5002: SpaceX envia 143 satélites num único foguete e… cinzas humanas

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/SPACE X

Foi este domingo que a SpaceX voltou a deixar marcas na história da humanidade! No âmbito do novo programa de carga partilhada, a SpaceX enviou num único foguete Falcon 9 um total de 143 satélites.

Além disso, em parceria com a funerária Celestis, seguiram também cápsulas de cinzas humanas.

SpaceX bate novo recorde no transporte de satélites

A SpaceX, empresa fundada em 2002 por Elon Musk, presidente executivo da Tesla bateu mais um recorde! Este domingo a empresa enviou 143 satélites num único foguete. A missão faz parte do novo programa de carga partilhada entre empresas, que permite transportar essa carga para o espaço a um custo mais baixo. Entre as empresas, está a funerária Celestis, que mandou cápsulas de cinzas humanas.

A missão chama-se Transporter-1 e o programa de redução de custos SmallSat Rideshare. Através desta “parceria” entre empresas, um pequeno satélite de uma empresa pode viajar até ao espaço em outras naves espaciais em vez de ter de comprar um foguete completo a um preço muito mais elevado (um estilo de aluguer de transporte).

A missão era para ter início no passado sábado, mas a tentativa foi falhada devido às más condições meteorológicas. Hoje, já com sucesso, seguiram numa nave Falcon 9 um total de 143 satélites pequenos, entre eles um contentor cheio de restos humanos cremados da Celestis, e 10 mais do programa Starlink Internet da empresa.

De acordo com as informações, o preço de envio de 200 quilos de carga para uma órbita heliossíncrona ronda um milhão de dólares (cerca de 821 mil euros, à taxa de câmbio actual).

De relembrar que é objectivo da SpaceX colocar 1.584 satélites na órbita terrestre a 549 quilómetros acima da Terra, uma distância menor que a habitual para estes dispositivos comerciais.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
24 Jan 2021


4997: Satélites da Starlink poderão prejudicar recolha de dados dos astrónomos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/STARLINK

Como parte do plano de Elon Musk em cobrir o planeta de Internet de alta velocidade, está em curso um processo da SpaceX, a Starlink, que visa lançar dezenas de milhares de satélites para a órbita da Terra. Pela primeira vez, os dados demonstram que isto poderá ser possível sem prejudicar a visão do céu nocturno a olho nu.

Porém, o mesmo não acontece com a visão dos astrónomos que, mesmo depois da tentativa de resolução do problema, poderão ver o alcance dos seus telescópios comprometido.

Starlink invisível a olho nu

A ideia é promissora e, mais uma vez, saiu da cabeça de Elon Musk. Como sabemos, a Starlink é um projecto que pretende oferecer uma Internet de alta qualidade a nível global, através de satélites enviados para a órbita da Terra.

Porém, quando os primeiros satélites foram enviados, em maio de 2019, os astrónomos temeram pela qualidade das imagens que viriam a recolher posteriormente. Isto, devido aos pontos de luz em movimento que estavam agora no céu.

Além de perturbar os astrónomos, a Starlink era igualmente visível a olho nu e, por isso, os pontos de luz estavam presentes no céu nocturno.

Posto isto, a SpaceX procedeu ao escurecimento dos satélites com viseiras, aos quais chamou de VisorSats. Dessa forma e de acordo com um novo estudo, conseguiu que os satélites diminuíssem em 31% o seu brilho, sendo, então, invisíveis a olho nu.

A saber, estas viseiras são instaladas após o lançamento e bloqueiam a reflexão da luz solar sobre as superfícies mais brilhantes dos satélites.

Dados recolhidos por telescópios ainda são prejudicados

No entanto, estas viseiras ainda deixam os satélites 2,5 vezes mais brilhantes do que seria o ideal, para a SpaceX. Mais, ainda são demasiado brilhantes para que não afectem o desempenho dos telescópios.

É uma vitória para a preocupação de mudar o céu nocturno para a pessoa comum. Acho que evitámos esse facto.

Disse Jonathan McDowell, astrónomo no Centre for Astrophysics at Harvard and Smithsonian.

Isto, porque para os telescópios o céu ainda está repleto de falsas estrelas, dificultando a visão do cosmos, bem como os estudos associados a essa observação.

Para já, em dois anos, a SpaceX lançou mais de 950 satélites. No entanto, o plano aponta para 42 mil satélites a compor a Starlink. Assim sendo, quantos mais forem enviados, mais os astrónomos sentirão o seu impacto.

Aliás, a SpaceX tem permissão da Federal Communications Commission para lançar 12 mil satélites até meados de 2027.

Dois satélites da Starlink a atravessar o céu nocturno, no dia 18 de Abril de 2020.

Conforme revela o estudo, um único satélite pode criar uma faixa contínua de luz, bloqueando os objectos que os astrónomos poderão vir a estudar.

Alguns projectos realmente não se vão importar com isto. Outros projectos teremos de repensar realmente, e alguns serão impossíveis.

Revelou McDowell.

Além disso, os satélites emitem ondas de rádio e comprimentos de onda que poderão interferir com os telescópios que utilizam esse tipo de sistema para explorar.

Estamos numa nova fase de utilização do espaço. É uma nova revolução industrial espacial, as coisas são diferentes, e a astronomia vai ser afectada. Só temos de ter a certeza de que fazemos parte da conversa.

Esclareceu McDowell.

Apesar desta preocupação, todas estas conclusões são fruto de um novo estudo, sendo que a SpaceX ainda não fez qualquer comentário ou revelou informações sobre o brilho actualizado dos satélites.

Autor: Ana Sofia


4965: Virgin Orbit conseguiu! Já envia satélites para o espaço a partir de um avião

CIÊNCIA/ESPAÇO/VIRGIN ORBIT

A corrida para o Espaço está ao rubro. Se a SpaceX parece estar no comando, há muitas empresas apostadas nesta nova área, com propostas alternativas. Estas estão ainda em fase de testes, mas prometem muito para o futuro.

Com muita expectativa a Virgin Orbit tinha um teste muito importante a decorrer. A sua proposta é lançar satélites para o espaço a partir de um avião e agora já o conseguiu. O seu mais recente teste decorreu com sucesso completo.

Forma diferente de lançar satélites para o Espaço

Apesar de estarem mais atrasados que o resto dos concorrentes, a Virgin Orbit tem planos bem definidos para o futuro. A empresa de Richard Branson tem uma abordagem completamente diferente e aparentemente esta é também capaz de atingir o espaço.

Em vez de usar os foguetões de maiores dimensões, a Virgin Orbit resolveu recorrer ao seu LauncherOne. Este é um foguete que é colocado sob a asa do Cosmic Girl, um Boeing 747 modificado e preparado para a primeira parte do trajecto.

Virgin Orbit conseguiu sucesso com o LauncherOne

Depois do LauncherOne se separar, cada um dos elementos segue o seu caminho. Este sobe para o espaço para fazer o lançamento da sua carga e o 747 regressa ao solo. Rapidamente pode ser recarregado e fazer um novo lançamento.

O teste deste fim de semana procurava validar não apenas este conceito. Queria mostrar que esta é uma alternativa viável e que poderá ser uma forma de colocar satélites de menores dimensões no espaço.

– vídeo editado via captura de écran dado não ser facultado o URL original

Tudo é feito a partir de um avião

Do que foi mostrado, e pode ser visto no vídeo acima, este foi um sucesso. À hora prevista a separação foi realizada e o LauncherOne subiu para realizar a entrega da sua carga.

Curiosamente, esta era uma carga real e os satélites presentes eram da NASA e de algumas universidades norte-americanas. Desta forma, os custos podem ser reduzidos, em especial nos casos de satélites menores.

Está provado que será um sucesso no futuro

Apesar deste sucesso, falta ainda uma parte final que fica a cargo do LauncherOne. Este terá ainda de fazer a colocação dos satélites em órbita, algo que deverá também ser um sucesso.

Esta forma diferente de lançar satélites tem também o apoio e o financiamento da NASA. Cada vez mais existem formas de colocar material no Espaço, reanimando a corrida para este objectivo. A SpaceX domina, mas há muitas outras a trabalhar nesta meta, com muito sucesso.

Pplware
Autor: Pedro Simões
18 Jan 2021


4897: Japão desenvolve satélites de madeira para eliminar lixo espacial

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ESPAÇO

Não há a mínima dúvida que a órbita da Terra alberga milhões de objectos perigosos, lixo espacial que não se sabe como será possível limpar. Contudo, poderá haver agora uma nova abordagem no que respeita à construção dos satélites e dos material a usar. Segundo uma empresa japonesa e a Universidade de Kyoto, será possível desenvolver o que esperam ser os primeiros satélites do mundo feitos de madeira até 2023.

Estima-se que existam mais de 128 milhões de pedaços de entulho menores que 1 cm, 900.000 pedaços de lixo de 1 a 10 cm e cerca de 34.000 pedaços maiores que 10 cm na órbita da Terra.

Satélites de madeira poderão ser uma realidade

Conforme foi dado a conhecer, a empresa nipónica Sumitomo Forestry já iniciou investigações sobre o crescimento de árvores e o uso de materiais de madeira no espaço. A parceria começará a experimentar diferentes tipos de madeira em ambientes extremos da Terra.

O lixo espacial está a tornar-se um problema crescente à medida que mais satélites são lançados na atmosfera. Assim, os satélites de madeira queimariam sem liberar substâncias nocivas na atmosfera ou fazer chover detritos no solo quando voltassem para a Terra.

Estamos muito preocupados com o facto de que todos os satélites que reentram na atmosfera da Terra queimam e criam minúsculas partículas de alumina que vão flutuar na atmosfera superior durante muitos anos.

Disse Takao Doi, professor da Universidade de Kyoto e astronauta japonês à BBC.

Desenhar satélites de madeira mais “amigos do ambiente”

A próxima etapa será desenvolver o modelo de engenharia do satélite, depois será fabricado o modelo de voo. Como astronauta, Takao Doi visitou a Estação Espacial Internacional em Março de 2008. Então, durante a missão, ele tornou-se a primeira pessoa a lançar um bumerangue no espaço que havia sido projectado especificamente para uso em micro-gravidade.

A Sumitomo Forestry, parte do Grupo Sumitomo, fundada há mais de 400 anos, disse que trabalharia no desenvolvimento de materiais de madeira altamente resistentes às mudanças de temperatura e à luz solar.

Lixo espacial

Especialistas alertaram para a crescente ameaça de lixo espacial que cai na Terra, à medida que mais naves e satélites são lançados. Os satélites são cada vez mais usados ​​para comunicação, televisão, navegação e previsão do tempo. Especialistas e investigadores espaciais têm estudado diferentes opções para remover e reduzir o lixo espacial.

Segundo o Fórum Económico Mundial (WEF), existem cerca de 6.000 satélites a orbitar a Terra. Cerca de 60% deles estão extintos (lixo espacial). Além disso, estima-se que 990 satélites serão lançados todos os anos nesta década. Quer isso dizer que até 2028, pode haver 15.000 satélites em órbita.

A título de curiosidade, o lixo espacial viaja a uma velocidade incrivelmente rápida de mais de 35.888 km/h. Então, em caso de impacto, um pequeno detrito pode causar danos consideráveis. Em 2006, um pequeno pedaço de lixo espacial colidiu com a Estação Espacial Internacional, causando um dano numa janela fortemente reforçada.

Autor: Vítor M.
01 Jan 2021


4856: Sabia que há um satélite espião que pode “ver” através das paredes das casas?

HIGH-TECH

A tecnologia de ponta, aquela que nem desconfiamos que existe, poderá estar a ser usada há anos para fins militares e não só. Aliás, muita desta tecnologia só chega ao nosso conhecimento quando já está ultrapassada. Um exemplo que é agora dado a conhecer é o Capella-2. Esta é uma tecnologia desenvolvida pela empresa Capella Space. Segundo o que foi dado a conhecer, o sistema consegue penetrar não só nas nuvens, mas também nas paredes das casas.

Se pensava que dentro de portas estava “escondido” ou resguardado de olhares alheios, saiba que até a milhares de quilómetros acima do seu telhado podem ver o que faz dentro de casa.

Podes correr, mas não te podes esconder neste mundo

As imagens geradas são incríveis e podem dar azo a receios fundamentados. Estas tecnologias facilmente caem em mãos erradas e nunca se sabe o que as pessoas “erradas” podem fazer com elas. Capella-2 é um satélite espião que pode não só penetrar nas nuvens, mas também nas paredes dos edifícios.

O sistema da Capella Space, empresa que trabalha com a mesma tecnologia da NASA, é chamado de Radar de Abertura Sintética, aliás, a agência espacial norte-americana tem usado esta tecnologia desde os anos 70. Ele consegue obter os dados com disparos poderosos de sinais de rádio em direcção a um ponto de interesse.

Então, esses sinais “iluminam” um alvo, recolhendo ecos de cada pulso para criar imagens detalhadas.

As ondas de rádio são capazes de viajar através de paredes, como os telemóveis e o WiFi,

Explica a empresa.

Tecnologia para ser utilizada com fins militares

A Capella Space assinou contratos não apenas com entidades privadas, mas com diversos órgãos governamentais, como a Força Aérea dos Estados Unidos. O satélite é capaz de gerar imagens com resolução de 50 centímetros por 50 centímetros graças à actualização Spotlight. Isso permite longas exposições de até 60 segundos numa área de interesse.

Conforme é referido, pela empresa, as imagens são uma representação visual dos dados do radar. Então, com o mais recente satélite a orbitar a Terra, quem tiver o controlo deste satélite e sistema consegue criar imagens de alta resolução de quase qualquer lugar do nosso planeta. A sua capacidade permite mesmo penetrar nas paredes dos edifícios.

Então quem está por trás do Capella-2, o satélite espião?

O CEO da empresa é Payam Banazadeh, um ex-engenheiro da NASA. Segundo ele, tudo o que a empresa tem feito é ajudar os seus clientes através desta lente. Com estes dados os compradores da tecnologia são ajudados nas tomadas de decisões.

Depois de lançar o nosso protótipo de satélite no final de 2018, desenvolvemos os nossos satélites com os requisitos do cliente em mente.

Disse Payam Banazadeh.

O satélite comercial comum é incapaz de perscrutar através das nuvens ou captar imagens detalhadas de pontos de interesse à noite. Contudo, o Capella usa SAR que pode captar imagens independentemente do clima ou das condições de luz.

A empresa diz que trabalha na criação de uma constelação de satélites de 36 dispositivos que, combinados, podem vigiar ‘qualquer lugar do mundo a cada hora’. O software terrestre que permite à equipa interagir com o satélite no espaço tem mais de 850.000 linhas de código e é implantado em 5 continentes em locais remotos e centros de dados gigantes.

Pplware
Autor: Vítor M.


4850: SpaceX enviou satélite espião para o espaço

CIÊNCIA/ESPAÇO/SPACE X

Official SpaceX Photos / Flickr

A empresa SpaceX enviou este sábado para o espaço o foguetão Falcon 9 com um satélite espião do National Reconnaissance Office, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Florida, marcando o seu último lançamento de 2020.

A missão, designada NROL-108 e cancelada na quinta-feira devido a uma falha técnica, foi realizada neste sábado com sucesso durante o período de tempo estipulado, que se iniciou pelas 9 horas locais (14 horas em Lisboa).

Cerca de oito minutos depois, a primeira fase do foguetão Falcon 9, como partes da equipagem e cápsulas, regressou à superfície terrestre e aterrou sem problemas na Zona 1 do complexo espacial, enquanto a segunda etapa continua em curso.

O fundador da SpaceX, Elon Musk, destacou que desta vez “todos os sistemas e o clima estiveram bem”.

Na quinta-feira, a SpaceX cancelou a missão de lançamento devido a um problema de alta pressão no tanque de oxigénio líquido.

Durante a transmissão do lançamento, o último de 2020 da SpaceX, o supervisor de produção da empresa, Andy Tran, destacou que o mesmo foi “um sucesso”.

A primeira etapa do Falcon 9 já tinha voado em missões de restabelecimento comercial da SpaceX para a Estação Espacial Internacional da NASA, como a Starlink (uma rede de satélites para fornecer Internet de alta velocidade) e a Saocom 1B (operação de lançamento para trazer o satélite espião classificado para o espaço argentino).

A missão Saocom 1B, deste ano, foi o primeiro lançamento do foguetão a partir de Cabo Canaveral desde 1969 a voar para o sul para posicionar a sua carga numa órbita de alta inclinação.

ZAP // Lusa

Por Lusa
21 Dezembro, 2020


4628: Se está ansioso para encontrar vida extraterrestre, esta pode ser uma óptima notícia

CIÊNCIA/VIDA EXTRATERRESTRE

Há uma certa ansiedade para descobrirmos que afinal não estamos sozinhos no Universo. São muitos os estudos, cada vez temos mais tecnologia a olhar para o espaço e o conhecimento adquirido vai-nos dando algumas pistas. Sabemos, por exemplo, que a Via Láctea é enorme, estima-se que seja mesmo casa para 400 mil milhões de estrelas. Conforme nós vivemos ao redor da nossa estrela, o Sol, outros planetas poderão igualmente ter condições tão boas ou melhores para albergar vida.

Até aqui temos alguma percepção de quão vasta é a nossa vizinhança galáctica no que toca a estrelas. No entanto, quantos planetas existirão, e onde se encontram?

300 milhões de planetas que podem albergar vida “na nossa vizinhança”

Com cada vez mais tecnologia e novos métodos de estudo, há descobertas que podem ser feitas com material captado pelos observatórios. Assim, um novo estudo sugere que, se estamos a caçar mundos habitáveis, outras estrelas como o nosso Sol talvez sejam a nossa melhor aposta.

Na verdade, os investigadores, que publicaram o seu trabalho no The Astronomical Journal, analisaram os números e estimaram que pode haver até 300 milhões de planetas habitáveis ​​na nossa galáxia.

O estudo concentrou-se em dados recolhidos das investigações a exoplanetas realizadas entre 2009 e 2018. O satélite Kepler de caça a exoplanetas da NASA forneceu aos cientistas uma incrível riqueza de informações sobre a composição de planetas distantes e as estrelas que orbitam.

Agora, usando esta informação, os astrónomos acreditam que podem fazer uma projecção educada de quão prevalentes são os mundos semelhantes à Terra.

Os “mundos rochosos e habitáveis” da nossa galáxia podem ser tão comuns que uma em cada duas estrelas semelhantes ao Sol tem uma na sua órbita. Assim, se porventura este número for próximo da verdade, então, isso significaria que temos milhões de mundos habitáveis ​​à espreita numa outra parte da nossa galáxia.

Claro, se estes planetas hospedam vida extraterrestre ou não é outra questão, e uma questão à qual provavelmente não responderemos tão cedo.

A nossa Via Láctea é um lugar empoeirado. Tão empoeirado, na verdade, que não podemos ver o centro da galáxia na luz visível. Mas quando o telescópio espacial Spitzer da NASA fixou os seus olhos infravermelhos no centro da galáxia, ele capturou esta visão espectacular. | Foto: NASA

Telescópio Espacial James Webb mostrará possíveis planetas habitáveis

Por várias vezes já se afirmou que 2020 será lembrado no mundo da exploração espacial como um ano muito rico em informação. Muito se descobriu, a Lua ficou mais perto, Marte já tem visitas a caminho e o Universo ficou singelamente menos desconhecido.

Contudo, num futuro próximo, hardware como o Telescópio Espacial James Webb fornecerá aos investigadores ainda mais informações sobre exoplanetas. Este poderoso telescópio espacial da NASA irá fornecer análises detalhadas das atmosferas dos planetas fora do nosso sistema solar com uma precisão incrível.

Essa informação, quando chegar a Terra e for tratada pelos astrónomos, poderemos perceber com muito mais exactidão se existem nessas paragens bio-assinaturas, ou elementos da atmosfera que apontam para a presença de vida. Se isso acontecer, será incrivelmente emocionante, mas também significará que teremos que olhar para estes planetas distantes e perguntar-nos se a vida está realmente a prosperar nessas paragens.

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Autor: Vítor M.
10 Nov 2020


4572: Starlink: 3% dos mais de 800 satélites já lançados apresentam defeitos

CIÊNCIA/STARLINK

A Starlink é um dos mais arrojados projectos nascidos pelas mãos de Elon Musk. Trata-se da Internet criada em 2015 pela SpaceX, que, nomeadamente nos últimos tempos, já deu mais do que provas de que é uma aposta ganha.

No entanto, segundo as informações apuradas, dos mais de 800 satélites que já foram lançados, 3% deles apresentaram algum defeito e, por isso, foram desactivados.

Através da empresa espacial SpaceX, Elon Musk projectou a Internet Starlink. Este projecto tem como finalidade fornecer, através de satélites, Internet de banda larga a todos e a preços acessíveis. Uma das grandes vantagens é que a rede poderá assim abranger locais remotos onde as ligações são insuficientes ou até mesmo inexistentes.

De acordo com os testes mais recentes, os resultados conseguidos pela Starlink são admiráveis, atingindo velocidades acima dos 100 Mbps com baixa latência.

Na prática, esta Internet já está também a ser usada por equipas de emergência contra incêndios nos Estados Unidos.

3% dos satélites Starlink já lançados apresentam defeitos

A SpaceX continua na sua missão com envios constantes de satélites Starlink. Por norma, a empresa de Musk envia 60 unidades de cada vez para a órbita terrestre, sendo que o grande objectivo é alcançar pelo menos 12 mil unidades envidas. Mas a meta é criar uma mega-constelação que pode totalizar 30 mil satélites.

Actualmente a empresa já lançou mais de 800 satélites, no entanto, 3% destes equipamentos apresentaram algum defeito e, por isso, estão desactivados.

Das falhas fazem parte satélites que não conseguiram responder às manobras necessárias de forma a serem posicionados na órbita correta. Este problema pode mostrar-se perigoso nomeadamente para outros satélites, assim como aeronaves que se encontrem nas zonas próximas.

Para evitar colisões, a SpaceX integra propulsores individuais nos Starlink, que depois são activados para elevar a órbita dos equipamentos. No entanto, a empresa informou a Federal Communications Comission (FCC), entidade que regula as comunicações nos EUA, que, entre meados de maio e final de Junho, vários satélites não conseguiram fazer essas manobras.

A SpaceX não divulgou qualquer informação sobre os satélites defeituosos. No entanto, o astrofísico Jonathan McDowell, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, fez a sua própria pesquisa. No seu estudo, designado Jonathan’s Space Report, fez a comparação entre os dados da SpaceX e os dados do governo norte-americano. Assim, chegou à conclusão que aproximadamente 3% dos satélites Starlink falharam por não conseguirem responder aos comandos enviados da Terra.

Feitas as contas, considerando os 800 satélites enviados, cerca de 24 apresentam este problema. No entanto, os satélites desactivados continuam a representar riscos. E segundo McDowell:

A preocupação é que mesmo uma taxa de falha normal numa constelação tão grande acabe com muito lixo espacial mau.

Há milhares de objectos na órbita terrestre

Segundo os dados actualizados pela Agência Espacial Europeia (ESA), actualmente existem 5.500 satélites em órbita, dos quais 2.300 estão operacionais. Ora, considerando os objectivos da SpaceX, e contando com os satélites desactivados, podemos então prever que haverá muitos mais equipamentos em redor do planeta.

Para além disso, há ainda que ter em conta os detritos existentes e as várias colisões que já aconteceram ao longo da história. A ESA estima que existam actualmente 34 mil objectos com mais de 10 cm de diâmetro em órbita, 900 mil entre 1 cm e 10 cm e 128 milhões que medem entre 1 mm e 1 cm.

Pplware
Autor: Marisa Pinto
30 Out 2020


4250: Relíquia espacial de meia tonelada desintegra-se na atmosfera. É um satélite reformado da NASA

CIÊNCIA/ESPAÇO/NASA

OGO 1

Um satélite lançado pela NASA há 56 anos reentrou na atmosfera e desintegrou-se a 29 de Agosto sobre o oceano Pacífico, entre as Ilhas Cook e o Taiti.

A 4 de Setembro de 1964, a NASA lançou o primeiro de uma série de satélites geofísicos para estudar a magnetosfera terrestre – o Orbiting Geophysical Observatory 1, ou OGO-1. O satélite manteve-se em funções até 1969, recolhendo dados para estudar as interacções magnéticas entre a Terra e o Sol, e foi oficialmente desactivado em 1971.

O OGO-1 completa uma volta à Terra a cada dois dias, um tempo relativamente longo devido à sua órbita bastante elíptica.

De acordo com as observações do Catalina Sky Survey (CSS) e do Sistema de Alerta de Impacto Terrestre de Asteróides (ATLAS), a gravidade da Terra capturou o satélite com força suficiente para o trazer de volta à atmosfera.

Com 487kg e o tamanho de um autocarro, OGO 1 é um dos maiores objectos feitos pelo Homem a reentrar na atmosfera desde a estação espacial chinesa Tiangong 2, em Julho do ano passado.

NASA

O Orbiting Geophysical Observatory 1 fez uma das primeiras observações orbitais de um cometa, observando o Cometa 2P / Encke no ultravioleta em 1970.

O satélite foi o primeiro do programa OGO, que contou no total com seis naves, lançadas nos anos 1965, 1966, 1967, 1968 e 1969, cada uma equipada com até 25 instrumentos. Ironicamente, o OGO-1 é o último a cair – todos os outros já reentraram na atmosfera.

ZAP //

Por ZAP
1 Setembro, 2020

 

 

4122: SpaceX lançou 57 satélites para criar rede mundial de Internet de alta velocidade

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Já ouviu falar no projecto de satélites Starlink? Este projecto tem com principal objectivo criar uma rede mundial de Internet de alta velocidade.

A empresa de Elon Musk já tem 595 em órbita terrestre e hoje, a bordo do foguetão reutilizável Falcon 9, foram lançados mais 57.

O lançamento de hoje, que aconteceu da base espacial norte-americana de Cabo Canaveral, na Florida, à 01:12 (hora local, 06:12 em Lisboa), é o 10º desde 2019 ligado ao projecto “Starlink”.

Em 2029 poderão estar 57 mil satélites em órbita terrestre

O número de satélites já parece elevado, mas a SpaceX e outras agências poderão ter até 2029 nada mais nada menos que 57 mil satélites em órbita terrestre. Ou seja, até 2029 iremos ter 10 vezes o número de naves espaciais activas actualmente.

De acordo com Elon Musk, são necessários entre 400 e 800 satélites para se conseguir um mínimo de cobertura da projectada rede de Internet.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

SpaceX
@SpaceX
Deployment of 57 Starlink satellites confirmed

Depois de se separar da cápsula contendo os satélites, o foguetão Falcon 9 pousou na plataforma flutuante da SpaceX no Oceano Atlântico, chamada “Of Course I Still Love You”.

Este lançamento, de mais uma constelação de satélites “Starlink”, aconteceu cerca de uma semana depois de a SpaceX ter concluído com êxito a sua primeira missão tripulada à Estação Espacial Internacional (EEI), criando a esperança de voos comerciais ao espaço.

No domingo, a sua cápsula Dragon Endeavour amarou de forma controlada nas águas do Golfo do México, com os astronautas norte-americanos Robert Behnken e Douglas Hurley a regressaram à Terra após dois meses na EEI.

Foi a primeira vez, desde o fim do programa de vaivéns espaciais norte-americano, em 2011, que uma nave descolou e chegou a território americano.

Em 2011, os Estados Unidos passaram a levar astronautas à EEI a bordo da nave russa Soyuz, a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

57 000 satélites lutarão pelo espaço na órbita da Terra até 2029 (vídeo)

A órbita da Terra está congestionada. São muitos os relatos de problemas causados pelo grande números de satélites ativos e moribundos que estão ao redor do nosso planeta. Na verdade, a humanidade, até agora, … Continue a ler 57 000 satélites lutarão pelo espaço na órbita da Terra até 2029 (vídeo)

07 Ago 2020

 

 

4043: Satélites Starlink destroem completamente foto do cometa NEOWISE; veja a imagem

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Estamos sendo agraciados com a passagem rara do cometa C/2020 F3 NEOWISE nos arredores do planeta — e inclusive os brasileiros já começaram a vê-lo no céu nocturno nesta semana, fazendo belos registos. Este cometa, descoberto em Março, passa por aqui a cada 6.765 anos; ou seja, esta é uma oportunidade única de registá-lo. Contudo, os satélites Starlink, da SpaceX, arruinaram completamente a tentativa de registo de um astro-fotógrafo nas Ilhas Canárias.

Julien Girard, astrónomo do Space Telescope Science Institute, publicou em seu Twitter uma foto para lá de triste, tirada pelo astro-fotógrafo Daniel Lopez. Na imagem, vemos o cometa NEOWISE e sua bela cauda brilhando intensamente, mas o registo foi prejudicado pela passagem dos satélites Starlink bem naquela hora, que deixaram rastros luminosos em toda a imagem. Veja:

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba
Julien Girard
@djulik
17 30-second images of the comet added up by @cielodecanarias, completely photobombed by @elonmusk‘s #Starlink satellites. It’s a few hundreds of them right now,there will be a few thousands in the near future. @SpaceX is committed to coating orienting them better but still….

From Daniel López's Facebook: https://www.facebook.com/elcielodecanarias.es/photos/a.224658390885198/4415045628513099/?type=3&theater Cometa y pase de satélites Starlink 😢. . Anoche, tratando de realizar un seguimiento del cometa con un 200mm y la Canon Ra de Canon España, para sumar las imágenes y conseguir más detalle, hubo un pase de satélites Starlink justo delante del mismo. Una pasada y pena ver pasar todos esos puntos luminosos, en total casi 20 imágenes del cometa muestran trazas. Montaré el time lapse en cuanto pueda. La imagen es la suma de 17 fotos de 30 segundos de exposición, por eso se ven tantas trazas. #DanielLopez #elcielodecanarias #canonespaña

O tweet fala que 17 imagens com 30 segundos de exposição foram reunidas pelo astro-fotógrafo, completamente prejudicadas pelos satélites de Elon Musk. “São algumas centenas deles agora, mas haverá alguns milhares no futuro próximo. A SpaceX está empenhada em revesti-los e orientá-los melhor, mas ainda assim…”, lamenta o cientista.

Não é de hoje que a passagem dos “trens” de satélites Starlink pelo céu atrapalham observações astronómicas. Na verdade, esse alerta vem sendo dado pela comunidade científica desde o início do projecto, que lançou o primeiro lote com 60 satélites em maio de 2019. Desde então, provas e mais provas de que os Starlink prejudicam as observações do céu nocturno vêm sendo apresentadas, e Elon Musk vem tentando resolver o problema. Sua empresa chegou a testar um revestimento escuro para verificar se isso seria suficiente a ponto de reduzir a reflexividade de um satélite experimental, o que não deu certo. Depois, tentou colocar visores para desviar a luz reflectida, mas os resultados desse experimento ainda não foram divulgados. No momento há cerca de 540 satélites Starlink em órbita, mas a empresa já tem permissão de lançar 30 mil no total, procurando autorização para que esse número suba a 42 mil.

E se engana quem pensa que a passagem dos Starlink prejudica apenas observações por meio de câmaras e telescópios. Alguns satélites também são visíveis a olho nu, o que acaba gerando confusão nas pessoas em geral, que, ao observarem “objectos se movendo de maneira estranha no céu”, creem estarem observando OVNIs. Esse brilho dos satélites aparece muito mais intenso quando eles estão orbitando a Terra a uma distância mais próxima do que os demais satélites ao redor do planeta, aqueles que não nos atrapalham em nada. Isso acontece quando os Starlink estão a aproximadamente 550 km de altitude, sendo que a órbita usual média para isso é de 20 mil km, enquanto a órbita geo-estacionária fica a 36 km — esta usada por outros tipos de satélites, como os de comunicação e GPS. A SpaceX diz que seus Starlink porventura acabam subindo sua órbita, aos poucos, e vão ficando cada vez menos visíveis durante alguns meses.

Problema recorrente

Essa não é a primeira vez em que a passagem dos satélites Starlink prejudica o registo da passagem de um cometa. Em Abril deste ano, um astro-fotógrafo amador chamado Zdenek Bardon, da República Tcheca, tentou fotografar a passagem do cometa ATLAS, que estava se fragmentando à medida que se aproximava do Sol, e foi surpreendido com sua foto também sendo arruinada com as trilhas luminosas deixadas pelos satélites de Elon Musk.

Destacado em vermelho, o cometa ATLAS. As linhas brilhantes que aparecem na imagem são os rastros deixados pelos satélites Starlink (Foto: Zdenek Bardon)

Conforme ele mesmo explicou na época, Bardon não estava em um local com baixa poluição luminosa para conseguir registar o cometa com uma só tacada, então precisou usar a técnica do empilhamento de imagens — quando se faz diversas exposições individuais, que depois são reunidas para intensificar o brilho de objectos que não ficaram proeminentes em cada uma delas isoladamente. Só que, ao fazer isso, quem também apareceu “de gaiato” foram os satélites Starlink, que deixaram diversas trilhas na imagem final.

Canaltech
Por Patrícia Gnipper
24 de Julho de 2020 às 15h45

 

 

4014: Nuvem de poeira do Sahara atravessa o Atlântico (e é a maior já registada)

CIÊNCIA/METEOROLOGIA

(cv) ESA / YouTube

A nuvem de poeira partiu do deserto do Sahara e está a “varrer” o Oceano Atlântico. Os satélites Copernicus Sentinel e Aeolus, da ESA, acompanharam o progresso da pluma, que é tão grande que ganhou o nome de Godzilla.

Os satélites Copernicus Sentinel e Aeolus, da Agência Espacial Europeia (ESA), acompanharam o progresso da pluma e as imagens captadas demonstram que a poeira está a voar entre três e seis quilómetros acima do solo.

As plumas de poeira são um fenómeno natural, parte do ciclo de nutrientes da Terra. O fenómeno ocorre quando ventos de alta velocidade captam pequenas partículas secas da superfície da Terra, transportando-as durante longas distâncias.

A nuvem de poeira começou no deserto do Sahara e seguiu em direcção ao Oceano Atlântico, e é tão grande que recebeu o nome de Godzilla. O nome meteorológico da pluma é Camada de Ar Sahariana (SAL) e costuma formar-se entre o final da primavera e o início do outono.

A poeira pode afectar negativamente a qualidade do ar e, consequentemente, prejudicar a saúde das pessoas. Mais perigosas são as pequenas e menos visíveis partículas de poeira.

No entanto, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA, a poeira do maior deserto do mundo também pode ser útil para a vida. O fitoplâncton, que vive na superfície do oceano, alimenta-se da poeira. Com um aumento de fitoplâncton, os animais marinhos e os peixes, que estão mais acima na cadeia alimentar, terão mais comida, o que resulta num aumento da sua população.

Além disso, as plumas de poeira também podem impedir o fortalecimento e até a formação de furacões, o que salvaria vidas e perdas económicas futuras.

ZAP //

Por ZAP
18 Julho, 2020

 

 

3883: Northolt Branch Observatories

Himalia, also known as Jupiter VI, is the largest of Jupiter’s irregular outer satellites. It is about 210 by 140 km in size, and orbits the planet Jupiter at a mean distance of 11.4 million km (six times further out than Callisto, the outermost of Jupiter’s large moons). Himalia takes 3.5 years to complete one orbit around Jupiter. Not much else is known about it, as Himalia has never been visited by a spacecraft. From Earth, it is observable as an object of 15th magnitude.

Jupiter is currently located low in the southern sky as seen from England, and the glare from the bright planet affects images of the surrounding star fields. This makes Himalia and the other irregular satellites a challenging target.

Himalia, também conhecida como Júpiter VI, é o maior dos satélites exteriores irregulares de Júpiter. Tem cerca de 210 por 140 km de tamanho, e orbita o planeta Júpiter a uma distância média de 11.4 milhões de km (seis vezes mais longe do que Calisto, a mais ultra-periférica das grandes luas de Júpiter). Himalia demora 3.5 anos para completar uma órbita em torno de Júpiter. Não se sabe muito mais sobre isso, pois a Himalia nunca foi visitada por uma nave espacial. Da Terra, é observável como um objecto de magnitude 15

Júpiter está actualmente localizado baixo no céu sul, como visto da Inglaterra, e o brilho do planeta brilhante afecta imagens dos campos de estrelas circundantes. Isto faz do Himalia e dos outros satélites irregulares um alvo desafiador.

Leitura adicional: https://en.wikipedia.org/wiki/Himalia_(moon)

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

 

 

3834: eSail: primeiro satélite com software de controlo criado em Portugal descola dia 18

CIÊNCIA/ESPAÇO

O mais recente membro da constelação eSail parte rumo ao Espaço a 18 de Junho Imagem da ESA

A Edisoft começou por desenvolver software que testa os diferentes componentes de um satélite – mas acabou por ser brindada com o convite da ESA para desenvolver todo o sistema que permite controlar um satélite enquanto se mantêm em órbita

Nem sempre os maiores feitos são fáceis de descrever, mas Hélder Silva não pode desperdiçar a oportunidade de resumir numa única frase um marco histórico para as tecnologias nacionais: “Arrisco dizer que é o primeiro software produzido por portugueses para controlar um satélite a partir de Terra que vai ser lançado para o Espaço”, explica o director da Área de Software Espacial e Sistemas Embebidos da Edisoft. O software em causa dá pelo nome de RTEMS by Edisoft. A descolagem rumo ao Espaço será feita no dia 18 de Junho, a bordo de um satélite da constelação eSail, a partir da base espacial de Kourou, na Guiana Francesa.

O satélite, que foi construído pela LuxSpace para a Agência Espacial Europeia (ESA), deverá juntar-se a uma constelação que hoje conta com 60 dispositivos em órbita a mais de 500 quilómetros de distância da Terra, com o propósito de fornecer dados de localização a diferentes embarcações (AIS) nos vários oceanos.

Inicialmente, o uso do RTEMS by Edisoft estava confinado aos testes feitos ainda na fase de construção e montagem que confirmam que os diferentes componentes de um satélite estão devidamente instalados e prontos a funcionar com um mínimo de falhas.

“Foi uma surpresa porque era suposto criarmos uma solução para ser usada apenas durante os testes, mas a ESA acabou por nos pedir que fizéssemos também a solução para uso durante as operações do satélite”, recorda Hélder Silva.

RTEMS by Edisoft foi desenvolvido em Java sobre um ambiente misto que combina Windows e Linux. O sistema, que tem certificação para participação em missões espaciais, vai ser instalado nos computadores de uma base terrestre em Svalbard, Noruega, precisamente para permitir executar diferentes manobras e funcionalidades, a partir de comandos activados a partir de Terra. A ESA e a LuxSpace são as responsáveis pelo fabrico do satélite, mas o serviço de localização da constelação eSeal é providenciado pela empresa canadiana exactEarh.

Ainda antes do convite para uso deste software durante a fase em que o satélite, já em órbita, se mantém operacional, este sistema havia valido uma primeira “vitória” à Edisoft. “É um sistema muito grande, que tem de controlar muitos dispositivos, sendo que a ESA já fez saber que pretende usar o nosso software como referência para os testes com pequenos satélites”, refere Hélder Silva.

O responsável da Edisoft lembra que um simples software que testa os diferentes componentes de um satélite pode ter um custo avultado – e poderá afastar agências e empresas menos endinheiradas que apenas pretendem enviar para o espaço pequenos satélites, que são usados durante um período limitado.

“A expectativa é continuar a disponibilizar este software de testes aos satélites produzidos pela LuxSpace e também para os todos os pequenos satélites que a ESA venha a produzir”, acrescenta, Hélder Silva, recordando que a tecnologia criada pela Edisoft também pode ser adaptada a satélites de maiores dimensões se for necessário.

No que toca às operações durante a missão espacial do novo satélite eSail, Hélder Silva admite que a fasquia de exigência é maior: “Tivemos de criar vários protótipos nestes últimos três anos. Se um software falha durante um serviço convencional, pomos tudo a correr outra vez, mas no Espaço não é possível pôr o software a correr tudo de novo, outra vez. Se houver uma falha no sistema, pode perder-se a missão”, conclui Hélder Silva.

Exame Informática
12.06.2020 às 16h21
Hugo Séneca

 

 

3663: Rádio amador encontra um satélite “zombie” em órbita. Já devia estar morto

CIÊNCIA/ESPAÇO

NASA

Há mais de 2.000 satélites activos a orbitar a Terra. No fim da sua vida útil, muitos queimam ao entrar na atmosfera terrestre. Porém, alguns continuam a circular no Espaço como satélites “zombies” – não estão vivos, mas também não estão completamente mortos.

Scott Tilley, um operador de rádio amador que mora no Canadá, tem uma paixão por caçar estes satélites perdidos. Em 2018, encontrou um sinal de uma sonda da NASA chamada IMAGE que a agência espacial tinha perdido de vista em 2005. Com a ajuda de Tilley, a NASA conseguiu restabelecer o contacto com o objecto.

Tilley já encontrou satélites ainda mais antigos do que a IMAGE. “O mais antigo que eu já vi foi o Transit 5B-5. E foi lançado em 1965″, disse, em declarações ao NPR, referindo-se a um satélite de navegação da Marinha dos Estados Unidos movido a energia nuclear que ainda circula a Terra numa órbita polar há muito esquecida.

Recentemente, Tilley interessou-se por um satélite de comunicações que achava que ainda poderia estar vivo – ou pelo menos entre os mortos-vivos. O LES-5, construído pelo Laboratório Lincoln do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, foi lançado em 1967.

Tilley inspirou-se noutro amador que, em 2016, encontrou o LES-1, um satélite anterior construído pelo mesmo laboratório. O que era intrigante sobre o LES-5 era que, se ainda estivesse a funcionar, poderia ser o satélite mais antigo em funcionamento em órbita geo-estacionária.

Na Internet, Tilley encontrou um documento que descrevia a frequência de rádio em que o LES-5, um satélite militar de comunicações de frequência ultra-alta experimental, deveria estar a operar se ainda estivesse vivo.

Com a chegada da pandemia de covid-19 à Colúmbia Britânica, onde Tilley vive, o amador ficou confinado a sua casa – altura em que decidiu pôr mãos à obra. Em 24 de Março, encontrou o LES-5. Desde então, tem feito medições adicionais.

Scott Tilley @coastal8049

Well folks, here’s what appears to be a new ZOMBIE SAT!

LES-5 [2866, 1967-066E] in a GEO graveyard orbit.

Confirmation will occur at ~0445 UTC this evening when the satellite should pass through eclipse.

If so this is definitely the oldest emitting GEOsat I know of.

“A razão pela qual este [satélite] é intrigante é que o seu farol de telemetria ainda está em operação”, disse Tilley, ao NPR.

Assim, embora o satélite devesse ter-se desligado em 1972, ainda está a funcionar. Enquanto os painéis solares estiverem ao Sol, o rádio do satélite vai continuar a operar. Tilley acha mesmo que pode até ser possível enviar comandos para o satélite.

Parece que até um satélite zombie com 50 anos ainda pode ter segredos por desvendar.

Pela primeira vez, uma nave espacial “ressuscitou” um satélite morto

Pela primeira vez, uma nave espacial conseguiu “ressuscitar” um satélite de comunicações antigo que tinha deixado de funcionar em órbita…

ZAP //

Por ZAP
9 Maio, 2020

 

3609: Rede de satélites Starlink começará os testes beta ainda este ano

TECNOLOGIA/ESPAÇO

oninnovation / Flickr

O CEO da Space X, Elon Musk, anunciou esta semana que os testes beta à rede de satélites Starlink, que pretende dotar com Internet regiões mais isoladas e rurais do mundo, começarão ainda no decorrer deste ano.

De acordo com o CNet, que cita o empresário, o projecto de rede de banda larga global começará os seus testes beta privados dentro de três meses, avançado três meses depois para os testes beta públicos, que deverão ocorrer a norte.

Numa resposta a um utilizador do Twitter, Elon Musk, que é também CEO da Tesla, disse que a Alemanha se encontra suficientemente a norte, o que poderá significar que grande parte do norte da Europa e do Canadá serão elegíveis para testar o serviço.

Esta quarta-feira, e empresa lançou o sétimo lote com mais 60 mini-satélites para órbita. Ao todo, a constelação conta agora com 420 destes dispositivos.

A iniciativa pretende colocar 42.000 satélites em órbita para fazer chegar Internet a todos os cantos do mundo. “A Starlink oferecerá Internet de banda larga de alta velocidade para locais onde o acesso não é confiável, caro ou está completamente indisponível“, escreveu a empresa de Musk no Twitter a 22 de Abril.

De acordo com o portal TechCrunch, a Space X está também a trabalhar para resolver o problema do brilho excessivo dos satélites. Esta informação surge depois de vários astrónomos e outros especialistas acusarem Musk de “poluir” os céus, defendendo que as observações astronómicas estavam a ser colocadas em causa.

Rússia diz que a Starlink de Musk está a arruinar as fotografias espaciais (e vai fazer queixa à ONU)

A Academia de Ciências da Rússia vai fazer queixa junto das Nações Unidas sobre a constelação de satélites de Elon…

ZAP //

Por ZAP
27 Abril, 2020

 

 

3573: Cheops observa os seus primeiros exoplanetas e está pronto para a ciência

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da estrela HD 93396 e do seu Júpiter quente, KELT-11b.
HD 93396 é uma estrela amarela sub-gigante localizada a 320 anos-luz de distância, um pouco mais fria e três vezes maior do que o nosso Sol. Hospeda um planeta gasoso inchado, KELT-11b, cerca de 30% maior que Júpiter, numa órbita muito mais próxima da estrela do que Mercúrio se encontra do Sol.
Durante o seu comissionamento em órbita, a missão Cheops da ESA observou um trânsito de KELT-11b em frente da sua estrela-mãe. A curva de luz desta estrela mostra um declive claro causado pelo trânsito de oito horas de KELT-11b, que permitiu com que os cientistas determinassem com precisão o diâmetro do planeta: 181.600 km – com uma incerteza pouco abaixo de 4300 km.
Crédito: ESA

Cheops, a nova missão de exoplanetas da ESA, completou com sucesso os seus quase três meses de comissionamento em órbita, superando as expectativas do seu desempenho. O satélite, que iniciará operações científicas de rotina até ao final de Abril, já obteve observações promissoras de estrelas conhecidas que albergam exoplanetas, com muitas descobertas empolgantes ainda por vir.

“A fase de comissionamento em órbita foi um período emocionante e estamos satisfeitos por termos conseguido atender a todos os requisitos,” diz Nicola Rando, director do projecto Cheops na ESA. “A plataforma e o instrumento do satélite tiveram um desempenho notável, e os Centros de Operações de Missão e Ciência apoiaram as operações de maneira impecável.

Lançado em Dezembro de 2019, o Cheops (Characterising Exoplanet Satellite) abriu os olhos para o Universo no final de Janeiro e logo depois tirou as suas primeiras imagens, intencionalmente desfocadas, de estrelas. A desfocagem deliberada está no centro da estratégia de observação da missão, que melhora a precisão da medição, espalhando a luz vinda de estrelas distantes por muitos pixeis do seu detector.

A precisão é fundamental na actual pesquisa de exoplanetas. Sabe-se que mais de 4000 planetas – e a somar – são estrelas em órbita que não o Sol. Uma sequência importante é começar a caracterizar esses planetas, fornecendo restrições à sua estrutura, formação e evolução.

Tomar as medidas para caracterizar exoplanetas através da medição precisa dos seus tamanhos – em particular os de planetas menores – é exactamente a missão do Cheops. Antes de ser declarado pronto para a tarefa, no entanto, o pequeno satélite de 1,5m teve de passar por um grande número de testes.

Desempenho excepcional

Com a primeira série de testes em voo, realizada entre Janeiro e Fevereiro, os especialistas da missão começaram a analisar a resposta do satélite e, em particular, do telescópio e detector, no ambiente espacial real. A partir de Março, Cheops concentrou-se em estrelas bem estudadas.

“Para medir o desempenho do Cheops, primeiro é necessário observar estrelas cujas propriedades são bem conhecidas, estrelas que são bem-comportadas – escolhidas a dedo por serem muito estáveis, sem sinais de actividade,” diz Kate Isaak, cientista do projecto Cheops da ESA.

Esta abordagem permitiu às equipas da ESA, do consórcio de missão e da Airbus Espanha – a principal contratante – verificar se o satélite é tão preciso e estável quanto necessário para atingir os seus ambiciosos objectivos.

“A indicação é extremamente estável: isto significa que enquanto o telescópio observa uma estrela durante horas à medida que a nave espacial se move ao longo da sua órbita, a imagem da estrela permanece sempre dentro do mesmo grupo de pixeis no detector,” explica Carlos Corral van Damme, Engenheiro Principal de Sistemas da ESA para Cheops.

“Uma estabilidade tão grande é uma combinação do excelente desempenho do equipamento e dos algoritmos de apontamento sob medida, e será especialmente importante para cumprir os objectivos científicos da missão. A estabilidade térmica do telescópio e do detector também provou ser ainda melhor do que o necessário,” acrescenta Carlos.

O período de comissionamento demonstrou que o Cheops alcança a precisão fotométrica necessária e, o que é mais importante, também mostrou que o satélite pode ser comandado pela equipa do segmento terrestre, conforme necessário, para executar as suas observações científicas.

“Ficámos emocionados quando percebemos que todos os sistemas funcionavam como esperado ou até melhor do que o esperado,” diz Andrea Fortier, cientista dos instrumentos do Cheops, que liderou a equipa de comissionamento do consórcio da Universidade de Berna, na Suíça.

Hora dos exoplanetas

Durante as duas últimas semanas de comissionamento em órbita, o Cheops observou duas estrelas hospedeiras de exoplanetas enquanto os planetas “transitavam” na frente da sua estrela hospedeira e bloqueavam uma fracção da luz estelar. Observar trânsitos de exoplanetas conhecidos é o objectivo da missão – medir tamanhos de planetas com precisão e exactidão sem precedentes e determinar as suas densidades, combinando-os com medições independentes das suas massas.

Um dos alvos era HD 93396, uma estrela amarela sub-gigante localizada a 320 anos-luz de distância, um pouco mais fria e três vezes maior do que o nosso Sol. O foco das observações foi KELT-11b, um planeta gasoso inchado, cerca de 30% maior que Júpiter, numa órbita muito mais próxima da estrela do que Mercúrio se encontra do Sol.

A curva de luz desta estrela mostra um declive claro causado pelo trânsito de oito horas do KELT-11b. A partir desses dados, os cientistas determinaram com precisão o diâmetro do planeta: 181.600 km – com uma incerteza pouco abaixo de 4300 km.

“As medições feitas pelo Cheops são cinco vezes mais precisas do que aquelas realizadas a partir da Terra. Isto dá-nos uma amostra do que podemos alcançar com o Cheops nos próximos meses e anos,” disse Willy Benz, investigador principal do consórcio da missão Cheops e professor de astrofísica da Universidade de Berna.

Uma revisão formal do desempenho do satélite e das operações do segmento terrestre foi realizada no dia 25 de Março e o Cheops passou com distinção. Com isso, a ESA passou a responsabilidade pela operação da missão ao consórcio liderado por Willy Benz.

Felizmente, as actividades de comissionamento não foram muito afectadas pela emergência resultante da pandemia de coronavírus, que resultou em medidas de distanciamento social e restrições ao movimento na Europa para impedir a propagação do vírus.

“O segmento terrestre tem funcionado muito bem desde o início, o que nos permitiu automatizar completamente a maioria das operações para comandar o satélite e reduzir os dados já nas primeiras semanas após o lançamento,” explica Carlos. “Quando a crise surgiu em Março, com as novas regras e regulamentos adjudicados, os sistemas automatizados significavam que o impacto na missão era mínimo.”

O Cheops está actualmente em transição para operações científicas de rotina, que devem começar antes do final de abril. Os cientistas começaram a observar alguns dos “primeiros alvos da ciência” – uma selecção de estrelas e sistemas planetários escolhidos para mostrar exemplos do que a missão pode alcançar: incluem um planeta “super-Terra quente” conhecido como 55 Cancri e, que se encontra coberto por um oceano de lava, bem como o “Neptuno quente” GJ 436b, que está a perder a sua atmosfera devido ao brilho da estrela hospedeira. Outra estrela na lista das próximas observações do Cheops é uma anã branca, o primeiro alvo do Programa de Observadores Convidados da ESA, que fornece aos cientistas de fora do consórcio da missão a oportunidade de usar a missão e capitalizar as suas capacidades de observação.

Astronomia On-line
21 de Abril de 2020

 

 

3552: Satélites da Via Láctea ajudam a revelar ligação entre halos de matéria escura e a formação galáctica

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Simulação da formação de estruturas de matéria escura desde o Universo jovem até hoje. A gravidade torna os aglomerados de matéria escura em halos densos, como indicado pelas manchas brilhantes, onde as galáxias se formam. No vídeo, aos 18 segundos da simulação, um halo como aquele que hospeda a Via Láctea, começa a tomar forma no centro superior da imagem. Este halo cai para o primeiro e maior halo, aproximadamente aos 35 segundos, imitando a queda da Grande Nuvem de Magalhães para a Via Láctea. Os cientistas usaram simulações como esta para melhor compreender a ligação entre a matéria escura e a formação galáctica.
Crédito: Ralf Kaehler/Laboratório Nacional SLAC

Assim como o Sol tem planetas e os planetas têm luas, a nossa Galáxia tem galáxias satélites, e algumas delas podem ter as suas próprias galáxias satélites ainda mais pequenas. Com base em medições recentes da missão Gaia da ESA, pensa-se que a Grande Nuvem de Magalhães (GNM), uma galáxia satélite relativamente grande visível a partir do hemisfério sul, tenha trazido com ela pelo menos seis das suas próprias satélites quando se aproximou da Via Láctea pela primeira vez.

Os astrofísicos pensam que a matéria escura é responsável por grande parte desta estrutura, e agora investigadores do Laboratório Nacional SLAC (do Departamento de Energia dos EUA) e do DES (Dark Energy Survey) basearam-se em observações de galáxias ténues em torno da Via Láctea para colocar restrições mais rígidas na ligação entre o tamanho e a estrutura das galáxias e os halos de matéria escura que as rodeiam. Ao mesmo tempo, encontraram mais evidências para a existência de galáxias satélites da GNM e fizeram uma nova previsão: se os modelos dos cientistas estiverem correctos, a Via Láctea deve ter mais 100 galáxias satélites, muito fracas, ainda por descobrir com projectos de próxima geração, como o levantamento LSST (Legacy Survey of Space and Time) do Observatório Vera C. Rubin.

O novo estudo, que será publicado na revista The Astrophysical Journal, faz parte de um esforço maior de entender como a matéria escura funciona em escalas menores que a nossa Galáxia, disse Ethan Nadler, autor principal do estudo e estudante do KIPAC (Kavli Institute for Particle Astrophysics and Cosmology) e da Universidade de Stanford.

“Conhecemos muito bem algumas coisas sobre a matéria escura – quanta matéria escura existe, como é que se agrupa – mas todas estas afirmações são qualificadas dizendo: sim, é assim que se comporta em escalas maiores que o tamanho do nosso Grupo Local de galáxias,” disse Nadler. “E então a questão é: será que funciona às escalas mais pequenas que podemos medir?”

Lançando luz galáctica sobre a matéria escura

Os astrónomos sabem há muito tempo que a Via Láctea tem galáxias satélites, incluindo a Grande Nuvem de Magalhães, que pode ser vista a olho nu a partir do hemisfério sul, mas até ao ano 2000 pensava-se que totalizavam apenas mais ou menos uma dúzia. Desde então, o número de galáxias satélites observadas aumentou dramaticamente. Graças ao SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e às descobertas de projectos mais recentes, incluindo o DES (Dark Energy Survey), o número de galáxias satélites conhecidas subiu para cerca de 60.

Estas descobertas são sempre empolgantes, mas o que talvez seja mais empolgante é o que os dados nos podem dizer sobre o cosmos. “Pela primeira vez, podemos procurar estas galáxias satélites em cerca de três-quartos do céu, e isso é realmente importante para as várias maneiras de aprender mais sobre a matéria escura e sobre a formação das galáxias,” disse Risa Wechsler, directora do KIPAC. No ano passado, por exemplo, Wechsler, Nadler e colegas usaram dados sobre galáxias satélites em conjunto com simulações de computador para estabelecer limites muito mais restritos às interacções da matéria escura com a matéria normal.

Agora, Wechsler, Nadler e a equipa do DES estão a usar dados de um levantamento mais abrangente do céu para fazer perguntas diferentes, incluindo a quantidade de matéria escura necessária para formar uma galáxia, quantas galáxias satélites devemos esperar encontrar em redor da Via Láctea e se essas galáxias podem colocar as suas próprias satélites em órbita da nossa – uma previsão fundamental do modelo mais popular da matéria escura.

Dicas de hierarquia galáctica

A resposta a esta última pergunta parece ser um retumbante “sim.”

A possibilidade de detectar uma hierarquia de galáxias satélites surgiu pela primeira vez há alguns anos atrás, quando o DES detectou mais galáxias satélites na vizinhança da Grande Nuvem de Magalhães do que o esperado caso essas satélites estivessem distribuídas aleatoriamente pelo céu. Estas observações são particularmente interessantes, disse Nadler, à luz das medições do Gaia, que indicaram que seis destas galáxias satélites caíram para a Via Láctea com a GNM.

Para estudar as satélites da GNM mais detalhadamente, Nadler e a sua equipa analisaram simulações de computador de milhões de universos possíveis. Essas simulações, originalmente realizadas por Yao-Yuan Mao, ex-aluno de Wechsler que está agora na Universidade Rutgers, modelaram a formação da estrutura da matéria escura que permeia a Via Láctea, incluindo detalhes como aglomerados mais pequenos de matéria escura na Via Láctea que se pensa hospedarem galáxias satélites. Para ligar a matéria escura à formação galáctica, os cientistas usaram um modelo flexível que lhes permite explicar incertezas no entendimento atual da formação de galáxias, incluindo a relação entre o brilho das galáxias e a massa de aglomerados de matéria escura nas quais se formam.

Um esforço liderado por outros membros da equipa do DES, incluindo os ex-alunos do KIPAC Alex Drlica-Wagner, actualmente do Fermilab e professor assistente de astronomia e astrofísica da Universidade de Chicago, e Keith Bechtol, professor assistente de física na Universidade de Wisconsin-Madison, e colaboradores, produziu o passo final crucial: um modelo em que as galáxias satélites são mais prováveis de serem observadas por levantamentos actuais, tendo em conta onde estão no céu bem como o seu brilho, tamanho e distância.

Com estes componentes em mão, a equipa executou o seu modelo com uma ampla gama de parâmetros e procurou simulações nas quais objectos tipo-GNM caíam na atracção gravitacional de uma galáxia parecida com a Via Láctea. Ao compararem estes casos com observações galácticas, puderam inferir uma série de parâmetros astrofísicos, incluindo quantas galáxias satélites deveriam ter acompanhado a Grande Nuvem de Magalhães. Os resultados, disse Nadler, são consistentes com as observações do Gaia: seis galáxias satélites devem poder ser actualmente detectadas na vizinhança da GNM, movendo-se aproximadamente às mesmas velocidades e aproximadamente nas mesmas posições que os astrónomos tinham observado anteriormente.

Galáxias ainda não observadas

Além das descobertas da GNM, a equipa também estabeleceu limites para a ligação entre os halos de matéria escura e a estrutura galáctica. Por exemplo, nas simulações que mais se aproximaram da história da Via Láctea e da GNM, as galáxias mais pequenas que os astrónomos podiam actualmente observar devem ter estrelas com uma massa combinada de aproximadamente cem sóis, e cerca de um milhão de vezes mais matéria escura. De acordo com uma extrapolação do modelo, as galáxias mais fracas já observadas podiam formar-se em halos até cem vezes menos massivos.

E podem estar por vir mais descobertas: se as simulações estiverem corretas, disse Nadler, existem cerca de outras 100 galáxias satélites – no total, mais do dobro do número já encontrado – pairando em torno da Via Láctea. A descoberta dessas galáxias ajudaria a confirmar o modelo dos investigadores das ligações entre a matéria escura e a formação de galáxias, explicou, e provavelmente colocaria restrições mais rígidas à natureza da própria matéria escura.

Astronomia on-line
14 de Abril de 2020

 

 

3443: Dez coisas que o SDO já nos ensinou sobre o Sol nos seus 10 anos de operações

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem pelo SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, capturada no dia 16 de Março de 2015, mostra duas manchas escuras, de nome buracos coronais. O buraco coronal inferior, um buraco coronal polar, foi um dos maiores observado em décadas.
Crédito: NASA/SDO

Em Fevereiro de 2020, o satélite SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA comemorou o seu 10.º ano no espaço. Na última década, a sonda manteve um olho fixo no Sol, estudando como a nossa estrela cria actividade solar e impulsiona o clima espacial – as condições dinâmicas no espaço que afectam todo o Sistema Solar, incluindo a Terra.

Desde o seu lançamento a 11 de Fevereiro de 2010, que o SDO recolheu milhões de imagens científicas da nossa estrela mais próxima, dando aos cientistas novas ideias sobre o seu funcionamento. As medições do Sol, pelo SDO – desde o interior até à atmosfera, campo magnético e produção energética – contribuíram muito para a compreensão da nossa estrela. As imagens do SDO também se tornaram icónicas – se já viu alguma ampliação da actividade no Sol, foi provavelmente uma imagem do SDO.

A longa carreira do SDO no espaço permitiu testemunhar quase um ciclo solar inteiro – o ciclo de 11 anos de actividade do Sol. Aqui ficam alguns destaques dos feitos do satélite SDO ao longo dos anos.

1) Proeminências fantásticas

A sonda SDO testemunhou inúmeras explosões surpreendentes – explosões gigantes de plasma libertadas da superfície solar – muitas das quais se tornaram imagens icónicas da ferocidade da nossa estrela mais próxima. No seu primeiro ano e meio, o SDO viu quase 200 proeminências solares, o que permitiu aos cientistas identificar um padrão. Notaram que cerca de 15% das proeminências apresentavam um “surto de fase tardia” que se seguia minutos a horas após a proeminência inicial. Ao estudar esta classe especial, os cientistas entenderam melhor quanta energia é produzida quando o Sol entra em erupção.

2) Tornados solares

Em Fevereiro de 2012, o SDO capturou imagens que mostram estranhos tornados de plasma na superfície solar. Observações posteriores descobriram que estes tornados, criados por campos magnéticos que giram o plasma, podem rodopiar a velocidades de até quase 300.000 km/h. Na Terra, os tornados apenas atingem velocidades de 480 km/h.

3) Ondas gigantes

O mar agitado de plasma na superfície solar pode criar ondas gigantes que viajam ao redor do Sol até 4,8 milhões de quilómetros por hora. Estas ondas, chamadas ondas EIT em homenagem a um instrumento com o mesmo nome na sonda SOHO (Solar and Heliophysics Observatory) que as descobriu pela primeira vez, foram fotografadas em alta resolução pelo SDO em 2010. As observações mostraram, pela primeira vez, como as ondas se movem pela superfície. Os cientistas suspeitam que estas ondas são impulsionadas por ejecções de massa coronal, que expelem nuvens de plasma da superfície do Sol para o Sistema Solar.

4) Cometas combustivos

Ao longo dos anos, o observatório SDO observou dois cometas a voar pelo Sol. Em Dezembro de 2011, os cientistas observaram o Cometa Lovejoy a sobreviver ao intenso aquecimento enquanto passava a 830.000 km da superfície solar. O Cometa ISON em 2013 não sobreviveu ao seu encontro. Através de observações como estas, o SDO forneceu aos cientistas novas informações sobre como o Sol interage com os cometas.

5) Circulação global

Não tendo superfície sólida, todo o Sol flui continuamente devido ao intenso calor que tenta escapar e à rotação do Sol. Movendo-se a latitudes médias, existem padrões de circulação em larga escala chamados Circulação Meridional. As observações do SDO revelaram que estas circulações são muito mais complexas do que os cientistas pensavam inicialmente e estão ligadas à produção de manchas solares. Estes padrões de circulação podem até explicar porque, às vezes, um hemisfério pode ter mais manchas solares do que o outro.

6) Prevendo o futuro

O derramamento de material solar por meio de ejecções de massa coronal, ou EMCs, e a velocidade do vento solar em todo o Sistema Solar. Quando interagem com o ambiente magnético da Terra, podem induzir o clima espacial, que pode ser prejudicial para naves espaciais e astronautas. Usando dados do SDO, os cientistas da NASA trabalharam na modelagem do caminho de uma ECM à medida que se move pelo Sistema Solar, a fim de prever o seu potencial efeito na Terra. A longa linha de base das observações solares também ajudou os cientistas a formar modelos adicionais de aprendizagem de máquina para tentar prever quando o Sol pode lançar uma EMC.

7) Escurecimentos coronais

A fina atmosfera externa e super-aquecida do Sol – a coroa – às vezes fica mais ténue. Os cientistas que estudam o escurecimento coronal descobriram que está ligado às EMCs, que são as principais responsáveis pelos severos eventos climáticos espaciais que podem danificar satélites e astronautas. Usando uma análise estatística do grande número de eventos observados com a sonda SDO, os cientistas conseguiram calcular a massa e a velocidade das EMCs direccionadas à Terra – o tipo mais perigoso. Ao ligarem o escurecimento coronal com o tamanho das EMCs, os cientistas esperam poder estudar os efeitos do clima espacial em torno de outras estrelas, demasiado distantes para medir directamente as suas EMCs.

8) Morte e nascimento de um ciclo solar

Com uma década de observações, a SDO já viu quase um ciclo solar completo de 11 anos. Começando perto do início do Ciclo Solar 24, a SDO observou o Sol a subir para o máximo solar de actividade e depois a desvanecer para o mínimo solar actual. Estas observações plurianuais ajudam os cientistas a entender sinais que marcam o declínio de um ciclo solar e o início do próximo.

9) Buracos coronais polares

Às vezes, a superfície do Sol é marcada por grandes manchas escuras chamadas buracos coronais, onde a emissão ultravioleta extrema é baixa. Ligados com o campo magnético do Sol, os buracos seguem o ciclo solar, aumentando no máximo solar. Quando se formam na parte superior e inferior do Sol, são chamados de buracos coronais polares e os cientistas do observatório SDO foram capazes de usar o seu desaparecimento para determinar quando o campo magnético do Sol se reverteu – um indicador importante de quando o Sol atinge o máximo solar.

10) Novas explosões magnéticas

No final da década, em Dezembro de 2019, as observações do SDO permitiram a descoberta de um novo tipo de explosão magnética. Este tipo especial – de nome reconexão magnética espontânea (vs. formas mais gerais anteriormente observadas de reconexão magnética) – ajudaram a confirmar uma teoria com décadas. Também pode ajudar os cientistas a entender porque é que a atmosfera solar é tão quente, a melhor prever o clima espacial e levar a avanços em experiências laboratoriais de fusão controlada e de plasma.

Todos os instrumentos do SDO ainda estão em boas condições, com o potencial de permanecer a funcionar por mais uma década.

Astronomia On-line
18 de Fevereiro de 2020

 

 

3441: NASA já escolheu a tecnologia para comunicar para Marte

CIÊNCIA/MARTE

A NASA está a preparar todos os pormenores para melhorar as comunicações entre Marte e a Terra. Desde que a agência espacial americana lançou o satélite Explorer 1 em 1958, as comunicações têm sido confiadas sobretudo às ondas de rádio. Estas viajam milhões – ou mesmo milhares de milhões – de quilómetros através do espaço. Contudo, à medida que a NASA se orienta para novos destinos em missões tripuladas, esta prepara um novo sistema de comunicações.

Um dos passos que está a ser dado é a inclusão da nova antena parabólica à Deep Space Network (DSN). Esta será equipada com espelhos e um receptor especial para permitir a transmissão e recepção de lasers da sonda no espaço profundo.

Ondas rádio viajam milhões de quilómetros até ao espaço profundo

A nova antena, segundo a Inverse, será apelidada de Deep Space Station-23 (DSS-23), faz parte de uma transição para uma comunicação mais rápida e eficiente enquanto a NASA se prepara para voltar à Lua até 2024. Além disso, esta tecnologia irá beneficiar a primeira missão humana a Marte em meados de 2030.

A solução que está por trás desta antena é simples. Se a NASA vai enviar humanos para Marte, estes precisam de ser capazes de comunicar com a Terra – e os lasers podem ajudar a garantir que os futuros astronautas marcianos tenham uma boa recepção a 58 milhões de quilómetros da Terra.

A construção da parabólica de 34 metros começou esta semana em Goldstone, Califórnia. É apenas uma de uma série de antenas DSN – perfazendo 13 pratos no total que ajudarão a transportar as mensagens transmitidas por laser de e para o espaço.

A DSN é a única linha telefónica da Terra para as nossas duas naves espaciais Voyager – ambas no espaço interestelar -, todas as nossas missões em Marte e a nave espacial New Horizons, que agora está muito além de Plutão.

Quanto mais exploramos, mais antenas precisamos para conversar com todas as nossas missões.

Explicou Larry James, vice-director do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em comunicado.

NASA fez os testes e… resultou!

A NASA tem usado as antenas da DSN para se comunicar com naves espaciais desde os anos 60. Por elas são enviados sinais para uma média de 30 naves espaciais por dia. As antenas transmitem e recebem ondas de rádio entre o controlo terrestre e a nave espacial. E embora as ondas de rádio tenham funcionado bem durante todos estes anos, estas têm sérias limitações.

As ondas de rádio tendem a ficar mais fracas em longas distâncias, e têm capacidade limitada. No caso das gémeas Voyager, as duas naves espaciais que percorrem o espaço interestelar que está longe, muito longe da Terra, isso significa que os sinais enviados da Terra para as suas antenas – e vice versa – são muito fracos. Na verdade, a potência que as antenas DSN recebem dos sinais da Voyager é 20 mil milhões de vezes mais fraca do que a potência necessária para rodar um relógio digital, de acordo com a NASA.

Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Está há 26 anos no espaço e acaba agora de chegar aos limites do nosso sistema solar, tendo conseguido ultrapassar com sucesso a região conhecida como “Choque Terminal” onde partículas eléctricas provenientes do Sol … Continue a ler Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

É a vez dos Lasers comunicar com outros mundos

Os lasers são feixes de luz infravermelha. Viajam mais longe no espaço com muito mais potência do que as ondas de rádio.

Os lasers podem aumentar a sua taxa de dados de Marte em cerca de 10 vezes mais do que a obtida com o rádio. A nossa esperança é que o fornecimento de uma plataforma para comunicações ópticas encoraje outros exploradores espaciais a experimentar lasers em missões futuras.

Referiu Suzanne Dodd, directora da Rede Interplanetária, a organização que gere o DSN, em comunicado.

A NASA testou pela primeira vez a comunicação a laser no espaço no ano de 2013. Nessa altura foi enviada uma imagem da pintura de Mona Lisa para um satélite localizado a 386 mil quilómetros de distância da Terra.

A famosa pintura de Leonardo da Vinci foi dividida num conjunto de 152 pixeis por 200 pixeis, e cada pixel foi convertido num tom de cinza representado por um número entre zero e 4095. Cada um dos pixeis foi então transmitido através de um pulso laser que foi disparado numa das 4096 faixas de tempo possíveis.

A pintura foi então reconstruida pelo altímetro laser de órbita lunar (LOLA) a bordo do instrumento Lunar Reconnaissance Orbiter com base nos tempos de chegada de cada pulso laser.

Esta é a primeira vez que alguém consegue comunicação a laser unidireccional a distâncias planetária. Num futuro próximo, este tipo de comunicação laser simples poderá servir como apoio para a comunicação via rádio que os satélites usam. Num futuro mais distante, pode permitir a comunicação a taxas de dados mais elevadas do que as actuais ligações de rádio podem proporcionar.

Disse o principal investigador do LOLA, David Smith, do Massachusetts Institute of Technology, numa declaração na época.

A construção desta nova era de comunicações começou nesta semana. NASA / JPL-Caltech

Missão Psyche irá ser teste de fogo aos lasers

A comunicação por raio laser será posta à prova no ano 2022, quando a NASA lançar a sua missão Psyche, que viajará para estudar um asteróide metálico que orbita o Sol entre Marte e Júpiter.

Conforme foi referido, o orbitador levará a bordo um terminal de comunicação a laser de teste, projectado para transmitir dados e imagens para um observatório na Montanha Palomar, no sul da Califórnia. Para que o futuro das viagens espaciais humanas se mantenha nos trilhos, esperemos que funcione.

pplware
15 Fev 2020

 

 

3432: Satélite de observação do sol com tecnologia portuguesa vai ser lançado esta segunda-feira

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Satélite europeu vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol. Vai ser lançado esta segunda-feira, nos Estados Unidos da América, e tem tecnologia portuguesa.

O satélite europeu que vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, o Solar Orbiter, vai ser lançado esta segunda-feira e leva a bordo tecnologia portuguesa, das empresas Critical Software, Active Space Technologies e Deimos Engenharia.

O engenho, cujo lançamento chegou a ser apontado para 05, 06 e 08 de Fevereiro, será enviado para o espaço a partir da base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, às 23:03 de domingo na hora local (04:03 de segunda-feira em Portugal), de acordo com o mais recente calendário divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que conduz a missão em conjunto com a congénere norte-americana NASA.

A Critical Software concebeu vários sistemas de ‘software’ do satélite, como os sistemas centrais de comando e controlo, de detecção e recuperação de falhas e de gestão de comportamento térmico, segundo informação da empresa.

A Active Space Technologies fabricou componentes em titânio para o braço de suporte e orientação da antena de comunicação do satélite com a Terra e canais igualmente de titânio, para a passagem de luz, que atravessam o escudo térmico do aparelho, adiantou a companhia à Lusa.

A Deimos Engenharia, braço português da componente tecnológica do grupo espanhol de engenharia e construção de infra-estruturas Elecnor, trabalhou na definição e implementação da estratégia para testar os sistemas de voo do Solar Orbiter.

A missão do Solar Orbiter (Orbitador Solar) vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, considerados a chave para se compreender a actividade e o ciclo solares.

Por outro lado, salienta a ESA, será o primeiro satélite europeu a entrar na órbita de Mercúrio e a explorar a conexão entre o Sol e a Terra para entender melhor o clima extremo no espaço.

O aparelho, que estará a 42 milhões de quilómetros do Sol na sua maior aproximação, o equivalente a um quarto da distância que separa a estrela da Terra, está equipado com dez instrumentos para observar a superfície turbulenta do Sol, a sua atmosfera exterior e as alterações no vento solar (emissão contínua de partículas energéticas a partir da coroa, a camada mais externa da atmosfera solar).

O Solar Orbiter, preparado para enfrentar temperaturas de 500ºC, trabalhará em complemento com a sonda norte-americana Parker Solar Probe, em órbita desde 2018, e que tem quatro instrumentos para estudar o campo magnético do Sol, o plasma, as partículas energéticas e o vento solar.

Os cientistas esperam obter com este satélite respostas sobre o que leva à aceleração das partículas energéticas, o que acontece nas regiões polares por acção do campo magnético, como é que o campo magnético é gerado no Sol e como se propaga através da sua atmosfera e pelo espaço, como a radiação e as emissões de plasma (gás ionizado formado a elevadas temperaturas) da coroa afectam o Sistema Solar e como as erupções solares produzem as partículas energéticas que conduzem ao clima espacial extremo próximo da Terra.

Observador

Agência Lusa
Texto
10 Fev 2020, 00:18

 

 

 

3422: 57 000 satélites lutarão pelo espaço na órbita da Terra até 2029 (vídeo)

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A órbita da Terra está congestionada. São muitos os relatos de problemas causados pelo grande números de satélites activos e moribundos que estão ao redor do nosso planeta. Na verdade, a humanidade, até agora, colocou mais de 9000 dispositivos em órbita desde 1957 e há actualmente muito lixo no Espaço. A somar a isto, o novo ímpeto comercial está a ganhar força. Temos o exemplo da SpaceX que enviou um lote de 60 satélites como parte do seu plano de lançar milhares do Projceto Starlink.

Esta animação em vídeo traça um panorama preocupante.

Satélites, detritos e lixo indiferenciado

A NASA e a ESA já estão a vigiar milhares de toneladas de detritos espaciais que são uma enorme dor de cabeça. Nesse sentido, para que possamos ter uma ideia do que existe e do que ainda será lançado, foi elaborada uma animação desconcertante.

Nas imagens veremos o que está programado para entrar em órbita nesta década e o tamanho do problema que iremos ter com os detritos espaciais.

Sabia que por cima da sua cabeça gravitam mais de 19 500 objectos de lixo espacial?

Ontem vimos que há já “falta de espaço” no Espaço. Poderá ter suscitado alguma dúvida, mas se olhamos para os números poderemos perceber porque está a ficar apertado o Espaço em redor da Terra. … Continue a ler Sabia que por cima da sua cabeça gravitam mais de 19 500 objectos de lixo espacial?

57 000 satélites em órbita

O Espaço é cada vez mais um destino para “produtos comerciais”. Como tal, várias empresas estão já a disputar a órbita baixa terrestre para vender serviços. Como resultados, se juntarmos as empresas privadas, como a SpaceX, e as agências governamentais de vários países, iremos ter dentro de uma década 57 000 novos satélites em órbita. Portanto, até 2029 iremos ter 25 vezes o número de naves espaciais activas actualmente.

Segundo as imagens que vamos ver a seguir, criadas por Dan Oltrogge, da Analytical Graphics, Inc. o cenário é preocupante. A animação mostra os satélites planeados de 2017 a 2029, a maioria pertencente ao projecto Starlink da SpaceX.

Na curta animação, uma Terra limpa aparece até que o primeiro lote de pontos, cada um representando um satélite, comece a orbitar em torno do planeta. Em 2022, a Terra estará repleta de milhares de pontos e, em 2029, o planeta parecerá completamente lotado e cercado de lixo.

Cenário do Espaço que já preocupa as organizações

Conforme foi referido, o vídeo foi partilhado na 23.ª Conferência de Transporte Espacial Comercial anual em Washington. No dia anterior, o mundo era “alertado” da possibilidade de dois satélites inactivos poderiam colidir. Apesar de haver um milimétrico controlo das órbitas, há já milhares de detritos capazes de fazer grandes estragos nos equipamentos em órbita.

Segundo Oltrogge, mesmo que apenas uma fracção dos satélites planeados sigam para o Espaço, a mudança ao redor do planeta ainda seria significativa, especialmente se considerarmos que o problema já é complexo, mesmo sem eles.

Como se pode limpar o Espaço?

Já se começa a pensar seriamente no problema. Além da maior exposição mediática dos incidentes, as agências como a ESA e a NASA começam a trabalhar na remoção desses detritos. A Estação Espacial Internacional tem sido o grande argumento para uma acção musculada nesta área.

De facto, até pequenos detritos podem causar sérios danos, enquanto colisões de lixo espacial maior, como satélites, podem criar milhares de novos pedaços de detritos.

NASA: Lixo Espacial provoca fuga de ar na Estação Espacial Internacional

Esta quarta-feira, controladores de missão em Houston (EUA) e Moscovo (Rússia), detectaram uma descida de pressão no interior da Estação Espacial Internacional. Durante o dia de ontem, e depois de uma busca extensiva, os … Continue a ler NASA: Lixo Espacial provoca fuga de ar na Estação Espacial Internacional

Surpreendentemente, até agora, as colisões são muito raras. No entanto, isso não significa que eles não sejam um problema, e é por isso que as agências espaciais estão a desenvolver esforços para remover o lixo espacial da órbita da Terra o mais rápido possível.

pplware
07 Fev 2020

 

3406: Dois satélites estarão prestes a colidir em órbita terrestre e podem trazer problemas

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A órbita baixa da Terra acomoda muitos satélites e detritos. Contudo, o que tem preocupado mais as entidades são os milhares de satélites antigos e extintos que já não comunicam com a Terra, lixo espacial. Surpreendentemente estes raramente colidem. Agora o caso pode mudar de figura, isto porque hoje poderá haver uma colisão entre dos satélites reformados.

Segundo a LeoLabs Inc, que monitoriza a rota dos satélites, logo à noite, dois satélites irão passar tão próximos um do outro que há uma forte probabilidade de chocarem.

Satélites mortos vagueiam em direcção à colisão

De acordo com a ScienceAlert, que refere dados do serviço de monitorização de detritos espaciais, LeoLabs, o IRAS (um telescópio astronómico infravermelho, desactivado, lançado em 1983) e o GGSE-4 (satélite militar desactivado com uma carga científica a bordo, lançado em 1967. Só recentemente foi desclassificado) estão a aproximar-se.

Segundo os dados, hoje, 29 de Janeiro, pelas 23:39:35, hora de Lisboa, os dois satélites passarão a apenas 15 a 30 metros um do outro, a uma altitude de cerca de 900 quilómetros. Tendo em conta que estes satélites estão mortos, não há forma de em Terra se poder comunicar para eventualmente proceder a manobras de evasão.

LeoLabs, Inc. @LeoLabs_Space

1/ We are monitoring a close approach event involving IRAS (13777), the decommissioned space telescope launched in 1983, and GGSE-4 (2828), an experimental US payload launched in 1967.

(IRAS image credit: NASA)

 

Desta forma, há uma hipótese em 100 de acontecer uma colisão, de acordo com os cálculos do LeoLabs.

Estas colisões aconteceram no passado, com certeza. O mais interessante é que a passagem estimada entre 15 e 30 metros é incrivelmente próxima.

Explicou Alice Gorman, arqueóloga espacial da Universidade Flinders.

As naves espaciais adoptaram manobras evasivas para evitar coisas que estão apenas a 60 quilómetros. Portanto, este é um encontro muito, muito próximo. E se isto realmente acontecer, resultará potencialmente numa grande quantidade de detritos que serão criados. Eu diria que esta é uma das colisões mais perigosas possíveis que já vimos desde há algum tempo.

Referiu Gorman.

Mais de uma tonelada de material em alta velocidade

As duas naves espaciais não são leves. O IRAS tinha uma massa de lançamento de 1083 kg e ocupa um espaço de 3,6 por 3,24 por 2,05 metros. Já o GGSE-4, também conhecido como Poppy 5 ou 1967-053G, é muito menor, com apenas 85 kg, segundo o astrónomo de Harvard –Smithsonian Jonathan McDowell.

Jonathan McDowell @planet4589

The NASA/NIVR IRAS satellite and the NRO/USN POPPY 5B satellite (aka GGSE 4) are predicted to make a close approach on Wednesday. POPPY 5B has 18-metre-long gravity gradient booms so a 15-to-30 metre predicted miss distance is alarming https://twitter.com/LeoLabs_Space/status/1221908253627412480 

LeoLabs, Inc. @LeoLabs_Space
Respondendo a @LeoLabs_Space

2/ On Jan 29 at 23:39:35 UTC, these two objects will pass close by one another at a relative velocity of 14.7 km/s (900km directly above Pittsburgh, PA). Our latest metrics on the event show a predicted miss distance of between 15-30 meters.

Ver imagem no Twitter

Os satélites estão a navegar a alta velocidade. Segundo os dados disponibilizados, a velocidade relativa é de 14,7 quilómetros por segundo. Nesse sentido, como refere Gorman, se colidirem, o menor será destruído, produzindo uma nuvem de novos detritos. O maior provavelmente permaneceria praticamente intacto, mas não sem alguns danos, produzindo ainda mais detritos.

Em abono da verdade, para o nosso planeta, não há qualquer perigo. Quaisquer detritos que orbitam serão queimados inofensivamente na reentrada na atmosfera. Nem chegará ao solo.

A preocupação, como vimos quando a Índia destruiu um satélite de baixa órbita no ano passado, é sobre repercussões nos outros satélites.

NASA indignada com a Índia: destruição de satélite ameaça segurança da ISS

Na semana passada, a Índia disparou um míssil que destruiu um satélite na órbita da Terra. Como resultado, foram espalhados 400 pedaços de detritos “perigosamente grandes” e muitos outros tão pequenos que não se … Continue a ler NASA indignada com a Índia: destruição de satélite ameaça segurança da ISS

O problema realmente acontece com os detritos que irão colocar em risco as outras naves. E, se a densidade dos objectos for suficientemente alta, poderão criar ainda mais colisões, eventualmente tornando as faixas orbitais difíceis de usar ou passar durante várias gerações.

O medo é que, se não descobrirmos como nos livrar de alguns destes detritos na próxima década, este tipo de colisão começará a significar que é mais difícil lançar satélites e realizar operações espaciais. Portanto, é definitivamente uma grande preocupação.

Referiu Gorman.

29 JAN 2020

 

3403: 2 satellites will — hopefully — narrowly avoid colliding at 32,800 mph over Pittsburgh on Wednesday

SCIENCE/TECHNOLOGIE

A collision would create a debris belt that would endanger spacecraft worldwide.

The The Infrared Astronomical Satellite (IRAS) orbits the Earth in this illustration.
(Image: © NASA)

Editor’s note: This story was updated 12:20 p.m. E.S.T. on Jan. 29 to reflect new information from LeoLabs about the satellites and their collision risk.

Two defunct satellites will — hopefully — zip past each other at 32,800 mph (14.7 kilometers per second) in the sky over Pittsburgh on Wednesday evening (Jan. 29).

When this article was first written Tuesday morning (Jan. 28) the odds of a collision were 1 in 100. A crash has since become five times more likely, with 1 in 20 odds. If the two satellites were to collide, the debris could endanger spacecraft around the planet.

If the satellites miss as expected, it will be a near miss: LeoLabs, the satellite-tracking company that made the prediction, said they should pass about 40 feet apart (12 meters) at 6:39:35 p.m. local time. The odds of a collision went up in large part based on the information that one of the two satellites, the Gravity Gradient Stabilization Experiment (GGSE-4), had a 60 foot (18 m) boom trailing from it, according to LeoLabs. No one knows which way the boom is facing, which complicates the calculation.

One of the satellites is called the Infrared Astronomical Satellite (IRAS). Launched in 1983, it was the first infrared space telescope and operated for less than a year, according to the Jet Propulsion Laboratory. GGSE-4 was a U.S. Air Force experiment launched in 1967 to test spacecraft design principles, according to NASA. The two satellites are unlikely to actually slam into each other, said LeoLabs CEO Dan Ceperley. But predictions of the precise movements of fairly small, fast objects over vast distances is a challenge, Ceperley told Live Science. (LeoLabs’ business model is selling improvements on those predictions.)

If they did collide, “there would be thousands of pieces of new debris that would stay in orbit for decades. Those new clouds of debris would threaten any satellites operating near the collision altitude and any spacecraft transiting through on its way to other destinations. The new debris [would] spread out and form a debris belt around the Earth,” Ceperley said.

LeoLabs uses its own network of ground-based radar to track orbiting objects. Still, Jonathan McDowell, a Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics astronomer who tracks satellites using public data, said the near-miss prediction was plausible.

“I confirm there is a close approach of these two satellites around 2339 UTC Jan 29. How close isn’t clear from the data I have, but it’s reasonable that LEOLabs data is better,” McDowell told Live Science.

(When it’s 23:39 UTC it’s 6:39 p.m. Eastern time, which is the time zone in Pittsburgh.)

“What’s different here is that this isn’t debris-on-payload but payload-on-payload,” McDowell said. In other words, in this case two satellites, rather than debris and a satellite, are coming close to one another.

It’s pretty common for bits of orbital debris to have near misses in orbit, Ceperley said, which usually go untracked. It’s more unusual, though, for two full-size satellites to come this close in space. IRAS in particular is the size of a truck, at 11.8 feet by 10.6 feet by 6.7 feet (3.6 by 3.2 by 2.1 m).

“Events like this highlight the need for responsible, timely deorbiting of satellites for space sustainability moving forward. We will continue to monitor this event through the coming days and provide updates as available,” LeoLabs said on Twitter.

It’s still unlikely the two satellites will collide, and the odds are subject to change based on new information. When this article was first written, LeoLabs calculated 1 in 100 odds of a collision. They’ve since been revised down to 1 in 1,000, and then up to 1 in 20.

Editor’s note: This story was corrected on January 28. The date Jan. 29 is a Wednesday, not a Thursday.

Originally published on Live Science.
By Rafi Letzter – Staff Writer