5380: Hubble vê a mudança das estações em Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/HUBBLE

Imagens pelo Telescópio Espacial Hubble de Saturno obtidas em 2018, 2019 e 2020, à medida que o verão no norte hemisfério do planeta transita para outono.
Crédito: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth

Imagens pelo Telescópio Espacial Hubble de Saturno obtidas em 2018, 2019 e 2020, à medida que o verão no norte hemisfério do planeta transita para outono. Crédito: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth

O Telescópio Espacial Hubble da NASA está a dar aos astrónomos uma visão das mudanças na vasta e turbulenta atmosfera de Saturno à medida que o verão no hemisfério norte do planeta transita para outono, conforme mostrado nesta série de imagens obtidas em 2018, 2019 e 2020 (da esquerda para a direita).

“Estas pequenas mudanças anuais nas bandas coloridas de Saturno são fascinantes,” disse Amy Simon, cientista planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “À medida que Saturno se move em direcção ao outono no seu hemisfério norte, vemos as regiões polares e equatoriais a mudar, mas também vemos que a atmosfera varia em escalas de tempo muito mais curtas.” Simon é a autora principal de um artigo sobre estas observações publicado dia 11 de Março na revista The Planetary Science Journal.

“O que descobrimos foi uma ligeira mudança na cor de um ano para o outro, possivelmente na altura das nuvens e nos ventos – não é surpreendente que as mudanças não sejam enormes, pois estamos a olhar apenas para uma pequena fracção do ano de Saturno,” acrescentou Simon. “Esperamos grandes mudanças numa escala de tempo sazonal, de modo que isto está a mostrar a progressão em direcção à próxima estação.”

Os dados do Hubble mostram que de 2018 a 2020 o equador ficou 5 a 10% mais brilhante e os ventos mudaram ligeiramente. Em 2018, os ventos medidos perto do equador eram de cerca de 1600 quilómetros por hora, maiores do que aqueles medidos pela sonda Cassini da NASA durante 2004-2009, quando rondavam os 1300 km/h. Em 2019 e 2020 diminuíram de volta para as velocidades da Cassini. Os ventos de Saturno também variam com a altitude, de modo que a mudança nas velocidades medidas pode significar que as nuvens em 2018 estavam cerca de 60 quilómetros mais profundas do que as medidas durante a missão Cassini. Outras observações são necessárias para saber o que está a acontecer.

Saturno é o sexto planeta a contar do Sol e orbita a uma distância de mais ou menos 1,4 mil milhões de quilómetros da nossa estrela. Demora cerca de 29 anos terrestres a completar uma órbita, fazendo com que cada estação de Saturno tenha mais de sete anos terrestres. A Terra está inclinada em relação ao Sol, o que altera a quantidade de luz solar que cada hemisfério recebe à medida que o nosso planeta se move na sua órbita. Esta variação na energia solar é o que impulsiona as nossas mudanças sazonais. Saturno também está inclinado, de modo que à medida que as estações mudam naquele mundo distante, a mudança na luz solar pode estar a provocar algumas das suas alterações observadas.

Como Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, Saturno é um “gigante gasoso” feito principalmente de hidrogénio e hélio, embora possa haver um núcleo rochoso bem no interior. Tempestades enormes, algumas quase tão grandes quanto a Terra, ocasionalmente surgem das profundezas da atmosfera. Como muitos dos planetas descobertos em torno de outras estrelas também são gigantes gasosos, os astrónomos anseiam aprender mais sobre como funcionam as suas atmosferas.

Saturno é o segundo maior planeta do Sistema Solar, com mais de 9 vezes o diâmetro da Terra, com mais de 50 luas e um sistema espectacular de anéis composto principalmente de água gelada. Duas destas luas, Titã e Encélado, parecem ter oceanos sob as suas crostas geladas que podem sustentar vida. Titã, a maior lua de Saturno, é a única lua no nosso Sistema Solar com uma atmosfera espessa, incluindo nuvens que fazem chover metano líquido e outros hidrocarbonetos até à superfície, formando rios, lagos e mares. Pensa-se que esta mistura de substâncias químicas seja semelhante à da Terra há milhares de milhões de anos, quando a vida surgiu. A missão Dragonfly da NASA sobrevoará a superfície de Titã, pousando em vários locais para procurar os blocos de construção primordiais da vida.

As observações de Saturno fazem parte do programa OPAL (Outer Planets Atmospheres Legacy) do Hubble. “O programa OPAL permite-nos observar cada um dos planetas exteriores com o Hubble todos os anos, permitindo novas descobertas e observando como cada planeta está a mudar ao longo do tempo,” disse Simon, investigadora principal do OPAL.

Astronomia On-line
23 de Março de 2021


5379: A maior cratera de Titã pode ser o berço perfeito para abrigar vida extraterrestre

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA/SATURNO

NASA / JPL / Space Science Institute

A maior cratera de Titã, uma das mais promissores luas de Saturno, pode ser o berço perfeito para abrigar vida extraterrestre, segundo um novo estudo cujos resultados foram apresentados na Lunar and Planetary Science Conference, que decorreu nos Estados Unidos.

A comunidade científica anda há muito atenta a Titã, a maior lua de Saturno, tendo em vista a tão procurada vida extraterrestre. A nova investigação vem reforçar estudos anteriores que consideram este satélite natural promissor.

A superfície dr Titã é coberta por hidrocarbonetos orgânicos e acredita-se que exista um oceano líquido a 100 quilómetros abaixo da sua crosta gelada.

Depois de levar a cabo uma série de simulações, a equipa de especialistas concluiu que um asteróide ou cometa poderá ter caído em Titã, misturando estes dois ingredientes, num fenómeno que poderá ter produzido “uma sopa primordial para gerar vida”, tal como explicou o geólogo planetário Álvaro Penteado Crósta, citado pelo portal Science.

De acordo com os cientistas, o calor do impacto terá derretido o gelo, criando um lago na cratera que permaneceu líquido durante um milhão de anos antes de a água voltar a congelar por causa das baixas temperaturas de Titã.

Esta janela de tempo, acredita a equipa, pode ter sido suficiente para que os micróbios tivessem evoluído, aproveitando a água líquida, as molécula orgânicas e o calor do impacto. “Esta situação é muito boa para as bactérias”, explicou a equipa.

Apesar de os resultados serem animadores, existem outros investigadores, como Elizabeth Turtle, chefe da missão Dragonfly no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que reiteram que não há ainda “evidências sólidas” que validem este cenário. A missão, que voará rumo a Titã em breve, poderá, contudo, ajudar a resolver a questão, dando força a esta hipótese ou descartando-a.

A procura continua.

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ZAP ZAP //

Por ZAP
23 Março, 2021


5104: Sonda da NASA encontrou uma substância misteriosa numa lua de Saturno (e já se sabe o que é)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Space Science Institute / JPL / NASA

Quando a sonda espacial Cassini da NASA passou pela segunda maior lua de Saturno antes do fim da sua missão em 2017, avistou um estranho complexo. Agora, uma equipa de cientistas pode ter desvendado o mistério.

Entre 2004 e 2017, a sonda Cassini estudou Saturno e as suas luas, proporcionando descobertas sem precedentes sobre o sistema deste gigante gasoso. Ao sobrevoar a lua Reia para analisar a sua composição, a sonda descobriu uma substância misteriosa na sua superfície.

Enquanto a Cassini passava pelas luas de Saturno, examinou a luz do sol a reflectir nas suas superfícies para determinar de que eram feitas. Em Reia, assim como em várias outras luas, algo na superfície absorveu uma parte dessa luz na faixa ultravioleta do espectro.

“Percebemos que havia uma queda no espectro e perguntámo-nos o que era, mas especulamos que poderia ser algum tipo de gelo de água”, disse Amanda Hendrix, do Planetary Science Institute, em declarações ao NewScientist. “Ficámos intrigados com o que era durante muito tempo.”

Agora, a equipa de investigadores que analisou os dados da missão Cassini acredita ter desvendado este mistério da lua Reia. Em laboratório, os cientistas observaram a forma como a luz reflectia em vários compostos e descobriram dois que pareciam coincidir com o que a Cassini viu: hidrazina e cloro.

Embora qualquer um deles possa ser compatível com as observações da Cassini, é difícil encontrar uma forma de o cloro ser produzido na superfície de Reia. Assim, a equipa  suspeita que a substância seja hidrazina, um composto usado como combustível para foguetes.

A hidrazina pode ser produzida em reacções entre produtos químicos que se sabe que existem na lua gelada. Além disso, também pode flutuar da atmosfera da lua vizinha, Titã.

Mesmo que a Cassini usasse hidrazina como combustível, os seus propulsores nunca foram disparados perto de Reia, por isso os investigadores estão confiantes de que não veio da sonda.

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“Esta é uma possível explicação para o recurso em Reia, mas ainda temos trabalho a fazer para descobrir por que ocorre em outras luas”, explicou Hendrix. “Esta é uma pista para algum processo que está a acontecer em todo o sistema de Saturno e provavelmente noutros lugares também.”

Lançada em Outubro de 1997 pela NASA, a missão Cassini-Hyugens contou com duas sondas para investigar Saturno e as suas luas. Enquanto a sonda Hyugens seguiu viagem para Titã, a Cassini alcançou a órbita de Saturno em 2004, proporcionando informações e imagens do gigante e dos seus anéis.

Apesar de ter duração estimada de quatro anos, a Cassini tinha combustível suficiente para continuar em acção até 2017, quando mergulhou na atmosfera de Saturno e encerrou as suas actividades.

Este estudo foi publicado em Janeiro na revista científica Science Advances.

Por Maria Campos
11 Fevereiro, 2021


5043: Astrónomos estimam que o maior mar de Titã tem 300 metros de profundidade

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de Kraken Mare, o maior mar de metano líquido da lua de Saturno, Titã.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa John Glenn

Bem abaixo do véu atmosférico gasoso da maior lua de Saturno, Titã, está Kraken Mare, um mar de metano líquido. Astrónomos de Cornell estimaram que o mar tem pelo menos 300 metros de profundidade perto do seu centro – espaço suficiente para um potencial submarino robótico explorar.

Depois de examinar os dados de um dos voos finais da missão Cassini por Titã, os investigadores publicaram os seus achados num artigo da edição de 4 de Dezembro de 2020 da revista Journal of Geophysical Research.

“A profundidade e a composição de cada um dos mares de Titã já foram medidas, excepto as do maior mar de Titã, Kraken Mare – que não só tem um grande nome, como também contém cerca de 80% do líquido à superfície da lua,” disse o autor principal Valeiro Poggiali, investigador associado do CCAPS (Cornell Center for Astrophysics and Planetary Science).

A cerca de 1,6 mil milhões de quilómetros da Terra, a frígida lua Titã está envolta numa névoa dourada de azoto gasoso. Mas, espiando por entre as nuvens, a paisagem lunar tem uma aparência semelhante à da Terra, com rios, lagos e mares de metano líquido.

De facto, os dados desta descoberta foram recolhidos pelo “flyby” T104 da Cassini por Titã no dia 21 de Agosto de 2014. O radar da espaço-nave analisou Ligeia Mare – um mar mais pequeno na região polar norte da lua – à procura do misterioso desaparecimento e reaparecimento da “Ilha Mágica”, uma descoberta anterior de Cornell.

Enquanto a Cassini viajava a 21.000 km/h quase a 1000 acima da superfície de Titã, a sonda usava o seu altímetro de radar para medir a profundidade do líquido em Kraken Mare e em Moray Sinus, um estuário localizado na extremidade norte do mar. Os cientistas de Cornell, juntamente com engenheiros do JPL da NASA, descobriram como discernir a batimetria (profundidade) do lago e do mar observando as diferenças de tempo de retorno do radar na superfície do líquido e no fundo do mar, bem como a composição do mar, reconhecendo a quantidade de energia de radar absorvida durante o trânsito pelo líquido.

Ora parece que Moray Sinus tem cerca de 85 metros de profundidade, mais raso do que as profundidades do centro de Kraken Mare, que era demasiado profundo para o radar medir. Surpreendentemente, a composição do líquido, principalmente uma mistura de etano e metano, era dominada pelo metano e semelhante à composição do vizinho Ligeia Mare, o segundo maior mar de Titã.

Cientistas anteriores especularam que Kraken pode ser mais rico em etano, tanto por causa do seu tamanho quanto por causa da sua extensão para as latitudes mais baixas da lua. A observação de que a composição do líquido não é muito diferente da dos outros mares do norte é uma descoberta importante que ajudará na avaliação de modelos do sistema hidrológico de Titã, semelhante ao da Terra.

Além de profundo, Kraken Mare é também imenso – quase do tamanho de todos os cinco Grandes Lagos da América do Norte juntos.

Titã representa um ambiente modelo de uma possível atmosfera da Terra primitiva, disse Poggiali.

“Neste contexto,” disse, “é importante entender a profundidade e a composição de Kraken Mare e Moray Sinus porque permite uma avaliação mais precisa da hidrologia do metano de Titã. Ainda assim, temos que resolver muitos mistérios.”

Um desses puzzles é a origem do metano líquido. A luz solar que Titã recebe – cerca de 100 vezes menos intensa do que na Terra – converte constantemente o metano da atmosfera em etano; em períodos de aproximadamente 10 milhões de anos, este processo esgotaria completamente o “stock” da superfície de Titã, salientou Poggiali.

No futuro distante, um submarino – provavelmente sem motor mecânico – visitará e navegará por Kraken Mare.

“Graças às nossas medições,” disse, “os cientistas podem agora inferir a densidade do líquido com maior precisão e, consequentemente, calibrar com mais eficácia o sonar a bordo do submarino e compreender os fluxos direccionais do mar.”

Astronomia On-line
2 de Fevereiro de 2021


5017: O maior mar de Titã terá mais de 300 metros de profundidade. É convidativo o suficiente para um submarino

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL / Space Science Institute

O maior mar de Titã, a maior e uma das mais promissoras luas de Saturno para a procura de vida alienígena, tem pelo menos 300 metros de profundidade perto do seu centro, segundo estimativas de astrónomos da Universidade de Cornell.

Em causa está Kraken Mare, que, além das suas generosas dimensões que o tornam o maior mar deste satélite natural, parece ser também bastante profundo – o suficiente para um potencial submarino robótico o conseguir explorar.

Trata-se de um enorme mar de metano líquido, característica que o torna mais apetecível na procura de vida extraterrestre, numa “corrida” onde Titã e Encélado, outras das luas de Saturno, são considerados mundos bastante promissores.

“A profundidade e a composição de cada um dos mares de Titã já foram medidas, à excepção do maior mar de Titã, Kraken Mare – que não só tem um óptimo nome, como também contém 80% dos líquidos da superfície da lua”, disse Valerio Poggiali, co-autor do novo estudo, cujos resultados foram publicados no Journal of Geophysical Research.

Os cientistas estimaram que Kraken Mare tem 300 metros de profundidade, enquanto Moray Sinus, outros dos mares de Titã, tem cerca de 85 metros de profundidade.

Em comunicado, a equipa precisa que as estimativas têm por base dados recolhidos a 21 de Agosto de 2014 pela já “aposentada” sonda Cassini, da agência espacial norte-americana (NASA), durante o sobrevoo final sobre Titã.

As medições foram levadas a cabo a uma altitude de quase mil quilómetros acima da superfície de Titã, quando a sonda Cassini orbitava o satélite natural a 21 mil quilómetros por hora, e basearam-se na quantidade de energia de radar absorvida durante o retorno do seu sinal através de um líquido.

Além da profundidade, os cientistas também puderam confirmar que Kraken Mare é realmente imenso: atinge as dimensões dos cinco Great Lakes combinados.

De acordo com Poggiali, Titã, o único satélite como atmosfera densa, representa um ambiente modelo de uma possível atmosfera da Terra primitiva.

Neste contexto, sustentou o cientista da Universidade de Cornell, “entender a profundidade a composição de Kraken Mare e Moray Sinus é importante, uma vez que permite uma avaliação mais precisa da hidrologia de metano em Titã“.

“Ainda assim”, continuou, “há ainda muitos mistérios para resolver”, um dos quais passa por perceber a origem do metano líquido de Kraken Mare.

Ainda segundo o especialista, num futuro ainda distante, um submarino, provavelmente sem motor mecânico, navegará por Kraken Mare. “Graças às nossas medições, os cientistas podem inferir a densidade do líquido com maior precisão e, consequentemente, calibrar melhor o sonar a bordo do navio e compreender os fluxos direccionais do mar”.

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Sara Silva Alves, ZAP //

Por Sara Silva Alves
29 Janeiro, 2021


4990: Inclinação de Saturno provocada pelas suas luas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da migração de Titã e da inclinação de Saturno.
Crédito: Coline Saillenfest/IMCCE

Dois cientistas do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) e da Universidade Sorbonne que trabalham no Instituto de Mecânica Celeste e de Cálculo de Efemérides (Observatório de Paris/CNRS) acabam de mostrar que a influência dos satélites de Saturno pode explicar a inclinação do eixo de rotação do gigante gasoso. O seu trabalho, publicado dia 18 de Janeiro de 2021 na revista Nature Astronomy, também prevê que a inclinação vai aumentar ainda mais nos próximos milhares de milhões de anos.

Mais ou menos como David contra Golias, parece que a inclinação de Saturno pode na verdade ser provocada pelas suas luas. Esta é a conclusão de um trabalho recente realizado por cientistas do CNRS, da Universidade Sorbonne e da Universidade de Pisa, que mostra que a actual inclinação do eixo de rotação de Saturno é provocada pela migração dos seus satélites e, principalmente, da sua maior lua, Titã.

Observações recentes mostraram que Titã e as outras luas estão a afastar-se gradualmente de Saturno muito mais depressa do que os astrónomos haviam estimado anteriormente. Ao incorporar este ritmo mais elevado de migração nos seus cálculos, os investigadores concluíram que este processo afecta a inclinação do eixo de rotação de Saturno: à medida que os seus satélites se afastam, o planeta inclina-se cada vez mais.

Pensa-se que o evento decisivo que inclinou Saturno ocorreu há relativamente pouco tempo. Durante mais de 3 mil milhões de anos após a sua formação, o eixo de rotação de Saturno permaneceu apenas ligeiramente inclinado. Foi apenas há cerca de mil milhões de anos que o movimento gradual dos seus satélites desencadeou um fenómeno de ressonância que continua até hoje: o eixo de Saturno interagiu com o percurso do planeta Neptuno e inclinou-se gradualmente até atingir a inclinação de 27º observada hoje.

Estas descobertas questionam cenários anteriores. Os astrónomos já estavam de acordo sobre a existência desta ressonância. No entanto, pensavam que tinha ocorrido muito cedo, há mais de 4 mil milhões de anos, devido a uma mudança na órbita de Neptuno. Pensava-se que desde aquela época o eixo de Saturno estava estável. De facto, o eixo de Saturno está ainda a inclinar-se, e o que vemos hoje é apenas um estágio de transição nesta mudança. Ao longo dos próximos milhares de milhões de anos, a inclinação do eixo de Saturno pode mais que duplicar.

A equipa de investigação já havia chegado a conclusões semelhantes sobre o planeta Júpiter, que deverá sofrer inclinações comparáveis devido à migração das suas quatro principais luas e à ressonância com a órbita de Úrano: nos próximos cinco mil milhões de anos, a inclinação do eixo de Júpiter poderá aumentar de 3º para mais de 30º.

Astronomia On-line
22 de Janeiro de 2021


4852: Um cardápio metabólico variado pode sustentar vida em Encélado

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA

NASA / JPL-Caltech
Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

Um cardápio metabólico variado pode sustentar uma comunidade microbiana potencialmente diversa no oceano de Encélado, a sexta maior lua de Saturno e um dos corpos mais promissores para a procura de vida além da Terra.

Cientistas do Southwest Research Institute (SwRI), sediado no estado norte-americano do Texas, avançaram com esta hipótese depois de terem modelado processos químicos no oceano subterrâneo de água líquida de Encélado, recorrendo a dados da já “aposentada” sonda Cassini da agência espacial norte-americana (NASA).

Em comunicado, a equipa explica que antes de sair de órbita, em Setembro de 2017, Cassini encontrou hidrogénio molecular – uma potencial fonte de alimentos para micróbios – a sair das fendas da superfície gelada da lua de Saturno.

A nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Icarus, procurou explorar outras eventuais fontes de energia.

“Questionamos se outros tipos de vias metabólicas também poderiam fornecer fontes de energia no oceano de Encélado”, começou por explicar Christine Ray, autora principal do estudo, que trabalha em part-time no SwRI enquanto completa o seu doutoramento em Física pela Universidade do Texas.

“Como exigiria um conjunto de diferentes oxidantes que ainda não detectamos na pluma de Encélado, recorremos à modelagem química para determinar se as condições no oceano e no núcleo rochoso [da lua] poderiam suportar esses processos químicos”, continuou.

De acordo com Ray, os resultados da modelagem química foram promissores.

“Comparamos as nossas estimativas de energia livre com os ecossistema da Terra e determinamos que, de forma geral, os nossos valores para os metabolismos aeróbico e anaeróbio cumprem ou excedem os requisitos mínimos“.

“Estes resultados indicam que a produção de oxidante e a química de oxidação podem contribuir para apoiar a eventual existência de vida e uma comunidade microbiana metabolicamente diversa em Encélado”, concretizou.

A comunidade científica, e os astro-biólogos em particular, há muito que olham para Encélado, um dos mundos mais promissores para encontrar vida.

A nova investigação dá força a outras anteriormente publicadas que destacam as condições potencialmente favoráveis à existência de vida neste satélite natural: há estudos que frisam que o seu oceano líquido pode ser um “banquete” para a vida extraterrestre, havendo outros que referem que este mundo tem a idade perfeita para ser habitável.

Este novo estudo é mais um passo para entender como é que uma pequena lua pode sustentar vida de formas que excedem completamente as nossas expectativas!“, rematou a autora principal do estudo.

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Sara Silva Alves, ZAP //

Por Sara Silva Alves
22 Dezembro, 2020


4844: Maior alinhamento de Júpiter e Saturno acontece esta segunda-feira

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O fenómeno acontece a cada 20 anos, mas os planetas Júpiter e Saturno já não estavam tão próximos desde 1623. Tal conjugação irá já acontecer esta segunda-feira e será visível a partir dos Açores, garante o Observatório Astronómico de Santana – Açores (OASA).

Vai ser possível observar o fenómeno com um telescópio, binóculos “de brincar” e até a “olho nu”.

Poderá ser possível ver a conjugação de Júpiter e Saturno a “olho nu”

Com a aproximação ao Natal, e no dia do solstício de inverno, este alinhamento reveste-se de especial relevância, já que há quem o compare com a estrela que guiou os Reis Magos. Para observar tal fenómeno, o ideal será usar um telescópio, mas “a olho nu” e “num céu com muito pouca poluição luminosa e numa noite com boas condições meteorológicas, vai ser possível ver os dois planetas tão juntos que vai parecer apenas um”, revela Pedro Garcia, técnico de comunicação do OASA.

Também uns binóculos, que “até podem ser daqueles de brincar”, podem ajudar. “Se os binóculos tiverem alguma dimensão, 50×70, vão já conseguir ver as luas de Júpiter e perceber que Saturno tem umas ‘orelhas’, que são os anéis”, garante o técnico.

Há 20 anos, em 2000, “estes dois planetas estiveram muito perto, ao ponto que conseguíamos pôr um dedo mindinho entre os dois, que é mais ou menos um grau no céu. Desta vez, se pusermos um dedo mindinho, vamos conseguir tapar os dois planetas, o que quer dizer que é mesmo, mesmo, muito próximo”.

Face à pandemia, o OASA não irá abrir portas, devido às restrições impostas. No entanto, o responsável deixa algumas sugestões para quem quiser observar o alinhamento. O fenómeno acontece por volta das 17:30 nos Açores (18:30 em Portugal continental), mas Pedro Garcia aconselha a que se comece a acompanhar o fenómeno a partir das 15:30 (16:30 em Lisboa). “A partir das 19:00, os objectos (planetas) já estarão a tocar no horizonte e vão desaparecer ao longo da noite”.

Quanto à sua posição, “o objecto vai ser visto a sudoeste. Depois de o sol se pôr, mais ou menos na mesma posição”, adianta.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
20 Dez 2020


4775: Cientistas descobrem nova forma de medir a turbulência de grandes planetas e exoplanetas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os remoinhos e as faixas onduladas de Júpiter e Saturno podem fazer lembrar uma noite estrelada e calma, mas estas características revelam que os dois gigantes são lugares tempestuosos e turbulentos. Agora, é possível medir a turbulência destes planetas.

A turbulência produz uma transferência não linear de energia entre diferentes escalas de movimento, sendo que estas são tão fundamentais para a compreensão da dinâmica planetária quanto o sistema cardiovascular para a compreensão do corpo humano.

Contudo, até agora, os cientistas não tinham conseguido obter uma maneira fiável de quantificar a turbulência planetária. Uma equipa liderada por cientistas da Universidade de Roma, conseguiu então medir a turbulência dos planetas e descreveu esse processo no estudo publicado na AGU.

Segundo o Phys, os resultados mostram que a taxa de transferência de energia da turbulência pode ser calculada com relativa facilidade a partir de uma variável relacionada à rotação planetária e conhecida como vorticidade potencial.

A ideia foi desenvolvida e testada nas experiências realizadas na Universidade de Roma. O método foi confirmado através do uso de dados de velocidade real extraídos de imagens do movimento das nuvens de Júpiter capturadas pela missão Cassini, e de simulações de computador no caso de Saturno.

Com base nos cálculos da vorticidade potencial, a equipa mostrou pela primeira vez que a taxa de transferência de energia na atmosfera de Júpiter é quatro vezes maior do que na de Saturno.

Como refere o estudo, uma vez que as leis da turbulência são universais, o novo método pode agora ser aplicado a outros ambientes naturais como o oceano. Remoinhos no oceano, que se parecem com os remoinhos de Júpiter, por exemplo, vêm em diferentes intensidades, tamanhos e durações e são essenciais para a compreensão dos equilíbrios de energia, calor, sal, dióxido de carbono da Terra e muito mais.

“Esta é a primeira estimativa do poder turbulento de Saturno a partir de observações. Este estudo abre caminho a futuras análises de dados em outras atmosferas planetárias”, refere o autor principal Simon Cabanes.

ZAP //

Por ZAP
7 Dezembro, 2020


A estrela de Natal? Júpiter e Saturno vão formar o primeiro “planeta duplo” visível em quase 800 anos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Desde 1226 que os dois maiores planetas do sistema solar não estão tão próximos um do outro quanto vão estar a 21 de Dezembro

Vistos a partir da Terra, Júpiter e Saturno poderão parecer distantes, mas os dois planetas vão chegar tão perto um do outro que poderão parecer sobrepostos, criando uma espécie de “planeta duplo” que não era visível desde a Idade Média.

Este evento astronómico em que dois objectos se alinham no céu é conhecido como “conjunção”. Mas ​​​é chamado de “grande conjunção” quando envolve precisamente Júpiter e Saturno, os dois maiores planetas do sistema solar. Também conhecido, popularmente, como Estrela da Natividade ou Estrela de Belém.

Em 1614, o astrónomo alemão Johannes Kepler sugeriu que pode ter sido uma conjunção de Júpiter e Saturno a motivar as referências bíblicas à “Estrela de Belém”, na história da natividade.

Outras correntes, no entanto, sugerem os Três Reis Magos poderiam ter seguido uma conjunção tripla de Júpiter, Saturno e Vénus ou mesmo um cometa para visitar o menino Jesus.

Agora, esta grande conjunção “vai ser possível de ver a olho nu. Não precisa de ser observada com instrumentos sofisticados”, disse ao The Washington Post Michael Brown, astrónomo da Universidade de Monash, na Austrália.

A 21 de Dezembro, os dois planetas estarão separados por 0,1 graus no campo visual, mas na verdade vão estar distantes cerca de 724 milhões de quilómetros no espaço

Atendendo ao ritmo das suas órbitas – Júpiter leva cerca de 12 anos terrestres a dar uma volta ao Sol em comparação com os 30 de Saturno -, os dois planetas ficam alinhados aproximadamente uma vez em cada duas décadas.

No entanto, cada órbita tem uma inclinação ligeiramente diferente, o que faz com que conjunções com distâncias tão curtas como a prevista para dia 21 sejam raras. Segundo Brown, a última vez que foi possível ver Saturno e Júpiter próximos o suficiente para criar o “planeta duplo” foi em Março de 1226. Também estiveram próximos em 1623, mas o fenómeno foi impossível de observar devido ao brilho do Sol.

Ainda assim, não será preciso esperar mais oito séculos para ver outro “planeta duplo”, uma vez que a próxima conjunção será visível em 2080, de acordo com projecções de um astrónomo da Rice University, Patrick Hartigan.

Contudo, esta será uma oportunidade única para uma geração de astrónomos.

Diário de Notícias
DN
05 Dezembro 2020 — 00:34


4706: Mesmo a tempo do Natal: Júpiter e Saturno vão parecer um planeta duplo pela primeira vez desde a Idade Média

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Animação que mostra os planetas Júpiter e Saturno a aproximarem-se um do outro. Cada “frame” corresponde a um dia, entre 6 de Dezembro e 31 de Dezembro. O pico da conjunção ocorre na noite de 21 de Dezembro. Dia 17 a Lua passa a menos de 8º do par planetário, sendo também uma boa oportunidade para astro-fotografia.
Crédito: Miguel Montes, Starry Night Pro Plus

Logo após o pôr-do-Sol, na noite de 21 de Dezembro, Júpiter e Saturno aparecerão mais próximos no céu nocturno da Terra do que desde a Idade Média, fornecendo às pessoas de todo o mundo um espectáculo celeste para celebrar o solstício de inverno.

Os alinhamentos entre estes dois planetas são bastante raros, ocorrendo uma vez a cada mais ou menos 20 anos, mas esta conjunção é excepcionalmente rara devido à pequena distância que separa os astros. Teríamos que voltar até um pouco antes do amanhecer de 4 de Março de 1226 para ver um alinhamento ainda mais íntimo entre estes objectos visíveis no céu nocturno.

Júpiter e Saturno têm vindo a aproximar-se um do outro a partir do ponto de vista do céu da Terra desde o verão. De 16 a 25 de Dezembro, os dois estarão separados por menos do que o diâmetro de uma Lua Cheia.

Na noite da maior aproximação, 21 de Dezembro, parecerão à vista desarmada um planeta duplo, separados por apenas 1/5 do diâmetro da Lua Cheia. Para a maioria dos observadores com telescópios, naquela noite cada planeta e várias das suas maiores luas estarão visíveis no mesmo campo de visão.

Embora as melhores condições de observação sejam próximo do equador, o evento será observável em qualquer lugar da Terra, caso a meteorologia o permita. A dupla planetária aparecerá baixa no céu a oeste cerca de uma hora depois do pôr-do-Sol a cada noite.

Quanto mais para norte estiver o observador, menos tempo terá para ter um vislumbre da conjunção antes que os planetas se desloquem para trás do horizonte. Felizmente, os planetas serão brilhantes o suficiente para serem observados ao crepúsculo.

Para Faro, por exemplo, a conjunção estará apenas 13º acima do horizonte aproximadamente uma hora depois do pôr-do-Sol (pelas 18:15). Será possível observá-los caso o tempo o permita e caso tenha uma vista desimpedida do horizonte a sudoeste.

Aqueles que preferirem esperar e ver Júpiter e Saturno tão próximos um do outro novamente, mas mais altos no céu, terão que aguardar até ao dia 15 de Março de 2080. Depois dessa data, o par só fará uma aparição idêntica algum tempo depois do ano 2400.

Astronomia On-line
24 de Novembro de 2020


4704: Júpiter e Saturno vão unir-se no céu como um “planeta duplo” pela primeira vez desde a Idade Média

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Júpiter e Saturno vão “unir-se” no céu, no próximo mês de Dezembro, como um “planeta duplo” pela primeira vez desde a Idade Média.

Estes gigantes do Sistema Solar estão actualmente muito próximos quando vistos da Terra e, logo após o pôr-do-sol de 21 de Dezembro, data do solstício do Inverno, estes mundos vão praticamente “colidir”, transformando-se num ponto de luz super-brilhante.

Os dois maiores planetas do Sistema Solar, presentes no céu nocturno há meses, parecem estar agora mais próximos um do outro do que já estiveram desde a Idade Média.

Se as condições climáticas permitirem, o evento astronómico poderá ser observado à noite a partir de qualquer lugar do planeta, apesar de a visibilidade para o fenómeno ser melhor perto do equador, escreve o portal Phys.org.

“Os alinhamentos entre estes dois planetas são bastante raros, ocorrem uma vez a cada 20 ou mais anos, mas esta conjunção é excepcionalmente rara devido à proximidade dos planetas”, explicou Patrick Hartigan, astrónomo da Rice University.

“Teríamos de recuar um pouco antes do nascer do Sol a 4 de Março de 1226 para encontrar um alinhamento mais próximo entre estes dois objectos visíveis no céu nocturno”.

“Na noite de maior aproximação, a 21 de Dezembro, [estes dois planetas] vão parecer-se com um planeta duplo, separados apenas por um quinto do diâmetro da Lua cheia“.

De acordo com o especialista, os planetas voltarão a estar tão próximos a 15 de Março de 2080 e depois no ano de 2400.

ZAP //

Por ZAP
24 Novembro, 2020


4540: Viagens expresso no Sistema Solar. Nave espacial pode chegar a Titã em apenas 2 anos

CIÊNCIA/ESPAÇO/SATURNO

tombud / Pixabay

Uma equipa de cientistas está a trabalhar num propulsor de nave espacial que, segundo eles, poderia alcançar a misteriosa lua de Saturno, Titã, em menos da metade do tempo que o satélite Cassini demoraria.

Apesar de sua difícil transição para uma fonte de energia confiável, as reacções nucleares que fornecem energia ao sol têm uma ampla variedade de usos noutros campos. O mais óbvio está nas armas, onde as bombas de hidrogénio são até hoje as armas mais poderosas que já produzimos. Porém, há outro uso que é muito menos destrutivo.

De acordo com o Universe Today, o conceito de unidade de fusão, chamada unidade de fusão directa (ou DFD), está em desenvolvimento no Princeton Plasma Physics Laboratory (PPPL).

Cientistas e engenheiros, liderados por Samuel Cohen, estão a trabalhar na segunda iteração dele, conhecida como configuração reversa do campo de Princeton-2 (PFRC-2). Eventualmente, os investigadores esperam lançá-lo no Espaço para teste e, eventualmente, tornar-se o sistema de accionamento principal de espaço-naves a viajar por todo o nosso Sistema Solar.

Já existe um alvo particularmente interessante no Sistema Solar externo que é semelhante à Terra em muitos aspectos – Titã. Os seus ciclos líquidos e potencial para abrigar vida fascinaram os cientistas desde que começaram a colher dados sobre ela.

Se utilizarmos adequadamente o DFD, poderemos enviar uma sonda para a misteriosa lua de Saturno em pouco menos de dois anos, de acordo com um estudo ainda não publicado feito por uma equipa de engenheiros aeroespaciais do departamento de Física do New York City College of Technology, liderado por Roman Kezerashvili e acompanhado por Paolo Aime e Marco Gajeri.

A equipa descobriu que uma nave movida a fusão poderia apresentar o melhor dos dois mundos: teria a eficiência energética de um motor eléctrico com o impulso poderoso de um movido a combustível.

Como a unidade de fusão também seria capaz de fornecer energia à espaço-nave durante toda a sua missão, não precisaria de carregar geradores separados.

A Cassini, a última missão famosa a visitar o sistema de Saturno, usou uma série de assistências gravitacionais entre Vénus e a Terra para chegar ao seu destino, uma jornada que durou quase sete anos.

Esta hipótese é especulativa, mas o Universe Today argumenta que os cientistas que trabalham com propulsores de fusão têm tempo: a Terra e Titã não se alinharão na posição ideal para um lançamento até o ano 2046.

Assim, os cientistas ainda têm tempo para desenvolver a tecnologia.

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24 Outubro, 2020

 

4498: O misterioso hexágono de Saturno pode ter sido finalmente explicado

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/SATURNO


Vídeo editado via captura de écran dado não ter sido disponibilizado o endereço original.

A misteriosa tempestade em forma de hexágono situada no pólo norte de Saturno pode estar prestes a ser explicada. Dois cientistas da Universidade de Harvard sugeriram um novo modelo que procura explicar como surgiu.

Um novo estudo usou um novo modelo de simulação tridimensional da atmosfera de Saturno para entender como o vórtice hexagonal de aparência não natural se formou.

“Vemos tempestades na Terra regularmente e estão sempre em espiral, às vezes circulares, mas nunca algo com segmentos de hexágono ou polígonos com bordas”, disse Rakesh K. Yadav, autor do estudo que trabalha no laboratório de Bloxham no Departamento de Ciências da Terra e Planetárias de Harvard, em comunicado.

“Isto é realmente impressionante e completamente inesperado. [A questão em Saturno é] como um sistema tão grande se formou e como um sistema tão grande consegue permanecer inalterado neste grande planeta?”, continuou.

A simulação de um mês revelou que a forma da tempestade parece ser formado por um processo de convecção térmica profunda, provavelmente a milhares de quilómetros de profundidade, estendendo-se muito mais abaixo do topo das nuvens de Saturno.

A equipa argumenta que uma interacção complexa ocorre entre grandes e pequenos ciclones giratórios que circundam uma grande corrente de jato horizontal que brota perto do pólo norte do planeta. As tempestades mais pequenas interagem com as tempestades maiores, comprimindo o jato oriental e confinando-o ao topo do planeta, deformando o fluxo num hexágono.

“Imagine que temos um elástico e colocamos um monte de elásticos mais pequenos em torno dele e apertamos tudo de fora. Esse anel central vai ser comprimido alguns centímetros e terá uma forma estranha com um certo número de arestas. Isso é basicamente a Física do que está a acontecer”, disse Yadav.

“Temos estas tempestades mais pequenas e elas estão basicamente a beliscar as tempestades maiores na região polar e, como precisam de coexistir, precisam de encontrar um espaço para abrigar cada sistema. Com isso, acabam por fazer essa forma poligonal”.

Por outro lado, o modelo não produziu uma forma hexagonal, mas um polígono de nove lados. No entanto, os investigadores acreditam que a forma geométrica ainda afirma a sua tese geral sobre como a tempestade se forma.

O ponto hexagonal de Saturno foi visto pela primeira vez na década de 1980, quando as espaço-naves Voyager sobrevoaram o planeta na sua jornada em direcção ao Sistema Solar exterior. A missão Cassini-Huygens também capturou mais dados durante a sua recente missão a Saturno e o seu sistema, que terminou em Setembro de 2017.

Em 2018, dados da espaço-nave Cassini revelaram que Saturno também tem uma tempestade hexagonal no pólo sul.

Este estudo foi publicado em junho na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

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16 Outubro, 2020

 

4422: A misteriosa lua de Saturno tem gelo novo num lugar inesperado

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/SATURNO

NASA / JPL-Caltech

Uma equipa de cientistas acaba de descobrir gelo novo no hemisfério norte de Encélado, o sexto maior satélite natural de Saturno.

Recorrendo a imagens captadas pela nave Cassini da NASA, que já terminou as suas operações, a equipa descobriu gelo relativamente recente no hemisfério norte de Encélado, sugerindo que este mundo pode ser geologicamente mais activo do que se pensava.

Tal como escreve o Space.com, o novo gelo surge numa localização inesperada de Encélado, que, para muitos cientistas, integra o leque de quatro corpos – a par de Marte, Europa (lua de Júpiter) e Titã (maior lua de Saturno) – onde é mais provável existir vida.

A sul de Encélado os cientistas sabiam já que existe actividade geológica, uma vez que a Cassini avistou na região mais de 100 géisers a lançar água gelada para o Espaço.

Os cientistas chegaram à nova descoberta depois de olharem para a assinatura de calor de Encélado, recorrendo à luz solar reflectida e posteriormente analisada com o espectrómetro  de mapeamento visível e infravermelho da Cassini (VIMS).

“Graças a estes olhos infravermelhos [da Cassini] podemos voltar no tempo e dizer que uma grande região no hemisfério norte também parece jovem e, provavelmente, estava activa não há muito tempo nas linhas do tempo geológico”, afirmou Gabriel Tobie, um cientista do VIMS da Universidade de Nantes (França), citado em comunicado da NASA.

Acredita-se que o géisers de Encélado tenham causado as “riscas de tigre” neste corpo, avistadas pela primeira vez também pela Cassini. Trata-se de fissuras espaçadas de forma uniforme, com aproximadamente 131 quilómetros de comprimento.

Os cientistas não sabem ainda como é o gelo reapareceu a norte nem quando é que o fenómeno aconteceu, mas deixam algumas possíveis explicações para o ocorrido.

“O ressurgimento [de gelo] a norte pode dever-se a jactos de gelo ou a um movimento mais gradual do gelo através de fracturas na crosta, [que aparecem] a partir do subsolo do oceano [rumo à] superfície” de Encélado.

Os resultados da investigação foram publicados recentemente na revista Icarus.

Apesar de não haver nenhuma missão planeada a Encélado, os cientistas continuarão certamente atentos a este mundo. A sexta maior lua de Encélado é um dos mundos mais promissores para a vida alienígena no Sistema Solar.

Além do oceano subterrâneo e actividade geológica, a lua terá, provavelmente, uma fonte de energia a que os organismos podem aceder – reacções químicas talvez semelhantes às que sustentam a vida perto das fontes hidrotermais profundas da Terra.

Não há nenhuma missão futura planeada ainda para atingir Enceladus, embora os cientistas tenham feito o lance para uma durante uma apresentação coordenada pelas Academias Nacionais de Ciências dos EUA em 31 de Março. Enquanto isso, os pesquisadores devem confiar em dados colectados por missões mais antigas.

Cientistas querem convencer a NASA a rumar a Encélado (para procurar vida alienígena)

A NASA está prestes a avançar com uma missão a Titã, a maior lua de Saturno, mas alguns cientistas tentam…

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2 Outubro, 2020

 

 

4359: NASA encontra provas de “gelo fresco” na Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A sonda Cassini, que explorou Saturno durante 13 anos e que despenhou no planeta em 2017, deixou dados captados que ainda são hoje escrutinados. Então, ao escavarem nas imagens infravermelhas detalhadas da lua gelada Enceladus, os cientistas da NASA dizem ter encontrado “fortes indícios” de gelo fresco no hemisfério norte da lua.

Esta pode ser uma boa notícia para as hipóteses de vida na lua gigante, a “bola de neve” de Saturno.

NASA descobre importantes evidências de gelo em Saturno

Os cientistas analisaram os dados deixados pela Cassini sobre a Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno. Segundo eles, o gelo, que se acredita ter origem no interior desta Lua, pode ser uma boa notícia.

Esta Lua, para os astrónomos, é considerada um dos lugares mais promissores para procurar vida no sistema solar.

Conforme é referido pela NASA, o conjunto de dados detalhados através de imagens infravermelhas foi recolhido pelo Visible and Infrared Mapping Spectrometer (VIMS) da Cassini.

A tecnologia da Cassini permitiu a leitura de comprimentos de onda variáveis, incluindo luz visível e infravermelha.

Lua de Saturno atira bolas de neve para o espaço

Em 2005, os cientistas descobriram, pela primeira vez, que Enceladus lança gigantescas plumas de grãos de gelo e vapor de um oceano subterrâneo suspeito, escondido sob uma espessa crosta de gelo.

Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Saturno é um planeta rico em motivos de curiosidade cósmica. Este gigante gasoso tem mais de sessenta satélites naturais na sua órbita. Contudo, a maioria deles são corpos pequenos, sendo que somente nove luas … Continue a ler Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Portanto, os novos sinais infravermelhos combinam perfeitamente com a localização desta actividade, tornada altamente visível na forma de cortes em néon vermelho “faixa de tigre”, no Polo Sul da lua.

Características semelhantes também foram detectadas no hemisfério norte, levando os cientistas a acreditar que o mesmo processo está a acontecer em ambos os hemisférios.

O infravermelho mostra-nos que a superfície do Polo Sul é jovem, o que não é surpresa, porque sabíamos dos jactos que lançam material gelado ali.

Afirmou Gabriel Tobie, cientista do VIMS da Universidade de Nantes, num comunicado da NASA.

Conforme foi referido pelos investigadores, se as condições forem adequadas, poderão existir moléculas provenientes do oceano profundo de Enceladus. Estas moléculas podem estar na mesma via de reacção que vemos aqui na Terra.

Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra. Contudo, encontrar as moléculas que formam aminoácidos é uma peça importante do puzzle.

Pplware
Autor: Vítor M.
19 Set 2020

 

 

4299: Investigadores querem lançar submarino para explorar mares de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Na década de 2030, a exploração espacial pode vir a contar com um novo capítulo: submarinos colocados noutros planetas para investigar as formações de água, como mares e lagos

Há um grupo de investigadores que está a trabalhar no desenvolvimento de submarinos que podem ser levados para o Espaço para explorar mares noutros planetas. O primeiro passo deve ser a exploração de Titã, a lua de Saturno, que tem grandes mares e lagos com hidrocarbonetos. O projecto ainda precisa de aprovação e apoio financeiro da NASA, mas a equipa acredita que estará preparada para lançar um submarino na década de 2030. Numa fase seguinte, a equipa aponta baterias à exploração de Europa e Enceladus, luas de Júpiter e Saturno respectivamente, que têm mares sob grandes camadas de gelo, o que representa um desafio adicional.

A escolha de Titã deve-se à sua dimensão, a segunda maior lua do sistema solar, com 5150 quilómetros de diâmetro, e por ter corpos líquidos de metano e etano estáveis à superfície. Por outro lado, a atmosfera com moléculas orgânicas apresenta potencial para albergar vida, embora de uma forma diferente da que conhecemos na Terra. Os investigadores estão também a considerar a hipótese de haver dois ecossistemas completamente diferentes em Titã: um conjunto à superfície de vida ‘estranha’ à da Terra e outro, subaquático, mais familiar com o que conhecemos, explica a publicação Space.com.

A missão Cassini-Huygens, entre 2004 e 2017, captou a maior parte do conhecimento que temos actualmente sobre a lua de Saturno. Agora, a NASA pretende lançar um drone de oito rotores, chamado Dragonfly, para explorar aquela lua a partir de 2026. O submarino pode ser a fase seguinte, com o projecto a já ter conseguido duas rondas de investimento ao abrigo do programa NIAC (NASA Innovative Advanced Concepts). A gravidade em Titã é apenas 14% da que conhecemos na Terra, pelo que o submarino não teria de suportar tanta pressão no casco como teria de o fazer num mar na Terra. A equipa também crê que navegar num meio diferente do que seria encontrado no nosso planeta também não representa uma desvantagem, uma vez que o material é transparente o suficiente para permitir a comunicação via sinais de rádio.

Em termos de especificações, um submarino independente deverá ter cerca de seis metros de comprimento e pesar 1500 quilos para conseguir ter todo o equipamento de comunicações necessário. Por outro lado, um submarino com uma sonda a acompanhar poderá ter apenas dois metros e pesar 500 quilos. Este veículo teria de ser alimentado a energia nuclear, uma vez que Saturno está cerca de dez vezes mais longe do Sol do que a Terra.

Steven Oleson, do Glenn Research Center da NASA, explica que “de um ponto de vista científico, estamos a perder muito por não podermos submergir e fazer muitos dos testes”. A missão subaquática para Titã poderá ser viável ao abrigo do programa New Frontiers da NASA, que vai patrocinar a missão Dragonfly e que já foi responsável pela sonda New Horizons, uma missão de reconhecimento a Plutão.

Exame Informática
08.09.2020 às 09h14

 

 

4083: Também é verão no hemisfério norte de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), M.H. Wong (University of California, Berkeley), OPAL Team

O senhor dos anéis do Sistema Solar foi fotografado pelo telescópio Hubble a 4 de Julho de 2020. A nova imagem de Saturno foi tirada durante o verão no hemisfério norte do planeta.

O telescópio Hubble, da NASA, encontrou uma série de pequenas tempestades atmosféricas no planeta, características transitórias que parecem “ir e vir” em cada observação anual do Hubble.

Desta vez, o telescópio fotografou uma leve névoa avermelhada sobre o hemisfério norte, que pode ser o resultado do aquecimento causado pelo aumento da luz solar, que pode alterar a circulação atmosférica ou remover o gelo dos aerossóis na atmosfera. Outra teoria é que o aumento da luz solar nos meses de verão está a alterar as quantidades de turbidez fotoquímica produzida.

Amy Simon, da NASA, disse que é “surpreendente ver mudanças sazonais em Saturno”. Por contraste, o agora visível pólo Sul tem um tom azul que reflete as mudanças de inverno no hemisfério, adianta o Europa Press.

Os anéis deste planeta, muito visíveis nesta nova imagem, são feitos principalmente de pedaços de gelo, com tamanhos que variam de grãos pequenos a rochas gigantes. Como e quando os anéis se formara continua a ser um dos maiores mistérios do nosso Sistema Solar.

Os cientistas acreditam que os anéis são tão antigos quanto o planeta, com mais de 4 mil milhões de anos, mas como são muito brilhantes, há uma outra teoria a jogo: a de que estes anéis se podem ter formado durante a era dos dinossauros.

Duas das luas geladas deste verdadeiro senhor dos anéis são claramente visíveis nesta fotografia: Mimas à direita e Encélado na parte inferior.

A imagem foi tirada como parte do projecto OPAL (Outer Planets Atmospheres Legacy), que ajuda os cientistas a entender a dinâmica atmosférica e a evolução de planetas gigantes de gás no nosso Sistema Solar. No caso de Saturno, os astrónomos continuam a rastrear mudanças nos padrões climáticos e tempestades.

ZAP //

Por ZAP
31 Julho, 2020

 

 

3916: Mistério resolvido. Cientistas já sabem o que são as manchas brilhantes de Titã

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL-Caltech / ASI / USGS
Lagos na superfície de Titã

Um mistério intrigante sobre Titã, a maior lua de Saturno, parece estar finalmente resolvido. As manchas brilhantes observadas nas regiões tropicais do sul são os leitos de lagos e mares de hidrocarbonetos secos.

Titã, a maior lua de Saturno, é o único corpo planetário, além da Terra, com líquido estável na sua superfície – neste caso, metano e etano, concentrados nos pólos do satélite. Os cientistas desconheciam, porém, o que seriam os misteriosos pontos brilhantes captados perto da linha do equador, cada um com mais de cinco mil quilómetros de diâmetro.

Grandes corpos líquidos na região equatorial era a explicação mais plausível até ter sido descartada em 2004, quando a Cassini chegou a Saturno. A sonda da NASA confirmou que há grandes mares e lagos neste planeta, mas estão concentrados nos pólos. Segundo os cientistas, a região equatorial é surpreendentemente seca.

Uma equipa de cientistas voltou a analisar os dados obtidos ao longo de 20 anos pelos observatórios norte-americanos Arecibo e Green Bank e as informações recolhidas pela Cassini e chegou, agora, a uma conclusão.

Para os investigadores, chuvas, dunas ou leitos secos de lagos eram os principais aspectos da geografia de Titã que poderiam produzir os estranhos sinais luminosos. A procura por uma explicação estreitou-se depois de os cientistas terem eliminado as chuvas (que acontecem raramente em Titã) e as duas (uma vez que a sua localização não coincide com os locais onde aparecem os sinais).

Foi assim que a equipa chegou às bacias de lagos há muito extintos. Segundo o Space, estes reflexos originavam-se em duas regiões específicas, parecidas com leitos de lagos vazios, localizadas perto dos pólos da lua de Saturno.

“O líquido na superfície de Titã pode ter viajado do equador para os pólos como parte de um padrão climático chamado ‘ciclo do metano’, ou ter evaporado como resultado da radiação do Sol. Eu não ficaria surpreendido se ambas as hipóteses estivessem corretas”, disse o cientista planetário Jason Hofgartner, do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA.

O artigo científico com os resultados foi publicado no dia 16 de Junho na Nature Communications.

A missão Dragonfly vai ser lançada em 2034 e tem como destino Titã. A pequena sonda quadricóptero de aterrissagem com asa rotativa não vai visitar, no entanto, a região de origem destes misteriosos reflexos. “Mesmo não sobrevoando os locais, há sempre uma geologia comparativa que pode ser usada de um lugar para outro”, disse Elizabeth Zibi Turtle, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

ZAP //

Por ZAP
26 Junho, 2020

 

 

3832: Titã afasta-se de Saturno mais depressa do que se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Maior do que o planeta Mercúrio, a lua Titã é aqui vista enquanto orbita Saturno. Por baixo de Titã encontram-se as sombras dos anéis de Saturno. Esta composição a cores naturais foi criada combinando seis imagens obtidas pela sonda Cassini da NASA no dia 6 de maio de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

Assim como a nossa própria Lua afasta-se da Terra um pouco mais a cada ano, outras luas também o fazem com os seus planetas hospedeiros. À medida que uma lua orbita, a sua gravidade puxa o planeta, provocando uma protuberância temporária no planeta à medida que passa.

Com o tempo, a energia criada pelo abaulamento e diminuição é transferida do planeta para a lua, empurrando-a para cada vez mais longe. A nossa Lua afasta-se da Terra cerca de 3,8 centímetros por ano.

Os cientistas pensavam que sabiam a velocidade com que a lua gigante Titã se afastava de Saturno, mas recentemente fizeram uma descoberta surpreendente: usando dados da sonda Cassini da NASA, descobriram que Titã afasta-se cem vezes mais depressa – 11 centímetros por ano.

Os resultados podem ajudar a resolver uma questão antiga. Embora os cientistas saibam que Saturno se formou há 4,6 mil milhões de anos, nos primeiros dias do Sistema Solar, há mais incerteza sobre quando os anéis do planeta e o seu sistema de mais de 80 luas se formaram. Titã está actualmente a 1,2 milhões de quilómetros de Saturno. O ritmo revisto da sua deriva sugere que a lua começou muito mais perto de Saturno, o que significaria que todo o sistema se expandiu mais depressa do que se pensava anteriormente.

“Este resultado traz com ele uma nova e importante peça do quebra-cabeças que é a altamente debatida idade do sistema de Saturno e da formação das suas luas,” disse Valery Lainey, autor principal do trabalho publicado dia 8 de Junho na revista Nature Astronomy. Ele levou a cabo a sua investigação como cientista no JPL da NASA, no sul da Califórnia, antes de ingressar no Observatório de Paris da Universidade de Ciências e Letras de Paris.

Compreendendo a migração da lua

As descobertas sobre o ritmo de afastamento de Titã também são importantes para a confirmação de uma nova teoria que explica e prevê como os planetas afectam as órbitas das suas luas.

Ao longo dos últimos 50 anos, os cientistas têm aplicado as mesmas fórmulas para estimar a rapidez com que uma luz se afasta do seu planeta, um ritmo que também pode ser usado para determinar a idade da lua. Estas fórmulas e as teorias clássicas nas quais se baseiam foram aplicadas a luas grandes e pequenas por todo o Sistema Solar. As teorias assumiam que em sistemas como o de Saturno, com dúzias de luas, as luas mais exteriores, como Titã, migravam para fora mais lentamente do que luas mais próximas porque estão mais afastadas da gravidade do planeta hospedeiro.

Há quatro anos, o astrofísico teórico Jim Fuller, agora no Caltech, publicou uma investigação que derrubou essas teorias. A teoria de Fuller previa que as luas exteriores podem migrar para fora a um ritmo idêntico ao das luas interiores porque ficam presas num tipo diferente de padrão orbital que se liga à oscilação específica de um planeta e as lança para fora.

“As novas medições implicam que este tipo de interacção planeta-lua pode ser mais proeminente do que as expectativa anteriores e podem ser aplicadas a muitos sistemas, como outros sistemas planetários com luas, exoplanetas – aqueles para lá do Sistema Solar – e até sistemas estelares binários, onde as estrelas se orbitam uma à outra,” disse Fuller, co-autor do novo artigo.

Para alcançar os seus resultados, os autores mapearam estrelas no plano de fundo de imagens da Cassini e rastrearam a posição de Titã. Para confirmar os seus achados, compararam-nos com um conjunto de dados independente: dados de ciência rádio obtidos pela Cassini. Durante dez voos rasantes entre 2006 e 2016, o orbitador enviou ondas de rádio para a Terra. Os cientistas estudaram como a frequência do sinal foi alterada pelas suas interacções com o ambiente em seu redor a fim de estimar a evolução da órbita de Titã.

“Usando dois conjuntos de dados completamente diferentes, obtivemos resultados que estão totalmente de acordo e também de acordo com a teoria de Jim Fuller,” que previa uma migração muito mais rápida de Titã,” disse o co-autor Paolo Tortora, da Universidade de Bolonha, na Itália. Tortora é um membro da equipa de Ciência Rádio da Cassini e trabalhou na investigação com o apoio da Agência Espacial Italiana.

A Cassini foi uma sonda que observou Saturno durante mais de 13 anos de esgotar o seu combustível. A missão mergulhou na atmosfera do planeta em Setembro de 2017, em parte para proteger a lua Encélado, que a Cassini descobriu poder albergar condições adequadas para a vida.

Astronomia On-line
12 de Junho de 2020

Artigo relacionado: Titã está a afastar-se de Saturno 100 vezes mais depressa do que o esperado

 

 

3828: Titã está a afastar-se de Saturno 100 vezes mais depressa do que o esperado

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/SATURNO

NASA
Titã é o maior satélite natural de Saturno e o segundo maior de todo o Sistema Solar

Cientistas descobriram que Titã está a afastar-se de Saturno mais rapidamente do que o esperado: cerca de 100 vezes mais depressa.

De acordo com o site Science Alert, isto sugere que Titã se formou muito mais perto do planeta durante o nascimento do Sistema Solar, há 4,5 mil milhões de anos, e que, nos anos seguintes, migrou para uma distância de cerca de 1,2 milhões de quilómetros.

As teorias padrão indicam que o satélite natural deveria afastar-se de Saturno a uma taxa de apenas 0,1 centímetros por ano. Em vez disso, duas técnicas independentes mostraram que está a afastar-se do planeta a uma taxa de 11 centímetros por ano – quase três vezes a taxa de migração externa da nossa Lua.

As técnicas apoiam-se fortemente nos dados obtidos através da missão Cassini. A primeira é a astrometria, que mede a posição de Titã em relação às estrelas de fundo. A missão espacial fez medições disso, que foram adicionadas a observações históricas de 1886, para calcular a mudança de posição de Titã em relação a Saturno ao longo do tempo.

A segunda técnica foi a radiometria. A Cassini teve 10 encontros próximos com Titã entre 2006 e 2016, monitorizados pela Rede de Espaço Profundo (DSN), que forneceu medições precisas das mudanças na velocidade desta devido à gravidade de Titã.

“Ao utilizar dois conjuntos de dados completamente independentes – astrométrico e radiométrico – e dois métodos diferentes de análise, obtivemos resultados que estão em total concordância”, afirma Valéry Lainey, astrónomo do Observatório de Paris e um dos autores do estudo publicado, esta segunda-feira, na revista científica Nature Astronomy.

ZAP //

Por ZAP
12 Junho, 2020

 

 

3811: Por que tem Saturno um hexágono num dos pólos?

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Dois cientistas de Harvard criaram um modelo que tenta,com maior profundidade, determinar o motivo pelo qual um dos pólos de Saturno tem nuvens hexagonais

As imagens da Voyager 2 mostraram um hexágono claro num dos pólos de Saturno e, desde então, os investigadores têm tentado perceber o que o forma. Uma das razões mais apontadas passa pelas ondas de Rossby, fenómeno observável também na Terra e, em várias experiências simuladas, os investigadores conseguiram replicar o mesmo padrão em condições semelhantes. Agora, os investigadores Rakesh Yadav e Jeremy Bloxham, de Harvard, criaram um modelo que vai mais fundo par explicar o comportamento da atmosfera exterior de Saturno e identificar o que causa estes hexágonos.

A simulação destes dois cientistas tenta replicar 10% do raio de Saturno e é bastante exigente em termos computacionais, explica o ArsTechnica. Nesta fase, a dupla apresenta apenas uma configuração possível da atmosfera de Saturno, descrevendo-a como ‘prova de conceito’ e admitindo que é possível fazerem-se mais ajustes nas propriedades físicas para recriar outros cenários.

Na recriação computacional, é possível vermos ventos a movimentar-se em diferentes direcções, fortes jactos e o surgimento de alguns vórtices, particularmente perto dos pólos. Estes vórtices fazem com que os fluxos assumam uma forma mais poligonal ou angular nas extremidades. Os gases, ao ficar menos densos naquela zona, assumem uma maior velocidade na direcção de baixo para cima e o movimento no topo do vórtice é mais turbulento, perdendo a organização coerente.

O exercício destes cientistas permite concluir que há várias actividades diferentes consoante a altura a que se esteja a fazer a análise, mas conclui que há um conjunto persistente de vórtices em torno dos fluxos polares e que assumem uma forma poligonal, se vistos de cima para baixo.

O modelo apenas recriou uma forma triangular e não tanto hexagonal, mostra uma rotação para oeste mais rápida do que aquela que se verifica na realidade e, apesar de ter uma simulação para o pólo sul, não há quase menção nenhuma à aproximação à realidade naquelas circunstâncias.

Exame Informática
09.06.2020 às 09h40

 

 

3710: O misterioso hexágono de Saturno é o lugar mais nublado do Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

O pólo norte de Saturno é um lugar peculiar, onde as nuvens formam um misterioso padrão hexagonal. Segundo os astrónomos, a região deverá possuir o sistema mais extenso de camadas de neblina já observado no Sistema Solar.

Em 1980, as naves Voyager 1 e Voyager 2 fizeram uma descoberta incomum enquanto sobrevoavam Saturno: na zona polar norte do planeta, encontraram um hexágono perfeito.

Análises posteriores revelaram que era uma estrutura ondulada que não mudou apesar do intenso e longo ciclo de estações do planeta. No interior, um jacto estreito e rápido flui onde os ventos atingem velocidades máximas de cerca de 400 quilómetros por hora. No entanto, a onda permanece quase estática: dificilmente se move em relação à rotação de Saturno. Todas estas propriedades tornam essa região de grande interesse para os astrónomos.

Imagens de alta resolução capturadas pela missão Cassini em 2015 revelaram as camadas dessa estranha estrutura de ondas que rodeia o pólo norte de Saturno. A sonda estava na posição ideal para observar a borda do hexágono e conseguiu estudar o nível superior da atmosfera, revelando sete camadas de neblina empilhadas acima das nuvens, com cada camada a variar entre 7 e 18 quilómetros de espessura.

“As imagens da Cassini permitiram descobrir que, como se tivesse formado uma sanduíche, o hexágono possui um sistema de várias camadas de pelo menos sete névoas que se estendem do cume das suas nuvens a uma altitude de mais de 300 quilómetros acima deles”, disse Agustín Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, em comunicado. “Outros mundos frios, como o satélite de Saturno, Titã, ou o planeta anão Plutão, também têm camadas de neblina, mas não em número tão grande nem regularmente espaçados”.

De acordo com o estudo publicado em maio na revista científica Nature Communications, a equipa conseguiu ver detalhes tão pequenos quanto um a dois quilómetros, combinando as observações da Cassini com as do Hubble.

A equipa conseguiu estimar que essas camadas de neblina eram feitas de partículas do tamanho de um micrómetro e, possivelmente, um pouco de gelo de hidrocarboneto. O sistema de neblina completo tem cerca de 130 quilómetros de espessura.

A equipa suspeita este sistema tenha sido formado por causa das ondas de gravidade. Os investigadores sugerem que as diferenças de densidade e temperatura (entre -120°C e -180°C ) e a dinâmica entre o hexágono e os fluxos de jacto ao redor do pólo produzem ondas de gravidade que permitem a propagação vertical das ondas de gravidade, formando as camadas nebulosas detectadas pela Cassini.

Este tipo de onda gerada pela corrente de jacto ondulante também já foi observada na Terra, que com velocidades de 100 quilómetros por hora é direccionada de oeste para leste nas latitudes médias. O fenómeno pode ser semelhante nos dois planetas, embora as peculiaridades de Saturno o tornem um caso único no Sistema Solar.

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19 Maio, 2020

 

 

3596: Pode haver “diabos de poeira” a girar em Titã, a misteriosa lua de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

IPGP/Labex UnivEarthS/Universidade de Paris Diderot – C. Epitalon & S. Rodriguez

De acordo com um novo estudo, redemoinhos de poeira, os chamados “diabos de poeira”, podem estar a girar e Titã, a enorme e misteriosa lua de Saturno.

As condições meteorológicas na maior lua de Saturno, Titã, o mundo estranho e distante que pode ser o mais parecido com a Terra no Sistema Solar, parecem propícias à formação de redemoinhos da poeira. Se, de facto, estes redemoinhos chicoteiam a superfície de Titã, podem ser os principais impulsionadores de poeira no mundo distante. Assim, Titã pode ser mais parecida com Marte do que se pensava anteriormente.

A sonda Cassini, que percorreu o sistema de Saturno entre 2004 e 2017, observou dunas na região equatorial da lua, que cobriam até 30% da superfície e uma grande tempestade de poeira.

Acredita-se que a poeira nas dunas de Titã se origine como aerossóis de hidrocarbonetos que chovem na atmosfera da lua. Terá uma textura plástica, diferente da areia encontrada na Terra ou em Marte.

As raras tempestades de poeira parecem impressionantes, mas os “diabos de poeira” elevam mais poeira para a atmosfera, mesmo na Terra, onde os ventos são mais influentes do que em Marte ou Titã.

“Os ventos na superfície de Titã geralmente são muito fracos. A menos que haja uma grande tempestade, provavelmente não há muito vento e, portanto, os diabos da poeira podem ser um dos principais mecanismos de transporte de poeira em Titã, se existirem”, disse Brian Jackson, cientista planetário na Boise State University, em comunicado.

O fenómeno não foi observado em Titã. Os cientistas previram a possível presença de diabos de poeira, aplicando modelos meteorológicos a dados adquiridos da superfície da lua durante a breve visita à sonda Huygens da Cassini em 2005.

Os diabos de poeira formam-se em condições secas e calmas quando a luz do sol aquece o solo e o ar próximo à superfície. O aumento do ar quente cria vórtices visíveis pela areia e poeira apanhadas pelo turbilhão. Os diabos da poeira partilham algumas propriedades físicas dos tornados, mas são secos e não são tão grandes e destrutivos.

Jackson e os seus alunos observaram os diabos de poeira no deserto de Alvord, no sudeste do Oregon, com pequenos drones aéreos com instrumentos meteorológicos.

As condições excepcionalmente secas em Marte geram muitos diabos de poeira durante os verões marcianos, quando podem crescer imensamente, chegando a oito quilómetros de altura. A atmosfera de Marte é tão fina que até os ventos de 300 quilómetros por hora só causam um choque leve. Isso torna o poder de remoção de poeira do fenómeno importante para o movimento global de poeira em Marte.

Se existirem em Titã, os diabos de poeira podem ser igualmente importantes, embora os ventos na superfície de Titã sejam tipicamente suaves pelo motivo oposto: a atmosfera de Titã é uma vez e meia a densidade da Terra, mas a lua possui apenas um sétimo da gravidade da Terra. gravidade. Isso torna difícil que a atmosfera de Titã se mova.

Como a Terra, a atmosfera de Titã é principalmente nitrogénio, mas também inclui quantidades influentes de etano e metano, os principais componentes do gás natural.

Titã é o único mundo no Sistema Solar – além da Terra – onde os cientistas observaram evidências de rios e lagos líquidos na superfície. Os cientistas acreditam que estas características semelhantes à Terra na lua distante e fria não são água, mas hidrocarbonetos líquidos.

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As conclusões deste estudo foram publicadas em Março na revista científica Geophysical Research. Porém, a confirmação da presença dos diabos de poeira pode ter de esperar a chegada da missão Dragonfly da NASA em 2034.

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Por ZAP
25 Abril, 2020