4702: 100.ª missão do Falcon 9 da SpaceX levou para órbita este curioso satélite em forma de “casa”

CIÊNCIA/SPACE X

Apesar de grande parte do planeta estar indiferente às mudanças climáticas, estas dão sinais fortes e preocupantes. A subida do nível do mar é um desses sinais já com graves ameaças às populações. Assim, cada vez há mais estudos que requisitam tecnologia espacial para monitorização dos oceanos. A partir de agora existe na órbita da Terra uma nova ferramenta. Chama-se Copernicus Sentinel-6 Michael Freilich e é um satélite que vai estar de olho no planeta.

Lançado no fim de semana, este equipamento é o primeiro de dois satélites idênticos a fornecer medições críticas da mudança no nível do mar.

Esta missão faz parte do Programa de Observação Copernicus da União Europeia. Especificamente, o Sentinel-6 ficará encarregado de vigiar o nível do mar em 95% dos oceanos, além de fornecer informações atmosféricas para poderem ser criados melhores modelos climáticos.

Sentinela com tecnologia de topo para olhar com precisão para os oceanos

No último sábado, às 17:17 UTC, um foguetão Falcon 9 levou a carga para o espaço. Curiosamente, como uma espécie de mensagem simbólica, este satélite tem a forma de uma casa. Na missão n.º 100 do Falcon 9, da SpaceX, o Copernicus Sentinel-6 Michael Freilich vai estar até 2025 sozinho a fazer o trabalho, até que o seu gémeo, o Sentinel-6B, seja lançado.

Posteriormente, a dupla tem a tarefa de estender o registo de quase 30 anos de medições da altura da superfície do mar global. Os instrumentos a bordo dos satélites também fornecerão dados atmosféricos que irão melhorar as previsões do tempo, modelos climáticos e rastreamento de furacões.

Conforme explica a NASA, o Sentinel-6 Michael Freilich deve o seu nome ao agora extinto director da Divisão de Ciências da Terra da agência espacial norte-americana. Este liderou as observações do espaço que foram feitas a partir dele.

Segundo Josef Aschbacher, director dos Programas de Observação da Terra da ESA, ele foi fundamental para promover o estudo dos oceanos em relação às alterações climáticas ao nível global, uma vez que “a subida do nível do mar não conhece fronteiras”.

Copernicus Sentinel-6 Michael Freilich, um satélite em forma de casa

O desenho peculiar do Sentinel 6 deve-se à especificidade da sua missão. Quer isto dizer, que a estrutura tem os instrumentos na parte de baixo. O “telhado de duas águas” é formado pelos painéis solares. Este estará numa órbita de 1.336 quilómetros de altura e 66 graus de inclinação, é possível medir o nível do mar de 95% dos que existem na Terra a cada dez dias.

Segundo foi apresentado, para esta missão, o Sentinel 6 usará um radar de altímetro de abertura sintética integrado, Poseidon 4 (construído pela ESA). Este instrumento medirá a altitude recorrendo a duas frequências. Desta forma, a interferência causada pela ionosfera da Terra pode ser corrigida em tempo real.

A ionosfera não é o único factor na nossa atmosfera que dificulta este estudo, também existe o vapor de água. Assim, o satélite também incorpora um radiómetro de micro-ondas (Advanced Microwave Radiometer – Climate Quality, AMR-C). Esta tecnologia ajuda nas medições feitas pelo radar. Esta nova tecnologia é uma das grandes melhorias neste satélite.

Conforme é descrito, este satélite não é pequeno e pesa 1.192 quilos. Tem capacidade para armazenar até 496 Gbits de dados e será capaz de transmitir cerca de 1.200 Gbits por dia (estimados) durante sete anos.

Nesta missão têm participado empresas de diversos países e continentes, desde a Airbus para a construção a agências espaciais europeias e americanas, bem como a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). Em cerca de cinco anos, por volta de 2025, a UE espera ser capaz de lançar o Sentinel 6, portanto, este primeiro satélite é conhecido como Sentinel 6A e o próximo é o Sentinel 6B.

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Autor: Vítor M.