1604: Pela primeira vez, a estrela mais brilhante no céu nocturno vai “apagar-se” temporariamente

Ivan Kodzhanikolov / Flickr

Sirius, a estrela mais brilhante no céu nocturno e a quinta estrela mais próxima do nosso sistema solar, será brevemente “apagada” na segunda-feira por um asteróide que se move em redor do Sol.

Esta é a primeira vez que este evento foi previsto pelos astrónomos e será visível como um escurecimento da luz brilhante de Sirius por uma fracção de segundo por volta das 22h30 da noite de na segunda-feira no oeste do México, EUA central e Canadá.

Os astrónomos chamam a este evento “ocultação”, que é quando um objeto celeste é escondido da vista por outro objeto celestial.

Sirius é uma das estrelas mais fáceis de encontrar em todo o céu nocturno. Por um lado, é um dos corpos mais brilhantes e, por outro, porque as três estrelas no Cinturão de Orion apontam para baixo para Sirius nesta época do ano.

A estrela vai ser ocultada por um asteróide chamado 4388 Jürgenstock. É um asteróide de cinco quilómetros de largura do cinturão de asteróides. Foi baptizado em honra do homem que o descobriu, o astrónomo venezuelano Jürgen Stock. Este corpo orbita o Sol uma vez a cada 3 anos e 7 meses.

“Esta é a primeira ocultação de Sirius já prevista”, disse David W. Dunham na International Occultation Timing Association. “Os catálogos de estrelas e as efemérides de asteróides não eram precisos o suficiente para prever tais eventos antes de 1975, por isso ninguém tentou prever as ocultações antes daqueles anos”. Dunham explica que Sirius está longe da eclíptica, onde a maioria dos asteróides vagueiam, e onde estrelas como Regulus, em Leão, são mais frequentemente ocultadas.

Os observadores vão poder ver “a estrela desvanecer ao longo de um período de vários décimos de segundo, provavelmente não desaparecerá completamente e depois recuperará o seu brilho total ao longo de outros vários décimos de segundo”.

Uma estrela brilhante é ocultada por um asteróide razoavelmente grande a cada dois ou três anos. “A última foi uma ocultação de Regulus que foi ocultada pelo grande asteróide Adorea a 13 de Outubro de 2016″, explicou Dunham. As estrelas visíveis a olho nu mais fracas são ocultadas com mais frequência.

Esta ultra-rara ocultação de Sirius pode ajudar os astrónomos a calcular o quão longe está. Ainda nenhum telescópio espacial ou câmara estelar conseguiu medir a sua distância com precisão.

“A missão Gaia tem câmaras sensíveis que foram projectadas para mapear cerca de dois mil milhões de estrelas até à 20ª magnitude”, diz Dunham. “O Sirius é cem milhões de vezes mais brilhante que as mais fracas estrelas, por isso foi muito difícil projectar um sistema que mapeasse ambos”. Embora Gaia tenha algumas técnicas de filtro para obter dados sobre algumas das estrelas mais brilhantes, Sirius é demasiado brilhante para elas.

ZAP // Forbes

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019

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278: A estrela mais brilhante no céu esconde um ninho de estrelas

Harald Kaiser / ESA
A imagem obscurecida de Sirius permite revelar o cluster de estrelas Gaia 1

Se tem observado o céu nocturno nas últimas semanas, é possível que tenha “tropeçado” numa estrela muito brilhante perto da constelação de Orion. Recentemente, um astrónomo amador fotografou-a com um filtro que a obscureceu – revelando o cluster de estrelas Gaia 1.

A estrela em causa é Sirius, um sistema estelar binário, um dos mais próximos do Sol – apenas a 8 anos-luz de distância – e a estrela mais brilhante de todo o céu nocturno, visível de quase todos os lugares da Terra, excepto das regiões mais setentrionais.

Conhecida desde a Antiguidade, esta estrela desempenhou um papel fundamental na manutenção do tempo e da agricultura no antigo Egipto, uma vez que o seu retorno ao céu estava ligado à inundação anual do Nilo. Na mitologia da Grécia Antiga, representava o olho da constelação de Cão Maior, o cão que segue diligentemente Orionte, o Caçador.

As estrelas deslumbrantes, como Sirius, são uma bênção e uma maldição para os astrónomos. A sua aparência brilhante fornece muita luz para estudar as suas propriedades, mas também ofusca outras fontes celestiais que se encontram no mesmo ponto do céu.

Na imagem acima, obtida pelo astrónomo amador Harald Kaiser, no dia 10 de Janeiro, em Karlsruhe, uma cidade no sudoeste da Alemanha, Sirius foi encoberta com um filtro.

Assim que o brilho de Sirius é removido, um objecto interessante torna-se visível à sua esquerda: o enxame estelar Gaia 1, observado pela primeira vez o ano passado, utilizando dados do satélite Gaia da ESA.

Gaia 1 é um enxame aberto – uma família de estrelas nascidas ao mesmo tempo e mantidas unidas pela gravidade – e está localizado a cerca de 15.000 anos-luz de distância.

O seu alinhamento, por acaso, ao lado de Sirius, manteve-o escondido de gerações de astrónomos, que têm varrido o céu com os seus telescópios nos últimos quatro séculos. Mas não para o olho inquisitivo do observatório Gaia, que traçou mais de mil milhões de estrelas na nossa galáxia Via Láctea.

Harald Kaiser soube da descoberta deste aglomerado durante uma conferência sobre a missão do Gaia e esperou zelosamente por um céu claro para tentar observá-lo, usando o seu telescópio de 30 cm de diâmetro.

Depois de cobrir Sirius no sensor do telescópio – criando o círculo escuro na imagem – conseguiu registar algumas das estrelas mais brilhantes do aglomerado Gaia 1.

Gaia 1 é um dos dois grupos de estrelas, anteriormente desconhecidos, que foram descobertos ao contar estrelas a partir do primeiro conjunto de dados de Gaia, que foi lançado em Setembro de 2016.

Os astrónomos estão ansiosos pelo segundo lançamento de dados do Gaia, planeado para 25 de Abril, os quais oferecerão vastas possibilidades para novas e emocionantes descobertas.

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
5 Fevereiro, 2018

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