4246: Bactérias podem mesmo sobreviver no Espaço (e aguentar uma viagem Terra-Marte)

CIÊNCIA/EEI

NASA
A EEI – Estação Espacial Internacional

Alguns tipos de bactérias conseguem sobreviver no Espaço, podendo mesmo aguentar uma viagem entre a Terra e Marte, confirmou um procedimento experimental levado a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI).

A ideia de que algumas bactérias podem sobreviver no Espaço sideral não é propriamente nova, mas a hipótese de que podem resistir a longas viagens espaciais não tinha sido confirmada até agora, quando uma equipa de cientistas japoneses levou a cabo uma experiência a bordo da EEI, conta o portal Phys.org.

No novo procedimento, baptizado de missão Tanpopo, os cientistas demonstraram que colónias da bactéria Deinococcus, altamente resistentes à radiação e a outras condições adversas, conseguiram sobreviver fora da EII durante três anos.

Este tipo de bactéria é encontrada na Terra e é conhecida como a forma de vida mais resistente à radiação no Livro dos Recordes Mundiais do Guiness – é capaz de resistir a 3.000 vezes mais a quantidade de radiação necessária para matar uma pessoa.

Na prática, o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Frontiers in Microbiology, demonstrou que estas colónias de bactérias podem sobreviver a voos de vários anos em condições adversas.

O sucesso deste procedimento veio dar força à hipótese da panspermia, que sugere que a vida pode ter chegado à Terra a partir de um outro planeta, como Marte.

Esta teoria, que carrega alguma controvérsia, implica que determinadas bactérias tenham sobrevivido a uma longa jornada pelo Espaço sideral, resistindo ao vácuo do Espaço, às flutuações de temperatura e à radiação espacial.

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florian kwiatek #Resistance
@floriankwiatek
Bacteria could survive travel between Earth and Mars when forming aggregates
Imagine microscopic life-forms, such as bacteria, transported through space, and landing on another planet. The bacteria finding suitable conditions for its survival could then start multiplying…
phys.org

“De uma forma geral, estes resultados suportam a hipótese de que estes aglomerados [de bactérias] funcionem como uma ‘nave’ para a transferência interplanetária de micróbios num período de vários anos”, escreveram no estudo.

Citado pela emissora norte-americana CNN, o autor principal da nova investigação, Akihiko Yamagishi, acrescentou ainda: “Os resultados sugerem que a radio-resistente Deinococcus pode sobreviver durante a viagem da Terra-Marte e vice-versa, que leva vários meses ou até anos na sua órbita mais curta.

Tendo em conta os resultados, Yamagishi defende que “é muito importante procurar vida em Marte”, ainda antes das missões humanas ao Planeta Vermelho, até porque as bactérias da Terra podem representar um falso negativo para a vida neste mundo e pode também actuar como um composto contaminante.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2020

 

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4224: Golfinhos e baleias valem milhões de euros e ajudam a abrandar as alterações climáticas

CIÊNCIA/BIOLOGIA

“O nosso planeta funciona como um todo, onde cada elemento, por mais pequeno e ínfimo que pareça ser, desempenha um papel fundamental. Estamos a chegar a um ponto de não retorno. Cabe-nos a nós decidir em que planeta queremos viver.”

Odiados por alguns mas amados por muitos, só agora se começa a perceber o valor real de baleias e golfinhos não só na economia mas também nos ecossistemas. Fundamentais na avaliação da saúde dos oceanos dos quais depende a nossa sobrevivência, os cetáceos, sabe-se agora, desempenham um importante papel no abrandamento das alterações climáticas.

© DR

Em Abril de 2019, o aparecimento de uma beluga em Hammerfest, cidade no norte da Noruega, fez reavivar velhas memórias do tempo da Guerra Fria. O animal aproximava-se dos barcos e parecia estar à espera de que lhe dessem ordens. Tinha um arnês especialmente preparado para que fossem acopladas câmaras de vídeo onde se podia ler “Equipment St. Petersburg”. Tudo isto contribuiu para que rapidamente se espalhasse a teoria de que o animal estaria a ser treinado pela Marinha russa.

A utilização de mamíferos marinhos em acções militares remonta aos anos da Guerra Fria. Os Estados Unidos da América treinam golfinhos e leões-marinhos desde 1959 ao abrigo do Navy”s Marine Mammal Program.

Em 1991 a Rússia terá interrompido a operação mas, em 2016, segundo o jornal britânico The Guardian, que terá tido acesso ao contrato público, o Ministério da Defesa russo terá comprado cinco golfinhos com idades entre os 3 e os 5 anos, com “dentição perfeita” e sem problemas físicos por cerca de 21 mil euros ao delfinário de Moscovo. De acordo com a NBC News, os animais terão sido levados para um centro de treino em Sevastopol, na Crimeia. Em 2017, uma estação de televisão, Tv Zvezda, administrada pelo Ministério da Defesa da Rússia, revelou que a Marinha daquele país estava a treinar belugas, focas e golfinhos para fins militares em águas polares.

Para quem estuda mamíferos marinhos é fácil perceber o interesse. Estes animais possuem dos mais sofisticados sonares que a ciência conhece, uma excelente memória, óptima visão subaquática e, dependendo das espécies, são fáceis de treinar. Conseguem mergulhar a grandes profundidades, mesmo em águas escuras, sem sofrerem da doença de descompressão que tanto aflige, e pode matar, mergulhadores humanos. Minas e objectos potencialmente perigosos são fáceis de encontrar para estes mamíferos marinhos, que são igualmente capazes de assistir mergulhadores, transportar objectos e até detectar inimigos.

Por vezes o difícil é distinguir quem treina quem…

Em Laguna, no sul do estado de Santa Catarina, no Brasil, golfinhos e pescadores trabalham juntos na pesca da tainha. Os animais encaminham os peixes para a lagoa onde os pescadores já se encontram a postos com as suas redes. A um sinal dos golfinhos, os homens lançam as redes e partilham o que apanham com os seus “companheiros de pescaria”. Nem todos os golfinhos cooperam com os humanos e, além disso, são cada vez menos, segundo um estudo apresentado pelo professor Fábio Daura- Jorge, da Universidade Federal de Santa Catarina, na World Marine Mammal Conference, que decorreu em Barcelona. “As taínhas estão em declínio, o que faz que a estrutura social dos golfinhos se altere e a cooperação com os pescadores diminua.”

A diminuição do alimento é apenas uma das muitas ameaças que os cetáceos, grupo que engloba baleias e golfinhos, enfrentam. E somos nós, os homens, que os colocamos em perigo.

Calcula-se que a actividade humana tenha transformado cerca de metade da superfície da Terra, o que produz um enorme impacto na vida do nosso planeta. As cerca de 90 espécies de golfinhos e baleias têm de tentar sobreviver à sobre-exploração dos recursos marinhos, à diminuição do alimento, à destruição do habitat, à captura acidental em redes de pesca, ao ruído, à poluição, e são muitas vezes vítimas de colisões com navios e de doenças, algumas provocadas por bactérias que também nos infectam a nós. Não sendo fácil estudar estes mamíferos marinhos no meio selvagem, é através dos animais que dão à costa que os investigadores obtêm muita informação. Estas espécies funcionam como indicadores da saúde dos ecossistemas marinhos e, portanto, da nossa saúde também.

Cerca de 170 baleias e golfinhos dão à costa por ano em Portugal. Destes cetáceos são recolhidas, regularmente, várias amostras, algumas das quais são sujeitas a análise de contaminantes. “Temos resultados, que no caso de Portugal são preocupantes, de contaminação por DDT e PCB, componentes de insecticidas, banidos há muitos anos mas que continuam ainda no ambiente”, afirma Marina Sequeira, bióloga do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

No âmbito de um projecto europeu foram comparadas as análises realizadas a uma espécie de golfinho específica, o golfinho-roaz. As amostras recolhidas em Portugal foram as que apresentaram os valores mais elevados destes componentes, que são integrados nos tecidos destes animais através do peixe e das lulas de que se alimentam que, por sua vez, fazem parte da alimentação humana. A morte por contaminação é, na maior parte dos casos, uma morte lenta. O animal vai acumulando estas substâncias que, por sua vez, diminuem a capacidade de resposta do sistema imunitário às doenças, comprometendo a sua capacidade de reprodução e amamentação. Estas substâncias podem produzir efeitos nas gerações seguintes, uma vez que podem ser transmitidas para as crias através do leite.

Afinal, quanto vale uma baleia?

Estima-se que as actividades de observação de baleias e golfinhos rendam, globalmente, cerca de dois mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros). Em Portugal esta actividade centra-se sobretudo no estuário do Sado, no Algarve, na Madeira e nos Açores. Neste arquipélago é possível observar e nadar no mar com golfinhos.

Karin Hartman, doutorada pela Universidade dos Açores, vive na ilha do Pico há vinte anos e dedica-se a estudar uma espécie de golfinho muito peculiar, o golfinho-de-risso (Grampus griseus) também conhecido como moleiro. Este mamífero marinho pode atingir os três metros de comprimento, tem cabeça arredondada e possui dentes apenas na mandíbula.

Os moleiros mergulham a grandes profundidades e alimentam-se de lulas. São considerados animais inteligentes que vivem em grupos sociais onde as fêmeas tendem a ajudar-se na vigilância das crias. O que torna esta espécie de golfinho muito diferente das outras é o padrão de escarificação da pele, ou seja, as cicatrizes que alteram a cor da pele tornando-os aparentemente claros com manchas escuras. Os golfinhos-de-risso nascem com uma coloração cinzenta. Com o crescimento tornam-se mais escuros e, quando chegam à adolescência, desenvolvem um certo interesse pelos companheiros que se traduz em mordiscar o corpo uns dos outros. Estas mordidelas produzem lesões que se tornam brancas, levando a que os indivíduos mais velhos possam parecer totalmente brancos.

Aparentemente, esta população não se encontra em perigo de extinção mas Karin Hartman, fundadora da organização Nova Atlantis, alerta para a influência dos seres humanos sobre estes mamíferos marinhos. “A poluição sonora e, neste arquipélago especificamente, as actividades de observação e natação com golfinhos estão a causar-lhes muito stress. Não sei qual será o efeito a longo prazo, mas observamos cada vez menos animais nos nossos grupos residentes durante o verão, indivíduos que regressam em Setembro”. Para esta investigadora é importante, apesar da legislação existente, ajustar esta actividade pois os comportamentos de evitamento por parte destes animais em relação aos humanos são cada vez mais acentuados, pelo que Karin Hartman deixa o alerta: nadar com os golfinhos pode ser muito perigoso para os animais e para as pessoas, sendo importante que todos estejam cientes dos riscos.

No entanto, o valor dos cetáceos não se resume às actividades marítimo-turísticas. As baleias contribuem para a cadeia alimentar aumentando os stocks de peixe e são elementos fundamentais na captura de carbono da atmosfera, não só porque aumentam a quantidade de fitoplâncton (que, segundo estudos recentes, contribui com cerca de 50% do oxigénio da atmosfera e captura cerca de 37 mil milhões de toneladas de CO2 por ano) como o próprio animal, dependendo da espécie, pode armazenar no seu corpo cerca de 33 toneladas de CO2, que leva para o fundo do mar quando morre, podendo retirá-lo da atmosfera durante séculos.

Em comparação, uma árvore apenas absorve cerca de 20 quilos de CO2 por ano. Feitas as contas, a capacidade de absorção destes organismos aquáticos poderá ser o equivalente a quatro florestas amazónicas. Segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional, realizado por quatro economistas, uma das soluções para capturar mais carbono é aumentar as populações de baleias. Baseados nas estimativas mais conservadoras, os autores do estudo acreditam que o valor de uma baleia grande, tendo em conta os vários contributos para a economia, o turismo e o ambiente, seja de 1,8 milhões de euros (dois milhões de dólares).

Heidi Pearson, professora da Universidade Southeast Alaska, concorda com a importância deste estudo mas alerta: “A política não pode andar à frente da ciência. Ainda há muito trabalho a fazer para ter a certeza acerca destes números e nestes tempos de emergência climática temos de explorar todas as estratégias potenciais.”

O nosso mundo está a mudar. Para os 2500 investigadores de 90 países que participaram na World Marine Mammal Conference, a maior conferência do mundo dedicada aos mamíferos marinhos, que teve lugar em Dezembro, em Barcelona, não restam dúvidas: a mudança está a ser tão rápida que os ecossistemas não estão a conseguir adaptar-se. O nosso planeta funciona como um todo, onde cada elemento, por mais pequeno e ínfimo que pareça ser, desempenha um papel fundamental. Estamos a chegar a um ponto de não retorno. Cabe-nos a nós decidir em que planeta queremos viver.

Diário de Notícias
22 AGO 2020

 

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4144: Os micróbios do fundo do mar sobrevivem com menos energia do que pensávamos

CIÊNCIA/MICROBIOLOGIA

dahon / Flickr

Os micróbios do fundo do mar conseguem sobreviver com menos energia do que se pensava. Esta descoberta pode alterar a definição de vida como a conhecemos.

Uma equipa de cientistas britânicos fez uma descoberta que levanta muitas questões sobre os limites da vida, pelo menos como a conhecemos. De acordo com o New Scientist, as criaturas que vivem nas profundezas do fundo do mar sobrevivem com fluxos de energia inferiores aos que os imaginávamos para sustentar a vida.

James Bradley, cientista da Queen Mary University of London e principal autor do estudo, publicado recentemente na Science Advances, usou dados de amostras de sedimentos recolhidos do fundo do mar para determinar a taxa de energia consumida pelos microrganismos que vivem neste ecossistema.

Através de um modelo que considerou vários aspectos do habitat – quantidade de oxigénio disponível, taxa de degradação do carbono orgânico e quantidade de organismos vivos – Bradley e a sua equipa calcularam a taxa de energia usada por cada célula microbiana.

Os investigadores descobriram que o valor era 100 vezes inferior do que o que esperavam ser o limite da vida. Algumas células sobreviveram com menos de um zeptowatt de potência, ou 10 ^ -21 watts.

Os cientistas já haviam estimado o limite mais baixo de energia para a existência de vida, cultivando microrganismos em laboratório e privando-os de nutrientes para determinar o limite de sobrevivência.

No entanto, apesar de as experiências fornecerem pistas importantes, não representam a gama de ambientes naturais existentes no mundo real – incluindo o ambiente único do fundo do mar. Estes micróbios – principalmente bactérias e arqueas – podem sobreviver enterrados durante milhões de anos.

“Não acho que tenhamos uma boa compreensão dos mecanismos pelos quais estes microrganismos se regem para sobreviver num estado com níveis incrivelmente baixos de energia. Possivelmente, tem algo a ver com a capacidade de reduzirem a taxa metabólica e de entrarem num estado zombie“, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2020

 

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4087: Físicos afirmam que há 90% de probabilidade de a Humanidade colapsar em breve

CIÊNCIA/HUMANIDADE/FÍSICA

(CC0) B_Me / Pixabay

A desflorestação e a superpopulação da Terra ameaçam destruir a vida como a conhecemos até 2040, de acordo com um novo estudo, que adianta que a civilização está a caminhar para um “colapso irreversível”.

Se a Humanidade continuar neste caminho, a civilização como a conhecemos está muito perto do “colapso irreversível”. É uma questão de décadas, indica uma investigação recente, publicada na Scientific Reports, que modela o futuro da Humanidade com base nas taxas actuais de desflorestação e uso de outros recursos.

A equipa analisou números históricos de aumento da população, consumo de recursos e desflorestação e associou-os a fórmulas matemáticas complexas. As projecções mais optimistas deste estudo revelam uma probabilidade de 90% de colapso da Humanidade, adianta o Futurity.

Os físicos preveem que a sociedade, pelo menos como a conhecemos, pode terminar dentro de 20 a 40 anos. “Os cálculos mostram que, mantendo a taxa real de crescimento populacional e consumo de recursos, ainda temos algumas décadas antes de um colapso irreversível.”

O artigo científico, escrito por físicos do Instituto Alan Turing e da Universidade de Tarapacá, prevê que a desflorestação vai “matar” as últimas florestas da Terra em 100 ou 200 anos. A desflorestação, em conjunto com as mudanças na população global e o consumo de recursos, compõem um cocktail desastroso para a nossa civilização.

“Não é realista imaginar que a sociedade humana só começará a ser afectada pela desflorestação quando a última árvore for cortada”, lê-se no artigo. A taxa global de desflorestação diminuiu nos últimos anos, mas ainda há uma perda líquida na floresta em geral.

Além disso, as árvores recém-plantadas não conseguem proteger o meio ambiente tão eficientemente quanto as florestas antigas.

Pesquisas recentes também sugeriram que as taxas de crescimento populacional global são inferiores às estimativas. Um artigo publicado no The Lancet sugeriu, inclusive, que o crescimento da população pode diminuir em meados do século XXI devido ao declínio nas taxas de fertilidade.

No entanto, os cientistas envolvidos na nova pesquisa argumentam que o tempo está a esgotar. “É difícil imaginar, na ausência de esforços colectivos muito fortes, grandes mudanças destes parâmetros numa escala de tempo tão curta”, escreveram.

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31 Julho, 2020

 

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4037: Quase todos os ursos polares podem desaparecer até 2100

CIÊNCIA/CLIMA

Scott Schliebe / U.S. Fish and Wildlife Service

A maioria das populações de ursos polares desaparecerá até ao final do século se o aquecimento global continuar ao ritmo actual, alerta uma nova investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá.

No novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Nature Climate Change, os cientistas explicam que a dieta destes animais consiste principalmente em focas, caçadas no gelo marinho.

Contudo, à medida que o gelo marinho derrete, os ursos têm menos hipóteses de conseguir apanhar as suas presas. Consequentemente, comem menos e torna-se mais difícil ganhar peso antes de uma jornada de jejum mais longa.

Para esta investigação, os cientistas usaram projecções de modelos para conseguir perceber quanto tempo é que durarão as futuras épocas de jejum nas populações de ursos polares. Calcularam também o número dias que os ursos podem sobreviver sem comida.

Combinando estes dados, a equipa de cientistas canadianos estimaram quantos dias podem passar sem que os ursos comam e consigam nutrir as suas crias, assegurando a sustentabilidade da população.

Os cientistas associaram a perda de gelo no mar do Árctico com um acentuado declínio na reprodução subsequente e a sobrevivência de quase todas as populações que vivem na região, escreve a Russia Today, frisando que apenas algumas populações escapariam.

“Embora as nossas projecções para o futuro dos ursos polares pareçam más, o lamentável é que podem até ser optimistas demais“, começou por dizer o principal autor do estudo, Péter Molnár, da Universidade de Toronto, citado em comunicado.

“Assumimos que os ursos polares usarão a sua energia corporal disponível de forma ideal ao jejuar. Caso contrário, a realidade poderá ser pior do que nossas projecções”, alertou.

E concluiu: “O desafio é que o gelo marinho do Árctico continua a desaparecer à medida que o mundo continuar a aquecer (…) E isto significa que os ursos polares de todo o mundo enfrentarão períodos mais longos sem comida, e isso afectará a sua capacidade de se reproduzir, sobreviver e persistir como [parte de] populações saudáveis”.

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22 Julho, 2020

 

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3958: Quantos humanos são precisos para colonizar Marte? Novo estudo responde

CIÊNCIA/MARTE

D Mitriy / Wikimedia

Quantas pessoas são necessárias para colonizar o Planeta Vermelho? Segundo um novo estudo, no mínimo, 110.

Jean-Marc Salotti, investigador e professor no Instituto Politécnico de Bordéus, em França, concluiu recentemente que são necessários 110 colonos para continuar a civilização humana noutro planeta. O artigo científico foi publicado no dia 16 de Junho na Scientific Reports.

Partindo do princípio de que estes humanos, colocados, por exemplo, no Planeta Vermelho, não contam com suporte vindo da Terra, o investigador estima que 110 pessoas seriam suficientes para iniciar a agricultura e outras indústrias autos-suficientes antes que os recursos que tivessem levado a bordo terminassem.

A investigação teve por base um modelo matemático para determinar a exequibilidade de sobrevivência noutro planeta em regime autos-suficiente, e concluiu que a sobrevivência depende do acesso a recursos naturais, condições de trabalho e outras.

A ideia central é o factor de partilha, que permite a redução dos requisitos por indivíduo. “A sobrevivência só é possível se a exigência de tempo de trabalho for menor do que a capacidade do tempo de trabalho. Como a exigência de tempo por indivíduo tende a diminuir com o aumento da população, a determinação do número mínimo para a sobrevivência é directa”, explicou o cientista.

Segundo este princípio, os colonos deveriam trabalhar em conjunto para realizar funções e tarefas que beneficiariam todo o grupo. “Se cada colono estivesse completamente isolado e não fosse possível compartilhar, cada indivíduo teria que realizar todas as actividades e o tempo total necessário seria obtido por uma multiplicação pelo número de indivíduos”, explicou Salotti citado pelo Interesting Engineering.

Apesar de este cálculo ser hipotético, trata-se da “primeira avaliação quantitativa do número mínimo de indivíduos para sobrevivência com base em restrições de engenharia”.

Actualmente, a empresa norte-americana SpaceX está a trabalhar num projecto para levar colonos a Marte, embora ainda não haja qualquer data confirmada para a missão.

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6 Julho, 2020

 

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3606: Estrela sobrevive quase-encontro com buraco negro gigante

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ilustração do buraco negro e da anã branca.
Crédito: raios-X – NASA/CXO/CSIC-INTA/G.Miniutti et al.; Ilustração – NASA/CXC/M. Weiss

Os astrónomos podem ter descoberto um novo tipo de história de sobrevivência: uma estrela que teve um encontro próximo com um buraco negro gigante e sobreviveu para contar a narrativa através de emissões de raios-X.

Dados do Observatório de raios-X da NASA e do XMM-Newton da ESA descobriram a história que começou com uma gigante vermelha que passou demasiado perto de um buraco negro super-massivo numa galáxia a cerca de 250 milhões de anos-luz da Terra. O buraco negro, localizado numa galáxia chamada GSN 069, tem uma massa de cerca de 400.000 vezes a do Sol, colocando-o na extremidade inferior da gama dos buracos negros super-massivos.

Assim que a gigante vermelha foi capturada pela gravidade do buraco negro, as camadas externas da estrela contendo hidrogénio foram arrancadas e levadas para o buraco negro, deixando o núcleo da estrela – conhecido como anã branca – para trás.

“Na minha interpretação dos dados de raios-X, a anã branca sobreviveu, mas não escapou,” disse Andrew King, da Universidade de Leicester, Reino Unido, que realizou este estudo. “Agora está presa numa órbita elíptica em torno do buraco negro, completando uma viagem aproximadamente a cada nove horas.”

À medida que a anã branca faz quase três órbitas por cada dia terrestre, o buraco negro retira material na sua maior aproximação (a não mais do que 15 vezes o raio do horizonte de eventos – o ponto de não retorno – do buraco negro). O detrito estelar entra num disco em redor do buraco negro e liberta um surto de raios-X que o Chandra e o XMM-Newton podem detectar. Além disso, King prevê que ondas gravitacionais serão emitidas pelo par constituído pelo buraco negro e pela anã branca, especialmente no seu ponto mais próximo.

Qual será o futuro da estrela e da sua órbita? O efeito combinado das ondas gravitacionais e uma mudança no tamanho da estrela à medida que perde massa deverá fazer com que a órbita se torne mais circular e cresça em tamanho. O ritmo de perda de massa diminui constantemente, assim como a distância da anã branca ao buraco negro aumenta.

“Vai esforçar-se para fugir, mas não há escapatória. O buraco negro vai devorar a anã branca cada vez mais lentamente, mas nunca parará,” disse King. “Em princípio, esta perda de massa vai continuar até e mesmo depois da anã branca desvanecer até à massa de Júpiter, daqui a um bilião de anos. Esta seria uma maneira notavelmente lenta e complicada do Universo formar um planeta!”

Os astrónomos encontraram muitas estrelas que foram completamente destruídas por encontros com buracos negros (os chamados eventos de perturbação de maré), mas há muito poucos casos relatados de “quase-encontros”, onde a estrela provavelmente sobreviveu.

Encontros próximos como este devem ser mais comuns do que colisões directas, dadas as estatísticas dos padrões de tráfego cósmico, mas podem ser facilmente não observados por várias razões. Primeiro, uma estrela sobrevivente mais massiva pode demorar demasiado tempo a concluir uma órbita em torno do buraco negro para os astrónomos observem surtos repetidos. Outra questão é que os buracos negros super-massivos que são muito mais massivos do que o situado na galáxia GSN 069 podem engolir directamente uma estrela, em vez desta cair para órbitas onde perde massa periodicamente. Nestes casos, os astrónomos nada observariam.

“Em termos astronómicos, este evento só é visível através dos nossos telescópios actuais por um curto período de tempo – cerca de 2000 anos,” disse King. “De modo que a menos que tenhamos uma sorte extraordinária de ter capturado este evento, podem haver muito mais que estejamos a perder. Tais encontros podem ser uma das principais maneiras dos buracos negros do tamanho do buraco negro de GSN 069 crescerem.”

King prevê que a anã branca tem uma massa de apenas dois-décimos da massa do Sol. Se a anã branca era o núcleo da gigante vermelha que foi completamente despojada do seu hidrogénio, deverá ser rica em hélio. O hélio teria sido criado pela fusão de átomos de hidrogénio durante a evolução da gigante vermelha.

“É incrível pensar que a órbita, a massa e a composição de uma pequena estrela a 250 milhões de anos-luz de distância podem ser inferidas,” disse King.

King fez uma previsão com base no seu cenário. Dado que a anã branca está tão perto do buraco negro, os efeitos da Teoria da Relatividade Geral significam que a direcção do eixo da órbita deve oscilar, ou “precessar”. Esta oscilação deve repetir-se a cada dois dias e pode ser detectável com observações suficientemente longas.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de Março de 2020 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online.

Astronomia On-line
28 de Abril de 2020

 

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3188: Orcas bebé têm maior probabilidade de sobreviver se viverem com a avó

CIÊNCIA

cullenphotos / Canva

Crias de orca que vivam com a avó têm uma maior probabilidade de sobreviver quando comparadas às outras orcas. A experiência destas espécimes mais velhas é essencial para o grupo.

Tal como nos humanos, as avós orcas são peças fundamentais da família. Uma nova investigação descobriu que as orcas mais velhas constituem uma mais-valia para a sobrevivência das novas crias. O estudo foi publicado esta semana na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Daniel Franks e a sua equipa de biólogos constataram que as orcas bebé que não contavam com a presença das avós na pós-menopausa tinham taxas mais altas de mortalidade. Esta correlação era visível principalmente quando os alimentos eram escassos.

“Se a avó morre, nos anos que se seguem à sua morte, é muito mais provável os netos morrerem”, disse o investigador da Universidade de York. Estas orcas conseguem orientar os peixes na direcção das crias, podendo “explicar os benefícios de as fêmeas viverem muito tempo após a reprodução”, explica Franks.

Devido à sua experiência, recursos e tempo livre, as orcas mais velhas eram cruciais para a proliferação das crias do grupo. E porque é que são unicamente as orcas fêmeas mais velhas e não os machos mais velhos?

Segundo o Gizmodo, as orcas macho raramente vivem para lá dos seus 30 anos, enquanto que as fêmeas têm uma maior longevidade, podendo ter crias até aos 40 anos e viver mais algumas décadas. No mundo animal, poucas são as espécies que vivem para além do período depois da menopausa — de forma semelhante aos seres humanos.

“O estudo sugere que avós em idade fértil não podem fornecer o mesmo nível de apoio que avós que já não se reproduzem”, notou Franks. “Isso significa que a evolução da menopausa aumentou a capacidade da avó ajudar os seus netos“, acrescentou.

Os benefícios que as orcas mais velhas trazem traduz-se por aquilo a que os especialistas chamam de “efeito da avó”, que consiste no valor benéfico ou adaptativo de ter avós por perto para cuidar dos netos.

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas basearam-se em dados estatísticos recolhidos ao longo de 36 anos de dois grupos de orcas da costa noroeste do Canadá e dos Estados Unidos com o Oceano Pacífico.

“A morte de uma avó depois da menopausa pode ter repercussões importantes no seu grupo familiar, o que pode revelar-se uma consideração importante quando se avalia o futuro destas populações. À medida que as populações de salmões continuam a declinar, as avós deverão tornar-se ainda mais importantes para estas populações de orcas”, conclui o especialista.

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13 Dezembro, 2019

 

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3144: Já se sabe como é que os animais sobreviveram ao frio quando a Terra era uma “bola de neve”

CIÊNCIA

chiaralily / Flickr

Há cerca de 700 milhões de anos, o nosso planeta experimentou a sua Idade do Gelo mais severa, um período ao qual os cientistas chamam “Terra Bola de Neve”.

Esta condição ameaçou a sobrevivência da maioria dos seres vivos primitivos que existiam no planeta, como por exemplo a vida marinha dependente de oxigénio, incluindo os primeiro animais, como as esponjas.

Novas evidências geológicas descobertas por cientistas da Universidade McGill, em Montreal, mostram que a água glacial derretida fornecia uma linha de vida crucial na época para organismos microscópicos conhecidos como eucariotos.

“As evidências sugerem que, embora grande parte dos oceanos durante o congelamento profundo fosse inabitável devido à falta de oxigénio, em áreas onde a camada de gelo começa a flutuar, havia um suprimento crítico de água derretida oxigenada“, disse Maxwell Lechte, sedimentologista da Universidade McGill, em comunicado.

Anteriormente, os cientistas pensavam que a vida dependente de oxigénio poderia ter sido restrita a poças de água derretida na superfície do gelo. Porém, um novo estudo publicado este mês na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences fornece evidências de um “oásis de oxigénio” debaixo do gelo, onde o glaciar encontra o mar. Isto terá permitido que formas de vida primitivas tivessem um lugar seguro onde esperar pelo fim da era do gelo.

Os investigadores estudaram rochas ricas em ferro deixadas para trás por depósitos glaciais na Austrália, Namíbia e Califórnia. Ao examinar a química das formações de ferro nessas rochas, os cientistas estimaram a quantidade de oxigénio nos oceanos há cerca de 700 milhões de anos, para entender os efeitos que teria sobre toda a vida marinha, de acordo com a CNN.

De acordo com Lechte, as bolhas de ar presas no gelo glacial eram libertadas na água enquanto derretia, enriquecendo-a com oxigénio, um processo que descreveu como “bomba de oxigénio glacial”.

O planeta Terra já foi uma “bola de neve” gigante

Durante vastas eras de gelo há milhões de anos, a Terra esteve coberta em gelo. As condições na “Terra Bola…

A enorme glaciação que envolveu o planeta poderia ter desempenhado um papel na evolução de formas de vida mais complexas. “O facto de o congelamento global ter ocorrido antes da evolução de animais complexos sugere uma ligação entre a Terra Bola de Neve e a evolução animal”, rematou Lechte. “Essas condições adversas poderiam ter estimulado a sua diversificação para formas mais complexas”.

São necessários mais estudos para perceber como é que os “oásis de oxigénio” poderiam sustentar uma cadeia alimentar. O ScienceAlert recorda que existem hoje ecossistemas glaciais e ecossistemas nas regiões polares congeladas que sustentam diversidade de vida. Por isso, sugere o portal, esses podem ser bons lugares para procurar respostas.

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6 Dezembro, 2019

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3076: ADN de tardígrados pode ajudar humanos a sobreviver em Marte

CIÊNCIA

dottedhippo / Canva

Combinarmos o ADN de tardígrados com as nossas células pode ser a solução para que consigamos sobreviver em Marte. A teoria parte do geneticista Chris Mason, da Universidade Weill Cornell, em Nova Iorque.

Os tardígrados, popularmente conhecidos como ursos de água, são seres extremófilos, capazes de sobreviver em situações extremas, no vácuo do espaço e em temperaturas abaixo de zero, sendo mesmo considerado o animal mais resistente do mundo.

Chris Mason sugere que combinar a informação genética desta criatura com células humanas pode ser uma solução para preparar os nossos astronautas para as condições que Marte oferece. O norte-americano tem dedicado grande parte da sua carreira a estudar os efeitos genéticos dos voos espaciais e como é que os seres humanos podem superar essas limitações.

Para o efeito, Mason estudou dois irmãos gémeos astronautas: Mark e Scott Kelly. Em 2015, enquanto o primeiro passou um ano na Estação Espacial Internacional, o segundo esteve no planeta Terra. Durante esse tempo, a equipa de Mason estudou as alterações biológicas de cada um nos seus respectivos ambientes.

No mês passado, durante a conferência “Human Genectics”, o geneticista conversou sobre os resultados da sua investigação e falou sobre a ideia de fazer um estudo mais abrangente para preparar da melhor forma os nossos astronautas.

Como tal, Mason explicou que os futuro astronautas podem vir a tomar medicamentos prescritos para ajudar a mitigar os efeitos que a sua equipa descobriu com a mais recente investigação. Além disso, de acordo com o Live Science, o especialista falou ainda de usar a edição de genes para tornar os humanos mais capazes de chegar a planetas como Marte.

“Se tivermos mais 20 anos de pura descoberta, mapeamento e validação funcional do que pensamos saber, talvez daqui a 20 anos, espero que possamos estar numa fase em que consigamos dizer que podemos fazer um humano que poderia sobreviver melhor em Marte”, disse Mason.

Apesar de reconhecer a controvérsia associada à manipulação de genes humanos, o professor da universidade nova-iorquina reconhece que combinar células humanas com ADN de tardígrados pode ser uma solução para que os astronautas resistam, por exemplo, à radiação.

Na sua opinião, isto é algo ao nosso alcance. “Não é se evoluímos; é quando evoluirmos“, acrescentou. Quanto à questão ética, Mason disse que se a engenharia genética tornar as pessoas mais capazes de habitar Marte de uma forma mais segura, sem interferir com a capacidade de viver na Terra, as pessoas aceitarão mais facilmente.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2019

 

2764: Cientistas revelam os melhores países para sobreviver a uma pandemia global

CIÊNCIA

herraez / Canva

Uma equipa de cientistas da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, elencou alguns dos melhores países para sobreviver a uma eventual pandemia global ou outra qualquer crise que coloque a Humanidade em risco.

“As descobertas no campo da Biotecnologia podem ver uma pandemia geneticamente modificada a ameaçar a sobrevivência da nossa espécie”, explicou Nick Wilson, um dos autores do estudo, citado em comunicado da instituição de ensino.

De acordo com a investigação levada a cabo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Risk Analysis, os países insulares seriam os melhores lugares em caso de crise devido ao seu isolamento natural.

Os especialistas seleccionaram as 20 opções mais favoráveis para este cenário, sendo estas classificadas consoante a sua disponibilidade de recursos, localização, capacidade de serem auto-suficientes e número de habitantes. Quanto maior for a população, recordam, mais fácil seria depois reiniciar a civilização afectada pela eventual pandemia.

Os resultados revelaram que a Austrália é o melhor lugar para sobreviver em caso de crise, tendo em conta a sua produção de alimentos e energia, seguindo-se depois a Nova Zelândia e a Islândia. “Tal como esperado, foram os países com alto PIB, que são auto-suficientes na produção de alimentos e/ou energia e que são também um pouco remotos, que se saíram melhor”, escreveram os cientistas.

“Embora os portadores da doença [em causa] possam contornar facilmente as fronteiras terrestres, uma ilha fechada e auto-suficiente pode abrigar uma população isolada e tecnologicamente apta para posteriormente repovoar a Terra após o desastres”, frisou.

Embora os perigoso estudados na investigação não sejam iminentes, os cientistas recordam que são totalmente reais. Por isso, defendem, é necessário começar a planear como mitigar uma crise que ameaça a extinção.

É como uma apólice de seguro. Espera-se que nunca se use, mas se ocorrer um desastre, a estratégia deve ter sido estabelecida com antecedência”, exemplifica Wilson.

“Pode ser que exista uma necessidade clara e premente onde a única opção para a Humanidade é um refúgio numa ilha”, afirmou o principal autor do estudo, Matt Boyd, acrescentando que, embora o Regulamento Sanitário Internacional geralmente não apoie o encerramento das fronteiras em caso de uma ameaça deste género, a introdução rápida de controlos fronteiriços seria essencial.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2519: Cientistas deram passo gigantesco para salvar o rinoceronte-branco do norte

CIÊNCIA

Ol Pejeta

Cientistas anunciaram, na última sexta-feira, ter conseguido colher óvulos de Najin e Fatu, os últimos dois exemplares do rinoceronte-branco do norte.

Actualmente, há apenas dois exemplares do rinoceronte-branco do norte: Najin e Fatu. Mas, agora, temos a esperança renovada para conseguir manter a sobrevivência desta espécie. Segundo o Science Alert, cientistas anunciaram, na última sexta-feira, ter conseguido colher óvulos da mãe e filha.

“Conseguimos colher um total de dez ovócitos — cinco da Najin e cinco da Fatu —, mostrando que as duas fêmeas ainda podem fornecer óvulos e assim ajudar a salvar estas criaturas magníficas”, disse o especialista em reprodução animal Thomas Hildebrandt, do Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research, situado em Berlim.

O objectivo agora é inseminar artificialmente os óvulos com espermatozóides crio-preservados de dois rinocerontes-brancos do norte machos já falecidos, Suni e Saút.

Depois, se tudo correr como planeado, o embrião resultante poderia ser transferido para uma mãe substituta da outra subespécie — o rinoceronte-branco do sul — que poderia levar ao nascimento do feto. Isto porque Najin e Fatu, filha e neta de Sudan, têm problemas de saúde que as impediria de ir para a frente com uma gravidez.

Apesar dos desafios, depois do sucesso da extracção dos óvulos — algo nunca antes tentado com rinocerontes-brancos do norte — os investigadores estão muito motivados.

“Estava aqui há cinco anos quando descobrimos que Fatu e Najin não seriam capazes de se reproduzir naturalmente, e quando percebemos que precisávamos de tentar meios artificiais. Agora, isso está finalmente a acontecer”, congratulou-se Jan Stejskal, do jardim zoológico Dvůr Králové, na República Checa, à National Geographic.

Depois do procedimento de colheita dos óvulos, durante o qual mãe e filha foram colocadas sob anestesia geral, as duas rinocerontes estão agora a recuperar. Entretanto, os óvulos vão ser transportados para Itália, onde os cientistas vão iniciar cuidadosamente o processo de fertilização com o sémen preservado — com base na investigação de fertilização in vitro com rinocerontes publicada no ano passado.

ZAP //

Por ZAP
26 Agosto, 2019

 

A “grande probabilidade” da humanidade extinguir-se em 30 anos

CIÊNCIA

Deserto (Reuters) © TVI24 Deserto (Reuters)

Já lá vai o tempo em que os cientistas e a população consideravam que as alterações climáticas seriam um problema que só afectaria as gerações futuras. A comunidade científica está a apelar aos governos para tomarem atitudes drásticas para conter um aquecimento devastador, e até mesmo fatal, para o planeta e que pode acontecer mais depressa do que se pensava.

Um novo estudo, publicado na terça-feira, alerta para o risco de extinção da própria humanidade nas próximas décadas, caso não sejam tomadas medidas urgentes. A investigação do Breakthrough National Centre for Climate Restoration, na Austrália, aponta para “a grande probabilidade de a civilização humana chegar ao fim” em 30 anos se as tendências actuais permanecerem inalteradas.

Segundo as conclusões, grande parte da Terra vai apresentar condições climatéricas “para lá do limiar da sobrevivência humana”, em 2050. Este cenário apocalíptico teve em conta prospeções científicas recentes, caso os objectivos do Acordo de Paris falhem, algo que se avizinha provável, de acordo com vários estudos e com o próprio Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Com base nas previsões, este grupo de cientistas desenhou a seguinte timeline:

De acordo com o relatório, em 2050, 55% da população mundial estaria sujeita a mais de 20 dias anuais de calor superior ao aceitável pelo organismo humano. Em vários países africanos, estas ondas de temperaturas elevadas durariam mais de 100 dias por ano, afectando a agricultura e a possibilidade de produzir bens alimentares.

Aliado ao calor, a Terra seria atormentada por eventos meteorológicos extremos, como secas, incêndios florestais e cheias.

A falta de recursos e mantimentos poderia adensar as tensões sociais em muitos países, fazer proliferar doenças e pandemias e, até, levar a uma guerra à escala mundial, que culminaria, por fim, na extinção da humanidade.

Será que estamos a caminhar para este desastre apocalíptico?

O estudo aponta que estas são previsões “extremas”, que, no pior cenário possível, culminariam com “o fim da civilização humana”. Contudo, os cientistas afirmam que é possível limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius se os governos se aliarem e agirem imediatamente.

Um conselho que foi já dado, vezes sem conta, pelo Secretário-Geral da ONU. Há dois anos, enquanto discursava na Web Summit, António Guterres admitiu que “o Acordo de Paris não é suficiente e mesmo que os objectivos do comité sejam alcançados, as temperaturas vão subir mais de três graus [até ao final do século] e também é claro que nem todos os países estão a cumprir aquilo que foi estabelecido”.

Num discurso mais recente, em Setembro de 2018, numa conferência especial do clima, salientou que, se os governos de todo o mundo não tomarem medidas para deter o aquecimento global até 2020, corremos o risco de perder a batalha contra as alterações climáticas.

Em Novembro do mesmo ano, um relatório da ONU deu mais algumas más notícias sobre os progressos (ou a falta deles) no ambiente desde que o Acordo de Paris foi assinado. Segundo o “Emissions Gap Report 2018”, as nações de todo o mundo estão a falhar a tarefa de limitar o aquecimento global em 2 graus e precisam do triplo dos esforços para atingir os objectivos até 2030.

O relatório anual afirmava ainda que, em vez de diminuir, o nível global de emissões de CO2 aumentou em 2017 0,7 giga-toneladas, fixando-se agora em 53,5 giga-toneladas. Para limitar o aquecimento global em 1,5 graus, as emissões de gases com efeito de estufa devem ser reduzidas em 55% até 2030, e em 25% para travar um aquecimento de 2 graus.

Durante a abertura da cimeira COP24, a presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Espinosa, garantiu que, ao ritmo que estamos a testemunhar as mudanças hoje em dia,a humanidade está em “risco de desaparecer. Precisamos de tomar acções urgentes e com audácia. Sejam ambiciosos, mas também responsáveis pelas gerações futuras”.

O retrato negro desta “futurologia climática” não se fica por aqui. Segundo um estudo publicado pelo Met Office, do Reino Unido, a média de temperaturas globais na Terra pode ultrapassar os objectivos do Acordo de Paris em apenas cinco anos. Os cientistas desta instituição estão a prever um aumento provável da temperatura em mais de 1 grau, até 1,5 graus Celsius, em relação ao níveis pré-industriais antes de 2022.

As previsões vão também ao encontro das conclusões publicadas num relatório da Organização Meteorológica Mundial, divulgado em Novembro do ano passado. Os dados recolhidos pela instituição apontam para um provável aumento das temperaturas globais entre 3 e 5 graus Celsius até ao final do século.

Neste documento foram ainda publicados os seguintes indicadores preocupantes:

Os modelos climáticos para as mudanças possíveis provocadas pelas alterações climáticas já fizeram correr muita tinta nos últimos anos, mas um estudo destacou-se em relação aos restantes, pela firmeza com que sublinhou que os cenários mais pessimistas do clima “são os mais fiáveis“. Esta investigação, publicada no jornal “Nature”, indica que, se as emissões seguirem as tendências actuais, há 93% de hipóteses de o aquecimento global ultrapassar os 4 graus até ao final deste século.

A ciência mostra-nos também hoje que aqueles que nas últimas décadas se dedicaram ao estudo do aquecimento global falharam importantes previsões. Não souberem quantificar a dimensão e a gravidade que estão a assumir os fogos florestais, as secas, as chuvas e as tempestades; falharam na avaliação do degelo na Antárctida e na Gronelândia, bem como na sua implicação para a subida do nível do mar; e falharam na identificação de uma série de problemas de saúde pública, que matam já milhares de pessoas por ano.

Dados recentes deixam preocupações crescentes com o ambiente

A luz ao fundo do túnel

O ano de 2030 parece ser apontado como a meta para salvar ou condenar o planeta Terra. De acordo com a ONU, temos 11 anos para limitar o aquecimento global em 1,5 graus. As Nações Unidas garantem que, para isso, são necessárias “transições sem precedentes em todos os aspectos da sociedade“.

Para tal, a ONU aponta que é necessário limitar a produção de gases com efeito de estufa, que, apesar de terem crescido em 2017, viram uma estagnação nos dois anos precedentes.

Para além disto, os especialistas salientam que o cumprimento das metas do Acordo de Paris pode salvar mais de um milhão de vidas por ano. Para isto, os países que assinaram o tratado foram chamados a assinar um “manual de condutas” para assegurar que todos os objectivos são cumpridos, na cimeira do COP24, que se realizou em Dezembro de 2018.

Para além disto, estão a ser desenvolvidas tecnologias que visam combater as alterações climáticas. A força crescente das energias renováveis está já a impedir que milhões de toneladas de CO2 cheguem à atmosfera.

Esta diminuição pode ainda ser especialmente sentida em Portugal que, de acordo com dados da Eurostat, reduziu emissões de CO2 em 9%, mais do triplo da média europeia (2,6%).

Por fim, há ainda a esperança que os EUA voltem a integrar o Acordo de Paris e a juntar forças com os restantes países do mundo para tentar travar o aquecimento global.

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Susana Laires



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2082: A civilização Maia também lidou com alterações climáticas (e sobreviveu)

CIÊNCIA

Tony Hisgett / wikimedia
Chichén Itzá é uma cidade arqueológica maia, no Iucatã, que funcionou como centro político e económico da civilização maia.

As alterações climáticas não são nada de novo e, já na altura da civilização Maia, os povos tiveram de se readaptar para sobreviverem a uma nova realidade. Os Maias desenvolveram técnicas para remediarem situações de, por exemplo, épocas de seca.

As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera da Terra atingiram 415 partes por milhão – um nível que se verificou pela última vez há mais de três milhões de anos, muito antes da evolução dos seres humanos. Esta notícia aumenta a preocupação crescente de que as mudanças climáticas provavelmente causarão sérios danos ao nosso planeta nas próximas décadas.

Apesar de a temperatura na Terra nunca ter estado tão alta, podemos aprender sobre como lidar com a mudança climática ao observar a civilização Maia, que prosperou entre 250-950 d.C. no leste da Mesoamérica, a região que hoje é ocupada pela Guatemala, Belize, México Oriental e partes de El Salvador e Honduras.

Muitas pessoas acreditam que a antiga civilização Maia terminou quando misteriosamente “entrou em colapso”. E é verdade que os Maias enfrentaram muitos desafios de mudanças climáticas, incluindo secas extremas que acabaram por contribuir para o colapso das suas grandes cidades-estado do Período Clássico.

No entanto, os Maias não desapareceram: mais de 6 milhões de pessoas com raízes Maia vivem hoje no leste da Mesoamérica. Além disso, com base na investigação de antropólogos na Península do Norte de Yucatán, acredita-se que a capacidade das comunidades Maias de adaptar as práticas de conservação de recursos desempenhou um papel crucial em permitir que sobrevivessem por tanto tempo.

Em vez de se concentrar nos momentos finais da civilização Maia, a sociedade pode aprender com as práticas que lhes permitiram sobreviver por quase 700 anos, quando consideramos os efeitos das mudanças climáticas nos dias de hoje.

Adaptação a condições secas

Uma combinação de factores, incluindo mudanças ambientais, contribuiu para o colapso de muitos grandes centros pré-clássicos após o início do primeiro milénio d.C.

Evidências disponíveis sugerem que, embora o clima tenha permanecido relativamente estável durante grande parte do Período Clássico, houve períodos ocasionais de diminuição da precipitação. Além disso, todos os anos, as épocas seca e chuvosa foram marcadamente divididas. Maximizar a eficiência e o armazenamento de água e correctamente sincronizar a época de plantio foi muito importante.

Se as chuvas não acontecessem como esperado por um ano ou dois, as comunidades poderiam contar com água armazenada. No entanto, secas mais prolongadas acentuaram a hierarquia política e complexas redes comerciais inter-regionais. A chave primordial para a sobrevivência foi aprender a adaptarem-se às mudanças ambientais.

Por exemplo, os Maias desenvolveram redes mais elaboradas de terraço e irrigação para proteger contra o escoamento do solo e o esgotamento de nutrientes. Projectaram também sistemas de drenagem e armazenamento que maximizaram a captação de água da chuva.

Declínio e colapso

Durante os séculos IX e X d.C., muitas das grandes cidades Maias clássicas caíram como resultado de várias tendências de longo prazo, como o crescimento populacional, a guerra cada vez mais frequente e uma burocracia cada vez mais complexa. O declínio das chuvas piorou a situação de risco.

No final, vários centros populacionais experienciaram eventos de abandono relativamente rápidos. No entanto, diferentes áreas decaíram ao longo de um período de mais de dois séculos. Chamar a esta série de eventos um colapso ignora a capacidade das comunidades Maias de se preservarem por gerações, apesar dos desafios crescentes.

Podemos ver padrões semelhantes em várias outras civilizações. As comunidades ancestrais de Puebloan no sudoeste dos Estados Unidos, anteriormente conhecidas como Anasazi, desenvolveram redes de irrigação para cultivar uma paisagem naturalmente árida começando por volta do início do primeiro milénio.

Quando as chuvas começaram a decair nos séculos XII e XIII, elas se reorganizaram em unidades menores e moveram-se pelas redondezas. Esta estratégia permitiu que eles sobrevivessem mais tempo do que teriam se se mantivessem no mesmo lugar.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
31 Maio, 2019


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2050: Físico diz que Marte é o único planeta para onde humanos podem fugir

CIÊNCIA

Goddard Space Center / NASA

Segundo o físico Brian Cox, o Planeta Vermelho pode ser a única opção caso os humanos tenham de abandonar o planeta Terra. O cientista diz que “não podemos ficar aqui para sempre”.

O professor e apresentador Brian Cox prevê um futuro sombrio para os humanos que desejam viajar pelo Universo e pisar noutros planetas. O tablóide britânico Daily Star relata que o cientista teorizou, traçando a exploração da humanidade do nosso Sistema Solar, que o vizinho mais próximo do nosso planeta, Marte, incrustado por gelo, é “na verdade o único lugar” onde a humanidade pode ir além da Terra.

“Em qualquer cenário plausível, não há outro lugar para onde os humanos possam ir para começar a sair do planeta, a não ser Marte. Se pensarmos noutros planetas, não há nenhum que possamos ir”, afirmou Cox.

O físico não tem dúvidas de que os humanos um dia deixarão o planeta porque “não podermos ficar aqui para sempre”. “Pode ou não haver marcianos e precisamos de descobrir. Mas haverá marcianos se quisermos ter um futuro. Em algum momento seremos, nós mesmos, marcianos”, observou.

Não há muito tempo, Brian Cox destacou que o destino da humanidade poderia corresponder, não só a Marte, mas também a Vénus e Mercúrio, que poderiam ter tido oceanos e rios na superfície.

Cox e o co-autor da próxima edição do livro Planetas, Andrew Cohen, definiram Marte como o local mais provável para a evolução da vida. “Era uma vez um Planeta Vermelho que brilhava com uma luz azul. Os riachos corriam pelas encostas e os rios corriam pelos vales”, observaram.

Um dos mais persistentes entusiastas das viagens a Marte, fundador multimilionário da SpaceX e Tesla, Elon Musk, revelou anteriormente que a colonização do Planeta Vermelho poderia assegurar uma fuga para a raça humana em caso de um cenário apocalíptico iminente.

Numa sessão de perguntas e respostas no ano passado, Musk apontou “alguma probabilidade” de uma nova Era das Trevas, “especialmente se houver uma terceira guerra mundial”.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
26 Maio, 2019

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1996: Os castores gigantes não sobreviveram à Idade do Gelo (e já se sabe porquê)

CIÊNCIA

Western University

Muitas criaturas gigantes vaguearam pela Terra durante a última Idade do Gelo. Na América do Norte, esta megafauna variava desde os mastodontes, os mamutes, os ursos-de-pernas-longas, os lobos pré-históricos e os castores gigantes.

Estes animais eram três vezes o tamanho de um castor moderno, pesando cem quilos e alongando-se a 2,5 metros de comprimento. Eram do tamanho de um urso preto adulto ou de um humano de metro e oitenta de altura que se levantavam. Tinham incisivos de 15 centímetros, conseguindo facilmente derrubar florestas para construir as suas represas.

Só que isso não aconteceu. De acordo com um novo estudo publicado na Scientific Reports, não foi encontrada nenhuma evidência de que castores gigantes tenham comido árvores e isso poderia justificar porque é que estavam extintos no final da Idade do Gelo, superados pelos seus irmãos mais pequenos.

Os modernos castores, de apenas 30 quilos e até 90 centímetros sem cauda, são na verdade os maiores roedores da América do Norte. Os castores são herbívoros e seus enormes dentes da frente – que nunca param de crescer – são usados, não apenas para roer árvores para construir as suas represas e pousadas, mas para comer a casca e a madeira.

O castor gigante, extinto há cerca de dez mil anos, predominantemente terá comido plantas aquáticas submersas – não madeira – descobriram investigadores da Universidade Ocidental. Isso significava que dependiam muito do ambiente de áreas húmidas tanto para comida quanto para abrigo.

“Não encontramos nenhuma evidência de que o castor gigante tenha derrubado árvores ou tenha comido árvores”, disse a co-autora Tessa Plint, ex-estudante de pós-graduação da Universidade Heriot-Watt, em comunicado. “Castores gigantes não eram engenheiros de ecossistemas como o castor norte-americano.”

Castores e castores gigantes coexistiram durante a Era Glacial, com fósseis indicando que os gigantes prosperaram na Florida e na bacia do Mississipi até Yukon e Alasca. No entanto, quando o Pleistoceno estava a chegar ao fim e as mantas de gelo começaram a recuar, o clima tornou-se muito mais seco e as zonas húmidas começaram a desaparecer.

Western University
Os castores gigantes eram três vezes o tamanho de um castor moderno

“A capacidade de construir represas e alojamentos pode ter proporcionado aos castores uma vantagem competitiva sobre os castores gigantes, porque poderia alterar a paisagem para criar um habitat adequado para as terras húmidas quando necessário. Castores gigantes não conseguiram fazer isso”, explicou o co-autor Fred Longstaffe, presidente de pesquisa do Isotope Estável do Canadá, da Western University.

“Quando se olha para o registo fóssil do último milhão de anos, vê-se repetidamente as populações regionais de castores gigantes desaparecerem com o início de condições climáticas mais áridas.”

Plint e Longstaffe uniram-se a Grant Zazula, do Programa de Paleontologia de Yukon, para traçar os isótopos estáveis nos dentes e ossos dos fósseis de Castoroides encontrados em Yukon.

“Basicamente, a assinatura isotópica do alimento que come é incorporada nos seus tecidos”, disse Plint. “Como as razões isotópicas permanecem estáveis mesmo após a morte do organismo, podemos observar a assinatura isotópica do material fóssil e extrair informações sobre o que o animal estava a comer, mesmo que o animal tenha vivido há dezenas de milhares de anos.”

Investigadores têm estado intrigados há anos com o que causou a extinção em massa da megafauna que ocorreu no final da Idade do Gelo. As novas descobertas sobre dietas de castores gigantes oferecem outra “pequena peça no quebra-cabeça”, disse Plint, sugerindo que a falta de adaptação à mudança climática é a culpada.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
16 Maio, 2019



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1967: Há um peixe que se adapta a níveis letais de poluição da água

CIÊNCIA

Noel Burkhead / Wikimedia
Fundulus grandis

O killifish do Golfo (Fundulus grandis) estava condenado à extinção devido à poluição causada pela actividade humana, mas foi capaz de desenvolver a capacidade de permanecer nas águas contaminadas.

Os níveis letais de poluição do seu território colocaram a sobrevivência do killifish do Golfo (Fundulus grandis) sob ameaça. Mas há alguns males que vêm por bem: a população de peixes evoluiu de forma a conseguir permanecer nas águas sujas do Houston Ship Channel, no Texas, graças aos genes que adquiriu do seu parente, o killifish do Atlântico. Uma história feliz de adaptação e hibridação.

O killifish do Golfo mede apenas 18 centímetros, mas é um dos maiores peixes da sua espécie. Este peixe pode ser encontrado em estuários costeiros ao longo do norte do Golfo do México e da costa do Atlântico, onde serve de refeição favorita a trutas ou linguados.

Podemos também encontrá-lo no Houston Ship Channel, nas águas que permanecem altamente poluídas há mais de seis décadas, devido à actividade industrial da região. Neste habitat, o killifish do Golfo serve como uma espécie de intermediário, uma vez que fornece a rota para a poluição entrar na cadeia alimentar humana.

Uma equipa de cientistas da Baylor University, no Texas, quis descobrir como é que esta espécie se adapta à mudança ambiental rápida e extrema que se tem verificado ao longo do tempo.

Para isso, os cientistas examinaram o killifish do Golfo de 12 locais diferentes do Houston Ship Channel e de Galveston Bay (outro estuário também localizado no Texas), e cultivaram a mesma espécie nas instalações de aqui-cultura da universidade para testarem a sua resistência e tolerância à poluição.

Para isso, explica o IFL Science, os embriões de cada população foram expostos a poluentes-modelo que imitam os produtos químicos encontrados no Houston Ship Channel.

A equipa descobriu que os espécimes recolhidos dos estuários apresentavam os níveis mais altos de resistência à poluição e, ao sequenciar os genomas, descobriram que aqueles que melhor se adaptavam a este ambiente poluído apresentavam uma grande quantidade de variedade genética.

Elias Oziolor, um dos autores do estudo, esclareceu em comunicado que os “imensos tamanhos populacionais de killifish do Golfo permitem que esta espécie retenha a grande quantidade de variação genética. Mas “sob a pressão radical da poluição, a solução final não foi a sua própria variação genética, mas a variação que tiveram a sorte de capturar das suas espécies irmãs, o killifish do Atlântico, através da hibridação.”

Contudo, apesar de ser animador ver que a adaptação a ambientes em mudança ocorre a uma velocidade tão rápida, os cientistas alertam para o facto de esta não ser uma solução que resolve o imenso problema da degradação ambiental causada pelo Homem. O artigo científico foi recentemente publicado na Science.

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2019


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1283: Descoberto o segredo da sobrevivência dos antigos povos dos Andes

CIÊNCIA

(CC0/PD) etifae / Pixabay
Cordilheira dos Andes

Uma nova investigação, baseada nos antigos assentamentos das populações que viveram na Cordilheira dos Andes, revelou que estes povos sofreram mutações genéticas que lhes permitiram sobreviver em condições tão adversas.

De acordo com o novo estudo, publicado na semana passada na revista Science Advances, estas populações que viviam em territórios de elevada altitude foram modificando e adaptando os seus organismos ao longos dos anos.

E foi graças a estas alterações genéticas – que incluem corações maiores e pressão arterial ligeiramente mais alta – que conseguiram resistir e sobreviver às condições adversas dos Andes, evitando também certas doenças.

“Apesar das duras condições ambientais, os Andes foram povoados relativamente cedo após a entrada no continente [sul-americano]. As características adaptativas necessárias para a ocupação permanente podem ter sido seleccionadas por um período de tempo relativamente curto, na ordem dos milhares de anos“, pode ler-se na publicação.

Segundo o artigo, uma das mutações foi identificada foi no gene DST, que fez com que a anatomia dos corações da população dos Andes fosse mudando. A análise genética notou que os ventrículos direitos deste povo eram maiores comparativamente a um coração normal, melhorando assim o fornecimento de sangue oxigenado.

Outro sinal de adaptação foi encontrado no gene MGAM (maltase-glucoamilase), uma enzima intestinal. Os ancestrais do Andes, que habitaram estas terras altas há cerca de 7.000 anos, consumiam muito milho e batatas – produtos tradicionalmente consumidos naquela zona da América de Sul – e a evolução do MGAM permitiu-lhe fazer uma melhor digestão do amido.

A presença do MGAM produziu “uma mudança significativa na dieta” deste povo. Apesar de estas populações ingerirem muito amido, os seu genomas não produziram cópias adicionais do gene da amilase, como aconteceu nas áreas rurais da Europa.

No que respeita ao sistema imunológico, os povos dos Andes mostraram também ser mais resistentes. Durante a a epidemia de varíola na América Latina, causada pela chegada dos espanhóis, as taxas de mortalidade nos Andes foram entre 23% e 27%. No resto das Américas, as taxas de mortalidade ascenderam a 90%.

A análise genética, que analisou os vestígios mortais de vários ancestrais que viveram nos Andes, revelou que a adaptação foi o grande segredo para a prosperidade desta população.

ZAP // RT / LiveScience

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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1117: Os neandertais sobreviveram à Idade do Gelo graças ao seu sistema de saúde

CIÊNCIA

kkttkk / Deviant Art

Os neandertais cuidavam dos seus doentes e feridos, tendo desenvolvido cuidados médicos muito eficientes. Um estudo recente sugere agora que este comportamento era muito mais do que um fenómeno cultural: estas práticas ajudaram os neandertais a sobreviver.

Para suportar as duras condições da Idade do Gelo na Europa, os neandertais adoptaram várias estratégias de sobrevivência, entre as quais a caça em grupo, a paternidade colaborativa e a partilha de alimentos. Um estudo recente, publicado na Quaternary Science Reviews, acrescenta ainda outro truque de sobrevivência: a saúde.

“Em vez de ser encarada apenas como um traço cultural, a saúde pode também ser vista como parte de várias adaptações que permitiram aos neandertais sobreviver em ambientes únicos onde viviam ao lado de grandes carnívoros predadores”, escreveu a equipa, liderada por Penny Spikins, da Universidade de York.

“Além disso, a saúde pode ter sido um factor significativo para permitir que os neandertais ocupassem um nicho predatório que, de outra forma, não estaria disponível para eles”, acrescentam.

É fácil prender-nos à sua extinção, mas a verdade é que a essência dos neandertais é muito mais do que isso. Eles fizeram da Idade do Gelo a sua casa durante centenas de milhares de anos… e não foi por terem feito algo de errado. Pelo contrário.

Que os neandertais tinham um sistema de saúde muito próprio não é segredo. Devido à sua vida arriscada, as lesões faziam parte do seu dia-a-dia. Mas, em vez de negligenciar os feridos, os neandertais partiram dos doentes para melhorar a sua assistência médica.

“Temos evidências de cuidados de saúde que datam de há 1,6 milhões de anos, mas achamos que vai muito além disso”, disse Spikins em comunicado. “Queríamos investigar se os cuidados de saúde nos Neandertais eram mais do que uma prática cultural: foi algo que fizeram por acaso ou foi fundamental para as suas estratégias de sobrevivência?”

Provas recolhidas pela equipa de Spikins sugerem que estas práticas foram benéficas para o grupo e, consequentemente, uma grande adaptação evolutiva.

No estudo, os cientistas analisaram restos de esqueletos de 30 indivíduos neandertais que exibiam feridas, que variavam de leves a graves. Apesar dos seus ferimentos, cada um desses indivíduos conseguiu sobreviver. Os investigadores referem que é altamente improvável que tenham conseguido sobreviver sem ajuda, desconfiando, assim, da implementação de um sistema de saúde cuidado e bem desenvolvido.

“O alto nível de lesões e recuperação de doenças graves sugere que outras pessoas devem ter colaborado nos cuidados de saúde, assim como ajudado a aliviar a dor e a lutar pela sua sobrevivência do indivíduo, encorajando-o a participar activamente nas actividades do grupo novamente”, disse Spikins.

Para tratar os seus feridos, os neandertais empregaram várias estratégias, dependendo sempre da gravidade e natureza da lesão. Segundo o Gizmodo, lesões graves, como uma perna partida, exigiram controlo da febre e reposicionamento de ossos partidos. Em alguns casos, implicou ainda limitar a perda de sangue: por isso, sim, os tratamentos eram bastante sofisticados.

“Os neandertais parecem ter sido prestadores de cuidados de saúde especializados em colaboração”, escrevem os autores. Tratar de doentes feridos e ajudar as mães durante o parto requeria muito tempo e energia, mas para os neandertais era uma necessidade: como viviam em pequenos grupos, a perda de um indivíduo poderia ser catastrófica.

Cuidar dos membros gravemente feridos era uma questão de sobrevivência global. Isto não quer dizer que os neandertais não agissem por compaixão, até porque é bem provável que sim.No entanto, os cientistas afirmam que os cuidados de saúde serviram um propósito pragmático que ajudou o grupo a sobreviver como um todo. E, por consequência, toda a espécie.

Assim, o cuidado com a saúde “não foi apenas uma adaptação evolucionária”. Pode ter sido também um factor essencial para a sobrevivência da espécie. Sem os benefícios da assistência médica, argumentam os investigadores, a Era do Gelo da Europa seria, muito provavelmente, intolerável.

ZAP //

Por ZAP
9 Outubro, 2018

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619: Novas erupções no vulcão do Fogo dificultam busca pelos 192 desaparecidos

Último balanço aponta para 75 mortos. Novas evacuações geram pânico

O vulcão do Fogo voltou a entrar em actividade, forçando novas evacuações e obrigando os socorristas a procurar abrigo, dificultando as operações de buscas pelos 192 desaparecidos da erupção de domingo.

Os socorristas, a polícia e os jornalistas correram à procura de um local seguro quando as sirenes começaram a soar e dos altifalantes chegavam as ordens para evacuar.

Uma coluna de fumo projectou-se do vulcão e lava desceu pela encosta sul na terça-feira à tarde, desencadeando novas ordens de evacuação em mais de uma dúzia de comunidades e obrigando a encerrar uma autoestrada.

As autoridades dizem que o fumo poderá formar uma “cortina” de cinzas capaz de atingir os seis mil metros de altitude, o que representa também um perigo para o tráfego aéreo.

Pelo menos 192 pessoas foram dadas como desaparecidas na Guatemala, na sequência da erupção do vulcão do Fogo, no domingo, indicou a Protecção Civil.

“Já temos o número e os nomes das pessoas que estão desaparecidas: 192”, declarou o director da agência de Coordenação e Gestão de Desastres da Guatemala, Sergio Cabañas, na terça-feira à noite.

Dois dias após a erupção, o terreno ainda estava demasiado quente em vários locais para as equipas de socorro poderem trabalhar.

Lilian Hernandez chorava enquanto dizia os nomes dos tios, primos, netos e outros familiares, num total de 36, que estão desaparecidos e presumivelmente mortos. “Os meus primos Ingrid, Yomira, Paola, Jennifer, Michael, Andrea e Silvia, que tinha apenas dois anos”, disse à agência AP.

Os últimos dados apontam para pelo menos 75 mortos, continuando os bombeiros à procura de pessoas nos escombros.

As autoridades indicaram que mais de 3200 pessoas de povoações na zona foram retiradas das habitações devido à queda das cinzas, que afectam uma área com perto de 1,7 milhões de pessoas.

O Instituto de Sismologia guatemalteco anunciou que o vulcão, de 3763 metros de altura, já tinha alertado para a hipótese de uma nova erupção.

Diário de Notícias
06 DE JUNHO DE 2018 07:20
Susana Salvador, com Lusa

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218: A Humanidade pode mesmo sobreviver ao Universo como o conhecemos

(CC0/PD) jordygoovaerts0 / pixabay

Sabemos que mesmo que guerras nucleares, poluição ou doenças não acabem com a vida humana na Terra, o nosso planeta está destinado a ser destruído pelo próprio sol em aproximadamente 1500 milhões de anos.

De acordo com as projecções do astrónomo Gregory Laughlin, da Universidade de Yale, nos EUA, e do cientista ambiental Andrew Rushby, da Universidade de East Anglia, em Inglaterra, o sol vai causar um sobreaquecimento da Terra. Os mares vão ferver e os tipos de vida complexos não vão sobreviver a esse ambiente.

Se a humanidade ainda existir, daqui a  1500 milhões de anos provavelmente nem sequer estaremos a viver aqui. Com efeito, com a actual tecnologia já nos seria possível estabelecer bases na Lua ou em Marte, pelo que por essa altura todo o sistema solar estaria provavelmente colonizado.

Entretanto, à medida que o Sol for ficando mais quente, planetas que agora nos parecem inóspitos vão ficar cada vez mais atraentes.

Quando a Terra estiver demasiado quente, Marte estará à temperatura ideal para receber a Humanidade. A investigadora Lisa Kaltenegger, da Universidade de Cornell, desenvolveu um modelo que mostra que o planeta vermelho deve ficar agradável durante outros 5 mil milhões de anos.

Daqui a 7500 milhões de anos, o Sol vai acabar de queimar a sua reserva de hidrogénio e vai passar a usar hélio, o que fará com que a estrela se expanda, como uma enorme gigante vermelha. Neste ponto, tanto a Terra quanto Marte estarão literalmente fritos. Por outro lado, as luas congeladas de Júpiter e Saturno serão o local ideal para colónias humanas – e lá poderemos ficar durante alguns milhões de anos.

Mas daqui a 8000 milhões de anos, até as luas desses planetas ficarão quentes demais para os Humanos, e não existirá mais vida no sistema solar.

Felizmente, há ainda 200 mil milhões de outras estrelas na Via Láctea, a maioria dos quais com planetas à volta. Talvez nesta altura os nossos descendentes sejam já especialistas em viagens à velocidade da luz.

Os seres humanos do futuro podem construir arcas interestelares, nas quais gerações de viajantes poderiam viver e morrer antes de levar os herdeiros ao novo destino.

Inicialmente, os humanos podem escolher planetas à volta de um sol amarelo de tamanho médio parecido com o nosso. E esse poderá ser o seu lar por alguns milhares de milhões de anos, já que esse tipo de estrela leva cerca de 12 mil milhões de anos a morrer. Mesmo que uma estrela morra, poderemos nos mudar para outras.

E ainda que todas as estrelas amarelas morram, as anãs vermelhas também podem ser uma boa fonte de energia para planetas à sua volta e poderiam ser um bom lar para os seres humanos até daqui a 15 biliões de anos.

Quando as anãs vermelhas morrerem, a única opção dos nossos descendentes será explorar a energia dos buracos negros: esta será a “era gravitacional“.

Nesse futuro negro, poderemos construir estruturas que deixam as massas serem puxadas para dentro do buraco negro para aproveitar o empurrão gravitacional, tal como um relógio de pêndulo faria.

Outra opção seria explorar as altas temperaturas do centro de planetas para gerar energia. A interacção gravitacional entre corpos celestiais cria atrito, que ajuda a manter os planetas quentes mesmo sem calor de estrelas.

Não vale a pena, no entanto, imaginar que os humanos que viverão nesses cenários serão minimamente parecidos connosco, uma vez que tantos anos de evolução da espécie certamente provocarão inúmeras transformações imponderáveis no Homem.

Na realidade, os Humanos do futuro apenas terão uma coisa em comum com os seus antepassados do século XXI: o conhecimento.

ZAP // HypeScience / NBC

Por ZAP
4 Janeiro, 2018

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