2146: Já se sabe como é que as marés podem desencadear terramotos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Free-Photos / Pixabay

Como e porquê que as marés desencadeavam terramotos sempre foi uma incógnita que os cientistas têm tentado resolver ao longos dos anos. Agora, o mecanismo foi descoberto num novo estudo.

Actividade sísmica e vulcânica pode ser desencadeada pela força das marés, com terramotos a acontecerem nas profundezas oceânicas. Estes terramotos acontecem durante a maré baixa, apesar de teorias convencionais sugerirem que deveriam acontecer em alturas de maré alta.

Um novo estudo publicado esta sexta-feira na revista Nature Communications mostra como o magma debaixo da dorsal oceânica é responsável por esta actividade sísmica, até agora inexplicável.

É a câmara de magma a respirar, expandindo e contraindo devido às marés, o que está a fazer com que as falhas se movam”, explicou Christopher Scholz, sismólogo do Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade da Columbia.

Os cientistas ficaram surpreendidos com os resultados, uma vez que esperavam que quando a maré estivesse alta, o bloco superior seria empurrado para baixo e causaria terramotos numa falha. “Em vez disso, a falha desliza durante a maré baixa, que é o oposto do que esperávamos”, explicou Christopher.

Como alvo de análise, os cientistas usaram o vulcão submarino Axial, do oceano pacífico. Posteriormente, analisaram os resultados e exploraram as diferentes maneiras que a maré baixa poderia estar a causar actividade sísmica.

Com isto, perceberam que quando a maré está baixa, há menos água em cima da câmara de magma, o que faz com que esta se expanda. O Tech Explorist explica que, à medida que aumenta, ele movimenta as rochas ao redor, forçando o bloco inferior a deslizar para cima da falha e, consequentemente, causando terramotos.

“As pessoas no negócio do hydrofracking querem saber. Há alguma pressão segura que se possa exercer sem que se desencadeiem terramotos? E as resposta a que chegamos é que não há. Pode acontecer a qualquer nível de pressão”, realçou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
9 Junho, 2019



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1423: Revelada a causa de três meses de terramotos em Yellowstone

Brocken Inaglory/ Wikimedia
Géiser no Parque NAcional de Yellowstone

A água pode ter sido a causa de uma longa série de terremotos sentidos no verão de 2017 no Parque Nacional de Yellowstone, Wyoming, nos Estados Unidos.

A possível causa é defendida pelo sismólogo David Shelley, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), numa coluna semanal escrita por cientistas e colaboradores do Observatório Vulcanológico do Parque de Yellowstone.

Ao longo de três meses, mais de 2500 terramotos foram registados na área, um dos quais foi o exame sísmico mais longo da história de Yellowstone. A maioria dos terramotos foi de intensidade muito fraca, mas alguns chegaram a ser sentidos no parque, como é o caso do mais forte, de magnitude 4,4, sentido a 16 de Junho de 2017.

A série de terremotos foi também capturada com mais detalhes do que qualquer outro grande enxame sentido em Yellowstone, nota Shelley na sua publicação.

De acordo com o sismólogo, os padrões desta cadeia de terramotos, especialmente a rápida migração e a falta de deformação da superfície próxima, sugerem que pode ter sido causada pela difusão da água através de gretas no subsolo da Terra, e não devido ao do movimento do magma, que pode também gerar enxames de terremotos em vulcões.

Para ao cientista, a água pode explicar parcialmente por que motivo estes enxames são tão longos. A sua duração é longa porque os enxames “expandem-se dramaticamente ao longo do tempo” e também porque as estruturas das falhas são “tão complexas”.

“Isto também pode explicar por que motivos estes enxames são comuns em áreas vulcânicas, onde a água é um subproduto libertado pelo magma mais profundo à medida que este arrefece”, explicou o cientistas.

Como esta água estão sob uma enorme pressão na crosta profunda, tende a mover-se para cima e, ocasionalmente, lateralmente. Ao interagir com rochas mais frias e quebradiças, esta água pode desencadear terramotos, acrescenta Shelley.

Por outro lado, estima o sismólogo, sem outros sinais de actividade vulcânica – como a rápida deformação da superfície ou mudanças nas emissões de gases -, os enxames sísmicos “não indicam, provavelmente, um risco crescente” de uma erupção.

ZAP // RT

Por ZAP
16 Dezembro, 2018

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1366: Um estranho zumbido viajou pelo mundo inteiro (mas ninguém o ouviu)

CIÊNCIA

(CC0/PD) anymal2 / Pixabay
A Ilha de Mayotte pode estar na origem do bizarro fenómeno sísmico

Houve um estranho “zumbido” que correu o mundo sem que quase ninguém o que conseguisse ouvir. Instrumentos científicos detectaram ondas sísmicas que percorreram o planeta na manhã de 11 de Novembro, ressoando durante mais de 20 minutos sem que ninguém as conseguisse sentir. 

De acordo com a National Geographico fenómeno começou a cerca de 24 quilómetros da ilha francesa de Mayotte, localizada na costa sudeste da África, tendo depois atravessado o continente africano e os oceanos, chegando ao Chile, Nova Zelândia, Canadá e Hawai. 

Nenhum ser humano sentiu o movimento telúrico, e, apenas um entusiasta, que se revelou através do Twitter, notou um sinal estranho nos sismogramas divulgados em tempo real pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). “Este é um sinal sísmico estranho e incomum”, escreveu na rede social.

Na sua conta na rede social é possível ver os vários sismogramas que dão conta que as ondas se foram propagando um pouco por todo o mundo, indo da Zâmbia e Etiópia até à Espanha e à Nova Zelândia. Apesar de atravessar vários territórios, este “zumbido” propagou-se de forma bastante silenciosa.

Três semanas depois do fenómeno, nenhum especialista é ainda capaz de justificar o que causou estas estranhas ondas sísmicas. O sismólogo Goran Ekstrom, da Universidade da Columbia, nos Estados Unidos, disse que “não viu nada igual”.

O especialista observa, contudo, que o facto de o fenómeno ser incomum não significa que a sua “causa seja tão exótica”, sublinhando ainda as suas características pouco usuais, como a sua baixa frequência e propagação global – que pode justificar o “silêncio”.

No momento, os cientistas sugerem que as ondas podem estar relacionadas com um enxame sísmico que tem vindo a afectar Mayotte desde o passado mês de maio. No entanto, esta justificação levanta dúvidas, uma vez que a frequência do enxame diminuiu nos últimos meses e não houve nenhum terramoto “tradicional” na ilha quando começou o enigmático fenómeno de 11 de Novembro.

Por seu turno, o departamento de pesquisa geológica francesa indica que a costa de Mayotte pode estar a desenvolver um novo centro de actividade vulcânica e que as ondas de 11 de Novembro podem indicar um movimento de magma para o mar.

No entanto, o bizarro fenómeno sísmico está longe de estar totalmente explicado. Os cientistas continuam a analisar os dados de forma a dar resposta a este enigma geológico.

ZAP // RT / Live Science

Por ZAP
3 Dezembro, 2018

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624: Terramotos ocultos sacodem a Antárctida (e nem sequer o sabemos)

John Sonntag / NASA
Foto aérea da NASA revela uma enorme fenda na plataforma de gelo Larsen C, na Antárctida

Foi uma falha sem precedentes. Do nada, em meados de 1982, um grupo de cientistas confirmou o primeiro terramoto na Antárctida – mas não seria o último. Centenas de terramotos ocultos podem estar enterrados sob o gelo da Antárctida, aponta um novo estudo.

Com o passar das décadas, os investigadores detectam mais oito eventos sísmicos na Antárctida Oriental. E aí, o inferno soltou-se: os sensores captaram 27 terramotos só em 2009, triplicando o número total de eventos sísmicos registado em apenas um ano.

Mas não foi a catástrofe planetária ou a ira divina que esteve por detrás dos tremores de terra nunca antes registados – foi apenas o método científico em acção.

“Em última análise, a falta de sismicidade registada não foi devido à falta de eventos, mas à falta de instrumentos perto o suficiente para serem capazes de os registar”, explicou a sismóloga Amanda Lough, da Universidade de Drexel, nos EUA.

Enquanto o estranho silêncio da Antárctica relativamente à actividade sísmica era alvo de inúmeras hipóteses científicas, Lough mostrou que não se tratava apenas de uma peculiaridade tectónica manter intacta a infinita paisagem branca – era apenas uma questão de falta de dados.

Em 2007, a sismóloga começou uma tarefa épica que levaria muitos anos a completar: instalar o GAMSEIS/AGAP, um conjunto de sismógrafos de banda larga na Antárctida Oriental, dando aos cientistas uma visão sem precedentes sobre a actividade sísmica da região.

Como demonstram os dados de 2009, a Antárctida sofre a sua parte de terramotos e movimentos sísmicos tal como todo o resto do planeta, mas só agora é que os cientistas conseguiram registar observações para o provar.

Não é mais uma anomalia“, explicou, observando que os resultados obtidos em 2009 levaram mesmo a equipa de pesquisa a regressar ao local, com “um pouco mais de verificação para garantir que os eventos fossem mesmo reais e que a equipa fosse capaz de os localizar com precisão“.

No novo estudo, publicado esta segunda-feira na Nature, os investigadores explicam que a Antárctida Oriental é um cratão – um grande e estável pedaço de rocha na crosta terrestre subjacente aos continentes.

Apesar de alguns cientistas terem argumentado que a actividade sísmica da Antárctida pudesse ser suprimida pelo imenso peso da camada de gelo continental, as novas pesquisas mostram que esse não é o caso.

A maioria dos 27 terramotos registados em 2009 foram resultado de fendas – regiões na crosta terrestre onde a rocha é dilacerada.

“As fendas proporcionam zonas de fraqueza que permitem que as falhas ocorram mais facilmente, e pode ser que a situação na Antárctida seja tal que a actividade sísmica esteja a ocorrer preferencialmente ao longo dessas áreas de fraqueza pré-existentes”, explicou Lough num comunicado de imprensa.

A investigadora notou ainda que as novas descobertas são baseadas em dados de apenas um ano e, por isso, é necessário que se façam mais pesquisas de forma a obter uma visão completa sobre o fenómeno.

Mas isto apenas mostra como os cientistas, sem as ferramentas certas para registar e detectar fenómenos físicos, ficam cegos – e portanto, todos nós.

E, enquanto em retrospectiva o ponto cego do leste da Antárctida parece incrível, a verdade é que ainda há muita coisa que não estamos a registar adequadamente em termos de actividade sísmica global.

“A Antárctida é o continente do qual menos recolhemos dados analíticos, mas também existem outras áreas do planeta de que temos“, disse Lough.

“O oceano cobre 71% do planeta, mas é caro e muito difícil conseguir dados de lá. Precisamos de pensar em melhorar a cobertura e depois melhorar a sua densidade”, concluiu.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
7 Junho, 2018

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