4109: Astrónomos podem ter encontrado estrela de neutrões perdida há décadas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Quando uma estrela morre e se dá uma super-nova, é natural que se forme uma estrela de neutrões. Em Fevereiro de 1987, os astrónomos assistiram a uma enorme super-nova, a cerca de 160 mil anos-luz, a mais próxima da Terra em muitos anos. Contudo, não registaram a formação de nenhuma estrela de neutrões que deveria ter sido deixada como rasto.

Agora, os astrónomos puderam finalmente ver a estrela morta há mais de 30 anos, presente naquilo que resta da super-nova de 1987.

Estrela de neutrões é o culminar de uma super-nova

Dependendo do tipo de estrela que morre, podemos contar com vários tipos de super-novas. Assim, existem as super-nova tipo II, que dão origem a uma estrela de neutrões e têm início com uma estrela de massa 8 a 30 vezes maior que a do Sol. À medida que o tempo passa, essa estrela fica cada vez mais instável, uma vez que deixa de possuir elementos que suportem a fusão nuclear.

O culminar da vida de uma estrela desse tipo é explodir, libertando o seu material para o Espaço, bem como neutrinos e luz. Enquanto isso o núcleo da estrela colapsa e os astrónomos assistem a uma transformação numa estrela de neutrões.

Ilustração da SN1987A, por B. Saxton.

Episódio de 1987 não deixou rasto esperado… até agora

Em 1987, tudo aconteceu como se esperava. Uma estrela super-gigante azul, já velha, com a massa 20 vezes superior à do Sol, explodiu e o espectáculo de luzes foi até visível a olho nu aqui na Terra. Da Sanduleak -69 202 só ficou um rasto de super-nova chamado SN 1987. Todavia, no centro dessa super-nova não foram encontrados vestígios da expectável estrela de neutrões.

Até que, em Novembro do ano passado, uma equipa de investigadores liderada por Phil Cigan da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, anunciou ter encontrado uma mancha quente e brilhante no núcleo da SN 1987. Segundo eles, que visualizaram o fenómeno através do Atacama Large Millimeter Array, no Chile, essa mancha consiste numa estrela de neutrões envolvida por uma nuvem de poeira.

Suposta NS 1987 é a mais jovem já detectada

No entanto, o que a equipa considerou ser a estrela de neutrões era, conforme vieram a descobrir, demasiado brilhante. Por isso, uma outra equipa da National Autonomous University, no México, liderada pelo astrofísico Dany Page, provou teoricamente que a mancha brilhante podia ser, de facto, uma estrela de neutrões.

Isto, porque o brilho que emana é efectivamente consistente com a emissão térmica de uma estrela de neutrões muito jovem. Ou seja, ainda está muito quente devido à super-nova. A esta estrela, aparentemente descoberta, foi dado o nome de NS 1987.

De acordo com a equipa de Dany Page, a NS 1987 teria 25 quilómetros de largura e cerca de 1,38 vezes a massa do Sol. Além disso, é a estrela de neutrões mais jovem alguma vez detectada, estando a segunda mais jovem num vestígio da super-nova Cassiopeia A, que explodiu no século XVII e está a 11 mil anos-luz de distância.

Como a suposta NS 1987 ainda está envolvida em poeira, a sua observação directa, a fim de confirmar a teoria da equipa de Page, é impossível. Assim sendo, os astrónomos vão continuar a estudá-la, para perceber se podem confirmar a estrela de neutrões da super-nova de 1987.

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Autor: Ana Sofia
04 Ago 2020

 

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