2734: O deserto do Sahara tem pelo menos 4,6 milhões de anos

CIÊNCIA

Tak / Flickr

O Sahara, que se estende por quase 5000 quilómetros no continente africano, tem pelo menos 4,6 milhões de anos, concluiu uma equipa de cientistas depois de analisar poeira antiga da paisagem do maior deserto do mundo.

A idade do Sahara é um mistério antigo, tal como escreve o Newsweek, que dá conta que a nova descoberta surge depois de vários cientistas terem apontado outros valores.

“As pessoas procuram descobrir [a idade do Sahara] há várias décadas“, disse Daniel Muhs, geólogo do US Geological Survey em Denver, Colorado, nos Estados Unidos, citado em comunicado pelo mesmo portal.

“Estudos mais recentes apontara [a sua idade] no começo do Pleistoceno [há cerca de 2,6 milhões de anos]”, começou por explicar o cientista.

Contudo, as hipóteses não se ficam por aqui: há cientistas que defende que este enorme deserto pode ser ainda mais antigo, tendo cerca de 7 milhões de anos; outros há ainda que o Sahara era húmido e verde há 5.000 anos, sendo coberto de lagos e pântanos.

Agora, a nova investigação, conduzida por Muhs, veio acrescentar um novo número: o deserto tem, segundo os cientistas, pelo menos 4,6 milhões de anos.

Apesar de a descoberta não ter consigo apontar a idade certa, a investigação ajuda a balizar a história do deserto ao acrescentar novos dados para o debate.

Para chegar a esta conclusão, a equipa analisou poeira antiga do Sahara que chegou até às Ilhas Canárias espanholas, que se localizam ao largo da costa noroeste africana.

As Canárias são frequentemente afectadas por um fenómeno local conhecido como “Calima”. Durante este evento, que ocorre todos os anos, grandes quantidades de poeira são arrastadas desde o Sahara em direcção ao Oceano Atlântico. E foram estas mesmas poeiras que permitiram balizar a idade do Sahara.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Geological Society of America.

ZAP //

Por ZAP
29 Setembro, 2019

 

2322: Sahara já foi casa de algumas das maiores criaturas marinhas

CIÊNCIA

American Museum of Natural History
Algumas das criaturas marinhas que viveram naquele que é agora o deserto do Sahara.

O Sahara nem sempre foi um deserto e há milhares de anos atrás tinha animais, plantas e lagos. Cientistas descobriram agora que algumas das maiores criaturas marinhas viveram lá.

O deserto do Sahara é um dos maiores desertos do mundo, mas há milhares de anos atrás não era esse o caso. Os cientistas reconstruiram espécies aquáticas extintas que viviam lá e verificaram que são algumas das maiores do mundo. Os resultados da investigação foram recentemente publicados pela American Museum of Natural History Library.

O mar do Sahara teria 50 metros de profundidade e cobria mais de 3 mil quilómetros quadrados. De acordo com a paleontóloga responsável pelo estudo, Maureen O’Leary, o norte do Mali “parecia-se mais com Porto Rico”.

Os investigadores também recolheram informações necessárias para traçar um mapa geológico, ilustrando como é que o mar fluía durante os seus 50 milhões de anos de existência. Segundo o jornal britânico The Guardian, a investigação também permitiu saber mais sobre o limite K-Pg, que marcou o final da Era Mesozóica com a extinção em massa dos dinossauros.

A reconstrução das espécies revelou a existência de, por exemplo, cobras do mar com mais de 12 metros. O’Leary sugere que muitas espécies que habitavam o Sahara eram gigantes.

American Museum of Natural History
Reconstrução de um Dipnoicos, apelidado de “peixe pulmonado”.

“Colocamos a ideia de que talvez esse gigantismo insular possa dizer respeito a ilhas de água”, disse a investigadora. O gigantismo insular corresponde a um fenómeno biológico através do qual o tamanho dos animais isolados numa ilha aumenta drasticamente ao longe de várias gerações. Isto porque, para além de terem menos predadores, têm mais recursos disponíveis.

“O Sahara está cheio de pessoas. Às vezes estávamos a trabalhar naquilo que pareceria ser um deserto remoto, e alguém passava por nós numa bicicleta a motor. É um ambiente muito vivo”, disse O’Leary.

Expedições de 1999, 2003 e 2009 ao Sahara já tinham provado a existência passada de criaturas marinhas — e os próprios locais sabiam que o mar tinha passado lá. “Eles falavam-nos das conchas que encontravam e sabiam que se tratavam de conchas marinhas”, disse a paleontóloga.

O’Leary explicou que o facto de o Sahara já ter estado submerso mostra que há um precedente para alterações climáticas e aumento do nível do mar. “Espero que, ao entenderem estes exemplos históricos, as pessoas possam aceitar que o que os cientistas lhes dizem é verdade. E não só é verdade, como existem exemplos históricos de magnitude muito maior onde o planeta mudou”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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994: Eugenia Kalnay sonha com o plano que põe fim à expansão do deserto do Sahara

CIÊNCIA

Luca Galuzzi – www.galuzzi.it / wikimedia
Deserto do Sahara na Líbia

O deserto do Sahara está a expandir-se, uma tendência que se tem verificado, pelo menos, há um século. Apesar de ser um fenómeno aparentemente impossível de parar, nada impediu um grupo de cientistas de sonhar com uma solução.

A solução proposta baseia-se num grande esquema que envolve cobrir vastas áreas do deserto do Sahara com painéis solares e moinhos de vento. Eugenia Kalnay, cientista atmosférica da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, pensa nesta ideia há já uma década. O artigo científico foi publicado no dia 7 de Setembro na revista Science.

O seu conselheiro académico no MIT, Jule Charney foi um dos primeiros a descrever o ciclo vicioso que pode levar à desertificação. Com a seca, a vegetação verde desaparece e a sujeira clara que permanece reflecte mais o sol.

Isso faz com que a superfície da Terra arrefeça o que, por sua vez, significa que há menos calor a levar o ar até níveis mais altos e mais frios da atmosfera – processo que, normalmente, produz a precipitação. Assim, há menos chuva e, consequentemente, mais vegetação prejudicada.

Kalnay queria encontrar uma forma de recuperar as correntes atmosféricas. “Ocorreu-me que o mesmo ciclo resultaria no caminho oposto, o que faria aumentar a precipitação e, consequentemente, a vegetação”. Foi então que a cientista pensou em painéis solares. Como são escuros, os painéis não reflectem a luz solar, o que poderia ajudar a aquecer a superfície e a recuperar as correntes de ar que trazem a chuva.

Assim, a investigadora criou uma simulação de computador de um deserto Sahara sobrenatural, onde cerca de 20% da terra está coberta de painéis solares. O modelo transformou ainda o deserto num gigantesco parque eólico, coberto de turbinas, que, segundo a cientista, poderiam ajudar a impulsionar as correntes de ar.

Para surpresa de Kalnay, a simulação resultou: mostrou que as chuvas aumentaram o suficiente para trazer de volta a vegetação. “É maravilhoso”, comenta a investigadora. “Ficamos muito felizes porque parece ser uma solução muito importante para alguns dos problemas que temos.”

Segundo o NPR, a fazenda super solar que Kalnay idealizou é enorme e capaz de gerar quatro vezes mais electricidade do que a que todo o planeta consome actualmente. Confrontada com o facto de o seu cenário se assemelhar a um filme de ficção científica, a cientista atirou: “Seria ficção científica se a tecnologia não estivesse disponível.”

Para Kalnay, alguns milhares de milhões de painéis solares não é nada de inexequível. Ainda que alguns cientistas estejam a ponderar a possibilidade de serem construídas grandes fazendas solares no Sahara, nada se assemelha ao cenário que Kalnay simulou.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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