2573: Space X recusou mover satélite da Starlink que ia colidir com um outro da ESA

CIÊNCIA

ESA

A Agência Espacial Europeia (ESA) teve que desviar um dos seus satélites meteorológicos para impedir que este colidisse com um outro satélite da Space X. A empresa do multimilionário Elon Musk recusou fazê-lo.

Através do Twitter, a ESA dá conta que o desvio ocorreu na segunda-feira. Em causa estava uma eventual a colisão entre um dos seus satélites e um outro da Space X, que faz parte da “mega-constelação” Starlink, também conhecida como “comboio de satélites”.

“Pela primeira vez, a ESA fez uma manobra para evitar a colisão de um dos nossos satélites com uma ‘mega-constelação’” de satélites da SpaceX, escreveu a ESA.

A agência precisou que a sua equipa de cientistas considerou necessário disparar as hélices do satélite de observação terrestre Aeolus para aumentar a sua altitude, evitando assim a colisão com um dos satélites da empresa de Elon Musk.

Depois de “passar por cima” da Starlink, o satélite voltou à sua trajectória habitual.

Segundo a ESA, citada pelo Público, a SpaceX recusou-se a mover o seu satélite. O jornal tentou, sem sucesso, contactar a ESA e a empresa para obter mais informações.

A ESA recordou que “é muito raro” realizar este tipo de manobras, uma vez que estas são normalmente levadas a cabo para desviar satélites que não estão mais operacionais ou para desviar fragmentos de colisões anteriores. Em 2018, a ESA fez 28 destas manobras manuais para evitar colisões com a sua própria frota de satélites.

The manoeuvre took place about 1/2 an orbit before the potential collision. Not long after the collision was expected, #Aeolus called home as usual to send back its science data – proving the manoeuvre was successful and a collision was indeed avoided

ESA Operations

@esaoperations

It is very rare to perform collision avoidance manoeuvres with active satellites. The vast majority of ESA avoidance manoeuvres are the result of dead satellites or fragments from previous collisions#SpaceDebris

A organização espacial revelou ainda que está a preparar um mecanismo para prevenir estas situações recorrendo a Inteligência Artificial. O objectivo passa por proteger a “sua infra-estrutura espacial” que enfrenta agora mais perigos devido ao aumento do número de satélites em órbita da Starlink.

A “constelação” de Musk foi lançada em maio passado, quando o satélite da ESA já estava em órbita há meses. Contudo, recorda o responsável pelo departamento de resíduos espaciais da ESA, Holger Krag, “não há regras no Espaço”.

“Ninguém fez nada de mal. Não há uma regra que diz que alguém aqui estava primeiro. O espaço não está organizado e acreditamos que precisamos de tecnologia para monitorizar este tráfego”, disse, citado pela Forbes.

A Starlink, que é composta por 60 satélites, foi contestada por vários cientistas na altura em que foi lançada. O astrónomo Alex Parker, que mostrou o seu descontentamento através da sua conta pessoal no Twitter, acredita que, a longo prazo, podem ser vistos mais satélites Starlink a olho nu no céu do que estrelas.

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Por ZAP
3 Setembro, 2019