1167: China vai lançar luas artificiais para substituir os candeeiros de rua

Em 2020, autoridades chinesas esperam lançar primeiro satélite de iluminação para reduzir factura da electricidade.

Satélites de iluminação vão estar muito mais próximos da Terra do que a verdadeira Lua
© REUTERS

É em Chengdu, uma cidade no sudoeste da China que estão a ser desenvolvidos os satélites de iluminação. Uma espécie de luas artificiais que serão lançadas para o espaço em 2020 e irão substituir os candeeiros de rua e fazer baixar a factura da electricidade. Como? Estes satélites, que vão brilhar ao lado da verdadeira Lua, brilham oito vezes mais do que ela.

As luas artificiais irão orbitar a 500 km da Terra, muito mais perto do que o satélite natural, que fica a 380 mil km de distância do nosso planeta.

Segundo o China Daily, a versão em inglês do ​​​jornal oficial do Partido Comunista Chinês, a primeira lua artificial vai ser lançada dentro de dois anos do Centro de Lançamento de Satélites Xichang, em Sichuan. Em 2022, se o primeiro teste correr bem, serão lançadas outras três, explicou à AFP Wu Chunfeng, que chefia a organização responsável pelo projecto.

Em entrevista ao China Daily, Wu explicou que se a primeira lua artificial será apenas experimental, o projecto tem, contudo, “um verdadeiro potencial cívico e comercial”.

Ao reflectir a luz do sol, os satélites poderão substituir os candeeiros de rua e levar a uma poupança de 1,2 mil milhões de yuans (quase 150 milhões de euros) por ano na factura da electricidade na cidade de Chengdu.

Com capacidade para iluminar uma área de 50 km2, as luas artificiais poderão também ser usadas em zonas atingidas por catástrofes naturais, como sismos ou inundações, que provoquem cortes na electricidade e ajudar ao trabalho das equipas de socorro.

Quanto às críticas apontadas ao projecto – como as consequências que poderá ter para o organismo humano e também para plantas e animais o facto de reduzir a discrepância na luminosidade entre o dia e a noite – Wu apressou-se a explicar que os testes terão lugar “em zonas desabitadas, como o deserto”. E quando no satélite estiver operacional “as pessoas vão ver apenas um estrela brilhante no céu e não uma lua gigante”.

Espelhos orbitais russos

A ideia de usar a luz do Sol para iluminar a terra não é nova. Já nos anos 90, cientistas russos tentarem usar espelhos gigantes para reflectir a luz solar e trazê-la para a Terra, num projecto chamado Znamya. Mas acabaram por abandonar a ideia após o falhanço do terceiro espelho orbital.

Nos últimos anos, a China – segunda potência mundial – tem procurado desenvolver o seu programa espacial para se aproximar dos EUA e da Rússia. Um dos projectos mais ambiciosos é a Chang’e-4, uma sonda espacial que pretendem enviar à Lua e que deve o nome à deusa da Lua na mitologia chinesa. Se for bem-sucedida, será a primeira sonda a explorar o lado negro da Lua.

Diário de Notícias
DN
19 Outubro 2018 — 09:27