. Existem vários tipos de rocha e areia, incluindo ondulações activas de areia que mudaram no ano passado. Seixos estão espalhados por toda a parte – estão a sofrer erosão do leito local? Vários pontos de referência atraentes, como o “Monte Knockfarril”, também se destacam.

“Cada camada desta montanha é uma peça do quebra-cabeças,” disse Ashwin Vasavada, gerente do Projecto Curiosity no JPL. “Cada uma contém pistas para uma era diferente da história marciana. Estamos entusiasmados por ver o que esta primeira amostra nos diz sobre o antigo ambiente, especialmente sobre a água.”

A amostra Aberlady dará à equipa um ponto de partida para pensar sobre a unidade argilosa. Eles planeiam perfurar várias vezes ao longo do próximo ano. Isto vai ajudar a entender o que torna esta região diferente do cume por trás e de uma área com um sinal de sulfato mais alto na montanha.

Astronomia On-line
16 de Abril de 2019

 

1855: NASA revela em detalhe superfície do “Asteróide do Apocalipse”

NASA / Goddard / Universidade do Arizona

A NASA divulgou novas imagens captadas pela sonda OSIRIS-REx a uma distância de apenas 4,8 quilómetros do “Asteróide do Apocalipse”.

A Sonda OSIRIS-REx, da agência espacial norte-americana, é responsável por estudar o asteróide Bennu, tendo sido lançada no final do ano passado com essa missão. O “asteróide do Apocalipse” tem um diâmetro de, aproximadamente, 493 metros e é considerado “potencialmente perigoso” para a Terra, de acordo com a NASA.

As fotografias capturadas pela câmara PolyCam, incorporada na sonda da NASA, mostram em detalhe a superfície do Bennu. Na primeira fotografia, é possível observar a maior rocha no hemisfério norte do asteróide, cujo ponto mais alto atinge os 23,5 metros.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

Here’s one of the largest boulders in Bennu’s northern hemisphere. It’s 77 feet tall – about a fourth of the length of a football field – and it looms over the other rocks in the region. 🦎

More details: https://bit.ly/2Idgzaq 

Numa outra imagem é possível observar uma área perto do equador do Bennu. Das duas grandes formações rochosas que se conseguem ver na fotografia, aquela que está na parte superior à direita tem 21 metros de comprimento, o equivalente a quatro lugares de estacionamento.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

So we’re clear, that rock was like that when I got here …

This image from DS:BBD Flyby 1 shows the rocky surface of Bennu just south of the equator. That cracked rock is 69 ft long, about the length of 4 parallel parking spots.

More detail: https://bit.ly/2IpIKSG

Um grande número de rochas de maiores dimensões foi também detectado numa região do hemisfério sul de Bennu. “Este é um bom exemplo de alguns dos ângulos de visão oblíquos em que estamos a trabalhar para obter fotografias do Bennu”, escreveu a equipa no Twitter.

“As sombras neste ângulo dão uma sensação da altitude da rocha, e podemos ver mais detalhes da superfície a partir deste ângulo“, sublinham ainda.

A sonda OSIRIS-REx entrou na órbita de Bennu em Dezembro de 2018. A sonda foi lançada em Setembro de 2016, com o objectivo de trazer à Terra uma amostra dos materiais da superfície do asteróide para obter informações adicionais sobre as origens do Universo.

Uma vez em cada seis anos, o “Asteróide do Apocalipse” aproxima-se da Terra. Devido a esta aproximação, há uma alta possibilidade de Bennu impactar com a Terra no final do século XXII. O seu tamanho, composição primitiva e órbita potencialmente perigosa tornam-no num dos asteróides mais fascinantes e acessíveis para estudar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
17 Abril, 2019

 

1850: O Sol cospe “lâmpadas de lava” 500 vezes maiores do que a Terra

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Depois de analisar dados de duas sondas solares lançadas na década de 70, uma equipa de cientistas da NASA observou nos ventos solares manchas semelhantes a lâmpadas de lava com um tamanho até 500 vezes maior do que a Terra.

“[Estas manchas] parecem-se com bolhas de uma lâmpada de lava”, afirmou Nicholeen Viall, co-autor da investigação e astrofísico do Goddard Space Flight Center da agência espacial norte-americana, em declarações ao portal Live Science. “Só que estas são centenas de vezes maiores do que a Terra”, revelou.

O fenómeno das manchas solares começou a ser estudado no início de 2000, mas a origem e o impacto destes eventos meteorológicos são ainda incertos – apesar de acontecerem com regularidade na nossa estrela. A dimensões destas manchas oscilam entre 50 (tamanho inicial) a 500 vezes o tamanho da Terra, crescendo à medida que se propagam no Espaço, explicou Viall.

Até há pouco tempo, as únicas observações de manchas solares eram oriundas de satélites da Terra, que são capazes de detectar quando um grupo destas bolhas cai no campo magnético do nosso planeta. Contudo, estes instrumentos não conseguem explicar as inúmeras mudanças que as manchas experimentaram desde que são “cuspidas” pelo Sol.

Graças aos dados das sondas solares Helios 1 e Helios 2, Viall e a sua equipa conseguiram observar as manchas “de lava” à medida que estas iam surgindo.

Na nova investigação, cujos resultados foram no fim de Janeiro publicados na revista JGR: Space Physics, os cientistas descobriram que estas manchas ocorrem pelo menos uma vez a cada uma ou duas horas e que são mais quentes e mais densas do que o restante fluxo de partículas altamente carregado (comummente apelidado de vento solar).

“Inclusivamente nos dias de bom clima espacial, em termos de tempestades solares explosivas, um nível climático base sempre ocorre no Sol”, assinalou o especialista, acrescentando que “estas pequenas dinâmicas também impulsionam a dinâmica da Terra”.

Importa frisar que os cientistas não sabem ainda por que motivo as manchas solares são criadas. Contudo, leituras do campo magnético capturadas perto da Terra parecem indicar ser provável que estas “bolhas” se formem no mesmo tipo de explosões que desencadeiam as tempestades solares – explosões maciças de plasma começam a ocorrer quando as linhas do campo magnético do Sol se emaranham, se quebram e e se voltam posteriormente a alinhar.

“Achamos que um processo semelhante está a criar as bolhas numa escala muito menor – pequenas rajadas ambientais em oposição às gigantescas explosões” do Sol, disse Viall.

Os resultados da sonda Parker Solar Probe, da NASA, que foi lançada em Agosto de 2018 e que se encontra a cerca de 24 milhões de quilómetros do Sol, poderão confirmar estas suspeitas em breve. Além dos 40 anos de avanço tecnológico comparativamente com as Helios, a Parker está também muito mais próxima do Sol.

Na sua aproximação mais próxima do Sol, a Parker ficará a “apenas” 6,4 milhões de quilómetros do nosso astro. A partir deste ponto escaldante, a sonda deverá ser capaz de observar as bolhas “logo após o nascimento”, acrescentou Viall.

ZAP //

Por ZAP
15 Abril, 2019

 

1815: NASA capta dois eclipses solares em Marte. Veja-os aqui

Sonda Curiosity captou no mês de Março imagens das duas luas do Planeta Vermelho, Phobos e Deimos, quando escondiam parte do Sol.

Sonda Curiosity capta imagens de eclipse
© NASA

A NASA alcançou mais um feito em Marte com a sua sonda Curiosity, que captou recentemente, ao percorrer o Planeta Vermelho, imagens de dois eclipses solares. As imagens foram reveladas nesta última quinta-feira.

A 17 de Março foram captadas imagens de um eclipse do Sol provocado por Deimos. Dias depois, a 26 de Março, foi a vez da lua de Phobos provocar o seu eclipse. Desde 2012, quando pousou naquele planeta, que a sonda Curiosity estava preparada para estudar este tipo de acontecimento. Na bagagem levava uma câmara Mastcam, com filtros especiais para tais pesquisas eclípticas.

O momento em que Phobos cruza frente ao Sol
© NASA

Além de ser um verdadeiro espectáculo, os eclipses solares marcianos são considerados pelos cientistas como valiosos em termos de informação, pois eles podem ajudar a aperfeiçoar ainda mais os cálculos das órbitas destas duas luas. É que por serem pequenas, as suas trajectórias mudam frequentemente, não só por serem afectadas pela onda gravitacional de Marte, de Júpiter e até mesmo pela influência que uma provoca na outra. E, nos últimos 15 anos, este conhecimento tem sido aperfeiçoado.

O eclipse com Deimos
© NASA

Tudo porque a partir do momento em que os primeiros robôs da NASA chegaram a Marte, em 2004, começaram logo a recolher informação e a documentar os cientistas sobre os eclipses solares, o que diminuiu em muito a incerteza em torno das órbitas das luas.

Imagens dos eclipses solares a partir de Marte
© NASA

Foi assim que os cientistas descobriram que Deimos, a mais pequena lua de Marte, está 40 quilómetros mais longe do que se pensava.

O registo desses fenómenos não é assim tão raro, mas quanto mais informação for possível captar, mais se contribuirá para a investigação.

Desde que os primeiros robôs começaram a fornecer informação, já foram observados 40 eclipses marcianos de Phobos e oito de Deimos, segundo afirma a NASA.

Diário de Notícias
05 Abril 2019 — 23:08