4486: Astrónomos usam câmara de telescópio espacial para fotografar um brócolo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vídeo editado por captura de écran pelo facto de o endereço original não estar disponível.

Cientistas do Departamento de Energia do Centro de Aceleração Linear de Stanford (SLAC), nos Estados Unidos, desenvolveram a maior câmara digital do mundo e tiraram uma fotografia a um brócolo. A câmara será utilizada no telescópio do observatório espacial Rubin, no Chile.

Um grupo de cientistas e engenheiros do Departamento de Energia do Centro de Aceleração Linear de Stanford (SLAC), nos Estados Unidos, desenvolveu uma potente câmara de alta resolução. Dentro de meses, a tecnologia irá ser integrada num Observatório no Chile, que será inaugurado em 2022.

Ainda assim, avança o Futurism, a câmara já foi posta à prova. O aparelho conta com 189 detectores que lhe dão uma resolução de 3.200 megapíxeis – a maior já registada numa única fotografia. A primeira imagem registada por esta poderosa câmara foi um brócolo.

Os cientistas escolheram um brócolo do tipo Romanesco para ser o contemplado da primeira fotografia captada por este equipamento, devido à estrutura fractal do vegetal.

A textura detalhada do brócolo permitiu avaliar a definição dos sensores da câmara. No entanto, esta foi apenas a primeira imagem de uma longa fase de testes, cujo objectivo é ajustar o plano focal da câmara para depois ser integrada, nos próximos meses, no Observatório do Chile.

Brócolo

Os cientistas querem que a câmara seja capaz de capturar grandes áreas do céu. Por isso, a tecnologia conta com quase quatro metros de lentes frontais até à parte traseira e mede quase um metro e meio de diâmetro. O dispositivo contém também, no seu interior, equipamentos para arrefecer os sensores para uma temperatura de -60º.

O plano focal possui 3.200 megapíxeis, sendo que cada um desses pixeis, além de serem muito pequenos (com cerca de 10 micrometros de largura), são bastante amplos, variando em apenas um décimo da largura de um cabelo humano, com 60 centímetros de largura. Em comparação, o plano focal é 17 vezes maior do que o plano de uma câmara comum.

A pandemia afetou o desenvolvimento da câmara, mas os cientistas esperam conseguir instalá-la no telescópio até ao outono de 2022. Ainda assim, o prazo para que a tecnologia fique pronta é 2021.

ZAP //

Por ZAP
13 Outubro, 2020

 

 

3954: Cientistas criam miniatura de ondas de choque de super-novas (e quase desvendam um mistério)

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Frederico Fiuza / SLAC National Accelerator Laboratory
A estrutura turbulenta do campo magnético em duas ondas de choque a afastar-se uma da outra

Esta versão em miniatura das ondas de choque das super-novas pode ter ajudado os cientistas a chegar muito perto da resolução de um antigo mistério cósmico.

Uma equipa de investigadores do Departamento de Energia do Centro de Aceleração Linear de Stanford (SLAC) criou uma versão em miniatura das ondas de choque das super-novas, eventos que acontecem quando uma estrela morre.

As super-novas emitem ondas de choque e explodem em raios cósmicos. Estas ondas agem como se fossem uma espécie de acelerador de partículas, mas os cientistas não entendiam como e porque é que este processo acontece. “Estes sistemas são fascinantes, mas como estão muito longe é muito difícil estudá-los”, disse o investigador Frederico Fiuza, citado pelo Live Science.

Para entender melhor este fenómeno, os cientistas reproduziram a dispersão das ondas em laboratório, mas de forma reduzida. “Não estamos a tentar criar remanescentes de super-novas em laboratório, mas podemos aprender mais sobre a física dos choques astrofísicos e validar modelos”, explicou Fiuza.

A equipa disparou lasers potentes em placas de carbono, o que resultou em dois fluxos de plasma que, ao colidirem, criaram uma onda de choque “em condições semelhantes a um choque remanescente de uma super-nova”.

Ao ver de perto o que acontece nestes eventos, os cientistas verificaram que o choque é capaz de acelerar os electrões quase à velocidade da luz. Ainda assim, como se trata de um fenómeno análogo, não foi possível perceber como é que os electrões atingiram esta velocidade, o que levou a equipa a recorrer à modelagem por computador.

“Não conseguimos ver como é que as partículas obtêm a sua energia, nem nas experiências, nem nas observações astrofísicas. É neste momento que as simulações entram em cena”, disse Anna Grassi, co-autora do estudo, publicado no dia 8 de Junho na Nature Physics.

O mistério ainda continua. No entanto, a simulação sugere que os campos electromagnéticos turbulentos dentro da onda de choque podem ser os responsáveis por acelerar os electrões à velocidade da luz.

Os cientistas vão continuar a investigar para encontrar uma resposta definitiva para este mistério cósmico.

ZAP //

Por ZAP
5 Julho, 2020