4068: Pandemia reduziu para metade as vibrações terrestres. Nem no Natal a Terra é tão silenciosa

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

As medidas tomadas à escala global para conter a pandemia nos últimos meses reduziram para metade o ruído sísmico de alta frequência da Terra, concluiu uma nova investigação levada a cabo por uma equipa internacional de cientistas.

No novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Science, os cientistas dizem que esta é, provavelmente, a mais longa e proeminente diminuição de vibrações desde que este estes ruídos são controlados.

“Este período silencioso é, provavelmente, o maior e mais longo amortecimento sísmico produzido pelo Homem desde que começamos a controlar a Terra em detalhe utilizando extensas redes de monitorização sismométrico”, disse o co-autor do estudo Stephen Hicks, cientista do Imperial College London, citado em comunicado.

Os cientistas analisaram dados de cerca de 268 estações sísmicas localizadas em diferentes países do mundo e em 185 destas encontraram reduções significativas do ruído antropogénico em comparação com qualquer outro período do ano.

Os cientistas observaram um onda de amortecimento inicial na China, no final de Janeiro de 2020, seguindo depois para a Europa e no resto do mundo em Março e Abril, à medida que vários países iam tomando medidas para conter a pandemia, tais como a quarentena, o confinamento ou o regime de teletrabalho.

De acordo com os cientistas, o baixo nível de ruído sísmico observado durante o período de confinamento não só foi mais longo quando comparado com os habituais período de baixa actividade, como o Natal ou Ano Novo, como também foi mais silencioso.

Segundo os cálculos da equipa, entre Março e Maio a média global de ruído sísmico ambiental de alta frequência (hiFSAN, na sigla em inglês) foi reduzida até 50%.

ZAP //

Por ZAP
28 Julho, 2020

 

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1571: Sismómetro do InSight tem agora um abrigo aconchegante em Marte

O “lander” InSight da NASA colocou o escudo no dia 2 de Fevereiro (sol 66). O escudo cobre o sismómetro do InSight, implantado à superfície marciana no dia 19 de Dezembro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Ao longo das últimas semanas, o “lander” InSight da NASA tem vindo a fazer ajustes no sismómetro que colocou na superfície marciana no dia 19 de Dezembro. Alcançou agora outro marco, colocando um escudo abobadado sobre o sismómetro para ajudar o instrumento a recolher dados precisos. O sismómetro dará aos cientistas a primeira visão do interior profundo do Planeta Vermelho, ajudando-os a entender como este e os outros planetas rochosos são formados.

O escudo ajuda a proteger o instrumento supersensível de ser sacudido pelo vento, o que pode adicionar “ruído” aos seus dados. A forma aerodinâmica da cúpula faz com que o vento a pressione na direcção da superfície do planeta, garantindo que não tomba. A parte que toca o chão é uma “saia” feita de cota de malha e cobertores térmicos, permitindo que se acomode facilmente sobre qualquer pedra, embora existam poucas no local de aterragem do InSight.

Uma preocupação ainda maior para o sismómetro do InSight – de nome SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure) – é a mudança de temperatura, que pode expandir e contrair molas de metal e outras partes dentro do sismómetro. No local de pouso do módulo InSight, as temperaturas flutuam cerca de 94º C ao longo de um dia marciano, ou sol.

“A temperatura é uma das nossas maiores preocupações,” diz o investigador principal do InSight, Bruce Banerdt do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. O JPL lidera a missão InSight e construiu o escudo. “Pense no escudo como algo que coloca por cima de um prato com comida. Impede o SEIS de aquecer demasiado durante o dia ou de arrefecer demasiado durante a noite. Em geral, queremos manter a temperatura o mais estável possível.”

Na Terra, os sismómetros são frequentemente enterrados em “cofres” a 1,2 metros no subsolo, o que ajuda a manter a temperatura estável. O InSight não pode construir um “cofre” em Marte, de modo que a missão conta com várias medidas para proteger o seu sismómetro. O escudo é a primeira linha de defesa.

Uma segunda linha de defesa é o próprio SEIS, que foi especialmente projectado para corrigir oscilações de temperatura à superfície marciana. O sismómetro foi construído de tal modo que, à medida que algumas peças se expandem e contraem, outras o fazem na direcção oposta para cancelar parcialmente esses efeitos. Adicionalmente, o instrumento é selado a vácuo numa esfera de titânio que isola o seu interior sensível e reduz a influência da temperatura.

Mas mesmo isso não é suficiente. A esfera encontra-se fechada dentro de outro recipiente isolante – uma caixa hexagonal cor de cobre que, visível durante a colocação do SEIS no solo. As paredes desta caixa têm células que prendem o ar e impedem que se mova. Marte fornece um excelente gás para este isolamento: a sua fina atmosfera é composta principalmente por dióxido de carbono, que a baixa pressão é especialmente lento a conduzir calor.

Com estas três barreiras isolantes, o SEIS está bem protegido contra o “ruído” térmico que se infiltra nos dados e mascara as ondas sísmicas que a equipa do InSight quer estudar. Finalmente, a maior parte da interferência adicional do ambiente marciano pode ser detectada pelos sensores meteorológicos do InSight, depois de filtrada pelos cientistas da missão.

Com o sismómetro no chão e coberto, a equipa do InSight está a preparar-se para a próxima etapa: a implantação da sonda de fluxo de calor, chamada HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), à superfície de Marte. Espera-se que tenha lugar na próxima semana.

Astronomia On-line
8 de Fevereiro de 2019

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