3446: Dez coisas que o SDO já nos ensinou sobre o Sol nos seus 10 anos de operações

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem pelo SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, capturada no dia 16 de Março de 2015, mostra duas manchas escuras, de nome buracos coronais. O buraco coronal inferior, um buraco coronal polar, foi um dos maiores observado em décadas.
Crédito: NASA/SDO

Em Fevereiro de 2020, o satélite SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA comemorou o seu 10.º ano no espaço. Na última década, a sonda manteve um olho fixo no Sol, estudando como a nossa estrela cria actividade solar e impulsiona o clima espacial – as condições dinâmicas no espaço que afectam todo o Sistema Solar, incluindo a Terra.

Desde o seu lançamento a 11 de Fevereiro de 2010, que o SDO recolheu milhões de imagens científicas da nossa estrela mais próxima, dando aos cientistas novas ideias sobre o seu funcionamento. As medições do Sol, pelo SDO – desde o interior até à atmosfera, campo magnético e produção energética – contribuíram muito para a compreensão da nossa estrela. As imagens do SDO também se tornaram icónicas – se já viu alguma ampliação da actividade no Sol, foi provavelmente uma imagem do SDO.

A longa carreira do SDO no espaço permitiu testemunhar quase um ciclo solar inteiro – o ciclo de 11 anos de actividade do Sol. Aqui ficam alguns destaques dos feitos do satélite SDO ao longo dos anos.

1) Proeminências fantásticas

A sonda SDO testemunhou inúmeras explosões surpreendentes – explosões gigantes de plasma libertadas da superfície solar – muitas das quais se tornaram imagens icónicas da ferocidade da nossa estrela mais próxima. No seu primeiro ano e meio, o SDO viu quase 200 proeminências solares, o que permitiu aos cientistas identificar um padrão. Notaram que cerca de 15% das proeminências apresentavam um “surto de fase tardia” que se seguia minutos a horas após a proeminência inicial. Ao estudar esta classe especial, os cientistas entenderam melhor quanta energia é produzida quando o Sol entra em erupção.

2) Tornados solares

Em Fevereiro de 2012, o SDO capturou imagens que mostram estranhos tornados de plasma na superfície solar. Observações posteriores descobriram que estes tornados, criados por campos magnéticos que giram o plasma, podem rodopiar a velocidades de até quase 300.000 km/h. Na Terra, os tornados apenas atingem velocidades de 480 km/h.

3) Ondas gigantes

O mar agitado de plasma na superfície solar pode criar ondas gigantes que viajam ao redor do Sol até 4,8 milhões de quilómetros por hora. Estas ondas, chamadas ondas EIT em homenagem a um instrumento com o mesmo nome na sonda SOHO (Solar and Heliophysics Observatory) que as descobriu pela primeira vez, foram fotografadas em alta resolução pelo SDO em 2010. As observações mostraram, pela primeira vez, como as ondas se movem pela superfície. Os cientistas suspeitam que estas ondas são impulsionadas por ejecções de massa coronal, que expelem nuvens de plasma da superfície do Sol para o Sistema Solar.

4) Cometas combustivos

Ao longo dos anos, o observatório SDO observou dois cometas a voar pelo Sol. Em Dezembro de 2011, os cientistas observaram o Cometa Lovejoy a sobreviver ao intenso aquecimento enquanto passava a 830.000 km da superfície solar. O Cometa ISON em 2013 não sobreviveu ao seu encontro. Através de observações como estas, o SDO forneceu aos cientistas novas informações sobre como o Sol interage com os cometas.

5) Circulação global

Não tendo superfície sólida, todo o Sol flui continuamente devido ao intenso calor que tenta escapar e à rotação do Sol. Movendo-se a latitudes médias, existem padrões de circulação em larga escala chamados Circulação Meridional. As observações do SDO revelaram que estas circulações são muito mais complexas do que os cientistas pensavam inicialmente e estão ligadas à produção de manchas solares. Estes padrões de circulação podem até explicar porque, às vezes, um hemisfério pode ter mais manchas solares do que o outro.

6) Prevendo o futuro

O derramamento de material solar por meio de ejecções de massa coronal, ou EMCs, e a velocidade do vento solar em todo o Sistema Solar. Quando interagem com o ambiente magnético da Terra, podem induzir o clima espacial, que pode ser prejudicial para naves espaciais e astronautas. Usando dados do SDO, os cientistas da NASA trabalharam na modelagem do caminho de uma ECM à medida que se move pelo Sistema Solar, a fim de prever o seu potencial efeito na Terra. A longa linha de base das observações solares também ajudou os cientistas a formar modelos adicionais de aprendizagem de máquina para tentar prever quando o Sol pode lançar uma EMC.

7) Escurecimentos coronais

A fina atmosfera externa e super-aquecida do Sol – a coroa – às vezes fica mais ténue. Os cientistas que estudam o escurecimento coronal descobriram que está ligado às EMCs, que são as principais responsáveis pelos severos eventos climáticos espaciais que podem danificar satélites e astronautas. Usando uma análise estatística do grande número de eventos observados com a sonda SDO, os cientistas conseguiram calcular a massa e a velocidade das EMCs direccionadas à Terra – o tipo mais perigoso. Ao ligarem o escurecimento coronal com o tamanho das EMCs, os cientistas esperam poder estudar os efeitos do clima espacial em torno de outras estrelas, demasiado distantes para medir directamente as suas EMCs.

8) Morte e nascimento de um ciclo solar

Com uma década de observações, a SDO já viu quase um ciclo solar completo de 11 anos. Começando perto do início do Ciclo Solar 24, a SDO observou o Sol a subir para o máximo solar de actividade e depois a desvanecer para o mínimo solar actual. Estas observações plurianuais ajudam os cientistas a entender sinais que marcam o declínio de um ciclo solar e o início do próximo.

9) Buracos coronais polares

Às vezes, a superfície do Sol é marcada por grandes manchas escuras chamadas buracos coronais, onde a emissão ultravioleta extrema é baixa. Ligados com o campo magnético do Sol, os buracos seguem o ciclo solar, aumentando no máximo solar. Quando se formam na parte superior e inferior do Sol, são chamados de buracos coronais polares e os cientistas do observatório SDO foram capazes de usar o seu desaparecimento para determinar quando o campo magnético do Sol se reverteu – um indicador importante de quando o Sol atinge o máximo solar.

10) Novas explosões magnéticas

No final da década, em Dezembro de 2019, as observações do SDO permitiram a descoberta de um novo tipo de explosão magnética. Este tipo especial – de nome reconexão magnética espontânea (vs. formas mais gerais anteriormente observadas de reconexão magnética) – ajudaram a confirmar uma teoria com décadas. Também pode ajudar os cientistas a entender porque é que a atmosfera solar é tão quente, a melhor prever o clima espacial e levar a avanços em experiências laboratoriais de fusão controlada e de plasma.

Todos os instrumentos do SDO ainda estão em boas condições, com o potencial de permanecer a funcionar por mais uma década.

Astronomia On-line
18 de Fevereiro de 2020

 

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3444: NASA já escolheu a tecnologia para comunicar para Marte

CIÊNCIA/MARTE

A NASA está a preparar todos os pormenores para melhorar as comunicações entre Marte e a Terra. Desde que a agência espacial americana lançou o satélite Explorer 1 em 1958, as comunicações têm sido confiadas sobretudo às ondas de rádio. Estas viajam milhões – ou mesmo milhares de milhões – de quilómetros através do espaço. Contudo, à medida que a NASA se orienta para novos destinos em missões tripuladas, esta prepara um novo sistema de comunicações.

Um dos passos que está a ser dado é a inclusão da nova antena parabólica à Deep Space Network (DSN). Esta será equipada com espelhos e um receptor especial para permitir a transmissão e recepção de lasers da sonda no espaço profundo.

Ondas rádio viajam milhões de quilómetros até ao espaço profundo

A nova antena, segundo a Inverse, será apelidada de Deep Space Station-23 (DSS-23), faz parte de uma transição para uma comunicação mais rápida e eficiente enquanto a NASA se prepara para voltar à Lua até 2024. Além disso, esta tecnologia irá beneficiar a primeira missão humana a Marte em meados de 2030.

A solução que está por trás desta antena é simples. Se a NASA vai enviar humanos para Marte, estes precisam de ser capazes de comunicar com a Terra – e os lasers podem ajudar a garantir que os futuros astronautas marcianos tenham uma boa recepção a 58 milhões de quilómetros da Terra.

A construção da parabólica de 34 metros começou esta semana em Goldstone, Califórnia. É apenas uma de uma série de antenas DSN – perfazendo 13 pratos no total que ajudarão a transportar as mensagens transmitidas por laser de e para o espaço.

A DSN é a única linha telefónica da Terra para as nossas duas naves espaciais Voyager – ambas no espaço interestelar -, todas as nossas missões em Marte e a nave espacial New Horizons, que agora está muito além de Plutão.

Quanto mais exploramos, mais antenas precisamos para conversar com todas as nossas missões.

Explicou Larry James, vice-director do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em comunicado.

NASA fez os testes e… resultou!

A NASA tem usado as antenas da DSN para se comunicar com naves espaciais desde os anos 60. Por elas são enviados sinais para uma média de 30 naves espaciais por dia. As antenas transmitem e recebem ondas de rádio entre o controlo terrestre e a nave espacial. E embora as ondas de rádio tenham funcionado bem durante todos estes anos, estas têm sérias limitações.

As ondas de rádio tendem a ficar mais fracas em longas distâncias, e têm capacidade limitada. No caso das gémeas Voyager, as duas naves espaciais que percorrem o espaço interestelar que está longe, muito longe da Terra, isso significa que os sinais enviados da Terra para as suas antenas – e vice versa – são muito fracos. Na verdade, a potência que as antenas DSN recebem dos sinais da Voyager é 20 mil milhões de vezes mais fraca do que a potência necessária para rodar um relógio digital, de acordo com a NASA.

Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Está há 26 anos no espaço e acaba agora de chegar aos limites do nosso sistema solar, tendo conseguido ultrapassar com sucesso a região conhecida como “Choque Terminal” onde partículas eléctricas provenientes do Sol … Continue a ler Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

É a vez dos Lasers comunicar com outros mundos

Os lasers são feixes de luz infravermelha. Viajam mais longe no espaço com muito mais potência do que as ondas de rádio.

Os lasers podem aumentar a sua taxa de dados de Marte em cerca de 10 vezes mais do que a obtida com o rádio. A nossa esperança é que o fornecimento de uma plataforma para comunicações ópticas encoraje outros exploradores espaciais a experimentar lasers em missões futuras.

Referiu Suzanne Dodd, directora da Rede Interplanetária, a organização que gere o DSN, em comunicado.

A NASA testou pela primeira vez a comunicação a laser no espaço no ano de 2013. Nessa altura foi enviada uma imagem da pintura de Mona Lisa para um satélite localizado a 386 mil quilómetros de distância da Terra.

A famosa pintura de Leonardo da Vinci foi dividida num conjunto de 152 pixeis por 200 pixeis, e cada pixel foi convertido num tom de cinza representado por um número entre zero e 4095. Cada um dos pixeis foi então transmitido através de um pulso laser que foi disparado numa das 4096 faixas de tempo possíveis.

A pintura foi então reconstruida pelo altímetro laser de órbita lunar (LOLA) a bordo do instrumento Lunar Reconnaissance Orbiter com base nos tempos de chegada de cada pulso laser.

Esta é a primeira vez que alguém consegue comunicação a laser unidireccional a distâncias planetária. Num futuro próximo, este tipo de comunicação laser simples poderá servir como apoio para a comunicação via rádio que os satélites usam. Num futuro mais distante, pode permitir a comunicação a taxas de dados mais elevadas do que as actuais ligações de rádio podem proporcionar.

Disse o principal investigador do LOLA, David Smith, do Massachusetts Institute of Technology, numa declaração na época.

A construção desta nova era de comunicações começou nesta semana. NASA / JPL-Caltech

Missão Psyche irá ser teste de fogo aos lasers

A comunicação por raio laser será posta à prova no ano 2022, quando a NASA lançar a sua missão Psyche, que viajará para estudar um asteróide metálico que orbita o Sol entre Marte e Júpiter.

Conforme foi referido, o orbitador levará a bordo um terminal de comunicação a laser de teste, projectado para transmitir dados e imagens para um observatório na Montanha Palomar, no sul da Califórnia. Para que o futuro das viagens espaciais humanas se mantenha nos trilhos, esperemos que funcione.

pplware
15 Fev 2020

 

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3435: Satélite de observação do sol com tecnologia portuguesa vai ser lançado esta segunda-feira

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Satélite europeu vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol. Vai ser lançado esta segunda-feira, nos Estados Unidos da América, e tem tecnologia portuguesa.

O satélite europeu que vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, o Solar Orbiter, vai ser lançado esta segunda-feira e leva a bordo tecnologia portuguesa, das empresas Critical Software, Active Space Technologies e Deimos Engenharia.

O engenho, cujo lançamento chegou a ser apontado para 05, 06 e 08 de Fevereiro, será enviado para o espaço a partir da base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, às 23:03 de domingo na hora local (04:03 de segunda-feira em Portugal), de acordo com o mais recente calendário divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que conduz a missão em conjunto com a congénere norte-americana NASA.

A Critical Software concebeu vários sistemas de ‘software’ do satélite, como os sistemas centrais de comando e controlo, de detecção e recuperação de falhas e de gestão de comportamento térmico, segundo informação da empresa.

A Active Space Technologies fabricou componentes em titânio para o braço de suporte e orientação da antena de comunicação do satélite com a Terra e canais igualmente de titânio, para a passagem de luz, que atravessam o escudo térmico do aparelho, adiantou a companhia à Lusa.

A Deimos Engenharia, braço português da componente tecnológica do grupo espanhol de engenharia e construção de infra-estruturas Elecnor, trabalhou na definição e implementação da estratégia para testar os sistemas de voo do Solar Orbiter.

A missão do Solar Orbiter (Orbitador Solar) vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, considerados a chave para se compreender a actividade e o ciclo solares.

Por outro lado, salienta a ESA, será o primeiro satélite europeu a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço.

O aparelho, que estará a 42 milhões de quilómetros do Sol na sua maior aproximação, o equivalente a um quarto da distância que separa a estrela da Terra, está equipado com dez instrumentos para observar a superfície turbulenta do Sol, a sua atmosfera exterior e as alterações no vento solar (emissão contínua de partículas energéticas a partir da coroa, a camada mais externa da atmosfera solar).

O Solar Orbiter, preparado para enfrentar temperaturas de 500ºC, trabalhará em complemento com a sonda norte-americana Parker Solar Probe, em órbita desde 2018, e que tem quatro instrumentos para estudar o campo magnético do Sol, o plasma, as partículas energéticas e o vento solar.

Os cientistas esperam obter com este satélite respostas sobre o que leva à aceleração das partículas energéticas, o que acontece nas regiões polares por acção do campo magnético, como é que o campo magnético é gerado no Sol e como se propaga através da sua atmosfera e pelo espaço, como a radiação e as emissões de plasma (gás ionizado formado a elevadas temperaturas) da coroa afectam o Sistema Solar e como as erupções solares produzem as partículas energéticas que conduzem ao clima espacial extremo próximo da Terra.

Observador

Agência Lusa
Texto
10 Fev 2020, 00:18

 

 

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3425: 57 000 satélites lutarão pelo espaço na órbita da Terra até 2029 (vídeo)

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A órbita da Terra está congestionada. São muitos os relatos de problemas causados pelo grande números de satélites activos e moribundos que estão ao redor do nosso planeta. Na verdade, a humanidade, até agora, colocou mais de 9000 dispositivos em órbita desde 1957 e há actualmente muito lixo no Espaço. A somar a isto, o novo ímpeto comercial está a ganhar força. Temos o exemplo da SpaceX que enviou um lote de 60 satélites como parte do seu plano de lançar milhares do Projceto Starlink.

Esta animação em vídeo traça um panorama preocupante.

Satélites, detritos e lixo indiferenciado

A NASA e a ESA já estão a vigiar milhares de toneladas de detritos espaciais que são uma enorme dor de cabeça. Nesse sentido, para que possamos ter uma ideia do que existe e do que ainda será lançado, foi elaborada uma animação desconcertante.

Nas imagens veremos o que está programado para entrar em órbita nesta década e o tamanho do problema que iremos ter com os detritos espaciais.

Sabia que por cima da sua cabeça gravitam mais de 19 500 objectos de lixo espacial?

Ontem vimos que há já “falta de espaço” no Espaço. Poderá ter suscitado alguma dúvida, mas se olhamos para os números poderemos perceber porque está a ficar apertado o Espaço em redor da Terra. … Continue a ler Sabia que por cima da sua cabeça gravitam mais de 19 500 objectos de lixo espacial?

57 000 satélites em órbita

O Espaço é cada vez mais um destino para “produtos comerciais”. Como tal, várias empresas estão já a disputar a órbita baixa terrestre para vender serviços. Como resultados, se juntarmos as empresas privadas, como a SpaceX, e as agências governamentais de vários países, iremos ter dentro de uma década 57 000 novos satélites em órbita. Portanto, até 2029 iremos ter 25 vezes o número de naves espaciais activas actualmente.

Segundo as imagens que vamos ver a seguir, criadas por Dan Oltrogge, da Analytical Graphics, Inc. o cenário é preocupante. A animação mostra os satélites planeados de 2017 a 2029, a maioria pertencente ao projecto Starlink da SpaceX.

Na curta animação, uma Terra limpa aparece até que o primeiro lote de pontos, cada um representando um satélite, comece a orbitar em torno do planeta. Em 2022, a Terra estará repleta de milhares de pontos e, em 2029, o planeta parecerá completamente lotado e cercado de lixo.

Cenário do Espaço que já preocupa as organizações

Conforme foi referido, o vídeo foi partilhado na 23.ª Conferência de Transporte Espacial Comercial anual em Washington. No dia anterior, o mundo era “alertado” da possibilidade de dois satélites inactivos poderiam colidir. Apesar de haver um milimétrico controlo das órbitas, há já milhares de detritos capazes de fazer grandes estragos nos equipamentos em órbita.

Segundo Oltrogge, mesmo que apenas uma fracção dos satélites planeados sigam para o Espaço, a mudança ao redor do planeta ainda seria significativa, especialmente se considerarmos que o problema já é complexo, mesmo sem eles.

Como se pode limpar o Espaço?

Já se começa a pensar seriamente no problema. Além da maior exposição mediática dos incidentes, as agências como a ESA e a NASA começam a trabalhar na remoção desses detritos. A Estação Espacial Internacional tem sido o grande argumento para uma acção musculada nesta área.

De facto, até pequenos detritos podem causar sérios danos, enquanto colisões de lixo espacial maior, como satélites, podem criar milhares de novos pedaços de detritos.

NASA: Lixo Espacial provoca fuga de ar na Estação Espacial Internacional

Esta quarta-feira, controladores de missão em Houston (EUA) e Moscovo (Rússia), detectaram uma descida de pressão no interior da Estação Espacial Internacional. Durante o dia de ontem, e depois de uma busca extensiva, os … Continue a ler NASA: Lixo Espacial provoca fuga de ar na Estação Espacial Internacional

Surpreendentemente, até agora, as colisões são muito raras. No entanto, isso não significa que eles não sejam um problema, e é por isso que as agências espaciais estão a desenvolver esforços para remover o lixo espacial da órbita da Terra o mais rápido possível.

pplware
07 Fev 2020

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3409: Dois satélites estarão prestes a colidir em órbita terrestre e podem trazer problemas

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A órbita baixa da Terra acomoda muitos satélites e detritos. Contudo, o que tem preocupado mais as entidades são os milhares de satélites antigos e extintos que já não comunicam com a Terra, lixo espacial. Surpreendentemente estes raramente colidem. Agora o caso pode mudar de figura, isto porque hoje poderá haver uma colisão entre dos satélites reformados.

Segundo a LeoLabs Inc, que monitoriza a rota dos satélites, logo à noite, dois satélites irão passar tão próximos um do outro que há uma forte probabilidade de chocarem.

Satélites mortos vagueiam em direcção à colisão

De acordo com a ScienceAlert, que refere dados do serviço de monitorização de detritos espaciais, LeoLabs, o IRAS (um telescópio astronómico infravermelho, desactivado, lançado em 1983) e o GGSE-4 (satélite militar desactivado com uma carga científica a bordo, lançado em 1967. Só recentemente foi desclassificado) estão a aproximar-se.

Segundo os dados, hoje, 29 de Janeiro, pelas 23:39:35, hora de Lisboa, os dois satélites passarão a apenas 15 a 30 metros um do outro, a uma altitude de cerca de 900 quilómetros. Tendo em conta que estes satélites estão mortos, não há forma de em Terra se poder comunicar para eventualmente proceder a manobras de evasão.

LeoLabs, Inc. @LeoLabs_Space

1/ We are monitoring a close approach event involving IRAS (13777), the decommissioned space telescope launched in 1983, and GGSE-4 (2828), an experimental US payload launched in 1967.

(IRAS image credit: NASA)

 

Desta forma, há uma hipótese em 100 de acontecer uma colisão, de acordo com os cálculos do LeoLabs.

Estas colisões aconteceram no passado, com certeza. O mais interessante é que a passagem estimada entre 15 e 30 metros é incrivelmente próxima.

Explicou Alice Gorman, arqueóloga espacial da Universidade Flinders.

As naves espaciais adoptaram manobras evasivas para evitar coisas que estão apenas a 60 quilómetros. Portanto, este é um encontro muito, muito próximo. E se isto realmente acontecer, resultará potencialmente numa grande quantidade de detritos que serão criados. Eu diria que esta é uma das colisões mais perigosas possíveis que já vimos desde há algum tempo.

Referiu Gorman.

Mais de uma tonelada de material em alta velocidade

As duas naves espaciais não são leves. O IRAS tinha uma massa de lançamento de 1083 kg e ocupa um espaço de 3,6 por 3,24 por 2,05 metros. Já o GGSE-4, também conhecido como Poppy 5 ou 1967-053G, é muito menor, com apenas 85 kg, segundo o astrónomo de Harvard –Smithsonian Jonathan McDowell.

Jonathan McDowell @planet4589

The NASA/NIVR IRAS satellite and the NRO/USN POPPY 5B satellite (aka GGSE 4) are predicted to make a close approach on Wednesday. POPPY 5B has 18-metre-long gravity gradient booms so a 15-to-30 metre predicted miss distance is alarming https://twitter.com/LeoLabs_Space/status/1221908253627412480 

LeoLabs, Inc. @LeoLabs_Space
Respondendo a @LeoLabs_Space

2/ On Jan 29 at 23:39:35 UTC, these two objects will pass close by one another at a relative velocity of 14.7 km/s (900km directly above Pittsburgh, PA). Our latest metrics on the event show a predicted miss distance of between 15-30 meters.

Ver imagem no Twitter

Os satélites estão a navegar a alta velocidade. Segundo os dados disponibilizados, a velocidade relativa é de 14,7 quilómetros por segundo. Nesse sentido, como refere Gorman, se colidirem, o menor será destruído, produzindo uma nuvem de novos detritos. O maior provavelmente permaneceria praticamente intacto, mas não sem alguns danos, produzindo ainda mais detritos.

Em abono da verdade, para o nosso planeta, não há qualquer perigo. Quaisquer detritos que orbitam serão queimados inofensivamente na reentrada na atmosfera. Nem chegará ao solo.

A preocupação, como vimos quando a Índia destruiu um satélite de baixa órbita no ano passado, é sobre repercussões nos outros satélites.

NASA indignada com a Índia: destruição de satélite ameaça segurança da ISS

Na semana passada, a Índia disparou um míssil que destruiu um satélite na órbita da Terra. Como resultado, foram espalhados 400 pedaços de detritos “perigosamente grandes” e muitos outros tão pequenos que não se … Continue a ler NASA indignada com a Índia: destruição de satélite ameaça segurança da ISS

O problema realmente acontece com os detritos que irão colocar em risco as outras naves. E, se a densidade dos objectos for suficientemente alta, poderão criar ainda mais colisões, eventualmente tornando as faixas orbitais difíceis de usar ou passar durante várias gerações.

O medo é que, se não descobrirmos como nos livrar de alguns destes detritos na próxima década, este tipo de colisão começará a significar que é mais difícil lançar satélites e realizar operações espaciais. Portanto, é definitivamente uma grande preocupação.

Referiu Gorman.

29 JAN 2020

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3406: 2 satellites will — hopefully — narrowly avoid colliding at 32,800 mph over Pittsburgh on Wednesday

SCIENCE/TECHNOLOGIE

A collision would create a debris belt that would endanger spacecraft worldwide.

The The Infrared Astronomical Satellite (IRAS) orbits the Earth in this illustration.
(Image: © NASA)

Editor’s note: This story was updated 12:20 p.m. E.S.T. on Jan. 29 to reflect new information from LeoLabs about the satellites and their collision risk.

Two defunct satellites will — hopefully — zip past each other at 32,800 mph (14.7 kilometers per second) in the sky over Pittsburgh on Wednesday evening (Jan. 29).

When this article was first written Tuesday morning (Jan. 28) the odds of a collision were 1 in 100. A crash has since become five times more likely, with 1 in 20 odds. If the two satellites were to collide, the debris could endanger spacecraft around the planet.

If the satellites miss as expected, it will be a near miss: LeoLabs, the satellite-tracking company that made the prediction, said they should pass about 40 feet apart (12 meters) at 6:39:35 p.m. local time. The odds of a collision went up in large part based on the information that one of the two satellites, the Gravity Gradient Stabilization Experiment (GGSE-4), had a 60 foot (18 m) boom trailing from it, according to LeoLabs. No one knows which way the boom is facing, which complicates the calculation.

One of the satellites is called the Infrared Astronomical Satellite (IRAS). Launched in 1983, it was the first infrared space telescope and operated for less than a year, according to the Jet Propulsion Laboratory. GGSE-4 was a U.S. Air Force experiment launched in 1967 to test spacecraft design principles, according to NASA. The two satellites are unlikely to actually slam into each other, said LeoLabs CEO Dan Ceperley. But predictions of the precise movements of fairly small, fast objects over vast distances is a challenge, Ceperley told Live Science. (LeoLabs’ business model is selling improvements on those predictions.)

If they did collide, “there would be thousands of pieces of new debris that would stay in orbit for decades. Those new clouds of debris would threaten any satellites operating near the collision altitude and any spacecraft transiting through on its way to other destinations. The new debris [would] spread out and form a debris belt around the Earth,” Ceperley said.

LeoLabs uses its own network of ground-based radar to track orbiting objects. Still, Jonathan McDowell, a Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics astronomer who tracks satellites using public data, said the near-miss prediction was plausible.

“I confirm there is a close approach of these two satellites around 2339 UTC Jan 29. How close isn’t clear from the data I have, but it’s reasonable that LEOLabs data is better,” McDowell told Live Science.

(When it’s 23:39 UTC it’s 6:39 p.m. Eastern time, which is the time zone in Pittsburgh.)

“What’s different here is that this isn’t debris-on-payload but payload-on-payload,” McDowell said. In other words, in this case two satellites, rather than debris and a satellite, are coming close to one another.

It’s pretty common for bits of orbital debris to have near misses in orbit, Ceperley said, which usually go untracked. It’s more unusual, though, for two full-size satellites to come this close in space. IRAS in particular is the size of a truck, at 11.8 feet by 10.6 feet by 6.7 feet (3.6 by 3.2 by 2.1 m).

“Events like this highlight the need for responsible, timely deorbiting of satellites for space sustainability moving forward. We will continue to monitor this event through the coming days and provide updates as available,” LeoLabs said on Twitter.

It’s still unlikely the two satellites will collide, and the odds are subject to change based on new information. When this article was first written, LeoLabs calculated 1 in 100 odds of a collision. They’ve since been revised down to 1 in 1,000, and then up to 1 in 20.

Editor’s note: This story was corrected on January 28. The date Jan. 29 is a Wednesday, not a Thursday.

Originally published on Live Science.
By Rafi Letzter – Staff Writer

spacenews

 

Satélite que vai “fotografar” pólos solares pela primeira vez é lançado em 8 de Fevereiro e tem “mão” lusa

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Solar Orbiter será o primeiro satélite europeu a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço e tem tecnologia portuguesa.

O satélite europeu que vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, o Solar Orbiter, com nova data de lançamento prevista para 8 de Fevereiro, tem tecnologia portuguesa, das empresas Critical Software e Active Space Technologies.

O engenho, cujo lançamento chegou a ser apontado para 5 e 6 de Fevereiro, será enviado para o espaço em 8 de Fevereiro, às 4h15 (hora de Lisboa), da base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, de acordo com o mais recente calendário divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que conduz a missão em conjunto com a congénere norte-americana NASA.

A Critical Software concebeu vários sistemas de software do satélite, como os sistemas central de comando e controlo, de detecção e recuperação de falhas e de gestão de comportamento térmico, segundo informação da empresa.

A Active Space Technologies fabricou componentes em titânio para o braço de suporte e orientação da antena de comunicação do satélite com a Terra e canais igualmente de titânio, para a passagem de luz, que atravessam o escudo térmico do aparelho, adiantou a companhia à Lusa.

De novo, a missão do Solar Orbiter (Orbitador Solar) vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, considerados a chave para se compreender a actividade e o ciclo solares.

Por outro lado, salienta a ESA, será o primeiro satélite europeu a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço.

O aparelho, que estará a 42 milhões de quilómetros do Sol na sua maior aproximação, o equivalente a um quarto da distância que separa a estrela da Terra, está equipado com dez instrumentos para observar a superfície turbulenta do Sol, a sua atmosfera exterior e as alterações no vento solar (emissão contínua de partículas energéticas a partir da coroa, a camada mais externa da atmosfera solar).

O Solar Orbiter, preparado para enfrentar temperaturas de 500ºC, trabalhará em complemento com a sonda norte-americana Parker Solar Probe, em órbita desde 2018, e que tem quatro instrumentos para estudar o campo magnético do Sol, o plasma, as partículas energéticas e o vento solar.

A sonda da NASA estará mais perto do Sol do que o Solar Orbiter, a 6,2 milhões de quilómetros na sua maior aproximação à estrela, e viajará pela camada mais interna da sua atmosfera para observar como as partículas energéticas circulam na coroa.

Ambos os engenhos usam a gravidade do planeta Vénus para se aproximarem do Sol. A primeira aproximação do Solar Orbiter ao Sol é esperada em Fevereiro de 2021.

Os cientistas esperam obter com este satélite respostas sobre o que leva à aceleração das partículas energéticas, o que acontece nas regiões polares por acção do campo magnético, como é que o campo magnético é gerado no Sol e como se propaga através da sua atmosfera e pelo espaço, como a radiação e as emissões de plasma (gás ionizado formado a elevadas temperaturas) da coroa afectam o Sistema Solar e como as erupções solares produzem as partículas energéticas que conduzem ao clima espacial extremo próximo da Terra.

Observador

Agência Lusa
Texto
27 Jan 2020, 21:00

spacenews

 

3345: Matéria escura pode ter colidido com a Via Láctea (e criado uma “onda” gigante)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Alyssa Goodman / Harvard University

Uma onda enorme foi descoberta na Via Láctea, que se pode ter formado como resultado de uma colisão com um enorme objecto misterioso – potencialmente matéria escura.

A “onda Radcliffe” foi descoberta com recurso aos dados do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia. Antes, passara despercebida por causa do seu tamanho extremo e da nossa proximidade. Da Terra, a onda cobre metade do céu, dificultando a visualização de toda a estrutura.

Investigadores liderados por João Alves, do Departamento de Astrofísica da Universidade de Viena e do Instituto Radcliffe de Estudos Avançados da Universidade de Harvard, estavam inicialmente a tentar mapear uma estrutura conhecida como Cinturão de Gould. Esta é uma grande faixa de regiões de formação de estrelas.

Ao fazer isso, a equipa descobriu que o Cinturão de Gould é “apenas um efeito de projecção” de uma estrutura muito maior, disse Alves , em declarações à Newsweek. “Como se pode imaginar, fiquei muito surpreendido”, disse.

De acordo com o estudo publicado este mês na revista científica Nature, os cientistas descobriram que a onda Radcliffe era um filamento enorme e longo, com nove mil anos-luz de comprimento e 400 de largura. Também foi encontrado 500 anos-luz acima e abaixo do plano médio do disco galáctico em forma de onda.

Anda não se sabe o que pode ter produzido a onda. No entanto, a sua amplitude parece estar a diminuir ao longo do tempo. Para que seja uma onda atenuada, sugere imediatamente algum tipo de gatilho – talvez uma colisão entre o disco da nossa Via Láctea e um objecto maciço – que até agora não foi possível identificar. Porém, poderia ter sido um grupo de matéria escura.

Um estudo anterior sobre o Cinturão de Gould, publicado em 2009 na revista científica Monthly Notices da Royal Astronomical Society, sugeriu o mesmo. Talvez uma gigantesca bolha de matéria escura tenha colidido com a nuvem de gás jovem há milhões de anos, distorcendo a gravidade da galáxia e espalhando as estrelas mais próximas no padrão visto hoje, recorda o LiveScience.

Alves disse ainda que a onda e as novas estrelas que produz são os nossos novos vizinhos galácticos, uma vez que o nosso sistema solar está a viajar na mesma direcção e na mesma velocidade. Aliás, o nosso Sol morrerá antes da maioria destas novas estrelas vizinhas.

Além disso, a equipa descobriu que a onda interage com o Sol, que cruzou no nosso caminho há cerca de 13 milhões de anos e continuará em mais 13 milhões de anos. O que aconteceu durante esse encontro também é desconhecido, segundo explicou Alves em comunicado.

A equipa espera agora encontrar outras estruturas semelhantes noutras partes da Via Láctea. Além disso, estão a tentar localizar e medir as estrelas adolescentes da onda, pois herdam os movimentos da nuvem parental, portanto, propriedades importantes, o que deverá ajudá-los a descobrir o que poderá ter causado a formação da onda.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

spacenews

 

3331: SpaceX lança 60 satélites para fornecer Internet a zonas isoladas do mundo

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/INTERNET

SpaceX / Twitter

A sociedade espacial californiana SpaceX vai lançar esta madrugada mais 60 satélites, para a sua constelação Starlink de fornecimento de acesso à Internet de alto débito a partir do espaço, destinada a cobrir prioritariamente as zonas isoladas do mundo.

Se o lançamento for bem-sucedido, a constelação vai contar com 180 satélites em órbita, depois de dois lançamentos em 2019, parte dos quais acabaram por avariar.

A Planet Labs, baseada em San Francisco e que fotografa toda a Terra em alta resolução, todos os dias, tem cerca de 140 satélites activos em órbita, o que constitui a maior constelação activa nos dias de hoje.

A SpaceX utiliza os seus próprios foguetões Falcon 9, que são reutilizáveis, e prevê uma cadência de lançamentos inédita, com mais dois até ao final de Janeiro.

Em Setembro, uma dirigente da SpaceX afirmou que esperava realizar dois lançamentos mensais em 2020, apesar de haver quem entenda que a sociedade não tem o ‘músculo’ financeiro e técnico para tal. No total, a empresa fundada por Elon Musk já pediu autorização para enviar até 42 mil satélites, número totalmente hipotético actualmente.

Contudo, a SpaceX declarou que o seu serviço de Internet estaria operacional em 2020 para o Canadá e o norte dos Estados Unidos (EUA) e que o resto do mundo seria coberto progressivamente depois, à medida que os lançamentos fossem acontecendo.

Se a sua constelação se concretizar, a SpaceX vai ter mais satélites em actividade que o conjunto dos outros operadores do mundo juntos, civis e militares, cujos aparelhos devem totalizar cerca de 2.100.

Official SpaceX Photos / Flickr

Os pequenos satélites Starlink, com cerca de 300 quilogramas, equipados com um painel solar, são fabricados, equipados e lançados pela SpaceX. São largados por um foguetão a 290 quilómetros de altura e levam um a quatro meses para atingir a sua órbita operacional de 550 quilómetros.

A altitude relativamente baixa de 550 quilómetros deve permitir um tempo de resposta mais rápido que os satélites de telecomunicações tradicionais, que voam a uma órbita geo-estacionária a 36 mil quilómetros. Este tempo reduzido é crucial para os jogos vídeo ou as conversações por vídeo.

A malhagem do céu deve ser densa o suficiente para que vários satélites Starlink estejam sempre em ligação directa com o associado.

O lançamento do primeiro aparelho em maio de 2019 tinha provocado inquietação aos astrónomos, porque o ‘comboio’ de 60 satélites era visível no céu nocturno, com a luz do Sol a reflectir-se nos aparelhos em altitude. A ideia de mais uns milhares a juntarem-se a estes fez recear um céu arruinado para sempre para as observações astronómicas.

Depois de ter minimizado as críticas, Elon Musk reconheceu a sua legitimidade. Um dos 60 satélites a lançar hoje tem um tratamento diferente da sua superfície, para que reflita menos a luz.

“Mas a SpaceX ainda não tranquilizou os astrónomos”, disse Laura Seward Forczyk, analista do sector espacial, à AFP. Vão ser precisos vários dias para comparar esta nova versão dos satélites Starlink com a precedente.

Lusa // ZAP

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

spacenews

 

3329: NASA anuncia descoberta de planeta do tamanho da Terra em zona considerada habitável

CIÊNCIA/ESPAÇO

Chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

Ilustração do planeta “TOI 700 d” do tamanho da Terra encontrado numa zona habitável
© YouTube

A NASA anunciou na segunda-feira a descoberta de um planeta do tamanho da Terra e a orbitar uma estrela a uma distância que torna possível a existência de água, numa zona identificada como habitável.

O planeta chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

A descoberta pertenceu ao satélite TESS, “projectado e lançado especificamente para encontrar planetas do tamanho da Terra e a orbitar estrelas próximas”, explicou o director da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz.

Alguns outros planetas semelhantes foram descobertos antes, principalmente pelo antigo telescópio espacial Kepler, mas este é o primeiro do TESS, lançado em 2018.

O TESS descobriu três planetas a orbitarem a estrela, denominados ‘TOI 700 b’, ‘c’ e ‘d’. Somente o ‘d’ está na chamada zona habitável. É quase do tamanho da Terra (20% a mais), circula a estrela em 37 dias e recebe o correspondente a 86% da energia fornecida pelo Sol à Terra.

Astrónomos tentam obter novos dados sobre o planeta

Os pesquisadores geraram modelos baseados no tamanho e tipo da estrela, a fim de prever a composição da atmosfera e a temperatura da superfície.

Uma das simulações, disse a NASA, aponta para um planeta coberto por oceanos com “uma atmosfera densa dominada por dióxido de carbono, semelhante à aparência de Marte quando jovem, de acordo com as suposições dos cientistas”.

Uma face deste planeta está sempre voltada para a sua estrela, como é o caso da Lua com a Terra, um fenómeno chamado de rotação síncrona. Essa face estaria constantemente coberta de nuvens, de acordo com este modelo.

Outra simulação prevê uma versão da Terra sem oceanos, onde os ventos soprariam do lado oculto em direcção à face iluminada.

Vários astrónomos estão agora a observar o planeta com outros instrumentos, tentando obter novos dados que possam corresponder a um dos modelos previstos pela NASA.

Diário de Notícias

DN/Lusa
07 Janeiro 2020 — 08:07

spacenews

 

3215: À espera de nova data para o lançamento do satélite CHEOPS

CIÊNCIA/ESPAÇO

Depois de uma falha técnica ter adiado esta terça-feira o lançamento do CHEOPS, a ESA promete anunciar “assim que seja possível” a nova data para o lançamento, que pode ser já esta quarta-feira, à mesma hora

A ante-visão do CHEOPS em órbita
© EPA/ATG medialab / ESA

Uma falha no software que comanda a contagem decrescente fez abortar esta terça-feira o lançamento do CHEOPS, o satélite europeu que durante os próximos três anos e meio vai estudar os exoplanetas, a partir da órbita terrestre.

A agência espacial europeia ESA, adianta na sua homepage que anunciará “assim que possível” a nova data para o lançamento, que poderá ser já amanhã, no mesmo horário, ou seja às 8.54 (hora de Lisboa).

Lançado a partir do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa por foguetão russo Soyuz-Fregat, que transporta outros passageiros congéneres, o CHEOPS foi desenhado e concebido por um consórcio europeu que inclui desde o início cientistas e engenheiros portugueses, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) – instituição que lidera a participação científica portuguesa na missão – e a Deimos Engenharia, que concebeu o software de decisão para as observações a serem feitas em cada momento pelo satélite.

O novo telescópio europeu ficará numa órbita entre os 800 e os 1200 km de altitude e vai observar durante os próximos três anos e meio mais de mil exoplanetas dos 4143 actualmente conhecidos.

Os exoplanetas seleccionados para este estudo aprofundado a partir das observações do CHEOPS são aqueles que têm dimensões entre as da Terra e Neptuno, para se fazer uma caracterização detalhada de cada um deles.

A ideia é levar o conhecimento sobre estes mundos distantes a um novo patamar, medindo-lhes o raio com um rigor sem precedentes, verificar a existência ou não de atmosferas, medir-lhes a temperatura e tentar perceber se algum deles poderá ter luas e anéis como acontece com alguns planetas do sistema solar.

Cerca de um mês após o lançamento, os dados do CHEOPS os cientistas poderão em terra o seu trabalho a partir dos dados enviados pelo novo telescópio espacial.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Dezembro 2019 — 13:51

 

spacenews

 

3063: “O homem que poluiu os céus”. Satélites de Elon Musk estão a cegar os telescópios terrestres

CIÊNCIA

O projecto de satélites Starlink da companhia norte-americana SpaceX, de Elon Musk, está a deixar astrónomos de várias partes do mundo desagradados, uma vez que os objectos espaciais estão a bloquear a visão e o trabalho dos telescópios terrestres.

A iniciativa do fundador da SpaceX consiste em colocar uma rede de 12 mil satélites não muito longe da Terra para fornecer Internet de banda larga a todo o mundo. Até ao momento, Musk já enviou para o Espaço 122 destes dispositivos.

De acordo com o Russia Today, os 122 satélites do empresário norte-americano já conseguiram cegar a Câmara de Energia Escura (DECam) do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, localizado no Chile, segundo Clarae Martínez-Vázquez, astrónoma da instituição.

“Estou chocada!”, confessou a especialista no Twitter, explicando que a passagem do “comboio” composto por 19 desses satélites “durou mais de 5 minutos” e afectou a exposição do DECam.

Clarae Martínez-Vázquez @89Marvaz

Wow!! I am in shock!! The huge amount of Starlink satellites crossed our skies tonight at @cerrotololo. Our DECam exposure was heavily affected by 19 of them! The train of Starlink satellites lasted for over 5 minutes!! Rather depressing… This is not cool!

Outras pessoas que estudavam o Universo voltaram-se para o Twitter para expressar a sua frustração com a iniciativa de Elon Musk. O astrónomo americano Cliff Johnson publicou uma imagem capturada pelo DECam, na qual pode ser vista a poluição luminosa causada pelos satélites artificiais da SpaceX.

Clarae Martínez-Vázquez @89Marvaz

Wow!! I am in shock!! The huge amount of Starlink satellites crossed our skies tonight at @cerrotololo. Our DECam exposure was heavily affected by 19 of them! The train of Starlink satellites lasted for over 5 minutes!! Rather depressing… This is not cool!

Cliff Johnson @lcjohnso

Here’s the Starlink plagued DECam frame: #FieldOfSatTrails

“Este problema pode ser incomum agora, mas quando toda a constelação [Starlink] estiver em órbita, será uma ocorrência diária“, escreveu Jonathan McDowell, investigador do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, em Massachusetts, Estados Unidos.

Matthew Kenworthy, professor de astronomia no Observatório de Leiden, na Holanda, comentou que o evento “não é bom para a astronomia terrestre” e forçaria os cientistas a processar grandes quantidades de dados adicionais apenas para conseguir limpar o trilho destes satélites artificiais.

“Tenho a certeza de que Musk se considera um herói ambiental por vender carros eléctricos, mas o seu verdadeiro legado permanente será o do homem que poluiu os céus“, escreveu o astrofísico da NASA, Simon Porter.

A SpaceX disse que iria pintar a superfície dos satélites de preto para reduzir o seu brilho, mas os cientistas disseram que esta medida não resolveria o problema, uma vez que os telescópios os capturariam de qualquer maneira.

Em Outubro, soube-se que a empresa solicitou uma autorização da União Internacional de Telecomunicações para lançar 30 mil satélites Starlink para a órbita baixa da Terra, o que somaria aos 12 mil já autorizados a implantar.

Em Maio, Elon Musk garantiu que o Starlink não teria um impacto negativo na astronomia. “Hoje em dia há 4.900 satélites em órbita, e as pessoas apercebem-se disso cerca de 0% do tempo”.

ZAP //

Por ZAP
20 Novembro, 2019

 

2931: TESS. Investigadores do Porto caçaram um planeta improvável

CIÊNCIA

Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA acaba de caçar um planeta aparentemente improvável em torno de duas estrelas gigantes em expansão, noticia a agência noticiosa Europa Press.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais (IA), no Porto, estudou as estrelas gigantes vermelhas HD 212771 e HD 203949, à volta das quais já se sabia que existiam exoplanetas. Foi numa destas que foi encontrado o planeta improvável.

“As observações do TESS são delicadas o suficiente para permitir medir as pulsações suaves nas superfícies das estrelas. Estas duas estrelas bastante evoluídas também abrigam planetas, fornecendo o banco de dados ideal para estudos da Evolução dos sistemas planetários”, escreveram os cientistas no novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astrophysical Journal.

Para estudar estas duas gigantes vermelhas, os investigadores recorreram a dados de asterossismologia (ciência que estuda o interior das estrelas através da actividade sísmica medida à superfície — oscilações) recolhidos através do satélite TESS.

Depois de determinar as propriedades físicas de ambas as estrelas, como a sua massa, tamanho e idade, os cientistas concentraram-se no estado evolutivo da HD 203949.

O objectivo da equipa passava por entender como é que o planeta poderia evitar ser engolido pela gigante vermelha, uma vez que a estrela já se teria expandido muito para além da órbita planetária actual durante a fase final da sua evolução.

“Este estudo é uma demonstração perfeita de como a astrofísica estelar e exoplanetária estão ligadas uma à outra”, afirmou o co-autor do estudo Vardan Adibekyan, do IA e da Universidade do Porto, citado pela Europa Press.

“A análise estelar levada a cabo parece sugerir que a estrela está demasiado evoluída para abrigar um planeta nesta situação de distância orbital curta”. Por outro lado, continuou, “a análise de exoplanetas diz-nos que o planeta está lá”, rematou, dando conta que se trata de um mundo improvável.

“A solução para este dilema científico está oculta no simples facto de que as estrelas e os seus planetas não apenas se formam, mas também evoluem juntos. Neste caso em particular, o planeta conseguiu evitar ser engolido pelo gigante vermelho em expansão”.

ZAP //

Por ZAP
30 Outubro, 2019

 

2886: SpaceX quer enviar mais 40.000 satélites para o Espaço

CIÊNCIA

Depois de um primeiro lançamento em meados de maio, a Space X pretende agora colocar mais 30.000 pequenos satélites em órbita, revelam documentos apresentados pela empresa de Elon Musk às autoridades de telecomunicações.

De acordo com a New Scientist, que avança a notícia esta semana, o documentos em causa foram apresentados na semana passada à União Internacional de Telecomunicações, uma agência das Nações Unidas que coordenada o lançamento de satélites.

Os registos mostram que a empresa espacial norte-americana pretende lançar agora 20 conjuntos de 1500 satélites – ao todo, o novo lançamento tem como objectivo enviar 30.000 pequenos satélites para o Espaço, o que é aproximadamente o triplo dos satélites já colocados em órbita até agora.

A Space X tem autorização para colocar quase 1.200 satélites em baixa órbita terrestre. Deste, 60 satélites foram já lançados para o Espaço em maio passado – e fizeram soar os alarmes de vários cientistas. Os especialistas temem que o sistema de satélites interfira nas observações visuais e até na radioastronomia.

“Com tantos satélites [em órbita], é necessário haver uma análise muito, muito próxima, dos riscos de colisão, descarte e reentrada (…) A SpaceX terá aprendido muito com a sua primeira geração de 60 Starlink, mas quanto mais satélites tivermos num determinado volume de espaço, mais abordagens mais teremos”, explicou o especialista Hugh Lewis, da Universidade de Southampton, Reino Unido, ao mesmo portal.

A Space X, por sua vez, sustenta que as “constelações” de satélites servirão ara oferecer Internet de banda larga para todos os cantos do mundo a partir da órbita baixa da Terra, podendo também ser utilizadas para levar a cabo observações do nosso planeta.

De acordo com a empresa espacial, o risco de criar detritos orbitas ao longo prazo é baixo porque a atmosfera é espessa o suficiente para arrastar os satélites ou pedaços de lixo espacial para uma determinara zona onde estes irão queimar-se.

Além disso, a Space X está a produzir satélites de cor preta, visando reduzir o seu impacto nas observações astronómicas, uma das preocupações levantadas pela comunidade científica aquando o primeiro lançamento.

Dando conta que a procura por uma Internet mais rápida e confiável está a aumentar, a Space X explica ainda à New Scientist que “está a tomar medidas para escalar de forma responsável a capacidade total da rede e a densidade de dados da Starlink para dar resposta ao crescimento das necessidades que os utilizadores terão no futuro”.

ZAP //Por ZAP
23 Outubro, 2019

 

2819: NASA lança satélite Icon para estudar a misteriosa fronteira com o espaço

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

A agência espacial norte-americana NASA lançou um satélite na noite de quinta-feira para explorar a misteriosa região dinâmica onde o ar encontra o espaço, a ionosfera.

O satélite, chamado de Icon, abreviação de Ionospheric Connection Explorer – foi lançado em órbita após um atraso de dois anos por um avião que sobrevoava o Atlântico na costa da Florida. O Icon vai estudar o brilho aéreo formado a partir de gases na ionosfera e também medirá o ambiente carregado em torno do satélite a 580 quilómetros de altura.

Há muita actividade que necessita de ser estudada na ionosfera, uma das camadas da atmosfera terrestre, “a fronteira com o espaço”, salientou o director da divisão de heliofísica da NASA, Nicola Fox.

O Icon “é um laboratório de física notável”, disse o cientista Thomas Immel, da Universidade da Califórnia em Berkeley, que supervisiona a missão de dois anos.

Um satélite da NASA lançado no ano passado, Gold, também está a estudar a atmosfera superior, mas a partir de um patamar mais elevado.

Estão previstas mais missões nos próximos anos para estudar a ionosfera, inclusive pela Estação Espacial Internacional.

ZAP // Lusa

Por Lusa
11 Outubro, 2019

 

2573: Space X recusou mover satélite da Starlink que ia colidir com um outro da ESA

CIÊNCIA

ESA

A Agência Espacial Europeia (ESA) teve que desviar um dos seus satélites meteorológicos para impedir que este colidisse com um outro satélite da Space X. A empresa do multimilionário Elon Musk recusou fazê-lo.

Através do Twitter, a ESA dá conta que o desvio ocorreu na segunda-feira. Em causa estava uma eventual a colisão entre um dos seus satélites e um outro da Space X, que faz parte da “mega-constelação” Starlink, também conhecida como “comboio de satélites”.

“Pela primeira vez, a ESA fez uma manobra para evitar a colisão de um dos nossos satélites com uma ‘mega-constelação’” de satélites da SpaceX, escreveu a ESA.

A agência precisou que a sua equipa de cientistas considerou necessário disparar as hélices do satélite de observação terrestre Aeolus para aumentar a sua altitude, evitando assim a colisão com um dos satélites da empresa de Elon Musk.

Depois de “passar por cima” da Starlink, o satélite voltou à sua trajectória habitual.

Segundo a ESA, citada pelo Público, a SpaceX recusou-se a mover o seu satélite. O jornal tentou, sem sucesso, contactar a ESA e a empresa para obter mais informações.

A ESA recordou que “é muito raro” realizar este tipo de manobras, uma vez que estas são normalmente levadas a cabo para desviar satélites que não estão mais operacionais ou para desviar fragmentos de colisões anteriores. Em 2018, a ESA fez 28 destas manobras manuais para evitar colisões com a sua própria frota de satélites.

The manoeuvre took place about 1/2 an orbit before the potential collision. Not long after the collision was expected, #Aeolus called home as usual to send back its science data – proving the manoeuvre was successful and a collision was indeed avoided

ESA Operations

@esaoperations

It is very rare to perform collision avoidance manoeuvres with active satellites. The vast majority of ESA avoidance manoeuvres are the result of dead satellites or fragments from previous collisions#SpaceDebris

A organização espacial revelou ainda que está a preparar um mecanismo para prevenir estas situações recorrendo a Inteligência Artificial. O objectivo passa por proteger a “sua infra-estrutura espacial” que enfrenta agora mais perigos devido ao aumento do número de satélites em órbita da Starlink.

A “constelação” de Musk foi lançada em maio passado, quando o satélite da ESA já estava em órbita há meses. Contudo, recorda o responsável pelo departamento de resíduos espaciais da ESA, Holger Krag, “não há regras no Espaço”.

“Ninguém fez nada de mal. Não há uma regra que diz que alguém aqui estava primeiro. O espaço não está organizado e acreditamos que precisamos de tecnologia para monitorizar este tráfego”, disse, citado pela Forbes.

A Starlink, que é composta por 60 satélites, foi contestada por vários cientistas na altura em que foi lançada. O astrónomo Alex Parker, que mostrou o seu descontentamento através da sua conta pessoal no Twitter, acredita que, a longo prazo, podem ser vistos mais satélites Starlink a olho nu no céu do que estrelas.

ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2019

 

2503: Venezuela. Maduro ordena construção de novo satélite de telecomunicações

(dv) Palácio Miraflores
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Nicolás Maduro anunciou que a Venezuela vai ter um novo satélite de telecomunicações, que vão ser feitos investimentos para activar as redes 4G e 5G nas operadoras estatais e para levar fibra óptica aos venezuelanos.

“Ordeno à ministra de Ciência e Tecnologia (Gabriela Jiménez Ramírez) e ao presidente da Corporação Socialista de Telecomunicações e Serviços Postais (Jorge Márquez) a construção de um segundo satélite de telecomunicações Guaicaipuro e a implantação maciça de toda a infra-estrutura 4G e 5G”, disse o presidente da Venezuela, citado esta sexta-feira pelo Jornal de Notícias.

Nicolás Maduro falava durante uma jornada de trabalho com representantes do sector industrial do país, transmitido em directo e de maneira obrigatória pelas rádios e televisões do país.

O presidente da Venezuela anunciou ainda que aprovou o “plano fibra óptica” para levar Internet de alta velocidade aos venezuelanos, a começar pelos estados de Zúlia, Miranda e o Distrito Capital.

A implementação das redes de fibra óptica vai ser executada pelas empresas estatais CANTV (telecomunicações fixas) e Movilnet (telecomunicações móveis), que vão ser alvo de “um processo de investimento, recuperação e melhoria do serviço” que prestam.

O anúncio dos novos projectos tem lugar num momento em que são cada vez mais frequentes as queixas dos venezuelanos sobre deficiências nos serviços fixos e móveis de telecomunicações. “Eu sei que se pode avançar, manter e melhorar. Não aceito desculpas de ninguém”, frisou.

São também cada vez mais frequentes as falhas na Internet, com a imprensa venezuelana a denunciar que, apesar de ter importantes recursos petrolíferos, a Venezuela tem uma das redes mais lentas da América Latina.

Venezuela tem actualmente três satélites em órbita

O primeiro satélite venezuelano a ser lançado ao espaço foi o Simón Bolívar, também chamado de Venesat, em 2008, para facilitar as telecomunicações, o acesso e transmissão de dados e de televisão.

O segundo satélite, chamado de Miranda, também conhecido como VRSS-1, foi lançado ao espaço em 2012, com fins geográficos, para captar imagens de alta resolução do território venezuelano.

A Venezuela possui também o satélite António José de Sucre, também chamado de VRSS-2, e foi lançado em Outubro de 2017, com os mesmos fins que o Miranda.

TP, ZAP //

Por TP
23 Agosto, 2019

 

2481: Aniquilação total para estrelas super-massivas

Impressão de artista da super-nova por instabilidade de pares SN 2016iet.
Crédito: Observatório Gemini/NSF/AURA; ilustração por Joy Pollard

Uma estrela renegada, que explodiu numa galáxia distante, forçou os astrónomos a colocar de lado décadas de investigação e a concentraram-se num novo tipo de super-nova que pode aniquilar completamente a sua estrela-mãe – não deixando nenhum remanescente para trás. O evento de assinatura, algo que os astrónomos nunca haviam testemunhado antes, pode representar o modo pelo qual as estrelas mais massivas do Universo, incluindo as primeiras estrelas, morrem.

O satélite Gaia da ESA notou pela primeira vez a super-nova, conhecida como SN 2016iet, no dia 14 de Novembro de 2016. Três anos de observações intensivas de acompanhamento com uma variedade de telescópios, incluindo o Gemini Norte no Hawaii, o Observatório MMT de Harvard e do Smithsonian, localizado no Observatório Fred Lawrence Whipple em Amado, Arizona, EUA, e os Telescópios Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile, forneceram perspectivas cruciais sobre a distância e a composição do objecto.

“Os dados do Gemini forneceram uma visão mais profunda da super-nova do que qualquer outra das nossas observações,” disse Edo Berger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipa de investigação. “Isto permitiu-nos estudar SN 2016iet mais de 800 dias após a sua descoberta, quando diminuiu para um centésimo do seu brilho máximo.”

Chris Davis, director de programas na NSF (National Science Foundation), uma das agências patrocinadoras do Gemini, acrescentou: “Estas observações notáveis do Gemini demonstram a importância de estudar o Universo em constante mudança. A procura, nos céus, por eventos explosivos repentinos, a sua observação rápida e, igualmente importante, a sua monitorização ao longo de dias, semanas, meses, e às vezes até anos é fundamental para obter uma visão geral. Daqui a apenas alguns anos, o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) da NSF irá descobrir milhares destes eventos e o Gemini está bem posicionado para fazer o trabalho crucial de acompanhamento.”

Neste caso, este olhar profundo revelou apenas uma fraca emissão de hidrogénio na posição da super-nova, evidenciando que a estrela progenitora de SN 2016iet viveu numa região isolada com muito pouca formação estelar. Este é um ambiente invulgar para uma estrela tão massiva. “Apesar de procurarmos, há décadas, milhares de super-novas,” retomou Berger, “esta parece diferente de tudo o que já vimos antes. Às vezes, vemos super-novas que são invulgares num único aspecto, mas que por outro lado são normais; esta é única de todas as maneiras possíveis.”

SN 2016iet tem uma infinidade de excentricidades, incluindo a sua duração incrivelmente longa, grande energia, impressões digitais químicas incomuns e ambiente pobre em elementos mais pesados – para os quais não existem análogos óbvios na literatura astronómica.

“Quando percebemos o quão invulgar era SN 2016iet, a minha reacção foi ‘Whoa – será que está algo horrivelmente errado com os nossos dados?'” disse Sebastian Gomez, também do Centro para Astrofísica e autor principal da investigação. A pesquisa foi publicada na edição de 15 de Agosto da revista The Astrophysical Journal.

A natureza invulgar de SN 2016iet, como revelado pelo Gemini e por outros dados, sugere que começou a sua vida como uma estrela com cerca de 200 vezes a massa do nosso Sol – tornando-se uma das explosões estelares mais massivas e poderosas já observadas. Evidências crescentes sugerem que as primeiras estrelas nascidas no Universo podem ter sido igualmente massivas. Os astrónomos previram que se tais gigantes mantiverem a sua massa durante a sua breve vida (alguns milhões de anos), morrerão como super-novas por instabilidade de pares, que recebe o nome dos pares de matéria-antimatéria formados na explosão.

A maioria das estrelas massivas terminam as suas vidas num evento explosivo que expele matéria rica em metais pesados para o espaço, enquanto o seu núcleo colapsa numa estrela de neutrões ou buraco negro. Mas as super-novas por instabilidade de pares pertencem a outra classe. O núcleo em colapso produz enormes quantidades de raios-gama, levando a uma produção descontrolada de pares de partículas e anti-partículas que, eventualmente, desencadeiam uma explosão termonuclear catastrófica que aniquila toda a estrela, incluindo o núcleo.

Os modelos de super-novas por instabilidade de pares prevêem que ocorrerão em ambientes pobres em metais (termo astronómico para elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio), como em galáxias anãs e no Universo inicial – e a investigação da equipa descobriu exactamente isso. O evento ocorreu a uma distância de mil milhões de anos-luz numa galáxia anã, anteriormente não catalogada, pobre em metais. “Esta é a primeira super-nova em que o conteúdo de massa e metal da estrela está no intervalo previsto pelos modelos teóricos,” disse Gomez.

Outra característica surpreendente é a localização de SN 2016iet. A maioria das estrelas massivas nasce em enxames densos de estrelas, mas SN 2016iet formou-se isolada a cerca de 54.000 anos-luz do centro da sua galáxia anã hospedeira.

“Como uma estrela tão massiva se pode formar em completo isolamento ainda é um mistério,” acrescentou Gomez. “Na nossa vizinhança cósmica local, só conhecemos algumas estrelas que se aproximam da massa da estrela que explodiu e deu origem a SN 2016iet, mas todas vivem em enxames gigantescos com milhares de outras estrelas.” A fim de explicar a longa duração do evento e a sua lenta evolução de brilho, a equipa avança a ideia de que a estrela progenitora expeliu matéria para o seu ambiente circundante a um ritmo de cerca de três vezes a massa do Sol por ano durante uma década antes da explosão estelar. Quando a estrela finalmente se tornou super-nova, os detritos colidiram com este material, alimentando a emissão de SN 2016iet.

“A maioria das super-novas desaparecem e tornam-se invisíveis contra o brilho das suas galáxias hospedeiras em poucos meses. Mas dado que SN 2016iet é tão brilhante e está tão isolada, podemos estudar a sua evolução durante anos,” acrescentou Gomez. “A ideia das super-novas por instabilidade de pares existe há décadas,” disse Berger. “Mas termos, finalmente, o primeiro exemplo observacional que coloca uma estrela moribunda no regime correto de massa, com o comportamento correto, e numa galáxia anã pobre em metais, é um incrível passo em frente.”

Há não muito tempo atrás, não se sabia se tais estrelas super-massivas podiam realmente existir. A descoberta e as observações de acompanhamento de SN 2016iet forneceram evidências claras da sua existência e do potencial para afectar o desenvolvimento do Universo inicial. “O papel do Gemini nesta descoberta surpreendente é significativo,” disse Gomez, “pois ajuda-nos a entender melhor como o Universo primordial se desenvolveu depois da sua ‘idade das trevas’ – quando não ocorreu formação estelar – para formar o esplêndido Universo que vemos hoje.”

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2390: Missão TESS completa primeiro ano de observações, vira-se para o céu do hemisfério norte

Ilustração de L 98-59b, o exoplaneta mais pequeno descoberto pelo TESS da NASA.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Ravyn Cullor

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA descobriu 21 planetas para lá do nosso Sistema Solar e capturou dados sobre outros eventos interessantes ocorridos no céu do hemisfério sul durante o seu primeiro ano de ciência. O TESS voltou agora a sua atenção para o hemisfério norte para completar a mais abrangente expedição de caça exoplanetária já realizada.

O TESS começou a caçar exoplanetas (ou mundos em órbita de estrelas distantes) no céu do hemisfério sul em Julho de 2018, enquanto também recolhia dados sobre super-novas, buracos negros e outros fenómenos na sua linha de visão. Juntamente com os planetas descobertos pelo TESS, a missão já identificou mais de 850 candidatos a exoplaneta que aguardam confirmação por telescópios terrestres.

“O ritmo e a produtividade do TESS, no seu primeiro ano de operações, ultrapassaram em muito as nossas esperanças mais optimistas para a missão,” disse George Ricker, investigador principal do TESS no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, EUA. “Além de encontrar um conjunto diversificado de exoplanetas, o TESS também descobriu um tesouro de fenómenos astrofísicos, incluindo milhares de violentos objectos estelares variáveis.”

Para procurar exoplanetas, o TESS usa quatro grandes câmaras para observar uma secção de 24 por 96 graus no céu durante 27 dias de cada vez. Algumas destas secções sobrepõem-se, de modo que algumas partes do céu são observadas durante quase um ano. O TESS está a concentrar-se em estrelas a menos de 300 anos-luz do nosso Sistema Solar, procurando trânsitos, quedas periódicas no brilho provocado por um objecto, como um planeta, passando em frente à estrela.

No dia 18 de Julho, foi concluída a porção sul da pesquisa e a nave virou as suas câmaras para o norte. Quando completar a secção norte em 2020, o TESS terá mapeado mais de três-quartos do céu.

“O Kepler descobriu o incrível resultado que, em média, cada sistema estelar tem um planeta ou planetas em seu redor,” disse Padi Boyd, cientista do projecto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “O TESS dá o próximo passo. Se os planetas estão em toda a parte, então queremos encontrar aqueles que orbitam estrelas próximas e brilhantes, porque serão esses os que podemos agora acompanhar com telescópios terrestres e espaciais existentes, e a próxima geração de instrumentos durante as décadas seguintes.”

Aqui ficam alguns dos objectos e eventos interessantes que o TESS viu durante o seu primeiro ano.

Exoplanetas

Para se qualificar como um candidato a exoplaneta, um objecto deve fazer pelo menos três trânsitos nos dados do TESS, e passar por várias verificações adicionais para garantir que os trânsitos não são falsos positivos provocados por um eclipse ou por uma estrela companheira, mas que são, de factos, exoplanetas. Uma vez identificado um candidato, os astrónomos utilizam uma grande rede de telescópios terrestres para o confirmar.

“A equipa está focada actualmente em encontrar os melhores candidatos para confirmar por meio de acompanhamento no solo,” disse Natalia Guerrero, que administra a equipa encarregada de identificar candidatos a exoplanetas no MIT. “Mas há muitos mais candidatos potenciais a exoplaneta nos dados ainda a serem analisados, por isso estamos apenas a ver aqui a ponta do icebergue. O TESS apenas arranhou a superfície.”

Os planetas que o TESS descobriu até agora variam de um mundo com 80% do tamanho da Terra até aqueles comparáveis ou superiores aos tamanhos de Júpiter e Saturno. Tal como o Kepler, o TESS está a encontrar muitos planetas mais pequenos do que Neptuno, mas maiores do que a Terra.

Enquanto a NASA se esforça para colocar astronautas em alguns dos nossos vizinhos mais próximos – a Lua e Marte – a fim de entender mais sobre os planetas do nosso próprio Sistema Solar, observações posteriores com telescópios poderosos dos planetas que o TESS descobre vão permitir-nos entender melhor como a Terra e o Sistema Solar se formaram.

Com os dados do TESS, os cientistas que usam observatórios actuais e futuros, como o Telescópio Espacial James Webb, poderão estudar outros aspectos dos exoplanetas, como a presença e a composição de qualquer atmosfera, que afectaria a possibilidade de desenvolvimento da vida.

Cometas

Antes do início das operações científicas, o TESS captou imagens nítidas de um cometa recém-descoberto no nosso Sistema Solar. Durante um teste dos instrumentos em órbita, as câmaras do satélite obtiveram uma série de imagens que capturaram o movimento de C/2018 N1, um cometa descoberto no dia 29 de Junho pela NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA.

O TESS também capturou dados de objectos semelhantes para lá do Sistema Solar.

Exocometas

Os dados da missão também foram usados para identificar trânsitos de cometas em órbita de outra estrela: Beta Pictoris, localizada a 63 anos-luz de distância. Os astrónomos conseguiram encontrar três cometas que eram pequenos demais para serem planetas e tinham caudas detectáveis, a primeira identificação do seu tipo no visível.

Super-novas

Dado que o TESS passa quase um mês a observar na mesma direcção, pode capturar dados sobre eventos estelares, como super-novas. Durante os seus primeiros meses de operações científicas, o TESS identificou seis super-novas em galáxias distantes que foram posteriormente descobertas por telescópios terrestres.

Os cientistas esperam usar estes tipos de observações para melhor entender as origens de um tipo específico de explosão conhecida como super-nova do Tipo Ia.

As super-novas do Tipo Ia ocorrem em sistemas estelares onde uma anã branca extrai gás de outra estrela ou quando duas anãs brancas se fundem. Os astrónomos não sabem qual dos dois casos é o mais comum mas, com os dados do TESS, terão uma compreensão mais clara das origens destas explosões cósmicas.

As super-novas do Tipo Ia pertencem a uma classe de objectos chamada “vela padrão”, o que significa que os astrónomos sabem quão luminosas são e podem usá-las para calcular parâmetros como a rapidez com que o Universo está a expandir-se. Os dados do TESS vão ajudar a compreender as diferenças entre as super-novas do Tipo Ia criadas em ambas as circunstâncias, o que poderá ter um grande impacto sobre como entendemos os eventos que ocorrem a milhares de milhões de anos-luz e, em última análise, sobre o destino do Universo.

Astronomia On-line
30 de Julho de 2019

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2337: Gaia começa a mapear a barra da nossa Galáxia

Esta imagem mostra a distribuição de 150 milhões de estrelas na Via Láctea, usando a segunda versão de dados da missão Gaia em combinação com levantamentos ópticos e infravermelhos, com os tons laranja/amarelo indicando uma maior densidade de estrelas. A maioria destas estrelas são gigantes vermelhas. A distribuição é sobreposta a uma visão artística da nossa Via Láctea.
Enquanto a maioria das estrelas estão localizadas mais perto do Sol (a maior mancha laranja/amarela na parte inferior da imagem), uma característica grande e alongada povoada por muitas estrelas também é visível na região central da Galáxia: esta é a primeira indicação geométrica da barra galáctica.
As distâncias das estrelas mostradas neste gráfico, juntamente com a temperatura da sua superfície e extinção – uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas – foram estimadas usando o código de computador StarHorse.
Crédito: dados – ESA/Gaia/DPAC, A. Khalatyan (AIP) & equipa StarHorse; mapa galáctico – NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)

A primeira medição directa da colecção de estrelas em forma de barra no centro da Via Láctea foi feita combinando dados da missão Gaia da ESA com observações complementares de telescópios terrestres e espaciais.

A segunda versão de dados do satélite de mapeamento estelar, publicada em 2018, tem vindo a revolucionar muitos campos da astronomia. O catálogo sem precedentes contém os brilhos, posições, indicadores de distância e movimentos no céu para mais de mil milhões de estrelas da nossa Via Láctea, juntamente com informações sobre outros corpos celestes.

Por mais impressionante que este conjunto de dados seja, isto é apenas o começo. Embora esta segunda divulgação tenha por base os primeiros 22 meses de investigações do Gaia, o satélite já varre o céu há cinco anos e tem ainda muitos pela frente. Os novos lançamentos de dados planeados para os próximos anos vão melhorar as medições, além de fornecer informações adicionais que nos permitirão mapear a nossa Galáxia e aprofundar a sua história como nunca antes.

Entretanto, uma equipa de astrónomos combinou os dados mais recentes do Gaia com observações infra-vermelhas e ópticas realizadas a partir do solo e do espaço para fornecer uma ante-visão do que os futuros lançamentos do topógrafo estelar da ESA vai revelar.

“Observámos, em particular, dois parâmetros estelares contidos nos dados do Gaia: a temperatura da superfície das estrelas e a ‘extinção’, que é basicamente uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas, obscurecendo a sua luz e fazendo com que pareça mais vermelha,” disse Friedrich Anders da Universidade de Barcelona, Espanha, autor principal do novo estudo.

“Estes dois parâmetros estão interligados, mas podemos estimá-los de forma independente, adicionando informações extras obtidas atravessando a poeira com observações infra-vermelhas.”

A equipa combinou o segundo lançamento de dados do Gaia com várias investigações no infravermelho usando um código informático chamado StarHorse, desenvolvido pela co-autora Anna Queiroz e colaboradores. O código compara as observações com modelos estelares para determinar a temperatura da superfície das estrelas, a extinção e uma estimativa melhorada da distância até às estrelas.

Como resultado, os astrónomos obtiveram uma determinação muito mais precisa das distâncias para cerca de 150 milhões de estrelas – em alguns casos, a melhoria é de até 20% ou mais. Isto permitiu que rastreassem a distribuição de estrelas através da Via Láctea para distâncias muito maiores do que o possível só apenas com os dados do Gaia.

“Com o segundo lançamento de dados do Gaia, pudemos testar um raio em torno do Sol de cerca de 6500 anos-luz, mas com o nosso novo catálogo, pudemos estender essa ‘esfera do Gaia’ três ou quatro vezes, alcançando o centro da Via Láctea,” explicou a co-autora Cristina Chiappini do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha, onde o projecto foi coordenado.

Lá, no centro da nossa Galáxia, os dados revelam claramente uma característica grande e alongada na distribuição tridimensional das estrelas: a barra galáctica.

“Nós sabemos que a Via Láctea tem uma barra, como outras galáxias espirais barradas, mas até agora só tínhamos indicações indirectas dos movimentos das estrelas e do gás, ou de contagens estelares em levantamentos no infravermelho. Esta é a primeira vez que vemos a barra galáctica no espaço em 3D, com base em medições geométricas de distâncias estelares,” explicou Friedrich.

“Em última análise, estamos interessados na arqueologia galáctica: queremos reconstruir como a Via Láctea se formou e evoluiu e, para isso, precisamos de entender a história de cada um dos seus componentes,” acrescentou Cristina.

“Ainda não está claro como a barra – uma grande quantidade de estrelas e gás que gira em torno do centro da Galáxia – se formou, mas com o Gaia e outros levantamentos futuros nos próximos anos estamos certamente no caminho certo para descobrir isso.”

A equipa está ansiosa pela próxima divulgação de dados do APOGEE-2 (Apache Point Observatory Galaxy Evolution Experiment), bem como por instalações como o 4MOST (4-metre Multi-Object Survey Telescope) no ESO no Chile e o levantamento WEAVE (WHT Enhanced Area Velocity Explorer) do Telescópio William Herschel (WHT) em La Palma, Ilhas Canárias.

A terceira divulgação de dados do Gaia, actualmente planeada para 2021, vai incluir determinações de distância bastante melhoradas para um número muito maior de estrelas, e espera-se que permita o progresso na nossa compreensão da região complexa no centro da Via Láctea.

“Com este estudo, podemos desfrutar de uma amostra das melhorias no nosso conhecimento da Via Láctea que podem ser esperadas a partir de medições do Gaia com a terceira divulgação de dados,” explica o co-autor Anthony Brown da Universidade de Leiden, Holanda, e presidente do Consórcio de Análise e Processamento de Dados do Gaia.

“Estamos a revelar características na Via Láctea que, de outra forma, não podíamos ver: é este o poder do Gaia, que é aprimorado ainda mais em combinação com investigações complementares,” conclui Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA.

Astronomia On-line
19 de Julho de 2019

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2284: Satélite revela lago de lava num vulcão isolado do Atlântico Sul

CIÊNCIA

LANDSAT / NASA

Um grupo de cientistas descobriu um raro lago de lava numa remota e inacessível ilha sub antárctica. Este vulcão nas Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo com um lago de lava persistente.

Piscinas de lavas fumegantes nas crateras vulcânicas. Apesar de ser esta a imagem a surgir na nossa mente assim que pensamos em vulcões, o vulcão das Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo que tem um lago de lava persistente.

A descoberta no Monte Michael na Ilha Saunders, detalhada na revista Volcanology and Geothermal Research, foi feita através de imagens de satélite. Este é o primeiro vulcão deste género a ser identificado dentro do Território Ultramarino Britânico, na Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul.

Em 2001, a análise de dados de satélite de baixa resolução revelou uma anomalia geotérmica, mas não foi possível provar a existência de um lago de lava. Agora, imagens de satélite de maior resolução, combinadas com técnicas avançadas de processamento, revelaram um lago com 90-215 metros de diâmetro com lava derretida de 989-1279°C.

O autor do estudo, o geólogo Alex Burton-Johnson, da British Antarctic Survey, referiu em comunicado que a equipa está “muito feliz por ter descoberto uma característica geológica tão notável no Território Ultramarino Britânico”.

“A identificação do lago de lava melhorou a nossa compreensão da actividade vulcânica e do perigo nesta ilha remota, além de nos dar mais pormenores sobre as características raras desta ilha. Além disso, ajudou-nos a desenvolver técnicas de monitorização de vulcões desde o Espaço”, continuou, citado pelo portal Pshys.org.

A principal autora do artigo científico, Danielle Gray, da University College London, adiantou que o “Monte Michael é um vulcão numa ilha remota no Oceano Antárctico”. “É extremamente difícil ter acesso a este vulcão e, sem imagens de satélite de alta resolução, seria muito difícil aprender mais sobre este incrível recurso geológico”, completou.

Os outros sete lagos de lava ao redor do mundo são Nyiragongo, na República Democrática do Congo; o vulcão Erta Ale, na Etiópia; Erebus, na Antártica; Yasur, em Vanuatu; Kilauea, no Havai; Ambrym, em Vanuatu; e Masaya, em Nicarágua.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2019

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2280: Destroços do satélite derrubado pela Índia continuam em órbita e ameaçam a EEI

NASA
A EEI – Estação Espacial Internacional

Os destroços do satélite indiano destruído no passado mês de Março pelas Forças Armadas deste país asiático continuam em órbita, pondo em perigo a Estação Espacial Internacional (EEI). Os cálculos oficiais apontaram na altura que os escombros seriam desintegrados em menos de 45 dias.

O aviso é deixado por Jonathan McDowell, astrónomo do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA, que identificou 41 fragmentos do satélite indiano ainda em órbita.

Alguns destes escombros estão em altitudes que coincidem com as da EEI – que orbita a pouco mais de 400 quilómetros de altura – e, segundo estimativas de especialistas, vão levar cerca de um ano para caírem na atmosfera e se desintegrarem.

Jonathan McDowell @planet4589

Updated plot of Indian ASAT debris height versus time. Still 41 tracked debris objects in orbit.

A destruição do satélite gerou, pelo menos, 400 fragmentos de lixo espacial, alguns dos quais atingiram altitudes mais altas do que a da EEI, criando perigo de colisão com outros objectos e ameaçando a segurança de astronautas a bordo, disse, em Abril passado, Jim Bridenstine, da agência espacial norte-americana (NASA).

“O risco para a Estação Espacial Internacional aumentou 44%”, disse ainda o responsável da NASA, descrevendo a situação como “inaceitável”.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Índia têm insistido que a demolição feita na atmosfera mais baixa para evitar a acumulação de detritos, evitando que estes continuassem em órbita ao fim de algumas semanas.

Já primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, descreveu o lançamento do míssil que destruiu o satélite como um “grande avanço, considerando que o feito coloca o país entre as principais potências espaciais do mundo.

ZAP //

Por ZAP
5 Julho, 2019