5178: Sardinhas ibéricas adaptam-se às alterações climáticas

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/SARDINHAS IBÉRICAS

As sardinhas da costa portuguesa possuem mecanismos que permitem alguma adaptação às alterações climáticas. Ainda assim, a subida da temperatura das águas oceânicas pode originar uma migração da espécie para norte.

A subida da temperatura das águas oceânicas pode originar uma migração para norte das sardinhas da costa portuguesa
© Pedro Granadeiro/Global Imagens

Os investigadores portugueses do MARE-ISPA sabem que o aumento das temperaturas médias das águas do Atlântico poderá obrigar as espécies pelágicas a acelerarem o metabolismo e, por essa via, o seu consumo de oxigénio. Pelo que, liderados por Miguel Baltazar-Soares, decidiram perceber que potenciais impactos é que o aquecimento poderá ter em espécies-chave como as sardinhas, analisando o DNA dos genes envolvidos na produção de energia.

“Descobrimos que a variação a nível molecular encontrada nas amostras analisadas à volta da Península Ibérica é explicada por uma relação com a temperatura mínima da água do mar e do oxigénio nela dissolvido”, explica o investigador, adiantando: “É importante percebermos o potencial adaptativo das sardinhas perante as alterações climáticas, uma vez que os seus stocks têm sido explorados intensivamente e têm estado abaixo do limite sustentável de captura.”

Apesar da boa notícia, a situação continua a ser preocupante. Uma vez que o aquecimento das águas pode empurrar as sardinhas – e outros pequenos peixes pelágicos – para migrações a norte, em busca de águas mais frias. “Ao compreendermos os mecanismos de adaptação às alterações climáticas conseguimos prever os impactos que estas terão na distribuição dos recursos marinhos, o que permite uma melhor gestão desses mesmos recursos”, sublinha o investigador.

Este estudo, publicado na revista científica GENES, tem como primeiro autor Miguel Baltazar-Soares e foi realizado por uma equipa de cientistas portugueses do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), pertencente ao MARE – Centro de Ciências do Ambiente e do Mar. Contou, ainda, com a colaboração do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

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Um conteúdo DN/Ciência com Impacto coordenado pelo jornalista Paulo Caetano

Diário de Notícias
DN/Ciência com Impacto
21 Fevereiro 2021 — 07:00