2703: Alterações climáticas podem propagar fungo de doença mortal

CIÊNCIA

Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

© iStock Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

Califórnia e Arizona, com desertos secos e estações chuvosas, possuem o ambiente e o clima ideais para que o fungo Coccidioides, causador da doença, sobreviva e prospere. Mas, de acordo com um estudo publicado recentemente no GeoHealth, as alterações climáticas, como o aumento da temperatura global, podem fazer com que o fungo se dissemine a nível global.

A estimativa é de que até o ano de 2100, o alcance do fungo cresça a ponto de aumentar em 50% o número de casos de febre do vale. Actualmente, o fungo está restrito ao território actual por conta das chuvas e da temperatura, mas as mudanças climáticas podem aumentar significativamente o seu raio de actuação. “Calculamos que poderia haver mais áreas em que esse fungo poderia viver no futuro”, afirmou Morgan Gorris, investigador do departamento de ciências do sistema terrestre da Universidade da Califórnia em Irvine e principal autor do estudo.

O fungo Coccidioides cresce durante o período de secas, criando esporos que podem ser lançados no ar pelo vento. Esses esporos são inalados, causando a febre do vale. Apesar dos sintomas serem leves, com tosse, febre e calafrios, a doença causa cerca de 200 mortes por ano nos Estados Unidos, vitimando principalmente idosos ou pessoas com o sistema imunológico comprometido.

O estudo comparou as chuvas, a temperatura e outros dados ambientais com as taxas de incidência da febre do vale para identificar as condições ambientais correlacionadas à doença. Com essas informações, a pesquisa pôde prever quais os locais nos quais a doença poderia ser encontrada tendo como base a previsão de condições climáticas para o futuro.

Assim, o resultado foi de que os estados ocidentais ao norte estão mais propensos a ‘receber’ o fungo. “Passará por Oklahoma, Colorado, Wyoming, áreas mais secas”, explicou James Randerson, professor do departamento de ciências dos sistemas terrestres da Universidade da Califórnia e co-autor da pesquisa. Afirmou ainda que a doença tem potencialidade para se propagar por outros países – já que as alterações climáticas afectam o mundo inteiro e a globalização que facilita o transporte de pessoas sobretudo de avião irá com certeza facilitar a sua propagação.

msn lifestyle
Liliana Lopes Monteiro
24/09/2019

 

Rio Tejo “espanhol” escondia círculo de pedras como Stonehenge

CIÊNCIA

Seca revelou conjunto de menires debaixo de água com mais de 4 mil anos.

© SIC Notícias Dolmen Guadalperal no verão de 2019

Durante décadas, um cromeleque (conjunto de pedras pré-histórico em círculo) esteve oculto sob as águas do rio Tejo, no reservatório espanhol Valdecañas.

Meses de seca intensa fizeram desaparecer as águas do reservatório – revelando assim toda a estrutura megalítica. É uma oportunidade para o reinício das investigações sobre o enigmático círculo, mas também o início da discussão sobre se as pedras devem ser movidas ou deixadas no mesmo sítio.

Constituída por 150 menires dispostos em círculo, o Dólmen de Guadalperal é também conhecido como “Stonehenge espanhol”. Foi construído na Idade do Cobre ou do Bronze, nas margens do rio Tejo, há pelo menos 4.000 anos.

Os menires colocados na vertical fazem lembrar os famosos que constituem o conjunto britânico Stonehenge, bem como outros conjuntos megalíticos que há um pouco por toda a Europa, todos, supõe-se, para o mesmo fim.

Ao longo dos tempos, foram sendo colocadas lajes horizontais formando uma estrutura como um túmulo ou abrigo fechado chamado dólmen.

As teorias sobre pedras dispostas em círculo

Durante anos se acreditou que estes cromeleques funcionavam como um calendário ou observatório astronómico.

Já no século XXI, os arqueólogos desenvolveram a tese de que Stonhenge teria sido um cemitério, utilizado como um túmulo para famílias distintas, depois de 10 anos de pesquisas que incluíram escavações, trabalho de laboratório e a análise de 63 antigos restos humanos.

Análises efectuadas aos restos de 80.000 ossos de animais detectados no local também sugerem que, por volta de 2.500 A.C., decorreram em Stonehenge grandes festas comunitárias, como a celebração dos solstícios do verão e do inverno.

© Chris Helgren / Reuters

Perdido nos tempos, o local milenar foi redescoberto em 1920 e captou a atenção do antropólogo alemão Hugo Obermaier.

Mas o tempo que teve para estudar as pedras foi pouco. O Estado espanhol começou a transformar o rio Tejo num reservatório, que engoliu não só o cromeleque, mas também vários outros locais historicamente significativos de vários períodos.

Na década de 1960, a estrutura pré-histórica praticamente desapareceu de vista.

Este ano de 2019 foi particularmente seco, com Espanha a sofrer o Junho mais seco do século, o que fez com que os menires reaparecessem.

Duas imagens do satélite Landsat da NASA mostram bem como a terra sofreu uma grande transformação devido ao excesso de calor.

msn notícias
SIC Notícias
23/09/2019

 

2528: Seca trouxe de novo à luz o “Stonehenge espanhol”. Tem 5000 anos e passou meio século submerso

CIÊNCIA

Um monumento megalítico datado de há 4.000 a 5.000 anos e conhecido como “o Stonehenge espanhol” reapareceu na Estremadura depois de passar meio século submerso no fundo de um reservatório, avançou a imprensa local.

De acordo com a RTVE, o dólmen de Guadalperal, formado por 140 pedras e localizado em Peraleda de la Mata, na Estremadura, foi descoberto pelo padre e arqueólogo alemão Hugo Obermaier em 1925. Anos depois, em 1963, o monumento foi submerso devido à construção do reservatório de Valdecañas, cuja construção foi ordenada pelo ditador Francisco Franco (1892-1975).

Agora, a seca que se faz sentir na região permitiu voltar a ver o monumento na sua totalidade. No passado, a construção foi baptizada como “o tesouro de Guadalperal“, sendo também rotulado como “o Stonehenge espanhol”.

El Dolmen de Guadalperal emerge al completo con la inusual bajada del embalse de Valdecañas por la sequía. A veces, se ha visto la parte superior de este monumento megalítico de unos 5.000 años, pero esta imagen es insólita. Los expertos piden su rescate antes de que sea tarde

A associação Raices de Peraleda alertou as autoridades competentes para a necessidade de resgatar a construção milenar que, apesar de estar bem preservada, “já mostra sinais claros de deterioração”, pode ler-se numa petição disponível no portal Change.org.

“Pode ser que na próxima vez que seja possível fazer o resgate seja tarde demais, uma vez que o granito está a tornar-se poroso e, em alguns casos, está a rachar”.

O monumento é composto por uma câmara oval de cinco metros de diâmetro e um hall de acesso de 21 metros, estando no seu final esculpida uma serpente e várias xícaras.

Acredita-se que o local tenha servidos para várias fins, tendo sido utilizado como um tempo solar, bem como um local de sepultamento colectivo, explicou a presidente da associação, Ángel Castaño, em declarações à TVE.

Castaño revelou ainda que, depois de analisar os dados recolhidos por Obermaier, acredita que um dos menires do dólmen esconde um possível mapa milenar do rio Tejo ao passar pela zona. A confirmar-se o achado, este “seria um dos mapas mais antigos do mundo”, afirmou a especialista, citada pelo jornal El Español.

ZAP //

Por ZAP
27 Agosto, 2019

 

2217: Seca extrema e severa já atinge 60 concelhos, tanto do interior como do litoral. Veja se algum é o seu

© Tiago Miranda Expresso

A falta de chuva colocou já 10 concelhos, no sul do país, em seca extrema e outros 50, no Alto Alentejo e na região de Lisboa e Setúbal, em seca severa

Para acudir aos casos mais necessitados o Ministério da Agricultura vai disponibilizar três milhões de euros, a partir desta segunda-feira, 24 de Junho.

Segundo uma nota informativa do ministério, “este montante destina-se a explorações situadas nos concelhos onde se verificam as condições meteorológicas exigidas pela regulamentação comunitária para que a medida possa ser accionada”.

No mesmo comunicado, o ministério de Capoulas Santos refere que o principal objectivo desta medida é “promover a mitigação dos efeitos da seca extrema e severa como fenómeno climático adverso, através do apoio a investimentos específicos nas explorações em que a escassez de água compromete o maneio do efectivo pecuário, em particular o abeberamento dos animais e a manutenção das culturas permanentes instaladas”. Para tal serão elegíveis investimentos cujos montantes oscilem entre 1 000 e 40 000 euros.

Segundo o ministério, este apoio aplica-se aos dez municípios considerados em seca extrema – Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António – e é extensível aos municípios em seca severa. Esta situação afecta outros 50 concelhos: Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Aljezur, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Arronches, Barrancos, Barreiro, Beja, Benavente, Borba, Campo Maior, Castro Verde, Coruche, Cuba, Elvas, Estremoz, Évora, Ferreira do Alentejo, Grândola, Lagoa, Lagos, Mértola, Moita, Monchique, Monforte, Montemor-o-Novo, Montijo, Moura, Mourão, Odemira, Ourique, Palmela, Portel, Portimão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Santiago do Cacém, Seixal, Serpa, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sines, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira e Vila Viçosa.

msn notícias
22/06/2019

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1949: Os seres humanos estão a secar o planeta desde 1900

CIÊNCIA

martin_heigan / Flickr

Os humanos têm impactado o ambiente desde mais cedo que se pensava. Uma investigação da NASA mostra que a influência humana na seca pode ser encontrada até no início do século XX.

Analisando dados do solo, anéis de árvores e modelos climáticos, os investigadores sugerem que o impacto das emissões de gases de efeito estufa começou a afectar os padrões de seca e precipitação em 1900. Embora seja baseado em dados extrapolados, o mesmo modelo corresponde aos dados do mundo real de meados do século XX em diante.

É o primeiro estudo a analisar a ligação histórica entre as emissões causadas por seres humanos e a seca em uma escala quase global. A má notícia é que a situação está a piorar – a “impressão digital” humana nos ciclos húmido e seco do nosso planeta está a ficar cada vez mais perceptível.

“Esses registos remontam a séculos”, disse uma das integrantes da equipa, Kate Marvel, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (GISS) e da Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque. “Temos uma visão abrangente das condições globais de seca que remontam à história e são incrivelmente de alta qualidade”.

Uma parte importante dos cálculos da equipa foi o Índice de Gravidade da Seca de Palmer, ou PDSI, que estima a humidade média do solo no verão ao longo de muitos anos através de dados como velocidade do vento e precipitação.

Os investigadores também analisaram os “atlas de seca”, que usam a espessura dos anéis das árvores para avaliar a precipitação da seca num ano específico. Os modelos combinaram variáveis ​​naturais (como vulcões) com influências humanas (como mudanças no uso da terra).

Essa combinação de dados e fontes significou que o novo estudo, publicado na revista Nature, poderia superar alguns dos problemas que os investigadores enfrentaram no passado neste campo: muita variabilidade entre as regiões e grandes lacunas nos registos observacionais.

Os dados mostraram que as emissões de gases do efeito estufa do início do século XX provavelmente estavam a ter um efeito significativo nas temperaturas e na precipitação em todo o mundo. “A combinação de muitas regiões num atlas global da seca significou que havia um sinal mais forte se as secas acontecessem em vários lugares simultaneamente”, disse um dos investigadores, Ben Cook, da GISS e da Columbia University.

“Ficamos muito surpreendido que se possa ver a impressão digital humana, o sinal humano de mudança climática, surgir na primeira metade do século XX”.

Além de traçar o nosso impacto sobre a seca global há mais de um século, a equipa também detectou um período mais frio e húmido entre 1950 e 1975 – talvez causado por aerossóis como fumo, fuligem e dióxido de enxofre na atmosfera. As partículas de aerossóis podem ter bloqueado a luz do sol e neutralizado o efeito da acumulação de gás de efeito estufa.

Os modelos estão a prever secas mais frequentes e severas no futuro, à medida que as temperaturas aumentam – e isso provavelmente levará a escassez de alimentos e água, impactos na saúde e aumento do conflito global.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
10 Maio, 2019

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1706: A Terra está prestes a ficar sem água doce

Mbochart / wikimedia

Os Estados Unidos tem 204 bacias que abastecem o país de água doce. Destes, 96 não serão capazes de cumprir a oferta habitual a partir de 2071.

“Muitos estados dos EUA terão menos água ao longo do tempo”, explicou Thomas Brown à Reuters, investigador do Serviço Florestal dos EUA e um dos autores do trabalho. Na opinião dos cientistas, as bacias mais afectadas serão as do centro e sul das Grandes Planícies, o sudoeste e o centro da região das Montanhas Rochosas, Califórnia, algumas áreas do sul, como a Florida, e o Centro-Oeste.

De acordo com o estudo publicado em Fevereiro na revista Earth’s Future, as principais causas para a escassez generalizada da água são o aumento da população mundial e as alterações climáticas.

O agravamento da seca que ocorrerá em pouco mais de cinco décadas estará vinculado à crescente demanda de uma população crescente e às mudanças climáticas, o que levará a uma maior evaporação e menos chuvas em alguns estados. O aumento da temperatura anulará o efeito de maior precipitação que é esperado noutras regiões.

De acordo com os modelos que projectaram, 83, 92 e 96 bacias poderiam sofrer escassez nos seus níveis mensais nos períodos 2021-2045, 2046-2070 e 2071-2095, respectivamente.

Para reverter a situação, é necessário modificar os hábitos em relação ao uso da água – nomeadamente na agricultura, responsável por 75% do consumo anual nos EUA e na indústria. Portanto, Brown e a sua equipa disseram que se deve reformular a forma como o recurso é utilizado e aumentar a eficiência do uso.

O estudo sobre o futuro da água nos EUA junta-se a outros que já alertaram sobre a situação global. Especialistas da NASA explicaram que, entre 2003 e 2013, extraiu-se mais do que foi possível recuperar na maioria dos maiores aquíferos subterrâneos do mundo, que fornecem 35% do aquíferos usados no mundo. “A situação é crítica”, disseram.

Outro relatório detalha que os aquíferos “demoram muito mais tempo para responder às mudanças climáticas do que a água na superfície”.

“Metade das correntes subterrâneas do planeta respondem dentro de uma escala de tempo humano de cem anos”, disse Mark Cuthbert, professor da Universidade de Cardiff. O investigador definiu este “grande legado” como “uma bomba-relógio ambiental”, uma vez que qualquer impacto sobre a sua substituição, que depende das chuvas, se manifestará “muito tempo depois”.

O Banco Mundial também aborda a questão no relatório “Mudanças Climáticas, Água e Economia”, de 2016, que indicava que em 2050 a disponibilidade de água potável seria um terço da actual e que a escassez terá repercussões graves na economia.

Por sua vez, o Relatório Mundial sobre Desenvolvimento de Recursos Hídricos da Unesco também alerta que, até 2050, 5,7 mil milhões de pessoas – cerca de dois terços da população mundial – sofrerão com secas, superando os 3,6 mil milhões que sofrem actualmente.

O estudo disse que o crescimento populacional, mudanças no consumo e no desenvolvimento económico significam que a demanda mundial aumenta em 1% a cada ano.

ZAP //

Por ZAP
13 Março, 2019

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1669: Metade do país está em situação de seca (e a região do Alto Sado pior do que em 2018)

contadagua.org / midianinja / Flickr

Metade do país está em situação de seca, com as culturas do arroz e do milho a correrem o risco de não se realizarem por falta de água na bacia do Alto Sado. Todas as bacias hidrográficas do país apresentam taxas de armazenamento abaixo da média.

Segundo avançou o Expresso, a dois meses do início da campanha de rega na agricultura, a situação mais crítica a do Sado, onde já estão em causa culturas como o arroz, o milho ou outros cereais de regadio.

O alerta foi dado esta segunda-feira pela Federação Nacional dos Regantes de Portugal (FENAREG), na sequência de uma reunião com o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos. De acordo com o presidente da organização, José Núncio, do Tejo para sul – excluindo a zona de regadio de Alqueva – a situação “é já muito preocupante”.

Como indicou, nas zonas de Campilhas e Alvalade “a situação está pior agora do que há um ano. Neste momento, o risco de não se realizarem as culturas anuais do arroz e do milho é já da ordem dos 50%”.

O presidente da FENAREG – que representa mais de 25 mil agricultores, responsáveis por regarem 135 mil hectares -, salienta o facto de Espanha já ter comunicado que as suas disponibilidades também são baixas e podem não cumprir os caudais mínimos dos rios que atravessam a fronteira para Portugal, caso seja necessário accionar o regime de excepção.

“O cenário actual é comparável com o de 2016, uma situação cautelosa e que exige planeamento”, sublinhou.

Twitter/Meteoduruelo

A FENAREG indicou ainda que, nos regadios colectivos, o armazenamento de água regista níveis que asseguram a campanha de rega, excepto nos aproveitamentos hidroagrícolas de Campilhas e Alto Sado e de Alfandega da Fé. Nos regadios privados, porém, a situação é mais preocupante, uma vez que estes não têm capacidade de armazenamento de água inter-anual (para mais que uma campanha de rega).

A organização exige também a redução dos custos da energia eléctrica associada ao regadio, através da implementação de tarifários ajustados à sazonalidade da agricultura e da redução de taxas e impostos nos contratos de electricidade.

José Núncio garantiu ter discutido várias vezes este assunto com o anterior secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. “Na última reunião que tivemos disse-nos, inclusivamente, que o assunto iria ser resolvido. Entretanto, saiu do Governo e, com o seu sucessor, João Galamba, ainda não tivemos nenhuma reunião”.

Entretanto, no seu mais recente relatório climatológico, o IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, referiu que o valor médio da quantidade de precipitação, em Fevereiro (34.4 milímetros), corresponde a cerca de 34% dos valores normais para a época – sendo este mês já o 4º Fevereiro mais seco desde 2002.

No mesmo relatório, o IPMA indica ainda no final do segundo mês deste ano “verificou-se um aumento da área de seca em relação ao final de Janeiro, com todo o território em seca meteorológica”, ou seja, mais grave ainda do que o anunciado pela FENAREG.

Os dados do IPMA apontam para 4,8% do território em regime de seca severa, 57,1% em seca moderada e 38,1% na classe de seca fraca.

TP, ZAP //

Por TP
5 Março, 2019

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1108: Cientistas revelam as (inevitáveis) futuras secas catastróficas

CIÊNCIA

(CC0/PD) josealbafotos / pixabay

Cientistas chineses revelaram quais as regiões do planeta mais vulneráveis a secas causadas pelo aumento global de temperaturas médias.

Segundo o portal Phys.org, a equipa de investigadores avaliou a interferência das temperatura globais no acesso à água e, segundo comunicado  utilizaram um modelo teórico que descreve os estados do ciclo de água na natureza em condições climáticas normais.

O resultado da investigação, apresentada num artigo publicado em Agosto na revista  Geophysical Research Letters, demonstrou o que aconteceria com o ciclo da água em diferentes cenários em conformidade com o Acordo de Paris, que tenta limitar o aumento das temperaturas a 1,5 grau Celsius.

Caso o objectivo do Acordo de Paris seja atingido, a redução de água será moderada em várias partes do mundo.

No entanto, os especialistas destacaram que as regiões mais atingidas pela escassez de água serão a Ásia Setentrional, África Meridional, Europa Meridional, Mediterrâneo, Gronelândia, Islândia e Alasca.

Ao mesmo tempo, no caso de um aumento mais significativo da temperatura média, os recursos aquáticos esgotar-se-iam em redor do globo, afectando pelo menos 117 milhões de pessoas.

Em Setembro, um grupo de pesquisadores internacional revelou que a fusão do permafrost (camada de solo permanentemente congelada) e a emissão de carbono — devido ao degelo — reduziram a disponibilidade de dióxido de carbono para quase zero.

Segundo o estudo, exceder o volume de emissões de gases do efeito estufa poderia causar inevitavelmente uma catástrofe climatérica.

Por SN
6 Outubro, 2018

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926: Verão atípico põe a descoberto (estranhas) “Pedras da Fome” na Europa

NOTÍCIAS

A Europa enfrenta um verão atípico e, com isso, têm surgido mensagens “escondidas” um pouco por todo o território europeu. Desta vez, foram encontrados marcas misteriosas gravadas em pedras, que não são apenas vestígios das sociedades antigas, mas também alertas para os tempo difíceis que se aproximam.

A seca severa que atinge a Europa Central pôs a descoberto pedras antigas, que têm (estranhas) mensagens gravadas na sua superfície. Uma das pedras foi encontrada na República Checa e são vulgarmente conhecidas como “Pedras da Fome“, relevou a AP.

Normalmente, estas pedras não são visíveis pois ficam abaixo da linha de água do rio Elba, que flui através da cidade de Děčín, no norte do país. No entanto, com os níveis de água a atingir os recordes mais baixos na Europa, as rochas e as mensagens nelas gravadas ficaram novamente expostas.

Mais de uma dúzia de “Pedras da Fome” podem ser vistas na cidade, que acabam por registar os níveis mais baixos de água em séculos. Em 2013, um grupo de investigadores levou a cabo um estudo sobre as secas históricas na República Checa e descreveram estas rochas como pedras “esculpidas por anos de dificuldade e com as iniciais dos autores perdidos para a história”.

No passado, estas pedras serviam para medir os níveis das águas e, baixos níveis de água eram sinal de que tem difíceis se estavam a aproximar.

A mais antiga e famosa destas marcas, conhecida simplesmente por Hunger Rock, de acordo com o guia turístico da cidade, contém uma inscrição que data de 1616, onde se lê: “Se me vires, chora” (Wenn du mich siehst, dann weine).

Embora as inscrições legíveis mais antigas desta pedra em particular datem de 1616, existem outras rochas que já vivenciaram numerosas secas desde 1417.

Uma outra “Pedra da Fome” da Alemanha regista as condições climatéricas daquele ano de forma mais feliz: “Se voltares a ver esta pedra novamente, irás chorar, de tão superficial que as águas estavam em 1417”.

Outras há que dizem: “Nós choramos. Nós choramos. E tu vais chorar” e também “Quem me viu uma vez, chorou; Quem me vir agora vai chorar”.

As razões para estes alertas sinistros – como se soubessem o que está para vir – podem ser várias. Quando a seca e o calor chegam, significa não apenas que a colheita será má, mas também que haverá falta de comida e os preços irão subir, consequentemente.

Além disso, quando o nível das águas baixa drasticamente, o transporte fluvial torna-se mais difícil, ameaçando o sustento das famílias que vivem junto da costa.

Com o rio Elba no seu nível mais baixo em mais de meio século, a seca tem recordado também outro tipo de miséria: nesse mesmo canal têm sido encontradas bombas não detonadas da Segunda Guerra Mundial e granadas de mão, que estiveram submersas por mais de 70 anos.

Enquanto os cientistas ainda indagam com estes presságios para o futuro, a mais recente inscrição na “Pedra da Fome” encontrada na República Checa tenta, pelo menos, aliviar um pouco o clima – “Não chores, menina, não te preocupes. Quanto estiver seco, apenas pulveriza o teu campo” (Neplac holka, nenarikej, kdyz je sucho, pole strikej).

Fenómenos semelhantes têm sido relatados um pouco por toda a Europa, onde as condições atípicas e secas têm desvendado monumentos pré-históricos ou mensagens da Segunda Guerra Mundial.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
27 Agosto, 2018

(Foi corrigido 1 erro ortográfico ao texto original)

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837: Seca extrema e prolongada ditou colapso da civilização maia

Cientistas quantificaram pela primeira vez o fenómeno. Entre os anos 800 e 1000 d.C. houve entre 41% e 70% menos chuva na região. As alterações climáticas abruptas podem mesmo pôr termo a uma civilização.

Um dos templos da época áurea dos maias.
© Mark Brenner

Sabe-se que um período prolongado de secas extremas contribuiu decisivamente para que a lendária e ainda muito misteriosa civilização maia se desintegrasse completamente há cerca de um milénio. Mas um grupo internacional de cientistas deu agora um importante passo para aprofundar esse conhecimento, ao conseguir pela primeira vez quantificar a dimensão dessas secas devastadoras.

Recorrendo ao estudo dos sedimentos do lago Chichancanab na região do Iucatão, no México, onde a civilização maia floresceu, sobretudo a partir do ano 250 a.C., a equipa que reuniu cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, descobriu que ao longo de um período de cerca de dois séculos, entre os anos 800 e 1000 d.C., o regime de precipitação se alterou profundamente naquela região do mundo.

No estudo que publicam nesta quinta-feira na revista Science, os autores mostram que durante aquele curto período de 200 anos houve fases de quebras anuais entre 41% e 54%, que chegaram a défices de 70% no pico da crise da seca, enquanto o teor da humidade no ar chegou a ter valores inferiores entre 2% e 7% em relação ao clima actual. A seca extrema e prolongada acabou por ditar o abandono da região pelas populações, a que se seguiu o declínio e a falência das estruturas sociais que sustentavam o modo de vida da civilização maia.

O lago Chichancanab.
© Mark Brenner

“O papel das alterações climáticas no colapso da civilização maia tem sido de alguma forma controverso, em parte porque os estudos anteriores só tinham permitido reconstruções qualitativas do clima da época”, explica Nick Evans, investigador da universidade britânica de Cambridge e o principal autor da investigação. “O nosso estudo representa um avanço substancial, porque pela primeira vez conseguimos fazer estimativas robustas da precipitação e dos níveis de humidade [atmosférica] durante esse período”, sublinha.

O estudo acaba por demonstrar também como as alterações climáticas, produzindo um impacto profundo no equilíbrio das estruturas e das actividades de uma sociedade, podem contribuir para o seu fim.

O que os sedimentos de um lago contam

A primeira vez que os problemas relacionados com uma seca severa emergiram no contexto do declínio dos maias foi em 1995, quando o especialista em paleoclimatologia David Hodell, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, publicou um estudo sobre isso.

Mais de década e meia depois, em 2012, Martín Medina-Elizalde, do Centro de Investigações Científicas do Iucatão, no México, e Eelco Rohling, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, conseguiram ir um pouco mais além, ao analisar uma estalagmite local, designada na região com o nome de Chaac – por ironia, o mesmo do deus maia das chuvas. E o que essa estalagmite revelou foi que na fase final da sociedade maia, entre os anos de 800 e 1000 d.C, aproximadamente, as chuvas de verão sofreram quebras entre os 25% e os 40%.

Naquele monólito que se ergue do chão, no interior de uma caverna, na região, estão registados parâmetros climáticos milenares, incluindo os da pluviosidade, e foi com base nesses registos que os investigadores fizeram na altura as suas contas.

Agora a equipa de Nick Evans foi mais longe, ao analisar os isótopos dos sedimentos do lago Chichancanab. Como a equipa explica, em períodos de seca, há mais água a evaporar-se e, como os isótopos mais leves se evaporam mais depressa, os que ficam são os mais pesados.

Mapeando a proporção dos diferentes isótopos nas diferentes camadas, que representam as diferentes épocas, os investigadores conseguiram reconstituir o ciclo climático e hidrológico daqueles anos fatais de secura, que afectaram todas as actividades básicas daquela sociedade, incluindo a agricultura, cuja falência terá sido determinante para o desfecho que se conhece.

Diário de Notícias
Filomena Naves
02 Agosto 2018 — 19:00

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