3866: Teia de espuma pegajosa. Empresa russa tem uma solução para se livrar do lixo espacial

CIÊNCIA/LIXO ESPACIAL

Depois de mais de meio século de actividade espacial, existem cerca de meio milhão de objectos artificiais que orbitam o nosso planeta. O lixo espacial assume órbitas valiosas em que os satélites poderiam estar e representa um risco de colisão de satélites e naves espaciais. Agora, uma start-up russa tem a solução.

A ideia da start-up russa StartRocket, cujo plano se chama “Securing Space”, passa por criar uma “teia de aranha” pegajosa feita de satélites que poderão pulverizar todo o lixo espacial com espuma polimérica que afundará com segurança e queimará na atmosfera da Terra.

“Se estamos a falar de lixo aqui na Terra, temos de falar sobre o lixo em órbita – a órbita da Terra faz parte do nosso planeta”, disse Vlad Sitnikov, fundador da StartRocket, em declarações à Forbes. “A SpaceX de Elon Musk quer enviar 6.000 satélites Starlink em órbita, mas quando param de funcionar, ou os desliga ou alguém terá de limpar”.

A StartRocket surgiu pela primeira vez em 2018 com o seu plano de lançar o projecto de ecrãs orbitais de “publicidade espacial” que propunha ter logótipos corporativos visíveis no céu nocturno. “Está em espera porque vi quantas pessoas odiavam a ideia”, disse Sitnikov. “As pessoas querem algo diferente.”

A nova ideia sobre a espuma é baseada na mecânica orbital, o arrasto aerodinâmico. “Trabalha no conhecido processo de aumentar a área de superfície de detritos, a fim de aumentar a sua resistência e, assim, fazer com que entre novamente na atmosfera da Terra e queime mais rapidamente”, disse John L. Crassidis, professor do Departament. de Engenharia Mecânica e Aeroespacial na Universidade de Buffalo e especialista em lixo espacial.

Cobertos de espuma, os detritos espaciais descem para a atmosfera e queimam. O conceito de usar espuma para remover detritos espaciais das órbitas tem raízes numa tecnologia pioneira da Agência Espacial Europeia (ESA).

Segundo Crassidis, uma nave “Foam Debris Catcher” (FDC) poderia funcionar porque não precisa de se acoplar a nada, o que poderia fazer com que o satélite principal caísse fora de controle. “A principal desvantagem é que ainda está num estágio inicial de pesquisa”, disse. “Precisamos de mais dados para ver como é viável”.

O plano da RocketStart passa por lançar uma missão de teste, conhecida como Test Foam Sat (TFS), no final de 2021, para ver se o conceito da espuma funciona. “É apenas um barril com um motor de foguete que se conectará à órbita de um pedaço específico de lixo e espalhará a aranha para apanhá-lo”, disse Sitnikov. “É apenas uma impressora 3D em órbita para provar que a espuma funciona”.

O TFS será uma pequena impressora 3D movida a energia solar conectada a um CubeSat, que tentará criar pequenas “armadilhas” quadradas feitas de espuma e terá uma câmara para fotografar e filmar todo o processo.

Um TFS pode desorbitar até 50 quilogramas de detritos espaciais em cinco anos.

O TFS pesa apenas cinco quilogramas, o que deverá custar 88.500 dólares para construir e 100 mil dólares para lançar para a órbita. “Podemos ir com qualquer missão: SpaceX ou uma missão da Índia ou do Japão – só precisamos de encontrar algum espaço vazio num foguete”, disse Sitnikov.

Se tudo correr bem, o RocketStart quer lançar um satélite muito mais capaz e maior – com cerca de 30 a 50 metros de diâmetro. Uma vez numa órbita de até 1.000 quilómetros, o FDC pulverizará fios da espuma para criar esferas adesivas de 150 metros de diâmetro ao redor do satélite – criando algo como uma teia de aranha ou uma armadilha contra moscas para o lixo espacial.

ESA declara guerra ao lixo espacial com um robô de quatro braços

A Agência Espacial Europeia (ESA) acaba de assinar um contrato com a startup suíça ClearSpace para levar a cabo tarefas…

A FDC pesaria cerca de 100 quilogramas e deverá custar um milhão de dólares para construir e dois milhões para lançar para a órbita. Espera-se que consiga apanhar uma tonelada de lixo espacial.

Agora, a StartRocket está a trabalhar na fórmula precisa para a espuma polimérica. Se for bem-sucedida, a fórmula da espuma estará disponível em código aberto para que outros satélites semelhantes possam ser lançados.

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17 Junho, 2020

 

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3761: “A Rússia não permitirá a privatização da Lua”, avisa Roscosmos

ESPAÇO/LUA/EUA/RÚSSIA

Doug Zwick / Flickr

A Rússia não permitirá a privatização da Lua, independentemente de quem avance a iniciativa, avisou o chefe da agência espacial russa (Roscosmos), Dmitri Rogozin, em entrevista ao jornal Komsomólskaya Pravda.

“Não permitiremos que ninguém privatize a Lua (…) É ilegal e vai em sentido contrário ao direito internacional”, sustentou o responsável da Roscosmos, cujas declarações são reproduzidas pela cadeia russa Russia Today.

Rogozin revelou também que a Rússia não pretende entrar numa corrida lunar com os Estados Unidos. “A Lua interessa-nos principalmente em termos da sua origem e conservação como satélite natural da Terra (…) Mas a Lua não é o nosso objectivo final. Não vamos entrar numa corrida lunar semelhante a uma competição eleitoral”, garantiu.

Na mesma entrevista, o responsável da Roscosmos revelou o calendário russo para a exploração lunar: o país pretende lançar a missão Luna-25 em 2021 e, três anos depois, em 2024, planeia enviar a sonda Luna-26 em órbita lunar.

Posteriormente, pretende lançar a a aeronave pesada Luna-27, que levará a cabo trabalhos científicos na superfície da Lua, visando perfurar o regolito lunar.

A declaração de Rogozin surge depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que estabelece a política do Estados Unidos sobre a exploração de recursos para lá da Terra, frisando que o país apoia esta actividade.

No documento assinado em meados de abril, o Trump frisa que o actual regime regulatório permite a utilização destes recursos, que podem ser encontrados na Lua ou em asteróides, apelando ainda à cooperação de outros estados ou entidades para explorá-los.

“Os norte-americanos devem ter o direito de participar da exploração comercial, extracção e uso de recursos no espaço sideral, de acordo com a lei aplicável. O espaço sideral é um domínio legal e fisicamente exclusivo da actividade humana, e os Estados Unidos não veem como um bem comum global”, pode ler-se no despacho.

O líder norte-americano recorda ainda que os Estados Unidos não fizeram parte do subsequente Acordo da Lua, datado de 1979, que estipula que o uso não científico de recursos espaciais será regido por uma estrutura reguladora internacional.

Trump assina despacho de apoio à exploração de recursos espaciais. Rússia não gostou

Donald Trump assinou esta semana uma ordem executiva que estabelece a política do Estados Unidos sobre a exploração de recursos…

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30 Maio, 2020

3678: Robô autónomo russo mergulhou mais de 10.000 metros na Fossa das Marianas

CIÊNCIA/OCEANO

FPI

O Vitiaz, um veículo submarino não tripulado e autónomo russo, desceu pela primeira vez às profundezas da Fossa das Marianas, o abismo mais profundo do planeta Terra, localizado no Oceano Pacífico.

A informação é avançada pela Fundação para a Pesquisa Avançada (FPI), que precisa que o robô autónomo mergulhou mais de 10.000 metros.

“A 8 de Maio de 2020, às 22h34, horário de Moscovo, o veículo subaquático autónomo russo Vitiaz chegou ao fundo da Fossa das Marianas. Os sensores de Vitiaz registaram uma profundidade de 10.028 metros”, adiantou a FPI, citada pela Europa Press.

A Fossa das Marianas tem uma profundidade estimada de 10.984 metros.

“Ao contrário dos dispositivos Kaiko (Japão) e Nereus (Estados Unidos) que operavam anteriormente nesta área, o dispositivo Vitiaz funciona de forma totalmente autónoma. Graças ao uso de elementos de inteligência artificial no sistema de controlo do veículo, esse pode contornar a obstáculos de forma independente e encontrar uma saída de um espaço limitado e resolver outros problemas”, realça a fundação, citada pelo portal Sputnik News.

De acordo com o mesmo órgão de comunicação russo, o Vitiaz fez o mapeamento, captou fotografias e gravou vídeos do ponto mais profundo dos cinco oceanos, tendo também aproveitado a missão para estudar o ambiente marinho.

“A missão durou mais de três horas, sem contar o mergulho e o retorno à superfície”.

O director da fundação, Andrei Grigoriev, detalhou ainda que esta expedição, de 8 de maio, foi a primeira fase de uma série de procedimentos que o Vitiaz vai levar a cabo.

“Este é o primeiro dos procedimentos programados no âmbito do projecto Vitiaz. Foi realizado em conjunto com especialistas russos e equipas científicas da Academia Russa de Ciências, com o apoio da frota do Pacífico”, acrescentou.

Já pode visitar o ponto mais profundo dos 5 oceanos (mas há um preço)

Graças a um explorador rico, em maio, alguns sortudos poderão escapar da pandemia de covid-19 durante um curto período de…

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12 Maio, 2020

 

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3562: Russia tests anti-satellite missile and the US Space Force is not happy

CIÊNCIA

A Russian Soyuz 2.1v rocket launches a classified military satellite into orbit from the Plesetsk Cosmodrome in northern Russian on Nov. 25, 2019. The satellite can apparently track other satellites in orbit.
(Image: © Roscosmos)

Russia just fired an anti-satellite missile in a test of technology that the U.S. Space Force considers a threat to American orbital assets.

On Wednesday (April 15), Russia conducted a test of its direct-ascent anti-satellite (DA-ASAT) missile system, which is designed to destroy satellites in low Earth orbit.

This test followed the country’s on-orbit test maneuvers of two satellites that “exhibited characteristics of a space weapon,” COSMOS 2542 and COSMOS 2543, which the U.S. has been closely following, the U.S. Space Force said in a statement. In February, the U.S. Space Force spotted these Russian satellites following a U.S. spy satellite, behavior that Space Force commander Gen. John “Jay” Raymond described at the time as “unusual and disturbing.”

https://www.livescience.com/russia-anti-satellite-missile-test-2020.html?utm_source=Selligent&utm_medium=email&utm_campaign=9160&utm_content=LVS_newsletter+&utm_term=2876129&m_i=04q0dJrFpf4PtxgmCA76bSo_9wPf_RAoZ0oIxOyFkP6todPykaM5uGk2u0QpL3LdBZvi6RoztvitfK9RTH_JzI9fFA8d7eWRM75t_y800A&jwsource=cl

The U.S. Space Force also has serious concerns about this recent DA-ASAT missile test. “Russia’s DA-ASAT test provides yet another example that the threats to U.S. and allied space systems are real, serious and growing,” Raymond said in the statement. “The United States is ready and committed to deterring aggression and defending the nation, our allies and U.S. interests from hostile acts in space.”

“This test is further proof of Russia’s hypocritical advocacy of outer space arms control proposals designed to restrict the capabilities of the United States while clearly having no intention of halting their counterspace weapons programs,” Raymond added. “Space is critical to all nations and our way of life. The demands on space systems continue in this time of crisis where global logistics, transportation and communication are key to defeating the COVID-19 pandemic.”

“It is a shared interest and responsibility of all spacefaring nations to create safe, stable and operationally sustainable conditions for space activities, including commercial, civil and national security activities,” he said.

After being sworn in as the first Chief of Space Operations by U.S. Vice President Mike Pence, Gen. John Raymond addresses the audience in the Executive Eisenhower Office Building, Washington, D.C., on Jan. 14, 2020. (Image credit: U.S. Air Force Photo by Andy Morataya)

In February, when the two Russian satellites were seen seemingly “stalking” a U.S. spysat, it was the first time in history that the U.S. military publicly revealed an identified, direct threat from another country to a U.S. satellite. Yesterday’s test, as described by Raymond, is another threat to U.S. space systems and resources in low Earth orbit.

However, anti-satellite weapons have also posed an indirect threat to U.S. satellites, because orbital debris, or “space junk,” from damaged and destroyed spacecraft could collide with other satellites in orbit. For example, India launched an anti-satellite test in March 2019 that created at least 60 large pieces of orbital debris that NASA said could have potentially hit the International Space Station, putting astronauts’ lives at risk.

The Space Force, which was allocated $15.4 billion in the Trump administration’s 2021 budget proposal, was created in part to protect such resources. Satellites and technology in low Earth orbit have become increasingly more valuable as tech advances and as countries increasingly adopt space technologies for national security purposes.

This has become especially pertinent for the U.S. as both Russia and China continue to advance their space programs and capabilities in low Earth orbit. Additionally, these actions by Russia could add to political tensions that were already building between Russia and the U.S. because of allegations that Russia interfered in the 2016 U.S. presidential election.

In addition, Russian officials continue to trumpet the development of advanced, potentially threatening military technology, including a hypersonic weapon and a 100-megaton nuclear torpedo.

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Livescience
By Chelsea Gohd – Space.com
17/04/2020

 

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3290: Europa parte para Marte em 2020. E há portugueses na missão

CIÊNCIA/ESPAÇO

É segunda fase da missão Exomars, que já colocou em 2016 uma sonda na órbita marciana. No próximo ano, parte um robô móvel europeu que vai procurar vida na superfície de Marte. E também há portugueses na missão

Em teste num campo “marciano” simulado © ALTEC

A ExoMars, a missão conjunta da agência espacial europeia ESA e da Rússia a Marte, cujo ambicioso objectivo é procurar sinais de vida no subsolo daquele planeta, tem em 2020 o seu primeiro grande momento: o do lançamento. Se tudo correr como está previsto, a partida deverá acontecer entre 26 de Julho e 11 de Agosto, a partir de do centro espacial da agência espacial Roscosmos, em Baikonur, no Cazaquistão. A chegada a Marte tem data marcada para Março de 2021. Uma missão ambiciosa, na qual não falta também a participação portuguesa.

A pouco mais de meio ano da hora H para a partida, a ESA anunciou agora que os testes dos para-quedas – que serão cruciais para amortecer a aterragem do rover europeu e da plataforma científica russa que lhe está acoplada – passaram com sucesso os primeiros testes realizados nos Estados Unidos com a colaboração de equipamentos da NASA.

Descer em Marte é uma operação delicada e muitas vezes fatal, como mostra o extenso rol de missões falhadas que já se contam na curta história espacial da humanidade.

Na prática, contadas todas as missões ao Planeta Vermelho, incluindo as que se destinaram somente à sua órbita, a maioria, por um motivo ou por outro, saldou-se em falhanço, embora as mais recentes da NASA, que colocaram vários rovers na superfície marciana, tenham sido coroadas de êxito.

A própria ESA tem o seu quinhão de sucessos e fracassos em missões marcianas, incluindo, em 2016, a primeira fase da ExoMars, de resultado misto, que colocou sem mácula a sonda TGO na órbita marciana para estudar a sua atmosfera, mas não conseguiu fazer aterrar o módulo Schiapareli, que integrava a missão.

Soube-se semanas depois que o Schiaparelli, que servia sobretudo para testar a manobra de aterragem e cujos dados acabaram por ser importantes para esta segunda fase da missão, se tinha despenhado devido a uma avaria que comprometeu os dados do sistema de navegação.

Uma falha num sensor, levou o sistema a disparar o para-quedas e a activar os travões antes de tempo, quando o pequeno módulo ainda estava a 3,7 quilómetros da superfície do planeta. Foi um desaire para a ESA, que ocorreu 13 anos depois de o também europeu Beagle 2 se ter despenhado ali também.

“Aterrar em Marte é difícil”

Com duas tentativas falhadas de pisar Marte para trás, a ESA abalança-se agora a uma terceira e, desta vez, com ambições maiores. A ideia é fazer descer em Marte um rover, ou robô móvel, equipado com uma plataforma científica, capaz de se deslocar e de escavar o solo até à profundidade de dois metros para aí recolher amostras e depois as analisar. A ideia é procurar aí, em profundidade, a resguardo das radiações cósmicas que fustigam a superfície, sinais da existência de vida no planeta.

A existir, os cientistas pensam que essa vida, feita provavelmente de microrganismos, poderá estar no subsolo, a salvo das radiações cósmicas, e por isso esta segunda fase da Exomars foi concebida para aí a procurar aí e, quem sabe, talvez encontrá-la. Afinal, o nome da missão, ExoMars, cita expressamente esse propósito, porque exo refere-se a exobiologia, ou seja, a biologia fora da Terra.

Até lá, porém, há várias etapas ainda a vencer, com alguns dos derradeiros testes a decorrer, como aconteceu agora em relação aos para-quedas que vão amortecer a aterragem e que obtiveram bons resultados, segundo Thierry Blancquaert, chefe da equipa de engenharia da ExoMars.

“Aterrar em Marte é difícil e não nos podemos dar ao luxo de deixar pontas soltas”, disse Thierry Blancquaert, citado num comunicado da ESA, sublinhando que “depois de vários problemas, as modificações no sistema de para-quedas estão a avançar. Os resultados dos testes preliminares são muito promissores e abrem caminho aos próximos testes de qualidade”.

Também o robô móvel está nesta mesma altura em fase final de testes, para ficar pronto, com todos os sistemas e equipamentos integrados e operacionais, no final de Março de 2020.

Tal como aconteceu com a primeira fase da missão ExoMars, que embora não tenha conseguido fazer aterrar o Schiapareli colocou com sucesso na órbita marciana a sonda Trace Gas Orbiter, ou TGO, também esta segunda fase conta com a participação de portugueses.

Sediada em Coimbra, a Critical Software, nomeadamente, participou no desenvolvimento dos sistemas de controlo de bordo da TGO, que continua a recolher dados na órbita do planeta e que já produziu o retrato mais detalhado de sempre das manchas de água gelada na superfície e de minerais com sinais de água no subsolo. A empresa participa igualmente nesta segunda fase da missão.

Outras das empresas que participou nesta segunda fase da missão ExoMars, nomeadamente com a concepção de algumas das peças da estrutura do robô móvel, é a Activespace Technologies, também de Coimbra.

Diário de Notícias
Filomena Naves
29 Dezembro 2019 — 20:35

 

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3226: O norte magnético da Terra move-se a uma velocidade sem precedentes em direcção à Rússia

CIÊNCIA

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

Novos dados de satélite indicam que o pólo norte magnético da Terra se move a uma velocidade sem precedentes e cada vez mais rápida à medida que avança para a Rússia, mais precisamente em direcção à Sibéria, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). 

Os dados foram apresentados esta semana pelo Centro Nacional de Dados Geofísicos dos Estados Unidos (NGDC), em colaboração com o British Geological Survey (BGS).

De acordo com o mais recente modelo magnético global, que vai vigorar até 2025, prevê-se que o “pólo norte magnético da Terra continuará à deriva em direcção à Rússia, embora a uma velocidade lentamente decrescente, até aproximadamente 40 quilómetros por ano”, explica a NOAA em comunicado.

Esta velocidade, apesar de decrescente, é muito maior do que a registada em décadas anteriores. “O pólo norte magnético vagou lentamente pelo norte do Canadá de 1590 até meados de 1990 e depois acelerou nos últimos 20 anos, passando de 10 quilómetros por ano para mais de 50 quilómetros por ano”, explicou o cientista Ciaran Beggan, do BGS, em declarações ao jornal britânico Daily Mail.

“Pelo contrário, o pólo sul magnético quase não se moveu nos últimos 100 anos, uma vez que o fluxo do núcleo externo é muito mais silencioso”, acrescentou.

Financial Times @FinancialTimes

Navigators have relied upon it for centuries. It is essential to everything from smartphone apps to aviation and shipping. But the latest calculations reveal that Earth’s magnetic north pole is shifting. And it’s showing little sign of slowing down https://on.ft.com/2PhAnvu 

Depois de estar perto do Canadá durante centenas de anos, recorde-se, o norte magnético começou a mover-se rapidamente em direcção à Sibéria desde o início do ano.

“Acreditamos que o pólo norte magnético foi absorvido por uma corrente de jacto em movimento rápido perto do topo do planeta e que esta está a fazer com que [o norte magnético] seja arrastado do Canadá para a Sibéria”, acrescentou.

Campo magnético enfraquece 5% a cada ano

O modelo agora apresentando frisa ainda que o campo magnético enfraquece cerca de 5% a cada século. Se esta tendência se mantiver, poderá ser revertido.

Como o modelo do campo magnético mundial é amplamente utilizado em sistemas de navegação, civis e militares, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos actualiza periodicamente as suas informações.

Os pólos norte e sul magnéticos deslocam-se e não coincidem com os pólos norte e sul geográficos, apesar de serem próximos geograficamente. Na longa história do planeta, o pólo norte magnético nem sempre esteve no norte geográfico e até já chegou a estar a sul – a inversão dos pólos ocorreu já várias vezes, não tendo sido registada nos últimos 780 mil anos. A inversão é um fenómeno gradual, durando cerca de cem mil anos ou até mais.

Afinal, o que nos irá acontecer quando os pólos magnéticos inverterem?

A reversão dos pólos magnéticos da Terra pode parecer algo verdadeiramente assustador, mas será um evento perigoso? A resposta é…

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Por ZAP
19 Dezembro, 2019

artigos relacionados: Earth’s Magnetic North Pole Continues Drifting, Crosses Prime Meridian

 

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3211: Nova tecnologia russa permite chegar à Estação Espacial Internacional em tempo recorde

CIÊNCIA

NASA
Cápsula russa Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional

Engenheiros aeroespaciais russos desenvolveram uma nova tecnologia que vai permitir que a nave Soyuz chegue à Estação Espacial Internacional três vezes mais rápido, optimizando o consumo de combustível e minimizando o impacto nos astronautas. 

Os testes do novo método vão começar a partir de 2020, de acordo com a Roscosmos, agência espacial russa. A inovação reduz a quantidade de órbitas que a sonda precisa de fazer ao redor da Terra antes de chegar à EEI. O esquema actual demora até dois dias para a aproximação e, mesmo em lançamentos acelerados, demora seis horas a concluir várias órbitas em todo o planeta.

Para aumentar a eficiência da Soyuz, especialistas da Corporação de Energia Espacial e de Foguetes (RKK Energiya) criaram um método de aproximação que requer apenas uma rotação ao redor da Terra. Dessa forma, espera-se reduzir o tempo de voo para aproximadamente duas horas, o que pode economizar um volume significativo de combustível e outros recursos necessários para cada missão.

A nova tecnologia, de acordo com o Russia Today, também reduzirá significativamente o tempo que a equipa deverá gastar dentro do espaço reduzido da cápsula. Também permitirá o envio rápido de biomateriais para várias experiências científicas a bordo da EEI.

Anteriormente, a Roscosmos apontou que, actualmente, um esquema de duas órbitas com navios não tripulados já é praticado, em vez das habituais quatro rotações. O esquema de órbita única será implementado nos próximos 2 ou 3 anos.

Estima-se que a latitude do novo cosmódromo russo Vostochny será mais conveniente para este tipo de lançamento em comparação com o de Baikonur, no Cazaquistão.

Especialistas dizem que a nova tecnologia será essencial no programa de exploração lunar da Rússia e que também poderá ser usada para realizar missões de resgate espacial em situações em que o tempo é um factor crítico.

ZAP //

Por ZAP
17 Dezembro, 2019

 

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2817: Morreu Alexei Leonov, o primeiro homem a caminhar no espaço

Faleceu aos 85 anos o cosmonauta soviético Alexei Leonov que foi o primeiro homem a realizar uma caminhada no espaço aberto, em 1965. Morreu vítima de doença prolongada.

A morte daquele que foi também o comandante da primeira missão espacial conjunta da ex-União Soviética e dos EUA foi anunciada pela sua assistente, Natalia Filimonova, em declarações à AFP.

Alexei Leonov tinha apenas 18 anos quando se tornou no primeiro homem a fazer uma caminhada no espaço aberto em Março de 1965. Um episódio histórico que poderia ter acabado em tragédia, já que o cosmonauta teve um pequeno problema no regresso à nave Voskhod-2. O traje espacial de Leonov insuflou e ele teve que entrar na nave com a cabeça para a frente, ao contrário do que mandavam os regulamentos e os procedimentos de segurança.

Leonov também poderia ter sido o primeiro homem a aterrar na Lua, mas o projecto espacial soviético acabou por ser cancelado, o que levou os EUA a conseguirem esse feito.

O cosmonauta foi figura central do programa espacial soviético durante a Guerra Fria ao lado de figuras como Yuri Gagarin e Gherman Titov.

Entre 1970 e 1991, foi vice-presidente do Centro de Treinos de Cosmonautas Yuri Gagarin, além de ter escrito várias obras científicas e de ter patenteado quatro invenções.

ZAP //

Por ZAP
11 Outubro, 2019

 

2722: Guerra nuclear entre Rússia e Estados Unidos mataria 34 milhões de pessoas em poucas horas

CIÊNCIA

Uma guerra nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos mataria cerca de 34 milhões de pessoas em poucas horas, revelou uma nova investigação conduzida por cientistas norte-americanos.

A equipa de cientistas da Universidade de Princeton especializada em segurança e armas nucleares criou uma simulação apelidada de “Plano A”, na qual mostra a devastação que uma eventual guerra entre estes dois país provocaria, noticia a BBC.

De acordo com a emissora britânica, os danos seriam assustadores: em cerca de cinco horas, morreriam 34 milhões de pessoas e mais de 57 milhões ficariam feridas.

Os cientistas frisam na mesma investigação que o conflito se tornou “dramaticamente” mais plausível nos últimos dois anos, uma vez que tanto a Rússia como os Estados Unidos deixaram de apoiar medidas de controlo de armas.

“O risco de uma guerra nuclear aumentou dramaticamente depois de os Estados Unidos e a Rússia terem abandonado o tratado de controlo de armas nucleares (…) [Estes países] começaram a desenvolver novos tipos de armas nucleares e ampliaram as circunstâncias nas quais seria possível usar essas mesmas armas”, advertem.

A simulação, que resulta de um projecto do programa de Ciência e Segurança Global (SGS) da universidade norte-americana, contou apenas eventuais mortos e feridos, deixando de fora outros milhões de pessoas que poderiam contrair doenças ou outros problemas de saúde a longo prazo devido ao conflito, detalha o jornal britânico The Independent.

O objectivo da simulação, contaram os especialistas citados pela BBC, passa por chamar a atenção sobre as “consequência potencialmente catastróficas” de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia.

Especialistas ouvidos pela emissora britânica consideram que estas simulações podem ser importantes para dissuadir potências mundiais a não chegarem a um confronto nuclear.

“Há já algum tempo que vemos este tipo de situações e são sempre alarmantes“, disse Sarah Kreps, professora da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, onde investiga os impactos da proliferação de armas de destruição em massa.

“Estas simulações são úteis para reforçar a dissuasão. Se não há transparência e se há optimismo sobre as consequências de um conflito nuclear, é mais provável que alguma das partes escale a sua posição, seja consciente ou inconscientemente”, apontou.

A guerra simulada

A equipa publicou no YouTube um vídeo com os resultados da simulação. A simulação começa com a Rússia a tentar impedir uma ofensiva dos Estados Unidos e de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Na guerra simulada, os russos lançam um míssil nuclear de “advertência” na fronteira entre Alemanha, Polónia e República Checa. Com este ataque, o conflito escala: a Rússia envia aviões com um total de 300 ogivas nucleares e dispara mísseis de curto alcance contra base e tropas da OTAN na Europa.

Em resposta, a OTAN envia aviões que viajam rumo à Rússia com 180 ogivas nucleares. A esta altura do conflito, explica a BBC, o objectivo de cada força passa por evitar que o inimigo tenha oportunidade de se recuperar e, por isso, cada país lança ataques contra as 30 cidades mais povoadas do adversário.

Em cada bombardeio, seriam utilizadas entre 5 e 10 ogivas nucleares, dependendo do tamanho da cidade. O resultado: em 45 minutos, mais 85,3 milhões de vítimas, entre mortos e feridos. Em menos de cinco horas, haveria 91,5 milhões de vítimas: 34,1 milhões de mortes instantâneas e 57,4 milhões de feridos.

Estes números poderiam aumentar significativamente caso se contabilizassem as mortes a longo prazo causadas por resíduos radioactivos deixados no ar.

Um outro estudo, também conduzido por cientistas norte-americanos, concluiu que uma guerra entre estas duas potências mundiais mergulharia o planeta num inverno nuclear que duraria pelo menos uma década e que afectaria todo o globo.

ZAP // BBC

 

2686: Rússia vai permitir que astronautas levem armas em viagens espaciais

ESPAÇO

(CC0/PD) philanthropiststeam / pixabay

Os astronautas russos vão começar a levar consigo uma arma de fogo durante as suas viagens espaciais. O objectivo é poderem afastar animais selvagens quando aterrarem em áreas remotas na Terra.

A Rússia começou a armar os seus astronautas para que eles possam afastar animais selvagens no regresso à Terra. De acordo com um comunicado do chefe da Roscosmos, na quarta-feira, os próprios cosmonautas confessaram que gostariam de ter uma arma ao aterrar em áreas remotas.

Já faz mais de uma década que os astronautas viajam em missões espaciais desarmados. Na década de 1980, carregavam uma pistola TP-82 de três canos e uma faca de mato. A arma foi removida do kit de emergência aprovado em 2007, mas o chefe da Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse que já é hora de trazer as armas de volta aos kits.

Uma vez que os lançamentos tripulados estão a mudar-se para o extremo oriente russo, “é possível que as aterragens também sejam nesta área, que não é povoada e tem florestas, e os astronautas estão a dizer que seria bom ter [uma arma] no kit”, disse Rogozin.

Oleg Kononenkov, astronauta russo que comandou uma equipa da Estação Espacial Internacional que regressou recentemente à Terra, disse que essas armas podem ser necessárias em território selvagem russo.

“É possível que seja um terreno acidentado, que possamos precisar de uma faca especial para construir um abrigo, e talvez precisemos de uma arma por causa dos animais selvagens”, disse aos jornalistas, na terça-feira. E garante ainda que seria útil no kit ferramentas de disparo para sinalização.

ZAP // CanalTech

Por ZAP
21 Setembro, 2019

 

2672: A Rússia já sabe como apareceu a fissura na nave Soyuz (mas não revela)

CIÊNCIA

NASA

A Corporação Espacial Estatal da Rússia, Roscosmos, já sabe qual é a origem da fissura encontrada há um ano na nave Soyuz MS-09, acoplada à Estação Espacial internacional. Mas não revelará mais informações.

“O buraco foi encontrado no módulo da tripulação da nave espacial, que queimava há muito tempo. Recolhemos todas as amostras necessárias e temos clareza sobre o que aconteceu, mas não contaremos nada”, disse o chefe da Roscosmos, Dmitry Rogozin, em resposta à pergunta de um aluno, citado pelo TASS.

A 30 de Agosto de 2018, foi detectada uma queda de pressão na Estação Espacial Internacional (ISS). A queda de pressão foi causada por um vazamento de ar depois de a sonda Soyuz ter atracado na estação, vindo de um buraco no módulo de tripulação da sonda.

Depois de descartada a hipótese de impacto de um micro-meteorito, a Roscosmos, Agência Espacial Russa, suspeitava de sabotagem. Aliás, alguns dias depois, os especialistas da Terra concluíram que o buraco tinha sido perfurado por dentro da nave espacial Soyuz.

Segundo uma fonte do TASS na indústria espacial, alguém poderia ter feito o buraco antes de lançar a nave espacial na Estação, escondendo-a o material de vedação do lado de fora. Depois de lançada para órbita a 6 de Junho com 3 astronautas a bordo a cola usada terá secado, abrindo novamente a fissura.

NASA
O orifício na nave Soyuz MS-09 antes de ter sido reparado com o selante especial

Devido às reduzidas dimensões da fissura, cerca de 2 milímetros, nenhum dos 6 astronautas esteve em perigo de vida e a Estação Espacial ficou estável após a reparação da fissura com uma fita isoladora e a aplicação de um selante especial.

Em caso de intencionalidade na fissura, o buraco teria de ser consideravelmente maior visto que, mesmo com a maior taxa de despressurização possível, a tripulação a bordo teria ainda semanas de ar em reserva.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2649: A “Chernobyl flutuante” chegou finalmente à sua base na Rússia

TECNOLOGIA

A central nuclear flutuante Akadémik Lomonósov, a única deste tipo em todo o mundo, chegou, no fim de semana passado, ao porto de Pevek, na região oriental de Chukotka, no extremo norte da Rússia, onde entrará em serviço, convertendo-se na central nuclear mais setentrional do planeta.

Para chegar ao seu destino, a apelidada “Chernobyl flutuante” exigiu a ajuda de rebocadores ao longo de uma rota marítima de mais de 5.000 quilómetros. Na sua nova localização, será um factor-chave para o desenvolvimento da infra-estrutura numa região tão remota como esta.

“As condições em Chukotka são equivalentes a um teste de qualidade: se a tecnologia funcionar aqui, se passar no teste de condições adversas do Árctico, isso significa que funcionará em qualquer lugar do mundo”, disse Roman Kopin, governador da região, de acordo com o jornal russo The Moscow Times.

Espera-se que tenham grande demanda, não apenas aqui na região do Árctico, mas também noutros lugares onde não faz sentido criar grandes sistemas de energia”, disse Viacheslav Ruksha, vice-director da agência atómica russa Rosatom.

“As populações precisam de um alto nível de infra-estrutura”, por isso “a tecnologia de construção da planta numa região desenvolvida e o seu subsequente transporte para um local onde é necessário são muito justificáveis”.

Os autores do projecto afirmam que a mega-estrutura flutuante – com mais de 140 metros de comprimento e 30 metros de largura – possui uma protecção tão rígida que, mesmo no caso de uma eventual colisão com outro navio, não afundará. Os autores também garantem que a sua estrutura seria invulnerável ao eventual flagelo de desastres naturais como os tsunamis.

A planta está equipada com dois reactores KLT-40S que têm uma capacidade combinada de 70 megawatts, o suficiente para abastecer 100 mil pessoas. Embora a população de Pevek mal tenha cerca de seis mil habitantes, as autoridades explicam que a capacidade será necessária para o desenvolvimento de infra-estrutura em toda a região, rica em recursos naturais – especialmente ouro – e conhecida por sua indústria de mineração. Por esse motivo, as empresas precisam desse aumento de energia.

Uma das características marcantes da central reside no facto de que o combustível usado pode ser armazenado dentro da própria estrutura flutuante. Por outro lado, os reactores só precisam ser recarregados após um ciclo de 12 anos de operação. A central estará totalmente operacional dentro de vários meses, após ser conectada à rede eléctrica, quando substituirá as centrais locais obsoletas.

O Akademik Lomonósov é o chefe da série deste tipo de central, mas a Rússia planeia criar uma grande frota nuclear com projectos aprimorados.

Baptizada Akademik Lomonosov, a central deixou o estaleiro de São Petersburgo em 2018 e iniciou uma longa jornada, que terminou no Árctico. O nome da central é uma homenagem ao cientista russo do século XVIII Mikhail Lomonosov. O plano previa que a central iria atravessar o Mar Báltico, para a seguir contornar a Noruega até chegar ao porto russo de Murmansk. Nesta última paragem, os reactores nucleares da Akademik Lomonosov seriam abastecidos com combustível.

A estrutura seria então rebocada mais de 5 mil quilómetros até à costa árctica de Chukotka, próximo do Alasca. Em 2019, esperava-se, de acordo com o plano, que a central abastecesse uma cidade portuária, plataformas de petróleo e uma central de dessalinização.

A construção da central nuclear flutuante lançou preocupações a diversas organizações ambientalistas, que desde logo criticaram a sua construção. A Greenpeace chamou-lhe “Chernobyl flutuante”, em referência ao desastre nuclear de 1986 que ocorreu na central de Chernobyl, na Ucrânia, então controlada pelos soviéticos.

Classificado como o pior acidente nuclear da história, o episódio causou uma evacuação em massa e deixou inabitáveis vastas faixas da Ucrânia e da vizinha Bielorrússia. A Greenpeace usou também a expressão “Titanic nuclear” para criticar o projecto.

Nos últimos anos, o aquecimento global resultou na rápida fusão do gelo do Árctico, que está a abrir novas rotas de navegação a norte da Rússia. O país está a aproveitar o fenómeno para explorar os ricos depósitos de petróleo e gás da Sibéria. O Kremlin  procura também fortalecer a sua presença militar na região.

Segundo a Greenpeace, a Rosatom pretende abrir uma verdadeira linha de montagem destas centrais flutuantes e vendê-las para outros países, tendo consultado potenciais compradores na África e na América do Sul.

ZAP //

Por ZAP
16 Setembro, 2019

 

2550: A Rússia tem cinco novas ilhas (e isso é má notícia)

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Investigadores encontraram cinco novas ilhas nas águas geladas da costa norte da Rússia. Embora novas descobertas sejam tipicamente algo para comemorar, desta vez, é má notícia.

As ilhas encontradas na Rússia só foram reveladas graças ao derretimento glacial acelerado das mudanças climáticas.

A presença de novas ilhas na área foi sugerida pela primeira vez por uma estudante universitária que estudava imagens de satélite enquanto escrevia o seu trabalho final no fim de 2016. A presença de pelo menos cinco novas ilhas foi confirmada esta semana pelo Ministério da Defesa da Rússia após uma expedição recente pelo Vizir, um navio de investigação da Marinha Russa.

“Foi realizada uma investigação topográfica nas novas ilhas”, disseram os militares em comunicado. “Foram descritos em detalhes e fotografados.” As novas ilhas, com tamanho entre 900 a 54.500 metros quadrados, podem ser encontradas perto de Novaya Zemlya e Franz Josef Land, no Oceano Árctico, dois arquipélagos de centenas de ilhas habitadas apenas por militares.

Todas as ilhas foram anteriormente engolidas pelo gelo do glaciar Nansen, também conhecida como Vylka. No entanto, foram expostas após o recuar do gelo devido ao aumento da temperatura do ar e do oceano.

O Círculo Polar Árctico está a experimentar alguns dos aumentos mais acentuados no clima mais quente do mundo, especialmente no ano passado, que registou um calor recorde em grande parte do Árctico. Num exemplo particularmente chocante, as temperaturas numa vila sueca no Círculo Polar Árctico atingiram 34,8°C em 26 de Julho de 2019. O noroeste da Rússia também viu as temperaturas subirem para 29°C..

Com as temperaturas quentes, vem o degelo do gelo e o derretimento dos glaciares. Os principais episódios de derretimento de superfície ocorreram em muitas partes do Árctico este ano, principalmente na Gronelândia, onde cerca de 197 mil milhões de toneladas de gelo derreteram apenas no mês de Julho.

Um estudo de 2018, publicado na revista especializada Remote Sensing of Environment, analisou os glaciares em redor do arquipélago de Franz Josef Land e descobriu que a perda de massa de gelo entre 2011 e 2015 duplicou em comparação com os intervalos de tempo anteriores.

“Actualmente, o Árctico está a aquecer duas a três vezes mais rápido que o resto do mundo, por isso, naturalmente, glaciares e calotas polares reagirão mais depressa”, disse Simon Pendleton, da Universidade do Colorado, no Instituto de Pesquisa Árctica e Alpina de Boulder, que não está envolvido nesta nova descoberta, em Janeiro.

Além da descoberta de novas terras, as dramáticas mudanças no Árctico estão a causar um efeito devastador na biodiversidade e assentamentos humanos na área e fora dela.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2527: Sonda com primeiro robô humanoide russo a bordo chegou à Estação Espacial Internacional

NASA

A sonda Soyuz, com o primeiro robô humanoide russo Fedor a bordo, atracou esta terça-feira na Estação Espacial Internacional (ISS), depois de uma tentativa falhada no sábado, informou o Centro de Controlo de Voos Espaciais da Rússia (CCVE).

“Vamos! Vamos!”, afirmou o robô em russo no momento da descolagem, recordando a famosa expressão de Yuri Gagarin durante a primeira viagem espacial do homem em 1961.

“Contacto confirmado, acoplagem confirmada”, anunciou um comentador da rede de televisão NASA TV, da Agência Espacial Americana, citado por agências internacionais. No sábado, a operação falhou devido a problemas relacionados com o sistema automático de acoplagem.

Fedor é o primeiro robô humanoide a ser enviado para o espaço pela Rússia e deverá ficar na ISS até 7 de Setembro, para aprender a ajudar os astronautas na estação espacial. Com um corpo antropomórfico prateado, Fedor mede 1,80 metros de altura e pesa 160 quilos. O nome corresponde ao acrónimo Final Experimental Demonstration Object Research e refere-se à designação russa Fyodor.

Fedor, que tem o número de identificação Skybot F850, descolou às 6h38 de Moscovo, a bordo de um foguete Soyuz, lançado da base russas de Baikonur, no Cazaquistão. Num vídeo divulgado pela agência espacial Roscosmos, o robô aparece a bordo da nave espacial com uma pequena bandeira russa na mão.

Também está a ser testado, nomeadamente como futuro “piloto” da nova nave espacial russa Federatsia, que teve o seu lançamento adiado para 2022, podendo transformar-se no primeiro andróide a viajar até à Lua. É precisamente esse o nosso objectivo. Experimentar a nova tecnologia. Afastar o homem da zona de risco”, explicou Alexei Bogdanov, que desenvolveu o robô, citado pela imprensa internacional.

O robô tem contas nas redes sociais Instagram e Twitter, que detalham o seu quotidiano, com situações como quando aprende a abrir uma garrafa de água.

Хорошо наблюдаю станцию. 153 метра до цели

A bordo da ISS, o robô vai participar em diferentes atividades, sob a supervisão do cosmonauta russo Alexander Skvortsov, que chegou à Estação Espacial Internacional no mês passado.

Em 2011, a NASA enviou para o espaço o robô humanoide Robonaut 2 para trabalhar em ambientes de risco.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Agosto, 2019

 

EXTRA NOTÍCIA

2516: Estudo mostra o que aconteceria se EUA e Rússia começassem uma guerra nuclear

CIÊNCIA

TD Teacher Dude’s BBQ /Flickr

Se as duas potências mundiais partissem para uma guerra nuclear, isso faria com que tivéssemos de enfrentar um inverno nuclear que duraria pelo menos uma década e que afectaria todo o globo.

Investigadores norte-americanos da Universidade Rutgers, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR) e da Universidade do Colorado realizaram algumas simulações para descobrir o que aconteceria se os Estados Unidos e a Rússia se atacassem com todas as armas nucleares que actualmente possuem.

De acordo com o Science Alert, uma guerra nuclear entre estas duas potências mundiais iria mergulhar o planeta num inverno nuclear, com nuvens de fuligem e fumo por todo o lado. Globalmente, as temperaturas cairiam uma média de nove graus Celsius, devido à falta de luz solar.

O novo modelo corrobora um dos melhores modelos já existentes, publicado em 2007. Ambos prevêem um inverno nuclear que duraria vários anos, mais de 30% de redução global na precipitação nos primeiros meses e uma nuvem de fumo que chegaria primeiro ao Hemisfério Norte e, de seguida, ao Hemisfério Sul.

De acordo com o novo relatório, publicado em Julho na revista Journal of Geophysical Research: Atmospheres, a nuvem de fumo duraria mais tempo, de acordo com a versão 4 do Modelo de Clima da Comunidade da Atmosfera Total (WACCM4) usada pelos cientistas. Seriam libertadas pelas explosões nucleares cerca de 150 megatoneladas de fuligem.

Esta nuvem iria cobrir o Hemisfério Norte numa semana e todo o planeta dentro de duas semanas, reduzindo assim os níveis de luz na superfície. Posteriormente, demoraria cerca de três anos para a luz na superfície da Terra voltar a 40% do seu nível pré-guerra.

A equipa utilizou dados de incêndios florestais, erupções vulcânicas e detonações de bombas nucleares anteriores para mapear as enormes mudanças no clima, que incluiriam perdas agrícolas “devastadoras”, mudanças nos padrões do vento e o fim das monções de verão.

Este manto de nuvens, ao espalhar e absorver a radiação solar, levaria cerca de uma década para se dispersar, mostra também esta nova simulação. Porém, os níveis de fumo lançados na atmosfera seriam de uma “ordem de magnitude menor” do que aqueles que levaram à extinção dos dinossauros, por isso, os cientistas deixam em aberto a possibilidade de podermos conseguir recomeçar, caso algo deste género aconteça.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
26 Agosto, 2019

 

2507: Sonda com primeiro robô humanoide russo a bordo falha acoplagem em estação espacial

A sonda Soyuz, com o primeiro robô humanoide russo Fedor a bordo, não conseguiu acoplar hoje na Estação Espacial Internacional (ISS), informou a agência de notícias russa.

© ROSCOSMOS HANDOUT

Agendada para as 06:30 (hora de Lisboa) em modo automático, a acoplagem não aconteceu e a sonda teve que reiniciar as manobras.

A transmissão ao vivo no ‘site’ da Agência Espacial Russa (Roskosmos) foi interrompida quando a Soyuz estava localizada a uma distância de 100 metros da estação.

Fedor, com um corpo antropomórfico prateado, mede 1,80 metro de altura e pesa 160 quilos.

© SIC Notícias

O nome corresponde ao acrónimo “Final Experimental Demonstration Object Research” e refere-se à designação russa Fyodor.O robô tem contas nas redes sociais Instagram e Twitter, que detalham o seu quotidiano, com situações como quando aprende a abrir uma garrafa de água.

© SIC Notícias

A bordo da ISS desde que descolou na quinta-feira do Cazaquistão, Fedor deveria testar as suas capacidades em condições de gravidade muito baixa, sob a supervisão do cosmonauta russo Alexander Skvortsov, nos 17 dias que está previsto permanecer no espaço.

© SIC Notícias

Lusa

msn notícias
SIC Notícias
24/08/2019

 

 

2495: FEDOR: Rússia lança nave Soyuz a caminho da ISS com andróide a bordo

A Rússia lançou hoje o Soyuz MS-14 a caminho da Estação Espacial Internacional (ISS). Dentro da nave segue um andróide como único membro da tripulação, num voo de teste para certificar o foguete porta-aviões Soyuz 2.1a.

Durante o voo, o robô transmitirá imagens do interior da Soyuz e informará ao Centro de Controlo de Voo Espacial. Além disso, o robô pode fazer várias outras tarefas.

Rússia coloca andróide no espaço

De acordo com o Centro de Controlo de Voo Espacial Russo (CCVE), o lançamento foi realizado às 03:38 GMT a partir do Baikonur Cosmodrome (Cazaquistão). O robô, Skybot-F850 ou FEDOR (Final Experimental Demonstration Object Research), que a imprensa russa chama de “Fiódor” devido à sua semelhança com o nome russo, permanecerá no espaço por um total de 17 dias.

“Vamos lá”, disse o autómato, que repetiu a famosa frase pronunciada por Yuri Gagarin no início do primeiro voo espacial da história.

Robô da Rússia terá uma missão dentro da Soyuz

Segundo as informações, durante o voo, o robô transmitirá imagens do interior da Soyuz. Além disso, irá passar algumas informações ao CCVE sobre o funcionamento dos sistemas da nave. O “Fiódor” mede 180 centímetros e pesa 160 quilos, o que obriga a reforçar o assento em que está instalado. Nesse sentido, esta adaptação é necessária porque o padrão é calculado para um peso de 95 quilos.

Inicialmente, o autómato foi desenvolvido em nome do Ministério Russo para Situações de Emergência para a evacuação de pessoas de áreas afectadas por deslizamentos de terras, incêndios, bem como contaminação química e radioactiva.

Para fazer isso, o andróide chamado de “Avatar”, foi ensinado a desempenhar várias operações. Assim sendo, ele está preparado para subir e descer escadas, conduzir veículos e usar diferentes tipos de ferramentas.

Sábado o “Fiódor” chega à ISS

O acoplamento do Soyuz MS-14 com a EEI está previsto para o próximo sábado. Na plataforma espacial “Fiódor” será recebido pela sua actual tripulação: os russos Alexéi Ovchininin e Alexandr Skvortsov, os americanos Andrew Morgan, Nick Hague e Christina Koch, e o astronauta italiano da Agência Espacial Europeia (ESA), Luca Parmitano.

A ISS, que custou mais de 150 mil milhões de dólares e que envolve 16 nações, actualmente tem 15 módulos permanentes. Conforme podemos seguir, a Estação Espacial Internacional orbita a Terra a uma distância de 400 quilómetros e a uma velocidade de mais de 27.000 quilómetros por hora.

pplware
Imagem: Ifl Science

 

2494: Sensores de radiação da Rússia desligaram-se misteriosamente após recente explosão nuclear

the_travelogue / Wikimedia

Nas semanas após um acidente nuclear fatal num campo de tiro de armas navais em Nyonoksa, quatro sensores de partículas radioactivas que enviavam dados do território russo para uma rede de monitorização internacional desligaram-se misteriosamente.

As interrupções foram originalmente relatadas pela CNN com referência à Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO).

Primeiro, a falha na transferência de dados foi explicada como um problema técnico. No entanto, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, divulgou um comunicado que dizia que a cooperação do país com a monitorização radioactiva internacional era “puramente voluntária” e não deveria afectar o desenvolvimento de armas.

Enquanto algumas das estações de monitorização de radiação na Sibéria já retomaram a partilha dos seus dados, a comunidade internacional está agora a questionar se a interrupção foi uma coincidência ou parte do encobrimento do acidente nuclear em Nyonoksa.

Na quinta-feira, dia 8 de Agosto, uma explosão num campo de testes militar na região de Arkhangelsk, na Rússia, fez com que as leituras de radiação nas cidades vizinhas aumentassem para 2 microsieverts por hora durante cerca de 30 minutos. Este pico é cerca de cinco a 20 vezes a dose de fundo de 0,1 e 0,4 microsieverts por hora, embora não seja mortal nem prejudicial.

No entanto, as autoridades russas confirmaram que cinco pessoas morreram na explosão, e acredita-se que todas tenham sido cientistas de armas. Pouco mais foi dito publicamente, além das alegações da agência nuclear estatal russa ROSATOM de que a explosão era um “motor de foguete” com uma “fonte de energia de radioisótopo”.

Desde então, tem havido especulações de que o desastre foi causado pelo lançamento fracassado de um míssil Burevestnik 9M730, apelidado de “Skyfall” pelos aliados da NATO, um míssil de cruzeiro nuclear experimental com alcance intercontinental alimentado por um reactor nuclear.

Os reactores nucleares utilizam energia através de um processo conhecido como fissão, em que um núcleo atómico se divide em dois ou mais núcleos menores. Como esta é uma reacção exotérmica, a fissão de elementos pesados ​​liberta uma grande quantidade de calor e energia com uma quantidade relativamente pequena de combustível.

Vários grupos ambientalistas russos já pediram ao Governo para divulgar mais informações em relação à explosão, mas as autoridades continuam praticamente em silêncio total.

ZAP //

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22 Agosto, 2019

 

2451: Academia Espacial russa está a criar uma “gasolineira espacial” para satélites

A Rússia está a projectar uma espécie de “gasolineira espacial”: um sistema de satélites robóticos que fornece energia a outros satélites em órbita através de tecnologia laser.

De acordo com o diário russo Izvestia, citado pela Russia Today, os grandes “clientes” deste posto de abastecimento seriam, antes de mais os dispositivos do sistema internacional de socorro Cospas-Sarsat e dos satélites de transmissão de vídeo, rádio e Internet.

Segundo escreve o mesmo jornal, que teve acesso a alguns detalhes do projecto na Academia Militar Espacial A.F. Mozhaiski, sediada em São Petersburgo, o protótipo do projecto tem o aspecto de um disco voador “clássico”

Nos hemisférios superiores e inferiores da “gasolineira”, seriam instalados painéis solares e módulos fotovoltaicos responsáveis pela transmissão de feixes laser.

O compartimento que abrigaria o dispositivo teria também um sistema de controlo, bateria e um carregador de impulso baseado num super-capacitador – um dispositivo electroquímico capaz de suportar uma densidade de energia excepcionalmente alta durante um curto período de tempo, precisa o mesmo jornal.

“A nossa ideia permite aumentar o suprimento de energia de satélites que estão numa parte sombria da sua órbita, onde a luz solar está a faltar. E [ajudaria] também em situações em que a carga eléctrica não chega até aos satélites para que estes possam cumprir as missões propostas”, explicou Dmitri Kargu da Academia Mozhaiski.

“Na verdade, a perda do aparelho em questão será evitada”, acrescentou.

De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal russo, o projecto poderia aumentar os ciclos de vida em órbita de vários satélites em 50%, permitindo economizar até 46 milhões de dólares (41 milhões de euros) por cada satélite que tem que ser resgatado.

Até então, os robôs fornecedores de energia não se tornaram realidade em nenhum país, apesar de a NASA e da Space X de Elon Musk estarem a desenvolver tecnologia nesse sentido.

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16 Agosto, 2019

 

2392: Nuvem radioactiva que cobriu a Europa vinha de uma instalação nuclear secreta na Rússia

CIÊNCIA

rclarkeimages / Flickr

Uma vasta nuvem de radiação nuclear que se espalhou pela Europa continental em 2017 originou-se num desconhecido acidente nuclear no sul da Rússia.

Uma equipa internacional de investigadores concluiu que a nuvem radioactiva detectada na Europa no fim de Setembro de 2017 pode ter sido causada por um acidente de reprocessamento de combustível nuclear na Associação de Produção de Mayak, uma instalação nuclear na região de Chelyabinsk dos Montes Urais, na Rússia, entre o meio-dia de 26 de Setembro e o meio-dia de 27 de Setembro.

A Rússia confirmou que uma nuvem de radiação nuclear foi detectada nos Montes Urais na época, mas o país nunca reconheceu qualquer responsabilidade pelo vazamento de radiação nem admitiu que um acidente nuclear tenha ocorrido em Mayak em 2017.

Em comunicado, o principal autor da investigação, o químico nuclear Georg Steinhauser, da Universidade Leibniz, em Hannover, na Alemanha, disse que mais de 1.300 medições atmosféricas em todo o mundo mostraram que foram libertados entre 250 e 400 terabecquerels de ruténio radioativo-106 durante esse período.

Ruténio-106 é um isótopo radioactivo do ruténio, o que significa que tem um número diferente de neutrões no seu núcleo. O isótopo pode ser produzido como um subproduto durante a fissão nuclear de átomos de urânio-235.

Embora a nuvem resultante da radiação nuclear tenha sido suficientemente diluída para não causar danos às pessoas, a radioactividade total estava entre 30 e 100 vezes o nível de radiação libertada após o acidente de Fukushima no Japão em 2011, disse Steinhauser ao Live Science.

A nuvem foi detectada em Setembro de 2017 na Europa central e oriental, na Ásia, na Península Arábica e até nas Caraíbas. Apenas ruténio-106 radioactivo foi detectado na nuvem Durante o reprocessamento do combustível nuclear – quando o plutónio e o urânio radioactivos são separados do combustível nuclear usado de reactores nucleares – o rutênio-106 é tipicamente separado e colocado em armazenamento de longo prazo.

Isso significava que qualquer libertação maciça de ruténio só poderia vir de um acidente durante o reprocessamento de combustível nuclear – e as instalações de Mayak eram um dos poucos lugares no mundo que realizavam esse tipo de reprocessamento, de acordo com os resultados publicados em Julho na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Estudos meteorológicos avançados feitos como parte desta nova investigação mostraram que a nuvem de radiação só poderia ter vindo das instalações de Mayak. O estudo mostrou que o acidente de 2017 não foi causado por uma libertação simples de gás radioactivo. Em vez disso, um incêndio -ou mesmo uma explosão – poderia ter exposto trabalhadores a níveis nocivos de radiação.

A Rússia não reconheceu que algum acidente tenha ocorrido nas instalações de Mayak, talvez porque o plutónio é fabricado para armas termo-nucleares. No entanto, a Rússia estabeleceu uma comissão para investigar a nuvem radioactiva. A comissão russa decidiu que não há provas suficientes para determinar se um acidente nuclear foi responsável pela nuvem.

O acidente ocorreu pouco mais de 60 anos desde que um acidente nuclear em Mayak, em 1957, causou uma das maiores emissões de radiação na história da região, perdendo apenas para a explosão de 1986 e o incêndio na central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.

No acidente de 1957, conhecido como o desastre de Kyshtym, um tanque de lixo nuclear líquido explodiu nas instalações de Mayak, espalhando partículas radioactivas pelo local e causando uma pluma radioactiva de fumo que se estendeu por centenas de quilómetros.

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31 Julho, 2019

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2224: Aquecimento global vai tornar certas regiões do planeta habitáveis (e essa não é uma boa notícia)

radickraphicov / Pixabay

Algumas áreas desertas da Sibéria e partes da Rússia asiática estão a tornar-se habitáveis por causa das alterações climáticas, mostrou um novo estudo agora divulgado. Isso pode motivar uma migração em grande escala, já que outras regiões mais povoadas vão ficar demasiado quentes.

De acordo com a Science Alert, citada pelo Observador no domingo, até 2100, é possível que as temperaturas subam tanto que as zonas actualmente demasiado frias para a sobrevivência humana passem a ser mais amenas e suportáveis.

No artigo do Instituto Sukachev da Floresta, da Rússia, publicado na Environmental Research Letters, foram utilizados modelos que permitiram prever quais vão ser as condições de habitabilidade na Sibéria nas próximas décadas.

Descobriram que, já a partir de 2080, as temperaturas podem ter aumentado entre 3,4ºC e 9,1ºC durante o inverno e entre 1,9ºC e 5,7ºC durante o verão. E perceberam que a área coberta por pergelissolo – a terra permanentemente congelada das regiões próximas ao Árctico – diminuiria de 65% para os 40%.

Significa isto que, apesar de algumas regiões permaneceram inabitáveis com o aquecimento global, estes valores podem traduzir-se numa área habitável para longas estadias 15% maior do que na actualidade.

Mas isso não são boas notícias: é que, enquanto a Sibéria se torna mais acolhedora para os humanos, outras regiões do planeta vão tornar-se demasiado quentes ou ficar inundadas por causa do aumento do nível médio da água do mar. Além disso, isso obrigaria os humanos a invadir regiões dominadas por ursos polares e a enfrentar uma atmosfera poluída por produtos químicos tóxicos.

Este estudo chega numa altura em que se descobriu que a Gronelândia registou temperaturas 4,4ºC superiores ao normal ao longo desta semana. Os dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo indicam que nunca se registou uma extensão do gelo sobre o Oceano Árctico tão baixa em meados de Junho como em 2019.

TP, ZAP //

Por TP
24 Junho, 2019

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2150: Vulcão extinto acordou. Cientistas dizem que pode explodir “a qualquer momento”

CIÊNCIA

kuhnmi / Wikimedia

Um vulcão no extremo leste da Rússia, que antes era considerado extinto, pode estar a despertar – e uma erupção pode ser catastrófica.

Acredita-se que o vulcão Bolshaya Udina – parte do complexo vulcânico de Udina, na Península de Kamchatka – tenha estado extinto até 2017, quando o aumento da actividade sísmica foi detectado, segundo os cientistas.

Agora, Ivan Koulakov, geofísico da do Instituto Trofimuk de Geologia e Geofísica do Petróleo, que liderou um estudo sobre o vulcão, acredita que deve ser reclassificado como activo. “A qualquer momento pode ocorrer uma erupção”, disse Koulakov à CNN.

Entre 1999 e Setembro de 2017, cerca de cem eventos sísmicos fracos foram detectados sob o vulcão, que fica a 2,9 quilómetros acima do nível do mar. Um “aumento anómalo” na sismicidade, no entanto, começou em Outubro de 2017. Entre Outubro de 2017 e Fevereiro de 2019, foram registados cerca de 2.400 eventos sísmicos. Em Fevereiro, um terramoto de magnitude 4,3 ocorreu em Udina – o evento sísmico mais forte que já ocorreu na região.

Investigadores da Rússia, Egipto e Arábia Saudita realizaram um estudo do vulcão no ano passado entre Maio e Julho, que foi publicado no Journal of Volcanology and Geothermal Research. Instalando quatro estações temporárias de monitorização sísmica em redor de Bolshaya Udina, os cientistas registaram e analisaram 559 eventos sísmicos.

Um “aglomerado elíptico” de actividade sísmica tinha-se formado em torno do vulcão com eventos sísmicos a ocorrer a mais de cinco quilómetros abaixo da superfície. “Essas propriedades sísmicas podem indicar a presença de intrusões de magma com alto conteúdo de fluidos, o que pode justificar a mudança do status actual deste vulcão de extinto para activo”, escreveram os investigadores.

Além disso, observaram que o aglomerado de eventos sísmicos ligava o vulcão à zona de Tolud, ao sul do vulcão, uma região que se acredita armazenar magma na crosta inferior da Terra. A zona de Tolud agora estava a alimentar Bolshaya Udina com magma graças a um novo caminho que se desenvolveu em 2018.

Bolshaya Udina partilha características estruturais com outro vulcão anteriormente extinto na região, o Bezymianny, que entrou em erupção dramaticamente em 1956, disse Koulakov. Há cerca de 50% de probabilidade de que o Bolshaya Udina entre em erupção.

“Ou pode libertar a energia suavemente durante alguns meses ou pode simplesmente desaparecer sem qualquer erupção”, disse. Se o vulcão entrar em erupção, pode representar uma ameaça significativa para as pequenas aldeias vizinhas, mas “não há muitas pessoas por perto”.

Uma erupção considerável também pode afectar o clima em “partes completamente diferentes do mundo”, disse. As cinzas libertadas pela erupção poderiam espalhar-se para além da Rússia, interrompendo as viagens aéreas.

Infelizmente, o vulcão é difícil de monitorizar, devido à distância das estações sísmicas permanentes. “Precisamos de implantar mais estações para entender se é perigoso ou não”, disse. “É altamente imprevisível.”

ZAP //

Por ZAP
10 Junho, 2019

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