2218: Seca extrema e severa já atinge 60 concelhos, tanto do interior como do litoral. Veja se algum é o seu

© Tiago Miranda Expresso

A falta de chuva colocou já 10 concelhos, no sul do país, em seca extrema e outros 50, no Alto Alentejo e na região de Lisboa e Setúbal, em seca severa

Para acudir aos casos mais necessitados o Ministério da Agricultura vai disponibilizar três milhões de euros, a partir desta segunda-feira, 24 de Junho.

Segundo uma nota informativa do ministério, “este montante destina-se a explorações situadas nos concelhos onde se verificam as condições meteorológicas exigidas pela regulamentação comunitária para que a medida possa ser accionada”.

No mesmo comunicado, o ministério de Capoulas Santos refere que o principal objectivo desta medida é “promover a mitigação dos efeitos da seca extrema e severa como fenómeno climático adverso, através do apoio a investimentos específicos nas explorações em que a escassez de água compromete o maneio do efectivo pecuário, em particular o abeberamento dos animais e a manutenção das culturas permanentes instaladas”. Para tal serão elegíveis investimentos cujos montantes oscilem entre 1 000 e 40 000 euros.

Segundo o ministério, este apoio aplica-se aos dez municípios considerados em seca extrema – Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António – e é extensível aos municípios em seca severa. Esta situação afecta outros 50 concelhos: Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Aljezur, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Arronches, Barrancos, Barreiro, Beja, Benavente, Borba, Campo Maior, Castro Verde, Coruche, Cuba, Elvas, Estremoz, Évora, Ferreira do Alentejo, Grândola, Lagoa, Lagos, Mértola, Moita, Monchique, Monforte, Montemor-o-Novo, Montijo, Moura, Mourão, Odemira, Ourique, Palmela, Portel, Portimão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Santiago do Cacém, Seixal, Serpa, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sines, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira e Vila Viçosa.

msn notícias
22/06/2019

1950: Os seres humanos estão a secar o planeta desde 1900

CIÊNCIA

martin_heigan / Flickr

Os humanos têm impactado o ambiente desde mais cedo que se pensava. Uma investigação da NASA mostra que a influência humana na seca pode ser encontrada até no início do século XX.

Analisando dados do solo, anéis de árvores e modelos climáticos, os investigadores sugerem que o impacto das emissões de gases de efeito estufa começou a afectar os padrões de seca e precipitação em 1900. Embora seja baseado em dados extrapolados, o mesmo modelo corresponde aos dados do mundo real de meados do século XX em diante.

É o primeiro estudo a analisar a ligação histórica entre as emissões causadas por seres humanos e a seca em uma escala quase global. A má notícia é que a situação está a piorar – a “impressão digital” humana nos ciclos húmido e seco do nosso planeta está a ficar cada vez mais perceptível.

“Esses registos remontam a séculos”, disse uma das integrantes da equipa, Kate Marvel, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (GISS) e da Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque. “Temos uma visão abrangente das condições globais de seca que remontam à história e são incrivelmente de alta qualidade”.

Uma parte importante dos cálculos da equipa foi o Índice de Gravidade da Seca de Palmer, ou PDSI, que estima a humidade média do solo no verão ao longo de muitos anos através de dados como velocidade do vento e precipitação.

Os investigadores também analisaram os “atlas de seca”, que usam a espessura dos anéis das árvores para avaliar a precipitação da seca num ano específico. Os modelos combinaram variáveis ​​naturais (como vulcões) com influências humanas (como mudanças no uso da terra).

Essa combinação de dados e fontes significou que o novo estudo, publicado na revista Nature, poderia superar alguns dos problemas que os investigadores enfrentaram no passado neste campo: muita variabilidade entre as regiões e grandes lacunas nos registos observacionais.

Os dados mostraram que as emissões de gases do efeito estufa do início do século XX provavelmente estavam a ter um efeito significativo nas temperaturas e na precipitação em todo o mundo. “A combinação de muitas regiões num atlas global da seca significou que havia um sinal mais forte se as secas acontecessem em vários lugares simultaneamente”, disse um dos investigadores, Ben Cook, da GISS e da Columbia University.

“Ficamos muito surpreendido que se possa ver a impressão digital humana, o sinal humano de mudança climática, surgir na primeira metade do século XX”.

Além de traçar o nosso impacto sobre a seca global há mais de um século, a equipa também detectou um período mais frio e húmido entre 1950 e 1975 – talvez causado por aerossóis como fumo, fuligem e dióxido de enxofre na atmosfera. As partículas de aerossóis podem ter bloqueado a luz do sol e neutralizado o efeito da acumulação de gás de efeito estufa.

Os modelos estão a prever secas mais frequentes e severas no futuro, à medida que as temperaturas aumentam – e isso provavelmente levará a escassez de alimentos e água, impactos na saúde e aumento do conflito global.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
10 Maio, 2019

 

1706: A Terra está prestes a ficar sem água doce

Mbochart / wikimedia

Os Estados Unidos tem 204 bacias que abastecem o país de água doce. Destes, 96 não serão capazes de cumprir a oferta habitual a partir de 2071.

“Muitos estados dos EUA terão menos água ao longo do tempo”, explicou Thomas Brown à Reuters, investigador do Serviço Florestal dos EUA e um dos autores do trabalho. Na opinião dos cientistas, as bacias mais afectadas serão as do centro e sul das Grandes Planícies, o sudoeste e o centro da região das Montanhas Rochosas, Califórnia, algumas áreas do sul, como a Florida, e o Centro-Oeste.

De acordo com o estudo publicado em Fevereiro na revista Earth’s Future, as principais causas para a escassez generalizada da água são o aumento da população mundial e as alterações climáticas.

O agravamento da seca que ocorrerá em pouco mais de cinco décadas estará vinculado à crescente demanda de uma população crescente e às mudanças climáticas, o que levará a uma maior evaporação e menos chuvas em alguns estados. O aumento da temperatura anulará o efeito de maior precipitação que é esperado noutras regiões.

De acordo com os modelos que projectaram, 83, 92 e 96 bacias poderiam sofrer escassez nos seus níveis mensais nos períodos 2021-2045, 2046-2070 e 2071-2095, respectivamente.

Para reverter a situação, é necessário modificar os hábitos em relação ao uso da água – nomeadamente na agricultura, responsável por 75% do consumo anual nos EUA e na indústria. Portanto, Brown e a sua equipa disseram que se deve reformular a forma como o recurso é utilizado e aumentar a eficiência do uso.

O estudo sobre o futuro da água nos EUA junta-se a outros que já alertaram sobre a situação global. Especialistas da NASA explicaram que, entre 2003 e 2013, extraiu-se mais do que foi possível recuperar na maioria dos maiores aquíferos subterrâneos do mundo, que fornecem 35% do aquíferos usados no mundo. “A situação é crítica”, disseram.

Outro relatório detalha que os aquíferos “demoram muito mais tempo para responder às mudanças climáticas do que a água na superfície”.

“Metade das correntes subterrâneas do planeta respondem dentro de uma escala de tempo humano de cem anos”, disse Mark Cuthbert, professor da Universidade de Cardiff. O investigador definiu este “grande legado” como “uma bomba-relógio ambiental”, uma vez que qualquer impacto sobre a sua substituição, que depende das chuvas, se manifestará “muito tempo depois”.

O Banco Mundial também aborda a questão no relatório “Mudanças Climáticas, Água e Economia”, de 2016, que indicava que em 2050 a disponibilidade de água potável seria um terço da actual e que a escassez terá repercussões graves na economia.

Por sua vez, o Relatório Mundial sobre Desenvolvimento de Recursos Hídricos da Unesco também alerta que, até 2050, 5,7 mil milhões de pessoas – cerca de dois terços da população mundial – sofrerão com secas, superando os 3,6 mil milhões que sofrem actualmente.

O estudo disse que o crescimento populacional, mudanças no consumo e no desenvolvimento económico significam que a demanda mundial aumenta em 1% a cada ano.

ZAP //

Por ZAP
13 Março, 2019

 

1669: Metade do país está em situação de seca (e a região do Alto Sado pior do que em 2018)

contadagua.org / midianinja / Flickr

Metade do país está em situação de seca, com as culturas do arroz e do milho a correrem o risco de não se realizarem por falta de água na bacia do Alto Sado. Todas as bacias hidrográficas do país apresentam taxas de armazenamento abaixo da média.

Segundo avançou o Expresso, a dois meses do início da campanha de rega na agricultura, a situação mais crítica a do Sado, onde já estão em causa culturas como o arroz, o milho ou outros cereais de regadio.

O alerta foi dado esta segunda-feira pela Federação Nacional dos Regantes de Portugal (FENAREG), na sequência de uma reunião com o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos. De acordo com o presidente da organização, José Núncio, do Tejo para sul – excluindo a zona de regadio de Alqueva – a situação “é já muito preocupante”.

Como indicou, nas zonas de Campilhas e Alvalade “a situação está pior agora do que há um ano. Neste momento, o risco de não se realizarem as culturas anuais do arroz e do milho é já da ordem dos 50%”.

O presidente da FENAREG – que representa mais de 25 mil agricultores, responsáveis por regarem 135 mil hectares -, salienta o facto de Espanha já ter comunicado que as suas disponibilidades também são baixas e podem não cumprir os caudais mínimos dos rios que atravessam a fronteira para Portugal, caso seja necessário accionar o regime de excepção.

“O cenário actual é comparável com o de 2016, uma situação cautelosa e que exige planeamento”, sublinhou.

Twitter/Meteoduruelo

A FENAREG indicou ainda que, nos regadios colectivos, o armazenamento de água regista níveis que asseguram a campanha de rega, excepto nos aproveitamentos hidroagrícolas de Campilhas e Alto Sado e de Alfandega da Fé. Nos regadios privados, porém, a situação é mais preocupante, uma vez que estes não têm capacidade de armazenamento de água inter-anual (para mais que uma campanha de rega).

A organização exige também a redução dos custos da energia eléctrica associada ao regadio, através da implementação de tarifários ajustados à sazonalidade da agricultura e da redução de taxas e impostos nos contratos de electricidade.

José Núncio garantiu ter discutido várias vezes este assunto com o anterior secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. “Na última reunião que tivemos disse-nos, inclusivamente, que o assunto iria ser resolvido. Entretanto, saiu do Governo e, com o seu sucessor, João Galamba, ainda não tivemos nenhuma reunião”.

Entretanto, no seu mais recente relatório climatológico, o IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, referiu que o valor médio da quantidade de precipitação, em Fevereiro (34.4 milímetros), corresponde a cerca de 34% dos valores normais para a época – sendo este mês já o 4º Fevereiro mais seco desde 2002.

No mesmo relatório, o IPMA indica ainda no final do segundo mês deste ano “verificou-se um aumento da área de seca em relação ao final de Janeiro, com todo o território em seca meteorológica”, ou seja, mais grave ainda do que o anunciado pela FENAREG.

Os dados do IPMA apontam para 4,8% do território em regime de seca severa, 57,1% em seca moderada e 38,1% na classe de seca fraca.

TP, ZAP //

Por TP
5 Março, 2019

 

1108: Cientistas revelam as (inevitáveis) futuras secas catastróficas

CIÊNCIA

(CC0/PD) josealbafotos / pixabay

Cientistas chineses revelaram quais as regiões do planeta mais vulneráveis a secas causadas pelo aumento global de temperaturas médias.

Segundo o portal Phys.org, a equipa de investigadores avaliou a interferência das temperatura globais no acesso à água e, segundo comunicado  utilizaram um modelo teórico que descreve os estados do ciclo de água na natureza em condições climáticas normais.

O resultado da investigação, apresentada num artigo publicado em Agosto na revista  Geophysical Research Letters, demonstrou o que aconteceria com o ciclo da água em diferentes cenários em conformidade com o Acordo de Paris, que tenta limitar o aumento das temperaturas a 1,5 grau Celsius.

Caso o objectivo do Acordo de Paris seja atingido, a redução de água será moderada em várias partes do mundo.

No entanto, os especialistas destacaram que as regiões mais atingidas pela escassez de água serão a Ásia Setentrional, África Meridional, Europa Meridional, Mediterrâneo, Gronelândia, Islândia e Alasca.

Ao mesmo tempo, no caso de um aumento mais significativo da temperatura média, os recursos aquáticos esgotar-se-iam em redor do globo, afectando pelo menos 117 milhões de pessoas.

Em Setembro, um grupo de pesquisadores internacional revelou que a fusão do permafrost (camada de solo permanentemente congelada) e a emissão de carbono — devido ao degelo — reduziram a disponibilidade de dióxido de carbono para quase zero.

Segundo o estudo, exceder o volume de emissões de gases do efeito estufa poderia causar inevitavelmente uma catástrofe climatérica.

Por SN
6 Outubro, 2018

 

926: Verão atípico põe a descoberto (estranhas) “Pedras da Fome” na Europa

NOTÍCIAS

A Europa enfrenta um verão atípico e, com isso, têm surgido mensagens “escondidas” um pouco por todo o território europeu. Desta vez, foram encontrados marcas misteriosas gravadas em pedras, que não são apenas vestígios das sociedades antigas, mas também alertas para os tempo difíceis que se aproximam.

A seca severa que atinge a Europa Central pôs a descoberto pedras antigas, que têm (estranhas) mensagens gravadas na sua superfície. Uma das pedras foi encontrada na República Checa e são vulgarmente conhecidas como “Pedras da Fome“, relevou a AP.

Normalmente, estas pedras não são visíveis pois ficam abaixo da linha de água do rio Elba, que flui através da cidade de Děčín, no norte do país. No entanto, com os níveis de água a atingir os recordes mais baixos na Europa, as rochas e as mensagens nelas gravadas ficaram novamente expostas.

Mais de uma dúzia de “Pedras da Fome” podem ser vistas na cidade, que acabam por registar os níveis mais baixos de água em séculos. Em 2013, um grupo de investigadores levou a cabo um estudo sobre as secas históricas na República Checa e descreveram estas rochas como pedras “esculpidas por anos de dificuldade e com as iniciais dos autores perdidos para a história”.

No passado, estas pedras serviam para medir os níveis das águas e, baixos níveis de água eram sinal de que tem difíceis se estavam a aproximar.

A mais antiga e famosa destas marcas, conhecida simplesmente por Hunger Rock, de acordo com o guia turístico da cidade, contém uma inscrição que data de 1616, onde se lê: “Se me vires, chora” (Wenn du mich siehst, dann weine).

Embora as inscrições legíveis mais antigas desta pedra em particular datem de 1616, existem outras rochas que já vivenciaram numerosas secas desde 1417.

Uma outra “Pedra da Fome” da Alemanha regista as condições climatéricas daquele ano de forma mais feliz: “Se voltares a ver esta pedra novamente, irás chorar, de tão superficial que as águas estavam em 1417”.

Outras há que dizem: “Nós choramos. Nós choramos. E tu vais chorar” e também “Quem me viu uma vez, chorou; Quem me vir agora vai chorar”.

As razões para estes alertas sinistros – como se soubessem o que está para vir – podem ser várias. Quando a seca e o calor chegam, significa não apenas que a colheita será má, mas também que haverá falta de comida e os preços irão subir, consequentemente.

Além disso, quando o nível das águas baixa drasticamente, o transporte fluvial torna-se mais difícil, ameaçando o sustento das famílias que vivem junto da costa.

Com o rio Elba no seu nível mais baixo em mais de meio século, a seca tem recordado também outro tipo de miséria: nesse mesmo canal têm sido encontradas bombas não detonadas da Segunda Guerra Mundial e granadas de mão, que estiveram submersas por mais de 70 anos.

Enquanto os cientistas ainda indagam com estes presságios para o futuro, a mais recente inscrição na “Pedra da Fome” encontrada na República Checa tenta, pelo menos, aliviar um pouco o clima – “Não chores, menina, não te preocupes. Quanto estiver seco, apenas pulveriza o teu campo” (Neplac holka, nenarikej, kdyz je sucho, pole strikej).

Fenómenos semelhantes têm sido relatados um pouco por toda a Europa, onde as condições atípicas e secas têm desvendado monumentos pré-históricos ou mensagens da Segunda Guerra Mundial.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
27 Agosto, 2018

(Foi corrigido 1 erro ortográfico ao texto original)

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837: Seca extrema e prolongada ditou colapso da civilização maia

Cientistas quantificaram pela primeira vez o fenómeno. Entre os anos 800 e 1000 d.C. houve entre 41% e 70% menos chuva na região. As alterações climáticas abruptas podem mesmo pôr termo a uma civilização.

Um dos templos da época áurea dos maias.
© Mark Brenner

Sabe-se que um período prolongado de secas extremas contribuiu decisivamente para que a lendária e ainda muito misteriosa civilização maia se desintegrasse completamente há cerca de um milénio. Mas um grupo internacional de cientistas deu agora um importante passo para aprofundar esse conhecimento, ao conseguir pela primeira vez quantificar a dimensão dessas secas devastadoras.

Recorrendo ao estudo dos sedimentos do lago Chichancanab na região do Iucatão, no México, onde a civilização maia floresceu, sobretudo a partir do ano 250 a.C., a equipa que reuniu cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, descobriu que ao longo de um período de cerca de dois séculos, entre os anos 800 e 1000 d.C., o regime de precipitação se alterou profundamente naquela região do mundo.

No estudo que publicam nesta quinta-feira na revista Science, os autores mostram que durante aquele curto período de 200 anos houve fases de quebras anuais entre 41% e 54%, que chegaram a défices de 70% no pico da crise da seca, enquanto o teor da humidade no ar chegou a ter valores inferiores entre 2% e 7% em relação ao clima actual. A seca extrema e prolongada acabou por ditar o abandono da região pelas populações, a que se seguiu o declínio e a falência das estruturas sociais que sustentavam o modo de vida da civilização maia.

O lago Chichancanab.
© Mark Brenner

“O papel das alterações climáticas no colapso da civilização maia tem sido de alguma forma controverso, em parte porque os estudos anteriores só tinham permitido reconstruções qualitativas do clima da época”, explica Nick Evans, investigador da universidade britânica de Cambridge e o principal autor da investigação. “O nosso estudo representa um avanço substancial, porque pela primeira vez conseguimos fazer estimativas robustas da precipitação e dos níveis de humidade [atmosférica] durante esse período”, sublinha.

O estudo acaba por demonstrar também como as alterações climáticas, produzindo um impacto profundo no equilíbrio das estruturas e das actividades de uma sociedade, podem contribuir para o seu fim.

O que os sedimentos de um lago contam

A primeira vez que os problemas relacionados com uma seca severa emergiram no contexto do declínio dos maias foi em 1995, quando o especialista em paleoclimatologia David Hodell, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, publicou um estudo sobre isso.

Mais de década e meia depois, em 2012, Martín Medina-Elizalde, do Centro de Investigações Científicas do Iucatão, no México, e Eelco Rohling, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, conseguiram ir um pouco mais além, ao analisar uma estalagmite local, designada na região com o nome de Chaac – por ironia, o mesmo do deus maia das chuvas. E o que essa estalagmite revelou foi que na fase final da sociedade maia, entre os anos de 800 e 1000 d.C, aproximadamente, as chuvas de verão sofreram quebras entre os 25% e os 40%.

Naquele monólito que se ergue do chão, no interior de uma caverna, na região, estão registados parâmetros climáticos milenares, incluindo os da pluviosidade, e foi com base nesses registos que os investigadores fizeram na altura as suas contas.

Agora a equipa de Nick Evans foi mais longe, ao analisar os isótopos dos sedimentos do lago Chichancanab. Como a equipa explica, em períodos de seca, há mais água a evaporar-se e, como os isótopos mais leves se evaporam mais depressa, os que ficam são os mais pesados.

Mapeando a proporção dos diferentes isótopos nas diferentes camadas, que representam as diferentes épocas, os investigadores conseguiram reconstituir o ciclo climático e hidrológico daqueles anos fatais de secura, que afectaram todas as actividades básicas daquela sociedade, incluindo a agricultura, cuja falência terá sido determinante para o desfecho que se conhece.

Diário de Notícias
Filomena Naves
02 Agosto 2018 — 19:00

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