2965: Raro evento astronómico ocorre na próxima semana (e só se repete em 2023)

CIÊNCIA

NASA

Na próxima segunda-feira, 11 de Novembro, Mercúrio passará entre a Terra e o Sol, protagonizando um raro evento astronómico que não se repetirá em 13 anos.

“Da nossa perspectiva da Terra, só podemos ver Mercúrio e Vénus quando [estes] estão ou passam em frente ao Sol (…) e é por isso que este é um evento raro que não quererá perder”, escreve a agência espacial norte-americana (NASA) na sua página oficial.

A AccuWeather, por sua vez, detalhou que este tipo de movimentação ocorre, aproximadamente “13 vezes a cada 100 anos“, indicando que o próximo fenómeno deste tipo acontecerá a 13 de Novembro de 2031.

De acordo com a NASA, o fenómeno poderá ser observado em quase toda a América do Norte e do Sul, bem como na Europa, África e oeste da Ásia.

Durante o espectáculo, que durará 5,5 horas, Mercúrio será visível sob a forma de um ponto negro que se move em frente ao sol. Para observar evento e tendo em conta o tamanho pequeno do planeta, serão necessários binóculos ou telescópios com filtro solar.

Neste sentido, os cientistas recordam ainda que a observação directa do Sol sem equipamentos especiais de protecção pode causar danos nos olhos e perda de visão.

A este fenómeno chama-se o trânsito de Mercúrio. Por orbitar muito próximo da sua estrela, Mercúrio é difícil de observar. O planeta, em termos de tamanho, situa-se entre a Terra e a Lua, é composto sobretudo por ferro e tem uma atmosfera extremamente fina, formada por hélio, oxigénio, hidrogénio, mas também por sódio e potássio.

Apesar da sua proximidade com o Sol, Mercúrio não é o planeta mais quente (é Vénus), mas tem a maior variação de temperatura, entre -180ºC e +450ºC. Orbita o Sol em 87,97 dias e as suas crateras fazem lembrar as da Lua.

À semelhança de Mercúrio, também Vénus pode passar entre a Terra e o Sol, o que acontece duas vezes em cada cem anos.

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5 Novembro, 2019

 

2782: O Sol é muito pequeno para acabar como buraco negro

CIÊNCIA

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

O Sol não acabará a sua vida, tal como muitas outras estrelas, convertendo-se num buraco negro ou numa estrela de neutrões, recorda a NASA, dando conta que o seu destino final é outro: uma anã branca.

De acordo com a agência espacial norte-americana, a nossa estrelas precisaria de ser cerca de 20 vezes mais massivo para que terminasse a sua vida como buraco negro.

Segundo explica a NASA, as estrelas que nascem com este tamanho – 20 vezes a massa do Sol – ou com um tamanho maior podem explodir numa super-nova no final das suas vidas antes de desabar num buraco negro, objecto cósmico de grande força gravitacional. Nada, nem mesmo a luz, lhe pode escapar.

Algumas estrelas menores são suficientemente grandes para se tornarem super-novas, mas pequenas demais para se tornarem buracos negros. Por isso, estas entrarão em colapso em estruturas super densas – as chamadas estrelas de neutrões – depois de explodirem como uma super-nova.

O Sol também não é suficientemente grande para esse destino final: tem apenas um décimo da massa necessária para se tornar uma estrela de neutrões.

Então, o que acontecerá com o Sol? Dentro de 6 mil milhões de anos, a nossa estrela terminará como uma anã branca, um pequeno e denso remanescente de uma estrela que brilha com o excesso de calor. O processo, aponta a NASA, começará em cerca de 5.000 milhões de anos, quando o Sol começar a ficar sem combustível.

Tal como a maioria das estrelas, durante a fase principal da sua vida, o Sol cria energia através da fusão de átomos de hidrogénio no seu núcleo.  Daqui a 5.000 milhões de anos, o Sol começará a ficar sem hidrogénio, entrando assim em colapso. Esta situação permitirá ao Sol começar a fundir elementos mais pesados no núcleo, juntamente com a  fusão de hidrogénio numa concha envolvida em torno do núcleo.

Quando isso acontecer, a temperatura do Sol aumentará e as camadas externas da sua atmosfera vão expandir-se muito no Espaço, ao ponto de “engolir” a Terra – situação que tornaria a Terra inabitável para a vida tal como a conhecemos.

Esta será a fase gigante vermelha, que durará cerca de mil milhões de anos até que o Sol entre em colapso total para formar uma anã branca.

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6 Outubro, 2019

 

2480: Lua brilha mais do que o Sol em imagens do Fermi da NASA

Estas imagens mostram a visão cada vez mais aprimorada do brilho de raios-gama da Lua do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA. Cada imagem de 5 por 5 graus é centrada na Lua e mostra raios-gama com energias acima dos 31 milhões de electrões-volt, dezenas de milhões de vezes superiores à da luz visível. Nestas energias, a Lua é realmente mais brilhante do que o Sol. As cores mais brilhantes indicam um maior número de raios-gama. Esta sequência de imagens mostra como exposições mais longas, variando de dois a 128 meses (10,7 anos), melhorou a visão.
Crédito: NASA/DOE/Colaboração LAT do Fermi

Se os nossos olhos pudessem ver radiação altamente energética chamada raios-gama, a Lua pareceria mais brilhante do que o Sol! É assim que o Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA tem visto o nosso vizinho no espaço ao longo da última década.

As observações de raios-gama não são sensíveis o suficiente para ver claramente a forma de disco da Lua ou quaisquer características da superfície. Em vez disso, o LAT (Large Area Telescope) do Fermi detecta um brilho proeminente centrado na posição da Lua no céu.

Mario Nicola Mazziotta e Francesco Loparco, ambos do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália em Bari, têm analisado o brilho da radiação gama da Lua como forma de entender melhor um outro tipo de radiação espacial: partículas velozes chamadas raios cósmicos.

“Os raios cósmicos são principalmente fotões acelerados por alguns dos fenómenos mais energéticos do Universo, como ondas de choque de estrelas explosivas e jactos produzidos quando a matéria cai em buracos negros,” explicou Mazziotta.

Dado que as partículas são electricamente carregadas, são fortemente afectadas por campos magnéticos, que a Lua não possui. Como resultado, até raios cósmicos de baixa energia podem alcançar a superfície, transformando a Lua num prático detector espacial de partículas. Quando os raios cósmicos atacam, interagem com a superfície poeirenta da Lua, de nome rególito, para produzir emissão de raios-gama. A Lua absorve a maioria destes raios-gama, mas alguns escapam.

Mazziotta e Loparco analisaram as observações lunares do LAT do Fermi para mostrar como a visão melhorou durante a missão. Eles reuniram dados de raios-gama altamente energéticos acima dos 31 milhões eV (electrão-volt) – mais de 10 milhões de vezes superior à energia da luz visível – e organizaram-nos ao longo do tempo, mostrando como exposições mais longas melhoram a visão.

“Vista a estas energias, a Lua nunca passaria pelo seu ciclo mensal de fases e ficaria sempre Cheia,” explicou Loparco.

À medida que a NASA planeia enviar novamente seres humanos à Lua até 2024 através do programa Artemis, com o objectivo eventual de enviar astronautas a Marte, a compreensão dos vários aspectos do ambiente lunar assume uma nova importância. Estas observações de raios-gama são uma lembrança de que os astronautas da Lua precisarão de protecção contra os mesmos raios cósmicos que produzem esta radiação gama de alta energia.

Embora o brilho de raios-gama da Lua seja surpreendente e impressionante, o Sol ainda brilha mais, com energias superiores a mil milhões de electrões-volt. Os raios cósmicos com energias mais baixas não alcançam o Sol porque o seu poderoso campo magnético os impede. Mas os raios-gama muito mais energéticos podem penetrar este campo magnético e atingir a atmosfera mais densa do Sol, produzindo raios-gama que chegam ao Fermi.

Embora a Lua, em raios-gama, não mostre um ciclo mensal de fases, o seu brilho varia com o tempo. Os dados do LAT do Fermi mostram que o brilho da Lua varia em cerca de 20% ao longo do ciclo de 11 anos do Sol. As variações na intensidade do campo magnético do Sol durante o ciclo mudam a quantidade de raios cósmicos que chegam à Lua, alterando a produção de raios-gama.

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2377: NASA publica fotografia impressionante da Estação Espacial a passar à frente do Sol

Rainee Colacurcio / NASA

A imagem astronómica de 15 de Julho, escolhida diariamente pela NASA, é uma combinação de fotografias que mostra o Sol e a Estação Espacial Internacional a passar no momento certo.

A Estação Espacial Internacional (EEI) dá uma volta à Terra a cada 90 minutos, pelo que não é incomum que ela passe pelo Sol. No entanto, “alguém conseguir alinhar o seu equipamento fotográfico no momento certo para fazer uma imagem tão boa, isso sim, é raro”, lê-se no site onde a NASA e a Universidade de Michingan, nos Estados Unidos, distinguem uma imagem ligada à Astronomia por dia.

A imagem escolhida do dia 15 de Julho foi fotografada por Rainee Colarcurcio. A fotografia é impressionante não só por captar a Estação Espacial em frente ao Sol, mas também porque não se vê qualquer mancha solar.

“As manchas solares têm uma mancha central escura, uma sombra mais clara e não têm painéis solares”, brinca o astrónomo responsável pelo texto que explica a imagem, citado pelo Público.

@RaineeLC

Solar transit from Edmonds Beach edited- small prominences brought out and colorized:) #iss #InternationalSpaceStation #isslive #nasa #science #solaraystem #astronomypicturesdaily

De acordo com o diário, a fotógrafa publicou várias imagens onde se vê a Estação Espacial Internacional sobreposta em vários pontos da superfície solar, enquanto orbitava a Terra.

Para conseguir este feito, Colarcucio combinou duas fotografias tiradas na praia de Edmonds, em Washington: uma que mostra a EEI a passar pelo Sol e outra que capturou os detalhes da superfície solar. As manchas solares têm sido raras devido a um período de actividade solar extremamente baixa.

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28 Julho, 2019

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Cientistas descobrem história do Sol “enterrada” na crosta da Lua

A sonda SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA capturou esta imagem de uma proeminência solar no dia 2 de Outubro de 2014. A proeminência solar é o “flash” brilhante de luz para a direita do limbo do Sol. Logo abaixo pode ser vista uma explosão de material solar para o espaço.
Crédito: NASA/SDO

É graças ao Sol que estamos aqui. É também essa a razão porque não existem marcianos nem venusianos.

Quando o Sol era apenas um bebé, há 4 mil milhões de anos, passou por explosões violentas de radiação intensa, expelindo nuvens e partículas abrasadoras altamente energéticas por todo o Sistema Solar. Estas fases ajudaram a semear vida na Terra primitiva, provocando reacções químicas que mantinham o nosso planeta quente e húmido. No entanto, estas “birras solares” podem também ter impedido a vida de emergir noutros mundos, despojando-os de atmosferas e quebrando substâncias químicas nutritivas.

O quão destrutivos estes ataques primordiais foram para outros mundos dependeria da rapidez com que o Sol bebé girava sob si próprio. Quando mais rápida a sua rotação, mais depressa teria destruído as condições de habitabilidade.

No entanto, esta parte crítica da história do Sol tem atormentado os cientistas, disse Prabal Saxena, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. Saxena estuda como o clima espacial, variações na actividade solar e outras condições de radiação no espaço, interage com as superfícies dos planetas e das luas.

Agora, ele e outros cientistas estão a perceber que a Lua, que a NASA espera visitar novamente com astronautas até 2024, contém pistas para os antigos mistérios do Sol, que são cruciais para entender o desenvolvimento da vida.

“Não sabíamos como o Sol era nos primeiros mil milhões de anos, e é muito importante porque provavelmente mudou a forma como a atmosfera de Vénus evoluiu e a rapidez com que perdeu água. Também provavelmente mudou a rapidez com que Marte perdeu a sua atmosfera e mudou a química atmosférica da Terra,” acrescentou Saxena.

A ligação Sol-Lua

Saxena “tropeçou” na investigação do mistério da rotação do Sol primitivo enquanto contemplava um outro mistério aparentemente não relacionado: porque é que, tendo em conta que a Lua e a Terra são compostas basicamente das mesmas substâncias, há significativamente menos sódio e potássio no rególito lunar, ou solo da Lua, do que no solo da Terra?

Esta questão, revelada através de análises de amostras lunares trazidas pelo programa Apolo e por meteoritos lunares encontrados cá na Terra, também intriga os cientistas há décadas – e desafia a principal teoria de como a Lua se formou.

O nosso satélite natural tomou forma, diz a teoria, quando um objecto do tamanho de Marte colidiu com a Terra há cerca de 4,5 mil milhões de anos. A força desta colisão enviou materiais para órbita, onde se fundiram para formar a Lua.

“A Terra e a Lua teriam sido formadas com materiais similares, de modo que a questão é: porque é que estes elementos são praticamente inexistentes na Lua?” salientou Rosemary Killen, cientista planetária em Goddard, da NASA, que investiga o efeito do clima espacial em atmosferas planetárias e exosferas.

Os dois cientistas suspeitaram que uma grande questão informava a outra – que a história do Sol está enterrada na crosta da Lua.

O trabalho anterior de Killen lançou as bases para a investigação da equipa. Em 2012, ela ajudou a simular o efeito da actividade solar sobre a quantidade de sódio e potássio que é ou entregue à superfície da Lua ou repelida por um fluxo de partículas carregadas do Sol, conhecido como vento solar, ou por poderosas erupções conhecidas como ejeções de massa coronal.

Saxena incorporou a relação matemática entre a rotação de uma estrela e a sua actividade explosiva. Esta percepção foi derivada por cientistas que estudaram a actividade de milhares de estrelas descobertas pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA: quanto mais depressa uma estrela gira, descobriram, mais violentas são as suas ejecções. “À medida que aprendemos mais sobre outras estrelas e planetas, especialmente estrelas como o nosso Sol, começamos a ter uma visão mais abrangente de como o Sol evoluiu com o tempo,” disse Saxena.

Usando modelos computacionais sofisticados, Saxena, Killen e colegas pensam ter resolvido finalmente ambos os mistérios. As suas simulações por computador, que descreveram na edição de 3 de maio da revista The Astrophysical Journal Letters, mostram que o Sol primitivo girou mais lentamente do que 50% das estrelas bebés. De acordo com as suas estimativas, nos seus primeiros mil milhões de anos, o Sol demorava pela menos 9 a 10 dias a completar uma rotação.

Os cientistas determinaram isto simulando a evolução do nosso Sistema Solar sob uma estrela lenta e média e, em seguida, sob uma estrela de rápida rotação. E descobriram que apenas uma versão – a estrela de rotação lenta – foi capaz de expelir a quantidade certa de partículas carregadas para a superfície da Lua a fim de expulsar sódio e potássio suficientes para o espaço ao longo do tempo e assim deixar as quantidades que vemos nas rochas lunares hoje.

“O clima espacial foi provavelmente uma das principais influências da evolução de todos os planetas do Sistema Solar,” explicou Saxena, “de modo que qualquer estudo de habitabilidade planetária precisa de o ter em conta.”

Vida sob um Jovem Sol

A rotação do Sol bebé é parcialmente responsável pela vida na Terra. Mas para Vénus e Marte – ambos planetas rochosos semelhantes à Terra – pode ter sido um factor negativo (Mercúrio, o planeta rochoso mais próximo do Sol, nunca teve sequer hipóteses).

A atmosfera da Terra já foi muito diferente da de hoje, que é dominada pelo oxigénio. Quando a Terra se formou há 4,6 mil milhões de anos, uma fina camada de hidrogénio e hélio agarrava-se ao nosso planeta fundido. Mas as explosões do jovem Sol removeram essa neblina primordial em apenas 200 milhões de anos.

À medida que a crosta terrestre se solidificava, os vulcões gradualmente cuspiram uma nova atmosfera, enchendo o ar com dióxido de carbono, água e azoto. Ao longo dos mil milhões de anos seguintes, a primeira vida bacteriana consumiu o dióxido de carbono e, em troca, libertou metano e oxigénio para a atmosfera. A Terra também desenvolveu um campo magnético, que ajudou a protegê-la do Sol, permitindo que a nossa atmosfera se transformasse no ar rico em oxigénio e azoto que respiramos hoje.

“Tivemos a sorte da atmosfera da Terra ter sobrevivido a tempos terríveis,” comentou Vladimir Airapetian, heliofísico e astrobiólogo de Goddard que estuda como o clima espacial afeta a habitabilidade dos planetas terrestres. Airapetian trabalhou com Saxena e Killen no estudo do Sol primordial.

Tivesse o nosso Sol sido um objecto de rápida rotação, teriam ocorrido super-explosões 10 vezes mais fortes do que qualquer outra na história registada, pelo menos 10 vezes por dia. Mesmo o campo magnético da Terra não teria sido suficiente para a proteger. As proeminências solares teriam dizimado a atmosfera, reduzindo a tal ponto a pressão do ar que a Terra deixaria de albergar água líquida. “Poderia ter sido um ambiente muito mais duro,” observou Saxena.

Mas o Sol girou a um ritmo ideal para a Terra, que prosperou durante os primeiros estágios da nossa estrela. Vénus e Marte não tiveram tanta sorte. Vénus já foi coberto por oceanos de água e pode ter sido habitável. Mas, devido a muitos factores, incluindo a actividade solar e a falta de um campo magnético gerado internamente, Vénus perdeu o seu hidrogénio – um componente crítico da água. Como resultado, e de acordo com as estimativas, os seus oceanos evaporaram nos primeiros 600 milhões de anos da sua existência. A atmosfera do planeta tornou-se espessa com dióxido de carbono, uma molécula pesada que é mais difícil de expulsar. Estas forças levaram a um efeito de estufa que deixou Vénus com uma temperatura de 462º C, quente demais para a vida.

Marte, mais distante do Sol do que a Terra, parecia estar mais seguro das explosões estelares. No entanto, tinha menos protecção do que a Terra. Devido em parte ao fraco campo magnético do Planeta Vermelho e à baixa gravidade, o Sol primitivo gradualmente conseguiu soprar para longe o seu ar e a sua água. Há cerca de 3,7 mil milhões de anos, a atmosfera marciana havia se tornado tão fina que a água líquida evaporava imediatamente para o espaço (ainda existe água no planeta, congelada nas calotes polares e no solo).

Depois de influenciar a vida (ou a falta dela) nos planetas interiores, o Sol, cada vez mais adulto, gradualmente desacelerou o seu ritmo e ainda assim continua. Hoje, completa uma rotação sob si próprio a cada 27 dias, três vezes mais devagar do que na infância. A rotação mais lenta torna o Sol muito menos activo, embora ainda tenha ocasionalmente surtos violentos.

Explorando a Lua, testemunha da evolução do Sistema Solar

Para aprender mais sobre o início do Sol, disse Saxena, não precisamos ir além da Lua, um dos artefactos mais bem preservados do jovem Sistema Solar.

“A razão pela qual a Lua acaba sendo um calibrador realmente útil e uma janela para o passado é que o nosso satélite não tem uma atmosfera irritante nem placas tectónicas para reciclar a crosta,” comentou. “Então, como resultado, podemos dizer: ‘Se as partículas solares ou qualquer outra coisa atingir a Lua, o seu solo deverá mostrar evidências.'”

As amostras das Apolo e os meteoritos lunares são um excelente ponto de partida para estudar o início do Sistema Solar, mas são apenas pedaços pequenos de um grande e misterioso quebra-cabeças. As amostras pertencem a uma pequena região perto do equador lunar e os cientistas não podem dizer com toda a certeza de onde da Lua os meteoritos vieram, o que torna difícil colocá-los no contexto geológico.

Dado que o pólo sul abriga crateras permanentemente à sombra, onde esperamos encontrar o material mais bem preservado da Lua, incluindo água congelada, a NASA pretende enviar uma expedição humana a essa região até 2024.

Se os astronautas conseguirem recolher amostras de solo lunar da região mais a sul da Lua, elas podem fornecer evidências físicas da rotação do Sol bebé, comentou Airapetian, que suspeita que as partículas solares teriam sido desviadas pelo antigo campo magnético da Lua há 4 mil milhões de anos e depositadas nos pólos: “De modo que seria de esperar – embora nunca nos tenhamos debruçado sobre isso – que a química dessa parte da Lua, aquela exposta ao jovem Sol, seria muito mais alterada do que as regiões equatoriais. Há muita ciência a ser feita lá.”

Astronomia On-line
21 de Junho de 2019

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2188: A Humanidade poderia mover a órbita da Terra para escapar à morte do Sol

CIÊNCIA

(CCO/PD) Buddy_Nath / Pixabay

O Sol vai morrer e sufocar a Terra com a sua própria agonia. O engenheiro espacial Matteo Ceriotti defende que, para conseguir escapar a este terror, a Humanidade poderia empurrar a órbita da terra para uma distância segura e, assim, sair ilesa deste evento catastrófico.

No filme de ficção científica The Wandering Earth (Terra à Deriva), disponível na Netflix, a Humanidade tenta mudar a órbita da Terra para escapar do Sol em expansão e, assim, evitar uma colisão com Júpiter. Este cenário pode, um dia, tornar-se realidade, pelo menos de acordo com Matteo Ceriotti, engenheiro espacial da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Daqui a cinco mil milhões de anos, o Sol começará a morrer, expandindo-se a uma velocidade extrema, atormentando a Terra. Se quiserem escapar a esta obliteração cósmica, os seres humanos precisam de pensar com antecedência no plano B.

A melhor aposta da Humanidade é migrar para outro planeta. No entanto, com planeamento suficiente, Ceriotti acredita que poderia ser possível empurrar a órbita da Terra em redor do Sol para uma distância segura onde a explosão não nos atingiria.

A tecnologia de viagens espaciais está em expansão e os cientistas esperam que melhore consideravelmente nos próximos anos. Ainda assim, o investigador analisou números com base no padrão actual e chegou à conclusão que para impulsionar o nosso planeta até à distância da órbita de Marte, a Humanidade precisaria de minerar 85% da massa do planeta para construir foguetes suficientes (300 mil milhões) para empurrar os 15% restantes para a órbita do Planeta Vermelho.

Na The Conversation, o cientista explicou que a Ciência tem explorado várias técnicas para mover pequenos corpos, como asteróides, da sua órbita para proteger o nosso planeta de eventuais impactos. Algumas dessas técnicas são baseadas numa acção impulsiva e, muitas vezes, destrutiva: uma explosão nuclear perto ou até mesmo na superfície do asteróide – uma solução que não funcionaria no caso da Terra.

Outras técnicas envolvem um impulso suave e contínuo durante um longo período de tempo, fornecido por uma espécie de rebocador ancorado na superfície do corpo celeste, ou por uma nave espacial a pairar perto dele. Segundo o Futurism, esta solução também não pode ser aplicada ao nosso planeta, uma vez que a sua massa é enorme, comparada com os maiores asteróides.

Na verdade, nós já estamos a mover a órbita da Terra: quando lançamos uma sonda em direcção a outro planeta, ela transmite um pequeno impulso que empurra o nosso planeta na direcção oposta. Felizmente (ou infelizmente) este efeito é muito pequeno.

Assim, Matteo Ceriotti argumenta que o Falcon Heavy, da SpaceX, é o veículo de lançamento mais capaz que temos actualmente à disposição para o efeito, mas não seria suficiente.

Ceriotti argumentou que os propulsores a laser seriam mais eficazes do que os propulsores da Falcon Heavy, mas eles nem sequer existem. Por isso, pelo menos para já, a solução mais realista é encontrar um novo planeta para viver.

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Por ZAP
17 Junho, 2019

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2178: O Sol pode ter dupla personalidade

CIÊNCIA

NASA/SDO
Manchas solares

Através de uma simulação, uma equipa de cientistas descobriu pistas que indicam que o Sol pode ter dupla personalidade.

Através de simulações computacionais, uma equipa de cientistas da Universidade do Colorado, em Boulder, conseguiu capturar a turbulência interna do Sol. Ao fazer isso, os cientistas identificaram algo fora do comum: em raras ocasiões, a dinâmica interna da estrela pode sair das suas habituais rotinas e mudar para um estado alternativo.

Loren Matilsky, que integra a equipa responsável por estas observações, explica que a existência deste “alter ego solar poderia fornecer novas pistas sobre os processos que regem o relógio interno do Sol – ciclo segundo o qual a nossa estrela muda de períodos de alta para baixa actividade, a cada 11 anos”.

“Não sabemos o que define o período do ciclo do Sol ou por que motivo alguns ciclos são mais violentos do que outros. O nosso objectivo final é mapear o que observamos no modelo para a superfície do Sol, para que possamos fazer previsões futuras”, adianta, citado pelo Tech Explorist.

Na imagem, podemos observar as simulações do dínamo solar durante várias centenas de ano. Durante os ciclos colares ditos “normais” (em cima), o dínamo forma-se simetricamente nos hemisférios norte e sul e move-se em direcção ao equador antes de reiniciar. Pelo contrário, no ciclo “alternativo“, como os cientistas o baptizaram, o dínamo solar forma-se num hemisfério sobre o outro e depois vagueia durante vários anos.

Loren Matilsky / Juri Toomre
Dínamo solar

O dínamo solar é essencialmente uma concentração de energia magnética da estrela. É formado pela rotação e torção dos gases quentes dentro do Sol e pode ter grandes impactos. Um dínamo solar especialmente activo, por exemplo, pode gerar um grande número de manchas e explosões solares.

No entanto, estudar o dínamo solar é um verdadeiro desafio, devido à sua formação no interior da estrela, longe do alcance da maioria dos instrumentos científicos.

A equipa da universidade norte-americana analisou a actividade no terço externo desse interior, caracterizado pelos cientistas como “uma panela esférica de água a ferver”. Com o modelo, foram capazes de descobrir que o dínamo solar se formou a norte e a sul do equador do Sol. Depois de um ciclo regular, esse dínamo moveu-se em direcção ao equador e parou.

Mas, aproximadamente duas vezes a cada 100 anos, o Sol (na simulação) tinha um comportamento distinto: o dínamo solar não seguiu o mesmo ciclo. Em vez disso, agrupou-se num hemisfério sobre o outro.

Neste ciclo alternativo, “o dínamo ficaria num hemisfério por alguns ciclos, e passaria depois para o outro”, explica Matilsky, num comunicado. “Eventualmente, o dínamo solar retornaria ao seu estado original.”

Apesar de este padrão poder ser uma falha do modelo computacional, pode também ser o espelho do comportamento real e desconhecido do dínamo do Sol. Em várias ocasiões, astrónomos viram manchas solares a aparecer num hemisfério solar em detrimento do outro, uma observação que coincide com as descobertas desta equipa de cientistas.

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Por ZAP
15 Junho, 2019

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2168: Super-erupções do Sol podem “fritar” satélites e redes eléctricas nos próximos cem anos

CIÊNCIA

NASA

Na fronteira da Via Láctea, produz-se um dos espectáculos pirotécnicos mais brilhantes da galáxia. Algumas estrelas jovens e activas, por razões que os cientistas ainda desconhecem, lançam explosões de energia que podem ser vistas a centenas de anos-luz de distância.

Estas super-erupções têm uma potência arrebatadora, na ordem de centenas a milhares de vezes maior do que a maior já registada com instrumentos modernos na Terra. Até recentemente, de acordo com um comunicado, os investigadores supunham que estas explosões não poderiam acontecer no nosso antigo e tranquilo Sol.

Porém, um novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal a partir de dados de diferentes telescópios, afirma que o sol também tem a capacidade de causar grandes erupções, ainda que apenas uma vez em cada poucos milhares de anos.

Se algo semelhante tivesse acontecido há mil anos, as consequências teriam sido reduzidas a uma aurora resplandecente no céu. Mas, agora, alertam os cientistas, isso causaria estragos nas comunicações via satélite e redes de energia do nosso planeta – uma catástrofe em escala global.

Yuta Notsu, investigador da Universidade da Califórnia em Boulder, é o principal autor do estudo, revelado na reunião anual da American Astronomical Society em St. Louis, EUA. Na sua opinião, os resultados devem ser um alerta para a vida no nosso planeta.

“O nosso estudo mostra que as super-erupções são eventos raros”, disse Notsu, de acordo com a ABC. “Mas há uma possibilidade de que possamos experimentá-lo nos próximos 100 anos”.

Se uma super-chama viesse do Sol, a Terra provavelmente estaria no caminho de uma onda de radiação de alta energia. Tal explosão poderia interromper a electrónica mundial, causando apagões e curtos-circuitos nos satélites de comunicação em órbita.

Os cientistas descobriram este fenómeno pela primeira vez graças ao Telescópio Espacial Kepler. A nave da NASA, lançada em 2009, procura planetas que giram em torno de estrelas distantes da Terra. Mas também encontrou algo estranho: às vezes, a luz das estrelas distantes parecia subitamente e momentaneamente mais brilhante.

As explosões de tamanho normal são comuns no Sol. “Quando o nosso Sol era jovem, era muito activo porque girava muito rápido e provavelmente gerava chamas mais poderosas”, explicou o investigadores. “Mas não sabíamos se existem grandes labaredas no Sol moderno com uma frequência muito baixa”.

Para descobrir, Notsu e uma equipa internacional de cientistas voltaram-se para dados da sonda Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) e do Observatório Apache Point, no Novo México. Durante uma série de estudos, o grupo usou os instrumentos para delinear uma lista de super-chamas provenientes de 43 estrelas que se assemelhavam ao nosso Sol. Depois, submeteram esses eventos raros a uma análise estatística rigorosa.

A conclusão: a idade é importante. De acordo com os cálculos da equipa, as estrelas mais jovens tendem a produzir o maior número de super-erupções. Mas as estrelas mais antigas, como o nosso Sol, agora com ​​4,6 mil milhões de anos, também as produzem. “Estrelas jovens têm super-chamas uma vez por semana”, afirmou Notsu. “O Sol faz isso uma vez a cada poucos milhares de anos em média.”

Notsu está convencido de que este grande evento acontecerá, embora não saiba dizer quando. No entanto, isso poderia dar tempo para nos prepararmos, protegendo a electrónica no solo e em órbita da radiação no espaço.

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Por ZAP
14 Junho, 2019

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2132: Resolvendo o mistério do super-aquecimento do Sol com a Parker Solar Probe

Gráfico do Sol.
Crédito: Universidade de Michigan

É um dos maiores e mais antigos mistérios que rodeiam, literalmente, o nosso Sol – porque é que a sua atmosfera exterior é mais quente do que a sua escaldante superfície?

Investigadores da Universidade de Michigan acreditam que possuem a resposta e esperam prová-lo com a ajuda da sonda Solar Parker Probe da NASA.

Daqui a aproximadamente dois anos, a sonda será a primeira nave feita pelo Homem a entrar na zona em torno do Sol onde o aquecimento parece fundamentalmente diferente daquilo já visto no espaço. Isto permitirá com que testem a sua teoria de que o aquecimento é devido a pequenas ondas magnéticas que viajam para a frente e para trás dentro da zona.

A resolução deste enigma permitiria aos cientistas melhor entender e prever o clima solar, que pode representar séries ameaças à rede eléctrica da Terra. E o primeiro passo é determinar onde o aquecimento da atmosfera exterior do Sol começa e termina – um quebra-cabeças sem escassez de teorias.

“Seja qual for a física por trás desse super-aquecimento, é um quebra-cabeças que nos olha nos olhos há 500 anos,” disse Justin Kasper, professor de ciências climáticas e espaciais da Universidade de Michigan e investigador principal da missão Parker. “Daqui a apenas dois anos, a Parker Solar Probe finalmente revelará a resposta.”

A teoria dos cientistas, e o modo como vão usar a sonda para a testar, foi apresentada num artigo publicado dia 4 de Junho na revista The Astrophysical Journal Letters.

Nesta “zona de aquecimento preferencial”, acima da superfície do Sol, as temperaturas sobem globalmente. Ainda mais bizarro, os elementos individuais são aquecidos a diferentes temperaturas, ou preferencialmente. Alguns iões mais pesados são super-aquecidos até ficarem 10 vezes mais quentes do que o hidrogénio que está em toda a parte nesta área – mais quente que a superfície do Sol.

Estas altas temperaturas fazem com que a atmosfera solar cresça para muitas vezes o diâmetro do Sol e são a razão pela qual vemos a coroa estendida durante os eclipses solares. Nesse sentido, comentou Kasper, o mistério do aquecimento coronal é conhecido dos astrónomos há mais de meio milénio, mesmo que as altas temperaturas só tenham sido apreciadas apenas no último século.

Esta mesma zona apresenta “ondas Alfvén” hidromagnéticas que se movem para a frente e para trás entre a sua orla mais externa e a superfície do Sol. Na extremidade, chamada ponto de Alfvén, o vento solar move-se mais depressa do que a velocidade de Alfvén, e as ondas não podem mais viajar de volta para o Sol.

“Quando estamos abaixo do ponto de Alfvén, estamos nesta sopa de ondas,” explicou Kasper. “As partículas carregadas são desviadas e aceleradas pelas ondas vindas de todas as direcções.”

Ao tentar estimar a que distância da superfície do Sol este aquecimento preferencial é interrompido, a equipa da Universidade de Michigan examinou décadas de observações do vento solar pela sonda Wind da NASA.

Eles observaram o quanto do aumento da temperatura do hélio, perto do Sol, era eliminado pelas colisões entre os iões no vento solar enquanto viajam até à Terra. A observação do decaimento da temperatura do hélio permitiu com que medissem a distância até à orla externa da zona.

“Pegámos em todos os dados e tratámo-los como um cronómetro para descobrir quanto tempo passou desde que o vento foi super-aquecido,” disse Kasper. “Dado que sabemos a velocidade a que esse vento se desloca, podemos converter a informação a uma distância.”

Esses cálculos colocam a orla externa da zona de super-aquecimento a cerca de 10 a 50 raios solares da superfície. Era impossível ser mais definitivo, pois alguns valores só podem ser adivinhados.

Inicialmente, Kasper não pensou em comparar a sua estimativa da localização da zona com o ponto Alfvén, mas queria saber se havia uma localização fisicamente significativa no espaço que produz o limite externo.

Depois de ler que o ponto Alfvén e outras superfícies foram observadas a expandir e a contrair com a actividade solar, Kasper e o co-autor Kristopher Klein, ex-pós-doc da mesma Universidade e novo docente da Universidade do Arizona, retrabalharam a sua análise procurando mudanças, ano após ano, em vez de considerar toda a missão da sonda Wind.

“Para minha surpresa, o limite externo da zona de aquecimento preferencial e o ponto Alfvén moveram-se de maneira totalmente previsível, apesar de serem cálculos completamente independentes,” disse Kasper. “Sobrepomos os gráficos um sobre o outro e fazem exactamente a mesma coisa ao longo do tempo.”

Então, será que o ponto Alfvén marca a fronteira externa da zona de aquecimento? E o que está exactamente a mudar sob o ponto de Alfvén que super-aquece iões pesados? Devemos saber nos próximos dois anos. A Parker Solar Probe levantou voo em Agosto de 2018 e já teve o seu primeiro encontro com o Sol em Novembro de 2018 – aproximando-se já do Sol mais do que qualquer outro objecto feito pelo Homem.

Nos próximos anos, a Parker aproximar-se-á cada vez mais a cada passagem até que caia abaixo do ponto de Alfvén. No seu artigo, Kasper e Klein prevêem que deve entrar na zona de aquecimento preferencial em 2021, à medida que a fronteira se expande com o aumento da actividade solar. De seguida, NASA terá informações directas da fonte para responder a todos os tipos de perguntas de longa data.

“Com a Parker Solar Probe, vamos poder determinar definitivamente, através de medições locais, quais os processos que levam à aceleração do vento solar e ao aquecimento preferencial de certos elementos,” disse Klein. “As previsões neste artigo sugerem que estes processos estão a operar abaixo da superfície de Alfvén, uma região perto do Sol que nenhuma nave ainda visitou, o que significa que estes processos preferenciais de aquecimento nunca foram medidos directamente.”

Kasper é o investigador principal da Investigação SWEAP (Solar Wind Electrons Alphas and Protons) da Parker Solar Probe. Os sensores da SWEAP recolhem partículas do vento solar e coronais durante cada encontro para medir a velocidade, temperatura e densidade e esclarecem o mistério do aquecimento.

Astronomia On-line
7 de Junho de 2019



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2103: O misterioso ciclo de 11 anos do Sol pode estar relacionado com o alinhamento dos planetas

CIÊNCIA

35393 / pixabay

A cada 11 anos, o Sol passa de uma labareda desenfreada e actividade de manchas solares para um período mais calmo, antes de intensificar-se novamente.

É quase tão regular como um relógio – e há anos que os astrónomos se perguntam o que o causa. Agora, propuseram uma nova solução. Embora os planetas do Sistema Solar sejam muito menores que o Sol, a gravidade de alguns deles é capaz de influenciar o campo magnético da nossa estrela. Isso, afirmam os investigadores, é o que controla o ciclo solar.

Vénus, Terra e Júpiter reclamam um pequeno puxão gravitacional enquanto orbitam. O resultado é comparável ao modo como a gravidade da Lua influencia as marés da Terra, produzindo um fluxo e refluxo regulares.

A equipa rastreou mil anos de ciclos solares, entre os anos 1000 e 2009, comparando os dados com os movimentos dos planetas naquele tempo, encontraram um elo impressionantemente forte entre os dois. “Há um nível surpreendentemente alto de concordância: o que vemos é um completo paralelismo com os planetas ao longo de 90 ciclos”, disse o físico Frank Stefani, do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf, na Alemanha, em comunicado.

O que a equipa descobriu, de acordo com o estudo publicado na revista Solar Physics, é que as forças de maré são mais fortes quando a Terra, Vénus e Júpiter se alinham, e que esse alinhamento ocorre a cada 11,07 anos. O efeito é fraco, incapaz de afectar o interior do Sol. Isso, potencialmente, pode ser o motivo pelo qual ninguém conectou anteriormente o ciclo solar e a periodicidade do alinhamento planetário.

Mas a equipa descobriu que, apesar de ser fraca, as forças de maré ainda podem afectar o campo magnético do Sol. Em particular, podem influenciar oscilações na instabilidade de Tayler. Tais instabilidades aparecem em campos magnéticos toroidais, onde a pressão é aplicada perpendicularmente à direcção do campo.

Isso faz com que o campo fique comprimido, como uma coluna vertebral, criando instabilidades. Esses “discos escorregadios” no campo magnético são as instabilidades de Tayler e criam perturbações no fluxo solar e no campo magnético.

Mesmo uma pequena quantidade de energia – como, por exemplo, um evento de maré – pode reverter as oscilações das perturbações. Se esses eventos de maré estivessem a ocorrer a cada 11 anos aproximadamente, poderiam desencadear uma inversão cíclica na polaridade do campo magnético, resultando em flutuações regulares na actividade que corresponde ao ciclo.

Este modelo pode ajudar a explicar outros mistérios sobre o sol. Por exemplo, a maioria dos ciclos solares tem dois picos no máximo, com uma breve pausa entre eles. Outras regiões a serem exploradas são a maneira como as forças de maré afectam potencialmente as camadas de plasma na base da zona de convecção.

Isto também poderia ajudar a entender as gigantescas ondas magnetizadas de Rossby que só recentemente foram descobertas a ondular através do Sol – e podem ter algo a ver com a actividade do reflexo. Por sua vez, isso poderia ajudar a prever as explosões violentas e gigantescas, considerando que têm o potencial de afectar a nossa vida aqui na Terra.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Junho, 2019

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2061: Fenómeno astronómico deixou o México sem sombras durante 3 dias

CIÊNCIA

(dr) Noticieros Cadena RASA / Facebook

Habitantes de Yucatán viveram um dos casos mais estranhos que ocorrem durante o ano em território mexicano. Entre os dias 23 e 25 de maio, um fenómeno astronómico deixou o estado mexicano sem sombras. Chama-se a passagem do “sol no topo”.

Este fenómeno acontece quando o Sol fica no seu ponto de maior verticalidade sobre a Terra, o que faz que as sombras laterais desapareçam. Outra consequência do “sol no topo” é o aumento da radiação solar.

O astrónomo Eddie Salazar Gamboa anunciou a semana passa que a partir do dia 23 (às 13h14, horário local) até o dia 25 de maio, o fenómeno astronómico do sol seria registado em Yucatán, de modo que os habitantes dessa área não iria ter sombras.

“Naqueles dias, o Sol estará bem acima das nossas cabeças, por isso as pessoas não projectarão sombra durante vários minutos“, explicou. “O mesmo acontecerá com os edifícios verticais e, portanto, também haverá mais radiação solar na região.”

A passagem do sol pelo topo ocorre duas vezes por ano, quando a nossa estrela e dirige para o norte na primavera e no seu regresso após o solstício de verão. O fenómeno pode ser testemunhado nos lugares compreendidos dentro do Trópico de Caranguejo e do Trópico de Capricórnio. O próximo “sol no topo” acontecerá em Julho.

As zonas arqueológicas de Uxmal, Chichén Itzá e Mayapán, entre outras, também testemunharam o fenómeno. Para a civilização maia, o “sol no topo” significava o início da época de semeadura. Na Cidade do México, o fenómeno foi observado em 17 de Maio.

O estado de Yucatán é um dos mais quentes do país, por isso as sombras são geralmente autênticos oásis para pessoas que sofrem com o calor abafado. Na sexta-feira, as temperaturas quentes persistiram em grande parte do país. Em Yucatán, oscilou entre 40 e 45ºC em 13 estados, informou o Serviço Meteorológico Nacional (SMN).

A agência explicou que as temperaturas de 40 a 45ºC estavam previstas em lugares como Yucatán, bem como Sinaloa, Tamaulipas, Nayarit, Jalisco, Michoacán, Guerrero, San Luis Potosí, Oaxaca, Veracruz, Chiapas, Tabasco e Campeche.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019


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2014: Conseguirá a Terra sair ilesa se o Sol ficar sem combustível?

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Planetas rochosos formados por elementos densos serão, muito provavelmente, os únicos sobreviventes da morte explosiva de uma estrela. Esta descoberta dá-nos pistas preciosas sobre o futuro da Terra.

Quando uma estrela morre destrói tudo o que a rodeia, excepto os pequenos e densos planetas rochosos. Estes são os objectos com maior probabilidade de sobreviverem, ao contrário dos planetas pesados e gasosos, que se desmoronam e perecem.

Esta é a descoberta mais recente de uma equipa de astrofísicos da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Os cientistas chegaram a esta conclusão após várias simulações que analisaram a interacção de uma estrela anã branca e um planeta próximo. O objectivo era determinar se os objectos espaciais conseguiam suportar a aniquilação da estrela.

Esta experiência foi muito interessante na medida em que se espera que o nosso próprio Sol se torne uma estrela anã branca no futuro. Assim sendo, somos os primeiros a interessar-nos pelo possível destino da Terra.

Quando uma estrela com pouca massa, como o Sol, queima todo o seu combustível, expande as suas camadas externas até se transformar numa gigante vermelha. Por sua vez, essas camadas externas espalham-se nas proximidades da estrela, ameaçando causar a completa destruição de qualquer planeta que esteja ao seu redor.

Depois, a gigante vermelha encolhe-se e transforma-se numa estrela altamente densa, chamada anã branca, que irá, a pouco e pouco, perdendo o calor durante bilhões de anos. Qualquer planeta que se arrisque a ficar no seu caminho durante este cataclismo, seria extremamente afortunado se conseguisse sobreviver. Contudo, existem vários planetas que não estão preparados para resistir a esta tempestade.

O que os cientistas descobriram foi que os pequenos planetas rochosos são os que têm maior probabilidade de sobreviver à morte explosiva de uma estrela. O artigo científico com os resultados desta investigações foi recentemente publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os astrónomos investigaram os efeitos da morte estelar em planetas de vários tamanhos, desde as super-terras até aos pequenos exoplanetas. Dimitri Veras, do Departamento de Física do Instituto de Warwick, adiantou que este estudo é o primeiro dedicado à investigação dos efeitos dos fluxos entre as anãs brancas e os planetas.

Mas o que é que estes resultados podem significar para o futuro do nosso planeta? Os astrónomos prevêem que o nosso Sol, que tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, continuará a queimar as suas reservas de combustível durante mais 5 mil milhões de anos, até se transformar numa gigante vermelha.

No entanto, quando esse momento chegar, os cientistas não têm a certeza do que irá acontecer com um planeta de “multi-camadas” como a Terra. Ainda assim, na sua essência, os planetas uniformes constituídos maioritariamente de elementos mais densos e mais pesados, tais como metais pesados, têm boas possibilidades de sobrevivência.

Outro factor que é preciso ter em conta é a distância a que o planeta está localizado da estrela moribunda. A equipa afirma que a distância segura até à estrela é de um terço da distância entre o Sol e Mercúrio. Mercúrio localiza-se a uma distância de 57,9 milhões de quilómetros do Sol.

A Terra está a 149,6 milhões de quilómetros do Sol, uma distância que é conhecida como unidade astronómica. Sim, há esperança de estarmos a salvo.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Maio, 2019


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1849: O Sol cospe “lâmpadas de lava” 500 vezes maiores do que a Terra

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Depois de analisar dados de duas sondas solares lançadas na década de 70, uma equipa de cientistas da NASA observou nos ventos solares manchas semelhantes a lâmpadas de lava com um tamanho até 500 vezes maior do que a Terra.

“[Estas manchas] parecem-se com bolhas de uma lâmpada de lava”, afirmou Nicholeen Viall, co-autor da investigação e astrofísico do Goddard Space Flight Center da agência espacial norte-americana, em declarações ao portal Live Science. “Só que estas são centenas de vezes maiores do que a Terra”, revelou.

O fenómeno das manchas solares começou a ser estudado no início de 2000, mas a origem e o impacto destes eventos meteorológicos são ainda incertos – apesar de acontecerem com regularidade na nossa estrela. A dimensões destas manchas oscilam entre 50 (tamanho inicial) a 500 vezes o tamanho da Terra, crescendo à medida que se propagam no Espaço, explicou Viall.

Até há pouco tempo, as únicas observações de manchas solares eram oriundas de satélites da Terra, que são capazes de detectar quando um grupo destas bolhas cai no campo magnético do nosso planeta. Contudo, estes instrumentos não conseguem explicar as inúmeras mudanças que as manchas experimentaram desde que são “cuspidas” pelo Sol.

Graças aos dados das sondas solares Helios 1 e Helios 2, Viall e a sua equipa conseguiram observar as manchas “de lava” à medida que estas iam surgindo.

Na nova investigação, cujos resultados foram no fim de Janeiro publicados na revista JGR: Space Physics, os cientistas descobriram que estas manchas ocorrem pelo menos uma vez a cada uma ou duas horas e que são mais quentes e mais densas do que o restante fluxo de partículas altamente carregado (comummente apelidado de vento solar).

“Inclusivamente nos dias de bom clima espacial, em termos de tempestades solares explosivas, um nível climático base sempre ocorre no Sol”, assinalou o especialista, acrescentando que “estas pequenas dinâmicas também impulsionam a dinâmica da Terra”.

Importa frisar que os cientistas não sabem ainda por que motivo as manchas solares são criadas. Contudo, leituras do campo magnético capturadas perto da Terra parecem indicar ser provável que estas “bolhas” se formem no mesmo tipo de explosões que desencadeiam as tempestades solares – explosões maciças de plasma começam a ocorrer quando as linhas do campo magnético do Sol se emaranham, se quebram e e se voltam posteriormente a alinhar.

“Achamos que um processo semelhante está a criar as bolhas numa escala muito menor – pequenas rajadas ambientais em oposição às gigantescas explosões” do Sol, disse Viall.

Os resultados da sonda Parker Solar Probe, da NASA, que foi lançada em Agosto de 2018 e que se encontra a cerca de 24 milhões de quilómetros do Sol, poderão confirmar estas suspeitas em breve. Além dos 40 anos de avanço tecnológico comparativamente com as Helios, a Parker está também muito mais próxima do Sol.

Na sua aproximação mais próxima do Sol, a Parker ficará a “apenas” 6,4 milhões de quilómetros do nosso astro. A partir deste ponto escaldante, a sonda deverá ser capaz de observar as bolhas “logo após o nascimento”, acrescentou Viall.

ZAP //

Por ZAP
15 Abril, 2019

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1842: “Choveu” no Sol (e o fenómeno pode resolver dois mistérios antigos)

Por que motivo a coroa do Sol – a camada mais externa do nosso astro – atinge temperaturas muito mais altas do que a superfície solar? Esta é a questão que há anos intriga cientistas, configurando um dos maiores e mais duradouros mistérios da nossa estrela. Uma equipa de cientistas da NASA pode ter resolvido a questão.

De acordo com uma nova investigação, cujos resultados foram publicados na passada semana na revista científica especializada The Astrophysical Journal Letters, a chave para resolver este mistério da Física solar pode estar nas “chuvas” de plasma do Sol.

A equipa, liderada pela cientista Emily Mason, sugere que os gases muito quentes e electricamente carregados – o chamado plasma – do Sol elevam-se através de loops à medida que a superfície do Sol atinge temperaturas mais altas. Ao afastar-se, sustentam os especialistas em comunicado, o plasma arrefece e volta à superfície da estrela.

Os cientistas comparam este processo, que a Ciência baptizou como “chuvas coronais”, às chuvas que ocorrem na Terra. A diferença, apontam, é que no segundo caso a precipitação ocorre sob a forma de chuva e não de plasma. Na Terra, quando a temperatura sobe, a água evapora, sobe e forma nuvens onde, quando arrefece, condensa, caindo sob a forma de chuva – que, por sua vez, arrefece a superfície do nosso planeta.

Noutra palavras, os cientistas defendem que tanto a Terra como o Sol estão de forma semelhante sujeitos a “chuvas”, o que muda são os tipos de condensação e arrefecimento.

“A Física é literalmente a mesma“, afirmou Emily Mason, especialista da Universidade Católica da América, no estado norte-americano de Washington, em declarações ao portal Science News, descrevendo os resultados da investigação preliminar.

Um segundo mistério resolvido no horizonte

Mason passou meses a procurar “chuvas coronais” em enormes estruturas magnéticas, conhecidas como “serpentinas de capacete”. “Provavelmente analisei três ou cinco anos de dados”, afirmou. Mas todas as suas tentativas foram em vão até que se debruçou em estruturas solares menores – a questão não era o que procurar, mas onde procurar.

E foi precisamente nas estruturas menores, que até então não tinham sido analisadas, que a especialista encontrou a “chuva” de plasma – que pode resolver não só um mistério do Sol, mas dois. “[Estas estruturas pequenas] eram realmente brilhantes (…). Quando finalmente olhei para [os seus dados], tive a certeza que ocorreram dezenas de horas de chuva de uma só vez”, explicou Mason, citada pela mesma nota de imprensa.

Até então, e de acordo com os dados da Ciência moderna, acreditava-se que as “chuvas coronais” apenas poderiam ocorrer em loops fechados, sendo que o plasma não podia escapar destas chuvas. Contudo, a nova investigação sustenta o oposto: o plasma inicia o seu “movimento” em circuito fechado, mas pode ser dividido – enquanto um parte do plasma participa na formação das “chuvas”, o restante pode, à luz do novo estudo, encontrar uma saída e fugir do loop, formando vento solar.

As “chuvas” de plasma encontradas nas estruturas menores do sol podem justificar as elevadas temperaturas da coroa, mas também a fonte do vento solar lento – dois dos maiores mistérios do nosso sistema planetário.

Os resultados da investigação indicam que o processo de aquecimento da coroa é extremamente localizado e ocorre apenas em condições particulares. Apesar de o seu trabalho não explicar exactamente por que motivo a coroa aquece tanto, fornece importantes pistas sobre o lugar onde este processo pode ocorrer, frisou Mason.

“Tendo em conta que a compreensão do aquecimento coronal é, sem dúvida, o problema mais importante por resolver da Física solar, as medidas detalhadas da chuva coronal são extremamente importantes”, pode ainda ler-se na publicação.

SA, ZAP //

Por SA
13 Abril, 2019

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1815: Planeta morto mostra-nos o que vai acontecer à Terra quando o Sol desaparecer

Os cientistas fizeram as contas e concluíram que o Sol terá cerca de 10 mil milhões de anos de vida. Então o que acontecerá ao nosso planeta Terra com o Sol morto?

Uma equipa internacional de astrónomos liderada pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, anunciou uma descoberta. Assim, perante as informações, temos algumas pistas sobre o futuro do nosso planeta.

O Sol irá morrer daqui a quantos milhões de anos?

Bom, esta não é uma conta fácil de fazer. Tanto é que há cientistas que afirmam que o Sol “nasceu” há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Contudo, quanto ao seu fim, uns astrónomos apontam para daqui a 6 mil milhões e outros a cerca de 10 mil milhões de anos.

O que acontecerá então com a Terra e com o restante do nosso Sistema Solar?

Os cientistas descobriram uma estrela semelhante ao Sol que está a 410 anos-luz da Terra. É uma anã branca, ou seja, uma estrela que, depois de consumir todo o seu combustível nuclear, desapareceu há milhões de anos.

A revelação foi feita a partir de observações com o Gran Telescopio Canarias (GRANTECAN), instalado no Observatório del Roque de los Muchachos, na ilha de La Palma (Espanha). Esta informação foi divulgada em comunicado do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC), que também participou do estudo, publicado na revista científica Science.

Os astrónomos estudaram a nuvem que envolve a estrela, chamada SDSS J122859.93+104032.9, e o anel de escombros que orbita em torno dela.

Este anel é formado por corpos rochosos compostos de ferro, magnésio, silício e oxigénio, elementos-chave na composição da Terra.

E entre eles descobriram os restos de um planeta que sobreviveu à morte da estrela e que, além disso, orbita muito perto dela, algo que surpreendeu os cientistas.

Os autores do estudo consideram que os fragmentos eram parte de um corpo maior do seu sistema solar, por exemplo, de um planeta cujas camadas externas foram removidas.

Uma das razões pelas quais se suspeita que ele sobreviveu à destruição do seu sistema planetário é a sua composição, rica em metais pesados, como ferro e níquel.

Indícios do que acontecerá com a Terra

As dúvidas são legítimas. Assim, a pergunta que se impõe é se isto será o futuro da Terra quando o Sol se apagar?

No nosso sistema solar, o Sol vai-se expandir para a órbita da Terra e devastar o nosso planeta, Mercúrio e Vénus.

Marte e o restante dos planetas que estão mais distantes sobreviverão e se deslocarão para fora.

Referiu Christopher Manser, investigador no Departamento de Física da Universidade de Warwick e principal autor do estudo.

Os cientistas acreditam que a anã branca na qual o Sol terá se tornado continuará a reinar no Sistema Solar orbitado por Marte, Júpiter e Saturno, entre outros corpos.

Imagem: Science
Fonte: Science
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pplware
07 Abr 2019

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1759: Detectado um aumento das erupções no Sol. Estará a Terra em perigo?

As erupções solares são explosões na superfície do Sol causadas por mudanças repentinas no seu campo magnético. Como resultado, a actividade na superfície solar pode causar altos níveis de radiação no espaço sideral. Assim, esta radiação pode vir como partículas (plasma) ou radiação electromagnética (luz). Caso acontecesse uma avassaladora tempestade solar, poderia haver um resultado trágico para o Planeta Terra.

Os cientistas têm verificado que há um aumento significativo da actividade solar. O Sol está a queimar “combustível” do ciclo anterior, conforme deu a conhecer o Laboratório de Astronomia Radiológica da Academia de Ciências da Rússia.

Cientistas registam aumento de erupções no Sol

Segundo informações da instituição científica russa, há um crescimento brusco da actividade solar. Este comportamento está a ser observado desde o dia 20 de Março. Desta forma, os dados recebidos mostram alguma anormalidade relacionada com o fluxo de radiação de raios-X do Sol.

Entre 20 e 21 de Março, foram avistadas três erupções de classe C sem consequências significativas para a Terra. É a primeira vez em meses que o “índice da actividade de erupções” ultrapassa o nível amarelo, ou seja, ultrapassou 3,5 pontos numa escala de 10 pontos.

Referiu o Laboratório de Astronomia Radiológica da Academia de Ciências da Rússia.

Nos passados dias 20 e 21  de Março, os cientistas registaram uma erupção solar de classe C de 4,8 pontos. Segundo os especialistas, o 25.º ciclo da actividade solar ainda não começou. Assim, o Sol continua a queimar “combustível” do ciclo anterior — formam-se campo magnéticos em cima da superfície da estrela e são lançados para fora pelos fluxos de plasma com a energia excedente.

Conforme é notado pelos cientistas, é justamente esta energia que é queimada na forma de erupções (flashes). Há efectivamente um aumento visível da actividade solar nas imagens.

25.º ciclo da actividade solar pode ser mais fraco que o 24.º?

Os astrónomos esperam que o início do 25.º ciclo da actividade solar venha a acontecer nos pólos solares, e acrescentam que ainda não houve sinais do surgimento de novo ciclo.

É um mistério, porque os campos magnéticos do 24.º ciclo continuam no Sol, sete anos depois do ciclo ter atingido o seu máximo em 2012.

Referiram os cientistas russos.

Segundo alguns especialistas, o 24.º ciclo da actividade solar foi o mais fraco em 100 anos.

Poderá haver perigo para a Terra?

Tal como várias vezes já aconteceu, estas erupções solares intensas podem causar danos nos equipamentos espaciais. Contudo, estes danos podem ser mais extensos, desde danos nas naves, nos instrumentos dos satélites até às redes de energia no nosso planeta.

Durante os períodos de enfraquecimento do escudo magnético, que normalmente protege a Terra da radiação solar e cósmica, estes danos podem ser efectivamente mais sentidos.

Em 2011, a Academia Nacional de Ciências dos EUA calculou que a repetição de uma grande tempestade solar como a que atingiu o planeta em 1859 poderia levar a danos na ordem dos dois biliões de dólares, só em danos iniciais. Além disso, poderia levar uma década à recuperação das estruturas afectadas.


Imagem: Tesis

Fonte: RAS

pplware
24 Mar 2019

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1713: Uma enorme tempestade solar atingiu a Terra há 2.600 anos (e pode voltar a acontecer)

(CC0/PD) pxhere

Uma gigantesca tempestade solar atingiu a Terra há cerca de 2.600 anos, cerca de dez vezes mais forte do que qualquer tempestade solar registada nos dias actuais, segundo um novo estudo.

Estas descobertas sugerem que tais explosões ocorrem regularmente na história da Terra e poderiam causar estragos se atingissem o planeta agora, dada a dependência do mundo na electricidade.

O sol pode bombardear a Terra com explosões de partículas altamente energéticas conhecidas como eventos de protões solares. Essas “tempestades de protões” podem colocar em risco pessoas e electrónicos no espaço e no ar

Além disso, quando uma tempestade de protões atinge a magnetosfera da Terra – a casca de partículas electricamente carregadas – fica presa no campo magnético da Terra. Quando a tempestade solar provoca uma perturbação na magnetosfera do planeta, é chamada de tempestade geomagnética que pode devastar as redes de energia em todo o planeta.

Em 1989, uma explosão solar apagou a província canadense de Quebeque em segundos, danificando transformadores em Nova Jersey e quase fechando as redes de energia dos EUA do meio do Atlântico até o noroeste do Pacífico.

Os cientistas têm analisado as tempestades de protões há menos de um século. Como tal, podem não ter boas estimativas de quantas vezes erupções solares extremas acontecem ou quão poderosas podem ser.

“Hoje temos muita infra-estrutura que pode ficar bastante danificada, e viajamos no ar e no espaço, onde estamos muito mais expostos à radiação de alta energia“, disse Raimund Muscheler, um dos autores do estudo, físico ambiental da Universidade de Lund, na Suécia.

O chamado Evento Carrington de 1859 pode ter libertado cerca de dez mais energia do que o que causou o apagão de Quebeque em 1989, tornando-se a mais poderosa tempestade geomagnética conhecida, de acordo com um estudo de 2013 do Lloyd’s de Londres.

O mundo tornou-se muito mais dependente da electricidade desde o evento de Carrington, e se uma tempestade geomagnética igualmente poderosa aparecesse, as quedas de energia podem durar semanas, meses ou mesmo anos, enquanto as concessionárias lutam para substituir as principais partes das redes eléctricas.

Agora, os investigadores descobriram átomos radioactivos presos no gelo da Gronelândia, que sugerem que uma enorme tempestade de protões atingiu a Terra em cerca de 660 a.C., o que pode ofuscar o Evento de Carrington.

Estudos anteriores descobriram que tempestades de protões extremas podem gerar átomos radioactivos de berílio-10, cloro-36 e carbono-14 na atmosfera. A evidência de tais eventos é detectável em árvores e gelo, dando aos cientistas uma maneira de investigar a actividade solar antiga.

Os cientistas, de acordo com o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, examinaram o gelo de duas amostras principais retiradas da Gronelândia e notaram um pico de berílio radioativo-10 e cloro-36 há cerca de 2.610 anos.

Estudos anteriores detectaram duas outras tempestades de protões antigas de maneira similar – uma aconteceu por volta de 993-994, e a outra cerca de 774-775. A última é a maior erupção solar conhecida até ao momento.

Em relação ao número de protões de alta energia, o evento de 660 a.C. e os eventos de 774-775 d.C. são cerca de dez vezes maiores do que a tempestade de protões mais forte vista nos dias modernos, que ocorreu em 1956. O evento de 993-994 dC foi menor do que as outras duas tempestades antigas.

Ainda não é claro como estas antigas tempestades se comparam ao evento de Carrington, já que as estimativas do número de protões do evento de Carrington são muito incertas. No entanto, se as antigas explosões solares “estivessem ligadas a uma tempestade geomagnética, diria que excederiam os piores cenários que são frequentemente baseados em eventos do tipo Carrington”, observou Muscheler.

Embora sejam necessárias mais investigações para ver os danos que as erupções podem infligir, este trabalho sugere que “estes enormes eventos são uma característica recorrente do Sol – agora temos três grandes eventos nos últimos três mil anos“, disse Muscheler. “Pode haver mais que ainda não descobrimos.”

“Precisamos procurar sistematicamente estes eventos nos arquivos ambientais para ter uma boa ideia sobre as estatísticas – isto é, os riscos – para tais eventos e também eventos menores”, acrescentou.

ZAP // Live Science

Por ZAP
14 Março, 2019

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– Aquecimento global, tempestades solares, degelo glaciar, desastres ecológicos, actividades sísmicas, tsunamis, tufões, furacões, maremotos, etc.,são o pão nosso de cada dia. O melhor seria um daqueles calhaus bem grandes chocar com este calhau porque não existe qualquer tipo de esperança em que a Humanidade ganhe juízo e deixe de continuar a destruir, lenta mas inexoravelmente, o terceiro calhau a contar do Sol.

1671: Cientistas detectam o início de um inverno solar “impossível”

NASA

Uma equipa de cientistas russos alertou que a actividade electromagnética do Sol esteve muito fraca nos últimos dias, encontrando-se abaixo do limiar de sensibilidades dos dispositivos que acompanham e monitorizam a sua dinâmica.

Em comunicado esta semana divulgado, o Laboratório de Astronomia Solar do Instituto Lébedev de Física da Academia Russa de Ciências não esconde a surpresa dos especialistas face ao fenómeno, qualificando até como “impossível” o que estão a observar.

Os cientistas confessaram que a primeira coisa que lhes ocorreu foi questionar se os ecrãs do satélite estavam a funcionar correctamente. Depois de verificar o aparelho, a equipa logo percebeu que o dispositivo estava a funcionar “sem falhas”, no entanto “algo de impossível” tinha acontecido:o nível de radiação solar de onda curta diminuiu cerca de 100 vezes, caindo para um nível abaixo do limite de sensibilidade dos dispositivos”.

Tal como explicam os físicos, a radiação de ondas curtas só é formada durante processos activos, como é o caso das erupções solares. Se se observar um rápido crescimento da radiação nos dados de monitorização, esta actividade significa que ocorreu uma fulguração numa região algures da nossa estrela.

Em simultâneo, o Sol está actualmente “a desfazer-se no só da actividade de grande escala, mas também das actividades de pequena escala”. A amplitude das chamas “micro e nano” diminuiu, sendo agora dez vezes menor.

Lebedev Institute, Russia

O fenómeno aconteceu de forma “bastante inesperada”, uma vez que há já alguns meses “houve presságios do início de um novo ciclo” de actividade, frisaram os cientistas. No entanto, e em vez de um rápido aumento da amplitude das chamas, a “nossa estrela afundou ainda mais” comparativamente às taxas mínimas até agora registadas.

Os físicos russos não se atrevem a prever se a estrela deixará os seus níveis mínimos de actividade nos próximos meses ou se, em sentido contrário, o “inverno solar” durará durante um período de tempo indeterminado.

ZAP // RT

Por ZAP
6 Março, 2019

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1619: NASA descobre “girinos” no Sol que podem desvendar antigo enigma da astrofísica

Um estudo recente da NASA sobre um dos fenómenos mais notáveis do nosso sistema planetário pode desvendar um mistério antigo da astrofísica. O enigma reside na camada mais externa do Sol, a coroa, que atinge temperaturas de um milhão de graus Celsius, quase 200 vezes mais do que a superfície do Sol.

Os cientistas, que há mais de um século tentam perceber por que motivo a camada externa do Sol é mais quente do que a sua superfície, estão agora mais perto de resolver o enigma graças aos chamados “girinos” que foram encontrados em regiões com um campo magnético mais intenso da superfície solar.

​O espectrógrafo de imagens infravermelhas da NASA permitiu detectar uma espécie de jactos alongados de plasma quente semelhantes a girinos, que saem das manchas solares – regiões da superfície solar relativamente frias e magneticamente activas – elevando-se a cerca de 4.800 quilómetros até a coroa interior.

Segundo uma simulação computacional levada a cabo pela equipa, estes jactos poderiam levar energia e plasma suficiente para aquecer a camada solar externa.

Até à descoberta deste “girinos” — formalmente apelidados pseudo-choques — apenas duas teorias sobre as possíveis razões para o aquecimento da coroa foram consideradas.

A primeira hipótese sustenta que o calor da atmosfera externa solar é injectado por inúmeras pequenas explosões que libertam ondas de partículas carregadas e quentes. Já a segunda alicerça-se na ideia de que a energia se transporta até ali através de ondas electromagnéticas que poderiam empurrar partículas carregadas até à atmosfera, tal como uma onda do oceano empurra o surfista.

Agora, os especialistas esperam conseguir obter algumas pistas complementares da sonda espacial Parker Solar Probe, lançada em Agosto passado, para estudar como é que a energia e o calor se deslocam através da coroa solar.

“[Estas informações] poderiam fornecer uma imagem abrangente do aquecimento coronal”, afirmou Aleida Higginson, investigadora do laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, na cidade de Laurel, nos Estados Unidos.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

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1469: O Sol vai transformar-se numa bola de cristal antes de morrer

Mark Garlick / Universidade de Warwick

Num processo curiosamente semelhante ao envelhecimento humano, a maior parte das estrelas no seu capítulo final da vida tendem a encolher, murchar e ficar lentamente brancas.

Os astrónomos chamam a estas estrelas de “anãs brancas” e, ao contrário dos seres humanos, podem durar milhões de anos.

Nesse tempo, estrelas com massas entre cerca de um décimo e oito vezes a massa do nosso Sol queimam a sua último energia nuclear, perdem camadas externas de fogo e transformam-se em núcleos ultra-compactos. Embora isso possa soar como um final sem glamour para uma estrela, um novo estudo publicado este mês na revista Nature sustenta que o estado de anã branca pode ser apenas o começo de uma nova metamorfose.

Num estudo com mais de 15 mil anãs brancas conhecidas em redor da Via Láctea, uma equipa de astrónomos da Universidade de Warwick, no Reino Unido, concluiu que as estrelas não desaparecem – primeiro transformam-se em esferas de cristal luminosas.

“Todas as anãs brancas se cristalizarão em algum ponto da sua evolução”, disse o principal autor do estudo, Pier-Emmanuel Tremblay, um astrofísico da Universidade de Warwick, em comunicado. “Isso significa que milhões de anãs brancas na nossa galáxia já completaram o processo e são essencialmente esferas de cristal no céu.”

Se isto for verdade, então o próprio sol da Terra – assim como 97% das estrelas na Via Láctea – também estão destinados a terminar os seus dias como bolas de cristal a brilhar no cosmos.

Para o novo estudo, Tremblay e os seus colegas usaram observações do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia para analisar a luminosidade e as cores de cerca de 15 mil anãs brancas conhecidas, localizadas a 300 anos-luz da Terra. Os investigadores viram que um excesso de estrelas parecia partilhar as mesmas luminosidades e cores, independentemente do tamanho e da idade das estrelas.

A aparência uniforme destas estrelas sugeria que as anãs tinham atingido algum tipo de fase de desenvolvimento. Usando modelos de evolução de estrelas, os astrónomos determinaram que todos estes astros chegaram a uma fase em que o calor latente estava a ser libertado dos seus núcleos em grandes quantidades, diminuindo significativamente o arrefecimento.

Quando uma anã branca arrefece bastante, o líquido fundido no seu núcleo começa a solidificar-se – noutras palavras, a estrela começa a transformar-se em cristal.

ESA
Evolução estelar

De acordo com Tremblay, este estudo fornece “a primeira evidência directa de que as anãs brancas se cristalizam”, finalmente apoiando uma hipótese levantada há 50 anos.

De acordo com o novo estudo, porém, o calor libertado durante a fase de cristalização da anã branca poderia retardar o arrefecimento da estrela em até dois mil milhões de anos. Se for este o caso, anãs brancas conhecidas podem ter muitos mais milhões de anos do que se pensava, o que complica uma cronologia já misteriosa.

Não se sabe exactamente quanto tempo uma estrela pode permanecer como uma anã branca antes de deixar de emitir luz e calor, tornando-se o que alguns investigadores chamam de “anã negra”. Este ponto final teórico da evolução estelar nunca foi observado.

Mais estudos são necessários para que os cientistas entendam melhor a vida e a morte das estrelas e aprimorem os seus métodos de datação cósmica.

ZAP // Live Science

Por ZAP
12 Janeiro, 2019

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1422: Sonda da NASA captura a primeira fotografia da atmosfera do Sol

Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory
Parker Solar Probe

Semanas depois de a sonda solar Parker da NASA ter completado a viagem mais próxima do Sol de toda a história, os dados desse voo começam a chegar à Terra, revelando a primeira fotografia da atmosfera do Sol.

A sonda fez o seu primeiro sobrevoo ao Sol entre 31 de Outubro e 11 de Novembro, dias em que atravessou a alta velocidade a parte mais externa da atmosfera solar, conhecida como a coroa solar. Através do seu dispositivo WISPR, a sonda Parker fotografou a partir do interior essa camada gasosa carregada de partículas de vento solar.

A agência espacial norte-americana revelou a fotografia no passado dia 12.

A fotografia acima publicada foi capturada no passado dia 8 de Novembro, e mostra uma espécie de “serpentina”, uma estrutura de material solar que geral cobre as áreas de maior actividade. a sua estrutura aparece claramente, evidenciando de forma clara pelo menos dois raios visíveis. Tal como nota a NASA, estes são dados nunca antes vistos.

Quando registou esta imagem, a Parker estava a aproximadamente 27,2 milhões de quilómetros da superfície do Sol. O objecto brilhante que aparece na parte central é Júpiter – o maior planeta do Sistema Solar – já os pontos escuros são resultados de uma correcção no fundo da fotografia.

A missão desta sonda, que fará a sua segunda passagem à voltado Sol em abril do próximo ano, durará até 2025. Nos próximos anos, a sonda deve completar 24 órbitas em torno do Sol aproximando-se a cerca de 3,8 milhões de quilómetros da sua superfície.

A NASA espera ajudar a resolver alguns mistérios sobre a atmosfera da nossa estrela, como o facto da sua atmosfera externa aquecer cerca de 300 vezes mais do que a sua superfície e o vento solar atingir velocidades tão elevadas.

A sonda da missão Parker Solar Probe foi o primeiro engenho feito pelo Homem a entrar na atmosfera do Sol, atingindo o recorde da maior aproximação ao astro. A Parker foi lançada no dia 13 de Agosto a partir de Cabo Canaveral, no estado norte-americano Florida.

ZAP // RT / Sputnik News

Por ZAP
17 Dezembro, 2018

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1403: Planetas que orbitam estrelas gémeas do Sol podem ter vida

CIÊNCIA

NASA / J PL-Caltech / GSFC

O ser humano pode mesmo não estar só na galáxia da Via Láctea. Esta é a possibilidade que se abre com os resultados de um estudo com 53 estrelas gémeas do Sol.

O estudo, realizado por investigadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Brasil, sugere condições geológicas favoráveis para o surgimento e manutenção da vida em planetas rochosos que eventualmente orbitam os astros semelhantes ao Sol.

De acordo com o artigo, publicado em Outubro na revista Monthly Notices of Royal Astronomical Society, a vida poderá estar espalhada por toda a galáxia e ter tido origem em qualquer época da sua evolução.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas avaliaram a abundância de tório (232Th) nas gémeas solares estudadas, localizadas entre 50 e 300 anos-luz de distância do Sol.

Isto foi feito recorrendo à análise de espectros ópticos de alta qualidade e resolução em comprimento de onda, recolhidos utilizando um espectrógrafo ultra-estável, chamado HARPS, que está instalado no telescópio de 3,6 metros do European Southern Observatory (ESO), no Chile.

Embora o tório não seja o único elemento determinante, este químico radioactivo é um dos requisitos para o surgimento, evolução e manutenção da vida num determinado mundo. Para que isso ocorra, além da sua presença, é necessário que a órbita do planeta esteja na zona habitável em redor da estrela: a distância em que água se consiga manter líquida.

Segundo o investigador André de Castro Milone, da Divisão de Astrofísica do Inpe, orientador do doutorando Rafael Botelho, primeiro autor do artigo, outros requisitos para o surgimento da vida num planeta são a existência de uma atmosfera presa pela gravidade e de um campo magnético para protegê-lo do fluxo de partículas energéticas e nocivas aos seres vivos emitidas pela estrela hospedeira.

“Também é fundamental que seja geologicamente activo, como a Terra, com terremotos e vulcões, que proporcionam o chamado ciclo do carbono, que mantém a temperatura do mundo adequada à vida.” Isto só é possível graças às placas tectónicas.

O globo terrestre é feito de camadas. No centro fica o núcleo, cujo ponto central está a uma profundidade de cerca de 6.370 quilómetros, com uma temperatura de 6.000 ºC, semelhante a da superfície do Sol. Acima, vem o manto, de consistência pastosa, com uma espessura de 2.950 quilómetros e 100 ºC na parte superior e 3.500 ºC na mais profunda. Trata-se do magma.

O magma é coberto pela crosta, a camada mais superficial e menos espessa do planeta, com uma média de 40 quilómetros de profundidade. Com a parte superior do manto, forma-se a litosfera, com 100 quilómetros de espessura, que está dividida em placas rochosas – placas tectónicas – que flutuam sobre o manto de magma.

Existem 10 grandes placas: Africana, Antárctica, Arábica, Eurasiática, das Filipinas, Indo-Australiana, de Nazca, Norte-Americana e das Caraíbas, do Pacífico e Sul-Americana, – e várias outras menores. São estas as estruturas que modelam a superfície da Terra, erguendo montanhas e causando terremotos, ao chocarem umas com as outras.

É aqui que entra o tório. “Trata-se de um elemento instável, cujo decaimento radioactivo, juntamente com o urânio e o potássio, que tem fornecido e fornecerá o interior da Terra por milhões de anos metade da energia necessária para manter a convecção do manto e o tectonismo das placas continentais”, explica Milone.

Isto induz o ciclo de carbono, através da libertação de dióxido de carbono em grandes quantidades e metano em bem menores, que tornam possível a estabilidade térmica na atmosfera do globo, dando condições naturais para o aparecimento e evolução da vida.

As gémeas solares estudadas têm diferentes idades: desde 500 milhões a 8,6 mil milhões de anos. “Podemos acompanhar a abundância do tório ao longo do tempo de evolução da Galáxia, como também em estrelas semelhantes ao Sol”, explica Milone.

“Outro estudo já tinha observado que o Sol é ligeiramente deficiente em tório em comparação com 13 gémeas, mostrando que tais astros, caso possuam planetas rochosos, proporcionariam reservatórios de energia interna suficientes para o surgimento da vida.”

As conclusões mostram que há uma grande quantidade de energia disponível devido ao decaimento de tório para manter a convecção do manto e o tectonismo em potenciais planetas rochosos que possam existir em torno de gémeas solares. “Parece que este elemento também é abundante em gémeas solares velhas, significando que a Galáxia pode estar repleta de vida“, disse Botelho.

De acordo com estimativas, devem existir cerca de 100 milhões a 1 mil milhão de estrelas relativamente parecidas ao Sol na Galáxia. Além disso, cerca 5% das gémeas solares podem ter sistemas planetários parecidos com a Terra.

ZAP // BBC

Por ZAP
11 Dezembro, 2018

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