3435: Descobertos sinais de rádio emitidos a partir do espaço que se repetem a cada 16 dias

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os sinais em questão são resultado de uma explosão rápida de rádio, cuja origem remonta a uma galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra.

Uma outra galáxia a 21 milhões de anos-luz da Terra NASA

Uma equipa de astrónomos canadianos descobriu, pela primeira vez, um padrão de repetição em sinais de rádio emitidos a partir do espaço. As frequências proveem de uma única fonte, localizada a 500 milhões de anos-luz da Terra, e repetem-se de 16 em 16 dias.

Os cientistas acreditam tratar-se de uma explosão rápida de rádio (Fast Radio Bursts, ou FRBs, na expressão em inglês) que, como o nome indica, são explosões de ondas de rádio produzidas por fontes de energia no espaço, com uma duração de milésimos de segundo e que têm uma origem astronómica distante. Estas explosões podem ser pontuais (o que significa que só acontecem uma vez) ou repetir-se múltiplas vezes.

Até agora, os cientistas acreditavam que os sinais destas explosões seriam aleatórios. Porém, uma equipa de astrónomos canadianos do Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment Fast Radio Burst Project (CHIME/FRB), um projecto que estuda este fenómeno, detectou, entre 16 de Setembro de 2018 e 30 de Outubro de 2019, com a ajuda do radiotelescópio CHIME (que está localizado na Colúmbia Britânica), uma periodicidade nos sinais de uma explosão rápida de rádio — conhecida como FRB 180916.J0158+65 —, que se repetem a cada 16,35 dias. Além disso, os investigadores localizaram a origem desta explosão rápida de rádio numa galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra.

As descobertas foram divulgadas, numa primeira fase, num estudo disponibilizado pela plataforma online arXiv, sendo que o artigo científico ainda não foi totalmente revisto pelos pares.

“A descoberta de uma periodicidade de 16,35 dias numa fonte de FRB repetidas é uma pista importante sobre a natureza deste objecto”, sublinham os autores do estudo, citados pela CNN. No artigo, os investigadores dissertam ainda sobre as várias causas possíveis para este fenómeno — algumas delas apontam para que esta FRB esteja em órbita de uma estrela, de um buraco negro ou de um objecto nos arredores da galáxia. Os ventos podem também ser uma explicação para o facto de tal fenómeno se repetir periodicamente, impulsionando ou bloqueando os sinais de rádio.

O estudo destas explosões rápidas de rádio (e da sua origem) pode ajudar os astrónomos a aprender mais sobre o próprio Universo e a compreender de que forma a matéria se distribui no espaço.

Público
filipa.mendes@publico.pt
11 de Fevereiro de 2020, 22:58

 

spacenews

 

3426: A 500 milhões de anos luz há algo que emite sinais de rádio regulares

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A descoberta foi feita por uma equipa canadiana de astrónomos. Vão-se dando passos significativos no estudo dos “Fast Radio Bursts”.

© M. KORNMESSER/European Southern Observatory/AFP

Uma fonte de rádio misteriosa localizada numa galáxia a 500 milhões de anos-luz da Terra está a pulsar com um ciclo de 16 dias, como um relógio, de acordo com um novo estudo revelado pela Vice. Isto marca a primeira vez que os cientistas detectam periodicidade nesses sinais, conhecidos como FRBs (Fast Radio Bursts, algo que pode ser traduzido livremente por Explosões Rápidas de Rádio), e é um passo importante para perceber as suas origens.

Os FRBs são um dos quebra-cabeças mais tentadores que o universo lançou aos cientistas nos últimos anos. Detectados pela primeira vez em 2007, essas poderosas explosões de rádio são produzidas por fontes energéticas – embora ninguém saiba ao certo quais podem ser. Os FRBs também são intrigantes porque tanto podem ser pontuais como repetitivos, o que significa que algumas explosões aparecem apenas uma vez numa determinada parte do céu enquanto outras emitem vários flashes para a Terra.

Até agora, os sinais dessas repetidas explosões pareciam um tanto aleatórios e discordantes no tempo. Mas isso mudou no ano passado, quando um grupo canadiano que se tem dedicado a observar e estudar FRB descobriu que um repetidor chamado FRB 180916.J0158 + 65 tinha uma cadência regular.

A equipa CHIME/FRB (sigla de Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment Fast Radio Burst Project) acompanhou a repetição entre Setembro de 2018 e Outubro de 2019 usando o radiotelescópio CHIME, localizado na Colúmbia Britânica. Durante esse período, as explosões foram agrupadas num período de quatro dias e pareciam desligar-se pelos doze dias seguintes, por um ciclo total de cerca de 16 dias.

Alguns ciclos não produziram explosões visíveis, mas todos os que foram sincronizados foram-no nos mesmos intervalos de 16 dias. “Concluímos que esta é a primeira periodicidade detectada de qualquer tipo numa fonte FRB”, disse a equipa, num artigo publicado no final de janeiro. “A descoberta de uma periodicidade de 16,35 dias numa FRB repetida é uma pista importante para a natureza desse objecto.”

Recentemente, os cientistas rastrearam esse FRB especifico numa galáxia chamada SDSS J015800.28 + 654253.0, que fica a 500 milhões de anos-luz da Terra. Pode parecer uma grande distância mas o FRB 180916.J0158 + 65 é realmente o FRB mais próximo já detectado. Só que, sabendo-se onde este FRB está, não se sabe exactamente o que é e como é gerado.

A equipa da CHIME/FRB espera encontrar padrões semelhantes no punhado de explosões repetidas já conhecidas para ver se esses ciclos são comuns. Os pesquisadores também planeiam manter um olhar atento ao FRB 180916.J0158 + 6 enquanto estiver activo, a fim de detectar outros detalhes que possam apontar para a sua identidade.

Os FRBs confundem os cientistas há mais de uma década. Contudo, novos projectos como o CHIME/FRB vão revelando todos os anos novos detalhes sobre o fenómeno. Embora ainda não se saiba o que emite esses sinais bizarros, a descoberta de um FRB com um ritmo claro fornece uma vantagem significativa para os cientistas seguirem.

Diário de Notícias

DN
08 Fevereiro 2020 — 22:36

spacenews

 

3346: Enigmático sinal de rádio vindo do Espaço desapareceu misteriosamente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Raimond Spekking / Wikimedia
Westerbork Synthesis Radio Telescope (WSRT)

Um sinal de rádio intermitente vindo do Espaço desapareceu misteriosamente. Os cientistas ainda não compreendem bem o fenómeno e estão a tentar perceber o que terá acontecido.

Os estranhos sinais de rádio vindos do Espaço, conhecidos como Rajadas Rápidas de Rádio (FRB) continuam a intrigar a comunidade científica. Apesar de muito poderosos, apenas duram alguns milissegundos e por vezes são vistos de forma repetida do mesmo ponto do Espaço. No entanto, os cientistas continuam sem saber explicar a sua origem.

O primeiro exemplo de Rajadas Rápidas de Rádio repetitivas, R1, surgiram em 2012 e veio-se a descobrir que pertenciam a uma galáxia anã a três mil milhões de anos-luz de distância. O segundo exemplo de FRB, que ficou conhecido como R2, apenas foi detectado em 2018.

Recentemente, uma equipa de investigadores observou R1 e R2 durante 130 e 300 horas, respectivamente. Embora tenham detectado 30 rajadas de R1, não conseguiram qualquer sinal de R2.

Segundo o New Scientist, a explicação mais plausível é que R2 não é detectável nos comprimentos de onda observados pelo telescópio usado, o Westerbork Synthesis Radio Telescope (WSRT).

Outra explicação possível é que R2 tenha parado de enviar sinais de rádio. Ainda assim, a equipa de investigadores acredita que não seja este o caso e que simplesmente R2 não é detectável pelo WSRT ou que então não tenham sido emitidos sinais enquanto os cientistas observavam.

“Só porque você não vê nada neste momento com este telescópio não significa que não há nada para ver”, disse Jason Hessels, do Instituto Holandês de Radioastronomia.

Mas nem tudo são más notícias. Isto pode significar que R1 e R2 são muito diferentes um do outro. “Se os dois fossem parecidos, deveríamos ter visto facilmente o segundo repetidor, e não o vimos. Eles podem ser muito diferentes em quão brilhantes são, com que frequência se repetem e basicamente em outros parâmetros também”, explicou Leon Oostrum, também ele do Instituto Holandês de Radioastronomia.

Novas evidências de um estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature mostram que isto pode significar também que os dois sinais vêm de galáxias diferentes.

“O principal objectivo no final é descobrir o que são estas coisas, mas, por enquanto, quanto mais informação tivermos, mais perguntas teremos”, realçou Oostrum.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

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3141: Misterioso sinal de rádio pode ser um novo tipo de sistema estelar

CIÊNCIA

Centre de Données astronomiques de Strasbourg / SIMBAD / DECaPS
Estrela TYC 8332-2529-1

Uma equipa de astrónomos detectaram uma emissão de rádio cuja origem é totalmente desconhecida. Os investigadores suspeitam de que o sinal tenha sido emitido por um novo tipo de sistema estelar.

Uma equipa internacional de astrónomos detectou uma emissão de rádio de um objecto localizado a, aproximadamente, 1.800 anos-luz da Terra, nas proximidades da Constelação de Ara. Para esta observação, os cientistas contaram com a ajuda do radiotelescópio MeerKAT, no deserto de Karoo, na África do Sul.

A explosão incomum é proveniente de um sistema estelar binário, ou seja, duas estrelas que orbitam entre elas, dificultando a explicação da emissão de rádio.

Os astrónomos utilizaram dados de mais de 18 anos de observações da estrela fornecidas por outros telescópios, o que contribuiu para determinar uma estrela gigante de massa aproximadamente duas vezes e meia maior do que a do Sol – TYC 8332-2529-1. Além disso, o brilho da estrela muda num período de 21 dias, o que origina as grandes manchas, semelhantes às manchas solares.

A análise também revelou que a estrela possui um campo magnético, que orbita outra estrela a cada 21 dias. Tudo indica que esta segunda estrela pode ser mais fraca do que a grande estrela – com cerca de 1,5 vezes a massa do Sol.

A explosão de rádio também poderia ter sido causada pela actividade magnética da grande estrela, tal como acontece nas explosões solares, que são mais brilhantes e energéticas.

Ainda assim, não é descartada a hipótese de um sistema estelar formado a partir de uma estrela gigante e de uma estrela semelhante ao Sol, onde a actividade magnética cede lugar às explosões, explica a Sputnik News.

“Devido ao facto de as propriedades não se encaixarem facilmente no nosso conhecimento actual das estrelas binárias, este sistema pode representar uma classe completamente nova”, afirmou Ben Stappers, um dos autores do estudo, publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sugerindo um novo tipo de sistemas binários.

Durante os próximos quatro anos, a equipa manter-se-á atenta à fonte das emissões e à estrela gigante, de modo a solucionar este mistério.

ZAP //

Por ZAP
5 Dezembro, 2019

spacenews