4125: SpaceX lançou 57 satélites para criar rede mundial de Internet de alta velocidade

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Já ouviu falar no projecto de satélites Starlink? Este projecto tem com principal objectivo criar uma rede mundial de Internet de alta velocidade.

A empresa de Elon Musk já tem 595 em órbita terrestre e hoje, a bordo do foguetão reutilizável Falcon 9, foram lançados mais 57.

O lançamento de hoje, que aconteceu da base espacial norte-americana de Cabo Canaveral, na Florida, à 01:12 (hora local, 06:12 em Lisboa), é o 10º desde 2019 ligado ao projecto “Starlink”.

Em 2029 poderão estar 57 mil satélites em órbita terrestre

O número de satélites já parece elevado, mas a SpaceX e outras agências poderão ter até 2029 nada mais nada menos que 57 mil satélites em órbita terrestre. Ou seja, até 2029 iremos ter 10 vezes o número de naves espaciais activas actualmente.

De acordo com Elon Musk, são necessários entre 400 e 800 satélites para se conseguir um mínimo de cobertura da projectada rede de Internet.

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SpaceX
@SpaceX
Deployment of 57 Starlink satellites confirmed

Depois de se separar da cápsula contendo os satélites, o foguetão Falcon 9 pousou na plataforma flutuante da SpaceX no Oceano Atlântico, chamada “Of Course I Still Love You”.

Este lançamento, de mais uma constelação de satélites “Starlink”, aconteceu cerca de uma semana depois de a SpaceX ter concluído com êxito a sua primeira missão tripulada à Estação Espacial Internacional (EEI), criando a esperança de voos comerciais ao espaço.

No domingo, a sua cápsula Dragon Endeavour amarou de forma controlada nas águas do Golfo do México, com os astronautas norte-americanos Robert Behnken e Douglas Hurley a regressaram à Terra após dois meses na EEI.

Foi a primeira vez, desde o fim do programa de vaivéns espaciais norte-americano, em 2011, que uma nave descolou e chegou a território americano.

Em 2011, os Estados Unidos passaram a levar astronautas à EEI a bordo da nave russa Soyuz, a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

57 000 satélites lutarão pelo espaço na órbita da Terra até 2029 (vídeo)

A órbita da Terra está congestionada. São muitos os relatos de problemas causados pelo grande números de satélites ativos e moribundos que estão ao redor do nosso planeta. Na verdade, a humanidade, até agora, … Continue a ler 57 000 satélites lutarão pelo espaço na órbita da Terra até 2029 (vídeo)

07 Ago 2020

 

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4046: Satélites Starlink destroem completamente foto do cometa NEOWISE; veja a imagem

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Estamos sendo agraciados com a passagem rara do cometa C/2020 F3 NEOWISE nos arredores do planeta — e inclusive os brasileiros já começaram a vê-lo no céu nocturno nesta semana, fazendo belos registos. Este cometa, descoberto em Março, passa por aqui a cada 6.765 anos; ou seja, esta é uma oportunidade única de registá-lo. Contudo, os satélites Starlink, da SpaceX, arruinaram completamente a tentativa de registo de um astro-fotógrafo nas Ilhas Canárias.

Julien Girard, astrónomo do Space Telescope Science Institute, publicou em seu Twitter uma foto para lá de triste, tirada pelo astro-fotógrafo Daniel Lopez. Na imagem, vemos o cometa NEOWISE e sua bela cauda brilhando intensamente, mas o registo foi prejudicado pela passagem dos satélites Starlink bem naquela hora, que deixaram rastros luminosos em toda a imagem. Veja:

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Julien Girard
@djulik
17 30-second images of the comet added up by @cielodecanarias, completely photobombed by @elonmusk‘s #Starlink satellites. It’s a few hundreds of them right now,there will be a few thousands in the near future. @SpaceX is committed to coating orienting them better but still….

From Daniel López's Facebook: https://www.facebook.com/elcielodecanarias.es/photos/a.224658390885198/4415045628513099/?type=3&theater Cometa y pase de satélites Starlink 😢. . Anoche, tratando de realizar un seguimiento del cometa con un 200mm y la Canon Ra de Canon España, para sumar las imágenes y conseguir más detalle, hubo un pase de satélites Starlink justo delante del mismo. Una pasada y pena ver pasar todos esos puntos luminosos, en total casi 20 imágenes del cometa muestran trazas. Montaré el time lapse en cuanto pueda. La imagen es la suma de 17 fotos de 30 segundos de exposición, por eso se ven tantas trazas. #DanielLopez #elcielodecanarias #canonespaña

O tweet fala que 17 imagens com 30 segundos de exposição foram reunidas pelo astro-fotógrafo, completamente prejudicadas pelos satélites de Elon Musk. “São algumas centenas deles agora, mas haverá alguns milhares no futuro próximo. A SpaceX está empenhada em revesti-los e orientá-los melhor, mas ainda assim…”, lamenta o cientista.

Não é de hoje que a passagem dos “trens” de satélites Starlink pelo céu atrapalham observações astronómicas. Na verdade, esse alerta vem sendo dado pela comunidade científica desde o início do projecto, que lançou o primeiro lote com 60 satélites em maio de 2019. Desde então, provas e mais provas de que os Starlink prejudicam as observações do céu nocturno vêm sendo apresentadas, e Elon Musk vem tentando resolver o problema. Sua empresa chegou a testar um revestimento escuro para verificar se isso seria suficiente a ponto de reduzir a reflexividade de um satélite experimental, o que não deu certo. Depois, tentou colocar visores para desviar a luz reflectida, mas os resultados desse experimento ainda não foram divulgados. No momento há cerca de 540 satélites Starlink em órbita, mas a empresa já tem permissão de lançar 30 mil no total, procurando autorização para que esse número suba a 42 mil.

E se engana quem pensa que a passagem dos Starlink prejudica apenas observações por meio de câmaras e telescópios. Alguns satélites também são visíveis a olho nu, o que acaba gerando confusão nas pessoas em geral, que, ao observarem “objectos se movendo de maneira estranha no céu”, creem estarem observando OVNIs. Esse brilho dos satélites aparece muito mais intenso quando eles estão orbitando a Terra a uma distância mais próxima do que os demais satélites ao redor do planeta, aqueles que não nos atrapalham em nada. Isso acontece quando os Starlink estão a aproximadamente 550 km de altitude, sendo que a órbita usual média para isso é de 20 mil km, enquanto a órbita geo-estacionária fica a 36 km — esta usada por outros tipos de satélites, como os de comunicação e GPS. A SpaceX diz que seus Starlink porventura acabam subindo sua órbita, aos poucos, e vão ficando cada vez menos visíveis durante alguns meses.

Problema recorrente

Essa não é a primeira vez em que a passagem dos satélites Starlink prejudica o registo da passagem de um cometa. Em Abril deste ano, um astro-fotógrafo amador chamado Zdenek Bardon, da República Tcheca, tentou fotografar a passagem do cometa ATLAS, que estava se fragmentando à medida que se aproximava do Sol, e foi surpreendido com sua foto também sendo arruinada com as trilhas luminosas deixadas pelos satélites de Elon Musk.

Destacado em vermelho, o cometa ATLAS. As linhas brilhantes que aparecem na imagem são os rastros deixados pelos satélites Starlink (Foto: Zdenek Bardon)

Conforme ele mesmo explicou na época, Bardon não estava em um local com baixa poluição luminosa para conseguir registar o cometa com uma só tacada, então precisou usar a técnica do empilhamento de imagens — quando se faz diversas exposições individuais, que depois são reunidas para intensificar o brilho de objectos que não ficaram proeminentes em cada uma delas isoladamente. Só que, ao fazer isso, quem também apareceu “de gaiato” foram os satélites Starlink, que deixaram diversas trilhas na imagem final.

Canaltech
Por Patrícia Gnipper
24 de Julho de 2020 às 15h45

 

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4017: Nuvem de poeira do Sahara atravessa o Atlântico (e é a maior já registada)

CIÊNCIA/METEOROLOGIA

(cv) ESA / YouTube

A nuvem de poeira partiu do deserto do Sahara e está a “varrer” o Oceano Atlântico. Os satélites Copernicus Sentinel e Aeolus, da ESA, acompanharam o progresso da pluma, que é tão grande que ganhou o nome de Godzilla.

Os satélites Copernicus Sentinel e Aeolus, da Agência Espacial Europeia (ESA), acompanharam o progresso da pluma e as imagens captadas demonstram que a poeira está a voar entre três e seis quilómetros acima do solo.

As plumas de poeira são um fenómeno natural, parte do ciclo de nutrientes da Terra. O fenómeno ocorre quando ventos de alta velocidade captam pequenas partículas secas da superfície da Terra, transportando-as durante longas distâncias.

A nuvem de poeira começou no deserto do Sahara e seguiu em direcção ao Oceano Atlântico, e é tão grande que recebeu o nome de Godzilla. O nome meteorológico da pluma é Camada de Ar Sahariana (SAL) e costuma formar-se entre o final da primavera e o início do outono.

A poeira pode afectar negativamente a qualidade do ar e, consequentemente, prejudicar a saúde das pessoas. Mais perigosas são as pequenas e menos visíveis partículas de poeira.

No entanto, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA, a poeira do maior deserto do mundo também pode ser útil para a vida. O fitoplâncton, que vive na superfície do oceano, alimenta-se da poeira. Com um aumento de fitoplâncton, os animais marinhos e os peixes, que estão mais acima na cadeia alimentar, terão mais comida, o que resulta num aumento da sua população.

Além disso, as plumas de poeira também podem impedir o fortalecimento e até a formação de furacões, o que salvaria vidas e perdas económicas futuras.

ZAP //

Por ZAP
18 Julho, 2020

 

 

3885: Northolt Branch Observatories

Himalia, also known as Jupiter VI, is the largest of Jupiter’s irregular outer satellites. It is about 210 by 140 km in size, and orbits the planet Jupiter at a mean distance of 11.4 million km (six times further out than Callisto, the outermost of Jupiter’s large moons). Himalia takes 3.5 years to complete one orbit around Jupiter. Not much else is known about it, as Himalia has never been visited by a spacecraft. From Earth, it is observable as an object of 15th magnitude.

Jupiter is currently located low in the southern sky as seen from England, and the glare from the bright planet affects images of the surrounding star fields. This makes Himalia and the other irregular satellites a challenging target.

Himalia, também conhecida como Júpiter VI, é o maior dos satélites exteriores irregulares de Júpiter. Tem cerca de 210 por 140 km de tamanho, e orbita o planeta Júpiter a uma distância média de 11.4 milhões de km (seis vezes mais longe do que Calisto, a mais ultra-periférica das grandes luas de Júpiter). Himalia demora 3.5 anos para completar uma órbita em torno de Júpiter. Não se sabe muito mais sobre isso, pois a Himalia nunca foi visitada por uma nave espacial. Da Terra, é observável como um objecto de magnitude 15

Júpiter está actualmente localizado baixo no céu sul, como visto da Inglaterra, e o brilho do planeta brilhante afecta imagens dos campos de estrelas circundantes. Isto faz do Himalia e dos outros satélites irregulares um alvo desafiador.

Leitura adicional: https://en.wikipedia.org/wiki/Himalia_(moon)

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

 

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3836: eSail: primeiro satélite com software de controlo criado em Portugal descola dia 18

CIÊNCIA/ESPAÇO

O mais recente membro da constelação eSail parte rumo ao Espaço a 18 de Junho Imagem da ESA

A Edisoft começou por desenvolver software que testa os diferentes componentes de um satélite – mas acabou por ser brindada com o convite da ESA para desenvolver todo o sistema que permite controlar um satélite enquanto se mantêm em órbita

Nem sempre os maiores feitos são fáceis de descrever, mas Hélder Silva não pode desperdiçar a oportunidade de resumir numa única frase um marco histórico para as tecnologias nacionais: “Arrisco dizer que é o primeiro software produzido por portugueses para controlar um satélite a partir de Terra que vai ser lançado para o Espaço”, explica o director da Área de Software Espacial e Sistemas Embebidos da Edisoft. O software em causa dá pelo nome de RTEMS by Edisoft. A descolagem rumo ao Espaço será feita no dia 18 de Junho, a bordo de um satélite da constelação eSail, a partir da base espacial de Kourou, na Guiana Francesa.

O satélite, que foi construído pela LuxSpace para a Agência Espacial Europeia (ESA), deverá juntar-se a uma constelação que hoje conta com 60 dispositivos em órbita a mais de 500 quilómetros de distância da Terra, com o propósito de fornecer dados de localização a diferentes embarcações (AIS) nos vários oceanos.

Inicialmente, o uso do RTEMS by Edisoft estava confinado aos testes feitos ainda na fase de construção e montagem que confirmam que os diferentes componentes de um satélite estão devidamente instalados e prontos a funcionar com um mínimo de falhas.

“Foi uma surpresa porque era suposto criarmos uma solução para ser usada apenas durante os testes, mas a ESA acabou por nos pedir que fizéssemos também a solução para uso durante as operações do satélite”, recorda Hélder Silva.

RTEMS by Edisoft foi desenvolvido em Java sobre um ambiente misto que combina Windows e Linux. O sistema, que tem certificação para participação em missões espaciais, vai ser instalado nos computadores de uma base terrestre em Svalbard, Noruega, precisamente para permitir executar diferentes manobras e funcionalidades, a partir de comandos activados a partir de Terra. A ESA e a LuxSpace são as responsáveis pelo fabrico do satélite, mas o serviço de localização da constelação eSeal é providenciado pela empresa canadiana exactEarh.

Ainda antes do convite para uso deste software durante a fase em que o satélite, já em órbita, se mantém operacional, este sistema havia valido uma primeira “vitória” à Edisoft. “É um sistema muito grande, que tem de controlar muitos dispositivos, sendo que a ESA já fez saber que pretende usar o nosso software como referência para os testes com pequenos satélites”, refere Hélder Silva.

O responsável da Edisoft lembra que um simples software que testa os diferentes componentes de um satélite pode ter um custo avultado – e poderá afastar agências e empresas menos endinheiradas que apenas pretendem enviar para o espaço pequenos satélites, que são usados durante um período limitado.

“A expectativa é continuar a disponibilizar este software de testes aos satélites produzidos pela LuxSpace e também para os todos os pequenos satélites que a ESA venha a produzir”, acrescenta, Hélder Silva, recordando que a tecnologia criada pela Edisoft também pode ser adaptada a satélites de maiores dimensões se for necessário.

No que toca às operações durante a missão espacial do novo satélite eSail, Hélder Silva admite que a fasquia de exigência é maior: “Tivemos de criar vários protótipos nestes últimos três anos. Se um software falha durante um serviço convencional, pomos tudo a correr outra vez, mas no Espaço não é possível pôr o software a correr tudo de novo, outra vez. Se houver uma falha no sistema, pode perder-se a missão”, conclui Hélder Silva.

Exame Informática
12.06.2020 às 16h21
Hugo Séneca

 

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3665: Rádio amador encontra um satélite “zombie” em órbita. Já devia estar morto

CIÊNCIA/ESPAÇO

NASA

Há mais de 2.000 satélites activos a orbitar a Terra. No fim da sua vida útil, muitos queimam ao entrar na atmosfera terrestre. Porém, alguns continuam a circular no Espaço como satélites “zombies” – não estão vivos, mas também não estão completamente mortos.

Scott Tilley, um operador de rádio amador que mora no Canadá, tem uma paixão por caçar estes satélites perdidos. Em 2018, encontrou um sinal de uma sonda da NASA chamada IMAGE que a agência espacial tinha perdido de vista em 2005. Com a ajuda de Tilley, a NASA conseguiu restabelecer o contacto com o objecto.

Tilley já encontrou satélites ainda mais antigos do que a IMAGE. “O mais antigo que eu já vi foi o Transit 5B-5. E foi lançado em 1965″, disse, em declarações ao NPR, referindo-se a um satélite de navegação da Marinha dos Estados Unidos movido a energia nuclear que ainda circula a Terra numa órbita polar há muito esquecida.

Recentemente, Tilley interessou-se por um satélite de comunicações que achava que ainda poderia estar vivo – ou pelo menos entre os mortos-vivos. O LES-5, construído pelo Laboratório Lincoln do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, foi lançado em 1967.

Tilley inspirou-se noutro amador que, em 2016, encontrou o LES-1, um satélite anterior construído pelo mesmo laboratório. O que era intrigante sobre o LES-5 era que, se ainda estivesse a funcionar, poderia ser o satélite mais antigo em funcionamento em órbita geo-estacionária.

Na Internet, Tilley encontrou um documento que descrevia a frequência de rádio em que o LES-5, um satélite militar de comunicações de frequência ultra-alta experimental, deveria estar a operar se ainda estivesse vivo.

Com a chegada da pandemia de covid-19 à Colúmbia Britânica, onde Tilley vive, o amador ficou confinado a sua casa – altura em que decidiu pôr mãos à obra. Em 24 de Março, encontrou o LES-5. Desde então, tem feito medições adicionais.

Scott Tilley @coastal8049

Well folks, here’s what appears to be a new ZOMBIE SAT!

LES-5 [2866, 1967-066E] in a GEO graveyard orbit.

Confirmation will occur at ~0445 UTC this evening when the satellite should pass through eclipse.

If so this is definitely the oldest emitting GEOsat I know of.

“A razão pela qual este [satélite] é intrigante é que o seu farol de telemetria ainda está em operação”, disse Tilley, ao NPR.

Assim, embora o satélite devesse ter-se desligado em 1972, ainda está a funcionar. Enquanto os painéis solares estiverem ao Sol, o rádio do satélite vai continuar a operar. Tilley acha mesmo que pode até ser possível enviar comandos para o satélite.

Parece que até um satélite zombie com 50 anos ainda pode ter segredos por desvendar.

Pela primeira vez, uma nave espacial “ressuscitou” um satélite morto

Pela primeira vez, uma nave espacial conseguiu “ressuscitar” um satélite de comunicações antigo que tinha deixado de funcionar em órbita…

ZAP //

Por ZAP
9 Maio, 2020

 

3610: Rede de satélites Starlink começará os testes beta ainda este ano

TECNOLOGIA/ESPAÇO

oninnovation / Flickr

O CEO da Space X, Elon Musk, anunciou esta semana que os testes beta à rede de satélites Starlink, que pretende dotar com Internet regiões mais isoladas e rurais do mundo, começarão ainda no decorrer deste ano.

De acordo com o CNet, que cita o empresário, o projecto de rede de banda larga global começará os seus testes beta privados dentro de três meses, avançado três meses depois para os testes beta públicos, que deverão ocorrer a norte.

Numa resposta a um utilizador do Twitter, Elon Musk, que é também CEO da Tesla, disse que a Alemanha se encontra suficientemente a norte, o que poderá significar que grande parte do norte da Europa e do Canadá serão elegíveis para testar o serviço.

Esta quarta-feira, e empresa lançou o sétimo lote com mais 60 mini-satélites para órbita. Ao todo, a constelação conta agora com 420 destes dispositivos.

A iniciativa pretende colocar 42.000 satélites em órbita para fazer chegar Internet a todos os cantos do mundo. “A Starlink oferecerá Internet de banda larga de alta velocidade para locais onde o acesso não é confiável, caro ou está completamente indisponível“, escreveu a empresa de Musk no Twitter a 22 de Abril.

De acordo com o portal TechCrunch, a Space X está também a trabalhar para resolver o problema do brilho excessivo dos satélites. Esta informação surge depois de vários astrónomos e outros especialistas acusarem Musk de “poluir” os céus, defendendo que as observações astronómicas estavam a ser colocadas em causa.

Rússia diz que a Starlink de Musk está a arruinar as fotografias espaciais (e vai fazer queixa à ONU)

A Academia de Ciências da Rússia vai fazer queixa junto das Nações Unidas sobre a constelação de satélites de Elon…

ZAP //

Por ZAP
27 Abril, 2020

 

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3574: Cheops observa os seus primeiros exoplanetas e está pronto para a ciência

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da estrela HD 93396 e do seu Júpiter quente, KELT-11b.
HD 93396 é uma estrela amarela sub-gigante localizada a 320 anos-luz de distância, um pouco mais fria e três vezes maior do que o nosso Sol. Hospeda um planeta gasoso inchado, KELT-11b, cerca de 30% maior que Júpiter, numa órbita muito mais próxima da estrela do que Mercúrio se encontra do Sol.
Durante o seu comissionamento em órbita, a missão Cheops da ESA observou um trânsito de KELT-11b em frente da sua estrela-mãe. A curva de luz desta estrela mostra um declive claro causado pelo trânsito de oito horas de KELT-11b, que permitiu com que os cientistas determinassem com precisão o diâmetro do planeta: 181.600 km – com uma incerteza pouco abaixo de 4300 km.
Crédito: ESA

Cheops, a nova missão de exoplanetas da ESA, completou com sucesso os seus quase três meses de comissionamento em órbita, superando as expectativas do seu desempenho. O satélite, que iniciará operações científicas de rotina até ao final de Abril, já obteve observações promissoras de estrelas conhecidas que albergam exoplanetas, com muitas descobertas empolgantes ainda por vir.

“A fase de comissionamento em órbita foi um período emocionante e estamos satisfeitos por termos conseguido atender a todos os requisitos,” diz Nicola Rando, director do projecto Cheops na ESA. “A plataforma e o instrumento do satélite tiveram um desempenho notável, e os Centros de Operações de Missão e Ciência apoiaram as operações de maneira impecável.

Lançado em Dezembro de 2019, o Cheops (Characterising Exoplanet Satellite) abriu os olhos para o Universo no final de Janeiro e logo depois tirou as suas primeiras imagens, intencionalmente desfocadas, de estrelas. A desfocagem deliberada está no centro da estratégia de observação da missão, que melhora a precisão da medição, espalhando a luz vinda de estrelas distantes por muitos pixeis do seu detector.

A precisão é fundamental na actual pesquisa de exoplanetas. Sabe-se que mais de 4000 planetas – e a somar – são estrelas em órbita que não o Sol. Uma sequência importante é começar a caracterizar esses planetas, fornecendo restrições à sua estrutura, formação e evolução.

Tomar as medidas para caracterizar exoplanetas através da medição precisa dos seus tamanhos – em particular os de planetas menores – é exactamente a missão do Cheops. Antes de ser declarado pronto para a tarefa, no entanto, o pequeno satélite de 1,5m teve de passar por um grande número de testes.

Desempenho excepcional

Com a primeira série de testes em voo, realizada entre Janeiro e Fevereiro, os especialistas da missão começaram a analisar a resposta do satélite e, em particular, do telescópio e detector, no ambiente espacial real. A partir de Março, Cheops concentrou-se em estrelas bem estudadas.

“Para medir o desempenho do Cheops, primeiro é necessário observar estrelas cujas propriedades são bem conhecidas, estrelas que são bem-comportadas – escolhidas a dedo por serem muito estáveis, sem sinais de actividade,” diz Kate Isaak, cientista do projecto Cheops da ESA.

Esta abordagem permitiu às equipas da ESA, do consórcio de missão e da Airbus Espanha – a principal contratante – verificar se o satélite é tão preciso e estável quanto necessário para atingir os seus ambiciosos objectivos.

“A indicação é extremamente estável: isto significa que enquanto o telescópio observa uma estrela durante horas à medida que a nave espacial se move ao longo da sua órbita, a imagem da estrela permanece sempre dentro do mesmo grupo de pixeis no detector,” explica Carlos Corral van Damme, Engenheiro Principal de Sistemas da ESA para Cheops.

“Uma estabilidade tão grande é uma combinação do excelente desempenho do equipamento e dos algoritmos de apontamento sob medida, e será especialmente importante para cumprir os objectivos científicos da missão. A estabilidade térmica do telescópio e do detector também provou ser ainda melhor do que o necessário,” acrescenta Carlos.

O período de comissionamento demonstrou que o Cheops alcança a precisão fotométrica necessária e, o que é mais importante, também mostrou que o satélite pode ser comandado pela equipa do segmento terrestre, conforme necessário, para executar as suas observações científicas.

“Ficámos emocionados quando percebemos que todos os sistemas funcionavam como esperado ou até melhor do que o esperado,” diz Andrea Fortier, cientista dos instrumentos do Cheops, que liderou a equipa de comissionamento do consórcio da Universidade de Berna, na Suíça.

Hora dos exoplanetas

Durante as duas últimas semanas de comissionamento em órbita, o Cheops observou duas estrelas hospedeiras de exoplanetas enquanto os planetas “transitavam” na frente da sua estrela hospedeira e bloqueavam uma fracção da luz estelar. Observar trânsitos de exoplanetas conhecidos é o objectivo da missão – medir tamanhos de planetas com precisão e exactidão sem precedentes e determinar as suas densidades, combinando-os com medições independentes das suas massas.

Um dos alvos era HD 93396, uma estrela amarela sub-gigante localizada a 320 anos-luz de distância, um pouco mais fria e três vezes maior do que o nosso Sol. O foco das observações foi KELT-11b, um planeta gasoso inchado, cerca de 30% maior que Júpiter, numa órbita muito mais próxima da estrela do que Mercúrio se encontra do Sol.

A curva de luz desta estrela mostra um declive claro causado pelo trânsito de oito horas do KELT-11b. A partir desses dados, os cientistas determinaram com precisão o diâmetro do planeta: 181.600 km – com uma incerteza pouco abaixo de 4300 km.

“As medições feitas pelo Cheops são cinco vezes mais precisas do que aquelas realizadas a partir da Terra. Isto dá-nos uma amostra do que podemos alcançar com o Cheops nos próximos meses e anos,” disse Willy Benz, investigador principal do consórcio da missão Cheops e professor de astrofísica da Universidade de Berna.

Uma revisão formal do desempenho do satélite e das operações do segmento terrestre foi realizada no dia 25 de Março e o Cheops passou com distinção. Com isso, a ESA passou a responsabilidade pela operação da missão ao consórcio liderado por Willy Benz.

Felizmente, as actividades de comissionamento não foram muito afectadas pela emergência resultante da pandemia de coronavírus, que resultou em medidas de distanciamento social e restrições ao movimento na Europa para impedir a propagação do vírus.

“O segmento terrestre tem funcionado muito bem desde o início, o que nos permitiu automatizar completamente a maioria das operações para comandar o satélite e reduzir os dados já nas primeiras semanas após o lançamento,” explica Carlos. “Quando a crise surgiu em Março, com as novas regras e regulamentos adjudicados, os sistemas automatizados significavam que o impacto na missão era mínimo.”

O Cheops está actualmente em transição para operações científicas de rotina, que devem começar antes do final de abril. Os cientistas começaram a observar alguns dos “primeiros alvos da ciência” – uma selecção de estrelas e sistemas planetários escolhidos para mostrar exemplos do que a missão pode alcançar: incluem um planeta “super-Terra quente” conhecido como 55 Cancri e, que se encontra coberto por um oceano de lava, bem como o “Neptuno quente” GJ 436b, que está a perder a sua atmosfera devido ao brilho da estrela hospedeira. Outra estrela na lista das próximas observações do Cheops é uma anã branca, o primeiro alvo do Programa de Observadores Convidados da ESA, que fornece aos cientistas de fora do consórcio da missão a oportunidade de usar a missão e capitalizar as suas capacidades de observação.

Astronomia On-line
21 de Abril de 2020

 

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3553: Satélites da Via Láctea ajudam a revelar ligação entre halos de matéria escura e a formação galáctica

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Simulação da formação de estruturas de matéria escura desde o Universo jovem até hoje. A gravidade torna os aglomerados de matéria escura em halos densos, como indicado pelas manchas brilhantes, onde as galáxias se formam. No vídeo, aos 18 segundos da simulação, um halo como aquele que hospeda a Via Láctea, começa a tomar forma no centro superior da imagem. Este halo cai para o primeiro e maior halo, aproximadamente aos 35 segundos, imitando a queda da Grande Nuvem de Magalhães para a Via Láctea. Os cientistas usaram simulações como esta para melhor compreender a ligação entre a matéria escura e a formação galáctica.
Crédito: Ralf Kaehler/Laboratório Nacional SLAC

Assim como o Sol tem planetas e os planetas têm luas, a nossa Galáxia tem galáxias satélites, e algumas delas podem ter as suas próprias galáxias satélites ainda mais pequenas. Com base em medições recentes da missão Gaia da ESA, pensa-se que a Grande Nuvem de Magalhães (GNM), uma galáxia satélite relativamente grande visível a partir do hemisfério sul, tenha trazido com ela pelo menos seis das suas próprias satélites quando se aproximou da Via Láctea pela primeira vez.

Os astrofísicos pensam que a matéria escura é responsável por grande parte desta estrutura, e agora investigadores do Laboratório Nacional SLAC (do Departamento de Energia dos EUA) e do DES (Dark Energy Survey) basearam-se em observações de galáxias ténues em torno da Via Láctea para colocar restrições mais rígidas na ligação entre o tamanho e a estrutura das galáxias e os halos de matéria escura que as rodeiam. Ao mesmo tempo, encontraram mais evidências para a existência de galáxias satélites da GNM e fizeram uma nova previsão: se os modelos dos cientistas estiverem correctos, a Via Láctea deve ter mais 100 galáxias satélites, muito fracas, ainda por descobrir com projectos de próxima geração, como o levantamento LSST (Legacy Survey of Space and Time) do Observatório Vera C. Rubin.

O novo estudo, que será publicado na revista The Astrophysical Journal, faz parte de um esforço maior de entender como a matéria escura funciona em escalas menores que a nossa Galáxia, disse Ethan Nadler, autor principal do estudo e estudante do KIPAC (Kavli Institute for Particle Astrophysics and Cosmology) e da Universidade de Stanford.

“Conhecemos muito bem algumas coisas sobre a matéria escura – quanta matéria escura existe, como é que se agrupa – mas todas estas afirmações são qualificadas dizendo: sim, é assim que se comporta em escalas maiores que o tamanho do nosso Grupo Local de galáxias,” disse Nadler. “E então a questão é: será que funciona às escalas mais pequenas que podemos medir?”

Lançando luz galáctica sobre a matéria escura

Os astrónomos sabem há muito tempo que a Via Láctea tem galáxias satélites, incluindo a Grande Nuvem de Magalhães, que pode ser vista a olho nu a partir do hemisfério sul, mas até ao ano 2000 pensava-se que totalizavam apenas mais ou menos uma dúzia. Desde então, o número de galáxias satélites observadas aumentou dramaticamente. Graças ao SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e às descobertas de projectos mais recentes, incluindo o DES (Dark Energy Survey), o número de galáxias satélites conhecidas subiu para cerca de 60.

Estas descobertas são sempre empolgantes, mas o que talvez seja mais empolgante é o que os dados nos podem dizer sobre o cosmos. “Pela primeira vez, podemos procurar estas galáxias satélites em cerca de três-quartos do céu, e isso é realmente importante para as várias maneiras de aprender mais sobre a matéria escura e sobre a formação das galáxias,” disse Risa Wechsler, directora do KIPAC. No ano passado, por exemplo, Wechsler, Nadler e colegas usaram dados sobre galáxias satélites em conjunto com simulações de computador para estabelecer limites muito mais restritos às interacções da matéria escura com a matéria normal.

Agora, Wechsler, Nadler e a equipa do DES estão a usar dados de um levantamento mais abrangente do céu para fazer perguntas diferentes, incluindo a quantidade de matéria escura necessária para formar uma galáxia, quantas galáxias satélites devemos esperar encontrar em redor da Via Láctea e se essas galáxias podem colocar as suas próprias satélites em órbita da nossa – uma previsão fundamental do modelo mais popular da matéria escura.

Dicas de hierarquia galáctica

A resposta a esta última pergunta parece ser um retumbante “sim.”

A possibilidade de detectar uma hierarquia de galáxias satélites surgiu pela primeira vez há alguns anos atrás, quando o DES detectou mais galáxias satélites na vizinhança da Grande Nuvem de Magalhães do que o esperado caso essas satélites estivessem distribuídas aleatoriamente pelo céu. Estas observações são particularmente interessantes, disse Nadler, à luz das medições do Gaia, que indicaram que seis destas galáxias satélites caíram para a Via Láctea com a GNM.

Para estudar as satélites da GNM mais detalhadamente, Nadler e a sua equipa analisaram simulações de computador de milhões de universos possíveis. Essas simulações, originalmente realizadas por Yao-Yuan Mao, ex-aluno de Wechsler que está agora na Universidade Rutgers, modelaram a formação da estrutura da matéria escura que permeia a Via Láctea, incluindo detalhes como aglomerados mais pequenos de matéria escura na Via Láctea que se pensa hospedarem galáxias satélites. Para ligar a matéria escura à formação galáctica, os cientistas usaram um modelo flexível que lhes permite explicar incertezas no entendimento atual da formação de galáxias, incluindo a relação entre o brilho das galáxias e a massa de aglomerados de matéria escura nas quais se formam.

Um esforço liderado por outros membros da equipa do DES, incluindo os ex-alunos do KIPAC Alex Drlica-Wagner, actualmente do Fermilab e professor assistente de astronomia e astrofísica da Universidade de Chicago, e Keith Bechtol, professor assistente de física na Universidade de Wisconsin-Madison, e colaboradores, produziu o passo final crucial: um modelo em que as galáxias satélites são mais prováveis de serem observadas por levantamentos actuais, tendo em conta onde estão no céu bem como o seu brilho, tamanho e distância.

Com estes componentes em mão, a equipa executou o seu modelo com uma ampla gama de parâmetros e procurou simulações nas quais objectos tipo-GNM caíam na atracção gravitacional de uma galáxia parecida com a Via Láctea. Ao compararem estes casos com observações galácticas, puderam inferir uma série de parâmetros astrofísicos, incluindo quantas galáxias satélites deveriam ter acompanhado a Grande Nuvem de Magalhães. Os resultados, disse Nadler, são consistentes com as observações do Gaia: seis galáxias satélites devem poder ser actualmente detectadas na vizinhança da GNM, movendo-se aproximadamente às mesmas velocidades e aproximadamente nas mesmas posições que os astrónomos tinham observado anteriormente.

Galáxias ainda não observadas

Além das descobertas da GNM, a equipa também estabeleceu limites para a ligação entre os halos de matéria escura e a estrutura galáctica. Por exemplo, nas simulações que mais se aproximaram da história da Via Láctea e da GNM, as galáxias mais pequenas que os astrónomos podiam actualmente observar devem ter estrelas com uma massa combinada de aproximadamente cem sóis, e cerca de um milhão de vezes mais matéria escura. De acordo com uma extrapolação do modelo, as galáxias mais fracas já observadas podiam formar-se em halos até cem vezes menos massivos.

E podem estar por vir mais descobertas: se as simulações estiverem corretas, disse Nadler, existem cerca de outras 100 galáxias satélites – no total, mais do dobro do número já encontrado – pairando em torno da Via Láctea. A descoberta dessas galáxias ajudaria a confirmar o modelo dos investigadores das ligações entre a matéria escura e a formação de galáxias, explicou, e provavelmente colocaria restrições mais rígidas à natureza da própria matéria escura.

Astronomia on-line
14 de Abril de 2020

 

spacenews

 

3444: Dez coisas que o SDO já nos ensinou sobre o Sol nos seus 10 anos de operações

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem pelo SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, capturada no dia 16 de Março de 2015, mostra duas manchas escuras, de nome buracos coronais. O buraco coronal inferior, um buraco coronal polar, foi um dos maiores observado em décadas.
Crédito: NASA/SDO

Em Fevereiro de 2020, o satélite SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA comemorou o seu 10.º ano no espaço. Na última década, a sonda manteve um olho fixo no Sol, estudando como a nossa estrela cria actividade solar e impulsiona o clima espacial – as condições dinâmicas no espaço que afectam todo o Sistema Solar, incluindo a Terra.

Desde o seu lançamento a 11 de Fevereiro de 2010, que o SDO recolheu milhões de imagens científicas da nossa estrela mais próxima, dando aos cientistas novas ideias sobre o seu funcionamento. As medições do Sol, pelo SDO – desde o interior até à atmosfera, campo magnético e produção energética – contribuíram muito para a compreensão da nossa estrela. As imagens do SDO também se tornaram icónicas – se já viu alguma ampliação da actividade no Sol, foi provavelmente uma imagem do SDO.

A longa carreira do SDO no espaço permitiu testemunhar quase um ciclo solar inteiro – o ciclo de 11 anos de actividade do Sol. Aqui ficam alguns destaques dos feitos do satélite SDO ao longo dos anos.

1) Proeminências fantásticas

A sonda SDO testemunhou inúmeras explosões surpreendentes – explosões gigantes de plasma libertadas da superfície solar – muitas das quais se tornaram imagens icónicas da ferocidade da nossa estrela mais próxima. No seu primeiro ano e meio, o SDO viu quase 200 proeminências solares, o que permitiu aos cientistas identificar um padrão. Notaram que cerca de 15% das proeminências apresentavam um “surto de fase tardia” que se seguia minutos a horas após a proeminência inicial. Ao estudar esta classe especial, os cientistas entenderam melhor quanta energia é produzida quando o Sol entra em erupção.

2) Tornados solares

Em Fevereiro de 2012, o SDO capturou imagens que mostram estranhos tornados de plasma na superfície solar. Observações posteriores descobriram que estes tornados, criados por campos magnéticos que giram o plasma, podem rodopiar a velocidades de até quase 300.000 km/h. Na Terra, os tornados apenas atingem velocidades de 480 km/h.

3) Ondas gigantes

O mar agitado de plasma na superfície solar pode criar ondas gigantes que viajam ao redor do Sol até 4,8 milhões de quilómetros por hora. Estas ondas, chamadas ondas EIT em homenagem a um instrumento com o mesmo nome na sonda SOHO (Solar and Heliophysics Observatory) que as descobriu pela primeira vez, foram fotografadas em alta resolução pelo SDO em 2010. As observações mostraram, pela primeira vez, como as ondas se movem pela superfície. Os cientistas suspeitam que estas ondas são impulsionadas por ejecções de massa coronal, que expelem nuvens de plasma da superfície do Sol para o Sistema Solar.

4) Cometas combustivos

Ao longo dos anos, o observatório SDO observou dois cometas a voar pelo Sol. Em Dezembro de 2011, os cientistas observaram o Cometa Lovejoy a sobreviver ao intenso aquecimento enquanto passava a 830.000 km da superfície solar. O Cometa ISON em 2013 não sobreviveu ao seu encontro. Através de observações como estas, o SDO forneceu aos cientistas novas informações sobre como o Sol interage com os cometas.

5) Circulação global

Não tendo superfície sólida, todo o Sol flui continuamente devido ao intenso calor que tenta escapar e à rotação do Sol. Movendo-se a latitudes médias, existem padrões de circulação em larga escala chamados Circulação Meridional. As observações do SDO revelaram que estas circulações são muito mais complexas do que os cientistas pensavam inicialmente e estão ligadas à produção de manchas solares. Estes padrões de circulação podem até explicar porque, às vezes, um hemisfério pode ter mais manchas solares do que o outro.

6) Prevendo o futuro

O derramamento de material solar por meio de ejecções de massa coronal, ou EMCs, e a velocidade do vento solar em todo o Sistema Solar. Quando interagem com o ambiente magnético da Terra, podem induzir o clima espacial, que pode ser prejudicial para naves espaciais e astronautas. Usando dados do SDO, os cientistas da NASA trabalharam na modelagem do caminho de uma ECM à medida que se move pelo Sistema Solar, a fim de prever o seu potencial efeito na Terra. A longa linha de base das observações solares também ajudou os cientistas a formar modelos adicionais de aprendizagem de máquina para tentar prever quando o Sol pode lançar uma EMC.

7) Escurecimentos coronais

A fina atmosfera externa e super-aquecida do Sol – a coroa – às vezes fica mais ténue. Os cientistas que estudam o escurecimento coronal descobriram que está ligado às EMCs, que são as principais responsáveis pelos severos eventos climáticos espaciais que podem danificar satélites e astronautas. Usando uma análise estatística do grande número de eventos observados com a sonda SDO, os cientistas conseguiram calcular a massa e a velocidade das EMCs direccionadas à Terra – o tipo mais perigoso. Ao ligarem o escurecimento coronal com o tamanho das EMCs, os cientistas esperam poder estudar os efeitos do clima espacial em torno de outras estrelas, demasiado distantes para medir directamente as suas EMCs.

8) Morte e nascimento de um ciclo solar

Com uma década de observações, a SDO já viu quase um ciclo solar completo de 11 anos. Começando perto do início do Ciclo Solar 24, a SDO observou o Sol a subir para o máximo solar de actividade e depois a desvanecer para o mínimo solar actual. Estas observações plurianuais ajudam os cientistas a entender sinais que marcam o declínio de um ciclo solar e o início do próximo.

9) Buracos coronais polares

Às vezes, a superfície do Sol é marcada por grandes manchas escuras chamadas buracos coronais, onde a emissão ultravioleta extrema é baixa. Ligados com o campo magnético do Sol, os buracos seguem o ciclo solar, aumentando no máximo solar. Quando se formam na parte superior e inferior do Sol, são chamados de buracos coronais polares e os cientistas do observatório SDO foram capazes de usar o seu desaparecimento para determinar quando o campo magnético do Sol se reverteu – um indicador importante de quando o Sol atinge o máximo solar.

10) Novas explosões magnéticas

No final da década, em Dezembro de 2019, as observações do SDO permitiram a descoberta de um novo tipo de explosão magnética. Este tipo especial – de nome reconexão magnética espontânea (vs. formas mais gerais anteriormente observadas de reconexão magnética) – ajudaram a confirmar uma teoria com décadas. Também pode ajudar os cientistas a entender porque é que a atmosfera solar é tão quente, a melhor prever o clima espacial e levar a avanços em experiências laboratoriais de fusão controlada e de plasma.

Todos os instrumentos do SDO ainda estão em boas condições, com o potencial de permanecer a funcionar por mais uma década.

Astronomia On-line
18 de Fevereiro de 2020

 

spacenews

 

3442: NASA já escolheu a tecnologia para comunicar para Marte

CIÊNCIA/MARTE

A NASA está a preparar todos os pormenores para melhorar as comunicações entre Marte e a Terra. Desde que a agência espacial americana lançou o satélite Explorer 1 em 1958, as comunicações têm sido confiadas sobretudo às ondas de rádio. Estas viajam milhões – ou mesmo milhares de milhões – de quilómetros através do espaço. Contudo, à medida que a NASA se orienta para novos destinos em missões tripuladas, esta prepara um novo sistema de comunicações.

Um dos passos que está a ser dado é a inclusão da nova antena parabólica à Deep Space Network (DSN). Esta será equipada com espelhos e um receptor especial para permitir a transmissão e recepção de lasers da sonda no espaço profundo.

Ondas rádio viajam milhões de quilómetros até ao espaço profundo

A nova antena, segundo a Inverse, será apelidada de Deep Space Station-23 (DSS-23), faz parte de uma transição para uma comunicação mais rápida e eficiente enquanto a NASA se prepara para voltar à Lua até 2024. Além disso, esta tecnologia irá beneficiar a primeira missão humana a Marte em meados de 2030.

A solução que está por trás desta antena é simples. Se a NASA vai enviar humanos para Marte, estes precisam de ser capazes de comunicar com a Terra – e os lasers podem ajudar a garantir que os futuros astronautas marcianos tenham uma boa recepção a 58 milhões de quilómetros da Terra.

A construção da parabólica de 34 metros começou esta semana em Goldstone, Califórnia. É apenas uma de uma série de antenas DSN – perfazendo 13 pratos no total que ajudarão a transportar as mensagens transmitidas por laser de e para o espaço.

A DSN é a única linha telefónica da Terra para as nossas duas naves espaciais Voyager – ambas no espaço interestelar -, todas as nossas missões em Marte e a nave espacial New Horizons, que agora está muito além de Plutão.

Quanto mais exploramos, mais antenas precisamos para conversar com todas as nossas missões.

Explicou Larry James, vice-director do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em comunicado.

NASA fez os testes e… resultou!

A NASA tem usado as antenas da DSN para se comunicar com naves espaciais desde os anos 60. Por elas são enviados sinais para uma média de 30 naves espaciais por dia. As antenas transmitem e recebem ondas de rádio entre o controlo terrestre e a nave espacial. E embora as ondas de rádio tenham funcionado bem durante todos estes anos, estas têm sérias limitações.

As ondas de rádio tendem a ficar mais fracas em longas distâncias, e têm capacidade limitada. No caso das gémeas Voyager, as duas naves espaciais que percorrem o espaço interestelar que está longe, muito longe da Terra, isso significa que os sinais enviados da Terra para as suas antenas – e vice versa – são muito fracos. Na verdade, a potência que as antenas DSN recebem dos sinais da Voyager é 20 mil milhões de vezes mais fraca do que a potência necessária para rodar um relógio digital, de acordo com a NASA.

Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Está há 26 anos no espaço e acaba agora de chegar aos limites do nosso sistema solar, tendo conseguido ultrapassar com sucesso a região conhecida como “Choque Terminal” onde partículas eléctricas provenientes do Sol … Continue a ler Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

É a vez dos Lasers comunicar com outros mundos

Os lasers são feixes de luz infravermelha. Viajam mais longe no espaço com muito mais potência do que as ondas de rádio.

Os lasers podem aumentar a sua taxa de dados de Marte em cerca de 10 vezes mais do que a obtida com o rádio. A nossa esperança é que o fornecimento de uma plataforma para comunicações ópticas encoraje outros exploradores espaciais a experimentar lasers em missões futuras.

Referiu Suzanne Dodd, directora da Rede Interplanetária, a organização que gere o DSN, em comunicado.

A NASA testou pela primeira vez a comunicação a laser no espaço no ano de 2013. Nessa altura foi enviada uma imagem da pintura de Mona Lisa para um satélite localizado a 386 mil quilómetros de distância da Terra.

A famosa pintura de Leonardo da Vinci foi dividida num conjunto de 152 pixeis por 200 pixeis, e cada pixel foi convertido num tom de cinza representado por um número entre zero e 4095. Cada um dos pixeis foi então transmitido através de um pulso laser que foi disparado numa das 4096 faixas de tempo possíveis.

A pintura foi então reconstruida pelo altímetro laser de órbita lunar (LOLA) a bordo do instrumento Lunar Reconnaissance Orbiter com base nos tempos de chegada de cada pulso laser.

Esta é a primeira vez que alguém consegue comunicação a laser unidireccional a distâncias planetária. Num futuro próximo, este tipo de comunicação laser simples poderá servir como apoio para a comunicação via rádio que os satélites usam. Num futuro mais distante, pode permitir a comunicação a taxas de dados mais elevadas do que as actuais ligações de rádio podem proporcionar.

Disse o principal investigador do LOLA, David Smith, do Massachusetts Institute of Technology, numa declaração na época.

A construção desta nova era de comunicações começou nesta semana. NASA / JPL-Caltech

Missão Psyche irá ser teste de fogo aos lasers

A comunicação por raio laser será posta à prova no ano 2022, quando a NASA lançar a sua missão Psyche, que viajará para estudar um asteróide metálico que orbita o Sol entre Marte e Júpiter.

Conforme foi referido, o orbitador levará a bordo um terminal de comunicação a laser de teste, projectado para transmitir dados e imagens para um observatório na Montanha Palomar, no sul da Califórnia. Para que o futuro das viagens espaciais humanas se mantenha nos trilhos, esperemos que funcione.

pplware
15 Fev 2020

 

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3433: Satélite de observação do sol com tecnologia portuguesa vai ser lançado esta segunda-feira

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Satélite europeu vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol. Vai ser lançado esta segunda-feira, nos Estados Unidos da América, e tem tecnologia portuguesa.

O satélite europeu que vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, o Solar Orbiter, vai ser lançado esta segunda-feira e leva a bordo tecnologia portuguesa, das empresas Critical Software, Active Space Technologies e Deimos Engenharia.

O engenho, cujo lançamento chegou a ser apontado para 05, 06 e 08 de Fevereiro, será enviado para o espaço a partir da base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, às 23:03 de domingo na hora local (04:03 de segunda-feira em Portugal), de acordo com o mais recente calendário divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que conduz a missão em conjunto com a congénere norte-americana NASA.

A Critical Software concebeu vários sistemas de ‘software’ do satélite, como os sistemas centrais de comando e controlo, de detecção e recuperação de falhas e de gestão de comportamento térmico, segundo informação da empresa.

A Active Space Technologies fabricou componentes em titânio para o braço de suporte e orientação da antena de comunicação do satélite com a Terra e canais igualmente de titânio, para a passagem de luz, que atravessam o escudo térmico do aparelho, adiantou a companhia à Lusa.

A Deimos Engenharia, braço português da componente tecnológica do grupo espanhol de engenharia e construção de infra-estruturas Elecnor, trabalhou na definição e implementação da estratégia para testar os sistemas de voo do Solar Orbiter.

A missão do Solar Orbiter (Orbitador Solar) vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, considerados a chave para se compreender a actividade e o ciclo solares.

Por outro lado, salienta a ESA, será o primeiro satélite europeu a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço.

O aparelho, que estará a 42 milhões de quilómetros do Sol na sua maior aproximação, o equivalente a um quarto da distância que separa a estrela da Terra, está equipado com dez instrumentos para observar a superfície turbulenta do Sol, a sua atmosfera exterior e as alterações no vento solar (emissão contínua de partículas energéticas a partir da coroa, a camada mais externa da atmosfera solar).

O Solar Orbiter, preparado para enfrentar temperaturas de 500ºC, trabalhará em complemento com a sonda norte-americana Parker Solar Probe, em órbita desde 2018, e que tem quatro instrumentos para estudar o campo magnético do Sol, o plasma, as partículas energéticas e o vento solar.

Os cientistas esperam obter com este satélite respostas sobre o que leva à aceleração das partículas energéticas, o que acontece nas regiões polares por acção do campo magnético, como é que o campo magnético é gerado no Sol e como se propaga através da sua atmosfera e pelo espaço, como a radiação e as emissões de plasma (gás ionizado formado a elevadas temperaturas) da coroa afectam o Sistema Solar e como as erupções solares produzem as partículas energéticas que conduzem ao clima espacial extremo próximo da Terra.

Observador

Agência Lusa
Texto
10 Fev 2020, 00:18

 

 

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3423: 57 000 satélites lutarão pelo espaço na órbita da Terra até 2029 (vídeo)

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A órbita da Terra está congestionada. São muitos os relatos de problemas causados pelo grande números de satélites activos e moribundos que estão ao redor do nosso planeta. Na verdade, a humanidade, até agora, colocou mais de 9000 dispositivos em órbita desde 1957 e há actualmente muito lixo no Espaço. A somar a isto, o novo ímpeto comercial está a ganhar força. Temos o exemplo da SpaceX que enviou um lote de 60 satélites como parte do seu plano de lançar milhares do Projceto Starlink.

Esta animação em vídeo traça um panorama preocupante.

Satélites, detritos e lixo indiferenciado

A NASA e a ESA já estão a vigiar milhares de toneladas de detritos espaciais que são uma enorme dor de cabeça. Nesse sentido, para que possamos ter uma ideia do que existe e do que ainda será lançado, foi elaborada uma animação desconcertante.

Nas imagens veremos o que está programado para entrar em órbita nesta década e o tamanho do problema que iremos ter com os detritos espaciais.

Sabia que por cima da sua cabeça gravitam mais de 19 500 objectos de lixo espacial?

Ontem vimos que há já “falta de espaço” no Espaço. Poderá ter suscitado alguma dúvida, mas se olhamos para os números poderemos perceber porque está a ficar apertado o Espaço em redor da Terra. … Continue a ler Sabia que por cima da sua cabeça gravitam mais de 19 500 objectos de lixo espacial?

57 000 satélites em órbita

O Espaço é cada vez mais um destino para “produtos comerciais”. Como tal, várias empresas estão já a disputar a órbita baixa terrestre para vender serviços. Como resultados, se juntarmos as empresas privadas, como a SpaceX, e as agências governamentais de vários países, iremos ter dentro de uma década 57 000 novos satélites em órbita. Portanto, até 2029 iremos ter 25 vezes o número de naves espaciais activas actualmente.

Segundo as imagens que vamos ver a seguir, criadas por Dan Oltrogge, da Analytical Graphics, Inc. o cenário é preocupante. A animação mostra os satélites planeados de 2017 a 2029, a maioria pertencente ao projecto Starlink da SpaceX.

Na curta animação, uma Terra limpa aparece até que o primeiro lote de pontos, cada um representando um satélite, comece a orbitar em torno do planeta. Em 2022, a Terra estará repleta de milhares de pontos e, em 2029, o planeta parecerá completamente lotado e cercado de lixo.

Cenário do Espaço que já preocupa as organizações

Conforme foi referido, o vídeo foi partilhado na 23.ª Conferência de Transporte Espacial Comercial anual em Washington. No dia anterior, o mundo era “alertado” da possibilidade de dois satélites inactivos poderiam colidir. Apesar de haver um milimétrico controlo das órbitas, há já milhares de detritos capazes de fazer grandes estragos nos equipamentos em órbita.

Segundo Oltrogge, mesmo que apenas uma fracção dos satélites planeados sigam para o Espaço, a mudança ao redor do planeta ainda seria significativa, especialmente se considerarmos que o problema já é complexo, mesmo sem eles.

Como se pode limpar o Espaço?

Já se começa a pensar seriamente no problema. Além da maior exposição mediática dos incidentes, as agências como a ESA e a NASA começam a trabalhar na remoção desses detritos. A Estação Espacial Internacional tem sido o grande argumento para uma acção musculada nesta área.

De facto, até pequenos detritos podem causar sérios danos, enquanto colisões de lixo espacial maior, como satélites, podem criar milhares de novos pedaços de detritos.

NASA: Lixo Espacial provoca fuga de ar na Estação Espacial Internacional

Esta quarta-feira, controladores de missão em Houston (EUA) e Moscovo (Rússia), detectaram uma descida de pressão no interior da Estação Espacial Internacional. Durante o dia de ontem, e depois de uma busca extensiva, os … Continue a ler NASA: Lixo Espacial provoca fuga de ar na Estação Espacial Internacional

Surpreendentemente, até agora, as colisões são muito raras. No entanto, isso não significa que eles não sejam um problema, e é por isso que as agências espaciais estão a desenvolver esforços para remover o lixo espacial da órbita da Terra o mais rápido possível.

pplware
07 Fev 2020

spacenews

 

3407: Dois satélites estarão prestes a colidir em órbita terrestre e podem trazer problemas

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A órbita baixa da Terra acomoda muitos satélites e detritos. Contudo, o que tem preocupado mais as entidades são os milhares de satélites antigos e extintos que já não comunicam com a Terra, lixo espacial. Surpreendentemente estes raramente colidem. Agora o caso pode mudar de figura, isto porque hoje poderá haver uma colisão entre dos satélites reformados.

Segundo a LeoLabs Inc, que monitoriza a rota dos satélites, logo à noite, dois satélites irão passar tão próximos um do outro que há uma forte probabilidade de chocarem.

Satélites mortos vagueiam em direcção à colisão

De acordo com a ScienceAlert, que refere dados do serviço de monitorização de detritos espaciais, LeoLabs, o IRAS (um telescópio astronómico infravermelho, desactivado, lançado em 1983) e o GGSE-4 (satélite militar desactivado com uma carga científica a bordo, lançado em 1967. Só recentemente foi desclassificado) estão a aproximar-se.

Segundo os dados, hoje, 29 de Janeiro, pelas 23:39:35, hora de Lisboa, os dois satélites passarão a apenas 15 a 30 metros um do outro, a uma altitude de cerca de 900 quilómetros. Tendo em conta que estes satélites estão mortos, não há forma de em Terra se poder comunicar para eventualmente proceder a manobras de evasão.

LeoLabs, Inc. @LeoLabs_Space

1/ We are monitoring a close approach event involving IRAS (13777), the decommissioned space telescope launched in 1983, and GGSE-4 (2828), an experimental US payload launched in 1967.

(IRAS image credit: NASA)

 

Desta forma, há uma hipótese em 100 de acontecer uma colisão, de acordo com os cálculos do LeoLabs.

Estas colisões aconteceram no passado, com certeza. O mais interessante é que a passagem estimada entre 15 e 30 metros é incrivelmente próxima.

Explicou Alice Gorman, arqueóloga espacial da Universidade Flinders.

As naves espaciais adoptaram manobras evasivas para evitar coisas que estão apenas a 60 quilómetros. Portanto, este é um encontro muito, muito próximo. E se isto realmente acontecer, resultará potencialmente numa grande quantidade de detritos que serão criados. Eu diria que esta é uma das colisões mais perigosas possíveis que já vimos desde há algum tempo.

Referiu Gorman.

Mais de uma tonelada de material em alta velocidade

As duas naves espaciais não são leves. O IRAS tinha uma massa de lançamento de 1083 kg e ocupa um espaço de 3,6 por 3,24 por 2,05 metros. Já o GGSE-4, também conhecido como Poppy 5 ou 1967-053G, é muito menor, com apenas 85 kg, segundo o astrónomo de Harvard –Smithsonian Jonathan McDowell.

Jonathan McDowell @planet4589

The NASA/NIVR IRAS satellite and the NRO/USN POPPY 5B satellite (aka GGSE 4) are predicted to make a close approach on Wednesday. POPPY 5B has 18-metre-long gravity gradient booms so a 15-to-30 metre predicted miss distance is alarming https://twitter.com/LeoLabs_Space/status/1221908253627412480 

LeoLabs, Inc. @LeoLabs_Space
Respondendo a @LeoLabs_Space

2/ On Jan 29 at 23:39:35 UTC, these two objects will pass close by one another at a relative velocity of 14.7 km/s (900km directly above Pittsburgh, PA). Our latest metrics on the event show a predicted miss distance of between 15-30 meters.

Ver imagem no Twitter

Os satélites estão a navegar a alta velocidade. Segundo os dados disponibilizados, a velocidade relativa é de 14,7 quilómetros por segundo. Nesse sentido, como refere Gorman, se colidirem, o menor será destruído, produzindo uma nuvem de novos detritos. O maior provavelmente permaneceria praticamente intacto, mas não sem alguns danos, produzindo ainda mais detritos.

Em abono da verdade, para o nosso planeta, não há qualquer perigo. Quaisquer detritos que orbitam serão queimados inofensivamente na reentrada na atmosfera. Nem chegará ao solo.

A preocupação, como vimos quando a Índia destruiu um satélite de baixa órbita no ano passado, é sobre repercussões nos outros satélites.

NASA indignada com a Índia: destruição de satélite ameaça segurança da ISS

Na semana passada, a Índia disparou um míssil que destruiu um satélite na órbita da Terra. Como resultado, foram espalhados 400 pedaços de detritos “perigosamente grandes” e muitos outros tão pequenos que não se … Continue a ler NASA indignada com a Índia: destruição de satélite ameaça segurança da ISS

O problema realmente acontece com os detritos que irão colocar em risco as outras naves. E, se a densidade dos objectos for suficientemente alta, poderão criar ainda mais colisões, eventualmente tornando as faixas orbitais difíceis de usar ou passar durante várias gerações.

O medo é que, se não descobrirmos como nos livrar de alguns destes detritos na próxima década, este tipo de colisão começará a significar que é mais difícil lançar satélites e realizar operações espaciais. Portanto, é definitivamente uma grande preocupação.

Referiu Gorman.

29 JAN 2020

spacenews

 

3404: 2 satellites will — hopefully — narrowly avoid colliding at 32,800 mph over Pittsburgh on Wednesday

SCIENCE/TECHNOLOGIE

A collision would create a debris belt that would endanger spacecraft worldwide.

The The Infrared Astronomical Satellite (IRAS) orbits the Earth in this illustration.
(Image: © NASA)

Editor’s note: This story was updated 12:20 p.m. E.S.T. on Jan. 29 to reflect new information from LeoLabs about the satellites and their collision risk.

Two defunct satellites will — hopefully — zip past each other at 32,800 mph (14.7 kilometers per second) in the sky over Pittsburgh on Wednesday evening (Jan. 29).

When this article was first written Tuesday morning (Jan. 28) the odds of a collision were 1 in 100. A crash has since become five times more likely, with 1 in 20 odds. If the two satellites were to collide, the debris could endanger spacecraft around the planet.

If the satellites miss as expected, it will be a near miss: LeoLabs, the satellite-tracking company that made the prediction, said they should pass about 40 feet apart (12 meters) at 6:39:35 p.m. local time. The odds of a collision went up in large part based on the information that one of the two satellites, the Gravity Gradient Stabilization Experiment (GGSE-4), had a 60 foot (18 m) boom trailing from it, according to LeoLabs. No one knows which way the boom is facing, which complicates the calculation.

One of the satellites is called the Infrared Astronomical Satellite (IRAS). Launched in 1983, it was the first infrared space telescope and operated for less than a year, according to the Jet Propulsion Laboratory. GGSE-4 was a U.S. Air Force experiment launched in 1967 to test spacecraft design principles, according to NASA. The two satellites are unlikely to actually slam into each other, said LeoLabs CEO Dan Ceperley. But predictions of the precise movements of fairly small, fast objects over vast distances is a challenge, Ceperley told Live Science. (LeoLabs’ business model is selling improvements on those predictions.)

If they did collide, “there would be thousands of pieces of new debris that would stay in orbit for decades. Those new clouds of debris would threaten any satellites operating near the collision altitude and any spacecraft transiting through on its way to other destinations. The new debris [would] spread out and form a debris belt around the Earth,” Ceperley said.

LeoLabs uses its own network of ground-based radar to track orbiting objects. Still, Jonathan McDowell, a Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics astronomer who tracks satellites using public data, said the near-miss prediction was plausible.

“I confirm there is a close approach of these two satellites around 2339 UTC Jan 29. How close isn’t clear from the data I have, but it’s reasonable that LEOLabs data is better,” McDowell told Live Science.

(When it’s 23:39 UTC it’s 6:39 p.m. Eastern time, which is the time zone in Pittsburgh.)

“What’s different here is that this isn’t debris-on-payload but payload-on-payload,” McDowell said. In other words, in this case two satellites, rather than debris and a satellite, are coming close to one another.

It’s pretty common for bits of orbital debris to have near misses in orbit, Ceperley said, which usually go untracked. It’s more unusual, though, for two full-size satellites to come this close in space. IRAS in particular is the size of a truck, at 11.8 feet by 10.6 feet by 6.7 feet (3.6 by 3.2 by 2.1 m).

“Events like this highlight the need for responsible, timely deorbiting of satellites for space sustainability moving forward. We will continue to monitor this event through the coming days and provide updates as available,” LeoLabs said on Twitter.

It’s still unlikely the two satellites will collide, and the odds are subject to change based on new information. When this article was first written, LeoLabs calculated 1 in 100 odds of a collision. They’ve since been revised down to 1 in 1,000, and then up to 1 in 20.

Editor’s note: This story was corrected on January 28. The date Jan. 29 is a Wednesday, not a Thursday.

Originally published on Live Science.
By Rafi Letzter – Staff Writer

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Satélite que vai “fotografar” pólos solares pela primeira vez é lançado em 8 de Fevereiro e tem “mão” lusa

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Solar Orbiter será o primeiro satélite europeu a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço e tem tecnologia portuguesa.

O satélite europeu que vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, o Solar Orbiter, com nova data de lançamento prevista para 8 de Fevereiro, tem tecnologia portuguesa, das empresas Critical Software e Active Space Technologies.

O engenho, cujo lançamento chegou a ser apontado para 5 e 6 de Fevereiro, será enviado para o espaço em 8 de Fevereiro, às 4h15 (hora de Lisboa), da base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, de acordo com o mais recente calendário divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que conduz a missão em conjunto com a congénere norte-americana NASA.

A Critical Software concebeu vários sistemas de software do satélite, como os sistemas central de comando e controlo, de detecção e recuperação de falhas e de gestão de comportamento térmico, segundo informação da empresa.

A Active Space Technologies fabricou componentes em titânio para o braço de suporte e orientação da antena de comunicação do satélite com a Terra e canais igualmente de titânio, para a passagem de luz, que atravessam o escudo térmico do aparelho, adiantou a companhia à Lusa.

De novo, a missão do Solar Orbiter (Orbitador Solar) vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, considerados a chave para se compreender a actividade e o ciclo solares.

Por outro lado, salienta a ESA, será o primeiro satélite europeu a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço.

O aparelho, que estará a 42 milhões de quilómetros do Sol na sua maior aproximação, o equivalente a um quarto da distância que separa a estrela da Terra, está equipado com dez instrumentos para observar a superfície turbulenta do Sol, a sua atmosfera exterior e as alterações no vento solar (emissão contínua de partículas energéticas a partir da coroa, a camada mais externa da atmosfera solar).

O Solar Orbiter, preparado para enfrentar temperaturas de 500ºC, trabalhará em complemento com a sonda norte-americana Parker Solar Probe, em órbita desde 2018, e que tem quatro instrumentos para estudar o campo magnético do Sol, o plasma, as partículas energéticas e o vento solar.

A sonda da NASA estará mais perto do Sol do que o Solar Orbiter, a 6,2 milhões de quilómetros na sua maior aproximação à estrela, e viajará pela camada mais interna da sua atmosfera para observar como as partículas energéticas circulam na coroa.

Ambos os engenhos usam a gravidade do planeta Vénus para se aproximarem do Sol. A primeira aproximação do Solar Orbiter ao Sol é esperada em Fevereiro de 2021.

Os cientistas esperam obter com este satélite respostas sobre o que leva à aceleração das partículas energéticas, o que acontece nas regiões polares por acção do campo magnético, como é que o campo magnético é gerado no Sol e como se propaga através da sua atmosfera e pelo espaço, como a radiação e as emissões de plasma (gás ionizado formado a elevadas temperaturas) da coroa afectam o Sistema Solar e como as erupções solares produzem as partículas energéticas que conduzem ao clima espacial extremo próximo da Terra.

Observador

Agência Lusa
Texto
27 Jan 2020, 21:00

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3344: Matéria escura pode ter colidido com a Via Láctea (e criado uma “onda” gigante)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Alyssa Goodman / Harvard University

Uma onda enorme foi descoberta na Via Láctea, que se pode ter formado como resultado de uma colisão com um enorme objecto misterioso – potencialmente matéria escura.

A “onda Radcliffe” foi descoberta com recurso aos dados do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia. Antes, passara despercebida por causa do seu tamanho extremo e da nossa proximidade. Da Terra, a onda cobre metade do céu, dificultando a visualização de toda a estrutura.

Investigadores liderados por João Alves, do Departamento de Astrofísica da Universidade de Viena e do Instituto Radcliffe de Estudos Avançados da Universidade de Harvard, estavam inicialmente a tentar mapear uma estrutura conhecida como Cinturão de Gould. Esta é uma grande faixa de regiões de formação de estrelas.

Ao fazer isso, a equipa descobriu que o Cinturão de Gould é “apenas um efeito de projecção” de uma estrutura muito maior, disse Alves , em declarações à Newsweek. “Como se pode imaginar, fiquei muito surpreendido”, disse.

De acordo com o estudo publicado este mês na revista científica Nature, os cientistas descobriram que a onda Radcliffe era um filamento enorme e longo, com nove mil anos-luz de comprimento e 400 de largura. Também foi encontrado 500 anos-luz acima e abaixo do plano médio do disco galáctico em forma de onda.

Anda não se sabe o que pode ter produzido a onda. No entanto, a sua amplitude parece estar a diminuir ao longo do tempo. Para que seja uma onda atenuada, sugere imediatamente algum tipo de gatilho – talvez uma colisão entre o disco da nossa Via Láctea e um objecto maciço – que até agora não foi possível identificar. Porém, poderia ter sido um grupo de matéria escura.

Um estudo anterior sobre o Cinturão de Gould, publicado em 2009 na revista científica Monthly Notices da Royal Astronomical Society, sugeriu o mesmo. Talvez uma gigantesca bolha de matéria escura tenha colidido com a nuvem de gás jovem há milhões de anos, distorcendo a gravidade da galáxia e espalhando as estrelas mais próximas no padrão visto hoje, recorda o LiveScience.

Alves disse ainda que a onda e as novas estrelas que produz são os nossos novos vizinhos galácticos, uma vez que o nosso sistema solar está a viajar na mesma direcção e na mesma velocidade. Aliás, o nosso Sol morrerá antes da maioria destas novas estrelas vizinhas.

Além disso, a equipa descobriu que a onda interage com o Sol, que cruzou no nosso caminho há cerca de 13 milhões de anos e continuará em mais 13 milhões de anos. O que aconteceu durante esse encontro também é desconhecido, segundo explicou Alves em comunicado.

A equipa espera agora encontrar outras estruturas semelhantes noutras partes da Via Láctea. Além disso, estão a tentar localizar e medir as estrelas adolescentes da onda, pois herdam os movimentos da nuvem parental, portanto, propriedades importantes, o que deverá ajudá-los a descobrir o que poderá ter causado a formação da onda.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

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3330: SpaceX lança 60 satélites para fornecer Internet a zonas isoladas do mundo

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/INTERNET

SpaceX / Twitter

A sociedade espacial californiana SpaceX vai lançar esta madrugada mais 60 satélites, para a sua constelação Starlink de fornecimento de acesso à Internet de alto débito a partir do espaço, destinada a cobrir prioritariamente as zonas isoladas do mundo.

Se o lançamento for bem-sucedido, a constelação vai contar com 180 satélites em órbita, depois de dois lançamentos em 2019, parte dos quais acabaram por avariar.

A Planet Labs, baseada em San Francisco e que fotografa toda a Terra em alta resolução, todos os dias, tem cerca de 140 satélites activos em órbita, o que constitui a maior constelação activa nos dias de hoje.

A SpaceX utiliza os seus próprios foguetões Falcon 9, que são reutilizáveis, e prevê uma cadência de lançamentos inédita, com mais dois até ao final de Janeiro.

Em Setembro, uma dirigente da SpaceX afirmou que esperava realizar dois lançamentos mensais em 2020, apesar de haver quem entenda que a sociedade não tem o ‘músculo’ financeiro e técnico para tal. No total, a empresa fundada por Elon Musk já pediu autorização para enviar até 42 mil satélites, número totalmente hipotético actualmente.

Contudo, a SpaceX declarou que o seu serviço de Internet estaria operacional em 2020 para o Canadá e o norte dos Estados Unidos (EUA) e que o resto do mundo seria coberto progressivamente depois, à medida que os lançamentos fossem acontecendo.

Se a sua constelação se concretizar, a SpaceX vai ter mais satélites em actividade que o conjunto dos outros operadores do mundo juntos, civis e militares, cujos aparelhos devem totalizar cerca de 2.100.

Official SpaceX Photos / Flickr

Os pequenos satélites Starlink, com cerca de 300 quilogramas, equipados com um painel solar, são fabricados, equipados e lançados pela SpaceX. São largados por um foguetão a 290 quilómetros de altura e levam um a quatro meses para atingir a sua órbita operacional de 550 quilómetros.

A altitude relativamente baixa de 550 quilómetros deve permitir um tempo de resposta mais rápido que os satélites de telecomunicações tradicionais, que voam a uma órbita geo-estacionária a 36 mil quilómetros. Este tempo reduzido é crucial para os jogos vídeo ou as conversações por vídeo.

A malhagem do céu deve ser densa o suficiente para que vários satélites Starlink estejam sempre em ligação directa com o associado.

O lançamento do primeiro aparelho em maio de 2019 tinha provocado inquietação aos astrónomos, porque o ‘comboio’ de 60 satélites era visível no céu nocturno, com a luz do Sol a reflectir-se nos aparelhos em altitude. A ideia de mais uns milhares a juntarem-se a estes fez recear um céu arruinado para sempre para as observações astronómicas.

Depois de ter minimizado as críticas, Elon Musk reconheceu a sua legitimidade. Um dos 60 satélites a lançar hoje tem um tratamento diferente da sua superfície, para que reflita menos a luz.

“Mas a SpaceX ainda não tranquilizou os astrónomos”, disse Laura Seward Forczyk, analista do sector espacial, à AFP. Vão ser precisos vários dias para comparar esta nova versão dos satélites Starlink com a precedente.

Lusa // ZAP

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

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3329: NASA anuncia descoberta de planeta do tamanho da Terra em zona considerada habitável

CIÊNCIA/ESPAÇO

Chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

Ilustração do planeta “TOI 700 d” do tamanho da Terra encontrado numa zona habitável
© YouTube

A NASA anunciou na segunda-feira a descoberta de um planeta do tamanho da Terra e a orbitar uma estrela a uma distância que torna possível a existência de água, numa zona identificada como habitável.

O planeta chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

A descoberta pertenceu ao satélite TESS, “projectado e lançado especificamente para encontrar planetas do tamanho da Terra e a orbitar estrelas próximas”, explicou o director da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz.

Alguns outros planetas semelhantes foram descobertos antes, principalmente pelo antigo telescópio espacial Kepler, mas este é o primeiro do TESS, lançado em 2018.

O TESS descobriu três planetas a orbitarem a estrela, denominados ‘TOI 700 b’, ‘c’ e ‘d’. Somente o ‘d’ está na chamada zona habitável. É quase do tamanho da Terra (20% a mais), circula a estrela em 37 dias e recebe o correspondente a 86% da energia fornecida pelo Sol à Terra.

Astrónomos tentam obter novos dados sobre o planeta

Os pesquisadores geraram modelos baseados no tamanho e tipo da estrela, a fim de prever a composição da atmosfera e a temperatura da superfície.

Uma das simulações, disse a NASA, aponta para um planeta coberto por oceanos com “uma atmosfera densa dominada por dióxido de carbono, semelhante à aparência de Marte quando jovem, de acordo com as suposições dos cientistas”.

Uma face deste planeta está sempre voltada para a sua estrela, como é o caso da Lua com a Terra, um fenómeno chamado de rotação síncrona. Essa face estaria constantemente coberta de nuvens, de acordo com este modelo.

Outra simulação prevê uma versão da Terra sem oceanos, onde os ventos soprariam do lado oculto em direcção à face iluminada.

Vários astrónomos estão agora a observar o planeta com outros instrumentos, tentando obter novos dados que possam corresponder a um dos modelos previstos pela NASA.

Diário de Notícias

DN/Lusa
07 Janeiro 2020 — 08:07

spacenews

 

3215: À espera de nova data para o lançamento do satélite CHEOPS

CIÊNCIA/ESPAÇO

Depois de uma falha técnica ter adiado esta terça-feira o lançamento do CHEOPS, a ESA promete anunciar “assim que seja possível” a nova data para o lançamento, que pode ser já esta quarta-feira, à mesma hora

A ante-visão do CHEOPS em órbita
© EPA/ATG medialab / ESA

Uma falha no software que comanda a contagem decrescente fez abortar esta terça-feira o lançamento do CHEOPS, o satélite europeu que durante os próximos três anos e meio vai estudar os exoplanetas, a partir da órbita terrestre.

A agência espacial europeia ESA, adianta na sua homepage que anunciará “assim que possível” a nova data para o lançamento, que poderá ser já amanhã, no mesmo horário, ou seja às 8.54 (hora de Lisboa).

Lançado a partir do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa por foguetão russo Soyuz-Fregat, que transporta outros passageiros congéneres, o CHEOPS foi desenhado e concebido por um consórcio europeu que inclui desde o início cientistas e engenheiros portugueses, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) – instituição que lidera a participação científica portuguesa na missão – e a Deimos Engenharia, que concebeu o software de decisão para as observações a serem feitas em cada momento pelo satélite.

O novo telescópio europeu ficará numa órbita entre os 800 e os 1200 km de altitude e vai observar durante os próximos três anos e meio mais de mil exoplanetas dos 4143 actualmente conhecidos.

Os exoplanetas seleccionados para este estudo aprofundado a partir das observações do CHEOPS são aqueles que têm dimensões entre as da Terra e Neptuno, para se fazer uma caracterização detalhada de cada um deles.

A ideia é levar o conhecimento sobre estes mundos distantes a um novo patamar, medindo-lhes o raio com um rigor sem precedentes, verificar a existência ou não de atmosferas, medir-lhes a temperatura e tentar perceber se algum deles poderá ter luas e anéis como acontece com alguns planetas do sistema solar.

Cerca de um mês após o lançamento, os dados do CHEOPS os cientistas poderão em terra o seu trabalho a partir dos dados enviados pelo novo telescópio espacial.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Dezembro 2019 — 13:51

 

spacenews

 

3063: “O homem que poluiu os céus”. Satélites de Elon Musk estão a cegar os telescópios terrestres

CIÊNCIA

O projecto de satélites Starlink da companhia norte-americana SpaceX, de Elon Musk, está a deixar astrónomos de várias partes do mundo desagradados, uma vez que os objectos espaciais estão a bloquear a visão e o trabalho dos telescópios terrestres.

A iniciativa do fundador da SpaceX consiste em colocar uma rede de 12 mil satélites não muito longe da Terra para fornecer Internet de banda larga a todo o mundo. Até ao momento, Musk já enviou para o Espaço 122 destes dispositivos.

De acordo com o Russia Today, os 122 satélites do empresário norte-americano já conseguiram cegar a Câmara de Energia Escura (DECam) do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, localizado no Chile, segundo Clarae Martínez-Vázquez, astrónoma da instituição.

“Estou chocada!”, confessou a especialista no Twitter, explicando que a passagem do “comboio” composto por 19 desses satélites “durou mais de 5 minutos” e afectou a exposição do DECam.

Clarae Martínez-Vázquez @89Marvaz

Wow!! I am in shock!! The huge amount of Starlink satellites crossed our skies tonight at @cerrotololo. Our DECam exposure was heavily affected by 19 of them! The train of Starlink satellites lasted for over 5 minutes!! Rather depressing… This is not cool!

Outras pessoas que estudavam o Universo voltaram-se para o Twitter para expressar a sua frustração com a iniciativa de Elon Musk. O astrónomo americano Cliff Johnson publicou uma imagem capturada pelo DECam, na qual pode ser vista a poluição luminosa causada pelos satélites artificiais da SpaceX.

Clarae Martínez-Vázquez @89Marvaz

Wow!! I am in shock!! The huge amount of Starlink satellites crossed our skies tonight at @cerrotololo. Our DECam exposure was heavily affected by 19 of them! The train of Starlink satellites lasted for over 5 minutes!! Rather depressing… This is not cool!

Cliff Johnson @lcjohnso

Here’s the Starlink plagued DECam frame: #FieldOfSatTrails

“Este problema pode ser incomum agora, mas quando toda a constelação [Starlink] estiver em órbita, será uma ocorrência diária“, escreveu Jonathan McDowell, investigador do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, em Massachusetts, Estados Unidos.

Matthew Kenworthy, professor de astronomia no Observatório de Leiden, na Holanda, comentou que o evento “não é bom para a astronomia terrestre” e forçaria os cientistas a processar grandes quantidades de dados adicionais apenas para conseguir limpar o trilho destes satélites artificiais.

“Tenho a certeza de que Musk se considera um herói ambiental por vender carros eléctricos, mas o seu verdadeiro legado permanente será o do homem que poluiu os céus“, escreveu o astrofísico da NASA, Simon Porter.

A SpaceX disse que iria pintar a superfície dos satélites de preto para reduzir o seu brilho, mas os cientistas disseram que esta medida não resolveria o problema, uma vez que os telescópios os capturariam de qualquer maneira.

Em Outubro, soube-se que a empresa solicitou uma autorização da União Internacional de Telecomunicações para lançar 30 mil satélites Starlink para a órbita baixa da Terra, o que somaria aos 12 mil já autorizados a implantar.

Em Maio, Elon Musk garantiu que o Starlink não teria um impacto negativo na astronomia. “Hoje em dia há 4.900 satélites em órbita, e as pessoas apercebem-se disso cerca de 0% do tempo”.

ZAP //

Por ZAP
20 Novembro, 2019

 

2931: TESS. Investigadores do Porto caçaram um planeta improvável

CIÊNCIA

Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA acaba de caçar um planeta aparentemente improvável em torno de duas estrelas gigantes em expansão, noticia a agência noticiosa Europa Press.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais (IA), no Porto, estudou as estrelas gigantes vermelhas HD 212771 e HD 203949, à volta das quais já se sabia que existiam exoplanetas. Foi numa destas que foi encontrado o planeta improvável.

“As observações do TESS são delicadas o suficiente para permitir medir as pulsações suaves nas superfícies das estrelas. Estas duas estrelas bastante evoluídas também abrigam planetas, fornecendo o banco de dados ideal para estudos da Evolução dos sistemas planetários”, escreveram os cientistas no novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astrophysical Journal.

Para estudar estas duas gigantes vermelhas, os investigadores recorreram a dados de asterossismologia (ciência que estuda o interior das estrelas através da actividade sísmica medida à superfície — oscilações) recolhidos através do satélite TESS.

Depois de determinar as propriedades físicas de ambas as estrelas, como a sua massa, tamanho e idade, os cientistas concentraram-se no estado evolutivo da HD 203949.

O objectivo da equipa passava por entender como é que o planeta poderia evitar ser engolido pela gigante vermelha, uma vez que a estrela já se teria expandido muito para além da órbita planetária actual durante a fase final da sua evolução.

“Este estudo é uma demonstração perfeita de como a astrofísica estelar e exoplanetária estão ligadas uma à outra”, afirmou o co-autor do estudo Vardan Adibekyan, do IA e da Universidade do Porto, citado pela Europa Press.

“A análise estelar levada a cabo parece sugerir que a estrela está demasiado evoluída para abrigar um planeta nesta situação de distância orbital curta”. Por outro lado, continuou, “a análise de exoplanetas diz-nos que o planeta está lá”, rematou, dando conta que se trata de um mundo improvável.

“A solução para este dilema científico está oculta no simples facto de que as estrelas e os seus planetas não apenas se formam, mas também evoluem juntos. Neste caso em particular, o planeta conseguiu evitar ser engolido pelo gigante vermelho em expansão”.

ZAP //

Por ZAP
30 Outubro, 2019