3408: Novas informações sobre as explosões mais brilhantes do Universo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A super-nova SN 2006gy foi descoberta no dia 18 de Setembro de 2006. À altura, foi considerada a explosão estelar mais brilhante alguma vez registada (desde então foram descobertos eventos ainda mais brilhantes).
Crédito: Fox, Ori D. et al., Monthly Notices of the Royal Astronomical Society

Investigadores suecos e japoneses encontraram, após dez anos, uma explicação para as linhas peculiares de emissão vistas numa das super-novas mais brilhantes já observadas – SN 2006gy. Ao mesmo tempo, encontraram uma explicação de como a super-nova surgiu.

As super-novas super-luminosas são as explosões mais luminosas do cosmos. SN 2006gy é um destes eventos, até dos mais estudados, mas os cientistas não tinham a certeza da sua origem. Astrofísicos da Universidade de Estocolmo, juntamente com colegas japoneses, descobriram agora grandes quantidades de ferro na super-nova através de linhas espectrais que nunca haviam sido vistas anteriormente nem em super-novas nem noutros objectos astrofísicos. Isto levou a uma nova explicação de como surgiu a super-nova.

“Ninguém tinha comparado espectros de ferro neutro, ou seja, ferro que todos os electrões retinham, com as linhas de emissão não identificadas de SN 2006gy, porque o ferro é normalmente ionizado (um ou mais electrões removidos). Tentámos e vimos com entusiasmo como linhas após linhas se alinhavam, exactamente como no espectro observado,” diz Anders Jerkstrand, Departamento de Astronomia, Universidade de Estocolmo.

“Tornou-se ainda mais empolgante quando descobrimos rapidamente que eram necessárias quantidades muito grandes de ferro para formar as linhas – pelo menos um-terço da massa do Sol – o que descartou directamente alguns cenários antigos e, ao invés, revelou um novo.”

A progenitora de SN 2006gy era, de acordo com um novo modelo, uma estrela dupla composta por uma anã branca do mesmo tamanho que a Terra e por uma estrela massiva rica em hidrogénio do tamanho do nosso Sistema Solar em órbita íntima. À medida que a estrela rica em hidrogénio expandia o seu invólucro, o que acontece quando novo combustível é incendiado nos estágios finais da sua evolução, a anã branca foi apanhada no seu invólucro e espiralou em direcção ao centro da companheira. Quando chegou ao centro, a anã branca instável explodiu e nasceu daí uma super-nova do Tipo Ia. Esta super-nova então colidiu com o invólucro expelido, que é lançado durante o movimento espiral, e esta colisão gigantesca deu origem à luz de SN 2006gy.

“A ideia de uma super-nova do Tipo Ia estar por trás de SN 2006gy vira de cabeça para baixo o que a maioria dos investigadores pensa,” diz Anders Jerkstrand.

“O facto de uma anã branca poder estar em órbita próxima de uma estrela massiva rica em hidrogénio, e explodir rapidamente ao cair no centro, fornece novas informações importantes para a teoria da evolução das estrelas duplas e para as condições necessárias para uma anã branca explodir.”

Astronomia On-line
31 de Janeiro de 2020

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