4884: O “Sol artificial” da Coreia do Sul acaba de bater um novo recorde mundial

CIÊNCIA/FUSÃO NUCLEAR

Uma equipa de cientistas da Coreia do Sul acaba de fazer história: o Korea Superconducting Tokamak Advanced Research (KSTAR) funcionou durante 20 segundos.

A maioria dos métodos que usamos actualmente para produzir energia são poluentes e limitados. A fusão nuclear é uma grande aposta, na medida em que, aproveitando a energia solar, seria possível produzir mais energia do que nunca e com segurança. Mas há um problema: a produção deste tipo de energia ainda não funciona.

Ainda assim, o progresso é constante. O mais recente passo foi dado por uma equipa de cientistas que estabeleceu um novo recorde mundial: o reactor de fusão nuclear Korea Superconducting Tokamak Advanced Research (KSTAR), também conhecido como “Sol artificial coreano”, funcionou durante 20 segundos.

De acordo com o Extreme Tech, o reactor conseguiu manter o seu plasma super-aquecido a 100 milhões de graus Celsius durante 20 segundos. Apesar de não ser um marco impressionante, nenhum outro reactor conseguiu manter-se em funcionamento durante mais de 10 segundos (no ano passado, o KSTAR atingiu a marca dos oito segundos).

Para recriar na Terra as reacções de fusão que ocorrem no Sol, os isótopos de hidrogénio devem ser colocados dentro de um dispositivo de fusão como o KSTAR para criar um estado de plasma onde os iões e electrões são separados. Os iões devem ser aquecidos e mantidos a altas temperaturas.

Até agora, houve outros dispositivos de fusão que controlaram o plasma a temperaturas de 100 milhões de graus ou mais, mas nenhum conseguiu bater a barreira dos 10 segundos.

Este ano, o KSTAR melhorou o desempenho do modo de Barreira de Transporte Interno (ITB), um dos modos de operação de plasma da próxima geração, desenvolvido no ano passado, e conseguiu manter o estado do plasma durante um longo período de tempo, superando os limites existentes.

“O sucesso do KSTAR em manter o plasma a alta temperatura durante 20 segundos será importante na corrida para garantir as tecnologias para a operação de plasma de alto desempenho, um componente crítico de um reactor de fusão nuclear comercial no futuro”, reagiu Si-Woo Yoon, director do Centro de Pesquisa KSTAR, citado pelo Phys.

A próxima meta do KSTAR é, até 2025, manter o reactor a uma temperatura de iões superior a 100 milhões de graus Celsius durante cinco minutos.

Os resultados da experiência ainda não foram publicados, mas foram partilhados na Conferência de Energia de Fusão da IAEA 2021.

Por Liliana Malainho
29 Dezembro, 2020