3189: Sismos podem levar ao aparecimento de nova ilha nos Açores, diz vulcanólogo

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

“Movimentos ascendentes no fundo do mar” terão como “evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirma Victor Hugo Forjaz, presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

Esta sexta-feira, o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz disse que uma nova ilha poderá surgir nos Açores, entre as ilhas do Faial e São Jorge, na sequência de “movimentos ascendentes” que se têm vindo a registar no mar.

“Pelo tipo de sismo, pela cadência, pela periodicidade, pela energia Richter e repercussões nas ilhas vizinhas, que são Faial e São Jorge e, por vezes, Pico, suspeita-se que há movimentos ascendentes no fundo do mar, sendo a evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirmou o presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

O vulcanólogo refere que se têm vindo a registar “crises sucessivas”, ao longo dos anos, no arquipélago, com “intervalos de dois anos”, e o surgimento de uma nova ilha “não é nada de extraordinário porque as ilhas são activas e condensam movimentos tectónicos, seguidos de vulcânicos”.

Para o antigo docente da Universidade dos Açores, o fenómeno seria “melhor seguido” com um levantamento batimétrico e com recurso a um ROV, um veículo submarino operado de forma remota, visando apurar se há fissuras, deslocamentos e alterações topográficas.

Segundo Hugo Forjaz, a Marinha portuguesa “já deveria ter feito um levantamento no sentido de se perceber melhor os movimentos do fundo do mar naquela zona”, sublinhando que “não há perigo de maior” para a ilha do Faial, uma vez que a zona fica “bastante afastada, cerca de 25 a 30 quilómetros”.

O especialista recorda que nos Açores já emergiram ilhas que depois voltaram a desaparecer, exemplificando com o banco D. João de Castro, ao largo da ilha Terceira, que “esteve fora do mar durante um certo tempo”, tendo “falhas geológicas provocado o seu abatimento”, sendo previsível que volte a emergir.

O vulcanólogo defende a instalação nos Açores de OBS, sismógrafos submarinos que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera possui, ressalvando que houve uma equipa estrangeira que já operou na região com este equipamento, tendo recolhido dados “muito interessantes” a que a Governo Regional e a Universidade dos Açores não têm acesso.

Para Victor Hugo Forjaz, a existência dos OBS seria o “tira-teimas entre os que acreditam que há movimentos verticais importantes e os que os negam”.

A Rede Sísmica do Arquipélago dos Açores tem vindo a registar desde Novembro centenas de sismos, um deles esta sexta-feira. Alguns destes abalos foram sentidos pela população, numa zona localizada aproximadamente entre os 25 e os 30 quilómetros a oeste da freguesia de Capelo, na ilha do Faial.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Dezembro, 2019

 

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3051: Os símios de hoje são mais inteligentes do que a nossa ancestral Lucy

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Uma nova investigação que analisou crânios fósseis e modernos sugere que os grandes símios vivos são mais inteligentes do que o nosso ancestral pré-humano Australopithecus, grupo no qual se insere a famosa “Lucy”.

Segundo noticia a agência Europa Press, a nova investigação, conduzida por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, em colaboração com o Instituto de Estudos Evolucionários da Universidade de Witwatersrand, desafia a antiga tese que sustenta que, devido ao facto de o cérebro dos Australopithecus ser maior do que o de muitos macacos modernos, estes eram mais inteligentes.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica Proceedings of Royal Society B, mediu a taxa de fluxo sanguíneo para a parte cognitiva do cérebro, com base no tamanho dos buracos no crânio que passavam pelas artérias supridas.

A técnica em causa foi calibrada em humanos e outros mamíferos e aplicada a 96 crânios de grandes símios e 11 crânios fósseis de Australopithecus.

Roger Seymour, cientista que participou no estudo, explicou, citado em comunicado, que o estudo evidenciou uma maior taxa de fluxo sanguíneo na parte cognitiva do cérebro dos grandes símios em comparação com os Australopithecus.

“Os resultados foram inesperados para os antropólogos, porque geralmente a inteligência está directamente relacionada ao tamanho do cérebro”.

“No começo, o tamanho do cérebro parece razoável porque é uma medida da quantidade de células cerebrais, os chamados neurónios. No entanto, ao pensar sobre isso, a cognição se baseia baseia-se não só no número de neurónios, mas também no número de conexões entre os neurónios, as sinapses. Estas conexões governam o fluxo de informações no cérebro. Uma actividade sináptica maior resulta numa maior capacidade de processamento de informações”, sustentou, citado na mesma nota.

Seymour recordou disse que os grandes símios são conhecidos por serem muito inteligentes, dando como exemplo o gorila Koko, que foi ensinado a comunicar-se com mais de 1.000 sinais, e do chimpanzé Washoe, que aprendeu cerca de 350 sinais.

“De acordo com os resultados, estima-se que o fluxo sanguíneo para os hemisférios cerebrais do Koko seja aproximadamente o dobro do fluxo da Lucy. Uma vez que a taxa de fluxo sanguíneo poderá ser uma melhor medida da capacidade de informações do que o tamanho do cérebro, Koko pode ter sido mais inteligente”, rematou.

Com apenas um metro de altura e 27 quilos, Lucy viveu na África Oriental há mais de três milhões de anos. O seu fóssil foi descoberto a 24 de Novembro de 1974 pelo famoso paleoantropólogo norte-americano Donald Johnson e cerca de 40% do esqueleto sobreviveu até aos dias de hoje.

Antropólogos resolvem finalmente o mistério da morte de Lucy

Uma equipa de investigadores americanos afirma que Lucy, o australopiteco que viveu há três milhões de anos, morreu depois de…

ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2019