4457: O Saara já foi verde e habitado por mamíferos. Agora os seres vivos podem regressar

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL

GFDL
Timimoun, o oásis vermelho do deserto do Saara

Há cerca de 5 mi a 11 mil anos – após o fim da última era do gelo – o deserto do Saara transformou-se. Cresceu vegetação no topo das dunas arenosas, e o aumento das chuvas transformou as cavernas áridas em lagos extensos. Poderia o Saara a voltar a ser um paraíso verde?

Cerca de 9 milhões de km2 do norte da África ficaram verdes, atraindo assim animais como hipopótamos, antílopes, elefantes e auroques – os ancestrais selvagens do gado que foi domesticado. Hoje em dia este cenário é completamente o oposto, mas a questão que se coloca é se o deserto poderia voltar ao que já foi há milhares de anos.

A ciência diz que sim. De acordo com Kathleen Johnson, professora de sistemas terrestres da Universidade da Califórnia Irvine, o Saara Verde foi causado pela rotação orbital da Terra em constante movimento em torno do seu eixo.

Contudo, devido às emissões de gases com efeito de estufa, o ecossistema tem sido afectado por mudanças climáticas descontrolada ficando assim mais difícil perceber quando é que o Saara – actualmente o maior deserto quente do mundo – terá de novo uma vista predominantemente verde.

A mudança, que ocorreu há milhares de anos, deveu-se a uma alteração na inclinação do eixo da Terra. Há cerca de 8 mil anos, esta inclinação começou a deslocar-se dos 24,1 graus para os actuais 23,5 graus, o que fez com que o hemisfério norte ficasse mais próximo do sol durante os meses de inverno.

Segundo o Live Science, estas mudanças levaram a um aumento da radiação solar no Hemisfério Norte durante os meses de verão e a um aumento do calor no Saara, o que criou um sistema de baixa pressão que conduziu a humidade do Oceano Atlântico para o deserto.

O aumento de humidade transformou o Saara num local coberto de erva e arbustos, e capaz receber vegetação. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), à medida que os animais se desenvolviam, os humanos também começaram a permanecer na zona, pois estavam – eventualmente – a fazer a criação de búfalos e cabras.

Porém ainda fica uma questão por responder: Porque razão a inclinação da Terra mudou? Para entender esta mudança, os cientistas olharam para os vizinhos do planeta azul no sistema solar.

Peter de Menocal, diretor do Centro de Clima e Vida do Observatório Terrestre Lamont-Doherty na Columbia University de Nova York, sustenta num artigo publicado na Nature que “a rotação da Terra é perturbada pelas interacções gravitacionais com a lua e os planetas mais massivos, que, juntos, induzem a mudanças periódicas na órbita da Terra”. Uma dessas mudanças é uma “oscilação” no eixo da Terra, acrescentou o cientista.

Essa oscilação é a razão pela qual o hemisfério norte se posiciona mais perto do sol no verão. Com base numa pesquisa publicada pela primeira vez na revista Science em 1981, os investigadores acreditam que o Hemisfério Norte recebeu mais 7% de radiação solar durante o Saara Verde, do que recebe agora.

A verdade é que o Saara Verde apareceu e desapareceu abruptamente. “O fim do Saara Verde demorou apenas 200 anos a chegar”, explica Johnson, acrescentando ainda que “este é um exemplo do impacto das mudanças climáticas”.

O próximo máximo de insolação de verão no hemisfério norte – ou seja, a altura em que o Saara Verde pode reaparecer – deve acontecer novamente daqui a cerca de 10 mil anos. Contudo, a professora Johnson explica que “aquilo que os humanos estão a fazer é uma acção sem precedentes”, referindo-se às mudanças climáticas.

Mesmo que os humanos parassem de emitir gases de efeito estufa hoje, os valores ainda iriam permanecer elevados durante muitos anos. “As mudanças climáticas são fulcrais nos ciclos naturais do clima da Terra”, alertou a cientista.

ZAP //

Por ZAP
8 Outubro, 2020

 

 

2876: A formiga mais rápida do mundo anda quase um metro por segundo

CIÊNCIA

As formigas prateadas do Saara (Cataglyphis bombycina) são as mais rápidas do mundo, caminhando quase um metro por segundo, revelou uma nova investigação conduzida por cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha.

A conclusão foi esta semana publicada na revista científica especializada Journal of Experimental Biology, que dá conta que estas são as formigas mais rápidas do mundo, alcançando 855 milímetros por segundo, apesar de terem pernas mais curtas do que as outras espécies semelhantes.

Estes insectos, explicaram os cientistas na nova publicação, levam a cabo uma estratégia que lhes permite atingir altas velocidades com a frequência dos seus passos e o balanço das suas pernas. A equipa observou que estas formigas podem viajar 108 vezes o comprimento do seu corpo por segundo.

Um vídeo gravado pela equipa mostra as formigas a coordenar os seus movimentos com grande precisão, movendo três pernas de cada vez, que funcionam juntas como uma espécie de um tripé, observa a Russia Today. Entre cada passo, cada perna da formiga tocava no solo por apenas sete milissegundos.

Ao que tudo indica, a velocidade de locomoção desta espécie é uma questão de sobrevivência: como vivem sob as altas temperaturas do Saara, precisam de se mover rapidamente para sair ninho, encontrar comida e voltar antes que sejam vítimas do calor.

A equipa concluiu que o calor intenso do deserto força as formigas a moverem-se com agilidade, sendo a velocidade máxima registada de 855 milímetros por segundo.

O estudo analisou ainda a movimentação destas formigas em laboratório para perceber o seu comportamento sob temperaturas baixas, onde a locomoção se revelou muito mais lenta, atingindo apenas 57 milímetros por segundo.

“Mesmo entre as formigas do deserto, as formigas prateadas são especiais“, afimrou Harald Wolf, cientista da Universidade de Ulm, citado pela agência Europa Press.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2019