2822: O mar da Sibéria está a ferver (e a culpa é do metano)

CIÊNCIA

Jeff Wallace / Flickr

Cientistas na Sibéria descobriram uma área do mar que está “a ferver” metano, com bolhas que podem ser retiradas da água com baldes.

Os investigadores numa expedição ao Mar da Sibéria Oriental disseram que a “fonte de metano” era diferente de tudo que já tinham visto antes, com as concentrações de gás na região a ser seis a sete vezes mais altas que a média global.

A equipe, liderada por Igor Semiletov, da Universidade Politécnica de Tomsk, na Rússia, viajou para uma área do Árctico Oriental anteriormente conhecida por produzir fontes de metano. Os cientistas estudavam as consequências ambientais do degelo do permafrost sob o oceano.

O permafrost é, de acordo com o Newsweek, um solo permanentemente congelado – em alguns casos durante dezenas de milhares de anos. Segundo o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo, o permafrost actualmente cobre cerca de 14 milhões de quilómetros quadradas do Hemisfério Norte.

Bloqueado no permafrost está material orgânico. Quando o solo derrete, esse material começa a decompor-se e liberta metano – um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono. Com o aumento da temperatura global, os cientistas temem que o aquecimento resulte em mais degelo do permafrost, fazendo com que mais metano seja libertado, levando a ainda mais aquecimento.

Uma grande proporção da Sibéria é coberta pelo permafrost, mas isso está a começar a mudar. Nos últimos anos, cientistas que trabalham em regiões remotas começaram a documentar mudanças na paisagem.

NASA’s Goddard Space Flight Center
Bolhas de metano num lago do Alaska

Porém, o permafrost também está presente no fundo do oceano. Em 2017, os cientistas anunciaram ter descoberto centenas de crateras no fundo do mar de Barents, norte da Noruega e Rússia. As crateras formaram-se a partir do metano acumulado, explodindo repentinamente quando a pressão ficou muito alta.

Na última expedição para mapear as emissões de metano vindas do oceano, os investigadores analisaram a água em torno da Ilha Bennett, colhendo amostras de água do mar e sedimentos. Numa área, no entanto, encontraram algo inesperado – um aumento extremamente acentuado na concentração de metano atmosférico. Segundo o comunicado da Universidade Politécnica de Tomsk, era seis a sete vezes maior que a média.

Os cientistas notaram uma área de água em torno de quatro a cinco metros quadrados que “fervia com bolhas de metano”, dizia o comunicado. Depois de identificar a fonte, a equipa conseguiu colher amostras directamente dela. Os níveis de metano ao redor da fonte eram nove vezes maiores que as concentrações globais médias.

“Esta é a fonte de gás mais poderosa que eu já vi“, disse Semiletov, de acordo com uma tradução do Moscow Times. “Nunca ninguém gravou algo assim.”

ZAP //

Por ZAP
12 Outubro, 2019

 

2224: Aquecimento global vai tornar certas regiões do planeta habitáveis (e essa não é uma boa notícia)

radickraphicov / Pixabay

Algumas áreas desertas da Sibéria e partes da Rússia asiática estão a tornar-se habitáveis por causa das alterações climáticas, mostrou um novo estudo agora divulgado. Isso pode motivar uma migração em grande escala, já que outras regiões mais povoadas vão ficar demasiado quentes.

De acordo com a Science Alert, citada pelo Observador no domingo, até 2100, é possível que as temperaturas subam tanto que as zonas actualmente demasiado frias para a sobrevivência humana passem a ser mais amenas e suportáveis.

No artigo do Instituto Sukachev da Floresta, da Rússia, publicado na Environmental Research Letters, foram utilizados modelos que permitiram prever quais vão ser as condições de habitabilidade na Sibéria nas próximas décadas.

Descobriram que, já a partir de 2080, as temperaturas podem ter aumentado entre 3,4ºC e 9,1ºC durante o inverno e entre 1,9ºC e 5,7ºC durante o verão. E perceberam que a área coberta por pergelissolo – a terra permanentemente congelada das regiões próximas ao Árctico – diminuiria de 65% para os 40%.

Significa isto que, apesar de algumas regiões permaneceram inabitáveis com o aquecimento global, estes valores podem traduzir-se numa área habitável para longas estadias 15% maior do que na actualidade.

Mas isso não são boas notícias: é que, enquanto a Sibéria se torna mais acolhedora para os humanos, outras regiões do planeta vão tornar-se demasiado quentes ou ficar inundadas por causa do aumento do nível médio da água do mar. Além disso, isso obrigaria os humanos a invadir regiões dominadas por ursos polares e a enfrentar uma atmosfera poluída por produtos químicos tóxicos.

Este estudo chega numa altura em que se descobriu que a Gronelândia registou temperaturas 4,4ºC superiores ao normal ao longo desta semana. Os dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo indicam que nunca se registou uma extensão do gelo sobre o Oceano Árctico tão baixa em meados de Junho como em 2019.

TP, ZAP //

Por TP
24 Junho, 2019

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2142: Descoberto na Sibéria um “homem pássaro” com 5.000 anos

CIÊNCIA

Novosibirsk Institute of Archeology and Ethnography

Uma equipa de arqueólogos descobriu objectos estranhos em dois túmulos da Idade do Bronze que foram escavadas na região russa de Novosibirsk, na Sibéria.

As sepulturas foram descobertas no final do ano passado no sítio arqueológico de Ust-Tartas por especialistas do Instituto de Arqueologia e Etnografia de Novosibirsk.

Ambos túmulos datam de há 5.000 anos e há um com um achado peculiar. Numa das sepulturas foi encontrado o esqueleto de um homem com uma espécie de colar, capuz ou armadura feita com dezenas de bicos e crânios de pássaros.

Os ossos dos animais estavam dispostos na parte de trás do crânio do esqueleto, em volta do pescoço “como se fosse um colar”, explicou a cientista Lilia Kobeleva, citada pela RT.

Outra versão sobre o achado sustenta que os bicos e os crânios dos pássaros faziam parte de um traje ritual. Embora as espécies de aves não tenham ainda sido identificadas, os cientistas acreditam que fossem garças. Contudo, há ainda outro aspecto estranho: os arqueólogos não sabem como é que os ossos dos animais se uniram ou formaram um peça, já que não têm furos que possam evidenciar que um fio os tenha conectado.

O “homem pássaro”, tal como foi descrito pela imprensa local, não foi a única descoberta. No outro túmulo encontrado estavam os restos mortais de duas crianças e ao seu lado havia um outro esqueleto de um homem adulto rodeado por vários objectos.

Novosibirsk Institute of Archeology and Ethnography

Entre os objectos, os cientistas destacaram uma espécie de “óculos” compostos por dois hemisférios de bronze e ligados também por bronze. Os outros artefactos eram pedras polidas em forma de meia lua, que talvez tenham sido usadas em rituais.

“Ambos os homens desempenharam certamente papéis especiais na sociedade“, disse Kobeleva, que assumiu que estas figuras terão sido em vida “uma espécie de padres”.

ZAP //

Por ZAP
9 Junho, 2019

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1810: Descoberta na Sibéria “super-bactéria” que poderá viver em Marte

CIÊNCIA

TSU / Olga Karnachuk

Uma bactéria capaz de sobreviver sem luz ou oxigénio, procurada em todo o mundo depois de o seu ADN ter sido identificado há 10 anos numa mina de ouro sul-africana, foi finalmente descobertas por cientistas russos.

“Os microbiologistas da TSU (Universidade Estadual de Tomsk) detectaram pela primeira vez a bactéria Desulforudis audaxviator em águas subterrâneas nas profundezas da Terra”, revelou aquela instituição de ensino em comunicado.

Na mesma nota esta semana divulgada, a TSU recorda que várias equipas de cientistas estão à procura deste organismo há mais de 10 anos. “O enorme interesse deve-se à capacidade do microrganismo obter energia na ausência de oxigénio e na escuridão total. Teoricamente, pode mostrar que a vida noutro planeta é possível, por exemplo em Marte”, observou o TSU, citado pelo portal russo Sputnik News.

Olga Karnachuk, chefe do departamento de fisiologia vegetal e biotecnologia da TSU, recordou que há mais de dez anos uma equipa de cientistas norte-americano encontrou ADN da bactéria a 2,8 quilómetros de profundidade numa mina de ouro na África do Sul. 

“Até há pouco tempo acreditava-se que a vida nestas condições era impossível, porque a fotossíntese leve – processo fundamental em todas as cadeiras alimentares – não é produzida, mas descobriu-se que essa hipótese estava errada“, sublinhou a especialista.

Após a equipa dos Estados Unidos ter publicado um artigo no qual descrevia a descoberta na revista especializada Science, cientistas de vários países começaram a procura por esta bactéria. O seu ADN chegou a ser encontrado na Finlândia e nos Estados Unidos, mas o microrganismo nunca chegou a ser encontrado.

Os russos tornaram-se os primeiros a descobrir a bactéria em águas subterrâneas a partir de uma fonte termal localizada nas florestas da Sibéria, a norte da cidade de Tomsk.
A Desulforudis audaxviator é uma das bactérias mais antigas que habitam o nosso planeta, sendo caracterizada pela sua capacidade de sobreviver sem oxigénio e obter energia a partir de sulfatos e da oxidação de hidrogénio ou compostos orgânicos.

ZAP //

Por ZAP
6 Abril, 2019

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1481: Pólo norte magnético está a deslocar-se muito depressa para a Sibéria

Deriva do norte magnético está a acelerar desde a década de 1990 e caminha agora à velocidade de 55 Km por ano. Modelo magnético global, que é utilizado na navegação, e que foi publicado em 2015, já teve de ser actualizado

© Arquivo Global Imagens

O pólo norte magnético, aquele ponto no topo norte do globo terrestre para o qual apontam sempre as bússolas, está em deriva rápida, do Árctico canadiano para a Sibéria, mas os cientistas não conseguem explicar porquê.

Os geólogos sabem que a alteração está relacionada com os movimentos que ocorrem no núcleo de ferro líquido que existe no interior do planeta, no entanto, o que está a acontecer exactamente para que as coisas se passem desta forma é uma incógnita.

Se a questão fosse apenas esta, já seria suficientemente interessante, mas este não é um problema exclusivamente científico. Na prática, esta deriva e a sua determinação exacta têm implicações para toda a navegação, da aviação aos transportes marítimos, ou à simples busca de uma localização com um smartphone, uma vez que para achar uma determinada direcção é preciso fazer a compensação da declinação magnética – aquele movimento simples de ajustar o Norte com a agulha da bússola.

Para garantir que a determinação das direcções mantém uma grande precisão, algo essencial para todas as actividades de navegação, os cientistas desenvolveram modelos globais que permitem determinar a declinação magnética e fazer os cálculos de compensação. Um desses modelos é o World Magnetic Model (ou, Modelo Magnético Mundial), cuja última versão foi publicada em 2015, e que deveria manter-se actualizada até 2020. Isso, no entanto, não aconteceu.

A deslocação do pólo norte magnético tem vindo a acelerar nas últimas décadas: passou de uma velocidade de 15 quilómetros por ano, em meados do século XX, para 55 km anuais actualmente. “O erro está sempre a aumentar”, adiantou à Nature Arnaud Chulliat, especialista em geomagnetismo da Universidade de Colorado Boulder e da NOOA, a Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera, dos Estados Unidos.

Para acompanhar a velocidade da deslocação, o modelo teve por isso de ser actualizado antes do final da década. A publicação do modelo actualizado estava prevista para esta terça-feira, 15 de Janeiro, mas o shut down decretado pela administração Trump, e que parece não ter fim à vista, ditou o seu adiamento para o final do mês.

A deriva do pólo Norte magnético não é um fenómeno de agora. Ele foi observado no século século XIX pelos exploradores polares, mas a velocidade da deslocação era muito reduzida, tendo os cientistas percebido que houve uma aceleração na década de 1990, ao ponto de desactualizar agora os modelos em apenas três anos.

Diário de Notícias
Filomena Naves
15 Janeiro 2019 — 13:42

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1022: Desvendado o mistério da cratera do “fim do mundo” da Sibéria

CIÊNCIA

CV Bulka / YouTube

Um grupo de cientistas russos concluiu que a misteriosa cratera formada em 2014 na península de Yamal, no norte da Sibéria, foi resultado de uma actividade incomum de crio-vulcanismo na Terra.

Por norma, os fenómenos de crio-vulcanismo são encontrados em outros planetas e satélites. Um crio vulcão é um vulcão de gelo e água, mas a sua estrutura básica é muito semelhante às formações vulcânicas do nosso planeta.

Em condições de temperaturas extremamente baixas, o crio-vulcão não expele rochas derretidas, mas antes água e outros compostos químicos, como metano e amoníaco, em diferentes estados físicos.

De acordo com o novo estudo, publicado nesta semana na revista Scientific Reports, a cratera de Yamal parece ter resultado do colapso de um grande pingo – uma pequena colina típica das regiões polares – que se formou no interior de um lago de degelo que posteriormente acabou por secar.

Os pingos formam-se quando os lagos secam nas regiões com permafrost – camada de solo permanentemente congelado. Ao secarem, a água que existe no subsolo do reservatório, que encontra-se congelada, exerce pressão sobre a terra à superfície, dando origem à estrutura cónica.

A cratera do “fim do mundo”, como ficou reconhecida, foi descoberta em 2014 na península de Yamal e, desde então, a sua misteriosa origem levantou dúvidas. As teorias sobre a sua origem foram-se multiplicando e iam desde a queda de um meteorito até ao derretimento do permafrost causado pelo aquecimento global.

No outono de 2016, a cratera de Yamal encheu-se de água, tornando-se um lago com 52 metros de profundidade e 25 de diâmetro. Agora, quatro anos após a sua descoberta, os fenómenos do crio-vulcanismo explicam a sua origem.

Por ZAP
15 Setembro, 2018

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995: Cientistas ponderam clonar potro pré-histórico encontrado na Sibéria

CIÊNCIA

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times

No mês passado, foi encontrado um potro mumificado com cerca de 40 mil anos na gigante cratera de Batagaika, na Sibéria, também conhecida como o “Portão do Inferno”. Cientistas russos e sul-coreanos consideram agora clonar o animal.

A equipa de cientistas tem esperança que o espécime encontrado possa fornecer material genético para clonar espécies extintas da Idade do Gelo.

De acordo com o director do museu-laboratório de mamutes da Universidade Federal do Nordeste (SVFU), na Rússia, Sergei Semenov, o achado único foi encontrado por uma equipa internacional de cientistas na república de Yakutia durante uma expedição da SVFU e da Universidade Kindai, no Japão.

Durante esta semana, os especialistas russos anunciaram que planeiam cooperar com a fundação Sooam Biotech Research – líder no campo de clonagem de animais – para criar clones do potro encontrado bem como de outros animais extintos.

“Se no corpo [do potro] for encontrada uma célula viva, esperamos que, com ajuda da grande experiência dos colegas sul-coreanos, consigamos obter um clone do cavalo antigo”, disse Grigoriev, um dos investigadores.

De acordo com o The Siberian Times, um dos cientistas envolvidos na análise do potro mumificado é Woo-Suk Hwang, um investigador de células-tronco e pioneiro da clonagem da Coreia do Sul.

Hwang, antigo professor da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, foi criticado em 2006 por falsificar dados e, três anos mais tarde, for condenado a dois anos de prisão por violação de condutas bioética e desvio de verbas, de acordo com a Nature. Actualmente, o pioneiro da clonagem dirige a Sooam Biotech Research Foundation, que estuda e realiza procedimentos de clonagem animal, principiante e cães.

Grigoriev sublinhou que o animal foi encontrado em condições de preservações quase perfeitas, o que aumentas as possibilidade de obter boas amostras a partir dos seus tecidos. Segundo o cientista, o potro terá morrido entre 30 a 40 mil anos, durante o Paleolítico Superior, e terá morrido 20 dias depois de ter nascido.

Possibilidades “astronómicas”

No entanto, vários cientistas que não estão envolvidos no análise do potro têm algumas dúvidas sobre se será efectivamente possível clonar com sucesso o animal mumificado.

Especialistas ouvidos pelo Live Science mantém-se cépticos quanto à possibilidade de os cientistas encontrarem ADN viável no corpo em primeiro lugar, sem mencionar o enorme desafio de clonar uma espécie extinta há milénios.

A clonagem só é possível quando o ADN original do animal está intacto e, a maioria – se não todo o material genético -, obtido a partir de amostras de gelo costuma estar tipicamente degradado “em dezenas de milhões de pedaços”, sustentou Love Dalén, professor de genética evolucionária do Museu de História Natural da Suécia, em Estocolmo.

“Muitos destes desafios serão também enfrentados quando os cientistas tentarem clonar mamutes”, considerou Beth Shapiro professora de Ecologia e Biologia na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, nos Estados Unidos.

“Se for possível recuperar ADN suficiente dos restos mortais do potro mumificado, os cientistas podem ser capazes de construir uma sequência do genoma, comparando o ADN do potro extinto com os genomas de espécies vivas”, acrescentou Shapiro.

Contudo, a possibilidade de encontrar um genoma intacto ou ate mesmo uma célula viva é “astronómica”, disse Vicent Lynch, professor assistente do Departamento de Genética Humana da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

“Os cientistas raramente dizem que algo é impossível, mas certamente estará próximo disso”, concluiu Lynch.

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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925: Potro extinto do Paleolítico encontrado perfeitamente conservado na Sibéria

CIÊNCIA

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times
O animal terá vivido durante o Paleolítico Superior, há 30 ou 40 mil anos

Um grupo de cientistas fez um enorme descoberta na Sibéria: os restos fossilizados de um potro extinto do Paleolítico em condições de preservação quase perfeitas – este é o cavalo-bebé antigo em melhores condições de fossilização já encontrado.

Descoberto no permafrost da cratera Batagaika, na Sibéria – também conhecida como a “Porta do Mundo Inferior” -, o pequeno potro foi encontrado num estado de preservação tão bom, que quase parece estar a dormir. No entanto, o espécime já morreu há muito tempo, entre 30.000 e 40.000 anos, durante o Paleolítico Superior.

Descoberto por moradores locais, o fóssil foi escavado por cientistas do Japão e da Rússia, sendo depois levado para o Museu Mammoth, em Yakutsk, na Rússia.

“Este é o primeiro fóssil do mundo de um cavalo pré-histórico de tão tenra idade e com um nível tão surpreendente de conservação”, disse o director do museu, Semyon Grigoryev.

O potro teria apenas dois a três meses de idade quando morreu e cerca de 98 centímetros de largura. Foi encontrado a 100 metros de profundidade, com os seus cascos, pêlos e cauda quase totalmente intactos. Até os seus órgãos internos foram preservados pelo permafrost – uma camada de solo que está permanentemente abaixo da temperatura de congelamento.

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times
O pequeno potro era um Equus lenensis, espécie agora extinta

De acordo com os especialistas, a espécie do fóssil é distinta daquelas que agora habitam a região de Yakutia. O pequeno potro era um Equus lenensis (também conhecido como o cavalo Lena), que viveu na região no final do Pleistoceno, espécie agora extinta e conhecida a partir de restos mumificados encontrados no solo gelado.

Os investigadores recolheram amostras de pêlo, líquidos, fluídos biológicos e amostras de solo na área onde o potro foi encontrado, de forma a realizar testes mais completos, incluindo uma autópsia para determinar como morreu. Curiosamente, o potro não tinha feridas visíveis no seu corpo.

“Especialistas que participaram na expedição sugeriram que o potro pode ter-se afogado, depois de encontrar algum tipo de armadilha natural”, explicou Semyon Grigoryev.

Além de determinar a causa da morte com precisão, a autópsia vai revelar como é que o potro viveu. Os cientistas planeiam para isso analisar o conteúdo do seu estômago.

O permafrost é um recurso incrível para aprender mais sobre a vida na Idade do Gelo. No início deste ano, cientistas da Sibéria descobriram bebé de leão pré-histórico em excelentes condições de conservação – ainda nem sequer tinha os dentes formados.

Além do potro, a expedição encontrou um esqueleto raro de um mamute, completo e com tecidos moles ainda em bom estado. Até agora, não se discutiu a questão de clonar o mamute nem o potro – ao contrário do que aconteceu com o leão pré-histórico – no entanto, ambos serão objecto de estudo científico no futuro.

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times
Este é o fóssil de potro melhor conservado até agora encontrado

ZAP // ScienceAlert / LiveScience

Por ZAP
28 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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873: Meteorito da Sibéria revelou mineral nunca antes encontrado na Terra

(dr) webmineral.ru
Cientistas acreditam que o meteorito se formou em temperaturas superiores a mil graus Celsius

Quando os caçadores de ouro encontraram uma rocha amarelada na Sibéria em 2016, pensaram que poderia conter um metal precioso. Na verdade, continha algo muito mais raro – um mineral nunca antes visto na Terra. 

A rocha encontrada na Sibéria era um meteorito composto, entre outras coisas um mineral raro, nunca antes visto na Terra. Apesar da descoberta ainda não ter sido oficialmente documentada, geólogos russos, que analisaram a rocha, apelidaram o novo mineral de “uakitite”, em homenagem à região de Uakit, onde a rocha caiu.

O objeto encontrado é 98% composto de kamacita, uma liga de ferro-níquel com pelo menos 90% de ferro. Na Terra, este material só é encontrado em meteoritos. Os 2% restantes são compostos por mais de uma dúzia de minerais, incluindo o uakitite, a maioria também conhecida apenas por só se formar no espaço.

De acordo com os cientistas, esta composição sugere que o meteorito deve ter-se formado sob circunstâncias extremamente quentes, de mais de mil graus Celsius.

Uakitite: tudo o que sabemos sobre o novo mineral

As quantidades do novo mineral no meteorito são microscópicas. As inclusões de uakitite tinham apenas 5 micrómetro de tamanho – um cabelo humano médio tem 99 micrómetro de diâmetro, e um glóbulo vermelho saudável entre 6 e 8 micrómetro, para referência.

Ou seja, estes minúsculos pedaços de mineral são demasiado pequenos para se fazer uma análise directa. Por isso mesmo, os investigadores não conseguiram registar todas as propriedades física e ópticas do uakitite.

Apesar disso, os investigadores conseguiram determinar que o novo mineral tem algumas semelhanças estruturais com outros dois minerais oriundos do espaço: carlsbergite e osbornita, ambos nitretos.

Os investigadores conseguiram aplicar uma técnica – apelidada de difracção de electrões – para obter dados estruturais para três dos cristais de cristais de uakitite, e o resultado foi semelhante ao modelo estrutural de um composto sintético chamado nitreto de vanádio.

A partir destas informações, os cientistas conseguiram inferir algumas das propriedades físicas do novo mineral. Se for como o nitreto de vanádio, o novo mineral possuiu uma cor cinza clara, com uma tonalidade rosa na luz reflectida. O mineral terá uma dureza de 9 a 10 na Escala de Mohs, a par com outros nitretos não sendo, contundo, tão forte como o diamante – o mineral mais duro de toda a escala.

Para sabermos mais sobre o uakitite, provavelmente precisaram de tecnologias mais avançadas ou então, de um outro meteorito que contenha este mineral. Até lá, teremos que nos contentar a ler o documento apresentado pela equipa de investigação na Reunião Anual da Sociedade Meteorítica de Moscovo, na Rússia.

No entanto, uma coisa é certa: não é todos os dias que um novo mineral “cai” na Terra.

Por ZAP
13 Agosto, 2018

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