398: MIT cria peixe robótico para salvar os oceanos

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O SoFi é um soft robotic fish (peixe robótico flexível) criado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) para vasculhar os oceanos do mundo. Com o seu tamanho pequeno e aparência de animal marinho, consegue aceder a espaços pequenos em corais e circula pelo mar sem espantar os cardumes.

É graças as suas similaridades com um animal marinho e ao seu pequeno tamanho que o SoFi consegue imagens que um mergulhador humano ou robô convencional não conseguiria.

A velocidade de nado do SoFi não é muito alta, mas ainda assim o peixe representa uma tecnologia promissora, que ainda vai melhorar no futuro. Os seus criadores querem que seja capaz de seguir um peixe em particular para que os hábitos sejam estudados.

Além disso, os cientistas querem recolher mais dados sobre a poluição e outras intervenções humanas no fundo do mar.

Num artigo científico publicado esta quarta-feira na revista Science Robotics, os investigadores do MIT dão mais detalhes sobre a evolução deste estranho peixe.

Os cientistas enfrentaram três grandes problemas no desenvolvimento deste projecto: o primeiro está relacionado com a comunicação. Os veículos que se movem por baixo de água tipicamente acabam presos a um barco porque as ondas de rádio não viajam bem na água. Por isso os inventores do SoFi optaram por usar som na comunicação.

“Comunicação com radiofrequência por baixo de água funciona apenas em alguns centímetros. Sinais acústicos podem viajar por maior distância e com menor consumo de energia”, explica o autor principal, Robert Katzschmann. Utilizando som, os mergulhadores podem pilotar o peixe-robô por uma distância de 21 metros.

O problema número dois tem a ver com os motores eléctricos do robô, chamados actuadores. Os cientistas precisavam de um actuador flexível para que o movimento do peixe fosse suave como o animal de verdade. Por isso, o rabo do Sofi tem duas câmaras vazias em que uma bomba injecta água. “Tudo o que fizemos foi criar um ciclo de água de um lado para o outro, e isso causa uma ondulação e a movimentação do rabo”, explicou.

O problema número três está relacionado com os custos: nadar é caro energeticamente. Os peixes precisam de se “agarrar” a uma determinada profundidade, e usam a bexiga natatória para controlar a habilidade de boiar ou não. Então o SoFi usa um tipo de bexiga natatória, um cilindro que comprime e descomprime ar com a ajuda de um pistão.

Além de tudo isso, o robô não tem todos os espaços com ar que uma máquina típica tem. “Os compartimentos que normalmente seriam hermeticamente fechados e cheios de ar, nós enchemos com óleo”, diz Katzschmann. Isso dá integridade estrutural ao peixe e permite que atinja profundidade de até 18 metros.

Por enquanto, o SoFi é controlado por um controlo remoto parecido com um comando de videojogos. Mas a ideia é que versões futuras consigam usar as câmaras para identificar um peixe específico e segui-lo automaticamente.

Isso poderia ajudar a estudar as dinâmicas dos cardumes ou monitorizar a saúde de populações marinhas. “O SoFi poderia ajudar-nos com a fuga e atracção de peixes que estão associadas com outras formas de monitorização como robôs e mergulhadores”, diz Hanumant Singh, investigador não envolvido na pesquisa.

Até agora, os cientistas observaram que peixes às vezes nadam ao lado do robô, mostrando curiosidade. Enquanto isso, outros peixes ignoravam o SoFi e seguiam com a sua rotina normalmente, sem fugir como aconteceria se houvesse um mergulhador presente.

ZAP // HypeScience / Wired
Por ZAP
24 Março, 2018

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