2402: Há boas notícias para os astronautas sobre a radiação espacial

CIÊNCIA

NASA

Um estudo da Mortality Research & Consulting, uma consultora norte-americana, analisou a saúde de mais de 400 pessoas que estiveram no Espaço e concluiu que a exposição a radiações espaciais não aumenta a probabilidade de contraírem cancro ou doenças cardiovasculares.

O Espaço é um ambiente hostil e coloca os astronautas em contacto com altos níveis de radiação. Esta exposição pode aumentar as taxas de cancro e de doenças cardiovasculares em seres humanos.

Mas um novo estudo traz agora boas notícias: a radiação espacial não parece aumentar o risco de morte por cancro ou doença cardíaca, pelo menos não nas doses a que os astronautas são submetidos durante as missões espaciais. No entanto, missões longas podem sujeitar estes seres humanos a doses maiores de radiação que podem, consequentemente, representar maiores riscos para a sua saúde.

A verdade é que as viagens espaciais expõem o corpo a níveis altos de radiação ionizante, muito maiores do que aqueles a que estamos sujeitos aqui na Terra. Em altas doses, a radiação está ligada a cancro e a doenças cardíacas, assim como a uma série de outros problemas de saúde.

Estudos anteriores não encontraram ligações entre viagens espaciais e um aumento de risco de morte por cancro ou doenças cardíacas, mas esses estudos poderiam ter uma amostra demasiado pequena para se poder retirar uma conclusão credível, uma vez que, até hoje, muito poucas pessoas foram até ao Espaço.

A mais recente investigação analisou informações de 418 viajantes espaciais, entre eles 301 astronautas da NASA e 117 cosmonautas russos que viajaram até ao Espaço pelo menos uma vez desde 1961. Neste período de tempo, 89 dos participantes faleceram.

Entre os 53 astronautas da NASA, 30% morreram de cancro e 15% de doenças cardíacas; enquanto que entre os 36 cosmonautas russos, 50% morreu de doenças cardíacas e 28% de cancro.

Segundo o Space, os cientistas usaram uma técnica estatística especial para determinar se as mortes por cancro e doenças cardíacas tinham uma causa comum – neste caso, a radiação espacial, mas os resultados não apontaram nenhuma.

“Se a radiação ionizante está a afectar o risco de morte devido a cancro e doenças cardiovasculares, o efeito não é dramático“, escreveram os autores do artigo científico, publicado a 4 de Julho na Scientific Reports. Apesar de ser uma boa notícia para os aventureiros do Espaço, a verdade é que o estudo não pode determinar se missões mais longas representariam riscos diferentes e mais sérios.

“É importante ressalvar que futuras missões espaciais poderão sujeitar os astronautas a doses muito maiores de radiação, o que levará a um perfil de risco diferente para futuros astronautas e cosmonautas”, concluíram os cientistas. Estudos futuros “devem continuar a vigiar os astronautas por potenciais efeitos nocivos da exposição à radiação espacial”.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2019

 

2383: Super-fungo mortal pode ser a primeira infecção espalhada pelas alterações climáticas

CIÊNCIA

(dr) Legionella Control International

Há três anos, autoridades de saúde dos EUA alertaram centenas de milhares de médicos em hospitais de todo o país para estarem atentos para um novo tipo de fungo resistente a medicamentos que se espalhava rapidamente e causava infecções potencialmente fatais em pacientes hospitalizados em todo o mundo.

Candida auris tornou-se uma séria ameaça à saúde global desde que foi identificada há uma década, especialmente para pacientes com sistemas imunológicos comprometidos. Foi relatado em mais de 30 países e é provavelmente ainda mais difundido porque o organismo é difícil de identificar sem métodos laboratoriais especializados.

É resistente a vários anti-fúngicos e pode disseminar-se entre pacientes em hospitais e outras unidades de saúde e causar surtos. O fungo pode levar a infecções na corrente sanguínea, no coração ou no cérebro, e estudos iniciais estimam que seja fatal em 30 a 60% dos pacientes.

Os investigadores nunca conseguiram isolar o fungo do ambiente natural ou descobrir como versões geneticamente distintas surgiram independentemente, aproximadamente ao mesmo tempo na Índia, na África do Sul e na América do Sul.

Agora, cientistas nos EUA e na Holanda têm uma nova teoria: o aquecimento global pode ter desempenhado um papel fundamental e sugerem que este pode ser o primeiro exemplo de uma nova doença fúngica que surge da mudança climática, segundo um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Microbiologia.

As infecções fúngicas em humanos são raras. Mamíferos têm sistemas imunológicos mais avançados do que outros organismos em risco de infecções fúngicas, e a maioria dos fungos no ambiente não consegue crescer nas temperaturas do corpo humano, segundo Arturo Casadevall, um dos autores do novo estudo, que é microbiologista e imunologista na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg.

Mas como o clima ficou mais quente, os investigadores dizem que C. auris conseguiu adaptar-se, o que ajudou a replicar na temperatura do corpo humano de 37ºC. Casadevall e colegas do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas e do Westerdijk Fungal Biodiversity Institute em Utrecht, na Holanda, compararam C. auris com as suas espécies mais próximas e descobriram que o fungo mortal conseguia crescer em temperaturas mais altas.

“A coisa mais misteriosa é que Candida auris apareceu simultaneamente em três continentes diferentes e isso é muito difícil explicar”, disse Casadevall. Algo aconteceu para permitir que o organismo “borbulhe e cause doenças”, disse. “Temos de tentar pensar, qual poderia ser a causa unificadora aqui? Estas são sociedades diferentes, populações diferentes”, explicou. “Mas a única coisa que têm em comum é que o mundo está a ficar mais quente”.

Casadevall disse que o estudo fornece uma direcção para futuras investigações. “Estamos a reunir uma série de factos para explicar algo que é mistificador”, disse.

Se os cientistas pudessem encontrar o pântano ou o lago de onde veio o fungo e analisar os outros parentes próximos, os investigadores poderiam comparar como C. auris se adaptou para crescer em temperaturas mais quentes. Os cientistas alertaram que as mudanças relacionadas ao aquecimento global apenas no ambiente não explicam a emergência do fungo.

O uso generalizado de drogas antifúngicas e o uso pesado de fungicidas nas plantações são outras teorias para o surgimento do fungo.

Nos EUA, autoridades de saúde pública dizem que o fungo é um exemplo de um organismo resistente a ser importado para o país inadvertidamente por uma pessoa doente e a espalhar-se. Em Junho de 2016, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças emitiram um alerta clínico sobre o patógeno.

Dois meses depois, os sete primeiros casos nos EUA foram notificados ao CDC. Em maio de 2017, esse número aumentou para 77 e, a partir de 12 de Julho de 2019, houve 715 casos. A maioria dos casos foi detectada na área da cidade de Nova Iorque, Nova Jérsia e Chicago. Os pacientes podem ter o organismo na sua pele durante meses ou mais e o fungo resistente pode viver em superfícies durante um mês ou mais.

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Por ZAP
29 Julho, 2019

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2352: Micro-bristle-bot. O robô mais pequeno do mundo que pode vir a salvar vidas

CIÊNCIA

Do tamanho de uma formiga e mais leve que uma pitada de sal, o “micro-bristle-bot” é o robô mais pequeno do mundo pode um dia vir a salvar vidas.

Desenvolvido na Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, este robô é pequeno em tamanho, mas enorme em termos de avanços tecnológicos. Apelidado de “micro-bristle-bot”, o robô funciona através vibrações, ao contrário dos seu congéneres que trabalham a electricidade.

Uma simples coluna de som consegue fazer o minúsculo robô movimentar-se, mas não qualquer som consegue fazê-lo — é necessário um tom específico para que ele se mexa. O micro-bristle-bot consegue ser replicado através de uma impressora 3D e os seus criadores esperam criar vários, que respondam a diferentes frequências, para funcionarem quase como um carreiro de formigas.

“Estamos a trabalhar para tornar a tecnologia robusta e temos muitas aplicações potenciais em mente”, disse Azadeh Ansari, professora assistente na Escola de Engenharia Elétrica e de Computação do Instituto de Tecnologia da Geórgia. O estudo foi aceite para revisão, este mês, na revista Journal of Micromechanics and Microengineering.

Como explica o Fast Company, o software pode ser usado quase como um maestro, que emite determinados sons nos momentos certos para conseguir controlar o pequeno exército de robôs. Com dois milímetros de tamanho, esta tecnologia pode ter vários empreendimentos, agindo, por exemplo, como um sensor ambiental ou entrando no nosso corpo para reparar tecidos ou até mesmo tratar doenças.

“À medida que os micro-bristle-bots se movem para cima e para baixo, o movimento vertical é traduzido num movimento direccional, optimizando o design das pernas, que se parecem com cerdas [pêlos grossos e ásperos de certos animais, como o javali]”, explicou Ansari, citado pelo Futurity.

Ansari define que o próximo objectivo é reduzir ainda mais o tamanho dos robôs até chegar a uma escala microscópica. Por enquanto, essa meta ainda permanece algo distante, mas os engenheiros estão a trabalhar nesse sentido. “Depois de ter um micro-robô totalmente controlável, pode imaginar fazer muitas coisas interessantes”, ambicionou.

Por enquanto, ainda numa fase embrionária, o robô está longe de todas estas funcionalidades. No entanto, deixa uma esperança promissora para o futuro que se avizinha.

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22 Julho, 2019

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1526: Os smartphones podem estar a pôr em risco elementos da Tabela Periódica

(dr) University of St Andrews

Elementos químicos vitais foram incluídos numa “lista ameaçada”. A culpa, dizem os cientistas, é da mania de trocar de telemóvel cada vez que surge um modelo novo no mercado.

2019 é o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, dado que este ano se assinalam 150 anos desde que esta tabela foi criada. No entanto, vivemos num momento em que o avanço tecnológico é também uma ameaça e um risco inesperado. E tudo por causa dos telemóveis.

Os smartphones são compostos por cerca de 30 elementos químicos. A equipa de especialistas da Universidade de St Andrews, na Escócia, onde se descobriu a mais antiga tabela periódica do mundo, considera que isso tem feito aumentar as preocupações com a sua crescente escassez.

Em alguns casos, estes recursos são limitados, sobretudo aqueles localizados em áreas de conflito. Além disso, a incapacidade de reciclar os equipamentos só agrava a situação.

Cobre, ouro e prata, na composição; lítio e cobalto na bateria; alumínio, silício, oxigénio e potássio no ecrã: estes são os elementos químicos mais utilizados nos smartphones. A Visão acrescenta também que as cores brilhantes que aparecem no visor têm pequenas quantidades de outros elementos mais raros, como o ítrio, o térbio e o disprósio, que também ajudam o telemóvel a vibrar.

Este problema levou o professor emérito da Universidade de St Andrews, David Cole-Hamilton, a questionar se as pessoas têm, de facto, necessidade de mudar de telemóvel a cada dois anos. “Há uma quantidade finita de cada um destes elementos e estamos a gastar alguns tão rapidamente que certamente desaparecerão em menos de 100 anos.”

Mas, além de lançar a questão, o especialista projectou uma nova Tabela Periódica na qual deixou bem visível o grau de escassez de cada um dos elementos usados nos dispositivos electrónicos.

A nova tabela foi apresentada na terça-feira, no Parlamento Europeu, sendo que o novo design é também parte de projecto da European Chemical Society, representando mais de 160 mil químicos.

Só na União Europeia, são descartados ou substituídos cerca de 10 milhões de smartphones todos os meses.

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27 Janeiro, 2019

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952: Fim da hora de inverno “é um regresso à Idade Média” (e afecta sobretudo as crianças)

(PPD/C0) Monoar / Pixabay Mais de 4,6 milhões de pessoas participaram no inquérito

O especialista em medicina do sono Joaquim Moita avisa que o fim da hora de inverno seria preocupante sobretudo para as crianças e adolescentes, que passariam a acordar e a ir para as aulas ainda de noite.

A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, acabando com a distinção entre horário de verão e horário de inverno.

Em declarações à agência Lusa, o médico Joaquim Moita, que dirige o Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Associação Portuguesa do Sono, lembra que o cérebro humano precisa de exposição à luz solar para acordar devidamente.

“Se acabar a hora de inverno, entre os meses de Novembro e Janeiro iremos estar às 08:15 ainda com noite escura”, avisa o especialista. Ora, às 08:15 muitas das crianças e adolescentes portugueses já estão a ter aulas ou pelo menos a caminho da escola.

“O resultado não será benéfico e o desempenho cognitivo e físico podem ficar comprometidos. As crianças e os adolescentes já deviam ir bem acordados para a escola e, para acordar bem, o cérebro precisa de exposição ao sol, à luz solar”, explica.

O especialista frisa que uma das regras básicas da higiene do sono é precisamente levantar à mesma hora e procurar a exposição solar, o que pode ficar comprometido caso se acabe com a hora de inverno.

“Os mesmos problemas também se podem aplicar ao mundo do trabalho. É muito preocupante para as faixas etárias mais jovens, mas também para quem já trabalha”, indicou o especialista do sono.

Joaquim Moita julga que haveria vantagens em manter a hora de inverno e considera que as alterações entre hora de verão e hora de inverno não constituem qualquer problema médico, até porque o organismo se adapta facilmente a estas mudanças de hora.

O perito lembra que os portugueses “já dormem pouco”, considerando que o fim da hora de inverno pode ainda prejudicar mais o descanso, o número de horas de sono e a forma como se desperta.

Mudança leva os cidadãos para a Idade Média

Em igual sentido, o professor do Departamento de Física Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela (USC), Jorge Mira e o físico da Universidade de Sevilha, José María Martín Olalla, concordaram que a decisão de eliminar a mudança de hora semestral em toda a União Europeia “é um passo atrás” que “quebra a estabilidade horária na Europa”.

Para Mira, a decisão é um “passo atrás”, que leva os cidadão para o “tempo da Idade Média”, através da “imposição” de ideias de pessoas “que concebem que a Terra é plana”, reiterou o professor universitário.

Ambos os físicos concordam que a abolição da hora de inverno é um claro passo atrás.

“A razão para a mudança de hora é que o planeta gira o seu eixo de rotação desviado do eixo da órbita, de modo que a diferença entre o dia e a noite muda muito“, explicou Mira em declarações à Europa Press.

O cientista deu o exemplo concreto da Galiza, salientando que a diferença entre o dia e a noite no solstício de verão é de seis horas e 40 minutos e, “apenas três meses depois” essa diferença passa para zero horas.

Mira prosseguiu explicando que, três meses depois a diferença passa a ser de seis horas e 45 minutos a favor da noite. ” A cada três meses, temos seis horas e 45 minutos de variação e a mudança de tempo foi uma forma de atenuar um pouco essa variação, que é o posicionamento mais lógico”, concluiu.

Uma maioria “muito clara” de 84% dos cidadãos europeus pronunciaram-se a favor do fim da mudança de hora na consulta pública realizada este verão, de acordo com resultados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela Comissão Europeia.

Os resultados preliminares publicados pelo executivo comunitário revelam que os portugueses que participaram no inquérito online estão em linha com a média europeia, já que 85% também defenderam que deixe de se mudar o relógio duas vezes por ano, o que Bruxelas pretende agora implementar, com a apresentação de uma proposta legislativa. Os resultados finais serão avançados nas próximas semanas.

Naquela que foi, de forma destacada, a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde o assunto foi particularmente mediatizado, apontando a Comissão que a taxa de participação em percentagem da população nacional variou entre os 3,79% na Alemanha e os 0,02% no Reino Unido, tendo em Portugal participado no inquérito 0,33% da população.

Os resultados preliminares, acrescenta Bruxelas, “indicam também que mais de três quartos (76%) dos participantes consideram que mudar de hora duas vezes por ano é uma experiência «muito negativa» ou «negativa»”, e “como justificação do desejo de pôr fim a esta regras alegam o impacto negativo na saúde, o aumento de acidentes de viação ou a falta de poupanças de energia”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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905: Os nossos antepassados não comiam açúcar (e também tinham problemas nos dentes)

(dr) Ian Towle / Liverpool John Moores University
Dentes danificados do Australopithecus africanus

Embora a erosão dentária e as cáries nos pareçam problemas nos dentes bastante actuais, a verdade é que até os nossos antepassados sofreram com isso.

Nos dias de hoje, a erosão dentária é um dos problemas mais comuns quando falamos de problemas nos dentes. Bebidas com gás e produtos açucarados são geralmente os culpados, assim como a forma como fazemos a nossa higiene dentária.

Embora isto pareça um problema de saúde actual, uma investigação levada a cabo pelo antropólogo Ian Towle, da Liverpool John Moores University, mostra que, afinal, os seres humanos já lidam com este tipo de problema há milhões de anos.

De acordo com o Science Alert, a equipa de investigadores descobriu lesões notavelmente semelhantes às causadas pela erosão dentária actual em dois dentes da frente, com 2,5 milhões de anos, de um dos nossos antepassados: Australopithecus africanus.

Dado o tamanho e a posição das lesões, este nosso antepassado provavelmente também teve dores de dentes e sensibilidade dentária. Mas, afinal, qual será a explicação, uma vez que este indivíduo teve uma alimentação bastante diferente da que fazemos actualmente?

Segundo Towle, a erosão dentária de hoje em dia não é só influenciada pelas bebidas e comida que ingerimos, mas também frequentemente associada a uma forma agressiva de escovar os dentes. O Australopithecus africanus provavelmente também sofreu o mesmo problema por comer alimentos duros e fibrosos.

Para as lesões se formarem nos dentes analisados, este humanos teve uma dieta rica em alimentos ácidos. Mas, em vez das bebidas gaseificadas como no nosso caso, é bastante provável que tenha chegado até si na forma de frutas cítricas e vegetais ácidos.

Um desses exemplos são os tubérculos, ou seja, batatas e outros relacionados, que são duros de comer e, surpreendentemente, alguns são também ácidos, podendo ser uma das causas destas lesões.

Além disso, outro tipo de problema comum nos dias de hoje – as famosas cáries – também já foram encontradas com frequência em dentes fossilizados. Enquanto que no nosso caso está relacionado com os produtos açucarados, nos antepassados isso provavelmente acontecia por causa de certos tipos de fruta e vegetação, bem como o mel.

Para além da alimentação, a erosão dentária também pode ser causada por esfregar repetidamente ou segurar um objecto duro contra os dentes (caso disso é o erro de roer as unhas, fumar cachimbo ou segurar agulhas de costura entre os dentes).

Essas actividades normalmente levam anos para formar buracos perceptíveis nos dentes, por isso, quando estes são encontrados em dentes fossilizados, podem oferecer informações fascinantes sobre o comportamento e a cultura dos nossos antepassados.

Os melhores exemplos desse tipo de desgaste dentário pré-histórico são “ranhuras de palito”, que se pensa serem causadas pela colocação repetida de um objecto na boca, geralmente nas falhas entre os dentes posteriores.

A presença de arranhões microscópicos à volta desses buracos sugere que são exemplos da higiene dentária pré-histórica, em que o indivíduo usou instrumentos de pau ou outros para retirar restos de comida.

Alguns desses buracos são encontrados nos mesmos dentes que as cáries e outros problemas dentários, sugerindo que também podem ser sinais das pessoas a tentar aliviar as dores de dentes.

No entanto, essas lesões foram encontradas em várias espécies de hominídeos, incluindo humanos pré-históricos e neandertais, mas apenas nas espécies mais próximas a nós, não nos nossos ancestrais mais antigos.

Investigações futuras vão conseguir provar que este tipo de lesões nos nossos ancestrais era mais comum do que se pensava e, finalmente, poderão dar-nos mais informações sobre a dieta e as práticas culturais dos nossos parentes distantes, conclui Towle.

ZAP //

Por ZAP
23 Agosto, 2018

(Fora corrigidos 7 erros ortográficos ao texto original)

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722: Poluição do ar já provocou 3,2 milhões de novos casos de diabetes

(CC0/PD) Foto-Rabe / pixabay

Segundo um estudo da Washington University School of Medicine, de St. Louis, nos Estados Unidos, um em cada sete novos casos de diabetes é causado pela poluição do ar.

Os autores desta investigação acreditam que “a poluição reduz a produção de insulina e provoca inflamações, impedindo o corpo de transformar a glicose do sangue em energia”. O elo entre a doença e a falta de ar puro já tinha sido desenvolvido por estudos anteriores.

A estimativa de 14%, isto é, um em cada sete casos, é baseada em dados médicos de 1,7 milhão de ex-combatentes americanos, acompanhados durante oito anos e meio e escolhidos por não terem diabetes no começo deste estudo. O artigo científico foi publicado dia 29 de Junho, na revista Lancet Planetary Health.

Os investigadores envolvidos no estudo estabeleceram um modelo estatístico para observar de que forma a poluição do ar poderia explicar a aparição desta doença, não esquecendo os factores que favorecem a diabetes, como a obesidade.

“A nossa investigação demonstra um elo significativo entre poluição do ar e a diabetes no mundo”, afirmou em comunicado o professor de medicina Ziyad Al-Aly. “É importante ressaltar este facto porque muitos lobbies económicos afirmam que os limites de poluentes na atmosfera são muito baixos.”

No entanto, sublinha o investigador, “temos provas de que os níveis actuais ainda devem ser reduzidos“.

Países que não respeitam os limites impostos, como a Índia, o Afeganistão e a Guiana, apresentam maior taxa de diabetes decorrente da poluição do ar. No lado oposto, há menos casos deste tipo da doença em nações mais endinheiradas como a França, a Finlândia e a Islândia.

A diabetes é uma das doenças que apresenta um enorme crescimento nas últimas décadas, com mais de 420 milhões de pessoas afectadas em todo o mundo. Além da poluição, a genética, a alimentação e o estilo de vida sedentários são os principais factores associados à aparição da doença.

ZAP // Ciberia / RFI / WUSTL

Por ZAP
3 Julho, 2018

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