2587: Centro de controlo perde o contacto com a Vikram momentos antes da alunagem

A nave espacial indiana Vikram interrompeu esta sexta-feira as comunicações com o centro de controlo segundos antes de concretizar a alunagem. De acordo com o presidente da Organização Indiana de Pesquisa Espacial, as operações decorreram com normalidade na aproximação à Lua até à altitude de 2,1 quilómetros do solo mas, posteriormente, o contacto com o aparelho perdeu-se. “Estamos a analisar os dados”, anunciou K Sivan.

Através de uma mensagem colocada na rede social Twitter, o presidente da ìndia, Narendra Modi, afirmou que o país “está orgulhoso dos seus cientistas” e sublinhou que “deram o seu melhor”. A rematar a mensagem, Modi acrescentou: “Há momentos para se ser corajoso e seremos corajosos”.

Caso a missão tivesse tido sucesso, a Índia passaria a ser o quarto país a aterrar na lua depois da Rússia, dos Estados Unidos e da China. Esta seria, também, a primeira missão científica lançada à região do pólo sul da lua, uma zona que nunca foi explorada.

O módulo “Vikram”, contendo o rover “Pragyaan” no seu interior, tinha a descida prevista entre a 1h00 e as 2h00 da madrugada deste sábado, 7 de Setembro, e a alunagem na superfície lunar aconteceria meia-hora mais tarde, entre a 1h30 e as 2h30.

msn notícias
Expresso
06/09/2019

 

2585: NASA vai levar um drone voador autónomo a Marte para fazer história

CIÊNCIA

A NASA está bastante mais à frente de qualquer outra agência espacial no que toca à exploração de Marte. Nesse sentido, esta já percebeu como colocar no solo do planeta vermelho os seus rovers e sondas. Os engenheiros do Jet Propulsion Laboratory, na Califórnia, anexaram um drone voador à barriga do rover Marte 2020. Este será lançado em Julho próximo.

Este veículo, totalmente autónomo, tem uma aparência de mini-helicóptero e terá uma missão de auto adaptação.

Que tipo de drone irá sobrevoar Marte?

O mini-helicóptero para Marte (Helicóptero Marte), será movido a energia solar. Apesar do seu tamanho, cerca de 80 centímetros de altura (quando aberto e pronto a voar), esta será a primeira aeronave a voar noutro planeta. O robô drone irá para o planeta vermelho com a sonda Mars 2020 da NASA.

Conforme foi avançado, a missão Mars 2020 está programada para ser lançada a 17 de Julho de 2020. A partir do Cabo Canaveral, o rover será então transportado pelo foguetão Atlas 5 da United Launch Alliance.

Missão Mars 2020 será um marco na história da exploração de Marte

A instalação do helicóptero para Marte será feita na parte inferior do rover Mars 2020. Actualmente, os engenheiros estão a conceber e a preparar a nave a uma série de verificações antes do voo. Para já, o veículo que aterrará no solo marciano está a ser submetido a um teste de vibração. O processo é assim idêntico ao que foi usado na aterragem que entregou o rover Curiosity em Marte em 2012.

Com esta união de duas grandes naves espaciais, posso dizer definitivamente que todas as peças estão prontas para uma missão histórica de exploração. Juntos, Marte 2020 e o Helicóptero Marte, ajudarão a definir o futuro da ciência e da exploração do Planeta Vermelho nas próximas décadas.

Referiu Thomas Zurbuchen, responsável da NASA em Washington.

Os principais objectivos da missão Mars 2020 incluem a procura de sinais de vida microbiana antiga em Marte. Nesse sentido, o rover irá recolher amostras de rocha para serem recuperadas e trazidas para a Terra numa futura missão. Além disso, será testado um dispositivo para gerar oxigénio a partir do dióxido de carbono na atmosfera marciana.

Helicóptero Marte – Uma inovação na atmosfera marciana

Equipado com um par de lâminas contra-rotativas, o mini-helicóptero é uma experiência de demonstração tecnológica. Depois do rover chegar a Marte em 18 de Fevereiro de 2021, este deixará cair o drone sobre a superfície marciana e afastar-se-á para uma distância segura. Posteriormente, o rover irá continuar com as suas próprias investigações científicas independentes do helicóptero.

O novo dispositivo voador, terá uma cobertura que o protegerá contra detritos durante a entrada, descida e aterragem do rover em Marte.

O nosso trabalho é provar que o voo autónomo e controlado pode ser executado na atmosfera marciana extremamente fina. Como o nosso helicóptero é projectado como um teste de voo de tecnologia experimental, ele não transporta instrumentos científicos. Mas se provarmos que o voo motorizado em Marte pode funcionar, estamos ansiosos pelo dia em que os helicópteros de Marte possam desempenhar um papel importante nas futuras explorações do Planeta Vermelho.

Comentou MiMi Aung, do JPL.

Helicóptero será autónomo e voará à sua vontade

O helicóptero voará autonomamente, sem entrada em tempo real de controladores terrestres que estão a milhões de quilómetros de distância. O drone transporta então duas câmaras e a telemetria do helicóptero será encaminhada através de uma estação base no rover.

A atmosfera na superfície marciana tem cerca de 1% da densidade da Terra. Dessa forma, o desempenho de uma aeronave de asa rotativa como o Helicóptero Marte é mais limitado.

Assim sendo, os rotores do Helicóptero Marte girarão entre 2400 e 2900 rpm. Este valor é cerca de 10 vezes mais rápido que um helicóptero a voar na atmosfera da Terra. O recorde de altitude de um helicóptero na Terra é de cerca de 12000 metros.

Estas máquinas voadoras poderão ser os batedores do futuro

A NASA diz que os futuros helicópteros de Marte poderão transportar instrumentos científicos e actuar como batedores de rovers e, eventualmente, humanos, explorando o Planeta Vermelho. Os drones poderiam examinar penhascos, cavernas e crateras profundas, lugares onde poderia ser muito arriscado enviar uma tripulação ou um rover caro, disse a NASA num comunicado.

Com toda a certeza, estas imagens aéreas também podem ajudar a localizar obstáculos para os rovers atravessarem a superfície marciana.

Lua de Saturno também vai receber um helicóptero da NASA

O Helicóptero Marte não é o único robô voador que a NASA está a desenvolver para enviar para outros mundos. Na verdade, no início deste ano, a NASA aprovou o desenvolvimento de uma missão chamada Dragonfly, que usará uma aeronave a rotor para voar através da atmosfera Titan, a maior lua de Saturno.

Ao contrário do Helicóptero Marte, a Dragonfly é uma missão de investigação completa com o seu próprio conjunto de instrumentos científicos. Titan é coberto por uma atmosfera mais espessa do que a da Terra, tornando-o um ambiente mais favorável para uma aeronave de asa rotativa do que Marte.

Contudo, Saturno está seis vezes mais distante do Sol do que Marte, por isso os projectistas planeiam contar com um gerador nuclear para alimentar a Dragonfly em torno de Titã.


pplware
Imagem: NASA
Fonte: Space Flight Now

 

2552: NASA procura nome para rover marciano. Sugestões reservadas a crianças

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

Com a intenção de dar ao robô explorador uma identidade própria, a NASA tem em vigor uma iniciativa que inclui a participação dos alunos do ensino básico e secundário. Os interessados devem enviar um texto com a sua sugestão de nome para o rover até o dia 1º de Novembro. Os textos serão avaliados consoantes a adequação, originalidade e relevância e vão ser seleccionados e separados em três grupos.

A competição terá 52 semifinalistas por grupo e cada um destes vai representar o seu Estado ou país. A decisão final será dada de acordo com a participação do público.

O voto popular terá a possibilidade de escolher nove finalistas. A votação está prevista decorrer em Janeiro de 2020. E, no dia 18 de Fevereiro de 2020, o resultado é revelado, um ano antes de o rover aterrar na superfície marciana.

Dinheiro Vivo
30.08.2019 / 00:29

 

2424: Novas descobertas do Curiosity, sete anos depois da aterragem

Este panorama de um local chamado “Teal Ridge” foi capturado pela MastCam do Curiosity no dia 18 de Junho de 2019, ou durante o 2440.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(ver panorama completo)

O rover Curiosity da NASA percorreu um longo caminho desde que chegou a Marte, há sete anos atrás. Já viajou um total de 21 quilómetros e subiu 368 metros até à sua posição actual. Ao longo do caminho, o Curiosity descobriu que Marte teve condições para suportar vida microbiana no passado, entre outras coisas.

E o rover está longe de terminar, tendo acabado de perfurar a sua 22.ª amostra da superfície marciana. Tem mais alguns anos pela frente até que o seu sistema de energia nuclear se degrade o suficiente para limitar significativamente as operações. Depois, uma gestão cuidadosa da sua energia permitirá que o rover continue a estudar o Planeta Vermelho.

O Curiosity está agora a metade de uma região que os cientistas chamam de “unidade argilosa” do lado do Monte Sharp, dentro da Cratera Gale. Há milhares de milhões de anos, existiam riachos e lagos dentro da cratera. A água alterou os sedimentos depositados nos lagos, deixando para trás muitos minerais argilosos na região. Esse sinal de argila foi detectado pela primeira vez, do espaço, pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, alguns anos antes do lançamento do Curiosity.

“Esta área é uma das razões pelas quais viemos para a Cratera Gale,” disse Kristen Bennnett do USGS (U.S. Geological Survey), co-líder da campanha da unidade argilosa do Curiosity. “Há 10 anos que estudamos imagens orbitais desta área e, finalmente, podemos olhar de perto.”

As amostras rochosas que o rover perfurou aqui revelaram as maiores quantidades de minerais argilosos já encontradas durante a missão. Mas o Curiosity detectou quantidades similarmente altas de argila noutras partes do Monte Sharp, inclusive em áreas onde a MRO não detectou argila. Isto levou os cientistas a perguntar o porquê das diferenças entre as descobertas orbitais e à superfície.

A equipa científica está a pensar em possíveis razões pelas quais os minerais de argila aqui se destacaram para a MRO. O rover encontrou uma “zona repleta de cascalho e pedregulhos” quando aqui chegou, disse Valerie Fox do Caltech, também co-líder da campanha. Uma ideia é que os seixos são a chave: embora os seixos individuais sejam demasiado pequenos para serem vistos pela MRO, podem aparecer colectivamente para o orbitador como um único sinal de argila espalhado pela área. A poeira também assenta mais facilmente sobre rochas planas do que sobre seixos; essa mesma poeira pode obscurecer os sinais visto do espaço. Os pedregulhos são demasiado pequenos para o Curiosity perfurar, de modo que a equipa científica está a procurar outras pistas para resolver este quebra-cabeça.

O Curiosity saiu desta zona rochosa em Junho e começou a encontrar características geológicas mais complexas. Parou para obter uma panorâmica de 360 graus num afloramento chamado “Teal Ridge”. Mais recentemente, capturou imagens detalhadas de “Strathdon”, uma rocha feita de dúzias de camadas sedimentares que endureceram numa pilha quebradiça e ondulada. Ao contrário das camadas finas e planas associadas com os sedimentos de lagos, as camadas onduladas nestas características sugerem um ambiente mais dinâmico. Vento, água corrente ou ambos podem ter moldado esta área.

Tanto “Teal Ridge” como “Strathdon” representam mudanças na paisagem. “Estamos a ver uma evolução no antigo ambiente de lago registado nestas rochas,” disse Fox. “Não foi apenas um lago estático. Está a ajudar-nos a passar de uma visão simplista de Marte, indo do molhado para o seco. Em vez de um processo linear, a história da água é mais complicada.”

O Curiosity está a descobrir uma história mais rica e complexa por trás da água no Monte Sharp – um processo que Fox comparou a finalmente poder ler os parágrafos num livro – um livro denso, com páginas arrancadas, mas um conto fascinante de montar.

Astronomia On-line
9 de Agosto de 2019

 

2166: Índia lança segunda missão lunar no próximo mês

(dv) ISRO
A agência espacial indiana ISRO colocou em órbita 20 satélites com um só lançamento

A Indian Space Research Organization (ISRO) planeia uma alunagem de um rover, que se for bem sucedida, fará com que a Índia seja o quarto país a conseguir alcançar o feito.

A Índia disse que vai lançar a sua segunda missão lunar em meados de Julho, enquanto se prepara para consolidar o seu status de líder em tecnologia espacial ao conseguir um pouso controlado na Lua.

A missão, se bem-sucedida, faria da Índia apenas o quarto país atrás dos Estados Unidos, da Rússia e da China a realizar uma alunagem controlada e pôr lá um rover. A missão não tripulada, chamada Chandrayaan-2, que significa “veículo lunar”, envolverá um orbitador, um lander e um rover, que foram construídos pela ISRO.

Segundo o Al Jazeera, a missão está programada para ser lançada no dia 15 de Julho e vai custar cerca de 144 milhões de dólares. Depois de uma viagem de mais de 50 dias, a sonda da ISRO tentará uma alunagem “suave” e controlada perto do Polo Sul lunar perto do dia 6 de Setembro.

“Os últimos 15 minutos para o pouso serão os momentos mais aterrorizantes para nós”, disse o presidente da ISRO, Kailasavadivoo Sivan. A agência espacial disse que as variações na gravidade lunar, terreno e poeira podem causar problemas. “É a missão mais complexa que a ISRO alguma vez fez”, concluiu Sivan.

A primeira missão lunar indiana, a Chandrayaan-1, foi em 2008, custou cerca de 79 milhões de dólares e ajudou a confirmar a presença de água na Lua. Esta segunda missão foi originalmente planeada como uma colaboração com a agência espacial russa Roscosmos, mas em 2013 a Índia rompeu os laços devido a diferenças técnicas com o programa russo.

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2019

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2096: O Curiosity encontrou um enorme depósito de argila em Marte

JPL-Caltech / MSSS / NASA
O Curiosity encontrou “blocos de construção da vida” em Marte – e tirou uma selfie no local

O Curiosity da NASA, que explora a superfície de Marte desde 2012, confirmou a descoberta do maior depósito de argila já encontrado no Planeta Vermelho. 

Tendo em conta que a argila se forma frequentemente na água, a descoberta pode ser especialmente importante para entender o processo desta substância essencial para a vida em Marte, aponta a agência espacial norte-americana em comunicado.

A NASA detalha ainda que a descoberta do depósito de rochas sedimentares confirma que no passado existiu água na cratera de Gale.

O instrumento mineralógico do rover, apelidado de CheMin, forneceu agora a primeira análise das amostras recolhidas na chamada “unidade de argila”. A sonda da NASA encontrou ainda pequenas quantidades de hematita, um mineral de óxido de ferro que é apenas abundante a norte, junto ao cume de Vera Rubin.

A agência espacial observa ainda que é provável que as rochas da área se tenham formado como camadas de lama em lagos antigos, algo que foi já encontrado no Monte Sharp.

Depois, a água interagiu com os sedimentos ao longo do tempo, formando uma grande quantidade de argila nas rochas.

Em Marte desde 2012, o rover Curiosity foi projecto para explorar a superfície de Marte, integrando a missão Mars Science Laboratory.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



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1782: Colisões de asteróides em Marte podem ter produzido “ingredientes-chave” para a vida

JPL-Caltech / NASA
Curiosity / Mars Science Laboratory aproximando-se de Marte, conceito de artista

Um novo estudo revela que os impactos de asteróides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrogénio.

Uma atmosfera inicial rica em hidrogénio também explicaria como o planeta permaneceu habitável depois da sua atmosfera ter ficado mais fina. O estudo usou dados do rover Curiosity da NASA e foi realizado por investigadores da equipa do instrumento SAM (Sample Anaylsis at Mars) do Curiosity e por colegas internacionais.

Estes ingredientes-chave são nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-), formas fixas de azoto que são importantes para o estabelecimento e sustentabilidade da vida como a conhecemos. O Curiosity descobriu estes elementos em amostras de solo e rocha ao atravessar a Cratera Gale, local de antigos lagos e sistemas de águas subterrâneas em Marte.

Para compreender como o azoto fixado pode ter sido depositado na cratera, os cientistas precisaram de recriar a atmosfera primitiva de Marte aqui na Terra.

O estudo, liderado pelo Dr. Rafael Navarro-González e pela sua equipa de cientistas do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autónoma do México, na Cidade do México, usou uma combinação de modelos teóricos e dados experimentais para investigar o papel do hidrogénio na alteração de azoto em nitritos e nitratos usando a energia de impactos de asteróide. O artigo foi publicado na edição de Janeiro da revista Journal of Geophysical Research: Planets.

No laboratório, o grupo usou pulsos laser para simular as ondas de choque altamente energéticas criadas por asteróides que colidem com a atmosfera. Os pulsos foram focados num frasco contendo misturas dos gases hidrogénio, azoto e dióxido de carbono, representando a atmosfera primitiva de Marte.

Após os pulsos laser, a mistura resultante foi analisada para determinar a quantidade de nitratos formados. Os resultados foram, no mínimo, surpreendentes.

“A grande surpresa foi que a quantidade de nitrato aumentou quando o hidrogénio foi incluído nas experiências que simularam os impactos de asteróides,” disse Navarro-González. “Isto foi contra-intuitivo, já que o hidrogénio leva a um ambiente pobre em oxigénio, enquanto a formação de nitratos requer oxigénio.

No entanto, a presença de hidrogénio levou a um arrefecimento mais rápido do gás aquecido pelo choque, prendendo óxido nítrico, o percursor do nitrato, a temperaturas elevadas onde a sua quantidade produzida era maior.”

Embora estas experiências tenham sido realizadas num ambiente controlado de laboratório, a milhões de quilómetros do Planeta Vermelho, os cientistas queriam simular os resultados obtidos com o Curiosity usando o instrumento SAM. O SAM recolhe amostras perfuradas de rochas ou tiradas da superfície pelo braço mecânico do rover e “cozinha-as” para examinar as impressões digitais químicas dos gases libertados.

“O SAM, a bordo do Curiosity, foi o primeiro instrumento a detectar nitrato em Marte,” disse Christopher McKay, co-autor do artigo do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. “Devido aos baixos níveis de azoto gasoso na atmosfera, o nitrato é a única forma biologicamente útil de azoto em Marte. Assim, a sua presença no solo é de grande importância astrobiológica. Este artigo científico ajuda-nos a entender as possíveis fontes desse nitrato.”

Porque é que os efeitos do hidrogénio são tão fascinantes? Embora a superfície de Marte seja hoje fria e inóspita, os cientistas pensam que uma atmosfera mais espessa, enriquecida com gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, pode ter aquecido o planeta no passado. Alguns modelos climáticos mostram que pode ter sido necessária a adição de hidrogénio na atmosfera a fim de elevar a temperatura o suficiente para ter água líquida à superfície.

“Ter mais hidrogénio como gás de efeito estufa na atmosfera é interessante tanto para a história climática de Marte quanto para a sua habitabilidade,” acrescentou Jennifer Stern, geoquímica planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, co-investigadora do estudo.

“Se temos uma ligação entre duas coisas boas para a habitabilidade – um clima potencialmente mais quente com água líquida à superfície e um aumento na produção de nitratos, que são necessários para a vida – é muito emocionante. Os resultados deste estudo sugerem que estes dois itens, que são importantes para a vida, encaixam juntos e melhoram a presença um do outro.”

Mesmo que a composição da atmosfera primitiva de Marte continue a ser um mistério, estes resultados podem fornecer mais peças para resolver este enigma climático.

Disparos laser mostram que o bombardeamento de asteróides e o hidrogénio são bons “ingredientes” para a “receita” da vida em Marte

Este auto-retrato do rover Curiosity da NASA mostra o veículo na Cratera Gale em Marte. O norte está para a esquerda e o oeste à direita, os limites da Cratera Gale em ambos os lados. Este mosaico foi montado a partir de dúzias de imagens obtidas pelo instrumento MAHLI (Mars Hands Lens Imager) do Curiosity. Foram todas captadas no dia 23 de Janeiro de 2018, durante o sol 1943.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Um novo estudo revela que os impactos de asteróides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrogénio. Uma atmosfera inicial rica em hidrogénio também explicaria como o planeta permaneceu habitável depois da sua atmosfera ter ficado mais fina. O estudo usou dados do rover Curiosity da NASA e foi realizado por investigadores da equipa do instrumento SAM (Sample Anaylsis at Mars) do Curiosity e por colegas internacionais.

Estes ingredientes-chave são nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-), formas fixas de azoto que são importantes para o estabelecimento e sustentabilidade da vida como a conhecemos. O Curiosity descobriu estes elementos em amostras de solo e rocha ao atravessar a Cratera Gale, local de antigos lagos e sistemas de águas subterrâneas em Marte.

Para compreender como o azoto fixado pode ter sido depositado na cratera, os cientistas precisaram de recriar a atmosfera primitiva de Marte aqui na Terra. o estudo, liderado pelo Dr. Rafael Navarro-González e pela sua equipa de cientistas do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autónoma do México, na Cidade do México, usou uma combinação de modelos teóricos e dados experimentais para investigar o papel do hidrogénio na alteração de azoto em nitritos e nitratos usando a energia de impactos de asteróide. O artigo foi publicado na edição de Janeiro da revista Journal of Geophysical Research: Planets.

No laboratório, o grupo usou pulsos laser para simular as ondas de choque altamente energéticas criadas por asteróides que colidem com a atmosfera. Os pulsos foram focados num frasco contendo misturas dos gases hidrogénio, azoto e dióxido de carbono, representando a atmosfera primitiva de Marte. Após os pulsos laser, a mistura resultante foi analisada para determinar a quantidade de nitratos formados. Os resultados foram, no mínimo, surpreendentes.

“A grande surpresa foi que a quantidade de nitrato aumentou quando o hidrogénio foi incluído nas experiências que simularam os impactos de asteróides,” disse Navarro-González. “Isto foi contra-intuitivo, já que o hidrogénio leva a um ambiente pobre em oxigénio, enquanto a formação de nitratos requer oxigénio. No entanto, a presença de hidrogénio levou a um arrefecimento mais rápido do gás aquecido pelo choque, prendendo óxido nítrico, o percursor do nitrato, a temperaturas elevadas onde a sua quantidade produzida era maior.”

Embora estas experiências tenham sido realizadas num ambiente controlado de laboratório, a milhões de quilómetros do Planeta Vermelho, os cientistas queriam simular os resultados obtidos com o Curiosity usando o instrumento SAM. O SAM recolhe amostras perfuradas de rochas ou tiradas da superfície pelo braço mecânico do rover e “cozinha-as” para examinar as impressões digitais químicas dos gases libertados.

“O SAM, a bordo do Curiosity, foi o primeiro instrumento a detectar nitrato em Marte,” disse Christopher McKay, co-autor do artigo do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. “Devido aos baixos níveis de azoto gasoso na atmosfera, o nitrato é a única forma biologicamente útil de azoto em Marte. Assim, a sua presença no solo é de grande importância astrobiológica. Este artigo científico ajuda-nos a entender as possíveis fontes desse nitrato.”

Porque é que os efeitos do hidrogénio são tão fascinantes? Embora a superfície de Marte seja hoje fria e inóspita, os cientistas pensam que uma atmosfera mais espessa, enriquecida com gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, pode ter aquecido o planeta no passado. Alguns modelos climáticos mostram que pode ter sido necessária a adição de hidrogénio na atmosfera a fim de elevar a temperatura o suficiente para ter água líquida à superfície.

“Ter mais hidrogénio como gás de efeito estufa na atmosfera é interessante tanto para a história climática de Marte quanto para a sua habitabilidade,” acrescentou Jennifer Stern, geoquímica planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, co-investigadora do estudo. “Se temos uma ligação entre duas coisas boas para a habitabilidade – um clima potencialmente mais quente com água líquida à superfície e um aumento na produção de nitratos, que são necessários para a vida – é muito emocionante. Os resultados deste estudo sugerem que estes dois itens, que são importantes para a vida, encaixam juntos e melhoram a presença um do outro.”

Mesmo que a composição da atmosfera primitiva de Marte continue a ser um mistério, estes resultados podem fornecer mais peças para resolver este enigma climático.

Astronomia On-line
29 de Março de 2019

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1707: A Toyota vai construir o Rover que percorrerá a Lua em 2029

O veículo pressurizado terá que transportar dois astronautas ao longo de mais de 10 mil quilómetros na Lua. Este é apenas um dos requerimentos que desafiarão a Toyota a construir o próximo Rover que integrará a missão da agência de exploração aeroespacial japonesa, a JAXA, agendada para 2029.

Inegavelmente ambiciosa, a proposta quer tornar a mobilidade lunar numa realidade, tal como refere a JAXA.

Com o intuito de possibilitar a exploração humana da superfície lunar, a agência de exploração espacial japonesa firmou uma parceria com a Toyota. Uma união de esforços com vista à produção de um veículo pressurizado que utilizará duas fontes de energia, uma externa (solar) e outra endógena.

A Toyota vai ajudar o Japão a pisar a Lua

O veículo todo-o-terreno ou Rover, terá a faculdade de condução autónoma, libertando assim os astronautas para outras tarefas. Ainda de acordo com a publicação desta agência japonesa, o veículo terá uma célula de energia interna (endógena). Contudo, par alcançar uma autonomia de pelo menos 10 mil quilómetros utilizará, também, a fonte externa, solar.

A JAXA cita os vários desafios colocados pela incapacidade de transportar grandes quantidades de combustível para a Lua. Assim, este será um dos principais objectivos da Toyota, a eficiência e autonomia do veículo de exploração da superfície lunar. Um veículo que terá aproximadamente o tamanho de dois mini-autocarros.

Ainda de acordo com a mesma fonte, no seu interior os dois astronautas poderão remover os fatos de exploração do exterior. Assim, estarão livres para a execução das mais variadas tarefas e procedimentos de cariz técnico ou científico, com uma área total interna de 13 metros quadrados.

O Rover integrará a missão da JAXA em 2029

Esta missão do Japão, colocará novamente seres humanos na superfície da Lua. O astro já não é visitado por nós desde 1972, data da última missão (Apollo 17) tripulada ao nosso satélite natural. Para a Toyota será um novo desafio. Já para JAXA será o coroar de várias décadas de investigação e preparação.

Numa nota não relacionada, este anúncio chega-nos numa altura repleta de novidades. Há cerca de uma semana a Space X conseguiu acoplar a sua cápsula (Dragon) com a Estação Espacial Internacional. O momento foi registado em vídeo e partilhado pela NASA.

NASA

@NASA

Capture confirmed! After making 18 orbits of Earth since its launch, @SpaceX’s #CrewDragon spacecraft successfully attached to the @Space_Station via “soft capture” at 5:51am ET while the station was traveling just north of New Zealand. Watch: https://www.nasa.gov/nasalive 

pplware
13 Mar 2019

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1598: Sonda MAVEN vai diminuir a sua órbita em preparação para o rover 2020 da NASA

Impressão de artista da sonda MAVEN e do limbo de Marte.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

A missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA, já com 4 anos, está a embarcar numa nova campanha para apertar a sua órbita em torno de Marte. A operação vai reduzir o ponto mais alto da órbita elíptica da sonda de 6200 para 4500 km acima da superfície e prepará-la para assumir a responsabilidade adicional de servir como satélite de retransmissão de dados para o rover Mars 2020 da NASA, que será lançado no ano que vem.

“A sonda MAVEN fez um trabalho fenomenal, ensinando-nos como Marte perdeu a sua atmosfera e fornecendo-nos outras informações científicas importantes sobre a evolução do clima marciano,” disse Jim Watzin, director do programa de Exploração de Marte da NASA. “Agora estamos a recrutá-la para ajudar a NASA a comunicar com o nosso próximo rover marciano e com os seus sucessores.”

Embora a nova órbita da MAVEN não seja drasticamente mais pequena do que a sua órbita actual, mesmo esta pequena mudança melhorará significativamente as suas capacidades de comunicação. “É como usar o seu telemóvel,” comentou Bruce Jakosky, investigador principal da MAVEN da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA. “Quando mais perto estivermos de uma torre, mais forte é o sinal.”

Um forte sinal de comunicações não será o único benefício de uma órbita mais íntima. Aproximando-se cerca de 1500 km, o orbitador MAVEN também vai completar uma volta em torno do Planeta Vermelho com mais frequência – 6,8 órbitas por dia terrestre vs. as 5,3 anteriores – e assim comunicar com os rovers marcianos mais vezes. Enquanto não está a realizar retransmissões, a MAVEN continuará a estudar a estrutura e a composição da atmosfera superior de Marte. “Estamos a planear uma vigorosa missão científica bem para o futuro,” comentou Jakosky.

A missão MAVEN foi desenhada para durar dois anos no espaço, mas a sonda ainda está a operar normalmente. O seu combustível pode durar até 2030, de modo que a NASA planeia usar as capacidades de relé da MAVEN o maior tempo possível. O orbitador transporta um transceptor rádio de frequência ultra-alta – semelhante aos transportados noutras sondas marcianas – que permite a transmissão de dados entre a Terra e os rovers ou módulos de aterragem em Marte. A sonda MAVEN já serviu, ocasionalmente, como contacto de comunicação da NASA com o rover Curiosity.

Nos próximos meses, os engenheiros da MAVEN irão usar uma técnica de navegação conhecida como aero-travagem – é como aplicar os travões num carro – para aproveitar a fricção da atmosfera superior do Planeta Vermelho e assim diminuir gradualmente a velocidade da nave, órbita a órbita. É o mesmo efeito que sentiria ao colocar a mão de fora da janela de um carro em movimento.

Com base no rastreamento da nave pela equipa de navegação no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e na Lockheed Martin em Littleton, Colorado, os engenheiros começaram a diminuir cuidadosamente a parte mais baixa da órbita da sonda na atmosfera superior marciana activando os propulsores. A nave vai orbitar Marte nesta altitude mais baixa cerca de 360 vezes ao longo dos próximos dois meses e meio, desacelerando levemente a cada passagem pela atmosfera. Embora possa parecer um processo demorado, a aero-travagem é a maneira mais eficiente de mudar a trajectória da sonda, explicou Jakosky: “o efeito é o mesmo como se tivéssemos disparado os nossos motores um pouco a cada órbita, mas, desta forma, usamos muito pouco combustível.”

Felizmente, a equipa tem ampla experiência em operar a sonda nestas altitudes mais baixas. Em nove ocasiões anteriores ao longo da missão, os engenheiros da MAVEN mergulharam o orbitador até à mesma altitude para aero-travagem a fim de obter medições da atmosfera marciana. Como resultado destes “mergulhos profundos” e outras medições, a NASA aprendeu que o vento solar e a radiação despojaram Marte da maior parte da sua atmosfera, mudando o clima inicial do planeta de quente e húmido para o ambiente seco que vemos hoje. A MAVEN também descobriu dois novos tipos de auroras em Marte e a presença de átomos de metal carregados na sua atmosfera superior que nos dizem que inúmeros detritos atingem Marte, o que pode afectar o seu clima.

Astronomia On-line
15 de Fevereiro de 2019

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1578: Rover que vai procurar vida em Marte homenageia Rosalind Franklin, a “mãe” do ADN

ESA/ATG medialab

A agência espacial europeia ESA, junto com a Roscosmos, agência espacial da Rússia, vem a desenvolver o projecto ExoMars, que enviará um rover à superfície de Marte em 2020 com o objectivo principal de procurar vida.

O novo rover marciano da ESA foi baptizado com o nome de Rosalind Franklin, a injustiçada “mãe” do ADN.

O veículo de seis rodas está a ser montado pela Airbus no Reino Unido, equipado com instrumentos científicos diversos e uma broca para perfurar o solo. Assim, dar ao rover o nome de uma cientista que desempenhou papel essencial na descoberta da estrutura do ácido desoxirribonucleico faz todo sentido.

A previsão de finalização da construção do robô é para o final de Julho, quando a máquina será transportada a um centro de testes da Airbus em França. Então, o rover Franklin será integrado à sua cápsula de transporte, ficando pronto para que os russos façam o lançamento. O robô será enviado entre os dias 25 de Julho e 13 de Agosto do ano que vem, chegando a Marte em Março de 2021.

A cientista conseguiu registar duas imagens de raios-X com a estrutura do ácido desoxirribonucleico, permitindo que James Watson e Francis Crick decifrassem a forma de dupla hélice do ADN.

Ou seja, a dupla, que ganhou os méritos e reconhecimento quanto à descoberta do ADN, não teria conseguido fazer nada disso se não fosse a descoberta inicial de Franklin, que morreu prematuramente devido a um cancro de ovário, aos 37 anos, e, portanto, sem o devido reconhecimento.

MRC Laboratory of Molecular Biology / Wikimedia
Rosalind Franklin

Em 1952, Rosalind Franklin investigava o arranjo atómico do ADN usando as suas habilidades na manipulação de raios-X para criar imagens a serem analisadas.

Uma das suas fotos foi usada pela dupla Crick e Watson para a construção do primeiro modelo tridimensional da macro-molécula de dois filamentos, o que permitiu a compreensão de com o ADN armazena, copia e transmite o “código genético da vida”.

A dupla recebeu o Prémio Nobel em 1962 e Franklin não foi mencionada pois Nobels não são concedidos postumamente.

Nascida em Londres em 1920, Rosalind Franklin destacou-se nas aulas de ciências desde muito nova, tendo estudado numa das poucas escolas para raparigas que ensinavam física e química na sua época.

Decidiu que queria ser cientista aos 15 anos, contrariando a vontade dos pais, que não viam futuro nessa área dominada por homens e gostariam que a sua filha estudasse serviço social. Em 1939, entrou no Newham College, da universidade de Cambridge, graduando-se em físico-química em 1941.

No ano seguinte, tornou-se investigadora, analisando a estrutura física de materiais carbonizados usando raios-x. Rosalind Franklin também era interessada nos avanços da ciência espacial da sua época.

Mas o que “Rosalind nunca poderia imaginar é que, mais de 60 anos depois, haveria um rover enviado a Marte com o seu nome, e de alguma forma isso torna esse projecto ainda mais especial”, disse a irmã da cientista à BBC.

ZAP // Canal Tech

Por CT
11 Fevereiro, 2019

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1571: Sismómetro do InSight tem agora um abrigo aconchegante em Marte

O “lander” InSight da NASA colocou o escudo no dia 2 de Fevereiro (sol 66). O escudo cobre o sismómetro do InSight, implantado à superfície marciana no dia 19 de Dezembro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Ao longo das últimas semanas, o “lander” InSight da NASA tem vindo a fazer ajustes no sismómetro que colocou na superfície marciana no dia 19 de Dezembro. Alcançou agora outro marco, colocando um escudo abobadado sobre o sismómetro para ajudar o instrumento a recolher dados precisos. O sismómetro dará aos cientistas a primeira visão do interior profundo do Planeta Vermelho, ajudando-os a entender como este e os outros planetas rochosos são formados.

O escudo ajuda a proteger o instrumento supersensível de ser sacudido pelo vento, o que pode adicionar “ruído” aos seus dados. A forma aerodinâmica da cúpula faz com que o vento a pressione na direcção da superfície do planeta, garantindo que não tomba. A parte que toca o chão é uma “saia” feita de cota de malha e cobertores térmicos, permitindo que se acomode facilmente sobre qualquer pedra, embora existam poucas no local de aterragem do InSight.

Uma preocupação ainda maior para o sismómetro do InSight – de nome SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure) – é a mudança de temperatura, que pode expandir e contrair molas de metal e outras partes dentro do sismómetro. No local de pouso do módulo InSight, as temperaturas flutuam cerca de 94º C ao longo de um dia marciano, ou sol.

“A temperatura é uma das nossas maiores preocupações,” diz o investigador principal do InSight, Bruce Banerdt do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. O JPL lidera a missão InSight e construiu o escudo. “Pense no escudo como algo que coloca por cima de um prato com comida. Impede o SEIS de aquecer demasiado durante o dia ou de arrefecer demasiado durante a noite. Em geral, queremos manter a temperatura o mais estável possível.”

Na Terra, os sismómetros são frequentemente enterrados em “cofres” a 1,2 metros no subsolo, o que ajuda a manter a temperatura estável. O InSight não pode construir um “cofre” em Marte, de modo que a missão conta com várias medidas para proteger o seu sismómetro. O escudo é a primeira linha de defesa.

Uma segunda linha de defesa é o próprio SEIS, que foi especialmente projectado para corrigir oscilações de temperatura à superfície marciana. O sismómetro foi construído de tal modo que, à medida que algumas peças se expandem e contraem, outras o fazem na direcção oposta para cancelar parcialmente esses efeitos. Adicionalmente, o instrumento é selado a vácuo numa esfera de titânio que isola o seu interior sensível e reduz a influência da temperatura.

Mas mesmo isso não é suficiente. A esfera encontra-se fechada dentro de outro recipiente isolante – uma caixa hexagonal cor de cobre que, visível durante a colocação do SEIS no solo. As paredes desta caixa têm células que prendem o ar e impedem que se mova. Marte fornece um excelente gás para este isolamento: a sua fina atmosfera é composta principalmente por dióxido de carbono, que a baixa pressão é especialmente lento a conduzir calor.

Com estas três barreiras isolantes, o SEIS está bem protegido contra o “ruído” térmico que se infiltra nos dados e mascara as ondas sísmicas que a equipa do InSight quer estudar. Finalmente, a maior parte da interferência adicional do ambiente marciano pode ser detectada pelos sensores meteorológicos do InSight, depois de filtrada pelos cientistas da missão.

Com o sismómetro no chão e coberto, a equipa do InSight está a preparar-se para a próxima etapa: a implantação da sonda de fluxo de calor, chamada HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), à superfície de Marte. Espera-se que tenha lugar na próxima semana.

Astronomia On-line
8 de Fevereiro de 2019

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1557: Rover Curiosity mede gravidade de uma montanha

Imagens, lado a lado, do rover Curiosity (esquerda) e do “buggy” lunar conduzido durante a missão Apollo 16. Os “buggies” lunares foram usados durante as Apollo 15, 16 e 17 para transportar os astronautas, amostras lunares e equipamentos. Durante a missão Apollo 17, um dos equipamentos era o TGE (Traverse Gravimeter Experiment), usado para medir a gravidade. O Curiosity não foi enviado para Marte com gravímetros, mas tem acelerómetros que são usados para navegação. Um artigo publicado na Science, no dia 31 de janeiro de 2019, detalha como estes sensores foram reaproveitados para medir a atracção gravitacional do Monte Sharp, a montanha que o Curiosity tem vindo a escalar desde 2014.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Os astronautas da Apollo 17 conduziram um “buggy” através da superfície lunar em 1972, medindo a gravidade com um instrumento especial. Não existem astronautas em Marte, mas um grupo de investigadores inteligentes percebeu que possuem as ferramentas para realizar experiências semelhantes com o “buggy” marciano que estão a operar.

Num novo artigo publicado na revista Science, os investigadores detalham como reaproveitaram os sensores usados para conduzir o rover Curiosity e os transformaram em gravímetros, que medem mudanças na atracção gravitacional. Isto permitiu que medissem o subtil puxão das camadas rochosas na região inferior do Monte Sharp, que sobe 5 quilómetros desde a base da Cratera Gale e que o Curiosity tem vindo a escalar desde 2014. Os resultados? Ao que parece, a densidade dessas camadas rochosas é muito mais baixa do que o esperado.

Tal como um “smartphone”, o Curiosity contém acelerómetros e giroscópios. A localização e orientação do utilizador pode ser determinada através do movimento do “smartphone”. Os sensores do Curiosity fazem o mesmo, mas com uma precisão muito maior, desempenhando um papel crucial na navegação pela superfície marciana em cada viagem. O conhecimento da orientação do rover também permite com que os engenheiros apontem com precisão os seus instrumentos e a antena multidirecional de alto ganho.

Por feliz coincidência, os acelerómetros do rover podem ser usados tal como o gravímetro da Apollo 17. Os acelerómetros detectam a gravidade do planeta sempre que o rover está parado. Usando dados de engenharia dos primeiros cinco anos da missão, os autores do artigo científico mediram a atracção gravitacional de Marte sobre o rover. À medida que o Curiosity sobe o Monte Sharp, a montanha acrescenta gravidade – mas não tanto quanto os cientistas esperavam.

“As regiões mais baixas do Monte Sharp são surpreendentemente porosas,” disse o autor principal Kevin Lewis da Universidade Johns Hopkins. “Sabemos que as camadas inferiores da montanha foram enterradas ao longo do tempo. Isso compacta-as, tornando-as mais densas. Mas este achado sugere que não foram enterradas com tanto material quanto pensávamos.”

Ciência de um “Buggy” Marciano

Os astronautas da Apollo 17 conduziram o seu “buggy” pelo Vale Taurus-Littrow da Lua, parando periodicamente para obter 25 medições. Lewis estudou os campos de gravidade marciana usando dados recolhidos por orbitadores da NASA e estava familiarizado com o gravímetro da Apollo 17.

O artigo científico utiliza mais de 700 medições dos acelerómetros do Curiosity, obtidas entre Outubro de 2012 e Junho de 2017. Estes dados foram calibrados para filtrar o “ruído”, como os efeitos da temperatura e a inclinação do rover durante a sua subida. Os cálculos foram então comparados com os modelos dos campos de gravidade de Marte para garantir a precisão.

Os resultados também foram comparados com as estimativas de densidade mineral do instrumento CheMin (Chemistry and Mineralogy) do Curiosity, que caracteriza os minerais cristalinos em amostras de rochas usando um feixe de raios-X. Esses dados ajudam a informar quão porosas são as rochas.

Montanha Misteriosa

Existem muitas montanhas dentro de crateras ou ravinas em Marte, mas poucas chegam perto da escala do Monte Sharp. Os cientistas ainda não sabem ao certo como a montanha cresceu dentro da Cratera Gale. Uma ideia é que a cratera foi preenchida com sedimentos. A que percentagem, continua a ser um tema de debate, mas o pensamento é que muitos milhões de anos de vento e erosão eventualmente acabaram por escavar a montanha.

Se a cratera tivesse sido preenchida até aos rebordos, todo esse material deveria ter pressionado ou compactado as muitas camadas de sedimentos finos por baixo. Mas o novo artigo sugere que as camadas inferiores do Monte Sharp foram compactadas apenas 1 a 2 quilómetros – muito menos do que se a cratera tivesse sido completamente preenchida.

“Ainda há muitas dúvidas sobre o desenvolvimento do Monte Sharp, mas este artigo acrescenta uma importante peça ao quebra-cabeças,” disse o co-autor do estudo Ashwin Vasavada, cientista do projecto Curiosity do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “Estou muito contente que cientistas e engenheiros criativos ainda encontrem formas inovadoras de fazer novas descobertas científicas com o rover,” realçou.

Lewis disse que Marte tem muitos mistérios além do Monte Sharp. A sua paisagem é como a da Terra, mas esculpida mais pelo vento e pela areia do que pela água. São irmãos planetários, ao mesmo tempo parecidos e completamente diferentes.

Astronomia On-line
5 de Fevereiro de 2019

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1548: Dragonfly, o “robocópetro” que pode vir a morar na exótica lua de Saturno

Dentro de 15 anos, Titã, a exótica lua de Saturno, poder receber um novo “hóspede”. O Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (APL), nos Estados Unidos, acaba de divulgar uma imagem detalhada do Dragonfly, um veículo de pouso projectado para explorar o satélite natural.

Em comunicado, a APL explica que o rover foi projecto para recolher amostras materiais da superfície e para medir as composições dos materiais da superfície de Titã.

De acordo com a mesma nota, o Dragonfly será capaz de explorar uma variedade de locais de forma a caracterizar a habitabilidade do ambiente de Titã, investigar a progressão química e até procurar pistas químicas de vida baseadas em água ou hidrato-carbonetos.

Os instrumentos que recolheriam estas informações estão ainda a ser desenvolvidos, sendo testado sob condições semelhantes às de Titã.

O Dragonfly está a competir para se tornar a próxima missão da New Frontiers da NASA, que arranca neste verão. Se a agência espacial norte-americana seleccionar esta “libélula robótica”, o rover será lançado em 2025 e chegará a Titã em 2034.

Ao contrário dos rovers sob rodas que “moram” em Marte – como é o caso da adormecida Opportunity e da Curiosity – o Dragonfly voa, tal como o próprio nome indica, dando-lhe a capacidade de percorrer distâncias maiores. No fundo, a APL desenvolveu um robô voador.

E para ajudar um possível voo, a atmosfera densa e calma de Titã, aliada à baixa gravidade, farão do voo a melhor forma para explorar Saturno. Na verdade, notam os cientistas, voar sob estas condições e mais fácil em Titã do que na Terra.

“O Dragonfly oferece a capacidade revolucionária de visitar vários locais na superfície de Titã, a dezenas de centenas de milhões de quilómetros de distância”, explicou Elizabeth Turtle, investigadora principal do projecto da APL.

“Em qualquer um destes locais, a carga útil do instrumento do Dragonfly poderia ajudar-nos a responder a questões científicas importantes em disciplinas que incluem Química e Astrobiologia pré-biótica, Meteorologia, Geofísica e Geomorfologia”.

A equipa do Dragonfly está a usar este fase da investigação – denominada como “fase A” na linguagem da NASA – para desenvolver e demonstrar os aspectos desta carga útil.

A NASA deverá decidir no verão de 2019 em que missão vai apostar – dedos cruzados para o Dragonfly, a libélula que poderá decifrar a exótica Titã.

ZAP //

Por ZAP
3 Fevereiro, 2019

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1347: Os locais de aterragem dos próximos rovers marcianos da NASA e da ESA

– Aterragem se fosse na Terra… Amartagem quando é em Marte…. correcto…?

Impressões de artista do rover Mars 2020 da NASA (esquerda) e do ExoMars da ESA-Roscosmos (direita).
Crédito: NASA/JPL-Caltech; ESA

A NASA escolheu a Cratera Jezero como o local de aterragem da missão do rover marciano 2020 após uma pesquisa de cinco anos, durante a qual cada detalhe disponível dos mais de 60 locais candidatos no Planeta Vermelho foi escrutinado e debatido pela equipa da missão e pela comunidade científica planetária. Igualmente, o grupo europeu homólogo, mas para o rover e plataforma de ciência à superfície da missão ExoMars da ESA-Roscosmos, recomendou Oxia Planum como o local de aterragem da missão com lançamento previsto para 2020. A proposta será revista pela ESA e pela Roscosmos com confirmação oficial prevista para meados de 2019.

Rover marciano da NASA de 2020

A missão do rover tem lançamento previsto para Julho de 2020, como o próximo passo da NASA na exploração do Planeta Vermelho. Não só irá procurar sinais de antigas condições habitáveis – e vida microbiana passada -, como também recolher amostras e rocha e solo e armazená-las encapsuladas à superfície. A NASA e a ESA estão a estudar futuros conceitos de missões com o objectivo de recuperar as amostras e enviá-las para a Terra, de modo que este local de aterragem prepara o terreno para a próxima década de exploração de Marte.

“O local de aterragem na Cratera Jezero fornece terreno geologicamente rico, com formações que têm até 3,6 mil milhões de anos, que podem potencialmente responder a questões importantes da evolução planetária e da astrobiologia,” afirma Thomas Zurbuchen, administrador associado do Directorado de Missões Científicas da NASA. “Obter amostras desta área única vai revolucionar a forma como pensamos sobre Marte e a sua capacidade de abrigar vida.”

A Cratera Jezero está localizada na orla oeste de Isidis Planitia, uma gigantesca bacia de impacto logo para norte do equador marciano. A área oeste de Isidis apresenta algumas das paisagens mais antigas e cientificamente interessantes que Marte tem para oferecer. Os cientistas da missão pensam que a cratera, com 45 quilómetros de diâmetro, já teve um antigo delta de rio, que pode ter recolhido e preservado antigas moléculas orgânicas e outros potenciais sinais de vida microbiana a partir da água e outros sedimentos que fluíram para a cratera há milhares de milhões de anos.

O antigo sistema de lago-delta da Cratera Jezero fornece muitos alvos promissores de amostragem de pelo menos cinco tipos diferentes de rochas, incluindo argilas e carbonatos que têm um alto potencial para preservar assinaturas de vida passada. Em adição, o material transportado para o delta, a partir de uma grande bacia de água, pode conter uma grande variedade de minerais dentro e fora da cratera.

A diversidade geológica que torna Jezero tão atraente para os cientistas do rover Mars 2020 também coloca um desafio para os engenheiros da equipa de entrada, descida e aterragem. Juntamente com o gigantesco delta de rio e de pequenas crateras de impacto, o local contém inúmeros pedregulhos e rochas para este, falésias para oeste e depressões repletas de formações eólicas de leito (ondulações derivadas do vento na areia que podem prender um rover) em várias zonas.

“A comunidade de Marte há muito que cobiça o valor científico de locais como a Cratera Jezero, e uma missão anterior já contemplou lá ir, mas os desafios de uma aterragem segura foram considerados proibitivos,” afirma Ken Farley, cientista do projecto Mars 2020 no JPL da NASA. “Mas o que antes estava fora de alcance agora é concebível, graças à equipa de engenharia de 2020 e aos avanços nas tecnologias de entrada, descida e aterragem em Marte.”

Quando a pesquisa do local de aterragem começou, os engenheiros da missão já haviam aperfeiçoado o sistema de pouso de modo a reduzir a área até 50%, em comparação com a do rover Curiosity na Cratera Gale em 2012. Isto permitiu com que a comunidade científica considerasse locais de aterragem mais desafiadores. Os locais de maior interesse científico levaram a NASA a adicionar um novo recurso de nome TRN (Terrain Relative Navigation). O TRN permitirá o estágio de descida da “grua aérea”, o sistema movido a motores que transporta o rover até à superfície, a fim de evitar áreas perigosas.

A selecção do local depende de extensas análises e testes de verificação do recurso TRN. Um relatório final será apresentado a um conselho independente de revisão e à sede NASA no outono de 2019.

“Nada tem sido mais difícil, na exploração robótica planetária, do que aterrar em Marte,” comenta Zurbuchen. “A equipa de engenharia do rover Mars 2020 fez um trabalho tremendo para preparar esta decisão. A equipa vai continuar o seu trabalho para entender verdadeiramente o sistema TRN e os riscos envolvidos, e vamos analisar as descobertas independentemente para assegurar que maximizamos as nossas chances de sucesso.”

A selecção antecipada de um local de aterragem permite que os condutores do rover e a equipa de operações científicas optimizem os seus planos para explorar a Cretara Jezero quando este estiver em segurança no solo. Usando dados da frota de orbitadores marcianos da NASA, mapearão o terreno em mais detalhe e identificarão regiões de interesse – locais com as características geológicas mais interessantes, por exemplo – onde o Mars 2020 poderá recolher as melhores amostras científicas.

ExoMars da ESA-Roscosmos

No coração do programa ExoMars está a busca para determinar se a vida já existiu em Marte, um planeta que claramente albergou água no passado, mas que tem hoje em dia uma superfície seca e exposta à radiação.

Embora o TGO (Trace Gas Orbiter) da ExoMars, lançado em 2016, tivesse começado a sua missão científica este ano para procurar pequenas quantidades de gases na atmosfera que possam estar ligados à actividade biológica ou geológica, o rover vai visitar diferentes locais e perfurar até dois metros abaixo da superfície em busca de pistas de vida passada preservada no subsolo. O veículo transmitirá os seus dados para a Terra através do TGO.

Ambos os candidatos a local de aterragem – Oxia Planum e Mawrth Vallis – preservam um registo rico de história geológica do passado mais húmido do planeta, com aproximadamente 4 mil milhões de anos. Situam-se para norte do equador, separados por várias centenas de quilómetros, numa área do planeta com muitos canais que cortam desde as terras altas a sul até às planícies a norte. Dado que a vida como a conhecemos na Terra requer água líquida, locais como estes incluem muitos alvos principais para procurar pistas que possam ajudar a revelar a presença de vida passada em Marte.

“Com o ExoMars, estamos em busca de bioassinaturas. Embora ambos os locais forneçam oportunidades científicas valiosas para explorar ambientes antigos ricos em água que podem ter sido colonizados por micro-organismos, Oxia Planum recebeu a maioria dos votos,” comenta o cientista Jorge Vago, do projecto ExoMars 2020 da ESA.

“Foi dedicada uma quantidade impressionante de trabalho à caracterização dos locais propostos, demonstrando que preenchem os requisitos científicos para os objectivos da missão ExoMars. Mawrth Vallis é uma região cientificamente única, mas Oxia Planum fornece uma margem de segurança adicional para a entrada, descida e aterragem, e para atravessar o terreno a fim de alcançar os locais cientificamente interessantes identificados a partir de órbita.”

O Grupo de Trabalho de Selecção de Locais de Aterragem também enfatizou que as descobertas geradas durante o processo de selecção são essenciais para guiar as operações científicas do rover ExoMars.

A recomendação foi feita após uma reunião de dois dias no Centro Espacial Nacional em Leicester, Reino Unido, na qual especialistas da comunidade científica de Marte, da indústria e do projecto ExoMars apresentaram e discutiram os méritos científicos dos locais, juntamente com as restrições técnicas e de engenharia.

A busca pelo local perfeito de aterragem começou há quase cinco anos, em Dezembro de 2013, quando a comunidade científica foi convidada a propor locais candidatos. Foram consideradas oito propostas no seguinte mês de Abril, com quatro seleccionadas para análises detalhadas no final de 2014. Em Outubro de 2015, Oxia Planum foi identificado como um dos locais mais compatíveis com os requisitos da missão – naquela altura, ainda em mente com uma data de lançamento em 2018 -, com uma segunda opção a ser seleccionada entre Aram Dorsum e Mawrth Vallis. Em Março de 2017, a selecção identificou Oxia Planum e Mawrth Vallis como os dois candidatos para a missão de 2020, passando por uma avaliação detalhada nos últimos 18 meses.

No lado técnico, o local de aterragem deverá estar num nível elevação adequadamente baixo, para que haja atmosfera e tempo suficiente para ajudar à desaceleração da descida do para-quedas do módulo de aterragem. Seguidamente, as elipses de 120 x 19 km não devem conter recursos que possam colocar em perigo o pouso, a implementação das rampas de plataforma de superfície para o rover sair e a subsequente condução do veículo. Isto significa examinar a região à procura de declives íngremes, material solto e pedras grandes.

No lado científico, a análise teve que identificar os locais onde o rover poderá usar a sua broca para recuperar amostras abaixo da superfície e definir os possíveis percursos para se deslocar até 5 km do seu local de aterragem a fim de atingir o número máximo de locais interessantes.

Oxia Planum fica no limite onde muitos canais esvaziavam nas vastas planícies. As observações de órbita mostram que a região exibe camadas de minerais ricos em argila que se formaram em condições húmidas há cerca de 4 mil milhões de anos, provavelmente num grande corpo de água parada. Os canais que transportaram material para esta bacia de menor elevação, onde a elipse de aterragem está situada, cobrem uma área com 212.000 quilómetros quadrados. As camadas de material recentemente exposto através da erosão são acessíveis a partir de qualquer um dos pontos de aterragem, fornecendo uma janela para os primeiros tempos da história desta região.

Os minerais em Oxia Planum são representativos daqueles encontrados numa ampla área em torno da região e, portanto, forneceriam informações sobre as condições a uma escala global, colocando restrições sobre o potencial climático de habitabilidade de Marte durante este período.

Diversos períodos aquosos foram seguidos por actividade vulcânica, cobrindo os depósitos ricos em argila. Algum material vulcânico resistiu à erosão até hoje, de modo que os materiais subjacentes podem ter sido expostos recentemente, inicialmente protegidos da radiação espacial e, posteriormente, tornando-os acessíveis ao rover e às suas ferramentas analíticas.

A elipse de aterragem tem uma baixa elevação e contém muito poucos obstáculos topográficos ou encostas desafiadoras.

A plataforma de superfície da ESA e da Roscosmos tem uma janela de lançamento previsto entre 25 de Julho de 13 de Agosto de 2020 a bordo de um foguetão Proton-M a partir de Baikonur, Cazaquistão, com chegada prevista a Marte no dia 19 de Março de 2021.

O módulo de descida separar-se-á do módulo de transporte pouco antes de atingir a atmosfera marciana e fará uso de dois grandes para-quedas, juntamente com propulsores e um sistema de amortecimento, para travar a sua descida e aterragem no Planeta Vermelho. Enquanto o rover vai deslocar-se para locais diferentes para analisar a superfície e a sub-superfície, a plataforma estacionária fornecerá imagens de contexto do local de pouso e monitorização climática e investigações atmosféricas a longo prazo.

A campanha de testes para a preparação do rover marciano está em pleno andamento. A campanha de testes estruturais e térmicos do rover já foi concluída com sucesso e o teste de qualificação do ALD (Analytical Laboratory Drawer) – o laboratório a bordo onde as amostras de perfuração do rover serão processadas e analisadas – também está em fase de conclusão. O teste inclui a verificação da funcionalidade dos mecanismos de processamento de amostras usando análogas às de Marte sob condições simuladas de um ambiente marciano – pressão baixa, atmosfera de dióxido de carbono e uma gama de temperaturas.

Os testes para caracterizar a capacidade do rover em lidar com diferentes tipos de terreno também estão em andamento com o modelo de verificação de locomoção. O fornecimento do hardware de voo também já começou, incluindo o computador, a bateria e o mastro do rover, juntamente com a maioria dos instrumentos científicos.

“A nossa missão ExoMars combina um desempenho extremo com os novos recursos de design do rover, e estamos ansiosos por operar a primeira missão europeia à superfície de Marte,” comenta François Spoto, líder da equipa do programa ExoMars.

“O ato de aterrar em Marte tem uma longa cadeia de riscos, mas graças às capacidades e conhecimentos combinados das indústrias europeias e russas, que trabalham com tecnologias fiáveis, estamos focados numa aterragem segura.”

Astronomia On-line
27 de Novembro de 2018

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1148: NASA tem esperança que os ventos de Marte reanimem a Opportunity

NASA/JPL-Caltech/Cornell/Arizona State Univ.
Imagens da câmara panorâmica da Opportunity

Os ventos fortes, que se fazem sentir em Marte num determinado período do ano, poderão ajudar a limpar a poeira dos painéis solares do rover Opportunity, que está adormecido desde Junho. De acordo com a NASA, a comunicação poderá ser finalmente restabelecida.

“Um período ventoso em Marte — conhecido pela equipa da Opportunity como ‘período para limpar a poeira’ – ocorre entre Novembro e Janeiro e já ajudou a limpar os painéis solares de rovers no passado. A equipa tem esperança que a limpeza de alguma da poeira possa resultar em algum tipo de comunicação durante este período”, escreveram o cientistas da NASA na sua página oficial.

No início do mês de Junho, Marte foi assolado por uma enorme tempestade de areia que atingiu a zona onde Opportunity estava localizada. Passados poucos dias, a situação agravou-se tanto que os cientistas foram obrigados a accionar o regime de emergência do rover, desligando assim todas as suas ferramentas à excepção dos relógios.

Em meados de Junho, as imagens de Curiosity – a sonda companheira de Opportunity no Planeta Vermelho – mostraram que a tempestade atingiu todas as zonas de Marte. Foi só no final do mês de Julho que a cortina de poeira começou gradualmente a baixar.

O problema surgiu de forma inesperada e, apesar de se manter já há alguns meses, a NASA continua a tentar estabelecer contacto com o rover. Recentemente, a sonda norte-americana MRO encontrou a Opportunity e, através das fotografias que recolheu, dá para perceber que a sonda não estava coberta de areia, mas ainda não é certo por que motivo o rover é incapaz de entrar em contacto com a Terra.

Mesmo que a Opportunity continue “adormecida” até Novembro, os cientistas da NASA vão continuar a tentar estabelecer contacto com a sonda até ao final do ano. Só aí é que serão discutidos os próximos passos, que incluem a finalização da missão.

O robô encontra-se em Marte desde 2004. Inicialmente, foi concebido para durar apenas 3 meses, mas continuou a operar durante quase 15 anos.

Por SN
15 Outubro, 2018

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1084: Rover japonês envia primeiro vídeo de asteróide a 280 milhões de km

Os dois robôs aterraram a 22 de Setembro e enviaram agora o primeiro vídeo. É a primeira vez que rovers aterram e exploram um asteróide

Imagem do asteróide Ryugu captada a 64 metros. Foi tirada a 21 de Setembro. É a fotografia com maior resolução tirada da superfície do asteróide
Foto JAXA, University of Tokyo, Kochi University, Rikkyo University, Nagoya University, Chiba Institute of Technology, Meiji University, Aizu University, AIST

Esta imagem mostra o ponto que foi captado na fotografia anterior com grande resolução
Foto JAXA, University of Tokyo, Kochi University, Rikkyo University, Nagoya University, Chiba Institute of Technology, Meiji University, Aizu University, AIST

Os dois rovers japoneses que aterraram no asteróide Ryugu conseguiram enviar o primeiro vídeo, cinco dias depois da aterragem, a 280 milhões de quilómetros da Terra. As imagens foram divulgadas pela agência espacial japonesa Jaxa na sua conta do Twitter.

Antes do vídeo, os robôs já tinham enviado fotografias da superfície do asteróide. Esta é a primeira vez que uma agência espacial aterra num asteróide, com capacidade para o explorar. As primeiras imagens que chegaram foram tiradas pela câmara da nave que transportou os rovers, Hayabusa-2.

Esta é uma das primeiras imagens recolhidas pelo Rover-1B
Foto JAXA

Outra imagem recolhida pelo Rover-1A
Foto JAXA

No próximo mês, a nave vai fazer explodir um engenho por cima do asteróide, disparando um míssil de dois quilos que vai permitir recolher fragmentos frescos do asteróide, que não foram expostos a radiações. Esses fragmentos podem ajudar na investigação principal que é tentar perceber as origens da vida na Terra.

Esta missão foi lançada em Dezembro de 2014 e as amostras recolhidas no asteróide devem chegar à Terra em 2020.

Diário de Notícias
Ana Bela Ferreira
28 Setembro 2018 — 11:10

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793: “CAÇADORES DE TEMPESTADES” EM MARTE À PROCURA DE SEGREDOS DA POEIRA

Animações que mostram como a poeira envolveu o Planeta Vermelho (a imagem da esquerda é de dia 28 de maio, a da direita de 1 de Julho).
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Perseguir tempestades requer sorte e paciência cá na Terra – e ainda mais em Marte.

Para os cientistas que observam o Planeta Vermelho com orbitadores da NASA, o mês passado tem sido um turbilhão. As tempestades “globais” de poeira, onde uma série descontrolada destes eventos climáticos cria uma nuvem tão grande que envolve o planeta, só aparecem a cada 6-8 anos (ou seja, 3-4 anos marcianos). Os cientistas ainda não entendem porquê ou exactamente como essas tempestades se formam e evoluem.

Em Junho, um destes eventos de poeira engoliu rapidamente o planeta. Os cientistas observaram pela primeira vez uma tempestade de poeira mais pequena no dia 30 de Maio. No dia 20 de Junho, tinha-se tornado global.

Para o rover Opportunity, isso significou uma queda repentina na visibilidade – de um dia claro e de sol para um dia nublado. Dado que o Opportunity funciona a energia solar, os cientistas tiveram que suspender as actividades científicas a fim de preservar as baterias do rover. À data da escrita deste artigo, não havia ainda nenhuma resposta do rover.

Felizmente, toda esta poeira funciona como um isolante atmosférico, evitando com que as temperaturas nocturnas caiam para menos do que o Opportunity consegue suportar. Mas o rover com quase 15 anos ainda não está fora de perigo: pode levar semanas, ou mesmo meses, para que a poeira comece a estabilizar-se. Com base na longevidade de uma tempestade global de areia de 2001, os cientistas da NASA estimam que só em Setembro é que a neblina fica limpa o suficiente para o Opportunity sair do modo de hibernação e ligar para casa.

Quando os céus começarem a clarear, os painéis solares do Opportunity podem estar cobertos por uma fina camada de poeira. Isso poderá atrasar a recuperação do rover, pois recolhe energia para recarregar as suas baterias. Uma rajada de vento ajudaria, mas não é um requisito para uma recuperação completa.

Enquanto a equipa do Opportunity aguarda para ouvir o rover, os cientistas noutras missões marcianas tiveram uma hipótese rara de estudar este fenómeno.

A MRO (Mars Reconnaissance Orbiter), a Mars Odyssey e a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN) estão a adaptar as suas observações do Planeta Vermelho para estudar esta tempestade global e para aprender mais sobre os padrões climáticos de Marte. Entretanto, o rover Curiosity está a estudar a tempestade de areia a partir de superfície.

Mars Odyssey

Com o instrumento THEMIS (Thermal Emission Imaging System), os cientistas podem rastrear a temperatura à superfície de Marte, a temperatura atmosférica e a quantidade de poeira na atmosfera. Isto permite com que observem a tempestade de poeira a crescer, evoluir e a dissipar-se com o tempo.

“Este é um dos maiores eventos climáticos que já vimos em Marte,” desde que as observações com missões espaciais começaram na década de 1960, comenta Michael Smith, cientista do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que trabalha no instrumento THEMIS. “Ter outro exemplo de uma tempestade de areia ajuda-nos realmente a entender o que está a acontecer.”

Desde o início da tempestade, a equipa do THEMIS aumentou a frequência das observações atmosféricas globais, de 10 em 10 dias para duas vezes por semana, realça Smith. Um mistério que ainda estão a tentar resolver: como estas tempestades se tornam globais. “A cada ano marciano, durante a estação da poeira, existem muitas tempestades locais ou regionais que cobrem uma área do planeta,” explica Smith. Mas os cientistas ainda não têm a certeza como essas tempestades mais pequenas crescem e às vezes acabam por cercar todo o planeta.

Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)

A sonda MRO tem dois instrumentos a estudar a tempestade de areia. Todos os dias, o MARCI (Mars Color Imager) mapeia todo o planeta a meio da tarde a fim de acompanhar a evolução da tempestade. Entretanto, o instrumento MCS (Mars Climate Sounder) mede o modo como a temperatura da atmosfera muda com a altitude. Desde o final de maio, os instrumentos observaram o início e a rápida expansão da tempestade de poeira em Marte.

Com estes dados, os cientistas estudam como a tempestade altera as temperaturas atmosféricas do planeta. Tal como na atmosfera da Terra, a mudança de temperatura de Marte pode afectar os padrões de vento e até mesmo a circulação de toda a atmosfera. Isto fornece um feedback poderoso: o aquecimento solar da poeira lançada para a atmosfera muda a temperatura, o que altera os ventos, o que pode ampliar a tempestade levantando mais poeira da superfície.

Os cientistas querem saber os detalhes da tempestade – onde é que o ar sobe ou desce? Como é que as temperaturas atmosféricas actuais se comparam com um ano sem tempestades? E, tal como a Mars Odyssey, a equipa da MRO quer determinar como estas tempestades de areia se tornam globais.

“O simples facto de que podemos começar com algo que é uma tempestade local, não maior que um estado norte-americano, e depois desencadear algo que levanta mais poeira e produz uma névoa que cobre quase todo o planeta, é notável,” comenta Rich Zurek, cientista do projecto MRO.

Os cientistas querem descobrir porque é que estas tempestades surgem a cada poucos anos, o que é difícil de fazer sem um registo longo de tais eventos. Seria como se alienígenas estivessem a observar a Terra e a ver os efeitos climáticos do El Niño durante muitos anos de observações – perguntar-se-iam porque é que algumas regiões ficam ainda mais chuvosas e algumas áreas mais secas seguindo um padrão aparentemente regular.

MAVEN

Desde que o orbitador MAVEN entrou em órbita de Marte, “uma das coisas pelas quais esperávamos era uma tempestade global de poeira,” comenta Bruce Jakosky, investigador principal da sonda.

Mas a MAVEN não está a estudar a tempestade de poeira propriamente dita. Ao invés, a equipa da MAVEN quer estudar como a tempestade afecta a atmosfera superior de Marte, mais de 100 km acima da superfície – onde a poeira nem chega. A missão da MAVEN é descobrir o que aconteceu com a atmosfera inicial de Marte. Sabemos agora que em algum ponto da sua história, há milhares de milhões de anos, a água líquida ficou acumulada e corria pela superfície, o que significa que a sua atmosfera deve ter sido mais espessa e mais isolante, parecida à da Terra. Desde que a MAVEN chegou a Marte em 2014, as suas investigações descobriram que esta atmosfera pode ter sido removida por uma corrente de vento solar ao longo de várias centenas de milhões de anos, há 3,5-4 mil milhões de anos.

Mas ainda existem nuances a determinar, como por exemplo o modo como as tempestades de poeira, como a actual, afectam as moléculas atmosféricas que escapam para o espaço, afirma Jakosky. Por exemplo, a tempestade de poeira age como um isolante atmosférico, aprisionando o calor do Sol. Será que este aquecimento altera a forma como as moléculas escapam da atmosfera? É também provável que, à medida que a atmosfera aquece, mais vapor de água suba o suficiente para ser destruído pela luz solar, o vento solar varrendo os átomos de hidrogénio para o espaço.

A equipa não terá respostas durante algum tempo, mas cada uma das cinco órbitas diárias da MAVEN fornecem dados inestimáveis.

Curiosity

A maioria das naves da NASA estudam a tempestade de areia a partir de órbita. O rover Curiosity tem uma perspectiva única: a máquina científica movida a energia nuclear é amplamente imune aos céus escuros, permitindo com que recolha ciência dentro do véu bege que envolve o planeta.

“Estamos de momento a trabalhar o dobro,” comenta Ashin Vasavada do JPL, cientista do projecto Curiosity. “A nossa broca recentemente recondicionada está a obter uma amostra de rocha fresca. Mas também estamos a usar os instrumentos para estudar como a tempestade de poeira evolui.”

O Curiosity tem vários “olhos” que podem determinar a abundância e tamanho das partículas de poeira com base no modo como espalham e absorvem luz. Isto inclui a Mastcam, a ChemCam e um sensor ultravioleta na REMS, a sua “suite” de instrumentos meteorológicos. A “suite” REMS também pode ajudar a estudar as marés atmosféricas – mudanças na pressão que se deslocam como ondas em todo o ar rarefeito do planeta. Estas marés mudam drasticamente com base no local onde a poeira está globalmente, não apenas dentro da Cratera Gale.

A tempestade global também pode revelar segredos sobre os “diabos de poeira” e sobre os ventos de Marte. Os diabos de poeira podem ocorrer quando a superfície do planeta está mais quente do que o ar acima dela. O aquecimento gera turbilhões de ar, alguns dos quais levantam poeira e tornam-se diabos. Durante uma tempestade de areia, há menos luz solar directa e temperaturas diurnas mais baixas; isto pode significar menos diabos a rodopiar pela superfície.

Até mesmo novas perfurações podem avançar a ciência das tempestades: a observação de pequenas pilhas de material solto, formadas pela broca do Curiosity, é a melhor maneira de monitorizar os ventos.

Os cientistas pensam que a tempestade vai durar pelo menos um par de meses. De cada vez que avistar Marte no céu, nas próximas semanas, lembre-se dos dados que os cientistas estão a recolher para melhor compreender o misterioso clima do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
24 de Julho de 2018

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678: Em 15 anos, Marte nunca esteve tão brilhante e tão perto da Terra

Marte vai brilhar mais intensamente no céu nocturno nas próximas seis semanas do que brilhou nos últimos 15 anos. O planeta vermelho estará assim no ponto mais próximo da Terra desde 2003, durante de Junho e Julho, quando o nosso planeta passar entre Marte e o Sol.

No dia 31 de Julho, quando Marte estiver no auge do seu brilho, encontrar-se-á a 35,8 milhões de quilómetros da Terra, de acordo com o The Weather Channel.

Assim, o planeta ficará facilmente visível a olho nu ao longo do mês de Julho, superando todas as estrelas mais brilhantes à medida que se aproxima do ponto mais próximo da Terra.

Este fenómeno – chamado de oposição periélica – ocorre quando a Terra passa directamente entre Marte e o Sol. No mês passado, Júpiter estava em oposição ao nosso planeta, balançando cerca de 409 milhões de quilómetros da Terra.

A oposição de Marte acontece a cada dois anos, tendo o último sido registado em maio de 2016. No entanto, o fenómeno deste ano é especial pois, a algumas semanas da oposição, o planeta vermelho também atingirá o ponto mais próximo do Sol na sua órbita – periélio é o nome atribuído a este ponto.

De acordo com a NASA, a oposição periquélica ocorre apenas uma vez a cada 15 ou 17 anos, quando as órbitas da Terra e de Marte se alinham, tornando-os mais próximos.

No entanto, e apesar de Marte parecer muito brilhante e bonito a partir dos nossos quintais, a realidade do planeta é muito menos amigável. Actualmente, uma tempestade de areia está a assolar o planeta, cobrindo cerca de 10 mil milhões de acres da superfície do planeta vermelho.

“É uma das mais intensas tempesteadas já observadas no planeta vermelho”, disse a NASA num comunicado de imprensa.

A NASA colocou o rover Opportunity – que é movido a luz solar – em modo de suspensão para enfrentar a tempestade mas, ainda não é certo que o dispositivo sobreviva após a tempestade. A imagem abaixo apresentada mostra uma série de imagens que a agência espacial simulou a partir do posicionamento do robô.

JPL Caltech/TAMUNASA
Perspectiva do robô Opportunity sobre a tempestade de areia que “apagou o sol”

Nestas imagens, são mostradas simulações de como parceria o sol e o céu a partir da superfície de Marte, na sua hora mais brilhante do dia, e à medida que a tempestade de areia piorava. Na simulação do extremo direito da imagem, o sol é totalmente apagado para o rover Opportunity.

O mais recente sonda da NASA, a Curiosity, funciona através de energia nuclear e está localizado numa área menos afectada pela tempestade de areia e, por isso, não parece ter sido tão afectado. Esta animação, também disponibilizada pela NASA, mostra a propagação da tempestade a partir do posicionamento de ambos os robôs.

O robô Opportunity encontra-se em Marte desde 2004. Inicialmente, foi concebido para durar apenas 3 meses, mas continuou a operar durante quase 15 anos.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
22 Junho, 2018

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651: Tempestade de areia cobre Marte e silencia Opportunity

REUTERS /NASA/JPL-Caltech/Cornell Univ./Arizona State University

Rover Opportunity não dá sinais de ‘vida’ desde domingo

O veículo robotizado norte-americano Opportunity deixou de emitir sinais de Marte, onde aterrou em 2004, devido a uma tempestade de areia que atingiu o planeta, privando-o de energia solar para recarregar as baterias que o fazem funcionar.

Na terça-feira à noite, controladores de voo da agência espacial norte-americana NASA, que opera o aparelho, voltaram a tentar, sem sucesso, estabelecer contacto com o Opportunity, que não dá sinais de vida desde domingo.

As baterias do veículo robotizado estão tão em baixo que apenas um relógio continua a funcionar para alertar o aparelho para verificações periódicas dos níveis de energia.

A tempestade, que tem crescido desde o fim de maio a uma velocidade sem precedentes, já atingiu mais de um quarto da área de Marte e deverá cobrir todo o planeta dentro de dois a três dias.

Os técnicos da NASA esperam que o veículo de exploração do solo marciano possa sobreviver à tempestade.

Contudo, pode demorar semanas ou mesmo meses até o céu de Marte voltar a ficar limpo o suficiente para que a luz do Sol atinja a superfície do planeta e recarregue as baterias dos painéis solares que dão a energia para o veículo robotizado funcionar.

Inicialmente, o Opportunity foi concebido para durar três meses.

Diário de Notícias
14 DE JUNHO DE 2018 07:38
DN/Lusa

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626: Confirma-se: há moléculas orgânicas em Marte

O rover Curiosity, da NASA | NASA /JPL-Caltech/MSSS

Não é ainda a confirmação da vida, mas é mais um passo na caminhada. NASA discute em conferência, transmitida em directo aqui, as implicações da descoberta

O rover Curiosity da NASA detectou pela primeira vez sem margem para dúvidas a presença de moléculas orgânicas no solo marciano. Não é ainda a confirmação da vida, nem sequer da existência de vida no passado longínquo do planeta, uma vez que as moléculas orgânicas também podem ter um origem externa aos processos da vida. Mas esta descoberta é mais um passo de gigante nessa demanda e, quem sabe, nessa direcção.

As análises que permitiram chegar agora a esta conclusão foram feitas por um dos instrumentos do Curiosity, o SAM, de Sample Analisys at Mars, e mostram “provas conclusivas” da existência de compostos orgânicos em rochas que o rover recolheu na cratera Gale, uma local onde parecem estar preservadas as condições geológicas de há 3,5 mil milhões de anos – a mesma época em que a vida despontou no planeta vizinho: a Terra.

A presença dos compostos orgânicos, sublinham os autores do artigo sobre o achado, que é publicado hoje na Science, não significa necessariamente que eles resultam dos processos da vida, mas a sua descoberta agora “dá novas pistas para se compreender melhor os processos e as condições do planeta”.

Anteriores experiências feitas pela sonda Curiosity, em 2014, já tinham apontado para a presença de compostos orgânicos no solo do Planeta Vermelho, mas os dados acabaram por não ser conclusivos na altura porque havia fortes possibilidades de haver contaminação das experiências. Agora não há qualquer dúvida: a sua presença está confirmada e os cientistas que analisaram os dados pensam que estes são compostos de moléculas maiores que teriam existido ali no passado, há 3,5 mil milhões de anos.

“Os nossos resultados sugerem ser muito provável que matéria orgânica oriunda de várias fontes exista em grande escala nas rochas de Marte”, escreve a equipa que analisou os dados do SAM e que foi coordenada por Jennifer Eigenbrode, da centro espacial Goddard, da NASA. “Mesmo que a vida não tenha sido uma fonte-chave [destes compostos orgânicos], há grande potencial para a sua origem provir de meteoritos ou de processos hidrotermais ou ígneos”, sublinham os autores.

Além disso, a descoberta sugere que “possa haver vestígios orgânicos mais bem preservados no interior do solo, sob a superfície, onde os efeitos da radiação são reduzidos”, o que sublinha a importância de futuras missões para explorar o subsolo marciano, como algumas que já estão a ser preparadas pela própria NASA, mas também pela ESA, na Europa.

Os tijolos da vida

Moléculas orgânicas são os compostos a que costumamos chamar os tijolos da vida: sem eles, a vida não pode estruturar-se. Eles são muito variados, e vão desde os átomos de carbono (um dos elementos encontrados agora pelo Curiosity) aos de hidrogénio (também detectado) e oxigénio.

No caso desta descoberta, além de vestígios de carbono e hidrogénio, os cientistas depararam-se igualmente com elementos com nomes como tiofeno (composto por átomos de hidrogénio, carbono e enxofre), metanotiol, ou ainda dimetilsulfureto, um composto organosulfuroso, entre outros.

No entanto, a presença confirmada destes elementos em Marte não é uma indicação directa da existência (passada ou presente) de vida ali, uma vez que eles podem ser produzidos por reacções químicas que não envolvem a comparticipação da vida – e, para já, não existe nenhum indício de que isso tenha acontecido.

Seja como for, esta descoberta, e uma outra igualmente importante, a de que o metano na atmosfera marciana não é constante, mas tem um ciclo anual definido – outra equipa analisou os dados do Curiosity para chegar a esta conclusão e publica um artigo sobre isso nesta mesma edição da Science – “são um grande passo na astrobiologia”, como lhe chama a astrobióloga Inge Loes tem Kate, da Universidade de Utrecht, Holanda, num artigo também publicado hoje na Science, e no qual discute as implicações destas duas descobertas.

A especialista não tem dúvidas: “estes resultados são a prova conclusiva da detecção há muito esperada de compostos orgânicos em Marte”. E conclui: “a questão sobre se a vida existiu em Marte [na mesma altura em que despontou na Terra, há 3,5 mil milhões de anos] torna-se muito mais oportuna agora, que sabemos que havia moléculas orgânicas na sua superfície nessa época”.

Diário de Notícias
07 DE JUNHO DE 2018 19:00
Filomena Naves

JPL-Caltech / MSSS / NASA
O Curiosity encontrou “blocos de construção da vida” em Marte – e tirou uma selfie no local

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